Guerras tribais em timor porque é que há guerras tribais em timor – I



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Entre 1884 e 1890, organizou-se um programa de construção de estradas usando trabalho escravo.

Em 1889 criou-se uma companhia a SAPTA (Sociedade Agrícola Pátria e Trabalho) que introduziu plantações de café em Ermera, no noroeste.

A partir de 1908 uma taxa individual foi aplicada a todos os indivíduos Timorenses de idades compreendidas entre os 18 e os 60 anos. A única forma de as famílias de camponeses pagarem esta taxa era através da produção e venda de bens nos mercados para além dos que criavam para consumo próprio e subsistência.

De 1911 a 1917 foi introduzida uma nova taxa sobre a produção de copra. A introdução destas medidas, em especial a utilização de trabalho escravo criou um grande ressentimento entre os timorenses.

Houve reinos que se uniram sob a liderança dum “Liurai” do distrito de Manufai (Same) chamado Dom Boaventura.

A rebelião durou dezasseis anos culminando numa revolta que abarcou toda a colónia durante dois anos, de 1910 a 1912.

Os portugueses foram forçados a trazer tropas de Moçambique e uma lancha canhoneira de Macau.

As forças de Dom Boaventura foram destroçadas em agosto de 1912.

Um jornal australiano, o Angus de Melbourne escrevia que mais de três mil timorenses foram mortos e quatro mil capturados...

Com a resistência esmorecida, os Portugueses introduziram a sua política para minar o sistema tradicional de alianças políticas entre tribos e famílias.

A posição dos liurais foi enfraquecida pela abolição dos seus Reinados.

A colónia foi dividida em unidades administrativas, duma forma geral baseadas em “sucos” (uma espécie de principados).

Um pouco do poder administrativo foi assim entregue à unidade abaixo do reino na hierarquia indígena.

Isto veio dar novos poderes aos chefes de suco, embora a sua eleição como administradores estivesse sujeita à aprovação dos portugueses.

Os portugueses criaram duas novas circunscrições administrativas: o posto que abarcava vários sucos e o concelho que controlava os postos através dum administrador português. Desta forma, os portugueses tentavam substituir o sistema político timorense com uma estrutura e hierarquia independente das alianças tribais e de reinos.

O essencial desta campanha de “pacificação” era a tentativa de destruição dum aspeto crucial do sistema social de Timor, cuja reprodução limitava a influência do controlo português. Idênticas campanhas de pacificação ocorriam neste período na metade holandesa da ilha.

Foi após esta “pacificação” que se chegou à Sentença Arbitral acordada em 1913 e firmada em 1915 sobre as fronteiras. …

Embora os reinos fossem abolidos formalmente as ideologias legitimando a hierarquia política tradicional e os rituais de intercâmbio foram mantidos.

Os chefes de suco tinham de garantir o apoio dos liurais, desta forma os dois sistemas acabavam por coexistir. Um sancionado através da coerção e uso de força e o outro por uma forte tradição cultural.

Quando os dois sistemas se tocavam a nível de chefe de suco ou de aldeia, a tradição timorense dava alguma legitimidade à hierarquia colonial, mas, de facto, ambos coexistiam numa trégua nem sempre fácil.

O estado Novo de António Salazar estabelecido após o golpe militar de 1926 começou a formaliza a missão civilizacional dos portugueses nas suas colónias através da criação duma nova relação institucional entre estas e a metrópole.

O Ato Colonial de 1930 centralizava o poder político sobre as colonias, colocando-as sob a direta dependência de Lisboa.

Assembleias ou Conselhos Legislativos foram criados para representar os interesses coloniais locais das elites: a administração, a igreja, os donos de plantações e o exército. Os seus poderes eram porém limitados e limitavam-se a consultas com o governador duas vezes ao ano.

Mas mais importante para o futuro de Timor era a criação através dessa lei de duas categorias de pessoas: os indígenas (nativos não assimilados) e os não-indígenas incluindo mestiços e assimilados (nativos assimilados).

Para se obter este estatuto de assimilado e a sua correspondente nacionalidade portuguesa um Timorense tinha de falara a língua e ganhar o suficiente para manter a sua família além de ter de provar que tinha um bom caráter.

Este critério era dispensado para aqueles que trabalhavam na administração e no comércio.

Ao contrário da maioria da população, os assimilados podiam votar nas eleições para a Assembleia Nacional e para os órgãos legislativos locais.

Esta distinção entre indígenas e não-indígenas e uma limitada admissão de timorenses para o sistema político colonial português teria uma importante ação na criação duma elite política indígena durante o período pós-guerra e durante a luta pela independência.
Por seu lado, Geoffrey C. Gunn, “Timor Loro Sae 500 anos” ed. Livros do Oriente afirma (pp. 16-17, 176-189):

Na verdade, o caráter excecional e ritualizado que a guerra assume em Timor – o Funu timorense – foi reconhecido por autores portugueses como o governador Afonso de Castro, que na década de 1860 escrevia “… as rebeliões em Timor têm sido sucessivas, podendo dizer-se que a revolta é ali o estado normal e a tranquilidade o excecional”.

É de assinalar que, um ano após o Tratado de Lisboa de 1859, a colónia foi dividida em dez distritos pelo governador Afonso de Castro.

Com esta finalidade foram estabelecidos, inicialmente, dez e depois onze comandos militares para gerirem os distritos…

Em 1861, quase imediatamente após entrar em vigor a nova reorganização de Afonso de Castro, os pequenos reinos de Lacló e Ulmera, ambos perto de Díli revoltaram-se. O governador Castro enfrentou esta rebelião pela força.

Acontece também que, graças à tendência de Castro para registar os factos corretamente, a revolta de 1861 é uma das mais bem documentadas, embora seja também verdade que, no que se refere às causas, ele é menos explícito. … (em março 1861) soube-se em Díli que havia movimentos de preparação de guerra no reino de Lacló, situado a cerca de 40 km a leste de Díli, dominando as comunicações estratégicas entre a capital e Manatuto. … Cabreira, um soldado veterano na colónia … foi enviado a Manatuto para ali estabelecer a base das operações contra Lacló, enquanto o governador tentava levar o reino leal de Liquiçá a marchar contra Ulmera, o principal centro da insurreição, localizado a cerca de 15 km a oeste de Díli.

Mas mesmo quando Cabreira se instalou em Manatuto, um mês e meio mais tarde, apenas podia confiar nas forças de Vemasse.

As simpatias de Manatuto iam para Lacló e, a oeste, um certo número de reinos – incluindo, em particular, Maubara, recentemente recuperado aos Holandeses – fizeram causa comum com Ulmera.

A 10 de junho o governador declarou o estado de emergência em Díli e distribuiu armas aos cidadãos enquanto preparava a defesa da cidade.

A situação era tão grave que até mesmo o capitão China foi convocado para “armar todos os chineses, seus filhos e os escravos”.

O governador podia contar também com o apoio de 40 “fundus”, ou soldados indianos, exilados em Timor em consequência da sua deserção das forças armadas britânicas depois da Revolta dos Cipaios em 1857.

Embora Castro tenha tomado a precaução de pedir reforços a Goa, em tropas e mantimentos, sabia que estes demorariam a chegar.

A batalha contra Lacló, que se iniciou em abril, não terminou senão a 26 de agosto, depois de uma série de ataques efetuados pelas forças coloniais e de uma continuada guerrilha por parte de Lacló.

Embora o regente de Lacló tenha pedido a paz, Castro quis fazer um exemplo desta rebelião, reduzindo o acampamento a cinzas e dando carta-branca aos seus auxiliares para queimar, pilhar e caçar cabeças.

Em junho 1863, Laga, na região de Macassae, revoltou-se …Mais tarde foi a vez de Fatomasse se revoltar e de, por sua vez, ser dominado com as forças coloniais auxiliadas pelo régulo de Ermera…

Em agosto de 1867, o povo de Vemasse, um reino na costa nordeste que incluía Laga, na região Macassae revoltou-se contra Laleia, sitiando-a.

O governador com uma força de soldados regulares e “guardas” fornecidos pelos reinos amigos de Motael, Hera; Lacló e Manatuto rompeu o cerco e acabou com a situação...Naquilo que foi descrito num relatório oficial português como uma revolta contra os impostos, o reino de Lermean, sob o comando militar de Maubara e de idioma Kémak revoltou-se contra a autoridade portuguesa …

Em 1868 os portugueses enviaram uma força militar a Sanir cujo rei se recusava a pagar impostos.

Os Sanor também de língua Kémak eram tributários de Balibó e estavam sob o comando militar de Batugadé…

Em Cova, a revolta estava, evidentemente, a fermentar havia vários anos… o forte de Batugadé, localizado nos domínios de Cova foi transformado em quartel-general das operações militares...

No mesmo mês as forças portuguesas foram obrigadas a bater em retirada para a segurança de Batugadé … o governador enviou duas Howitzer e duas peças de artilharia de campanha e um reforço de 1 200 homens, entre “moradores” leais e a gente dos reinos de Batik, Laleia, Ermera, Cailaco e Alas… um mês mais tarde a operação foi declarada “inacabada”.

Forças adicionais vindas de Oecússi, Ambeno, Cailaco e Ermera reuniram em Batugadé… em maio de 1871, o então governador João Clímaco de Carvalho, chegou a Batugadé com um grande séquito para um encontro coma Rainha de Cova e com a Rainha de Balibó… mas a Rainha de Cova não compareceu… foi só em princípios de 1881 que o governador pode informar categoricamente Macau que o reino de Cova se tinha “submetido” à autoridade portuguesa.

Em 1887, o infortunado governador Alfredo de Lacerda e Maia foi assassinado por um grupo de “moradores” numa emboscada na estrada de Díli para Lahane… este assassínio marcou o início de uma insurreição dirigida conjuntamente por diversos liurais chefiados por D. Duarte e seu filho D. Boaventura de Manufai.

A revolta de Maubara teve início em 1893 durante o mandato do governador Cipriano Forjaz, atacando os postos de Dare e Fatuboro e oferecendo o território capturado aos Holandeses…

De 1893 a 1896 houve várias rebeliões em Lamaquitos, Agassa, Volguno, Luor-Bote, Fatumane, Fohorem, Lalaba, Cassabau, Calalo, Obulo, Marbo, Manufai que se consubstanciaram sob o governo de Celestino da Silva (1894-1908) em termos de vassalagem para os reines rebeldes de Maubara (1893), Hera e Dailor (1894), Fatumane (1895) e Boebau e Luca (1896), Manufai resistiu até 1900 depois de ter estado a ser atacado por três frentes por forças coloniais e mais de 12 mil timorenses.

Em 1902 houve insurreições em Letefoho, depois foi Aileu (1903), Quelicai (1904) e novamente Manufai em 1907.

Deve notar-se que nem toda a guerrilha em Timor era anticolonial, dadas as raízes de hostilidade histórica, os conflitos de fronteiras e comerciais (agrícolas ou de gado).

Depois de 1911 a 1912 de novo Manufai chefiada por Dom Boaventura. Curiosamente a 8 dezembro 1911 no Suai foi toda a população evacuada incluindo prospetores de petróleo ingleses (Pélissier, René, Timor en guerre: Le Crocodile et les Portugais 1847-1913” Pélissier, Orgeval, France, 1996, pp. 257-258).

Mais tarde pelo Decreto 30:004 de 27 de outubro de 1939 seria criada a Companhia Ultramarina de Petróleos para pesquisar jazidas de petróleo a oriente do meridiano 125º 50’ E GW.
Ainda Geoffrey C. Gunn afirma

“… a pacificação colonial da guerra de Manufai ou das várias revoltas de 1894-1901, 1907-1908 e 1910-1913, causou a perda de 90 000 vidas.



As célebres companhias de moradores tiveram a sua última participação em guerra no ano de 1912, e foram reabilitados simbolicamente em 1937 no consulado do governador Álvaro Fontoura que os deixava desfilar nos seus bizarros fardamentos (Fontoura, A., 1942, O Trabalho dos indígenas de Timor, ed. Agência Geral das Colónias, pp. 105-107), armados de paus em forma de espingarda, coberturas coloridas e penas na cabeça e uma minúscula bandeirinha verde-rubra presa a estas hipotéticas espingardas.

O comandante empunhava geralmente uma espada curva a que chamam espada de Macassar.

Nalguns regulados os moradores organizaram pequenas formações de cavaleiros-lanceiros usando as lanças embandeiradas.

Aproveitou-se este entusiasmo para organizar as forças voluntárias de moradores e estabeleceu-se a sua colaboração com as forças militares da colónia como estava naturalmente indicado; mas essa organização requeria um prévio e demorado estudo de cada regulado para não se ir destruir a hierarquia indígena evitando também reacender rivalidades muito antigas entre regulados de que ainda existem sinais palpáveis.
Por seu turno James Dunn (Timor: A people betrayed, Jacaranda Press, 1983, pp. 19-20) afirma:

“… Em 1893 a revolta de Maubara, um dos mais importantes reinos nativos a ocidente de Díli, foi a primeira duma série de rebeliões que devastaram muito do setor económico da colónia.

Assim quando o governador Celestino da Silva tomou posse em 1894 a sua colónia estava num estado lastimável.

Foi recebido com uma ampla rebelião, guerra intertribais, depressão económica e anarquia. Nalgumas áreas a agricultura tinha sido totalmente abandonada e a produção anual de café, sempre o índice da prosperidade de Timor, tinha baixado para 800 toneladas.

Em 1895, depois de duas campanhas contra os rebeldes e um sucesso reduzido, Celestino da Silva montou um exército de 28 europeus e mais de 12 mil outras tropas, na sua maior parte guerreiros timorenses, fornecidos pelos liurais, e foi tentar aniquilar aquilo que se tornara numa imensa revolta liderada por Dom Boaventura de Same.

Seguiram-se meses de intensas lutas, e massacres de ambos os lados, antes do governador poder clamar vitória e começar a re-estruturar a sua administração civil e militar.

Como resultado destas vitórias militares, Timor tornou-se independente da autoridade da colónia portuguesa de Macau e o governador passou a ser diretamente responsável perante o governo central em Lisboa.

Mas a resistência estava longe de ter esmorecido, e por mais de uma vez, pegou em armas contra as forças portuguesas.

No início de 1912 uma imensa campanha contra Dom Boaventura na área de Same causou a morte, de acordo com os próprios portugueses, de 3424 rebeldes e ferimentos em 12567, com 289 baixas portuguesas e 600 feridos.

Aos olhos dos portugueses, o governador Celestino da Silva foi um dos melhores governadores de Timor.

Decerto que ele foi um dos grandes responsáveis pela “pacificação” de Timor numa longa campanha prosseguida sem mercê durante um período de doze anos, mas o custo em sofrimento humano foi enorme.

Nos períodos de paz melhorou a administração criando 11 distritos militares de comando e 48 postos militares.

É-lhe igualmente atribuído o crédito pela melhoria substancial da produção agrícola, introdução de novas colheitas e melhoria das técnicas agrícolas mas tais melhorias visavam beneficiar sobretudo os portugueses e os mestiços (Celestino foi um dos fundadores da SAPT) muitos dos quais se tornaram prósperos cultivadores, e beneficiou ainda os chineses que já se estavam a notabilizar como mercadores e intermediários na colónia.

Até à invasão japonesa de Timor durante a guerra não se registaram mais rebeliões tribais. A colónia dividida em nove concelhos passou a ter treze compostos por 60 Postos Administrativos e uma Câmara Municipal (Díli).

As circunscrições eram chefiadas por um Administrador e dividiam-se em postos, liderados por um chefe de posto, subdivididas em sucos (grupos de aldeias) com um chefe de suco, e mais adiante estavam as povoações também com um chefe embora este fosse honorífico.

Os chefes de posto podiam ser recrutados localmente mas os administradores tinham de ser de carreira.
A última revolta ocorreu em 1959. JC escrevia em “Timor Leste o dossier secreto 1973-1975”

Se as tropas aliadas tivessem deixado Timor neutral, pode ser que 60 mil timorenses tivessem sobrevivido à brutal invasão japonesa e aos bombardeamentos aliados.

Depois do Armistício, a Administração Portuguesa escolhe como novos “Régulos” pessoas nas quais poderia confiar, embora, a maioria, carecesse de legitimidade real capaz de os impor às tribos e comunidades locais.

A administração portuguesa continua a utilizar os mesmos métodos brutais e de trabalhos forçados com que experimentara antes de a Guerra eclodir.

Isto provoca a infame rebelião de 1959 em Uato-Lari (na costa leste) em que milhares de guerreiros indígenas marcham para lutarem contra os Portugueses.
Para alguns historiadores a rebelião foi provocada por agitadores indonésios, mas não deixou sombras de dúvida que se tratava de uma situação temível.

Eventualmente uma “Bére – Bi (mulher timorense)” trai o seu próprio povo e lança o alarme no Sporting, um clube em Díli (Filipe Themudo Barata, ex governador 1959-1963, em ‘Timor Contemporâneo’, ed. Equilíbrio Editorial, Lisboa 1998, apresenta a versão oficial da rebelião, que difere desta, e que ocorreu enquanto ele estava em trânsito para tomar posse como Governador).

Reforços são imediatamente enviados de Goa (uma então colónia portuguesa na Índia) e acaba por não se derramar sangue.

Centenas de patriotas timorenses são deportados para as colónias de Moçambique, Angola, Cabo Verde, e S. Tomé e Príncipe.

Para o povo de Timor Leste a guerra só voltará 16 anos mais tarde. Entre 1945 e junho 1974, o governo indonésio cumprindo as leis internacionais assevera nas Nações Unidas e fora dela ‘não ter ambições territoriais sobre o território de Timor’.

Em 1960, Timor era considerado um território não autónomo sob administração portuguesa de acordo com a Resolução 1514 (XV) de 14 dezembro 1960.

Entre 1962 e até 1973, a Assembleia Geral da ONU aprova várias Resoluções que apoiam o direito à autodeterminação de Timor Leste e das restantes colónias portuguesas, eufemisticamente denominadas Províncias Ultramarinas, em sintonia com a França que designava os seus territórios coloniais como ‘Territoires d’outre Mer’.

A rebelião começou a 7 de junho de 1959 na povoação de Uato-Lari e estendeu-se até Viqueque e de acordo com Bruce Juddery do Camberra Times combinava elementos anticoloniais, anti-portugueses e tribais.

O governador português exacerbou os ânimos ao formar uma milícia em Lospalos na ponta leste a fim de combater a rebelião.

Numa semana morreram entre 500 a mil pessoas. Segundo Juddery a Indonésia tinha infiltrado oficiais seus meses antes para semearem sentimentos dissidentes no litoral norte até Baucau. Bill Nicoll (The stillborn nation, Visa, Melbourne, 1978) explica que os indonésios eram dissidentes da Permesta (rebelião das ilhas exteriores da Indonésia, Molucas do Sul), apoiados pela CIA para lançarem uma guerra secessionista mais ampla na Indonésia. Aparentemente não tinham o apoio de Jacarta embora o cônsul indonésio fosse demitido em 3 junho 1959.

Os indonésios tinham obtido asilo português mas foram expulsos enquanto os dirigentes locais do movimento de Uato-Lari foram deportados para Angola e só foram autorizados a regressar a Timor em 1968.
Nesse ano abriu a delegação da PIDE em Díli que além de vigiar timorenses também se preocupava com a Timor Oil Company e ameaças dos sindicalistas australianos.

Abílio de Araújo liga a PIDE a uma resposta à insurreição de junho 1959.

Nesse ano, a equivalente australiana, ASIS (Australian Secret Intelligence Service) abre uma delegação em Díli.

A comunidade árabe de Timor situava-se em Alor, a oeste de Díli, e quando tenta naturalizar-se indonésia no Consulado em Díli, os portugueses ofereceram-lhe a nacionalidade portuguesa (Kompas, 15 agosto 1977).



Já Themudo Barata (Timor Contemporâneo’, Lisboa 1998) narra assim a sublevação:

As primeiras notícias de que algo de preocupante se passa no leste chegam ao administrador de Baucau nos primeiros dias de junho, através duma informação do encarregado do posto de Baguia: dois dos indonésios de Viqueque ter-se-iam reunido com alguns chefes nativos de Uato-Lari e Uato-Carbau para planear uma revolta. As reuniões efetuaram-se de noite e naqueles próprios postos. …

Nesse mesmo dia o administrador de Baucau é instruído para “ter os indonésios preparados para, se necessário, serem transportados para Díli. O Administrador – então em Díli – transmite estas instruções para Baucau, com o pedido de as comunicarem também para Viqueque.

Porém, já em 3 de junho aquele administrador havia sido chamado pelo Encarregado do Governo, que o incumbiu de regressar de avião a Baucau para prender dois timorenses tidos como implicados no movimento (um deles o encarregado da estação postal). O administrador de Viqueque foi informado, em princípios de junho, por carta da administração vizinha (Baucau) dos acontecimentos de Díli e das movimentações dos asilados de Viqueque até Uato-Lari e Uato-Carbau.

Pareceu-lhe, porém “que tais notícias não correspondiam à verdade”, pois todos os dias se avistava com os indonésios. E além disso, quatro deles tinham acabado de assinar uma declaração em papel selado pedindo para regressar à Indonésia.

É provável que, pressentindo que as coisas não estariam a correr-lhe de feição, isto fosse uma simples tentativa de se escaparem.

Todavia, pela meia-noite de domingo, dia 7, a residência do administrador estava a ser assaltada e ele a ver-se obrigado a retirar sob fogo dos sublevados!

Nas vésperas, o secretário da administração de Baucau havia-lhe transmitido instruções do governo para que os indonésios fossem avisados que uma viatura os viria buscar “a fim de regularizarem assuntos do seu interesse”. Santa ingenuidade!


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