Guerras tribais em timor porque é que há guerras tribais em timor – I



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7. GUERRAS TRIBAIS EM TIMOR

7.1. PORQUE É QUE HÁ GUERRAS TRIBAIS EM TIMOR – I (23-31 maio 2006)
Antes de mais creio que a única coisa de que não posso ser acusado é de ser politicamente correto: nunca o fui durante o Estado Novo e muito menos agora em que a censura é mais sofisticada e invisível.
Isto escreveu JC em 25 maio 2006 no blogue do Elos Club de Uberaba. http://www.uaisites.adm.br/iclas/forum_ver.php?CdNotici=13 ).
O Diploma legislativo 107 de 19 dezembro 1928 do governador Teófilo Duarte dizia

"Considerando que a função colonizadora dos diversos povos...se exerce principalmente pela intervenção dos elementos europeus... Considerando que a fixação de tais elementos no seio das populações atrasadas é o melhor incentivo para o seu progresso e integração no movimento civilizador..." 

Por aqui se vê o politicamente correto da posição colonial portuguesa em Timor. Geoffrey Gunn fala especificamente e dá-lhe o título ao seu capítulo 10 (Timor Lorosae 500 Anos ed. Fundação Oriente pp. 211) "O Colonialismo Capitalista em Timor Português 1894 - 1941".


Foi Celestino da Silva que em 1897 criou a SAPT ( Sociedade Agrícola Pátria e Trabalho) descrita por Clarence-Smith como um estado dentro do estado. Não podemos deixar de examinar os métodos de Celestino da Silva acusado de

Fomentar guerras para se apoderar de terras e mesmo de prisioneiros, para os fazer trabalhar virtualmente como escravos...mas algum trabalho livre, especialmente nas plantações chinesas à volta de Liquiçá, coexistia com uma "quase escravatura"...e o uso de trabalho forçado...mas a primeira grande tentativa para um regime fundiário colonial encontra-se num decreto especial de 5 de dezembro de 1910.

Ao abrigo deste Diploma competia ao governador toda a responsabilidade na concessão das terras em regime de aforamento e na transferência de propriedades com áreas até 2500 hectares..."

O esquema Freycinet de 1818 é esclarecedor sobre os "reinos da ilha de Timor": 23 sob soberania portuguesa, tributários 24 e aliados 18, isto ao longo de um período de 200 anos.


A partir de 1811, Goa foi ordenando ao Leal Senado de Macau que adiantasse fundos para cobrir as despesas da administração colonial em Timor...num subsídio anual de 6000 patacas.
Só lendo a História se sabe que Timor foi sempre uma colónia portuguesa, mais por omissão do que por ação, citando o próprio JC em “Timor Leste O Dossier Secreto 1973-1975”, logo na introdução...
Ora reza a história que quando os portugueses chegaram a Timor encontraram uns que ficaram calados quando os viram: eram os timorenses ocidentais ou Kaladi enquanto os da Ponta Leste lhes viraram o cu, daí serem os Firaku.
Posteriormente, esta noção passou a distinguir os do leste Lorosae e os do oeste Loromonu. Mais recentemente, surgiram designações como “maubere”, termo de que Ramos Horta tanto gostava e que viria a ser abolido em 1998.
Para entender melhor o que se passou no século XX debrucemo-nos atentamente no livro da Coleção Fórum “Ocupação e Colonização Branca de Timor” da autoria de Teófilo Duarte, datado de 1944.
1894...Ano em que assumiu o seu governo…. Celestino da Silva…

A nossa ação de presença efetuava-se em Dily, por intermédio do funcionalismo e duma companhia de guerra com um efetivo de setenta praças, que durante quase todo o ano permaneciam no hospital ou nos presídios para onde os arrastavam os seus vícios e o seu caráter de incorrigíveis vindos de Macau.

Em todo o litoral norte, havia os comandos de Pante Makassar em Okussi e os de Batugadé, Maubara, Liquiçá, Aipelo, Manatuto, Baucau, Lautém; e no sul apenas os de Viqueque, Alas e Fatumeia. Estes comandos reduziam-se a uma paliçada, quase sempre de palapa, sem consistência nem condições defensivas de valor…

A sua ação limitava-se à área contígua ao forte, e quando os ventos corriam desfavoráveis, desaparecia com a fuga no vapor, de todo esse pessoal escapo às represálias dos reinos e que vinha refugiar-se em Dily, à espera que as habituais operações de reocupação lhe permitissem voltar aos seus postos.

O interior encontrava-se assim sem um comando…

Certamente que a eleição dos régulos era sancionada pelo governo; também é facto que eles vinham prestar vassalagem a Dily, formalidade que pouco lhes custava cumprir, e que os interessava pelo espetaculoso de que era revestido tal ato; ainda é certo que expedições compostas de “moradores” e de reinos inimigos batiam umas vezes por outras, os povos mais insubmissos, mas os resultados práticos eram nulos, pois que vencedoras as colunas, logo que elas retiravam, os povos continuavam as suas vidas com umas centenas de búfalos e cavalos a menos, com a perda de luas de oiro, de panos, etc., e com uns milhares de habitantes mortos ou foragidos, e vivendo os restantes no mesmo estado de selvajaria e insubmissão que dantes. …

As diversas tribos agremiadas em reinos mais ou menos importantes passavam os anos em guerras intestinas cujo fundamento era o desejo de roubarem aos seus vizinhos os seus gados, os produtos agrícolas, as mulheres e as terras.

Não havia progresso compatível com tal desordem que era extensiva às centenas de milhar de timores, e ora se viam lutas formidáveis entre vinte e trinta mil homens de cada partido, ora elas se resumiam a pequenos mas numerosíssimos combates de centenas de guerreiros.
Esta introdução permite esclarecer - recuando cem anos no tempo - porque existem em 2006 confrontos que se chamam de étnicos, que alegadamente assentam na discriminação das tropas entre Lorosae e Loromonu.
São centenas de anos de guerras tribais (das quais se fala adiante) que nunca foram resolvidas de forma satisfatória, muito por culpa da colonização branca dos portugueses, caraterizada sempre pela omissão em todos os quatro cantos do Império.
Durante todo o século XX houve centenas de revoltas e guerras tribais, sendo as mais célebres as de Manu-Fahi e a de Uato-Lari, embora se tivessem diluído após a II Grande Guerra.
Com isto pretende-se deixar bem claro que a pretensa unidade timorense contra o invasor indonésio colocou de parte estes conflitos tribais nunca resolvidos. Quando o inimigo era só um e se chamava Indonésia as guerras tribais ficaram esquecidas. Depois de conquistada a independência e dados os primeiros passos rumo à democracia, que não tem fundamentos históricos ou tribais onde assentar, é chegada a altura de se acertarem as contas.
Se não houver uma intervenção firme que permita sentar à mesma mesa, todos os intervenientes tribais do território a situação ficará decerto fora de controlo, para gáudio da Indonésia e da Austrália que melhor partido podem tirar da sua exploração das riquezas de Timor.
Ainda será possível evitar mais confrontos mas terá de se criar, por exemplo, um Conselho de Sábios como propunha Castro Seixas em “Pública” (jornal Público de 21 de maio de 2006) e “criar mais do que uma rai-klaran (Terra do meio ou Mundo) e torná-las património nacional. Regiões onde as pessoas afluem duas ou três vezes por ano. Sem esses rituais de nacionalidade será mais difícil construir adequadamente a nação”.
É apenas preciso que a elite dominante, burguesa e educada em português, entenda esta realidade raramente estudada e tenha a coragem de não se vingar mas antes crie uma atmosfera de conciliação que dê razão a uma nação para todos os timorenses e não apenas para as tribos que agora estão na mó de cima (JC, maio 2006).
 ...As diversas tribos agremiadas em reinos mais ou menos importantes passavam os anos em guerras intestinas cujo fundamento era o desejo de roubarem aos seus vizinhos os seus gados, os produtos agrícolas, as mulheres e as terras.

Não havia progresso compatível com tal desordem que era extensiva às centenas de milhar de timores, e ora se viam lutas formidáveis entre vinte e trinta mil homens de cada partido, ora elas se resumiam a pequenos mas numerosíssimos combates de centenas de guerreiros.

Para o comerciante, tal estado de coisas era lucrativo, pois que o consumo de pólvora e de armas permitia-lhe auferir largos proventos; para o Timor, tal ocupação era agradável, visto que dotado de índole guerreira preferia os frutos das razias, aqueles que pudesse arrancar à terra, mas mantinha-o selvagem; para Portugal esta situação embora vergonhosa, era inevitável, visto que uma ocupação imediata e sólida só se conseguiria à custa de pesados sacrifícios com expedições, e com a permanência de quadros e efetivos que pudessem colher os frutos, sempre tardios de tais processos.

Por isso, os nossos governadores consideravam-se muito felizes, quando as ditas guerras entre os reis timores não se apresentavam com o caráter de francamente rebeldes contra a nossa soberania, e quando os régulos se prontificavam a aceitar a fórmula, embora platónica do preito de vassalagem.

Muitas vezes, um ou outro pedia o nosso auxílio, o qual quase sempre se procurava negar, ou a nossa intervenção como medianeiros, e numerosos eram os casos em que Portugal aparecia como árbitro entre as partes, que ou se conformavam com a solução proposta, ou preferiam recorrer às armas, e neste caso, o nosso papel limitava-se ao de espectador impotente para se impor aos milhares de contendores.

Bem cedo, Celestino da Silva reconheceu que antes de ensaiar e levar a efeito, tentativas de desenvolvimento económico, se impunha o terminar de contendas, quer de povos para povos, quer de rebeldias contra a soberania, e por isso começou uma obra de ocupação, morosa, porque os recursos lho impunham, mas contínua e segura.


Não se sentiu com forças para entrar logo numa campanha franca e aberta contra todos aqueles que não acatavam a sua autoridade; e assim é que tendo desembarcado em maio, manda em sete de julho, o alferes Duarte com cem moradores, a fim de procurar conciliar os reinos do Piço e de Liquiçá, que se encontravam em guerra.
A diplomacia do oficial, os presentes aos régulos intermediários, e ainda a força de cem espingardas, fizeram com que terminasse a luta sangrenta, e é de notar o trabalho do referido comandante, que antes de recolher a Díli, entendeu que devia completar a sua missão de medianeiro, com a solicitação, de resto atendida pelos povos, para uma limpeza geral às plantações de café, contíguas ao seu acampamento, e que eram propriedade dos referidos indígenas.
Este episódio é o despontar de uma nova política em Timor, que mais tarde haverá de ser generalizada com um grande sucesso, não só ali, como em outras colónias…o oficial deixava de ser o severo comandante de tropas e colunas, tudo raziando, devastando, e fazendo consistir a sua glória no número de vítimas caídas, para se transformar no colonizador, que após os rudes combates a que obrigava a índole insubmissa dos povos que lhe mandavam bater, procurava encaminhá-los no sentido da riqueza e civilização.
Ampliações de plantações, aberturas de estradas, limpezas de caminhos, etc., tudo, trabalhos que faziam do Comandante Militar ou de Posto, o guia de todos os que na véspera tratara com a severidade de um dominador.
As instruções dadas por Celestino a tal respeito eram as seguintes:

É indispensável que os comandantes militares subalternos se instruam sobre a língua dos indígenas, seus usos e costumes; que conheçam dentro da área da sua jurisdição, todos os caminhos ainda os mais recônditos, todas as povoações, todos os habitantes, os chefes indígenas e suas famílias; que lhes não passe despercebida a saída para fora, ou a entrada de qualquer; que tenham perfeito conhecimento de todos os casamentos, óbitos e nascimentos; que façam um arrolamento exato da população; que não deixem derrubar florestas cuja destruição possa exercer influência nas condições climatéricas; que não deixem despir de arvoredo, as nascentes de água; que conservem sempre em bom estado de limpeza as suas plantações de café, e se fazem cultivos suficientes para a sua alimentação; se há transgressão dos regulamentos de polícia rural dos mercados; se o contrabando se exerce; se são respeitados os regulamentos que regem a venda do sal; e enfim se há quaisquer causas que possam vir a alterar o sossego público.

É isto que os Senhores comandantes militares têm o dever de exigir dos seus subalternos, além do mais que especialmente lhes determinem, por isso que das faltas, dos desleixos, da incúria deles, são os primeiros responsáveis.”

Veja-se a sequência dos seus trabalhos de ocupação militar e administrativa; à medida que se ia sentindo com força suficiente para os pôr em prática.


Em agosto, Celestino cria o comando do Remexio, a pouca distância de Díli, de onde podia ser socorrido com facilidade. Significava este facto, dada a situação da localidade no interior, a intenção firme de realizar a penetração; e tal comando é uma lança apontada contra Aileu e Manu-Fahi.
Em outubro, vale-se do pedido de auxílio feito pelos povos de Ermera, Atsabe e Bobonaro contra os Lamaquitos que os atacavam, para lançar uma expedição contra estes rebeldes, a qual comandada por um major que levava dois oficiais, doze europeus e duzentos e sessenta moradores de Díli, os bate após vinte dias de lutas; aproveita-se então desta vitória, e em dezembro estabelece o comando de Aileu, a meio da ilha, guarda avançada da do Remexio, criado cinco meses antes.
Manufai sente-se cada vez mais ameaçado, mas o prudente e astuto governador não julga ainda azado o momento de dar o golpe de massa que aquele reino, o mais poderoso de Timor e cronicamente rebelde, precisava.
Mete-se a época das chuvas que dificultam as operações militares, mas o balanço guerreiro daqueles seis meses de governo da colónia é bem lisonjeiro, pois traduz-se em uma campanha vitoriosa, e na criação de dois comandos militares no interior.

No ano seguinte (março de 1895), uma nova coluna de um capitão, quatro oficiais, dezassete praças de primeira linha e duas companhias de moradores, é lançada contra os reinos de Oeste, os mesmos batidos no ano anterior.


Os seus bons resultados, ao cabo de vinte e quatro dias, permitem em junho, a criação dos comandos de Cailaco e Ermera, e em agosto, a do comando-geral da contra-costa, que é uma nova cunha que se vem juntar à de Aileu cravada em pleno coração de Timor.
É neste mesmo ano, que se lança contra Manufai, uma poderosa expedição comandada em pessoa por Celestino e composta de três alas: a de Oeste chefiada pelo capitão Câmara, tendo como base de abastecimento e operações o comando de Fatumeia; a de Leste apoiando-se em Alas; e a do centro dependente diretamente do governador, com base em Aileu.
Como traço de união entre o centro e a ala direita muito destacada, há os arraiais do alferes Duarte que se apoiam na Ermera e Cailaco.
São, ao todo, doze mil homens, dentre os quais apenas marcam umas dúzias de soldados europeus, e uns centos de moradores, sendo o resto arraiais armados e combatendo à maneira indígena.
O plano de operações é de grande envergadura, e dele devia resultar a asfixia dos rebeldes, estrangulados pelo abraço mortal das três colunas.

Infelizmente, o comandante da ala direita, dado o seu papel de relevo na colónia, aonde era secretário do governo, julgando-se por isso autorizado a proceder com certa independência, em lugar de se limitar ao papel de efetuar a demonstração de força que lhe fora recomendada, de modo a conter os reinos de Oeste em respeito, para que estes não pudessem prestar auxílio a Manufai, e seguir então a colaborar nas operações contra este povo, avança para o Sul, em vez de o fazer para Leste, prende, vexa, espanca régulos, e bombardeia a povoação de Forem, num estado de irritação e orgulho enormes, pela resistência passiva oposta ao fornecimento de carregadores.


É certo que o estado de espírito daqueles povos não permitia depositar neles grandes esperanças para exigir uma possível colaboração, mas segundo as conclusões formuladas no inquérito ao desastre, isso devia ser mais uma razão para não se usarem meios violentos e para procurar que ao menos se não manifestassem ostensivamente.
A não observância de tal atitude teve como resultado um ataque formidável por parte de todos aqueles povos, uma luta desesperada que durou um dia e uma noite, e uma retirada de Forem sobre Fatumeia quando começaram escasseando as munições.
Ao chegarem porém aqui, encontraram o forte incendiado e a guarnição trucidada; o desânimo apoderou-se de todos, e fazendo fogo aqueles a quem restavam cartuchos e fugindo os restantes num salve-se quem puder indescritível, são na sua quase totalidade, vítimas de uma chacina implacável.
As cabeças cortadas de quatro oficiais, de alguns sargentos, e de várias praças europeias e indígenas, são troféus que fazem delirar os rebeldes; as peças de artilharia, algumas centenas de espingardas e de munições servir-lhes-ão para a campanha do próximo ano contra as nossas forças, e o forte de Batugadé abandonado pela guarnição espantada do morticínio é pasto das chamas.
A repercussão em Díli de tal desastre é enorme, e exige o regresso imediato do governador, então em operações na baliza de Manufai; os europeus julgam voltados os velhos tempos em que a capital era ameaçada de perto pelas hordas selvagens e anteveem as cabeças de todos constituindo já ornamento das cubatas dos vencedores.
A serenidade volta, embora a muito custo.
Da parte do governo há que por de parte o plano esboçado para um envolvimento de Manufai, e as operações limitam-se a ataques feitos pelas duas colunas subsistentes, a do centro e a da esquerda, que queimam povoações, cortam cabeças, e fazem as presas habituais, sem que entretanto os resultados fossem os que se almejavam, quando se concebera e planeara a campanha.
Em outubro, criou-se porém o posto de Comoro, e assim Díli fica cingida por três comandos: o do Remexio, o de Aileu, e o de Comoro, que a põem a coberto de qualquer surpresa e eventualidade.
Os primeiros meses de 1896 passam-se na preparação da campanha de desforra do desastre de Cova e Fatumeia; entretanto em junho desse ano, estabelece-se o posto de Boibau, a doze quilómetros de Liquiçá, e que representa nesta região, a flecha de penetração no interior; nesse mesmo mês se inicia a reconstrução de Batugadé base permanente de ataque aos reinos de Oeste, sob a proteção duma forte coluna de desembarque e de outras duas manobrando a leste de Lois, cuja missão era não deixar efetuar a concentração de toda a região rebelde contra Batugadé, o que se conseguiu.
Uma delas, a do comando do alferes Duarte empenhou-se a fundo contra Cotubaba, Sanir e Cova, e em trinta dias faz uma colheita abundantíssima de cabeças.
Em agosto, a coberto destes sucessos, cria-se o comando de Balibó, a quinze quilómetros para o interior de Batugadé; em setembro ataca-se Deribate, o qual é batido pelos quatro mil e setecentos auxiliares do alferes Duarte, e em outubro Fatumeia.
Estas vitórias para a obtenção das quais muito contribuiu uma companhia de duzentos e cinquenta africanos, chegada nos meados desse ano, constituíram uma expiação tremenda para aqueles povos, pois a preocupação de dar um exemplo severíssimo levava a não conceder quartel e a não poupar sexo nem idade.
Regiões houve como Cova que ficaram, despovoadas, pois os habitantes que escaparam dos furores da carnificina fugiam para o holandês, e temerosos das represálias impostas não só pelas colunas como pelos postos, não se aventuravam a voltar às suas terras.
Em janeiro de 1897, cria-se o comando de Bobonaro, o qual com Batugadé e Balibó consolida cada vez mais o nosso domínio entre aqueles povos. Em maio desse ano monta-se o posto de Laivai e em julho o de Laleia.
Em setembro, numa expedição de sete dias bate-se Lolotoi e Camenasse, a sul de Bobonaro, e como consequência cria-se o comando do Sudoeste, abrangendo Bobonaro, Lolotoi, Suai e Raimea.
O ano de 1898 é consagrado a recolher os frutos das vitórias alcançadas em 1896 e 1897, e a beneficiar do labor guerreiro que tinha caraterizado estes dois anos, e assim em março cria-se o posto de Ossú, em julho o de Laclubar; em outubro o de Cotubaba, e em abril seguinte o de Guguleuro.
Em julho 1899, dominam-se as veleidades de revolta da gente de Cailaco e de Atsabe, numa campanha de noventa dias na qual perdeu a vida o bravíssimo alferes Duarte, que em Timor deixou um nome aureolado de glória.
O seu prestígio entre o indígena era de tal natureza que a lenda da sua invulnerabilidade às balas vulgares passou a ter foros de coisa assente, e a superstição Timor fez correr que só uma bala de oiro podia matar o terror das suas falanges.
Algumas se fabricaram com tal fim, mas o destino, caprichoso como uma mulher, fez cair morto o bravo “Arbirú” num parapeito que acabara de saltar com a sua temeridade habitual.
Foi uma perda importante para a colónia, porque oficiais como esse denodado batalhador não apareciam com frequência, pois realizava o protótipo perfeito do chefe de guerra de tropas irregulares.
Este simples subalterno saído dos quadros inferiores do exército, tinha a centelha guerreira e comandava cinco e seis mil guerreiros com um sans façon” e uma naturalidade estupendos.
Adaptara-se de tal maneira ao seu papel de chefe de horda, que para animar as suas tropas em combate, não raras vezes marchava à sua frente, bailando e entoando os hinos de guerra Timores, desprezando as balas que prostravam os seus companheiros e que o pouparam a ele durante tantos anos.
Morreu porém a morte dos heróis, em plena batalha e com a consciência do dever cumprido. Honra à sua memória!
Como consequência destas vitórias, cria-se o comando da Hatolia e o posto de Leimea, e em agosto o de Barique.
Assim em cinco anos, instalam-se várias linhas de postos de ocupação permanente, em direções perpendiculares às costas Norte e Sul, e dominando as regiões entre Batugadé e Bobonaro, Liquiçá e Hatolia, Díli e Maubisse, Manatuto e contra-costa, Baucau e Ossú, o que juntamente com Viqueque e Alas significava o estabelecimento em toda a ilha de postos militares agrupados em comandos.
De quarenta em quarenta quilómetros, estava-se seguro de encontrar um posto de oficial, sargento ou régulo fiel, com a sua guarnição, pequena é verdade, mas a que emprestava uma enorme força, moral e material, a proximidade de outros postos, e o apoio das repetidas colunas expedicionárias.
O Timor sentia-se apertado numa rede cada vez mais densa de comandos e postos, não desfrutando já daquela liberdade guerreira, a que estava habituado. Então manifesta-se aqui, ali, por toda a parte, o estremecer dos reinos, dos sucos, das povoações, flanqueados e embaraçados numa malha flexível cedendo um momento, para recuperar a sua primitiva posição.
É um explodir não já de revoltas importantes, mas sim de distúrbios sucessivos de pequena intensidade, visto que a ação política dos comandantes, orientada no sentido de aproveitar as rixas e inimizades ancestrais impedia as grandes combinações.
Em outubro de 1900, como exceção há ainda a revolta de Manufai dominada porém a breve trecho.
A título de esclarecimento, para se poder fazer ideia dos recursos militares com que dominavam tais rebeliões e da intensidade que revestiam os combates: Oficiais superiores 15, oficiais inferiores 18, oficiais de 1ª linha 45, 2 voluntários, 24 régulos, 54 cabos, soldados e corneteiros, 25 oficiais superiores comandantes das forças irregulares, 1096 forças da 2ª linha, 12 333 forças irregulares, 649 auxiliares carregadores, 30 maqueiros…
Em dezembro de 1901, há a rebeldia de Nunomerque, em julho 1902 bate-se o Suro, em agosto Lautém e Lolotoi, em janeiro 1903 Letofoh e finalmente em julho, Aileu.
Em março 1904, Calicai (Kalikai) sofre o ímpeto de duzentos moradores e dois mil auxiliares aramados de espingardas de pederneira, e deixa em poder dos vencedores trezentas cabeças e duzentos búfalos, tendo-se consumido oitenta e duas granadas e cinco mil e oitocentos cartuchos, além de dezoito barricas de pólvora.
Em outubro de 1904, cria-se o posto de Iliomar ao sul de Lautém, que por ser o comando mais remoto, não prendera tanto a atenção dos governos.
Em março desse ano, há o sobressalto de Funar, em julho de 1905 o de Aituto e em janeiro de 1906 estende-se cada vez mais a ocupação para o sul de Lolotoi, atingindo-se Memo.
Em maio de 1907, o eterno irrequieto e o adversário de mais peso, aquele contra o qual as armas nunca tinham alcançado uma vitória de tal maneira decisiva que lhe tirasse, de todo, as veleidades de instigador de rebeliões, lança fora a máscara com que fora iludindo as desconfianças, e lança-se na guerra, o que obriga à mobilização de todos os recursos, mas que teve por consequência, o ministrar-se-lhe uma lição tão severa que o levou a ficar sossegado durante alguns anos.
Do exposto se vê que desde meados de 1894 a 1900, a ocupação se estendeu a quase todo o interior, e que as últimas revoltas anuais quase sempre insignificantes, e dominadas pelos recursos locais de cada comando, eram estremeções epiléticos de um povo sufocando nas malhas apertadíssimas de uma organização administrativa que lhe paralisava os movimentos desordenados e atrabiliários.

Tal resultado conseguiu-se sem o auxílio de expedições do exterior, pois tirante a companhia desembarcada após o desastre de 1895, sempre as campanhas se fizeram com moradores de Díli e Manatuto armados de espingardas Remington e principalmente com arraiais usando azagaia e catana, pois as quinhentas espingardas não chegavam para os milhares de timores que combatiam a nosso lado hoje, para serem batidos amanhã pelos seus adversários de véspera, agora nossos aliados.

Lutar nestas condições era para nós uma empresa perigosíssima, por termos não só de nos precaver contra traições, como também por não possuirmos a superioridade esmagadora que na maioria das lutas travadas pelos povos civilizados nas colónias, lhes é assegurada por uma maior eficiência de armamento.

Os nossos moradores usando a Remington, certamente combatiam em melhores condições que o inimigo, mas não só o seu número era pequeno, como também a ausência de disciplina e espírito militar que os caraterizava, não faziam deles uma tropa segura.

As dificuldades eram tremendas pois para nós que sempre tínhamos o papel de atacantes, e é inconcebível como indígenas de civilização rudimentar, armados na sua quase totalidade de azagaias e catanas, tinham entretanto atingido uma perfeição espantosa na maneira de prepararem os seus entrincheiramentos.

Não havia combate que não se traduzisse da nossa parte em demorados bombardeamentos de posições inimigas, no ataque e conquista feitos palmo a palmo das linhas sucessivas de trincheiras, na destruição de abatises, de covas de lobo, de traveses e de parapeitos feitos de terra, de plantas espinhosas, de bambuais enfim.

E isto num terreno acidentadíssimo de que em Portugal não há similar, no meio dum arvoredo traiçoeiro que permitia os fuzilamentos à queima-roupa e contra um povo que nos acessos de desespero lutava por vezes com uma bravura tão heroica que ela poderá sofrer com a de qualquer outro.
Melhor que qualquer descrição é a transcrição do diário de campanha do Chefe de Estado-Maior da coluna de operações contra Manufai, de 1900, o qual abrange o período que decorre de 17 de outubro a 25 de novembro:

A marcha para Aileu efetuou-se pela seguinte forma, no dia determinado:

Na frente, com intervalo de uma hora, o comboio devidamente escoltado por forças de Viqueque, Vemasse, Laleia e Laga; Guarda avançada, o arraial de Viqueque; Corpo principal, moradores de Batugadé, de Baucau e o arraial de Vemasse; Guarda da retaguarda, os arraiais de Laleia e Laga; Na testa do corpo principal seguia S. Ex.ª o Conselheiro Governador e o seu Estado-Maior, o serviço de saúde, capelão e outros oficiais que iam assumir o comando das suas respetivas unidades; Escolta do quartel-general, moradores de Manatuto.

A marcha para Aileu, em terreno amigo fez-se em condições regulares, podendo reputar-se boas, se se atender às deficiências e péssimas circunstâncias dos caminhos mal traçados e construídos, quando não se limitavam aos trilhos dos indígenas, com declives exageradíssimos, muito estreitos, maus pisos, argilosos geralmente, o que os tornava escorregadios à menor humidade que recebiam, de cotovelos apertadíssimos, trepando e descendo elevadíssimas montanhas.

Estas condições porém eram de sobra conhecidas, e absolutamente impossíveis de remediar na estreiteza do tempo, em que urgia realizar as operações de guerra, por se aproximar com brevidade a época das chuvas, época doentia em que as marchas são impossíveis, pelas numerosas ribeiras e linhas de água que é forçoso atravessar e que são impraticáveis nesta época.

Durante a marcha e à ordem de S. Ex.ª o Governador, fez-se o primeiro alto em Comoro às 7,15 horas, a.m. e o primeiro grande alto em Vessaca, onde se preparou a refeição da manhã, às 10,15 a.m. em uma portela da montanha de Mano-Udo, que dá passagem para a sua vertente Sul, tendo antes havido um pequeno alto a meio da vertente que olha para o Norte.

No primeiro grande alto, em Vessaca, cuja altitude é de 1:082 metros, reconheceu-se mais uma vez, para os que não se estreavam nesta campanha, o grande inconveniente dos maus e estreitos caminhos, e do transporte de carga por indígenas, dando um extraordinário alongamento à coluna de marcha, impossibilitando num dado momento e em determinado ponto a concentração de todas as forças, e retardando de bastantes horas as marchas, obrigando a andamento muito moroso, tornando-as por isso muito fatigantes e incómodas, para o que também em grande parte contribui a falta de disciplina que os seus chefes naturais não sabem manter, salvo raras exceções, consentindo nas constantes paragens e descansos que logo aproveitam para comer ou mascar e que à sua vontade fazem durante as marchas, se não são vistos dos oficiais e oficiais inferiores de primeira linha.

Estes factos porém que noto no meu diário por cumprimento rigoroso do meu dever, nem me surpreenderam nem causaram estranheza, por os conhecer de experiência, por serem irregulares as forças às quais me estou referindo, e por não haver meio que completamente remedeie os inconvenientes apontados, embora a generalização do uso já estabelecido do transporte de cargas a dorso de cavalos, com arreios apropriados, melhore muito as condições das marchas em tempo de guerra.

Saída de Ve-Saca às 12:15 do dia, chegada ao Comando militar de Aileu às 12,30, p.m. sendo o caminho depois da descida da montanha de Mano-Ulo, feita pelo leito da Ribeira a que uns dão o nome de Lacló e outros de Aileu, esta afluente da de Lacló e que passa a duzentos metros do reduto do comando militar.

Estabeleceu-se o “acampamento” entre duas povoações abandonadas, ambas denominadas Uro-Buli, altitude 1:250 metros, e entre as ribeiras de Era-Meta; à retaguarda e Maubisse à frente.

O sistema seguido no serviço de vigilância e segurança de noite nos acampamentos, durante toda a campanha foi sensivelmente aconselhado por Peroz no seu livro “La Tatique au Landan”, adotado já em muitas expedições em África, como em 1894 na Guiné, na campanha contra os papuas e grumetes da ilha de Bissau, contra o poderoso chefe Vátua, o Gungunhana, com resultados muito seguros.

A linha de desenvolvimento do acampamento, moldando-se à crista militar do terreno, e apropriando-lhe todas as ondulações e vantagens militares, era contínua e de traçado irregular e por vezes caprichoso, devido ao acidentado do terreno e à natureza das forças irregulares de que se compunha a coluna de ataque, sendo impossível por falta de instrução militar, ainda que o terreno o permitisse, impor-lhes formações regulares de batalha, em ordem unida além da linha geral e exterior de defesa ocupada pelos diferentes arraiais conservarem estes a mui próxima distância as suas reservas, que em caso de ataque reforçariam a primeira linha, pondo-a ao abrigo de qualquer ímpeto atrevido do inimigo em massa.

Além destas disposições, mantiveram-se sempre, apesar do preconizado por Peroz, os postos de observação nos altos que dominavam os caminhos e passagens, que mais facilmente podiam dar acesso a quaisquer tentativas do inimigo, obtendo-se sempre os melhores resultados e maior segurança nos acampamentos, tendo sido sempre frustradas todas as tentativas feitas pelo inimigo de dia ou de noite, de ataque às nossas posições.

Dia 6. Por determinação de S. Ex.ª o Conselheiro Governador, foi o chefe de Estado-Maior, o seu ajudante e pessoal respetivo, dirigir um “reconhecimento ofensivo” a Leolaco, empregando as forças do centro, da esquerda, ala direita e reserva, conforme as circunstâncias e necessidades da ocasião; começou o reconhecimento pelo ataque de artilharia à povoação da direita de Leolaco, simulando com forças de infantaria, ataques em diferentes pontos do monte em direção à povoação do régulo.

A princípio, o inimigo inteiramente a coberto pelas suas trincheiras e espesso arvoredo, conservou-se silencioso, sem denunciar os seus postos defensivos, mas apertado pelo avançar das forças de infantaria, calado o fogo da artilharia, em toda a linha das nossas posições de ataque, rompeu em grande aclala, respondendo em toda a sua linha defensiva que circundava o monte de Leolaco, aos fogos das nossas forças, reconhecendo-se então que além de alguns postos avançados bem fortificados, para guarda dos currais de búfalos, abastecimento de água e quaisquer outros fins, tinha o inimigo uma extensa trincheira de terra, revestida de bambu grosso, cingindo a crista militar do monte Leolaco, toda seteirada com três ordens de seteiras, sendo estas formadas na espessura das trincheiras, por tubos de bambu.

O inimigo embora bem distribuído, com ordem e disciplina em toda a sua linha defensiva, não me pareceu numeroso, calculando-o em oitocentos a mil homens.

Reconheci mais que estava bem fornecido de pólvora, pelo uso frequente que fazia dos seus fogos, respondendo aos nossos, o que não é dos costumes desses povos quando lhes não abunda a pólvora, porque só empregam então os tiros quase a queima-roupa.

A povoação era dominante, muito arborizada, regularmente fortificada, separada por uma ribeira funda e estreita, - Tato-Besse – das nossas posições a norte, as quais ocupavam as cumeadas de um contraforte cujo nó, ocupado pela ala direita estabelecia a ligação de Leolaco com Riak; a E. e a N.E. descia em rampa suave o caminho descoberto até à ribeira de que já falamos, Tato-Besse, ficando-lhes sobranceiros os montes de Bandeira e Husso, célebre este último por ali ter sido ferido em 1895 o valente e malogrado alferes Duarte; pelo lado sul era inacessível, e as melhores informações diziam que não havia água em Leolaco, abastecendo-se o inimigo da pequena ribeira de Tato-Besse.

Recolhidas estas informações que foram presentes a S. EX.ª o Conselheiro Governador, determinou o mesmo Ex.mo Senhor “ataque geral” para o dia imediato, conforme o determinado na ordem número vinte.

Neste reconhecimento sofreram as nossas forças algumas baixas, sendo mortalmente ferido o soldado da companhia de Timor, N.º 40/173 Froádio Bonifácio.

Durante a noite, não houve novidade. Continuou a varíola a atacar o nosso posto.

Dia 7. Efetuou-se o combate geral de Leolaco, iniciado pela artilharia como estava determinado. O ataque demorou desde as 6 horas a.m. às 5,30 p.m. resistindo sempre o inimigo com bastante valor e tenacidade.

Tomaram-se-lhe alguns postos, mas vencido um entrincheiramento, outro aparecia resolutamente defendido pelo inimigo; em todos os pontos tomados, foram-lhe destruídos os abrigos.

As nossas forças sofreram algumas baixas, devendo o inimigo ter sofrido grandes perdas, que não puderam ser avaliadas, por se ter conservado sempre abrigado e encoberto e ser espesso o arvoredo.

Não houve novidade durante a noite. Começaram a aparecer diarreias e febres nos arraiais e a da varíola.

Dia 8. Como se tivesse esgotado a reserva geral de munições de guerra e não tivessem chegado as que a todo o momento se esperavam de Alas, para onde tinham já partido os carregadores necessários, e expedidas todas as ordens, determinou S. Ex.ª o Conselheiro Governador que houvesse hoje descanso geral às forças, mantendo as suas posições e impedindo que o inimigo saísse dos seus entrincheiramentos.

Pela 1 hora p.m., saiu o inimigo das suas trincheiras com algum gado para se abastecer de água na ribeira, foi batido e repelido com grandes perdas pelas forças do centro e da esquerda. De noite não houve novidade.

Dia 9. Efetuou-se de novo o ataque geral a Leolaco como foi determinado em ordem número vinte e dois. Tomaram-se mais alguns postos ao inimigo que defendia palmo a palmo a sua posição, não chegando porém a alcançar-se em parte alguma, a trincheira grande.

As nossas forças tiveram as baixas que constam do relatório do serviço de saúde.

Durante a noite não ocorreu incidente algum; as munições de guerra começaram a escassear e a desenvolver-se a varíola.

Dia 10. Realizou-se o ataque determinado na ordem respetiva, tomando-se com bastante dificuldade alguns postos inimigos; este vendo aproximar-se a artilharia para lhes bater com maior certeza as trincheiras, fez uma sortida por E. pretendendo tomar uma boca-de-fogo B.E.M. 75 às forças do centro, sendo repelido com grandes perdas entre mortos e feridos.

A boca-de-fogo foi defendida com toda a energia, pela sua respetiva guarnição e apoio dos moradores de Díli e Lacló, sendo gravemente ferido o capitão de moradores de Díli, Marçal Sequeira, que se houve com toda a valentia.

Às 4,30 p.m. conseguiu a artilharia demolir uma parte da trincheira. E. dando o centro e ala esquerda, investida às trincheiras que transpuseram, e foi queimada uma povoação, dependência do régulo, sofrendo o inimigo numerosas baixas.

Como fosse adiantada a hora e o inimigo tivesse recuado para outros entrincheiramentos, retiraram as forças do centro e ala esquerda para os seus acampamentos, conservando intercetado ao inimigo o abastecimento de água.

Continuaram os ataques de varíola nos arraiais, algumas febres e diarreias.

Dia 11. Continuação do ataque à povoação do régulo em Leolaco que não pode ser tomada, mostrando as nossas forças grande cansaço e fadiga pelo serviço aturado de tão repetidos ataques e algum desânimo, por se baterem a peito descoberto contra o inimigo bem fortificado e fortemente entrincheirado e a coberto.

Ainda assim, foi o inimigo repelido de alguns dos seus postos, sofrendo perdas consideráveis, tomando-se-lhes as últimas nascentes de água de que poderia abastecer-se, e que ficaram ocupadas e defendidas por postos das forças do centro e ala esquerda.

A noite sem novidade.

Tomaram-se como nos dias anteriores, alguns búfalos ao inimigo.

Dia 12. Descanso geral para todas as forças da coluna, mantendo as suas posições e impedindo que o inimigo se forneça de água e saia dos seus últimos entrincheiramentos.

Dia 13. Ataque a Fenan, povoação grande de Manufai, a SE. de Leolaco, pela ala esquerda, sob o comando do senhor alferes Antunes, e pelo centro comandado pelo Sr. Capitão Vasconcelos, ficando em Leolaco o inimigo cercado pelas restantes forças da reserva e ala direita, ocupando a primeira e segunda unidade do comando dos senhores alferes Andrade e tenente Reveredo, respetivamente as posições da ala esquerda e centro.

Na noite de 12 para 13, foi feita uma investida de surpresa, às trincheiras inimigas, pelos arraiais de Ulmera, Fatomasse e pico da reserva, coadjuvados pelos de Irlelo, Atabai e Balibó da ala direita, que não deu resultado.

Às 2,30 horas da noite de treze, o inimigo surpreendeu um dos nossos postos de primeira linha, constituído pelo arraial de Vemasse, matando-nos à arma branca quatro homens, e ferindo-nos nove, tendo causado um princípio de pânico que brevemente se desvaneceu, sendo o inimigo repelido e perseguido com bastantes baixas.

Não houve qualquer outra novidade.

Dia 14. Continuação do ataque a Fuan, conservando-se em volta de Leolaco a mesma vigilância e atitude, trocando-se algum tiroteio com o inimigo, conseguindo os arraiais de Fatomasse, Ulmera e Pico, aproximarem-se das últimas trincheiras inimigas, lançando fogo ao revestimento exterior de bambu.

A ala direita destacou uma coluna volante em perseguição do inimigo e apreendeu-lhes bastantes animais.

Não houve novidade alguma durante a noite.

Dia 15. Prossegue com vantagem para as nossas forças o ataque a Fuan.

Em volta de Leolaco continua o inimigo a ser incomodado com repetidas investidas dos nossos, que todos os dias lhe matam gente, apreendendo-lhes búfalos, cavalos e outros animais, a maior parte mortos a tiro e que são consumidos na alimentação das diferentes forças.

Mantém-se a proibição do consumo de munições para armas retrocargas, por estar esgotada a reserva geral da coluna, ser reduzida a das diferentes unidades, e não poder contar-se senão com a remessa que se requisitara ao depósito geral, esperada hoje ou amanhã, por não haver no depósito de material de guerra do distrito.

Durante a noite, não houve novidade.

Dia 16. Tomada de Tuan, perdendo o inimigo cinquenta e nove prisioneiros, oitenta e cinco cabeças, e muitos mortos e feridos, alguns deles atacados de varíola; as presas em milho foram abundantes; as nossas forças tiveram trinta e dois feridos e sete mortos.

As forças que tomaram Tuan efetuaram o avanço em Manufai, até o mar do Sul; às 10 horas a.m. o inimigo de Riak e Babulo que se refugiara na serra de Kablak atacou pela retaguarda a ala direita, fazendo ao mesmo tempo deste lado uma surtida o inimigo concentrado em Leolaco com o fim talvez de dar fuga aos seus chefes e famílias, sendo porém repelidos com grandes perdas e cortada a cabeça ao chefe de Riak.

A noite decorreu sem novidade.

Apresentaram-se os chefes de Rotuto pedindo perdão.

Dia 17 e 18. Descanso geral às forças da coluna, conservando-se cercado o inimigo em Leolaco.

Chegaram as munições de guerra esperadas.

A epidemia de varíola continua a sua marcha progressivamente assustadora; o inimigo em Leolaco promete apresentar-se às autoridades, se S. Ex.ª o Governador lhe levantar o cerco, não o fazendo na ocasião porque teme as represálias das nossas forças.

Estas noites passam-se sem incidente algum, sendo profundo o silêncio das posições inimigas.

Dia 19. Último ataque a Leolaco pelas razões aduzidas na respetiva ordem; S. Ex.ª o Conselheiro Governador assistiu e dirigiu pessoalmente este ataque estabelecendo-se no centro da linha geral de investimento em Turo, mandando o seu chefe de Estado-Maior e adjunto para o flanco direito.

A artilharia iniciou o ataque, dirigindo muito regularmente os seus fogos, e aproximando-se a quatrocentos metros da posição mais forte do inimigo.

A primeira investida das forças de infantaria sob a proteção dos tiros de artilharia, que eram feitos com bastante precisão, foi arrojada e valente, aproximando-se a cinco metros da trincheira mais alta e forte do inimigo, onde caíram os primeiros feridos das nossas forças do flanco direito, e entre eles o régulo de Atabai, Dossi Lelo, o que causou um certo desânimo.

Restabelecido o primitivo entusiasmo, deu-se uma investida que poderia ter sido coroada de melhor êxito se uma bala não prostrasse gloriosamente no campo de batalha, ferindo-o no coração, o 2º sargento Ernesto da Conceição, número 65/512 da Companhia de Guerra de Timor, e que comandava uma boca-de-fogo B.E.M. 75.

Este 2º sargento que com tanto valor se tinha distinguido em outros combates, já na campanha de 1896, já durante esta, terminado o fogo de artilharia, terminado o fogo de artilharia e tendo recebido ordem do chefe do Estado-Maior, de mandar avançar sobre a trincheira, um troço de forças irregulares que abrigadas sob uma grande árvore, ali se achavam há já bastante tempo, como visse cumprida a ordem, e o senhor tenente Borges e o primeiro-sargento Gomes que com alguns moradores de Manatuto e Pico tentavam o assalto à trincheira inimiga, para ali se dirigiu também com alguns moradores, que na ocasião tinham sido mandados de reforço ao senhor tenente Borges como tinha pedido; ali chegado, tão teimosamente se expos a tão curta distância da trincheira inimiga, trezentos a quatrocentos metros, que em breves minutos caía nos braços do senhor tenente Borges, fulminado por uma bala no coração.

Imediatamente reanimei o ataque, mandando fazer repetidos toques de avançar, insistindo em novos assaltos, no extremo do flanco direito, enquanto era removido para o hospital de sangue o cadáver do valente segundo sargento, para evitar o desânimo que a morte de um europeu sempre produz entre as forças amigas.

O ataque prosseguiu, rompendo de novo a artilharia fogo, contra as posições inimigas, sem que fosse possível levar as forças indígenas a um assalto decisivo à trincheira inimiga, porque apenas lhe caía um homem morto ou ferido, logo recuavam, empenhando-se exclusivamente em defender o morto ou ferido do corte de cabeça, trazendo-o consigo, conforme é dos seus usos e tradições guerreiras, para não cair em poder do inimigo que não lhe perdoaria o corte de cabeça.

Em virtude das ordens de S. Ex.ª o Conselheiro Governador sustentou-se o ataque até às cinco horas p.m. Caiu depois das 2,30 p.m. alguma chuva constante mas miúda.

Durante a noite, não houve incidente algum.

Dia 20. Descanso geral às forças da coluna, mantendo-se as guarnições em volta de Leolaco.

Foi comunicado aos rebeldes, por ordem de S. Ex.ª o Governador, que a gente do povo que se apresentasse em certo prazo, seria perdoada, podendo desde hoje vir abastecer-se de água à ribeira, desarmada, impondo algumas condições ao régulo de Manufai para obter perdão e ser reconhecido oficialmente como chefe do reino.

A noite decorreu sem novidade alguma.
As guerras em Timor, como se acabou de ver, exigiam um enorme dispêndio de energia e a adoção de precauções especiais. Se as marchas, os estacionamentos e os combates se não faziam com os cuidados adotados pelos exércitos combatendo na Europa, eram entretanto rodeados de complicações desconhecidas à maioria das expedições das outras colónias. Como explicar pois a eficiência de tais trabalhos de ocupação, realizados num lapso de tempo relativamente curto, usando de meios tão rudimentares, e contra povos que se sabiam defender? Quando em todas as outras colónias se tornava necessária a remessa periódica de expedições metropolitanas, a fim de se dominarem revoltas e fazer a ocupação, como conceber a adoção de processos tão diferentes em Timor, com uma população superior à da Guiné, e com tradições não menos belicosas que as dos povos dessa colónia?



Essas medidas eram o fruto da conceção dum espírito genialmente organizador e dotado dum tato administrativo como é raro encontrar-se. Celestino valia-se das rivalidades dos diferentes povos para os enfraquecer e dominar. Umas vezes não intervinha nas suas lutas senão por baixo de mão, como se depreende das seguintes notas enviadas aos comandantes militares de Aileu e Alas:

Ao Sr. Comandante militar de Aileu se comunica para os devidos efeitos e por ordem de S. Ex.ª o Governador que é muito provável que o reino de Alas ataque a jurisdição de Tutuluro pertencente a esse Comando: em tal caso deverá V. conservar-se inteiramente estranho, porque ao governo convém que Tutuluro seja derrotado, e a todos os que lhe falarem em tal assunto responderá que o governo nada tem com tal guerra, que são questões entre povos que eles resolverão como entenderem e puderem, mas ao mesmo tempo proibirá, publicando os bandos do costume, que em toda a área do seu comando se venda pólvora e mais munições de guerra, e ensinará aos maiorais da sua jurisdição que lhes é inteiramente vedado o interferirem na guerra que se der entre Alas e Tutuluro…”

Ao Sr. Comandante militar de Alas se comunica para os devidos efeitos por ordem de S. Ex.ª o Governador e em resposta à sua nota n.º 57 de 26 do corrente, que pode permitir ao Sr. Régulo de Alas que junte os seus arraiais e castigue a jurisdição de Tutuluro pelos latrocínios e crimes a que se refere; mas faça-lhe saber que a guerra não pode prolongar-se além de 20 de agosto próximo, pois que os arraiais do seu reino deverão estar já reunidos e à disposição do governo depois de tal dia; far-lhe-á também saber que a guerra não pode ser feita como é costume fazê-las em Timor, e que é indispensável que ele coloque a gente de Tutuluro na impossibilidade de inquietar o reino de Alas durante alguns anos.

Esse levantamento de arraiais por parte do reino de Alas pode favorecer e encobrir os projetos do governo relativamente a Manufai, Raimea e Suai.

Nesta data se previne o comandante de Aileu para que fique impassível perante a guerra que Alas vai fazer a Tutuluro e que evite que mais gente da sua jurisdição se junte a tal reino, mas V. não tomará alguma ostensiva em tal guerra para que não se diga que é feita pelo Governo, e limitar-se-á particularmente a aconselhar o D. Januário e o D. Félix sobre a maneira de a fazerem, deixando-lhes ver que o Governo não terá dúvidas em lhes emprestar a pólvora que necessitem, responsabilizando-se eles pelo pagamento dela, para os ajudar; nesta data se dá ordem ao Comandante de Alas para proibir desde já a venda de pólvora na área de toda a sua circunscrição, a que também pertence Tutuluro”.
Estas notas são modelos perfeitos da política indígena habilíssima em que se destacam aspetos fundamentais:

- enfraquecimento duma tribo à qual se criam dificuldades de municiamento, através da atuação duma outra a que se dão facilidades de toda a espécie, desde o empréstimo de pólvora até aos conselhos militares;

- dignificação da função dos chefes indígenas aos quais se refere com cortesia, tratando-os de senhores régulos; existência duma curiosa tradição de valorização dos régulos que adotavam nomes portugueses dignificados pelo uso de dons;

- utilização destes dissídios para adormecer desconfianças das tribos que se pensa castigar, fazendo uma mobilização de arraiais a favor do governo disfarçada sob o véu de puras questiúnculas indígenas.
Quando Celestino se sentia com força, era ele quem como governador organizava a repressão contra tribos mal sujeitas, jogando com os fatores militares e políticos como nunca ninguém fez com tanta habilidade.

Não havia combinações políticas de régulos inimigos, que lhe não fossem denunciadas, e para isso muito contribuía o maravilhoso serviço de espionagem exercido pelas suas numerosas amantes indígenas que sendo filhas, mulheres, ou parentes dos chefes lhe comunicavam tudo o que se passava, a começar pelas prepotências e abusos dos comandantes.
Nunca houve um governador nem possivelmente tornará a haver nenhum que com Celestino possa rivalizar em conhecimento dos usos e costumes timores, que estivesse mais ao facto de tudo quanto se passava na colonia que administrava, e que melhor partido soubesse tirar das rivalidades dos povos e das intrigas que promovia entre eles. Por isso, a sua ação era sempre oportuna, e fazia-se sentir quando menos os seus inimigos o esperavam.
Quantas e quantas vezes, uma estafeta vinda dos confins da colónia aonde Celestino se encontrava nos seus contínuos deslocamentos, levava a Díli a ordem de concentração para as companhias de moradores, deixando perplexos até os seus mais íntimos, desconhecedores do que se passava!
Aquele atlético transmontano, cuja alma parecia talhada no granito das penedias que o tinham visto nascer, gostava por política e temperamento, de se rodear de mistério, e comprazia-se em correr os riscos de laços romanescos, que ao espírito do Timor selvagem apareciam rodeados de qualquer coisa de sobrenatural.
Quantas vezes pelo negrume da noite, o aparecimento repentino e imprevisto da sua figura hercúlea, em plena reunião de régulos conspiradores, fazia cair estes de joelhos implorando o perdão para uma falta, que tão longe estavam de julgar ser suspeitada do “catua”, nome porque designavam o Governador!
Quantas vezes o velho vapor Díli levantava ferro com rumo desconhecido levando a bordo o enigmático Governador, e voltava dias depois, com alguns cativos que tinham estado Prestes a revoltar-se e que ao irem a bordo prestar uma fingida homenagem ao “embote” aí ficavam retidos!
Por isso, Celestino da Silva ficou sempre para o indígena, o homem cujos olhos perscrutavam tudo e todos, aquele para quem não havia segredos por mais bem guardados que fossem. Significativo de tal estado de espírito é o episódio de na revolta de 1912, quatro anos após a sua exoneração, os chefes principais terem voltado às avessas o retrato que pendia das paredes da sala dum comando que acabavam de assaltar, a fim de que os seus olhos os não incomodassem nas resoluções que iam tomar!
Terminava uma campanha, e logo se erguiam os muros dum pequeno forte; um comando militar ou posto se estabelecia nele, e os povos das imediações ficavam sob a fiscalização e direção das autoridades que, como dissemos, os obrigavam a abrir caminhos, a construir pontes, a cuidar das suas plantações, a ampliar as zonas culturais, e os impediam de fazer as guerras que tanto tinham sido do seu agrado.
Era um trabalho insano esse, nos intervalos das campanhas, para o qual se tornava necessária uma energia de ferro, de modo a reprimirem-se abusos constantes da autoridade, a canalizar energias num sentido inteiramente novo para os elementos administrativos, e a convencer os régulos a tornarem-se não os espoliadores do seu povo, mas sim os seus dirigentes no novo caminho a trilhar, que era indicado nos seguintes termos:

… “Além disso, sendo a cafeicultura uma importantíssima fonte de riqueza, e indiscutível a natural indolência dos indígenas, é indispensável que os comandos militares incitem o povo ao trabalho e forcem os régulos a cuidarem das plantações existentes improdutivas por falta de granjeio, e a fazerem outras. Se não obrigarmos estes povos ao trabalho, e os não ensinarmos, esta colonia permanecerá ainda por muito tempo no estado de atraso agrícola em que atualmente se encontra. Os régulos são em geral tão indolentes como os homens que governam, mas obedecem logo que se lhes ordena qualquer serviço, embora não seja para o Estado, mas só em proveito deles mesmos. Eu tenho mandado um oficial que tem as aptidões necessárias a diversos reinos, para ordenar a limpeza das plantações de café, bem como o amanho do terreno para novas plantações, e em nenhuma parte ainda, teve a lutar com a resistência dos povos. Tenho também fornecido, a título de empréstimo, enxadas, alavancas e pás que têm de ser restituídas ou pagas na próxima colheita; só assim poderei conseguir que a cafeicultura se desenvolva e prospere…”

A situação atual (maio de 2006) é bem complexa. JC limitara-se a alertar para a história bélica que toda a gente parecia esquecer ou mesmo desconhecer. Nem as elites nem os jovens alguma vez leram estes episódios que bem retratam a grande nação de tribos timorenses.


Os Timorenses são aquele povo “bonzinho” que sofreu a invasão indonésia, cujas crianças em fuga para a montanha durante a noite nem choravam, mas são também estes que aqui se retratam e JC conheceu entre 1973 e 1975.
Depois e já é história , em 2007 e 2008, sucedeu-se o que estava previsto, a troca de cadeiras entre Xanana e Ramos Horta, um atentado mal contado que serviu para matar o renegado Alfredo Reinaldo, um Xanana dissociado da realidade, e um país mais parado que nunca, cheio de desempregados, onde a justiça não funciona e o abismo espreita.



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