Fisiologia Oral Série Fundamentos de Odontologia


acidófilas  ou  basófilas



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acidófilas

 ou 


basófilas

 (Figura  20.18  ).

Por  meio  de  imunocitoquímica  e  por  hibridização  in  situ  distinguem-se  pelo  menos  cinco  tipos  de

células  nas  ilhotas:  alfa,  beta,  delta,  PP  e  épsilon.  As  Figuras  20.19  e  20.20  mostram  a  detecção

imunocitoquímica de células produtoras de glucagon (células alfa) e de insulina (células beta).


Figura 20.16

 Esquema de célula da camada medular da adrenal que mostra o papel de diferentes organelas na síntese dos componentes de seus grânulos de

secreção. A síntese de norepinefrina e a sua conversão para epinefrina acontecem no citosol.

Figura 20.17

 Corte do pâncreas que mostra, no centro da imagem, uma ilhota de Langerhans cercada por ácinos serosos do pâncreas exócrino. As células de

ilhota formam cordões – alguns estão indicados por traços – separados por capilares sanguíneos marcados por asteriscos. (Fotomicrografia. HE. Médio aumento.)

As quantidades relativas dos quatro tipos de células encontrados em ilhotas variam em diferentes

espécies e de acordo com o local da ilhota no pâncreas. A Tabela 20.3 resume os principais tipos de


células, suas quantidades e hormônios produzidos pelas ilhotas.

Ao microscópio eletrônico de transmissão (Figura 20.21 ) estas células se assemelham a células

que sintetizam polipeptídios (ver Capítulo 4); a forma dos seus grânulos secretores varia de acordo

com seu conteúdo hormonal e com as diversas espécies animais. As etapas principais da síntese de

insulina são mostradas na Figura 20.22 .

Figura 20.18

 Ilhota de Langerhans em que é possível distinguir células alfa (A) coradas em rosa e células beta (B) coradas em azul. (Fotomicrografia.

Tricrômico de Gomori. Grande aumento.)


Figura 20.19

 Detecção imunocitoquímica de glucagon por microscopia de luz em células α (coradas em marrom) de uma ilhota de Langerhans. (Médio

aumento.)


Figura 20.20

 Detecção imunocitoquímica de insulina por microscopia eletrônica em célula β de uma ilhota de Langerhans. Os minúsculos grânulos pretos são

partículas de ouro ligadas ao anticorpo anti-insulina, que indicam os locais onde esse anticorpo foi preso à insulina presente nos grânulos de secreção. Há um halo

claro entre o material de secreção e a membrana do grânulo. (Cortesia de M. Bendayan.)



Tabela 20.3 Células e hormônios de ilhotas de Langerhans de humanos.

Tipo

celular

Proporção

aproximada

(%)

Hormônio

produzido

Algumas das principais atividades fisiológicas

Alfa


20

Glucagon


Age em vários tecidos para tornar a energia estocada sob forma de glicogênio e gordura

disponível pela glicogenólise e lipólise; aumenta a taxa de glicose no sangue

Beta

70

Insulina



Age em vários tecidos promovendo entrada de glicose nas células; diminui a taxa de glicose no

sangue


Delta

5

Somatostatina



Regula a liberação de hormônios de outras células das ilhotas

PP

3



Polipeptídio

pancreático

Não totalmente estabelecidas: provoca diminuição de apetite; aumento de secreção de suco

gástrico


Épsilon

0,5 a 1


Ghrelina

Estimula apetite por ação no hipotálamo; estimula produção de hormônio de crescimento na

adeno-hipófise. A provável principal fonte deste hormônio é o estômago (ver Capítulo 15)

Terminações de fibras nervosas em células de ilhotas podem ser observadas por microscopia de

luz ou eletrônica. Junções comunicantes existentes entre as células das ilhotas provavelmente servem

para  transferir,  entre  as  células,  sinais  originados  dos  impulsos  da  inervação  autonômica.  Além

disso, há influência mútua entre células por meio de substâncias solúveis que agem a curta distância

(controle parácrino de secreção).



 Tireoide

A tireoide é uma glândula endócrina que se desenvolve a partir do endoderma da porção cefálica

do  tubo  digestivo.  Sua  função  é  sintetizar  os  hormônios 

tiroxina

  (T4)  e 



tri-iodotironina

  (T3),  que

regulam  a  taxa  de  metabolismo  do  corpo.  Situada  na  região  cervical  anterior  à  laringe,  a  glândula

tireoide é constituída de dois lóbulos unidos por um istmo (Figura 20.23 ).



 Histologia aplicada

Vários  tipos  de  tumores  originados  de  células  das  ilhotas  produzem  insulina,  glucagon,  somatostatina  e  polipeptídio

pancreático.  Alguns  desses  tumores  produzem  dois  ou  mais  hormônios  simultaneamente,  gerando  sintomas  clínicos

complexos.

Um dos tipos de diabetes, denominado tipo 1, é uma doença autoimune na qual anticorpos produzidos contra células

beta deprimem a atividade dessas células. Esta doença é geralmente detectada em jovens.

No diabetes tipo 2, cuja incidência é muito maior que a do tipo 1, há resistência à insulina por parte de alguns tipos

celulares,  por  exemplo,  células  musculares,  hepatócitos  e  adipócitos,  que  em  consequência  não  absorvem

adequadamente glicose do plasma. Por essa razão a taxa plasmática de glicose é alta nos pacientes acometidos por

esta doença. Este tipo ocorre predominantemente em adultos.

A tireoide é composta de milhares de 



folículos tireoidianos

, que são pequenas esferas de 0,2 a 0,9

mm  de  diâmetro.  A  parede  dos  folículos  é  um  epitélio  simples  cujas  células  são  também

denominadas 



tirócitos

. A cavidade dos folículos contém uma substância gelatinosa chamada 



coloide

(Figuras  20.24  e  20.25  ).  A  glândula  é  revestida  por  uma  cápsula  de  tecido  conjuntivo  frouxo  que

envia  septos  para  o  parênquima.  Os  septos  se  tornam  gradualmente  mais  delgados  ao  alcançar  os

folículos, que são separados entre si principalmente por fibras reticulares.



Figura 20.21

 Esquema de células α e β de ilhotas de Langerhans, mostrando as suas principais características ultraestruturais. Os grânulos da célula B são

irregulares, enquanto os da célula A são arredondados e uniformes.


Figura 20.22

 Etapas principais da síntese e secreção de insulina por uma célula β das ilhotas de Langerhans. (Adaptada de Orci L: A portrait of the pancreatic B

cell. Diabetologia 1974;10:163.)


Figura 20.23

 Esquema da anatomia da tireoide e das paratireoides.



Figura 20.24

 A tireoide é formada por milhares de pequenas esferas chamadas folículos tireoidianos (F) preenchidos por coloide. (Fotomicrografia. HE.

Aumento pequeno.)

A  tireoide  é  um  órgão  extremamente  vascularizado  por  uma  extensa  rede  capilar  sanguínea  e

linfática que envolve os folículos. As células endoteliais dos capilares sanguíneos são fenestradas,

como  é  comum  também  em  outras  glândulas  endócrinas.  Esta  configuração  facilita  o  transporte  de

substâncias entre as células endócrinas e o sangue.


Figura 20.25

 Corte de uma tireoide mostrando os folículos cuja parede é formada por um epitélio simples cúbico de células foliculares (setas). Os folículos são

preenchidos por um material amorfo – o coloide (C). Células parafoliculares (PF), produtoras de calcitonina , se situam entre folículos. (Fotomicrografia. HE.

Aumento médio.)

Em  cortes  o  aspecto  dos  folículos  tireoidianos  é  muito  variado,  o  que  é  consequência  de:  (1)

diferentes  maneiras  em  que  foram  seccionados  os  folículos;  (2)  diversos  níveis  de  atividade

funcional  exercidos  pelos  vários  folículos.  Alguns  folículos  são  grandes,  cheios  de  coloide  e

revestidos  por  epitélio  cúbico  ou  pavimentoso,  e  outros  são  menores,  com  epitélio  colunar.  De

maneira  geral,  quando  a  altura  média  do  epitélio  de  um  número  grande  de  folículos  é  baixa,  a

glândula  é  considerada  hipoativa.  Em  contrapartida,  o  aumento  acentuado  na  altura  do  epitélio

folicular acompanhado por diminuição da quantidade de coloide e do diâmetro dos folículos costuma

indicar hiperatividade da glândula.

Outro tipo de célula encontrado na tireoide é a 

célula parafolicular

  ou 


célula  C

.  Ela  pode  fazer

parte  do  epitélio  folicular  ou  mais  comumente  forma  agrupamentos  isolados  entre  os  folículos

tireoidianos (Figuras 20.25 e 20.26 ).

As  células  parafoliculares  produzem  um  hormônio  chamado 

calcitonina

,  também  denominado



tirocalcitonina

,  cujo  efeito  principal  é  inibir  a  reabsorção  de  tecido  ósseo  e,  em  consequência,

diminui  o  nível  de  cálcio  no  plasma.  A  secreção  de  calcitonina  é  ativada  por  aumento  da

concentração de cálcio do plasma.



 Para saber mais

Ultraestrutura das células foliculares da tireoide

Ao  microscópio  eletrônico  de  transmissão,  as  células  epiteliais  dos  folículos  tireoidianos  são  vistas  apoiadas  sobre

uma lâmina basal e exibem todas as características de células que simultaneamente sintetizam, secretam, absorvem e

digerem  proteínas.  A  porção  basal  das  células  é  rica  em  retículo  endoplasmático  granuloso  e  contém  quantidade

moderada de mitocôndrias. O núcleo é geralmente esférico e situado no centro da célula. Na porção supranuclear há um

complexo  de  Golgi  e  grânulos  de  secreção  cujo  conteúdo  é  similar  ao  coloide  folicular.  Nesta  região  há  também

lisossomos e vacúolos de conteúdo claro. A membrana da região apical das células contém um número moderado de

microvilos.



Figura 20.26

 Elétron-micrografia de tireoide mostrando células parafoliculares produtoras de calcitonina e parte de um folículo. Há dois capilares sanguíneos

nesta figura. Pequeno aumento.)

 Para saber mais

Ultraestrutura das células parafoliculares da tireoide

Ao  microscópio  eletrônico  de  transmissão,  as  células  parafoliculares  mostram  uma  pequena  quantidade  de  retículo

endoplasmático  granuloso,  mitocôndrias  alongadas  e  um  grande  complexo  de  Golgi.  A  característica  mais  notável

dessas células são os numerosos grânulos que medem de 100 a 180 nm de diâmetro (Figura 20.27 ).



 Síntese e armazenamento de hormônios nas células foliculares

 Síntese e armazenamento de hormônios nas células foliculares

A  tireoide  é  a  única  glândula  endócrina  que  acumula  o  seu  produto  de  secreção  em  grande

quantidade. O armazenamento é feito no coloide, e calcula-se que na espécie humana haja quantidade

suficiente de hormônio dentro dos folículos para suprir o organismo por cerca de 3 meses.

O coloide tireoidiano é constituído principalmente por uma glicoproteína de alto peso molecular

(660 kDa), denominada 



tireoglobulina

, a qual contém os hormônios da tireoide T3 e T4. A coloração

do coloide folicular varia muito, podendo ser acidófila ou basófila e é PAS-positiva devido ao seu

alto conteúdo de hidratos de carbono.

A  síntese  e  o  acúmulo  de  hormônios  tireoidianos  (Figura  20.28  )  ocorrem  em  quatro  etapas

(síntese de tireoglobulina, captação de iodeto do sangue, ativação de iodeto e iodação dos resíduos

de tirosina de tireoglobulina):

  A 


síntese  de  tireoglobulina

  é  semelhante  ao  que  ocorre  em  outras  células  exportadoras  de

proteínas,  descritas  no  Capítulo  4.  A  síntese  de  proteína  ocorre  no  retículo  endoplasmático

granuloso, carboidrato é adicionado à proteína no interior das cisternas do retículo e no complexo

de Golgi e o produto final, a tireoglobulina, deixa o complexo de Golgi no interior de vesículas que

se dirigem para a porção apical da célula e liberam a tireoglobulina para o lúmen do folículo

 A 

captação de iodeto circulante

 é realizada por uma proteína situada na membrana basolateral das

células  foliculares  que  transporta  dois  íons  simultaneamente  em  direções  opostas  (é  um

cotransportador  ou  symporter).  Essa  proteína  é  chamada  cotransportador  de  sódio/iodo  (NI



symporter ou NIS) e leva para o interior da célula um íon iodeto ao mesmo tempo que transporta

para fora um íon sódio. Esse mecanismo torna possível que a tireoide tenha uma concentração de

iodo de 20 a 50 vezes maior que a do plasma

 O 


iodeto intracelular é oxidado

 por H


2

O

2



, processo que depende de uma peroxidase da tireoide.

Em seguida, o iodo é transportado para a cavidade do folículo por um transportador de ânions. Este

transporte provavelmente é feito por uma molécula chamada pendrina

  No  interior  do  coloide,  próximo  à  membrana  plasmática  apical  da  célula,  ocorre  a 



iodação  das

moléculas de tirosina

 da tireoglobulina.

Deste  modo  são  produzidos  os  hormônios  T3  e  T4,  que  fazem  parte  de  grandes  moléculas  de

tireoglobulina.



Figura 20.27

 Elétron-micrografia de uma célula parafolicular da tireoide . Há pequenos grânulos de secreção (Gr) e poucas cisternas de retículo

endoplasmático granuloso (REG). G = complexo de Golgi. (Médio aumento.)


Figura 20.28

 Os processos de síntese e iodinação de tireoglobulina e sua absorção e digestão. Esses eventos podem acontecer simultaneamente na mesma

célula.

 Liberação de T3 e T4 e suas ações no organismo

As células foliculares da tireoide captam coloide por endocitose. O coloide é então digerido por

enzimas  lisossômicas  e  as  ligações  entre  as  porções  iodinadas  e  o  restante  da  molécula  de

tireoglobulina  são  quebradas  por  proteases.  Desta  maneira  T4,  T3,  di-iodotirosina  (DIT)  e

monoiodotirosina (MIT) são liberadas no citoplasma.

T4  e  T3  cruzam  livremente  a  membrana  basolateral  da  célula  e  se  difundem  até  os  capilares

sanguíneos.  T4  (tiroxina)  é  mais  abundante,  constituindo  cerca  de  90%  do  hormônio  circulante  da

tireoide, porém T3 é três a quatro vezes mais potente.

MIT  e  DIT  não  são  secretadas;  o  seu  iodo  é  removido  enzimaticamente  no  citoplasma  e  os

produtos desta reação enzimática – iodo e tirosina – são usados de novo pelas células foliculares.

Os  hormônios  tireoidianos  estimulam  a  síntese  proteica  e  o  consumo  de  oxigênio  no  organismo.

Agem  nas  mitocôndrias  aumentando  o  número  dessas  organelas  e  de  suas  cristas  e  também  a



oxidação  fosforilativa.  Além  disso,  aumentam  a  absorção  de  carboidratos  no  intestino  e  regulam  o

metabolismo de lipídios. Os hormônios tireoidianos também influenciam o crescimento do corpo e o

desenvolvimento do sistema nervoso durante a vida fetal.

 Controle da produção de hormônios tireoidianos

Os  principais  reguladores  da  estrutura  e  função  da  glândula  tireoide  são  o  teor  de  iodo  no

organismo e o hormônio tireotrópico (TSH ou tireotropina) secretado pela pars distalis da hipófise.

A membrana celular da porção basal das células foliculares é rica em receptores para TSH. De modo

geral,  o  TSH  estimula  a  captação  de  iodeto  circulante,  produção  e  liberação  de  hormônios  da

tireoide, enquanto o iodo plasmático tem ação inibitória. Os hormônios tireoidianos circulantes, por

sua  vez,  inibem  a  síntese  do  TSH,  estabelecendo-se  um  equilíbrio  que  mantém  o  organismo  com

quantidades  adequadas  de  tiroxina  e  tri-iodotironina  (Figura  20.8  ).  A  secreção  de  tireotropina

aumenta por exposição ao frio e diminui no calor e em resposta a estresse.

 Histologia aplicada

Algumas alterações no funcionamento da tireoide

Uma  dieta  carente  em  iodo  pode  causar  a  diminuição  da  síntese  de  hormônios  tireoidianos.  Em  consequência,  a

menor  taxa  de  T3  e  T4  circulantes  estimula  a  secreção  de  TSH,  que  por  sua  vez  causa  hipertrofia  da  tireoide.  Esse

aumento  de  volume  da  glândula,  chamado  de 

bócio  por  deficiência  de  iodo

  (bócio  endêmico),  ocorre  em  regiões  do

mundo em que o suprimento de iodo na alimentação e na água é baixo.

Hipotireoidismo.

  O  hipotireoidismo  no  adulto  pode  ser  o  resultado  de  várias  doenças  da  própria  glândula  tireoide  ou  pode  ser

secundário a deficiências da  hipófise ou do hipotálamo. Doenças autoimunes  da tireoide prejudicam a sua função,  com consequente

hipotireoidismo. Na tireoidite de Hashimoto é possível detectar anticorpos contra tecido tireoidiano no sangue do paciente. Como é o

caso de outras doenças autoimunes, a doença de Hashimoto é mais comum em mulheres.

A deficiência tireoidiana em recém-nascidos pode levar a um hipotireoidismo chamado 

cretinismo

, caracterizado por

inadequado desenvolvimento físico e retardamento mental. Suas principais causas são o baixo nível de iodo na dieta e

defeitos genéticos.



Hipertireoidismo.

  Hipertireoidismo  pode  ser  causado  por  diversas  doenças  tireoidianas,  uma  das  quais  é  a 

doença  de  Graves

  ou


bócio exoftálmico

, uma doença autoimune. Muito raramente é consequência de tumores da hipófise secretores de TSH.



 Paratireoides

São  quatro  pequenas  glândulas,  que  medem  3  ×  6  mm  e  têm  peso  total  de  cerca  de  0,4  g.

Localizam-se  mais  comumente  nos  polos  superiores  e  inferiores  da  face  dorsal  da  tireoide,

geralmente na cápsula que reveste os lobos desta glândula (Figura 20.23  ).  Mais  raramente,  podem



situar-se no interior da tireoide ou no mediastino, próximo ao timo. Esta última localização se deve

ao fato de as paratireoides e o timo se originarem de esboços embrionários muito próximos entre si.

Cada  paratireoide  é  envolvida  por  uma  cápsula  de  tecido  conjuntivo.  Dessa  cápsula  partem

trabéculas para o interior da glândula, que são contínuas com as fibras reticulares que sustentam os

grupos de células secretoras.

 Células da paratireoide

O  parênquima  da  paratireoide  é  formado  por  células  epiteliais  dispostas  em  cordões  separados

por  capilares  sanguíneos  (Figuras  20.29  e  20.30  ).  Há  dois  tipos  de  células  na  paratireoide:  as

principais

 e as 


oxífilas

.

As 



células  principais

  predominam  amplamente  sobre  as  outras,  têm  forma  poligonal,  núcleo

vesicular  e  citoplasma  fracamente  acidófilo;  essas  células  são  secretoras  do  hormônio  das

paratireoides, o 



paratormônio

.

Na  espécie  humana  as 



células  oxífilas

  aparecem  por  volta  dos  7  anos  de  idade  e  a  partir  daí

aumentam  progressivamente  de  número.  São  poligonais,  maiores  e  mais  claras  que  as  células

principais. A função dessas células é desconhecida.



 Ações do paratormônio e sua interação com a calcitonina

O hormônio da paratireoide ou 



paratormônio

 é uma proteína com massa molecular de 8.500 Da.

O  paratormônio  se  liga  a  receptores  em  osteoblastos  .  Essa  ligação  é  um  sinal  para  essas  células

produzirem um fator estimulante de osteoclastos que aumenta o número e a atividade dessas células,

promovendo assim a reabsorção de matriz óssea calcificada e a liberação de Ca

2+

 no sangue.



O  aumento  da  concentração  de  Ca

2+

  no  sangue,  por  sua  vez,  inibe  a  produção  de  hormônio  da



paratireoide por meio de receptores para cálcio encontrados na superfície das células principais da

paratireoide.



Figura 20.29

 A paratireoide ocupa a maior parte da figura. Ao lado da glândula há alguns folículos da tireoidianos. (Fotomicrografia. HE. Pequeno aumento.)

Por outro lado, a calcitonina produzida pelas células parafoliculares da glândula tireoide inibe os

osteoclastos, diminuindo a reabsorção de osso e a concentração deste íon no plasma. A calcitonina

tem,  portanto,  ação  oposta  à  do  paratormônio.  A  ação  conjunta  de  ambos  os  hormônios  é  um

mecanismo importante para regular de maneira precisa o nível de Ca

2+

 no sangue, um fator importante



para o funcionamento de muitos processos que ocorrem nas células e tecidos.

Além  de  aumentar  a  concentração  de  Ca

2+

  plasmático,  o  hormônio  da  paratireoide  reduz  a



concentração de fosfato no sangue. Esse efeito resulta da atividade do paratormônio em células dos

túbulos  renais,  diminuindo  a  reabsorção  de  fosfato  e  aumentando  sua  excreção  na  urina.  O

paratormônio aumenta indiretamente a absorção de Ca

2+

 no trato digestivo, estimulando a síntese de



vitamina D, que é necessária para essa absorção.

Figura 20.30

 Em aumento maior se observam as células principais da paratireoide, organizadas em cordões, alguns dos quais destacados por traços.

(Fotomicrografia. HE. Médio aumento.)

 Histologia aplicada

No 


hiperparatireoidismo

  diminui  a  concentração  de  fosfato  no  sangue  e  aumenta  a  de  Ca

2+

.  Essa  condição



frequentemente produz depósitos patológicos de cálcio em vários órgãos, como rins e artérias. A doença óssea causada

pelo  hiperparatireoidismo,  caracterizada  por  número  aumentado  de  osteoclastos  e  múltiplas  cavidades  ósseas,  é

conhecida  como 

osteíte  fibrosa  cística

.  Ossos  de  portadores  dessa  doença  são  mais  frágeis  e  mais  propensos  a

sofrerem fraturas.

No 

hipoparatireoidismo



 estão aumentadas as concentrações de fosfato no sangue e diminuídas as de Ca

2+

. Os ossos



tornam-se mais densos e mais mineralizados.

A menor concentração de Ca

2+

 no sangue pode causar 



tetania

, caracterizada por hiper-reflexia (aumento de resposta

de reflexos neurológicos) e contrações espasmódicas localizadas ou generalizadas dos músculos esqueléticos.


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