Influência do perfil académico nos comportamentos de saúde oral e alimentares autor



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Frequência absoluta

Fig. 29 - Consumo de alimentos cariogénicos sólidos entre os estudantes das duas Instituições
Pela sua especificidade, o açúcar foi considerado isoladamente. Verificou-se que não existe uma relação estatisticamente significativa (p>0,05) entre o consumo de açúcar e os estudantes das duas instituições, bem como entre o consumo de açúcar e os diferentes anos curriculares entre os estudantes dos ISMAI. Porém, considerando apenas os estudantes da FMDUP (Fig. 14), e admitindo (p<0,1), pode-se afirmar a existência de uma relação entre o consumo e açúcar e os estudantes dos diferentes anos curriculares. Assim, os estudantes do 3º ano tendem a consumir menores quantidades de açúcar, embora esta relação possua uma força fraca (Goodman and Kruskal tau =0,042).


Frequência absoluta


Fig. 30 - Consumo de açúcar entre os diferentes anos curriculares da FMDUP
Relativamente ao grupo de alimentos líquidos cariogénicos (refrigerantes, néctares/sumos), verifica-se que não existe uma relação estatisticamente significativa (p>0,05) entre o consumo de alimentos líquidos cariogénicos e os estudantes das duas instituições (Fig. 15), bem como entre os estudantes dos três primeiros anos da FMDUP e do ISMAI.

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Fig. 31 - Consumo de alimentos cariogénicos líquidos entre os estudantes das duas Instituições

Considerando o grupo de alimentos light (bebidas, bolachas, chocolates e adoçantes) verifica-se que não existe uma relação estatisticamente significativa (p>0,05) entre o consumo de alimentos light e os estudantes das duas instituições (Fig. 16), bem como entre os estudantes dos três primeiros anos da FMDUP e do ISMAI.



Frequência absoluta


Fig. 32 - Consumo de alimentos light entre os estudantes das duas Instituições


4. Discussão
O presente estudo teve como objectivo contribuir para a caracterização e comparação dos comportamentos determinantes da saúde oral e alimentares em estudantes de medicina dentária, face a estudantes com diferente percurso académico e avaliar a influência da evolução nesse percurso na alteração dos diferentes hábitos.

Com os resultados obtidos na aplicação do questionário, constatou-se que cerca 98,3% dos estudantes já visitou o médico dentista e 73,7% consulta o dentista entre uma a duas vezes por ano. Verificou-se que cerca de 60,8% dos estudantes efetua a marcação de consultas de rotina e que cerca de 69,0% dos motivos da última consulta no médico dentista foram devidos a consultas de rotina ou para realização de tratamentos dentários. Estes resultados revelam que, de uma forma geral, os estudantes da FMDUP e do ISMAI apresentam comportamentos de saúde oral positivos, essencialmente no que diz respeito aos comportamentos preventivos. Poderá pensar-se que as visitas periódicas ao médico dentista possam indicar que, devido à influência do profissional de saúde, os comportamentos diários de higiene oral sejam igualmente positivos. Nestas questões os comportamentos dos estudantes são praticamente idênticos. Estes dados estão de acordo com os obtidos por autores que utilizaram o Hiroshima University Dental Behavioural Inventory (HUDBI) como instrumento de investigação para identificar atitudes e comportamentos em saúde oral, que demonstraram não haver diferença entre os estudantes do primeiro ano de medicina dentária e os jovens da mesma comunidade que não frequentam o curso, sugerindo que, como os seus conhecimentos sobre doenças orais são poucos, esta população é motivada para a manutenção dos seus dentes por preocupações estéticas, aparência e para evitarem possíveis dores de dentes (16-18). Não havendo diferenças no início dos cursos, outras pesquisas realizados com estudantes de medicina dentária e com estudantes de medicina, mostram que existem diferenças significativas tanto do primeiro para o quinto ano de medicina dentária, como entre os estudantes de medicina dentária e medicina, sendo que os de medicina dentária apresentaram melhores atitudes e comportamentos de saúde oral (16, 19).

Cerca de 51,1% dos estudantes realiza duas escovagens por dia. Este comportamento é realizado por todos os estudantes da FMDUP, independentemente do ano curricular. Os estudantes do 3º ano do ISMAI realizam três escovagens diárias, ao contrário dos estudantes dos anos anteriores que escovam duas vezes por dia, diferença que se revelou estatisticamente significativa, sugerindo que, neste caso, o fator idade pode ser levado em consideração, em virtude deste grupo ter maior representatividade face aos restantes cinco grupos em análise.

A utilização de fio dentário e/ou escovilhão é efetuado por 79,1% de todos os estudantes inquiridos, sendo mais utilizado pelos estudantes da FMDUP. Enquanto os estudantes do 2º ano da FMDUP utilizam estes meios auxiliares de higiene oral uma vez por dia, os estudantes do 3º ano utilizam-nos mais do que uma vez por dia. A explicação pode dever-se ao facto de os estudantes do 3º ano da FMDUP terem acesso a conhecimento mais específico, particularmente nas unidades curriculares implicadas na prevenção médico-dentária como a Dentisteria Operatória, a Medicina Dentária Preventiva, lecionadas a partir do primeiro semestre do 3º ano e a Periodontologia, lecionada a partir do segundo semestre do 3º ano. Portanto, poderá assumir-se que os estudantes de medicina dentária compreendem a importância do uso deste meio auxiliar de higiene oral na prevenção da cárie dentária e possuem o conhecimento, a técnica e a destreza manual necessárias ao seu manuseamento.

Cerca de 78,7% dos estudantes faz, no máximo, um uso ocasional de produtos para bochechar sendo este o comportamento adoptado pelos estudantes da FMDUP, independentemente do ano curricular. No entanto, a maioria dos estudantes do ISMAI fazem um uso essencialmente diário deste produto. Este resultado pode ser explicado pelo facto de os estudantes do ISMAI deduzirem que a escovagem com pasta dentífrica é insuficiente para prevenir doenças orais, ou por se apresentarem insatisfeitos com, por exemplo, a cor dos dentes, das gengivas ou com o próprio hálito, e usam estes produtos no sentido de colmatar, provavelmente, uma técnica de escovagem menos correta. Os estudantes da FMDUP, pelos seus conhecimentos, poderão estar mais conscientes das vantagens e limitações destes produtos e apenas os usam em casos que consideram apropriados.

De salientar que o estudo de Ozalp e col. (20) e o estudo de Sharda e Shetty (1), mostraram que os estudantes do último ano do curso de Medicina dentária apresentavam melhores comportamentos preventivos que os dos restantes anos, explicado pela maior experiência clínica. A ausência deste argumento, no presente estudo, explica a inexistência de comportamentos superlativos no 3º ano da FMDUP, face aos dois anos anteriores. A avaliação aos conhecimentos preventivos dos estudantes Jordanos mostrou que as unidades curriculares de Medicina Dentária Preventiva melhoraram as atitudes e a consciência em relação à saúde oral dos estudantes de medicina dentária. Deste modo, Barrieshi-Nusair e col. concluíram que as unidades curriculares de Medicina Dentária Preventiva devem ser incluídas no currículo o mais cedo possível, dentro dos anos pré-clínicos (21), sendo, de facto, o que acontece na FMDUP.

Cerca de 87,7% dos estudantes autoavaliaram a sua saúde oral como aceitável ou boa e, não se tendo encontrado diferenças estatisticamente significativas entre os estudantes das duas Instituições nem entre os diferentes anos. Considerando que os comportamentos relativos à saúde oral foram maioritariamente adequados entre todos os estudantes, será de admitir que a percepção que os mesmos têm sobre a saúde oral, possa corresponder à realidade.

Os comportamentos alimentares são praticamente idênticos entre os estudantes da FMDUP e do ISMAI, independentemente do ano curricular, quando se analisa o consumo de alimentos carioestáticos (leite, iogurte e queijo), alimentos líquidos cariogénicos (refrigerantes, néctares/sumos) e alimentos light (bebidas, bolachas, chocolates e adoçantes). Ekuni e col. (7) referem que a educação alimentar pode influenciar a prevalência da cárie dentária, bem como outras doenças associadas ao estilo de vida, no entanto, referem ainda que não existem dados que permitam relacionar a educação alimentar com o desenvolvimento de cárie dentária. O estudo de Sendin, relalizado em 1992, num grupo de crianças Suecas, citado por Moynihan e col. (12), no seu estudo de revisão, comprova uma forte correlação entre o consumo de alimentos ricos em açucar e o desenvolvimento de cárie, sendo esta relação mais forte para as crianças que apresentavam uma pobre higiene oral. Não raras vezes, são investigadas as associações entre o consumo de bebidas açucaradas e o desenvolvimento de cárie de acordo com a quantidade e frequência de ingestão, sendo a frequência, o tempo e a duração de consumo que determinam a exposição que promove o risco de cárie. Normalmente, as pessoas consomem diariamente múltiplas bebidas açucaradas, o que limita, especialmente em estudos observacionais, a capacidade de atribuir esse risco a determinada bebida açucarada (22).

Verificou-se, no grupo de alimentos cariogénicos sólidos (bolachas, pastéis/bolos, chocolate, snacks de chocolate e doces/compotas), um padrão de ingestão diferente entre os estudantes da FMDUP e do ISMAI, curiosamente os primeiros apresentam um padrão de consumo moderado, enquanto que os últimos apresentam um padrão de consumo baixo. Existem dados suficientes que mostram que vários grupos de pessoas, que habitualmente consomem elevados níveis de açucares, apresentam índices de cárie dentária superiores à média da população, por exemplo, as crianças com doenças crónicas que necessitam de longos tratamentos com fármacos que contêm açúcares (12). Contrariamente, existem igualmente grupos de pessoas com baixo índice de cárie que habitualmente consomem baixas quantidades de açúcar, como por exemplo, filhos de médicos dentistas, crianças institucionalizadas com regimes alimentares restritos e crianças com intolerância hereditária à frutose (12). O risco de desenvolver cárie é superior quando os alimentos cariogénicos são consumidos de forma frequente, especialmente numa forma que permita a retenção de açúcar na boca, durante longos períodos de tempo. O efeito dos carbohidratos no aparecimento de cárie pode ser reduzido pela ação do flúor e boa higiene oral, mas a redução do consumo de açucares deve ser a principal preocupação, pelos benefícios que representa na saúde em geral (23). Esta situação pode também estar relacionada com o facto dos estudantes estarem afastados de casa e iniciarem comportamento alimentares inadequados associado à facilidade de acesso a este tipo de alimentos dentro da Instituição.

O consumo de açúcar, enquanto elemento isolado, é praticamente idêntico entre todos os estudantes das duas Instituições, com exceção dos estudantes do 3º ano da FMDUP que parecem apresentar um padrão de consumo inferior ao registado nos dois primeiros anos do MIMD. Esta característica dos estudantes de medicina dentária pode estar igualmente relacionada com a evolução do percurso académico, na medida em o conhecimento específico relaciona o aparecimento de cárie dentária com a participação de açucares fermentáveis, entre outros fatores, o que poderá justificar o menor consumo, apesar da fraca associação dos resultados.

A principal limitação deste estudo de prevalência baseia-se essencialmente no tamanho reduzido da amostra que pode ter condicionado a consistência dos resultados e também pode não permitir a extrapolação dos mesmos. Sugere-se a necessidade de se realizar mais e melhores estudos epidemiológicos, p. ex. estudos longitudinais, constituídos por amostras maiores, que permitam avaliar a influência do percurso académico em medicina dentária, nos comportamentos de saúde oral e alimentares nos estudantes e sua correlação com o estado de saúde oral dos mesmos.



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