Instituto de letras e comunicaçÃO (ilc)


INSTITUTO DE LETRAS E COMUNICAÇÃO (ILC)



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INSTITUTO DE LETRAS E COMUNICAÇÃO (ILC)


FACULDADE DE LETRAS (FALE)

MODALIDADE A DISTÂNCIA

CINEZIA PINA DE LIMA OLIVEIRA E LEILANE TEIXEIRA DE LIMA

ESTUDO DAS PERSONAGENS DO ROMANCE TRISTE FIM DE POLICARPO QUARESMA DE LIMA BARRETO

ORIENTADORA: PROFª. DRª. MARIA DE FÁTIMA DO NASCIMENTO

Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) apresentado como requisito parcial para obtenção do grau de Licenciado em Letras, Língua Portuguesa Modalidade a Distância, sob orientação da Professora Doutora Maria de Fátima do Nascimento.

PARAGOMINAS

JULHO/2017

SUMÁRIO

1- INTRODUÇÃO



2- ANTONIO CANDIDO, BETH BRAITE E LIGIA CHIAPPINI RECORTE SOBRE A PERSONAGEM DE FICÇÃO E NARRADOR

3- LIMA BARRETO E O PRÉ-MODERNISMO NO BRASIL

4-RESUMO DA OBRA TRISTE FIM DE POLICARPO QUARESMA DE LIMA BARRETO

4.1 ESTUDO DO ROMANCE TRISTE FIM DE POLICARPO QUARESMA DE LIMA BARRETO

5-CONSIDERAÇÕES FINAIS

6- RETERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS



1-INTRODUÇÃO

Após a leitura da obra “Triste Fim de Policarpo Quaresma” de Lima Barreto 1915, iremos mostrar neste trabalho alguns aspectos das personagens principais da referida obra que são, Policarpo Quaresma, Ricardo Coração dos Outros e Olga, na obra do autor brasileiro, que fez parte do pré-modernismo no Brasil.

Para constatarmos este estudo, lemos algumas obras, que nos ajudaram a entender e compreender sobre as personagens, sobre Lima Barreto, sobre o narrador e sobre a obra, esses textos falam da vida de ficção limabarretiana, História Concisa da Literatura Brasileira (2015), de Alfredo Bosi, A Literatura no Brasil (1986), de Afrânio Coutinho, A Literatura Brasileira Através dos Textos, (1996) de Massaud Moisés, A Educação Pela Noite e Outros Ensaios, (2000), de Antonio Candido, com os textos desses estudiosos ficamos sabendo o que eles falaram sobre a vida, literatura e obra de Lima Barreto.

Lemos dois estudiosos que falaram sobre personagens, sendo A personagem de Ficção, (2000), de Antonio Candido, e A personagem (1993), de Beth Brait, ambos falaram sobre personagem que fazem parte do romance, como as personagens podem ser identificadas na obra, Lemos também uma estudiosa que falou sobre narrador, O Foco Narrativo, (1987), de Ligia Chiappini Moraes Leite, veio nos falar quais os tipos de narradores que podem fazer parte do romance, e como podem ser identificados.

Assim, o presente trabalho está divido em três capítulos, sendo que o primeiro vem falar sobre o recorte das personagens de ficção, e falando também sobre tipo de narrador, o segundo capítulo aborda a biografia de Lima Barreto e o momento no qual ele fez parte, que ficou conhecido como pré-modernismo, e o terceiro e último capítulo vem abordar a análise do romance “Triste Fim de Policarpo Quaresma”, dando ênfase as principais personagens da obra, Policarpo Quaresma, Ricardo Coração dos Outros e Olga, a partir das características feitas pelos estudiosos citados acima.

O período de transição entre a literatura do século 19 para a do século 20, ficou conhecido como pré-modernismo, e teve como como destaque cinco autores que cumpriram o papel de revelar em suas obras essa transição que foram: Euclides da Cunha, Graça Aranha, Monteiro Lobato, Augusto dos Anjos e Lima Barreto.

O ficcionista brasileiro Afonso Henriques de Lima Barreto, nasceu no Rio de Janeiro, no ano de 1881, filho de mestiços, sendo seu pai um tipógrafo e sua mãe professora, ficou órfão de mãe aos sete anos de idade, seu pai é demitido do cargo e por isso, vão embora para a Ilha do Governador, Lima Barreto com a ajuda de seu padrinho ingressa na Escola Politécnica em 1897, e abandona-a, em 1903, no ano seguinte interna-se no hospício, devido a depressão e alcoolismo. Em 1919 candidata-se a na Academia Brasileira de Letras, o qual não obteve sucesso, e neste mesmo ano e internado novamente no hospício, e nesta segunda internação que surge o “Cemitério dos Vivos”, faleceu de colapso cardíaco em 1° de novembro de 1922, aos quarenta e um anos de idade, suas obras foram: Recordações do Escrivão Isaías Caminha, 1909; Triste Fim de Policarpo Quaresma, publicado em folhetins no jornal do comércio em 1911, em livro, 1915; Numa e Ninfa, 1915; Vida e Morte de M.J. Gonzaga de Sá, 1919; Clara dos Anjos, em folhetins 1923-1924, em livro 1948.

A partir 1956 as obras de Lima Barreto foram organizadas e publicadas pela Editora Brasiliense, de São Paulo, em 17 volumes, os já citados acima e mais: Histórias e Sonhos, contos; Os Bruzundangas, sátiras; Coisas do Reino de Jambom, sátira; Bagatelas, artigos; Feiras e mafuás, artigos e crônicas; Vida Urbana, artigos e crônicas; Marginália, artigos e crônicas; Impressões de Leitura, crítica; Diário Íntimo; O Cemitério dos Vivos, memórias; Correspondência, 2 vols.



Triste Fim de Policarpo Quaresma, como já foi mencionado acima, foi publicado pela primeira vez em folhetins no jornal do comércio, da cidade do Rio de Janeiro, e em livro 1915, o enredo da narrativa faz jus ao título da obra, quando Policarpo Quaresma é condenado à morte por Floriano Peixoto, mesmo tendo combatido a seu favor, têm-se o “Triste Fim de Policarpo Quaresma”.

Lima Barreto sempre criava obras que serviam como denúncias de suas “amarguras pessoais”, seria uma maneira de expressar suas angustias, amarguras e injustiças sofridas por ser mulato e pobre. Massaud Moisés diz que Lima Barreto é herdeiro de Machado de Assis, mas que este é contagiado por novas tendências, e por uma vida cheia de problemas e de frustações.



2-ANTONIO CANDIDO, BETH BRAITE E LIGIA CHIAPPINI

RECORTE SOBRE A PERSONAGEM DE FICÇÃO E NARRADOR

O romance Triste Fim de Policarpo Quaresma, apresenta vários personagens em sua obra, mas iremos focar em apenas três, por julgarmos ser os mais importantes da narrativa, que são Policarpo Quaresma, Olga sua afilhada e seu único e melhor amigo Ricardo Coração dos Outros, pois, são os mais próximos de Policarpo Quaresma em todo o desfecho da obra, e são eles também que conseguem entender os pensamentos e opiniões de Quaresma.

Antonio Candido em seu livro A personagem de Ficção fala sobre a personagem que faz parte do romance dizendo que:

“Geralmente, da leitura de um romance fica a impressão duma série de fatos, organizados em enredo, e de personagens que vivem estes fatos. É uma impressão praticamente indissolúvel: quando pensamos no enredo, pensamos simultaneamente nas personagens; quando pensamos nestas, pensamos simultaneamente na vida que vivem, nos problemas em que se enredam [...]”. (CANDIDO, 2000, P.53).

Candido fala que ao lermos um romance pensamos em várias coisas, como nas personagens, no que elas vivem e em seus problemas, isso é algo indispensável ao se ler um romance, é algo que automaticamente se faz presente no pensamento do leitor, pois, desperta a curiosidade sobre as personagens da obra.

Candido 200, diz ainda que não é de se espantar que o leitor aceite e veja as personagens de um romance como um ser vivo, e que isso depende da aceitação do leitor durante a leitura, e que muitas das vezes o leito imagina que o essencial em um romance são as personagens, e que as vezes se chega até a perdoar os defeitos e erros do enredo, por se prender nas personagens.

“Não espanta, portanto, que a personagem pareça o que há de mais vivo no romance; e que a leitura deste dependa basicamente da aceitação da verdade da personagem por parte leitor. Tanto assim, que nós perdoamos os mais graves defeitos de enredo [...]”. (CANDIDO, 2000, p.54)

Existe um problema que não pode ser confundido em um romance, que são personagem de ficção e pessoa real, que muitas das vezes é confundido pelo leitor, pois, estão entrelaça no romance, a pessoa se refere a realidade e personagem a ficção.

“A personagem é um ser fictício, - expressão que soa como paradoxo. De fato, como pode uma ficção ser? Como pode existir o que não existe? No entanto a criação literária repousa sobre este paradoxo, e o problema da verossimilhança no romance depende desta possibilidade de um ser fictício, isto é, algo que, sendo uma criação da fantasia, comunica a impressão de mais lídima verdade existencial. Podemos dizer, portanto que o romance se baseia, antes de mais nada, num certo tipo de relação entre o ser vivo e o ser fictício, manifestada através da personagem, que é a concretização deste”. (CANDIDO, 2000, p. 55).

Percebe-se que existe uma grande semelhança entre personagem e pessoa, que chega a se tornar confuso diante do leitor, pessoa refere-se ao ser humano que tem vida própria, personagem está relacionada a ficção, sendo assim a personagem aparece para o leitor como pessoa real, isso se dá pelo fato dela se tornar real diante dos olhos do leitor com a verossimilhança, assim a personagem é uma imitação do ser humano, mas que não toma vida fora do romance, do leitor e do escritor.

Beth Brait em seu livro A personagem, também faz menção a personagem dizendo que ela não existe fora do papel, ou seja, fora das palavras, ela existe somente no papel, nos escritos do autor e no pensamento do leitor.

Não se pode deixar esquecer que as personagens são somente o que está no romance, nada além daquilo, ou seja, só se tem informações das personagens com o que está escrito no romance, ele é o único meio da qual se pode obter informações das mesmas, Beth Brait diz que: “se o texto é o produto final da criação do autor, então ele é o único dado concreto capaz de fornecer os elementos utilizados pelo escritor para dar consistência à sua criação e estimular as reações do leitor” (BRAIT, 1993, p.52 )

Na obra Triste Fim de Policarpo Quaresma, pode-se deparar com personagens que podem ser confundidas com pessoas durante a leitura, pois, apresentam características de um ser real, que tem vida além do papel, assim pode-se citar Policarpo Quaresma, Olga e Ricardo Coração dos Outros. Um ato realizado por Quaresma dentro do romance pode ser imaginado como sendo um ato de uma pessoa real:

“Na sua meiga e sossegada casa de São Cristóvão, enchia os dias de forma mais útil e agradável ás necessidades do seu espírito e do seu temperamento. De manhã, depois da toilette e do café, sentava-se no divã da sala principal e lia os jornais. [...] Os seus hábitos burocráticos faziam-no almoçar cedo, e, embora estivesse de férias, para não os perder, continuava a tomar a primeira refeição de garfo ás nove e meia da manhã”. (BARRETO, 2010, p.16).

As personagens do romance apresentam uma determinação maior do que uma pessoa, porém é bem mais simples do que o ser humano, por isso Antonio Candido diz que a personagem: “[..] é criada, estabelecida e racionalmente dirigida pelo escritor, que delimita e encerra, numa estrutura elaborada, a aventura sem fim que é, na vida o conhecimento do outro.” (CANDIDO, 2000, p. 58). A personagem de ficção vive com mais intensidade que o ser humano, sendo essa umas das vantagens do ser fictício em relação a pessoa, portanto, o ser fictício não passa de uma mera imitação da realidade, sendo apenas vivida pelo autor e pelo leitor no ato da leitura.

Antonio Candido em consonância com outros autores, fala de dois tipos de personagens, os de costumes e os de natureza, sendo que cada um apresenta suas características. As personagens de costume são invariáveis, e logo reveladas, apresentam uma simplicidade em suas caracterizações, traços marcantes e pode ser mencionada na obra apenas com um de seus traços.

A personagem de natureza é apresentada por traços superficiais, ou seja, traços que de imediato não são revelados, apresentadas também pelo seu modo de ser e por seu estado psicológico, vendo o ser humano no seu estado mais profundo.

[...] “Pode-se dizer que o romancista de costume vê o homem pelo seu comportamento em sociedade, pelo tecido das relações e pela visão normal que temos do próximo. Já o romancista de natureza o vê à luz da sua existência profunda, que não se patenteia à observação coerente, nem se explica pelo mecanismo das relações”. (CANDIDO, 2000, p. 62).

Percebe-se que, na obra “Triste Fim de Policarpo Quaresma” o narrador durante a narrativa é, as vezes narrador observador, que observa e relata a história, em outros momentos é um narrador que participa da história, pois, percebe diálogos entre as personagens, que pode ser observado por travessões, e as vezes esses recursos pode confundir o leitor, que se depara com esses tipos de narradores.

Beth Brait diz que não se pode existir narrativa sem narrador, mesmo que se esteja tentando caracterizar personagens, sempre se acaba esbarrando em narrador, que é algo fundamental em uma narrativa, pois, sem ele não se pode saber informações sobre as personagens.

[...] “não há como fugir desse elemento presente, sob diversas formas, em todos os textos caracterizados como narrativas. Como podemos receber uma história sem a presença de um narrador? Como podemos visualizar uma personagem, saber quem ela é, como se materializa, sem

um foco narrativo que ilumine sua existência? Assim como não há cinema sem câmera, não há narrativa sem narrador.” (BRAIT, 1993, P.53)

O narrador em terceira pessoa, como é o caso do narrador de “Triste Fim de Policarpo Quaresma”, é um narrador que apresenta os movimentos, os sentimentos e os pensamentos das personagens, assim o leitor é capaz de conhecer toda a vida das personagens através deste tipo de narrador, pois, ele proporciona ao leitor essas informações, mesmo não sendo um personagem da narrativa, mas tem esse “poder” de saber tudo sobre as personagens.

“Tudo isto irritava profundamente Quaresma. Vivendo há 30 anos quase só, sem se chocar com o mundo, adquirira uma sensibilidade muito viva e capaz de sofrer profundamente com a menor coisa. Nunca sofrerá críticas, nunca se atirou à publicidade, vivia imerso no seu sonho, incubado e mantido vivo pelo calor dos seus livros. Fora deles, ele não conhecia ninguém; e, com as pessoas com quem falava, trocava pequenas banalidades, ditos de todo dia, coisas com que a sua alma e o seu coração nada tinham que ver.” (BARRETO, 2010, P.37)


Segundo Beth Brait, o narrador em primeira pessoa teria que está envolvido na narrativa, ou seja, teria que ser um personagem da história narrada, assim o leitor teria contato com as características da personagem, atreves dos recursos utilizados pelo escritor, mas esse não seria o caso da obra que está sendo utilizada.

Ligia Chiappini em seu livro O foco Narrativo, com classificação de Norman Friedman, fala de algumas categorias de narradores presente nos romances, e uma das categorias é o narrador “Autor onisciente intruso”, sendo a primeira categoria proposta por Friedman, esse tipo de narrador tem liberdade para narrar à vontade, sua característica é a intrusão, onde pode comentar sobre a vida, costumes e outros aspectos da personagem. Este tipo de narrador sabe de tudo sobre a vida da personagem, e assim transmiti as informações para o leitor.

Percebe que, na obra de Lima Barreto em “Triste Fim de Policarpo Quaresma” tem-se um narrador “autor onisciente intruso”, onde ele sabe de tudo sobre as personagens, como sentimento, características, intimidada e outros aspectos que pertence as personagens, e é através desse narrador que o leitor fica informado sobre a vida dessas personagens, e tudo que o leitor fica sabendo das personagens é graças a este tipo de narrador. Portanto, a personagem é a peça “chave” em um romance, pois, elas são essências para o desfecho da história, que repassa ao leitor as aventuras e os acontecimentos do decorrer da narrativa.

3-LIMA BARRETO E O PRÉ MODERNISMO NO BRASIL

Afonso Henriques de Lima Barreto (1881-1922), filho de mestiços, de um tipografo e uma professora, que aos sete anos ficou órfã de mãe, era afilhado de Visconde de Ouro Preto, por esse motivo seu pai foi demitido da Imprensa Nacional, foram pai e filho morar na Ilha do Governador, seu pai foi trabalhar como almoxarife, com a ajuda do padrinho, Lima Barreto conseguiu concluir o curso secundário, e ingressar na Escola Politécnica em 1897, abandonou-a em 1903. Nesse tempo seu pai enlouqueceu, foi recolhido para a Colônia, Lima Barreto passou a viver como funcionário da Secretaria de Guerra e como colaborador da imprensa, lia literatura de ficção européia do século XIX, e se familiarizou com a literatura realista, social e dos intelectuais brasileiros.

Viveu crises de depressão, enfrentou o alcoolismo, foi internado em um hospício em pela primeira vez em 1914, e pela segunda vez em 1919, foi nesta que surgiu o “Cemitério dos vivos”, a partir de 1918 entrou para militar na imprensa maximalista, e é dessa fase os artigos de crítica social, que se tornaram livros depois de sua morte, morreu aos 41 ano, de colapso cardíaco, suas obras foram: Recordações do Escrivão Isaías Caminha, 1909; Triste Fim de Policarpo Quaresma, 1915; Numa e Ninfa, 1915; Vida e Morte de M. J. Gonzaga de Sá, 1919; Bagatelas, 1923; Os Bruzundangas, 1923. A partir de 1956, as obras de Lima Barreto foram organizadas por, Francisco Assis Barbosa, Antônio Houaiss e Cavalcanti Proença, os livros ja citados e Histórias e Sonhos (conto), (sátira) Coisas do Reino do Jambom, (artigos e crônicas) Feiras e Mafuás, (artigos e crônicas) Vida Urbana, (artigos e crônicas) Marginália, (crítica) Impressões de Leitura, (Memórias) Diário Íntimo, (Memórias) O Cemitério dos Vivos, Correspondência, 2 vols., todos pela Editora Brasiliense, de São Paulo.

O romance “Triste Fim de Policarpo Quaresma” de Lima Barreto, foi escrito no período do pré-modernismo, segundo Bosi, Lima Barreto era contra algumas modernidades que estavam aparecendo no Rio de Janeiro no início do século XX, como “o cinema, o futebol, o arranha-céu e a ascensão profissional da mulher”, o que parecia ser algo considerado grave, chegava também a comparar o “sistema Republicano desfavoravelmente com o regime monárquico no Brasil”, essas contradições foram esclarecidas por Bosi, quando ele deixa claro que Lima Barreto, era de “classe média suburbana”, e por isso reagia de forma conservador.

Antonio Candido 2000, fala que a literatura para Lima Barreto, era algo criado para expressar a verdade contida no escritor, para transmitir com transparência seus sentimentos e mostrar através das palavras a sinceridade, servindo também para trazer à tona os problemas e injustiças sofridas pela humanidade, que era corrompida pela sociedade, focando também na particularidade dos problemas sociais, como as incompreensões sofrida pelas pessoas, assim a literatura tinha o “poder” de transmitir e libertar o homem de seus sentimentos desastrosos, tornando sua “convivência” cada vez melhor com o mundo e com a sociedade.

Afrânio Coutinho 1986, diz que Lima Barreto aproveitou o período conhecido como Pré-modernismo, para expressar em seus romances as “inconformidades do mundo”, ou seja, tudo que ele passava no momento era transcrito para seus romances, como as decepções, tristezas e revoltas, isso fez com que Lima Barreto tornasse um autor diferenciado daquele momento literário, pois, continha nele algo diferenciado e “estranho”, isto trouxe uma certa confusão para seus romances, onde tentava transformar a literatura um “arma de combate” contra seus problemas.

Alfredo Bosi 2001, chama de Pré-modernismo tudo que foi criado no início do século XX, até a semana da Arte Moderna, que ocorreu em 1922, em São Paulo, e que estava problematizando a realidade cultural e social brasileira, rompendo com as correntes literárias existentes “o Parnasianismo e o Simbolismo”, São Paulo foi a cidade irradiadora do modernismo, devido as “situações socioculturais” brasileira do início do século.

O marco da literatura antes da Semana da Arte Moderna, conhecido como Pré-modernismo, foi marcado por alguns autores segundo Bosi, que foram: Lima Barreto, Graça Aranha, Euclides da Cunha, Alberto Torres, Oliveira Viana, Manoel Bandeira e Monteiro Lobato, caberia a eles romperem com estagnação da “belle époque”, e mostrar a verdadeira vida nacional do povo brasileiro, isso antes do Modernismo acontecer. Lima Barreto, Euclides da Cunha, Graça Aranha e Monteiro Lobato inseriram na literatura pré- modernista o nacionalismo, algo novo naquele momento, preocupando-se com a vida e a realidade brasileira, instauraram uma linguagem informal e acessível a todas as classes sociais.

“Viveram com maior ou menor dramaticidade uma consciência dividida entre a sedução da “cultura ocidental” e as exigências do seu povo, múltiplo nas raízes históricas e na dispersão geográfica”. (BOSI, 2001, p.306)

O Pré-modernismo veio para instaurar uma nova nomenclatura para a literatura brasileira, onde os escritores se debruçaram sobre os problemas do País, destacando sobre os problemas sociais e morais do Brasil.



4-RESUMO DA OBRA TRISTE FIM DE POLICARPO QUARESMA DE LIMA BARRETO

O romance Triste Fim de Policarpo Quaresma, de Lima Barreto, foi publicado de acordo com Alfredo Bosi (2006, p. 338) em folhetins do jornal do comércio em 1911 e em livro em 1915.

No capítulo I, da primeira parte, intitulado “Lição de Violão”, o narrador apresenta Policarpo Quaresma, conhecido como major Quaresma, a personagem principal do romance, que chegava sempre em casa, todos os dias, no mesmo horário, por volta de 4:15 da tarde. A vizinhança já conhecia os costumes do major e o horário de sua chegada em casa e o achavam estranho, pois, ele quase não recebia visitas de amigos ou parentes. Era colecionador de livros de autores brasileiros e por isso o doutor segadas, um clínico famoso, criticava o major quaresma por ele não ser formado, mas possuir muitos livros. Embora o major Quaresma não mostrasse seus livros à ninguém, quando abria as janelas de sua casa da rua dava para visualizar suas estantes de livros.

Quaresma era subsecretário no Arsenal de Guerra e morava na rua de São Januário e para espanto da vizinhança esses hábitos de Quaresma estavam mudando e isso gerava vários comentários no bairro, seu compadre e sua afilhada começaram a visitá-lo, além deles, “três vezes por semana” Quaresma recebia a visitar de “um senhor magro, baixo, pálido” e “com um violão” em uma “bolsa de camurça”, isso gerou vários comentários pela vizinhança afim de saberem quem poderia ser aquele homem.

Uma vizinha de Quaresma e uma amiga, começaram a passar em frente da casa do major, tentando descobrir o que aquele homem estava fazendo ali, viram que ele estava ensinando major Quaresma tocar violão, isso gerou diversos comentários na vizinhança, diziam que isto era algo desnecessário à um homem de respeito como ele. Em uma tarde, major Quaresma, vinha andando pela rua de “cabeça baixa” e trazia consigo um violão, e tal atitude fazia a vizinhança pensar que ele estava louco.

Policarpo Quaresma, era um homem baixo, magro, de olhar fixo, usava fraque preto, azul e cinza, pela primeira vez recebeu em sua casa Ricardo Coração dos Outros, um tocador de violão famoso dos subúrbios, que era mal visto pela sociedade bem sucedida que não aceitavam tal atitude e diziam ser ele um “forasteiro”. Major foi esperá-lo em sua biblioteca, um lugar calmo, com estantes que continha diversos livros de autores brasileiros e de história do Brasil.

Com 18 anos quis adentrar para a carreira militar, mas não conseguiu, pois, a conferência da saúde avaliou como incapaz, então, adentrou para a administração, estava sempre em meio aos soldados, canhões e tudo que envolvia o exército, logo aos 20 anos de idade, Policarpo Quaresma tornou-se patriota, não se sabia explicar onde havia nascido o amor pela Pátria, amava o Brasil e não era ambições administrativas ou políticas que o envolvia, era o desejo de mudança e a paixão pelo Brasil que o preenchia.

Já estava com um ano, que major se voltava a estudar o tupi-guarani, todos os dias, até o horário do almoço ele se agarrava com o um dicionário, dedicava-se a estudar o jargão com perseverança, os empregados amanuenses da repartição sabendo do seu estudo tupiniquim começaram a chama-lo de “Ubirajara”, ninguém sabia o porquê. O escrevente Azevedo despercebido disse com tom de zombaria: você percebeu que hoje o Ubirajara está atrasado? Major Quaresma era respeitado no Arsenal por sua honestidade e idade, ao escutar que o apelido lhe era dirigido, ergueu-se, ajeitou o pince-nez e elevou dedo para cima e disse: Não seja imprudente, senhor Azevedo. Não considere insignificante aqueles que lutam para elevação e libertação da pátria.

Major passou o dia com pouca conversa, pois, seu hábito era falar aos companheiros as descobertas de seus estudos, as grandezas nacionais, um dia era sobre o petróleo encontrado na Bahia, depois sobre uma nova espécie de árvore de borracha, e quando não tinha algo novo falava sobre as nascentes dos rios, o tamanho, era apaixonado pelos rios.

Todos os colegas escutavam, respeitavam seus comentários, porém, Azevedo quando estava distante de Quaresma zombava de suas conversas, assim ele levava a vida metade na repartição e a outra metade em casa, sem ser compreendido em ambas, um dia escutou um comentário, de um funcionário da secretaria que dizia que tinha o desejo de conhecer a Europa, e outro dizia que, no Brasil só havia doenças, então, ele respondeu que eram ingratos, pois, moravam em uma terra rica, bela e não davam o devido valor, e se ele um dia tivesse o privilégio, iria conhecer as terras brasileiras do início ao fim.

Policarpo Quaresma chegava em casa no horário de sempre, exceto aos domingos, não tinha ambições por riquezas, estava à espera de seu convidado Ricardo, que com o passar dos tempos sua fama foi crescendo e expandindo para os bairros nobres, almejava chegar em Botafogo, frequentava as melhores famílias. Doutor Bulhões era conhecido nos subúrbios da cidade, e chefe da secretaria de Telégrafos, gostava das modinhas de Ricardo, pertencia a alta sociedade suburbana, que almoçava feijão, carne seca e ensopado

A vizinhança questionava o que vinha Ricardo fazer ali, de certo não era auxiliar major em seus estudos, Quaresma pensava como seria a manifestação político-musical nacional, pesquisou cronistas, filósofos e historiadores, decidiu que tinha que ser acompanhado pelo violão, com isso tratou de aprender a tocar um instrumento brasileiro.

Dona Adelaide irmã de Quaresma, convidou para jantar, pediu desculpas à Ricardo pelo simples jantar, pois, ela queria fazer algo diferente, mas seu irmão só comia e bebia coisas nacionais, por dizer que eram alimentos produzidos sem gorduras, e o jantar foi assim, major exaltando os produto brasileiros como o arroz, a banha, o vinho e a manteiga. Terminando o jantar foram ao jardim, e lá só havia flores nacionais, e isso já era o bastante, voltaram a sala, Ricardo pegou o violão e começou a ensinar major, que já estava com o seu, Ricardo mostrava como posicionar o violão, que era do colo ao braço esquerdo e seguro pelo direito, acrescentava dizendo que o violão era o instrumento da paixão, era necessário tê-lo encostado no peito com amor, como se fosse a pessoa amada.

A aula durou uns 50 minutos, e major já estava cansado, pediu para Ricardo cantar uma modinha, então, cantou ‘promessas” afinou novamente o violão e começou: “prometo pelo santíssimo sacramento/ Que serei tua paixão...” do lado de fora da casa, aglomerou moças e rapazes na janela para ouvir Ricardo, ele aumentou a dicção para impressioná-los, quando acabou recebeu várias palmas.

Ismênia, entrou na casa a procura de Adelaide, e a mesma aproveitou a visita e perguntou quando seria o casamento, ela curvou a cabeça e com seus olhos castanhos, respondeu que ainda não sabia, pois, Cavalcanti se formaria no final do ano e assim marcariam a data, isso era dito com tristeza, Ismênia era filha do general Albernaz vizinho de Quaresma, era simpática e com traços mal desenhados em sua fisionomia, estava noiva a anos com Cavalcanti que estudava para dentista, um curso que era por dois anos, mas já estava com quatro, Ismênia ficava constrangida com as perguntas acerca do casamento, o importante para ela, era que já estava noiva. Falou o motivo da visita, seu pai havia mandado convidar Ricardo, para ir cantar em sua casa, pois, era do norte e gostava de suas modinhas e assim foram.

No capítulo II, intitulado “Reformas radicais”, o narrador relata que, Quaresma estava de férias, já não saia de casa à uns dez dias, estava tranquilo em sua residência de São Cristóvão, após o café da manhã, lia os jornais em sua sala, mesmo estando de férias continuava seu hábitos burocráticos, almoçando as nove e meia da manhã, após a refeição, ia passear pela chácara, ver as fruteiras nacionais como a pitanga e o cambuí, ia junto com seu empregado. Após o termino do passeio, voltava para a biblioteca, lia as revistas do Instituto Histórico, e recordava os estudos sobre os índios.

Após 30 anos de reflexões e estudos patrióticos, já estava no período de produção, sentia o desejo de agir e colocar suas ideias em prática, eram pequenas mudanças, na sua opinião a Pátria do Cruzeiro faltava pouco, para se tornar superior a Inglaterra, pois, já tinha tudo que precisava, o Brasil tinha os melhores climas, frutos, minerais, animais, terras produtivas, pessoas sábias, hospitaleiras, guerreiras e doce, então, o que estava faltando era um pouco de tempo e inovação.

Após a visita de Ricardo e seu violão a casa do general Albernaz, fez surgir nele e em sua família os gostos nacionais pelas cantigas, festas e hábitos nacionais, tanto em sua esposa dona Maricota como em seus seis filhos, cinco moças e um rapaz, major ficou satisfeito por que Albernaz um general, anunciou que iria organizar um brasileirismo, à moda do norte para comemorar o aniversário de sua Pátria, pois, na casa de Albernaz todo aniversario era uma festa, assim tinha umas 30 por ano, sem contar com domingos, feriados e santificados que dançavam também.

Pensaram em quem poderia ensinar versos e músicas, lembraram da antiga lavadeira da família do general, uma velha preta, tia Maria Rita que morava em Benfica, então foram atrás dela, Albernaz e Quaresma, chegaram na casa da velha, que ficava longe da estrada, era uma casa baixa e caiada, ao redor havia entulhos e algumas plantas, a velha falou à eles que já não se lembrava mais de nenhum modinha, depois de alguns minutos disse que recordava do “Bicho Tatu” e cantou para eles, Albernaz disse que esta era cantiga de embalar criança, assim voltaram para casa tristes.

O noivo de Ismênia, Cavalcanti, disse ao general que havia nas “mediações” um velho literato de canto populares brasileiros, foram até ele, e recebidos em uma sala cheia de livros, sugeriu à eles o “Tangolomango” e para isso precisavam arranjar dez crianças, uma máscara de velho e uma roupa estranha para ensaiarem.

Chegou o dia da festa, a casa do general estava cheia, Quaresma encenou o “Tangolomango” e entrou na sala, as dez crianças cantaram: “Mamãe teve dez filhos/ Todos dez dentro de um pote:/ Deu o Tangolomango nele/ não ficaram senão nove,” Quaresma estava alegre com a festa, porém, lá pela quinta estrofe passou mal, faltou-lhe o ar e sua vista escureceu, todos correram, sacudiram ele e tornou novamente, leu tudo que poderia sobre o folclore, mas ficou decepcionado descobriu que a maioria das tradições e canções eram estrangeiras, inclusive o “Tangolomango”. Então começou a estudar as tradições tupinambás, pois, precisava de uma criação nacional.

Em um domingo recebeu a visita de sua afilhada Olga e de eu compadre Vicente Coleoni, ao abrir a porta Quaresma começou a chorar, gritar e puxar os cabelos desesperado, ele explicou que esses eram os cumprimentos dos tupinambás, que aperto de mão era nacional, seu compadre Vicente, a afilhada e Adelaide acharam que ele estava enlouquecendo. Vicente Coleoni, havia nascido na Itália, conhecera Quaresma a mais de 20 anos, quando major o ajudou, casou e teve uma filha que dera a major ser padrinho, Olga tinha grande afeição por Quaresma, ocupava o lugar de filha em seu coração, ela era descontraída e diferente das moças de sua idade,

Ricardo Coração dos Outros, foi até a casa de Quaresma, foi apresentado a Olga, ela já havia lido sobre seu trabalho, que os críticos falavam que seus versos, não eram versos, pois, não seguiam uma metrificação, Ricardo dizia que eram versos de violão.

No capítulo III, intitulado “A Notícia de Genelício”, foi realizado um baile em comemoração ao noivado de Ismênia, pois, Cavalcanti havia terminado o curso de dentista, faltava três meses para a cerimônia, Quinota, Zizi, Lala e Vivi irmãs da noiva estavam mais alegres do que ela, mas Ismênia já se sentia meio casada, já estava a quase cinco anos noiva, desde de menina ouvia sua mãe falar, que deveria aprender fazer isso e aquilo, por que iria casar e assim se convenceu que a vida se resumia em uma única coisa, que era casar.

Ismênia era jeitosa, morena, acanhada, nariz mal desenhado, “não era muito baixa e nem magra”, era considerada “bonitinha” pelos pretendentes, sua beleza eram seus cabelos castanhos e sedosos, com 19 anos começou a namorar com Cavalcanti e de imediato seu pai não gostou, pois, queria que sua filha namorasse um oficial, mas sua mulher lhe convenceu, e ele aceitou. Albernaz começou a ajudar Cavalcanti em seus estudos, pagando matriculas, livros e mandando-lhe dinheiro para comprar o que precisava, general era generoso em se tratando dos interesses de suas filhas.

No dia da festa, dona Maricota amanheceu toda contente e feliz que chegava a cantarolar, foi logo dando os afazeres as filhas e as criadas, Vivi e Quinota ficaram com os doces, Lalá e Zizi ajudavam as raparigas na arrumação das salas e dos quartos, ela e Ismênia, iriam arrumar as mesas, continuava a arrumação feliz e nervosa, já Ismênia tranquila e indiferente, porém, sua mãe dizia que ela estava parecendo uma “mosca-morta” precisava sorrir um pouco e se alegrar, a moça tentou manter o sorriso durante uma hora, mas logo voltava aquele ar de cansaço e desanimo.

A festa estava cheia de pessoas importantes, e os parentes de dona Maricota, Quaresma foi convidado, mas não apareceu na festa, Ricardo não foi convidado, pois, o general estava com medo da reação pública, ao ver aquele homem em uma festa importante, as seis horas a casa estava lotada de convidados, Ismênia cercada de moças cumprimentando-as, com olhar de inveja.

Os homens estavam envoltos de Cavalcanti, conversando sobre sua vida e seus estudos, ele vestia um fraque preto e falava que seus estudos, tinha sido difícil e caro, eles viam Cavalcanti como uma coisa sobrenatural, sagrado, não eram mais um simples homem. Na sala de jantar, junto com o general, estavam os mais velhos e titulados como o contra-Almirante Caldas, doutor Florêncio, major Inocêncio e o Sigismundo Capitão dos bombeiros e conversavam entre si.

Caldas foi preso e absorvido, porém, nunca mais foi envolvido em nenhuma missão, ficou encostado e depois de quase 40 anos conseguiu chegar a guarda marinha, capitão do fragata, toda magoa que sentia pela marinha fez ele estudar leis, decreto, alvaraz e tudo que estava envolvido com promoções de oficiais, encheu sua casa de literatura administrativa, tentava pedir a modificação de sua reforma contra os ministros da marinha, e sempre eram indeferidos, pelo Conselho Naval ou pelo Supremo Tribunal Militar.

Todos conversavam sobre a carreira militar, diziam que a mesma estava em atrapalhada, diante disso o Doutor Florêncio estava de fora, pois, era engenheiro e empregado público, morava perto de Albernaz e quase toda tarde ia jogar solo com o general.

Dona Maricota, chamou o marido no canto da sala e conversaram baixinho, o general foi até o centro da sala, e começou a formar os casais para dançarem no baile, depois voltou para a roda de amigos, cansado e convidou-os a jogar solo. Uma das filhas do general, Quinota namorava com Genelício, ele tinha menos de 30 anos, uma carreira administrativa, um curso de direito em andamento e almejava um cargo acima do tribunal de contas, era bajulador e submisso dos superiores, impressionava o casal Albernaz com “preocupações casamenteiras”.

Depois de algum tempo, Genelício apareceu na festa com chapéu, bengala, usava pince-nez azulado, cumprimentou todos, disse que estava ausente porque estava tratando de negócios, falou ao general que Quaresma estava ficando doido, pois, tinha feito requerimento em tupi e mandou ao ministro, comentavam entre si que, Quarema lia muito e não tinha nenhum título acadêmico, Genelício acrescentou que deveria ser proibido a venda de livros para pessoas que não fossem formadas, todos concordavam. Na sala se fez silencio, Cavalcanti começou a recitar sentado ao lado do piano, então, Cavalcanti começou: “a vida é uma comedia sem sentido, uma história de sangue e de poeira, um deserto sem luz...”

O capítulo IV, intitulado “Desastrosas consequências de um requerimento”, foi aberto uma sessão na câmara, onde, o secretário fez a leitura de um requerimento, que teve muita repercussão, no momento em que a leitura estava sendo realizada, o riso era constante, ria-se o secretário, o presidente, o oficial da ata e todos que estavam ali, alguns até choravam de tanto rir, era um riso sem maldade o motivo foi escrito por Quaresma, ele redigiu um requerimento a câmara, pedindo para que o Congresso Nacional decretasse o tupi-guarani como língua oficial do Brasil.

Dizendo que o português era uma língua emprestada, que a linguagem tupi era oficial e original do Brasil, que a mesma representava a beleza do país. Isto gerou comentários por vários dias, publicado em diversos jornais, onde se questionavam quem era Policarpo Quaresma, seria casado, solteiro, e assim um jornal publicou a caricatura do major e ele foi apontado na rua, maneira como as pessoas o olhavam na rua, crescia dentro dele o desejo de impor suas ideias.

A atitude de Quaresma, irritou todos na repartição, o secretário o achava pretencioso, outros o chamavam de louco, isso fazia Quaresma pensar cada vez mais em sua ideia e não entendia tamanha revolta, para ele era apenas um requerimento inocente, que merecia o apoio de todo o mundo, tal publicidade chegou ao palacete da Real Grandeza, onde vivia seu compadre Coleoni, um viúvo rico, que havia-se retirado dos negócios para viver sossegado em sua casa.

Todas as manhãs, Coleoni lia os jornais, em uma dessas lidas deparou-se com o requerimento, redigido por seu compadre Quaresma, lembrou que na última visita quaresma estava meio estranho, Coleoni tinha um grande respeito e admiração por Quaresma, via o nome de seu compadre estampado nos jornais, com algo que ninguém aprovava, leu mais uma vez o requerimento e não entendeu, então, chamou a filha para explicar o que estava escrito no jornal, ela falou que seu padrinho queria que o povo brasileiro, falasse o tupi-guarani como língua oficial, ele disse que quaresma estava ficando louco, a filha disse que poderia ser outra coisa, menos loucura, talvez ousadia.

Olga não poderia julgar seu padrinho, pois, lembrou que o mesmo havia lhe falado sobre emancipação, seu padrinho era apenas um homem com sonhos obscuros, Quaresma ficou revoltado, por saber que estavam falando que ele não saberia falar o tupi, estudava o Brasil há 30 anos, por conta disso veio aprender o rebarbativo alemão, imagina a língua oficial do Brasil.

Quaresma vivia divido em realizar as tarefas do quotidiano e provar que sabia falar o tupi, um dia em seu trabalho, o secretário havia faltado, e estava escrevendo um ofício sobre Mato Grosso, ouviu um colega dizer em um tom irônico, “saber é uma coisa” e dizer é outra totalmente diferente, mas Quaresma não se importou com o comentário, pois, estava escrevendo em tupi o oficio, o diretor não percebeu, assinou-o e mandou para o ministério.

Isso causou grande reboliço, pois, não sabiam que língua era aquela, chamaram doutor Rocha considerado um sábio, disse que era grego, mas o chefe perguntou se as autoridades poderiam se comunicar em outra língua, então, consultaram regulamentos, depois de três dias, doutor Rocha disse ao chefe que, o regulamento 84 tratava sobre ortografia, e foi informado que a legislação decretava que ofícios deveriam ser escritos na linguagem do país.

O ministro devolveu o oficio e reprovou o arsenal, foi uma confusão, esperavam pelo secretário que estava atrasado, o diretor estava revoltado com tamanha irresponsabilidade, ao chegar, o secretário foi ao encontro do diretor, examinou o papel e conheceu que a letra era de Quaresma, o mesmo foi chamado na sala da direção, foi interrogado pelo diretor que estava furioso, respondeu às perguntas e confirmou que tinha sido ele o autor daquela atitude, Quaresma foi suspenso do arsenal.

No capítulo V, intitulado “O Bibelot”, o narrador fala da visita de Olga e seu pai a Quaresma no hospício, iam normalmente aos domingo, Quaresma que já estava ali a uns três ou quatro meses, não se sabia ao certo, ficava na Praia das Saudades, era um lugar tranquilo e silencioso nada mais tinha importância para Quaresma, seu compadre Coleoni tomou de conta de seus interesses e de sua aposentadoria, um homem honesto e com um emprego seguro estava no hospício por conta de uma atitude idiota. Adelaide não conseguia visitar o irmão, por não aguentar vê-lo naquela situação, em meio a ataque que não poderia ser evitado.

O delírio e a exaltação de Quaresma estavam desaparecendo, quando se deparou com o lugar em que estava, pensou logo que estaria louco para estar ali, quando recebeu a visita da afilhada e do compadre, ficou alegre, Major havia emagrecido, os cabelos e o bigode estavam grisalhos, mas o aspecto continuava o mesmo e não havia perdido à ternura ao falar. Deu um forte abraço na afilhada, perguntou como estava sua irmã Adelaide e de Ricardo.

Olga falou ao padrinho que iria casar com Armando Borges, um doutorando, ele perguntou se ela gostava do futuro marido, porém, ela não soube responder queria sentir que sim, mas ela mesma sabia que não era verdade, não por que estava gostando de outro, era algo que não saberia explicar, iria casar por curiosidade, pelos costumes da sociedade pensou rapidamente em tudo isso e respondeu ao padrinho sem convicção que gostava do noivo.

Tomaram o bonde no Largo de São Francisco e foram para a casa de Quaresma, ao chegarem na casa, Adelaide estava com Ricardo, amigo de seu irmão e tomava conta também da aposentadoria do amigo, Coleoni era o procurador de Quaresma, mas não entendendo de coisas oficiais, passou para Ricardo essas questões, Ricardo gostava muito do major, pois, tinha nele um apoio que nunca encontrava em ninguém.

Quaresma ainda estava no hospício, mas sendo curado, Ricardo soube que Olga iria casar, deu-lhe os parabéns, e começaram as perguntas sobre o noivo, Olga tentava fugir daquela conversa, mas não conseguia, para mudar de assunto perguntou para a Adelaide sobre o general. Adelaide respondeu que, sua filha Ismênia andava triste por conta de seu noivo Cavalcânti, que havia viajado para o interior, já estava com três ou quatro meses, não havia lhe dado nenhum retorno, nem mesmo uma carta, Ismênia achava que aquela ausência era um rompimento no seu relacionamento.

E para se distrair, Ismênia ficava olhando o movimento da rua, seu noivo viajou para o interior um mês antes do carnaval, sua tortura só aumentava, não tinha habito de leitura, conversar e nem de atividades domésticas, então passava o dia sentada, deitada com um único pensamento, não casar, começava a chorar e quando chegava a correspondência lhe vinha uma esperança, mas nada chegava para ela, seu pensamento continuava, não iria casar.

Na segunda parte do livro, no capitulo I, intitulado “No sossego”, o narrador fala da nova casa de Quaresma, em um sítio, um lugar tranquilo, a nova moradia tinha um grande horizonte, era uma casa com grandes salas, quartos, havia quase três meses que estava morando naquele lugar, que ficava a duas horas do Rio, por uma estrada de ferro, logo após ter deixado o hospício da Praia das Saudade, onde passou seis meses, parecia que tinha saído curado e agia como um homem comum.

Major saiu daquele lugar ainda mais triste, teve a certeza que a coisa mais triste do mundo é a loucura, isso ficou impregnado em seu pensamento, nem mesmo o retorno as coisas familiares o fez esquecer, saiu daquele manicômio mais abatido, com mais desgosto, apesar de nunca ter sido alegre, então se isolou naquele sítio, se dedicou a cultura. Essa ideia do padrinho comprar um sítio foi de sua afilhada Olga, pois, ela percebeu que ele estava triste e desanimado, em sua casa de São Cristóvão, Quaresma já havia imaginado em cultivar seu próprio alimento, dizia que as terras brasileiras era as mais férteis que existia, ele falou que iria plantar, cultivar e criar o seu próprio alimento.

Quaresma fez logo vários cálculos com o que poderia lucrar plantando, colhendo e vendendo suas produções, disse que daria para lucrar uns quatro contos por ano, tirando o das despesas, foi ao mercado pesquisar os preços, planejou tudo direitinho e ficou contente, pois, era uma nova chance de demonstrar as belezas do Brasil, comprou o sítio que chamou de “Sossego” nome bem apropriado a sua nova vida, ele estava um pouco maltratado e abandonado, mais não se importou com isso, contava com grandes colheitas de grãos, frutas e legumes.

Foi morar no sítio, estava muito alegre, quase não lembrava mais de sua velha casa, imaginava como uma pessoa poderia viver tanto tempo, na cidade e ser empregado público, passar o resto da vida se alimentando mal e morando em lugares apertados, se poderia ter uma vida livre, saudável e feliz, somente agora tinha pensado nessas coisas depois de ter sofrido na cidade e na repartição pública, mas ainda dava tempo de ter uma vida tranquila no sítio. E pensava que bobagem aquela sua, de querer mudar a constituição, os costumes brasileiros, se agora ele poderia ter uma base agrícola e um solo fértil, isso sim era uma grandeza a Pátria, imaginou várias plantações em seu sítio.

Em suas primeiras semanas no sítio, Quaresma buscou conhecer tudo que havia ali, para isso teve a ajuda de seu empregado Anastácio, que conhecia todos os nomes das espécies da floresta, criou um inventario para os animais e minerais, organizou uma biblioteca agrícola, comprou barômetros, termômetros, pluviômetros, higrômetros, anemômetros e encomendou também livros franceses, portugueses e nacionais, Anastácio observava tudo isso com espanto.

Quaresma analisava o pluviômetros, para saber se havia chovido muito, pela manhã ia capinar, junto com Anastácio, estava no verão e o sol era escaldante, ia com um chapéu feito com palha de coco, era “míope”, dava vários golpes para arrancar os matos, Anastácio olhava com espanto para o patrão, que estava naquele sol forte a capinar mesmo sem saber, Anastácio era veloz, pois, já estava acostumado raspava o chão rasteiro, destruindo todo o mato, já major ficava furioso, arrancava “torrões de terra” , Anastácio dizia que tinha que arrancar os matos de leve.

Com um mês, major já capinava moderadamente, descansava de vez em quando por conta do sol, da idade e da falta de hábito, Anastácio sempre o acompanhava nos descansos, na sombra de uma fruteira, os dois olhavam o ar carregado dos dias de verão, ambos almoçavam na roça mesmo, comiam comidas do dia anterior, esquentavam rapidamente em um fogão improvisado, em cima de uma pedra, o trabalho continuava até a hora do jantar. E ao jantar dialogava com sua irmã Adelaide, sobre as tarefas realizada no dia, comentava que no dia seguinte todos os pés de laranjeiras estariam limpos, sua irmã era mais velha que ele, não tinha o mesmo entusiasmo, que ele tinha pela roça, ela apenas acompanhava-o e o estimava, mas não compreendia suas atitudes.

Ao terminar o jantar, major ia dá umas voltas pelo sítio, Adelaide logo lhe interrompeu, dizendo que sua afilhada Olga iria se casar no sábado, major respondeu, mandaria um peru e um leitão como era de costume, Anastácio veio avisar que tinha uma visita na porteira do sítio, desde quando foram morar ali, não haviam recebido visitas, a não ser das pessoas pobres do lugar pedindo esmolas. O visitante entrou, cumprimentou major, era um homem com mais de trinta anos, se apresentou dizendo que era, tenente Antonino Dutra escrivão da coletoria e tesoureiro daquele lugar, estava ali para pedir um donativo à Quaresma, para a festa da padroeira, dizia que as pessoas daquele lugar eram muito pobres, para realizarem a festa tinham que pedir ajuda dos mais remediados.

O escrivão dizia que aquelas terras já foram produtivas, no Brasil só se vivia de política, major um pouco enfurecido disse, que as terras brasileiras precisavam que se trabalhasse nelas, Antonino ficou surpreso, pensou consigo que major estava querendo ficar bem com os dois lados para depois se beneficiar, então, se despediram e o homem partiu, mas major ficou na varanda de sua casa pensando, no desejo daquelas pessoas por questões políticas se tinham algo mais importante para se preocuparem, como suas terras que precisavam de trabalho, atenção, era uma bobagem pensar em governadores e deputados.

O trem apitou, Quaresma ao olhar para estrada viu que se aproximava um sujeito, em direção a sua casa, com chapéu dobrado, fraque preto, passo pequeno e um violão, então gritou pra a irmã que era Ricardo que estava chegando.

No capítulo II, intitulado “Espinhos e Flores”, o narrador fala como eram construídas as casas no Rio de Janeiro, em especial nos subúrbios da cidade, uma amontoada próximo a outra, edificadas de todas as maneiras, tem-se também no subúrbio algo interessante, como os namoros. E as profissões dos moradores dos subúrbios eram, serventes de repartições, contínuos de escritórios, fabricantes de rendas de bilros, compradores de garrafas vazias, castradores de animais, mandingueiros e outras pobres profissões, Ricardo morava em uma casa no subúrbio, já habitava ali a anos e gostava das visões que tinha de sua janela, era de lá que vinham suas alegrias, manifestações, tristezas e triunfos.

Ricardo pensou em sair, para procurar um amigo para conversar, lembrou logo de seu amigo Quaresma, mas ele estava tão distante, foi conferir se tinha condições de ir até lá, suas economias não chegavam a 2 mil-réis, recebeu um convite de Albernaz, convidando-o para cantar no casamento da filha Quinota, ficou muito feliz com o convite, tentaria conseguir uma passagem para visitar Quaresma.

Ao chegar na casa de Albernaz, avistou todos da família, estavam bem vestidos e felizes com o casamento, menos Ismênia, que caminhava pela sala com um ar de dor, ao avistarem Ricardo foram cumprimentá-lo, agradecer por ter aceito o convite, dona Maricota avisou que em alguns minutos Ricardo iria cantar, ele aproveitou o momento, pediu para o general que lhe desce uma passagem, para ir visitar Quaresma, general mandou-o ir no dia seguinte na repartição. General Albernaz estava muito feliz, pois, sonhava com uma festa daquelas em sua casa a muito tempo, seu sonho estava sendo realizado, pensava que com Ismênia tinha sido uma tragédia

No capítulo III, intitulado “Golias”, o narrador fala do casamento de Olga com Genelício, ela estava uma noiva simples, seu noivo estava radiante e feliz, casaram-se, e não saíram da cidade, Quaresma não foi a festa, pois, não queria se ausentar de seu sítio, recebeu a visita de Ricardo, que ficou um mês em sua companhia, conversavam sobre a vida no sítio. Quaresma ia para a roça em companhia de seus dois empregados, Anastácio e Felizardo, este quando chegava pela manhã no sítio já, sabia das notícias. Olga foi visitar seu padrinho no sítio, acompanhada do marido Dr. Armando Borges, que havia resistido muito em ir naquela visita, pois, iria visitar um homem “sem título”.

Quaresma no dia seguinte, ao ler o jornal se deparou com algo inesperado, viu seu nome escrito no jornal, ficou pálido, se questionava quem deveria ter feito aquilo, pois, os versos falava para Quaresma deixar a agricultura e voltar a escrever em tupi, isto era coisa de política local, Quaresma jamais havia entrado nessas coisas, mostrou os versos para os demais que estavam presente na casa, e na vila todos estavam sabendo, que Quaresma estava ali por interesse políticos, por isso era generoso com os vizinhos, distribuía remédios homeopáticos para o povo, Antonino Dutra dissera que iria desmascarar Quaresma, com tal publicação

Olga, se deparou com o padrinho e o marido conversando em alta voz, sobre colocar ou não adubos na terra, no jantar tudo ocorreu bem, as 11 horas da noite, todos já estavam recolhidos em seus devidos quartos, Quaresma escutou um barulho estranho, que vinha da dispensa, levantou-se foi ver o que estava acontecendo, foi quando sentiu uma grande picada no pé, era uma saúva e haviam milhares delas, carregando suas reservas de milho e feijão, assim levou diversas ferroadas, até não aguentar mais e gritar, deixou a vela cair, procurou a saída no escuro, quando encontrou saiu correndo fugindo das inimigas saúvas.

O capítulo IV, intitulado “Peço Energia, Sigo Já”, o narrador fala da irmã de Quaresma, Dona Adelaide que era mais velha, tinha 50 anos, era uma mulher bonita e jeitosa, apesar da idade, não casou por que não sentiu necessidade, observava as atitude do irmão, apesar de estar com ele somente na hora do jantar e pela manhã cedinho.

Já estava com seis meses, que Ricardo tinha estado no sítio, estava com uma semana que Quaresma recebeu carta da afilhada e do compadre, durante esse tempo continuou acreditando no cultivo de suas terras, mas havia mudado de ideia em relação aos instrumentos de meteorologia, pois, suas previsões davam sempre errado e por isso os deixou de lado, se desesperava pela falta de apoio do governo com os cultivos da própria terra.

Foi até o Rio atrás de comprador para suas frutas, encontrou grandes dificuldades, vendeu um cento, pelo preço de uma dúzia, mas mesmo assim ficou feliz por pegar dinheiro de suas plantações, foi pouco seu lucro 1.500 réis e mesmo assim não desanimou, redobrou o trabalho, para que no próximo ano seu lucro fosse maior, contratou mais um empregado, Mané Candeeiro um homem que falava sobre caça e gostava de cantar, Quaresma ficou interessado pelas cantigas que falava de coisas da terra, então copiou e mandou para o poeta de São Cristóvão, com a ajuda do empregado conseguiu terminar o árduo serviço nas árvores.

Sua alegria, logo desapareceu, apareceu saúvas em suas plantações, tratou logo de acabar com as pragas, parecia que haviam desaparecidas, mas em uma noite quando Quaresma foi visitar o pomar, viu uma grande quantidade de saúvas nas laranjeiras, no dia seguinte, retomou o ânimo, comprou ingredientes para matar as pragas, conseguiu colher algumas plantações como abóbora, aipins, batatas-doces, seu lucro foi de 2570 réis, sua irmã o aconselhava a parar com isso, pois, só tinha prejuízos, ele dizia que essa quantia estava boa, pois, não queria ajuntar fortuna.

Mas tudo estava dado erado para Policarpo, até suas galinhas estavam morrendo, recebeu a visita do doutor Campos, um homem gordo, que morava em “Curuzu” a mais de 20 anos, a visita era para que Quaresma se envolvesse com questões políticas, mas recusou-se, doutor Campos partiu.

Na mesma semana, recebeu a visita de outro homem, que trouxe consigo uma intimação municipal, que dizia que ele deveria em virtude de leis e posturas municipais, capinar e roçar parte da estrada que ficava de frente com as vias públicas, viu que o oficio estava assinado por doutor Campos, então entendeu o motivo de tal intimação, ficou pensativo diante desta situação, só distraiu lendo a carta da afilhada, que pedia para Adelaide ter cuidado com uma pata que tinha no sítio que ela o chamava de “Duquesa”, mas Olga não sabia que havia tido uma peste no sitio que matou duas dúzias de aves e que a pata estava entre elas.

Recebeu a visita de um policial, que trazia um ofício assinado por Antonino Dutra, intimava Quaresma pagar 500 mil-réis pelos produtos vendidos do sítio, por não ter pagado imposto dos mesmos, pensava como poderia ser possível isto, pela manhã recebeu o jornal que Felizardo havia comprado na estação, lá estava escrito que o governo tinha sido intimado a deixar o poder, pelos navios da esquadra, ficou cheio de esperanças com essa notícia, mandou o empregado ir embora, foi até a estação e mandou um telegrama ao Marechal Floriano dizendo “peço energia. Sigo já. –Quaresma.”

No capítulo V, intitulado “Trovador”, Albernaz e Caldas conversavam sobre o governo e suas mudanças, como era no passado e para onde estava caminhando, Albernaz avistou uma moça, lembrou de sua filha Ismênia e tudo que ela estava passando, aquele escapamento do juízo e será que ficaria boa um dia, assim as lagrimas hesitaram em cair, mas ele logo segurou.

Quando o trem chegou, estava cheio de oficiais e militares que vinham para a combater a revolta, o Quartel-General que estava cheio de oficiais da guarda nacional, do exército, bombeiros que vieram para a revolta, doutor Armando Borges esposo de Olga, acreditava na reforma, fizera da sala de sua casa uma biblioteca, Olga havia perdido o interesse pelo marido devido, seu amor pelos estudos, pela ciência e pelo desejo de descobertas e ambições, e pensava que todos os homens seriam iguais e teve um alivio e seu rosto voltou a brilhar, porém, o marido nem percebeu as mudanças da esposa.

Ricardo por esse tempo continuava a morar no subúrbio, havia publicado volumes de canções e pensava em publicar outro, passava o tempo todo em casa, trancado em seu quarto, arrumando seu livro, não lia nem jornais para não perder a atenção de seu trabalho.

Na terceira e última parte, no capítulo I, intitulado “Patriotas”, o narrador fala da ida de Quaresma ao palácio, para encontro com Floriano, mas não pode ir logo como anunciou no telegrama, pois, teve que ajeitar as coisas no sítio, arrumar alguém para fazer companhia a sua irmã Adelaide, durante esses dias aproveitou para escrever um manuscrito para Floriano sobre o melhoramento da agricultura. Quando Floriano começou a falar no palácio, avistou Quaresma, logo vários oficiais arrodearam Floriano e começaram a cochicharem em seu ouvido, ninguém sabia do que se tratava, então, começaram a sair e um deles antes de sair falou ao ditador sobre energia. Quaresma pode ver de perto, a fisionomia do homem que iria ter o poder em suas mãos, Floriano ao falar com Quaresma, disse que sabia que ele havia deixado o arsenal, ele tinha essa capacidade de lembrar das pessoas com quem lidava, Quaresma aproveitou a ocasião e falou-lhe sobre leis, medidas para melhorar e agricultura e entregou o manuscrito, Marechal Floriano não deu importância para as questões e para o manuscrito, e passou sua atenção a Bustamante, rasgou um pedaço do manuscrito de Quaresma, fez um bilhete e entregou a Bustamante.

Quaresma ficou surpreso, quando Floriano falou que ele iria fazer parte do batalhão do “Cruzeiro do Sul”, ganharia quatrocentos mil-réis, continuaria sendo major, apesar de ter esse apelido posto por um amigo, Bustamante seria tenente-coronel, Quaresma, saiu e foi dar uma volta pela cidade, encontrou com Albernaz, aproveitou o encontro e perguntou sobre Ismênia, general respondeu que estava do mesmo jeito, não quis falar a que a filha estava enlouquecendo, já havia consultado vários médicos, espiritas, por último estava com um feiticeiro, tentando descobrir o que realmente Ismênia tinha, as festas em sua casa havia diminuído, quando eram precisos dar uma, levavam Ismênia para a casa da irmã casada.

Quaresma foi até a casa de seu compadre, ao adentrar encontrou Olga, seu pai havia saído, seu esposo estava estudando, Quaresma conto-lhes que havia ingressado no batalhão “Cruzeiro do Sul”, despediu-se, foi dar um passeio pela cidade, pois, estava com saudades de ver as ruas e seus movimentos, depois foi para o quartel, que ficava provisoriamente em um velho cortiço, durante uma conversa com Bustamante, Ricardo entrou gritando e implorando para que devolvessem seu violão, os soldados receberam ordem para o devolverem.

O capítulo II, intitulado, “Você, Quaresma é um visionário”, o narrador relata a vida dos soldados no quartel durante a revolta, os dias e noites eram de incertezas e angustias, cabo Ricardo ficava desesperado, pois, não estava acostumado em ver manhãs tão angustiosas, seu violão estava guardado, foi ao interior do quartel, onde ficava major Quaresma, pedir autorização para cantar suas modinhas quando não tivesse nada para fazer, Quaresma ficou indeciso e acabou autorizando.

Major sempre almoçava e jantava no quartel, chegava a dormir também, Fontes era responsável pelo canhão, em uma madrugada quando este não estava, surgiu uma embarcação ao longe, ajeitaram o canhão, Quaresma desesperado mandou-os esperar um pouco, correu e foi consultar seus livros, demorou e a embarcação se aproximava, então, um soldado disparou, quando Quaresma voltou perguntou, se eles viram bem o ângulo e a distância, quando Fontes soube disso riu muito, todas as tardes eram assim de bombardeios do mar para a fortalezas e vice-versa.

Um dia, Fontes ouviu uma voz a cantarolar, um gemido de violão, quando foi ver era o cabo Ricardo que estava a cantar e tocar violão para os demais soldados, ficou bravo em ver aquilo, ordenou que parassem imediatamente, Ricardo disse que major Quaresma havia permitido, Fontes não deu importância, mandou-o parar e os saldados saíram, tenente Fontes foi ao encontro do major, para questionar que ele havia permitido cantoria no destacamento, isso era um desrespeito, Quaresma aceitou os comentários, Fontes estava esperando acabar a revolta, para se casar com Lalá, filha de general Albernaz.

A revolta passou a ser uma festa para a população, que sempre iam ver como se fosse um espetáculo, um dia foi Quaresma visitar Albernaz, tinha visto todos da casa, menos Ismênia, soube que ela estava na casa da irmã casada, continuava ruim e enlouquecendo, major voltou para o posto, quando já estava deitado, Ricardo apareceu dizendo que Marechal Floriano estava esperando por ele, Floriano sempre fazia essas visitas, e as vezes até na madrugada, ambos se cumprimentaram, ambos conversavam sobre assuntos do quartel.

Quaresma teve coragem, perguntou ao Marechal Floriano, se ele já havia lido o manuscrito que tinha lhe entregado, teve a reposta que sim, então, se entusiasmou e falou que seria fácil mudar e erguer o País, ao despedir-se Marechal Floriano falou, para Quaresma que ele era um visionário.

No capítulo III, intitulado “... E Tornaram logo Silenciosos...”, o narrador, fala da filha do general, Ismênia, que continua cada vez pior, estava sempre de cama, febril, fraca, sua mãe sempre lhe fazia companhia no quarto, seu pai já não sabia mas o que fazer, pois, já tinha recorrido a médicos, espíritas e feiticeiros e nada resolvia o problema de Ismênia, Albernaz contava isso a Quaresma, com muita tristeza em sua face, questionava a ciência e até mesmo a Deus, que estava tirando-lhe a filha sem piedade.

Quaresma teve a ideia de procurar o doutor Armando, marido de sua afilhada Olga, Albernaz aceitou a ideia, no mesmo dia Quaresma foi a procura do doutor, sabia que o posto estava em boas mãos, a revoltava já estava com mais de quatro meses, Ricardo havia sido nomeado sargento, ao chegar na casa do compadre, só estava Olga, então explicou o motivo da visita, não demorou, pois, queria ir até o “quartel do batalhão”, pedir licença para ir visitar sua irmã no sítio. Quando foi até o quartel na cidade Nova, foi informado por Coronel Inocêncio, que iria comandar um batalhão, mas não se sabia para que lugar, sabia que não poderia “obter a licença” que tanto desejava.

Doutor Armando não fez questão de ir ver Ismênia, ela permanecia do mesmo jeito, fraca, magra, um dia perguntou a sua mãe, quando sua irmã Lalá iria casar, ela respondeu que quando a revolta acabasse, então continuou, disse a sua mãe que ela iria morrer, pedia que quando isso acontecesse queria ir vestida de noiva, dormiu, sua mãe saiu do quarto da filha chorando, pois, sabia que a filha estava falando a verdade, neste mesmo dia o doutor Armando foi visitá-la, parecia que estava melhor.

Um certo dia, dona Maricota precisou se ausentar de casa, deixou Ismênia aos cuidados das outras irmãs, que iam vê-la de vez em quando, Ismênia dormiu e assim elas se distraíram, ela acordou e teve vontade de vestir seu traje de noiva, assim fez, levantou-se e foi pegá-lo, lembrou do noivo Cavalcânti, se vestiu e sentiu uma grande fraqueza, caiu de costas na cama, quando perceberam ela já estava morta.

A casa de Albernaz esteve cheia como em dia de festas, Quaresma foi ao enterro, o caixão era roxo e brilhante, a rua estava cheia de pessoas que queriam ver a moça partir, foi levada por cavalos ruços ao cemitério, na rua pombos brancos voaram e logo silenciaram.

O capítulo IV, intitulado “O Boqueirão”, é falado pelo narrador do sítio de Quaresma, que estava abandonado, como ele encontrou quando comprou, eram matos, capins e formigas, estavam tomando conta de todo o sítio, as ferramentas agrícolas estavam enferrujadas, mesmo Anastácio trabalhando, tentando vencer esse abandono, estava no momento de eleições na roça, doutor Campos e Antonino eram candidatos, no dia das eleições passavam pela porteira do sítio várias figuras, que serviam de divertimento para dona Adelaide, que estava a dias em isolamento.

A sua companhia, era a mulher de Anastácio, Sinhá Chica, uma velha rezadeira e parteira, ela atendia a população pobre, portugueses, italianos e espanhóis que habitavam na região, doutor Campos atendia, com a sua medicina os mais ricos da região, dona Adelaide viviam em constante tristeza, separada do irmão, já não se importava mais com as coisas do sítio, sempre mandava e recebia cartas de Quaresma, a última que havia enviado a irmã era de desespero.

Dizia para a irmã que estava ferido, de cama, tinha ficado assim durante um terrível combate, seu ferimento não era grave, mais precisava de cuidado, pedia perdão a irmã, pois, havia matado, estava sofrendo muito por conta disso, doía não somente as feridas, mais a consciência, Ricardo também havia se ferido gravemente, gemia com as dores da ferida física, estavam em hospitais separados, major estava arrependido de ter ingressado na revolta, dizia que tudo era por conta política, se conseguisse sair, iria viver em uma imensa quietude.

A revolta na baía havia acabado, Albernaz e Almirante olhavam para esse fim com tristeza, pois, a morte da filha já desaparecia da memória de Albernaz, Floriano tornou-se senhor da baía, com o fim da revolta, Quaresma teve alta por esse tempo, recebeu de Bustamante um papel de carcereiro, iria para a ilha das Enxadas, ficar com os marinheiros prisioneiros, seu tormento crescia ainda mais, estava abandonado pelo seu superior, Quaresma sofria, delirava, não tinha com quem conversar, Ricardo estava na Guarnição na Ilha das Cobras.

Em uma noite, quando iria dormir, foi acordado por um inferior, lhe informando que havia ali homens do Itamarati, que estavam à procura da turma do “Boqueirão”, para leva-los para a praça, levaram uma dúzia, que desapareciam nas águas da ilha.

No capítulo V e último, intitulado “A afilhada”, é relatado a angustia de Quaresma, que estava preso na ilha das Cobras, não saberia nem ao certo o motivo, suspeitava que seria por ter escrito, uma carta ao presidente contando o descaso do dia anterior, estava preso como um criminoso, se questionava como seria o seu fim, o que tinha feito durante sua vida, tinha se dedicado a estudar a Pátria por amor, agora ela iria lhe dar como recompensa a morte.

Desde seus 18 anos era patriota, dedicou-se a estudar coisas sem importância, como o tamanho dos rios, os heróis do Brasil, o tupi, o folklore, a agricultura, tudo tinha sido em vão, agora só restava decepções, lembrava de seu amigo Ricardo, sua irmã Adelaide e seu velho companheiro Anastácio, nunca mais poderia vê-los e então chorou.

Quaresma estava enganado, pois, Ricardo sabia de sua prisão, estava atrás de meios para soltá-lo, procurando influência de amigos, o primeiro fora de Genelício, que já era subdiretor, Ricardo contou-lhe a situação, ele disse que não poderia fazer nada, que o governo sempre tinha razão, e que Quaresma era um louco. Ricardo quis chorar de desespero, lembrou-se de Albernaz, foi até seu encontro, este lhe disse que não poderia fazer nada, pois, era um governista, Ricardo desesperava-se, foi ter com o coronel Bustamante no quartel e nada obteve, consultou sua memória, afim de encontrar alguém para recorrer, lembrou-se de Olga, afilhada de Quaresma, e contou-lhe os acontecimentos, pensou no seu padrinho e na sua generosidade, decidiu ajuda-lo, mas saberia que não poderia contar com a ajuda do marido.

Ficaram a pensar, decidiram ir até o Itamarati, falar com Floriano, pedir ajuda para salvar Quaresma, o marido de Olga achava uma grande loucura, iria lhe comprometer com tal atitude, Olga sabia que o marido só pensava em si próprio, não deu ouvidos a seus comentários, foram atrás da única possibilidade de salvar o amigo, mas Olga não conseguiu falar com Floriano, não obteve a ajuda que tanto desejava, saiu e foi ao encontro de Ricardo que o esperava no Campo de Sant´Ana, disse que a melhor opção era esperar.




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