Hand Talk com aluno surdo: um estudo na rede municipal de Campos dos Goytacazes



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O uso do aplicativo Hand Talk com aluno surdo: um estudo na rede municipal de Campos dos Goytacazes *
Adriana Carla Vasconcelos Ferreira**

Ana Paula Flor Peixoto***



Resumo

Esta pesquisa surgiu da dificuldade experimentada pelas autoras do artigo, no processo de inclusão um aluno surdo em sala de aula regular. Diante deste quadro, optou-se pelo uso do aplicativo Hand Talk em dispositivo móvel, smartphone, por ser uma ferramenta pedagógica gratuita e de fácil manuseio, podendo ser disponibilizada com mais facilidade ao aluno em questão. O objetivo geral desta pesquisa foi identificar os resultados do uso do aplicativo em atividades diárias de rotina na sala de aula. Foram pesquisados dados como histórico escolar, entrevista com professoras anteriores, aspectos legais da inclusão e da alfabetização. Através desse estudo, foi possível identificar que o uso do aplicativo Hand Talk é uma ferramenta pedagógica válida para inclusão social do aluno surdo e dos alunos ouvintes na sala de aula regular.


Palavras-chave: Alfabetização. Aluno. Surdez. Escola regular. Inclusão.

_______________________



* Este artigo constitui-se no Trabalho de Conclusão de Curso da Pós-graduação Lato Sensu em Docência no Século XXI, pelas autoras cursada no Instituto Federal Fluminense, campus Campos-Centro, nos anos de 2014/2015, desenvolvido sob a orientação da Prof Esp. Engracia Manhães Gabriel de Brito.

**Licenciada em Pedagogia - UNIRIO. Professora de Ensino Fundamental I na Rede Municipal de São João da Barra/RJ. Email: adriana_vferreira@yahoo.com.br

*** Licenciada em Matemática - IFFluminense campus Campos-Centro; Licenciada em Pedagogia - UNIRIO Orientadora de estudos do Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa (2013-2014); Professora Estatutária, desde 2008, na Rede Municipal de Ensino de Campos dos Goytacazes, atuando no ciclo alfabetizador. Email: anapeixotoferreira@hotmail.com

1 Introdução

Ao iniciar o ano letivo de 2015 foi entregue a lista de alunos da turma 1A203, e logo nos primeiros dias começou-se as atividades de identificação de cada aluno com crachás e dinâmicas em grupo e foi percebido que um dos alunos não entendia muito bem as propostas das atividades e sempre balbuciava algo que nem a professora e nem colegas conseguiam entender. Ao comentar com uma das colegas da unidade escolar a professora regente da turma descobre que este aluno é surdo e que ele possui dificuldades de comunicação.

A partir da dificuldade na forma de comunicação entre o aluno surdo, alunos ouvintes, professora e demais funcionários da unidade escolar foi observado que o desenvolvimento da comunicação era precária, ele não desenvolveu habilidades comunicativas oralizada e/ou sinalizada, dificultando assim o processo de escolarização. Então, surgiram as seguintes perguntas: como poderíamos nos comunicar? Qual seria a forma mais interessante para desenvolver este processo? Será que existiria algum aplicativo em dispositivo móvel que poderia nos ajudar na inclusão desse aluno?

Dessa inquietação surgiu a ideia central dessa pesquisa, ou seja, a necessidade de incluir um aluno surdo em sala de aula regular e fazer uso de um aplicativo em dispositivo móvel para facilitar a inclusão.

Esse aluno surdo está matriculado em uma escola da rede municipal de ensino de Campos dos Goytacazes, numa turma de primeiro ano de escolaridade do Ensino Fundamental I.

Mas o que seria uma pessoa surda? Neste caso, o que seria um aluno surdo?

O Decreto Federal nº 5626, de 22 de dezembro de 2005, que regulamenta a lei 10.436, de 24 de abril de 2002, “denomina-se pessoa surda àquela que, por ter perda auditiva compreende e interage com o mundo por meio de experiências visuais, manifestando sua cultura principalmente pelo uso da língua brasileira de sinais-libras” (BRASIL, 2002)

A fim de obter as respostas para as questões que inquietaram a professora e em busca de um recurso gratuito, de fácil acesso e manuseio iniciou-se uma busca por aplicativos que fossem usados pela comunidade surda, e encontramos o Hand Talk com perfil desejado, ou seja, de fácil manuseio, com uma interface interessante para o aluno, desperta vontade de aprender a manusear o aplicativo e que pode ser baixado em dispositivo móvel-smartphone sem ocupar muito espaço na memória do aparelho.

Após ter selecionado o aplicativo, traçou-se o objetivo geral dessa pesquisa: identificar os resultados do uso do aplicativo em questão, Hand Talk, no que diz respeito ao acesso ao conhecimento pelo aluno surdo inserido em turma regular.

Dentre os objetivos específicos, procurou-se identificar o quanto é possível incentivar o desenvolvimento da linguagem do aluno surdo em sala de aula regular e instruir para o uso do aplicativo como facilitador do processo de aprendizagem.

Assim, pelo contexto e objetivos delineados até aqui, definiu-se a questão de pesquisa: Será também que esse aluno fazendo uso desse aplicativo poderia ser alfabetizado com maior facilidade?

Com a intenção de responder a pergunta e aos objetivos que incentivaram essa pesquisa, buscou-se a contextualização histórica, os marcos legislativos, os aspectos de alfabetização e do aplicativo escolhido após, então, fazer uma análise do ambiente e do processo utilizado.


1.1 Metodologia
Para alcançar os objetivos buscou-se compreender o perfil do aluno surdo, levando em conta sua origem socioeconômica e cultural, seu tempo matriculado na unidade escolar, as turmas que frequentou desde a Educação Infantil até o ano de 2015. Também dentro do processo metodológico houve uma preocupação em coletar dados com as professoras que o receberam em turmas anteriores, pois esse diálogo traria importantes informações da forma de comunicação desse aluno. Essas coletas de dados aconteceram na escola,após reuniões pedagógicas mensais feitas e organizadas pela unidade.

Estas professoras responderam a perguntas a respeito da relação profissional entre elas e o aluno surdo, bem como a metodologia por elas aplicada em sala, sua relação com aluno surdo, como se comunicavam.

Nos cinco encontros realizados foi possível obter a informação que a professora da educação infantil fez o curso de Língua Brasileira de Sinal (Libras) ofertado pela Secretaria Municipal de Educação, Cultura e Esportes (SMECE), nos anos 2009-2010 e atuou na educação infantil com o aluno surdo. Obteve-se também a informação que a professora que atuou na turma do primeiro ano não fez curso de Libras (2011-2012).

Identificou-se nos documentos escolares – ficha de matrícula, ficha de renovação de matrícula e histórico escolar, que nos anos de 2013-2014 o aluno não esteve matriculado na escola de origem. A partir dessa informação entendeu-se que era necessário pesquisar sobre os aspectos legais de aprendizagem e da inclusão na escola regular e aplicar atividades em sala regular que fossem voltadas especificamente para o problema da pesquisa.

A princípio foi feita uma atividade com a turma regular e o aluno surdo usando o aplicativo Hand Talk, no período de junho a dezembro de 2015. Foi usado em sala de aula pelo aluno surdo e por seus colegas, pois apresenta-se com interface colorida e personagem 3D “Hugo” que movimenta-se ao se tocar na tela arrastando o dedo, ele gira, pisca os olhos e com as mãos prontas a fazerem os sinais, o que foi motivando os alunos ouvintes a quererem apreender os sinais para ajudar o aluno surdo.

Fez-se a correlação do aplicativo em Libras (Sinal), escrita em Língua Portuguesa e imagem de animais, já que naquele momento estávamos estudando as características e classificação dos animais, conteúdo especifico de 2º bimestre da turma de 1º ano.

Percebeu-se que relacionar o uso do aplicativo, a escrita em Língua Portuguesa e a ilustração não ficaram claras para o aluno surdo, como ficou nítido para os alunos da turma regular. Então fez-se a opção por atividades ligadas as atividades diárias em sociedade como ir ao banheiro, beber água, ir ao refeitório, hora da saída e reconhecer os sinais das letras do seu nome.

2 Contextualização
Visando preservar os direitos legais do aluno foram consultados alguns dispositivos legais, como Lei de Diretrizes e Bases da Educação Básica (1996), Plano Nacional da Educação em Direitos Humanos (2007), Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa (2012), Estatuto da Pessoa com Deficiência (2015). Fez-se uma pesquisa da História da Educação Inclusiva no mundo e no Brasil, com ênfase na Educação do Surdo, pesquisou-se os aspectos teóricos da Educação Inclusiva na perspectiva da Alfabetização e Alfabetização de alunos surdos e um pouco do histórico do aplicativo Hand Talk.

Depois da pesquisa a respeito dos aspectos legais da aprendizagem e inclusão partiu-se para as atividades em sala regular, voltadas à inclusão do aluno surdo.


2.1 Breve Históricos da Educação dos Surdos

Por intermédio da construção de uma linha temporal da educação do surdo ao longo da História, é possível conhecer a evolução da educação em relação à inclusão ao longo dos séculos.

Em geral, na idade antiga, o surdo era considerado castigado e enfeitiçado, incômodos e inválidos, privilegiados e enviados por deuses, e por alguns filósofos como pessoas sem linguagem, pensamento, insensatos, naturalmente incapazes de razão ou sem razão (STROBEL, 2009).

Na idade média, o surdo era atirado numa imensa fogueira, eram sujeitos estranhos e objetos de curiosidades, eram proibidos de receber comunhão, pois não podia confessar seus pecados (STROBEL, 2009).

Na idade moderna estudiosos iniciaram a defesa da educação do surdo, como o médico e filósofo Girolano Cardano que reconheceu a habilidade do surdo para a razão, ele utilizava a língua de sinais e escrita com surdos (STROBEL, 2009).

O monge beneditino Pedro Ponce de Leon (1510-1584), na Espanha, estabeleceu a primeira escola para surdos, usava como metodologia a datilologia, escrita e oralização, ele também criou escola para professores de surdos. Já o padre e professor Juan Pablo Bonet, em 1620, defendia também o ensino precoce de alfabeto manual aos surdos (STROBEL, 2009).

O médico suíço Johan Conrad Ammon desenvolveu e publicou método pedagógico de fala e da leitura labial. O estudioso Samuel Heinicke atribuía grande valor somente a fala publicou uma obra “Observações sobre os Mudos e sobre a Palavra”. Ele fundou a primeira escola de oralismo puro, em Leipzig, inicialmente a sua escola tinha nove alunos surdos (STROBEL, 2009).

O educador e filantrópico francês Abade Charles Michel de L’Epée (1712-1789) fundou a primeira escola pública para os surdos “Instituto para Jovens Surdos e Mudos de Paris” e treinou inúmeros professores para surdos (STROBEL, 2009).

Thomas Braidwood abre a primeira escola para surdos na Inglaterra, ele ensinava aos surdos os significados das palavras e sua pronúncia, valorizando a leitura orofacial (STROBEL, 2009)

Com a idade contemporânea, meados do século XIX, em junho de1855 inicia-se o marco histórico da educação especial no Brasil com chegada do professor surdo francês Eduardo Huet, com a intenção de abrir uma escola para alunos surdos. Então foi fundada a primeira escola para surdos no Rio de Janeiro – Brasil, o “Imperial Instituto dos Surdos-Mudos”, existente até os dias atuais como “Instituto Nacional de Educação de Surdos”– INES (STROBEL, 2009).

Strobel (2009), relata ainda que houve uma estagnação da assistência a pessoas com deficiências no Brasil no período final do século XIX e início do século XX, até início da decáda 50, ficando restrita nesse período a pesquisas acadêmicas e escasso atendimento institucional.

Em 1954, foi criada a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE), no Rio de Janeiro, por influência do casal norte americano Beatrice Bemis e George Bemis.

Em 20 de dezembro de 1961 foi criada a Lei 4.024, Lei de Diretrizes e Bases (LDB) e contemplava nos artigos 88º e 89º a “educação dos excepcionais”, considerado o marco inicial da educação especial no Brasil e começou o crescimento das instituições filantrópicas.

A LDB foi reafirmada na Lei 5.692 de 11 de agosto de 1971, no artigo 9º definindo-se a clientela de educação especial como os alunos que apresentassem deficiências físicas ou mentais, os que se encontrassem em atraso considerável quanto à idade regular de matrícula, além dos superdotados.

Em 1977, foi criada a Federação Nacional de Educação e Integração dos Deficientes Auditivos (FENEIDA) que envolvia pessoas com a problemática da surdez e em 1987 foi reestruturada como FENEIS– Federação Nacional de Educação e Integração dos Surdos, no Rio de Janeiro – Brasil (STROBEL, 2009).

Segundo Mendes (2006),


A Constituição Federal Brasileira de 1988 traçou as linhas mestras visando a democratização da educação brasileira, e trouxe dispositivos para tentar erradicar o analfabetismo, universalizar o atendimento escolar, melhorar a qualidade do ensino, implementar a formação para o trabalho e a formação humanística, científica e tecnológica do país. Ela assegurou que a educação de pessoas com deficiência deveria ocorrer, preferencialmente na rede regular de ensino

Em 23 de dezembro de 1996, foi publicada a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, 9394/96, que traz em seu texto um capítulo específico que trata da educação especial no Brasil, no capítulo V, dos artigos 58 a 60.

Na próxima seção continua-se abordando os aspectos legais da Educação Inclusiva ao longo da História, trazendo-se as garantias legais da inclusão e da alfabetização de aluno surdo nas últimas décadas do século XX e nas décadas iniciais do século XXI.


2.2 Aspectos legais da Educação Inclusiva na perspectiva da Alfabetização
Como essa pesquisa visa discutir a Educação Inclusiva torna-se necessário o estudo da legislação referente ao tema, nos seguintes documentos: Declaração de Salamanca (UNESCO, 1994), a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Básica (BRASIL, 1996), Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos (BRASIL, 2007), o Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa (BRASIL, 2012), caderno de Educação Especial e o Estatuto da Pessoa com Deficiência - Lei nº 13.146, de 6 de julho de 2015 (BRASIL, 2015).

Há 20 anos já existe a Declaração de Salamanca (UNESCO, 1994) de abrangência internacional com as orientações para ações em níveis regionais e internacionais para uma Educação Inclusiva, é instrumento a ser observado com atenção, pois traz reflexões da integração da escola inclusiva para a Educação Inclusiva:
[...] a integração de crianças e jovens com necessidades educativas especiais é melhor alcançada dentro de escolas inclusivas, que servem a todas as crianças dentro da comunidade [...]

[...] escola inclusiva é o de que todas as crianças devem aprender juntas, sempre que possível, independentemente de quaisquer dificuldades ou diferenças que elas possam ter [...]

[...] Educação inclusiva é o modo mais eficaz para construção de solidariedade entre crianças com necessidades educacionais especiais e seus colegas [...] (UNESCO, 1994)
A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – Lei no. 9.394/96 (LDBEN), que em seu artigo 32, reformulado pela Lei 11.274/2006, aborda a questão da alfabetização das crianças a partir dos 6 (seis) anos de idade sejam elas deficientes ou não, pois a lei é para todos e prevê:
[...]O ensino fundamental obrigatório, com duração de 9 (nove) anos, gratuito na escola pública, iniciando-se aos 6 (seis) anos de idade, terá por objetivo a formação básica do cidadão, mediante:

I - o desenvolvimento da capacidade de aprender, tendo como meios básicos o pleno domínio da leitura, da escrita e do cálculo; [...]

A LDBEN traz no seu capítulo V, da Educação Especial, reformulado pela Lei 12.796/2013, os efeitos de lei na educação escolar oferecidos na escola regular:

[...] Entende-se por educação especial, para os efeitos desta Lei, a modalidade de educação escolar oferecida preferencialmente na rede regular de ensino, para educandos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação

1º Haverá, quando necessário, serviços de apoio especializado, na escola regular, para atender às peculiaridades da clientela de educação especial.

2º O atendimento educacional será feito em classes, escolas ou serviços especializados, sempre que, em função das condições específicas dos alunos, não for possível a sua integração nas classes comuns de ensino regular.

3º A oferta de educação especial, dever constitucional do Estado, tem início na faixa etária de zero a seis anos, durante a educação infantil; [...].

Também, no âmbito nacional é possível identificar uma abordagem humanizada do atendimento ao aluno deficiente e como tornar a escola inclusiva, a partir da formação continuada dos professores. Disposto como Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos (BRASIL, 2007), dentro dos princípios norteadores da educação em direitos humanos, item “e” e que faz alusão a formação profissional para a Educação Inclusiva:

[...] a educação em direitos humanos deve ser um dos eixos fundamentais da educação básica e permear o currículo, a formação inicial e continuada dos profissionais da educação, o projeto politicopedagógico da escola, os materiais didático-pedagógicos, ao modelo de gestão e avaliação.
Tendo considerado e disposto conforme a lei o que é a pessoa surda torna-se importante considerar o processo de alfabetização dessa pessoa, neste caso do aluno surdo alvo da pesquisa.

“O processo de alfabetização da pessoa surda na Língua Portuguesa é considerado um dos grandes desafios na educação desses sujeitos”, assim afirma o caderno de educação especial do Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa - PNAIC (BRASIL, 2012, p. 28). O PNAIC é o documento do Ministério da Educação e Cultura que trata especificamente sobre a alfabetização até os 8 anos de idade ou 3º ano de escolaridade do Ensino Fundamental I e da alfabetização de crianças deficientes e métodos e técnicas de como alfabetiza-las.

O PNAIC (Caderno de Educação Especial) tem como objetivo que os alunos do ciclo de alfabetização estejam alfabetizados até os 8 anos de idade, complementando a Lei no. 9.394/96 (LDBEN) e diz que:



Aos oito anos de idade, as crianças precisam ter a compreensão do funcionamento do sistema de escrita; o domínio das correspondências grafofônicas, mesmo que dominem poucas convenções ortográficas irregulares e poucas regularidades que exijam conhecimentos morfológicos mais complexos; a fluência de leitura e o domínio de estratégias de compreensão e de produção de textos escritos. (BRASIL, 2012)




A prática do Estatuto da Pessoa com Deficiência (BRASIL, 2015) torna real a inclusão dos alunos deficientes em sala de aula regular. Como o alvo dessa pesquisa é um aluno surdo sendo incluído em sala de aula regular, destaca-se o artigo 28:
Art. 28.  Incumbe ao poder público assegurar, criar, desenvolver, implementar, incentivar, acompanhar e avaliar:

[...]IV - oferta de educação bilíngue, em Libras como primeira língua e na modalidade escrita da língua portuguesa como segunda língua, em escolas e classes bilíngues e em escolas inclusivas;

V - adoção de medidas individualizadas e coletivas em ambientes que maximizem o desenvolvimento acadêmico e social dos estudantes com deficiência, favorecendo o acesso, a permanência, a participação e a aprendizagem em instituições de ensino;

[...]XII - oferta de ensino da Libras, do Sistema Braille e de uso de recursos de tecnologia assistiva, de forma a ampliar habilidades funcionais dos estudantes, promovendo sua autonomia e participação; (BRASIL,2015)


Observando a legislação, identifica-se a garantia ao acesso do aluno deficiente a rede regular de ensino, contudo, não garante a real inclusão segundo suas especificidades.
2.3 Aspectos teóricos da Alfabetização e Alfabetização de Surdos
A leitura é essencial na vida de todos os indivíduos. E é através dela que se posiciona frente à sociedade e torna-se possível defender o ideal de cada um. Os alunos precisam ler e entender aquilo que estão visualizando, para defenderem seu ponto de vista nas diversas situações do dia a dia.

Cagliari (2009, p.130), afirma que:


[...] a leitura é a extensão da escola na vida das pessoas. A maioria do que se deve aprender na vida terá de ser conseguido através da leitura fora da escola. A leitura é uma herança maior do que qualquer diploma.

Sendo assim, é possível perceber que, em geral, as crianças chegam à escola já sabendo ler o mundo em que vivem, pois, ao se apresentar para uma criança a embalagem ou um rótulo qualquer, mesmo sem saber o que está exatamente escrito naquelas letras ela é capaz de dizer que produto é aquele. Essa constatação também possui corroboração por Ferreiro (1986, p. 69), quando ela afirma que:

[...] muito antes de serem capazes de ler, no sentido convencional do termo, as crianças tentam interpretar os diversos textos que encontram a seu redor (livros, embalagens comerciais, cartazes de rua), títulos (anúncios de televisão, estórias em quadrinhos, etc.)
Legitimando assim que a criança que tem contato no ambiente familiar com o mundo letrado e/ou vivencia pessoas de seu convívio em contato constante com a leitura e a escrita, tem uma maior facilidade de desenvolver a leitura e escrita com sucesso. Ferreiro (1986, p. 24), diz que “o desenvolvimento da alfabetização ocorre, sem dúvida, em um ambiente social”.

A alfabetização é um importante processo de ensinar a linguagem verbal e escrita de maneira significativa, pois o aluno tem muito interesse pela escrita e, nesse momento, o incentivo à leitura é importante forma de interação e comunicação com o mundo.

E a escola como espaço de aprendizagem deve facilitar essa comunicação, como afirma Quadros e Schmiedt:

A escola torna-se, portanto, um espaço linguístico fundamental, pois normalmente é o primeiro espaço que a criança surda entra em contato com a língua brasileira de sinais. Por meio da língua de sinais, a criança vai adquirir a linguagem verbal (2006, p.22)


A escola e o professor precisam facilitar a comunicação entre a criança surda e o espaço em que ela está inserida e incluída. Nesta pesquisa, usou-se o aplicativo Hand Talk como ferramenta pedagógica válida na busca da inclusão. Na próxima seção faz-se uma abordagem breve sobre o aplicativo Hand Talk.
2.4 O aplicativo Hand Talk

Fonte: sayscentrodeensino.wordpress.com


O aplicativo Hand Talk é brasileiro, foi criado no Estado de Alagoas por três amigos estudantes da Universidade Federal de Alagoas. Foi premiado internacionalmente no ano de 2013 pela Organização das Nações Unidas, como o melhor aplicativo social do mundo.

O Hand Talk é resultado de um projeto que vem sendo desenvolvido desde 2001, com objetivo de fazer a inclusão de pessoas com deficiência auditiva, sanando a dificuldade de aprender Língua Portuguesa.

Em entrevista ao portal de noticias da Universidade Federal de Alagoas, a jornalista Manuella Soares, no ano de 2013, o professor do Instituto de Computação da Universidade Federal de Alagoas, Patrick Henrique Brito diz que:
“O sistema tem potencial de ser uma ferramenta de grande contribuição na aprendizagem, principalmente de crianças surdas, podendo possibilitar a integração dessas nas escolas tradicionais e ajudar no aprendizado cognitivo”, ressaltou o professor Patrick.
O aplicativo Hand Talk, que traduzido em Língua Portuguesa significa “A Fala das Mãos”, faz gratuitamente a tradução automática de Língua Portuguesa para a Língua Brasileira dos Sinais (Libras). Foi lançado em julho/2013, e pode ser usado em celulares e tablets com sistemas Android e iOS. Faz tradução de textos e áudios com auxilio do personagem 3D “HUGO”.

O aplicativo Hand Talk foi escolhido para esta pesquisa por ser genuinamente brasileiro, ter surgido de uma pesquisa universitária e por sua facilidade de manuseio.
3 Perfil da escola
A unidade escolar na qual o aluno esteve matriculado no ano letivo de 2015 pertence à rede pública de ensino de Campos dos Goytacazes.

É considerada uma escola central por sua localização geográfica, conta com 13 salas de aula, biblioteca, laboratório de informática e ciências, brinquedoteca e sala de leitura, e estruturas técnico-administrativo como secretaria escolar, sala de diretor e vice-diretor, sala de recursos, sala de professor e sala de pedagogo, estruturas de apoio que contam com uma cozinha e um refeitório amplo onde estão localizados os três bebedouros, banheiros masculino e feminino para alunos, banheiro de funcionários e consultório odontológico.

A escola possui um corpo docente permanente de professores, pedagogo e auxiliares de secretaria estatutários, atende a alunos da Educação Infantil, a partir de 4 anos de idade, ao Ensino Fundamental I (1º ao 5º de escolaridade), funcionando nos turnos matutinos e vespertinos.

Possui 438 alunos com faixas etárias entre 4 e 15 anos de idade, 13 turmas em cada turno, todas as salas de aula são ocupadas manhã e tarde. Os alunos fazem atividades diversificadas no laboratório de informática, laboratório de ciências e sala de leitura uma vez por semana em dias agendados previamente.




4 Coleta de dados com professoras dos anos letivos anteriores a 2015
Foi feito entrevista com as professoras dos anos letivos anteriores a 2015. Essas entrevistas aconteceram após as reuniões pedagógicas mensais, num momento em que todos os professores da unidade escolar estão reunidos. Era necessário ser nesse encontro, pois as professoras que atuaram de 2009 a 2012 com o aluno trabalham no turno da manhã.

Foram feitas perguntas que abordavam aspectos comportamentais do aluno em sala, comunicação entre o aluno surdo, alunos ouvintes, professora e demais funcionários da unidade escolar.

Segundo dados coletados na escola em entrevista com professoras anteriores e documentos escolares de matrícula, o aluno foi matriculado na unidade aos quatro anos na Educação Infantil, no ano de 2009, já naquela época tinha diagnóstico médico de surdez e se comunicava por gestos, porém esses gestos não eram sinais em libras.

Foi disponibilizado à família e a professores regentes da unidade escolar o curso de Libras pela Secretaria Municipal de Educação, Cultura e Esportes (SMECE). A professora regente da turma de Educação Infantil da época fez todo curso de Libras (com duração de 2 anos), porém não se tem a informação escrita em documentos escolares se a família fez o referido curso ofertado pela SMECE ou se a professora orientou a mãe quanto as atividades diárias a serem desenvolvidas na rotina doméstica.

A professora da Educação Infantil relatou que o aluno não frequentou instituições direcionadas ao ensino de Libras durante os dois anos que foi aluno dela, além de relatar que a família demonstrava dificuldade em aceitar a surdez do aluno.

Quanto à comunicação do aluno surdo no ambiente escolar, foi relatado pelas professoras que o aluno não conseguia fazer amigos em sala e nem se comunicar com outros funcionários da instituição.


5 Análise do histórico escolar do aluno da Educação Infantil ao atual ano letivo (2015)
O aluno foi matriculado na unidade escolar aos quatro anos, no ano de 2009. No ano de 2010, os responsáveis atualizaram o laudo de surdez, agora com Classificação Internacional de Doenças (CID) de surdez bilateral (CID 10-H 90 – Perda de audição por transtorno de condução e ou neuro sensorial). Neste ano o aluno era concluinte da Educação Infantil, não ficando retido.

No ano de 2011, o aluno frequentou turma de 1º ano de escolaridade pela primeira vez e foi retido ao fim do ano letivo. Em 2012 o aluno iniciou ano letivo e não concluiu, sendo evadido. Em 2013, a família pediu a transferência do aluno para outra unidade escolar da rede particular de ensino na cidade de Campos dos Goytacazes.

No ano 2014, não consta matrícula do aluno, pois ao retornar a escola de origem em 2015, a família levou declaração da escola particular de 2013 para realizar a nova matrícula.

No ano de 2015, o aluno frequentou a turma 1 A 203 e foi observado pela professora regente da turma, que o aluno não conhece a Língua Brasileira de Sinais (Libras), pois o aluno não expressou qualquer sinal em sua comunicação com os colegas da turma, da escola, professora e funcionários em geral da unidade escolar.

A família não apresentou nenhum documento que comprove que o aluno está fazendo acompanhamento especializado para sua deficiência, a surdez, nem mesmo laudo atualizado. Segundo informações da professora da sala de Atendimento Educacional Especializado (AEE) O aluno não frequenta a AEE da unidade escolar em horário contrário ao ensino regular, pois a família alega não ter disponibilidade de horário.

Foi percebido que o aluno, por não se comunicar oralmente com palavras (Língua Portuguesa) nem por sinais (Libras) e nas tentativas de comunicar-se com colegas da turma, envolvia-se em vários atritos, prejudicando sua permanência em sala de aula e de colegas, bem como prejudicando o processo de ensino e aprendizagem dele e de colegas da turma. Buscando amenizar e até mesmo sanar essa dificuldade de comunicação, surgiu a ideia de usar um aplicativo de celular para ajudá-lo a aprender língua de sinais junto com sua turma.



6 Análise da inclusão do aluno surdo, suas dificuldades e uso do aplicativo Hand Talk

A princípio usou-se o dispositivo móvel das autoras com o aluno em particular, num momento específico da aula, para atendê-lo individualmente, para aprender a manipular e conhecer o aplicativo, enquanto seus colegas faziam atividades diversificadas, em grupos de aprendizagem.



Num segundo momento, foi realizada uma atividade com os nomes de animais, sua classificação quanto a cobertura de seus corpos e número de patas de cada um. Esta atividade foi realizada com a turma ouvinte e o aluno surdo. Foram estudados com o aplicativo Hand Talk os sinais de alguns animais como macaco, gato, cachorro, galinha, coelho e sapo, usando seguinte sequência de informações: mostrando a figura do animal, nome dele escrito numa ficha e o sinal referente em Libras, pois estava atendendo a alunos ouvintes em fase de alfabetização em Língua Portuguesa e o aluno surdo em Libras e Língua Portuguesa.

Os alunos ouvintes compreenderam a relação entre o sinal em Libras e a escrita em Língua Portuguesa, porém o aluno surdo, objeto desta pesquisa não fez associação da imagem-sinal-escrita. Isso foi identificado no momento em que se propôs uma atividade de escrita espontânea dos nomes dos animais em Língua Portuguesa e o aluno não conseguiu realiza-la, mesmo com ajuda de um colega, digitando o nome do animal no smartphone e fazendo sinal em Libras. Conclui-se que os sinais tornaram-se aleatórios e não contextualizados para o aluno surdo naquele momento.

Em outro momento de aplicação de atividade, agora de forma individual, com o dispositivo móvel em mãos para fazer uso do aplicativo Hand Talk , buscou-se que o aluno digitasse o nome do animal olhando a ficha escrita em Língua Portuguesa e as figuras dos animais. Neste momento foi percebido que o aluno não conseguiu entender que deveria digitar o nome do animal e pedir para personagem 3D “Hugo” fazer o sinal, porque ele não reconhece o alfabeto em Língua Portuguesa e não sabe a função das letras na formação das palavras.

Então, voltou-se a pesquisa para construção dos sinais referentes ao seu nome, atividades diárias de relacionamento, dentro do ambiente escolar com colegas da turma, professores e funcionários da instituição, reconhecimento do alfabeto e ordem alfabética. Essas atividades aconteciam de acordo com a rotina da turma. Como por exemplo, a hora da entrada da sala de aula, os alunos ouvintes faziam os sinais para o aluno surdo e mostrando o que cada sinal significava.

Após a entrada em sala, a turma apresentava o livro com as atividades de casa e iniciava uma atividade na lousa, e o aluno surdo observava e fazia as mesmas atividades que os colegas sempre com um colega auxiliando e a professora regente fazendo sinal para aluno surdo. Estas atividades ligadas ao dia a dia em sala de aula são necessárias para o aluno entender a rotina de sala e organizar seu material e sua mente, criando uma estrutura social adequada ao processo de aprendizagem e socialização.

Foram elaboradas fichas com nome do aluno escrito, em Língua Portuguesa, e sinais, em Libras, para cada letra. O aluno estaria copiando seu nome para fixação da ordem de escrita das letras e observando os sinais de cada uma.

A princípio a atividade foi bem aceita pelo aluno gerando uma motivação, demonstrada nos momentos em que se oportunizava atividade nas mãos dele, porém quando se digitou as letras do seu nome, em Libras, no smartphone, e pediu ao personagem 3D “Hugo” fazer o sinal e ele escrever seu nome, novamente o aluno não conseguiu realizar a atividade, mesmo tendo feito por 30 dias letivos a atividade de observação e cópia de seu nome, ou seja, os sinais tornaram-se aleatórios novamente.

Quanto à comunicação do aluno surdo em sala de aula e no ambiente escolar, esta sim teve uma evolução substancial, pois o aluno surdo e os alunos ouvintes conseguiram apreender sinais das ações físicas: ir ao banheiro, ir ao refeitório para almoço e lanche, boa tarde, ir para casa, tudo bem e voltar para sala de aula, o que facilitou a permanência do aluno em sala, no ambiente escolar e aprendizagem dos colegas. Estas atividades da vida diária foram desenvolvidas para inclui-lo no ambiente escolar e facilitar a comunicação em sociedade.

Os sinais relatados acima foram trabalhados com a turma em grupos de estudos interdisciplinares manuseando o aplicativo Hand Talk. Os alunos ouvintes digitavam as palavras sugeridas pela professora regente e pediam para o personagem 3D “Hugo” executar. Em seguida eles ajudavam o aluno surdo a realizar a tarefa indo até o local sugerido pela professora.

Neste sentido o aplicativo foi bastante utilizado e trouxe resultados positivos de aprendizagem tanto dos alunos ouvintes como do aluno surdo. Este teve a oportunidade de conhecer sinais importantes para sua vida em sociedade, o que amenizou os conflitos no ambiente escolar.



Ao final do ano letivo, numa atividade em sala de aula foi pedido que os alunos escrevessem ao lado da árvore de natal os seus nomes, para que Papai Noel fosse visitá-los. O objetivo desta atividade foi verificar quais alunos sabiam escrever seus nomes completos em letra cursiva. O aluno entendeu o objetivo da atividade e pediu para escrever seu nome, porém ele aguardou a professora fazer o sinal de seu nome e a cada letra que ela sinalizou ele escreve a letra referente em Língua Portuguesa, concluindo seu nome completo.
7 Considerações Finais
A busca das informações dos aspectos legais e contextualização bibliográfica dessa pesquisa trouxeram importantes abordagens para a inclusão de alunos deficientes em sala de aula regular e trouxe esclarecimentos dos aspectos legais da inclusão para as autoras.

Os dispositivos legais garantem o suporte de acesso e permanência à escola regular, porém, somente as mudanças atitudinais dos profissionais da educação é que realmente farão a inclusão acontecer dia a dia.

Traçando-se o perfil do aluno, objeto desta pesquisa, é possível considerar como fator de dificuldade de aprendizagem a irregularidade escolar ou a irregularidade escolar como um fator que dificulta a aprendizagem desse aluno. Também é preciso considerar que a esse aluno não foi ensinado Libras ou Língua Portuguesa, assegura-se isso diante de alguns fatos registrados em documentos escolares.

Nas atividades iniciais percebeu-se que o aluno não fez associação imagem-sinal-escrita, resolveu-se retomar ao ponto inicial da alfabetização que é a escrita do nome, reconhecendo o sinal e o alfabeto da Língua Portuguesa. O aluno não reconhecia os sinais das atividades de convivência em sociedade necessárias para sua inclusão social, então foi estudado com ele e a turma regular sinais referentes a atividades diárias.

A mudança de postura e metodologia adotada pela professora regente da turma foi necessária para existir não só a inserção do aluno surdo, mas a real inclusão desse aluno no ambiente escolar e facilitar a comunicação entre ele e seus colegas de turma regular, para isso usou-se um aplicativo em dispositivo móvel.

O aplicativo Hand Talk foi usado diariamente em sala de aula pelo aluno surdo e por seus colegas. E foi escolhido por ser gratuito, fácil acesso e manuseio, sendo uma ferramenta pedagógica válida e com a função mediadora do processo ensino e aprendizagem de sinais.

Em resposta às indagações que motivaram essa pesquisa, obteve-se as seguintes resultados: ao iniciar a pesquisa tinha-se como objetivo a Alfabetização do aluno surdo em Libras e Língua Portuguesa, porém ao longo desta foi-se percebendo que a real necessidade do aluno surdo era aprender a Língua de sinais para a inclusão social e que a Alfabetização dele em Língua Portuguesa não aconteceria plenamente naquele curto espaço de tempo.

Tinha-se a expectativa de conseguir alfabetizar o aluno surdo em língua de sinais e Língua Portuguesa, porém ao aplicar as atividades em sala com toda turma foi-se percebendo e observando que essa prática não estava coerente com a realidade da turma e do aluno surdo, ou seja, a Alfabetização em Língua Portuguesa não aconteceu.

Durante a pesquisa foi feita a inclusão social desse aluno, tornando-se possível comunicar-se com ele, tanto os colegas de turma quanto funcionários da instituição e professora.

Por hora, a continuidade dessa pesquisa com aluno surdo em questão não acontecerá, pois este não mais está matriculado na unidade escolar para o ano letivo 2016.




The use of the mobile application Hand Talk for a deaf student: a case study in the elementary public school

Abstract
This research came from the difficulty to include a deaf student in the regular classroom. We opted for the use of the mobile application in a smartphone , the Hand Talk mobile application, it is free and easy to handle . The overall objective of this research was to identify the impacts of using this application in daily routine activities in the classroom, for example, using the toilet and drinking water. Through this study, we observed that the Hand Talk application usage is a powerful tool to encourage literacy of deaf students and hearing students in the regular classroom.
Key words: Literacy. Student. Deafness. Regular school. Inclusion.

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