Histórico da raça campolina



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         Coube-nos falar sobre o desenvolvimento da raça Campolina no seu núcleo inicial - Fazenda do Tanque. Em nossa exposição focalizamos a atuação daqueles que tiveram a responsabilidade direta na criação. Devemos lembrar que Cassiano Campolina, Joaquim Pacheco de Resende e Joaquim Resende eram bem relacionados e puderam contar com a Assessoria de estudiosos e entusiastas do cavalo, destacando-se entre estes colaboradores: Florentino Pereira, Doutor Claudino Pereira da Fonseca Neto, Doutor Paulo da Rocha Lagoa, Doutor José Rocha Lagoa, José Ferreira, Juca da Fazenda, Doutor Rômulo Joviano e outros.         

A fazenda do Tanque não foi o único núcleo na formação da raça Campolina. Criadores de outras regiões também se interessaram pelo trabalho. Entre eles o Coronel Gabriel Andrade, em Passa Tempo, teve presença desde os primeiros tempos. Amigo de Cassiano Campolina, Joaquim Pacheco de Resende e Joaquim Resende, como criador e sempre manteve intercâmbio de reprodutores de ideias. Foi sucedido em seu trabalho pelos seus filhos, notadamente Bolívar de Andrade, que ainda hoje detém um dos bons plantéis da raça.




SSPA de Santa Rita

         Podemos dizer que as Fazendas do Tanque, em Entre Rios, e Campo Grande, em Passa Tempo, constituíram os dois núcleos básicos para a formação da raça, mas muitos outros criadores tiveram atuação destacada neste trabalho e, entre eles devemos lembrar Américo de Oliveira, José Ferreira Leite, Coronel Linto Diniz, Ascânio Diniz, Pedro Joaquim Carlos, Américo Ferreira Leite, Valdemar Resende Urbano, Lídio Araújo, Epaminondas Cunha Melo, José Eugênio Dutra Câmara, João de Almeida, Ormínio Almeida, Tonico Figueiredo, Alfredo Manoel Fernandes, Agenor Sampaio, Emir Cadar, Osório Ferraz, José Geraldo Areias, Abelardo Bastos Mattos Júnior, Roberto Cantelmo, Severino Veloso, Arnaldo Bezerra, Guido Pacheco Magalhães, Valério Resende, Antônio Lopes da Silva, Heitor Lambertucci, Geraldo Magela de Rezende, Fernando Diniz Oliveira e tantos outros.

         Com o decorrer dos anos cresceu o interesse pela criação do Campolina e com ele o mercado, a nossa Associação conta com a inscrição de centenas de criadores de Minas Gerais, e de outros Estados da Federação, e com expressivo número de animais registrados. Nesse relato, procuramos deixar claro que a raça Campolina vem sendo formada, desde o início, por tentativas, visando atingir um padrão que, somente depois de 70 anos de experiências foi definido e oficializado.

         A nosso ver, toda tentativa foi válida; o grande mérito que atribuímos aos formadores do Campolina foi o de terem sabido interpretar os resultados das experiências, dando aproveitamento apenas aos produtos que mais se aproximavam do padrão pretendido. Mas, nem sempre o produto aproveitado transmitia seus caracteres e tinha que ser eliminado. Formar um verdadeiro reprodutor é trabalho penoso e demanda tempo.

         Estamos com mais de um século de experiências para a formação da raça Campolina e sabemos que ainda há muito que fazer, mas não podemos esconder o nosso orgulho pelo que está feito: Um cavalo de grande porte, delicado, vivo, inteligente, forte e marchador - O CAVALO CAMPOLINA. A raça está submetida a um padrão por associação oficial idônea, e o registro para machos, a partir de 31/12/1966 passou a ser feito em livro fechado.

         Hoje a raça Campolina está muito evoluída, a sua padronização é marcante, visível aos olhos de todos, que observam nas pistas de exposição os animais apresentados.

Palestra proferida pelo Senhor Gastão Ribeiro de Oliveira Resende, na abertura da III Convenção Nacional do Cavalo Campolina - Belo Horizonte - Setembro de 1.978 - Extraído da Revista: O Cavalo Campolina, ano 1, n.º 1, Abril de 1.979


  • Uma História que ainda não foi contada

         Esta raça é um justo orgulho do criador mineiro e principalmente do seu organizador e padronizador, o saudoso hipólogo Coronel Cassiano Campolina, da cidade de Entre Rios, neste Estado. É uma raça há muito definida, pois conta mais de 80 anos de existência.

         Em 1.857, o Senhor Cassiano Campolina, apreciador de bons animais de sela, começou comprando as melhores éguas existentes no município de Entre Rios, e cruzando-as com reprodutores também do mesmo município; esses, no entanto, eram escolhidos, altos, bons marcheiros e de linhas harmoniosas. Tanto os reprodutores como as éguas, eram crioulos, e assim sem uma definida característica de raça. Por muito tempo criou ele esse tipo comum de cavalo; no entanto já selecionado em altura e linhas gerais, pois o seu conhecimento e descortínio via nisto um grande passo para uma futura e pretensa formação de raça.

         Ao cabo de poucos anos tinha, pois em sua Fazenda já um notável plantel de éguas novas, altas, marcheiras e de linhas muito melhoradas. Acontece que nessa ocasião e por obra do destino, quase sempre caprichoso, teve Cassiano Campolina, necessidade de ir à cidade de Juiz de Fora. Nesta cidade, travou conhecimento com um fazendeiro daquela zona e morador na cidade; creio que, salvo o engano, era o Senhor Coronel Manoel Vidal Barbosa Lage.

         Este era como aquele, apaixonado e entusiasta, pela criação de cavalos. Como "um gambá cheira outro", diz o velho provérbio popular, tornaram-se muito amigos. Regressando de Entre Rios, trouxe como presente que lhe fez esse amigo, uma égua preta. Esse animal era um belo espécime e vinha padreada por um belíssimo Andaluza de Puro Sangue.

         Como em tudo a sorte é grande fator para se vencer na vida, Cassiano foi bafejado por essa fortuna, pois poucos meses depois nascia um belo potrilho, filho desta aludida égua. Esta foi, a "pedra de toque" do cavalo Campolina. Assim pois, em 1860, mais ou menos, Cassiano foi presenteado em Juiz de Fora com uma égua e no mesmo ano nascia, em sua Fazenda do Tanque, um belíssimo potrilho preto, enriquecendo e aumentando a raça equínea mineira. Este foi criado na cocheira, com cuidado especial e trato farto e substancioso. Ainda com este trato e com o especial carinho que seu dono prodigalizava-lhe, chegou à idade adulta, com beleza invulgar, andares notáveis e linhas perfeitíssimas.

         Era esse animal assim, um meio sangue autêntico de Andaluz. Daí por diante muito mais fácil se tornou a melhoria crescente do cavalo mineiro, pois, um lastro de sangue novo, puro e de força, fora inoculado na raça. Pelo espaço de 25 anos, serviu aquele potrilho criado com tanto carinho, como reprodutor do plantel de éguas do Senhor Cassiano Campolina. É o famoso "Monarca", que todos quanto apreciam e acompanham o desenvolver da raça eqüina mineira, conheceram ou tiveram conhecimento tradicional.

         Falando-se em "Monarca", era o mesmo que falar no que havia de melhor em Minas, como reprodutor equino. Ao fim de 25 anos, com a morte de Monarca, Cassiano, que já era força potencial em prosperidade financeira, oriunda da criação de cavalos, com maiores conhecimentos, resolveu cruzar suas éguas com um puro "Percheron". Isso, no entanto, muito veio prejudicar e atrasar a sua já notável criação.

         A experiência deu-lhe cavalos caneludos, patas enormes, tipo abrutalhado e ruim de sela. Notou logo esse péssimo resultado de sua experiência e muito contribuiu para esse fracasso, o seu pouco conhecimento em raças estrangeiras. No entanto, inteligente e conhecedor do assunto, desprezou logo aquela cruza, indo buscar nos filhos de Monarca, seu ex-ídolo, espalhados por toda Minas Gerais, seus novos reprodutores.

         Afinal a morte veio colher este grande e inconfundível vulto de hipólogo, já velho, mas orgulhoso da sua já afamadíssima criação de cavalos "C.C.". Essas duas singelas, mas significativas letras, eram as inicias com que carimbava os seus bons produtos eqüinos. Como só vendia para reprodução, animais selecionados, reputava-os muito bem e daí, o povo dar uma designação diferente à marca com que eram carimbados esses animais, traduzindo aquelas duas letras iguais, pelas palavras simbólicas: "CUSTA CARO".

         Apesar de tudo consumir o tempo, esse batismo popular ainda perdura, resistindo galhardamente à ação destruidora do tempo, e ainda é comum ouvirmos nossos patrícios dizerem com ufania ao se referirem ao cavalo C.C.: CUSTA CARO. Eis aí, em rápidos traços, a história da criação do Cavalo Campolina. É ainda um dos melhores produtos mineiros, a criação dos cavalos desta raça.

         É hoje continuador desta obra, mantendo gloriosa a raça Campolina, o Senhor Coronel Joaquim Rezende, de Entre Rios (Minas Gerais). É como o seu antecessor, grande entusiasta da criação de animais, além de conhecedor profundo da matéria. Esse simpático e esforçado continuador da obra gigantesca de Cassiano Campolina tem procurado manter a raça e até tentado melhorá-la experimentando novas cruzas e revigoramento com novos lastros.





         Ainda, ultimamente, introduziu na eguada, um belo reprodutor, que segundo informado, tem ainda sua origem no Manga-larga, outra raça mineira definida, de que tratarei em outras notas ligeiras a publicar. Só o tempo nos dirá da oportunidade desta cruza. No meu modesto modo de entender e apesar de ver em Joaquim Rezende um ótimo e oportuno continuador da obra de uma vida, qual de Cassiano Campolina, acho que era ao Governo Mineiro que competia, pelos seus postos de monta, padronizar e conservar esta raça.

         Ela deveria ser considerada de utilidade pública. O Governo gasta tanto dinheiro nesses serviços e na importação de raças inferiores à Campolina, porque não entra em acordo com Joaquim Rezende, comprando-lhe toda a criação equina e bem assim a sua fazenda que está a venda? Assim poderia fazer da raça Campolina um padrão seguro e certo. Ninguém melhor do que o Governo do Estado poderia tomar essa iniciativa. Com descortínio, seriedade e parcimônia, estou certo e convencido, seria uma fonte de renda. Tudo depende, no entanto, da racionalização do serviço.




Extra Top

         É uma raça de cavalos de sela que precisa ser conhecida fora de nossas fronteiras. É coisa ainda não explorada e afirmo que não há em parte alguma do mundo cavalo de sela igual ao Campolina ou ao Manga-larga, ou ainda, ao cavalo cria de Gabriel de Andrade; raças estas, todas definidas e genuinamente mineiras. Uma propaganda eficiente, julgo, daria ótimos resultados. Aí fica uma modesta e despretensiosa opinião para ser estudada.



José Gabriel Ferreira Netto, Belo Horizonte, 10 de Março de 1.938 - Extraído da Revista: O Cavalo Campolina, ano 1, n.º 1, Abril de 1.979










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