Fisiologia Oral Série Fundamentos de Odontologia



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Tumores dos ossos

As células do osso podem escapar aos mecanismos normais que controlam sua proliferação e dar origem a tumores

de  maior  ou  menor  malignidade.  Como  os  ossos  contêm  tecidos  ósseo  e  cartilaginoso,  tumores  de  células

cartilaginosas  também  podem  aparecer  nos  ossos.  Os  benignos  são  chamados 

condromas

,  e  os  malignos,

condrossarcomas

. Os tumores formados de células ósseas são os 

osteomas

 (osteoblastomas e osteoclastomas) e os

osteossarcomas

.  Os  primeiros  são  benignos,  mas  os  osteossarcomas  são  malignos.  Os  osteossarcomas  se



caracterizam pela existência de osteoblastos pleomórficos (morfologia irregular e variada) e que se dividem por mitose

com  muita frequência,  associados a  osteoide  por eles  sintetizado.  A maioria  dos casos  de  osteossarcoma ocorre  em

adolescentes  ou adultos  jovens. Os  locais  mais frequentemente  acometidos  são a  extremidade inferior  do  fêmur e  as

extremidades superiores da tíbia e do úmero.



 Articulações

Os ossos unem-se uns aos outros para constituir o esqueleto por meio de estruturas formadas por

tecidos  conjuntivos,  as  articulações.  Elas  podem  ser  classificadas  em 

diartroses

,  que  possibilitam

grandes  movimentos  dos  ossos,  e 

sinartroses

,  nas  quais  não  ocorrem  movimentos  ou,  quando

ocorrem, são muito limitados. Conforme o tecido que une as peças ósseas, distinguem-se três tipos de

sinartroses : as 



sinostoses

, as 


sincondroses

 e as 


sindesmoses

.

Nas sinostoses  ,  que  são  totalmente  desprovidas  de  movimentos,  os  ossos  são  unidos  por  tecido



ósseo.  Encontram-se  unindo  os  ossos  chatos  do  crânio  em  idosos.  Em  crianças  e  adultos  jovens,  a

união desses ossos é realizada por tecido conjuntivo denso.

As sincondroses são articulações nas quais existem movimentos limitados, sendo as peças ósseas

unidas por cartilagem hialina. Encontram-se, por exemplo, na articulação da primeira costela com o

esterno.

As sindesmoses são, como as sincondroses, dotadas de algum movimento, e nelas o tecido que une

os ossos é o conjuntivo denso. São exemplos: sínfise pubiana e articulação tibiofibular inferior.

As diartroses  são  as  articulações  dotadas  de  grande  mobilidade;  geralmente  são  as  que  unem  os

ossos  longos  (Figuras  8.21  e  8.22  ).  Nas  diartroses  existe  uma  cápsula  que  liga  as  extremidades

ósseas, delimitando uma cavidade fechada, a 



cavidade articular

. Esta cavidade contém um líquido

incolor, transparente e viscoso, o 

líquido sinovial

, que é um dialisado do plasma sanguíneo contendo

elevado teor de ácido hialurônico, sintetizado pelas células da camada sinovial. O deslizamento das

superfícies articulares que são revestidas por cartilagem hialina (Figura  8.21  ),  sem  pericôndrio,  é

facilitado pelo efeito lubrificante do ácido hialurônico. O líquido sinovial é uma via transportadora

de  substâncias  entre  a  cartilagem  articular  (avascular)  e  o  sangue  dos  capilares  da  membrana

sinovial.  Nutrientes  e  O

2

passam  do  sangue  para  a  cartilagem  articular  e  CO



2

difunde-se  em  sentido

contrário.

A resiliência da cartilagem é um eficiente amortecedor das pressões mecânicas intermitentes que

são  exercidas  sobre  a  cartilagem  articular.  Mecanismo  similar  ocorre  nos  discos  intervertebrais

(Figura 8.23 ). Moléculas de proteoglicanos isoladas ou que formam agregados constituem um feltro

contendo  grande  número  de  moléculas  de  água.  Esses  componentes  da  matriz,  ricos  em

glicosaminoglicanos  muito  ramificados  e  hidratados,  funcionam  como  uma  mola  biomecânica.  A

aplicação de pressão força a saída de água da cartilagem para o líquido sinovial. A expulsão da água


condiciona o aparecimento de outro mecanismo que contribui para a resiliência da cartilagem. Esse

mecanismo  é  a  repulsão  eletrostática  recíproca  entre  os  grupamentos  carboxila  e  sulfato  dos

glicosaminoglicanos,  ambos  com  carga  elétrica  negativa.  Essas  cargas  negativas  também  são

responsáveis pela separação das ramificações dos glicosaminoglicanos, criando espaços que serão

ocupados pelas moléculas de água. Quando desaparecem as pressões, a água é atraída de volta para

os interstícios entre as ramificações dos glicosaminoglicanos. O movimento de água, com nutrientes e

gases dissolvidos, é desencadeado pelo uso da articulação. Esse movimento de líquido é essencial

para a nutrição da cartilagem e para as trocas de O

2

 e CO


2

 entre a cartilagem e o líquido sinovial.



Figura 8.21

 Desenho esquemático de uma diartrose. A cápsula é formada por duas partes: a camada fibrosa externa e a camada sinovial (membrana sinovial)

que reveste a cavidade articular, exceto as áreas de cartilagem.

As  cápsulas  das  diartroses  (Figura  8.21  )  têm  estruturas  diferentes,  conforme  a  articulação

considerada, sendo, em geral, constituídas por duas camadas, uma externa, a 

camada fibrosa

, e uma


interna, a 

camada

 ou 


membrana sinovial

 (Figura 8.24 ).

O revestimento da camada sinovial é constituído por dois tipos celulares. Um parece fibroblasto e

o  outro  tem  o  aspecto  e  a  atividade  funcional  semelhantes  ao  macrófago  (Figura  8.25  ).  A  camada

fibrosa da cápsula articular é formada por tecido conjuntivo denso.

 Histologia aplicada


Artrite  reumatoide

  é  uma  doença  crônica  autoimune,  caracterizada  por  um  processo  inflamatório  iniciado  na

membrana sinovial, resultando em deformidade e destruição das estruturas articulares (cartilagens e ossos subjacentes)

além  de  tendões  e  ligamentos  justapostos  à  articulação.  Em  geral,  acomete  pequenas  e  grandes  articulações  em

associação a  manifestações sistêmicas como  rigidez matinal, fadiga  e perda de  peso. Quando envolve  outros órgãos

(coração,  pulmões,  rins  etc.),  a  morbidade  é  maior.  Acomete  mais  as  mulheres  do  que  os  homens,  e  sua  incidência

aumenta  com  a  idade.  Com  a  progressão  da  doença,  os  pacientes  podem  desenvolver  incapacidade  de  executar

atividades  diárias  e  profissionais,  sendo  assim  o  diagnóstico  precoce  e  o  início  imediato  do  tratamento  fundamentais

para prevenir ou impedir lesão articular permanente e irreversível.

Figura 8.22

 Fotomicrografia de uma diartrose. Corte do joelho de uma cobaia. (Picrosirius-hematoxilina. Pequeno aumento.)



Figura 8.23

 Exemplo de um tipo especial de articulação. Corte da cauda de um rato, que mostra, no centro, um disco intervertebral que consiste em camadas

concêntricas de fibrocartilagem (anel fibroso) envolvendo o núcleo pulposo (ver Capítulo 7). O núcleo pulposo é formado por células residuais da notocorda do

embrião, imersas em matriz extracelular viscosa. (Picrosirius-hematoxilina. Pequeno aumento.)



Figura 8.24

 Esquema da estrutura histológica da membrana sinovial. O revestimento é constituído por células do tecido conjuntivo, cuja disposição lembra um

epitélio (arranjo epitelioide). Não existe lâmina basal entre o revestimento e o tecido conjuntivo subjacente. Este tecido é ricamente vascularizado e contém

adipócitos (Ad), que, em certas regiões, predominam sobre os outros tipos celulares. (Adaptada de Cossermelli W: Reumatologia Básica, S. Paulo, Sarvier, 1972.

Reproduzida com permissão.)


Figura 8.25

 Representação tridimensional da ultraestrutura da membrana sinovial. As células M (semelhantes a macrófagos) e F (semelhantes a fibroblastos)

são separadas por pequena quantidade de matriz extracelular do tecido conjuntivo, que, desse modo, fica em contato com o líquido sinovial. Não existe lâmina

basal entre o revestimento e o tecido conjuntivo. Os capilares sanguíneos do conjuntivo são fenestrados (célula endotelial com poros), o que facilita as trocas entre

o sangue e o líquido sinovial. (Adaptada de Barland, Novikoff and Hamerman. J Cell Biol 14:1962. Segundo Cossermelli W: Reumatologia Básica. S. Paulo, Sarvier, 1972.

Reproduzida com permissão.)



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Neurônios

Corpo celular

Dendritos

Axônios


Potenciais de membrana

Comunicação sináptica

Sequência das etapas durante a transmissão nas sinapses químicas

Células da glia e atividade neuronal

Sistema nervoso central

Meninges


Plexos coroides e líquido cefalorraquidiano

Sistema nervoso periférico

Fibras nervosas

Nervos


Gânglios

Sistema nervoso autônomo

Bibliografia

Durante  a  evolução  dos  metazoários  surgiram  dois  sistemas  de  integração  para  coordenar  as

funções  dos  vários  órgãos  especializados  que  apareceram  nesses  animais:  o  sistema 

nervoso

  e  o


endócrino

.

O  tecido  nervoso  é  distribuído  pelo  organismo,  interligando-se  e  formando  uma  rede  de



comunicações,  que  constitui  o  sistema  nervoso.  Anatomicamente,  este  sistema  é  dividido  em:  (1)

sistema  nervoso  central

  (


SNC

),  formado  pelo  encéfalo,  constituintes  neurais  do  sistema

fotorreceptor e medula espinal, e (2) 

sistema nervoso periférico

 (

SNP

), formado pelos nervos e por

pequenos  agregados  de  células  nervosas  denominados 



gânglios  nervosos

  (Figura  9.1  ).  Os  nervos

são  constituídos  principalmente  por  prolongamentos  dos 

neurônios

  (células  nervosas)  situados  no

SNC ou nos gânglios nervosos.

O  tecido  nervoso  apresenta  dois  componentes  principais:  (1)  os 



neurônios

,  células  geralmente

com  longos  prolongamentos,  e  (2)  vários  tipos  de  células  da 

glia

  ou 


neuróglia

,  que  sustentam  os

neurônios e participam de outras funções importantes.

No  SNC  há  uma  segregação  entre  os  corpos  celulares  dos  neurônios  e  os  seus  prolongamentos.

Isso  faz  com  que  sejam  reconhecidas  no  encéfalo  e  na  medula  espinal  duas  porções  distintas,


denominadas 

substância branca

 e 


substância cinzenta

.



substância  cinzenta

  é  assim  chamada  porque  mostra  essa  coloração  quando  observada

macroscopicamente. É formada principalmente por corpos celulares dos neurônios e células da glia,

contendo também prolongamentos de neurônios.

A  substância  branca  não  contém  corpos  celulares  de  neurônios,  sendo  constituída  por

prolongamentos de neurônios e por células da glia. Seu nome origina-se da grande quantidade de um

material  esbranquiçado  denominado 

mielina

,  que  envolve  determinados  prolongamentos  dos

neurônios (axônios).

Os  neurônios  têm  a  propriedade  de  responder  a  alterações  do  meio  em  que  se  encontram

(

estímulos

)  com  modificações  da  diferença  de  potencial  elétrico  que  existe  entre  as  superfícies

externa e interna da membrana celular. As células que exibem essa propriedade (neurônios, células

musculares  e  de  algumas  glândulas)  são  ditas  “



excitáveis

”.  Os  neurônios  reagem  prontamente  aos

estímulos,  e  a  modificação  do  potencial  pode  restringir-se  ao  local  do  estímulo  ou  propagar-se  ao

restante  da  célula,  através  da  membrana.  Essa  propagação  constitui  o  que  se  denomina 



impulso

nervoso

, cuja função é transmitir informações a outros neurônios, músculos ou glândulas.

Os neurônios, por meio de seus prolongamentos geralmente longos e numerosos, formam 

circuitos

.

Da mesma maneira que os circuitos eletrônicos, os 



circuitos neuronais

 são de diversos tamanhos e

complexidades.  O  circuito  neural  pode  ser  simples,  porém,  na  maioria  das  vezes,  trata-se  da

combinação  de  dois  ou  mais  circuitos  que  interagem  para  executar  uma  função.  Muitos  circuitos

elementares se comunicam em grau crescente de complexidade para desempenhar funções cada vez

mais complexas.

As  funções  fundamentais  do  sistema  nervoso  são:  (1)  detectar,  transmitir,  analisar  e  utilizar  as

informações  geradas  pelos  estímulos  sensoriais  representados  por  calor,  luz,  energia  mecânica  e

modificações  químicas  do  ambiente  externo  e  interno;  (2)  organizar  e  coordenar,  direta  ou

indiretamente,  o  funcionamento  de  quase  todas  as  funções  do  organismo,  entre  as  quais  as  funções

motoras,  viscerais,  endócrinas  e  psíquicas.  Assim,  o  sistema  nervoso  estabiliza  as  condições

intrínsecas  do  organismo,  como  pressão  sanguínea,  tensão  de  O

2

  e  de  CO



2

,  teor  de  glicose,  de

hormônios e pH do sangue, e participa dos padrões de comportamento, como os relacionados com a

alimentação, reprodução, defesa e interação com outros seres vivos.



Figura 9.1

 Desenho esquemático e simplificado que mostra a organização funcional do sistema nervoso.



 Neurônios

As 


células nervosas

 ou 


neurônios

 são responsáveis pela recepção, transmissão e processamento

de  estímulos.  Além  disso,  influenciam  diversas  atividades  do  organismo  e  liberam

neurotransmissores  e  outras  moléculas  informacionais.  Os  neurônios  são  formados  pelo 



corpo

celular

  ou 


pericário

,  que  contém  o  núcleo  e  do  qual  partem  prolongamentos.  Em  geral,  o  volume

total dos prolongamentos de um neurônio é maior do que o volume do corpo celular.

Os  neurônios  apresentam  morfologia  complexa,  porém  quase  todos  apresentam  três  componentes

(Figura 9.2 ):

 

Dendritos

, prolongamentos numerosos, especializados na função de receber os estímulos do meio

ambiente, de células epiteliais sensoriais ou de outros neurônios

 

Corpo celular

 ou 


pericário

, que é o centro trófico da célula e também capaz de receber estímulos

 

Axônio

, prolongamento único, especializado na condução de impulsos que transmitem informações

do neurônio para outras células (nervosas, musculares, glandulares).


Figura 9.2

 Neurônio motor. A mielina que envolve o axônio no sistema nervoso central é produzida pelos oligodendrócitos e no sistema nervoso periférico pelas

células de Schwann. O corpo celular do neurônio contém um núcleo grande, claro, com um nucléolo bem visível. O pericário contém corpúsculos de Nissl

encontrados também nos dendritos mais grossos. A parte superior direita mostra um axônio de outro neurônio, com três botões terminais, um dos quais faz

sinapse com o neurônio do desenho. O axônio desse neurônio termina em três placas motoras que transmitem o impulso nervoso para as fibras musculares

estriadas esqueléticas. As setas indicam a direção do impulso nervoso.

As dimensões e a forma das células nervosas e seus prolongamentos são muito variáveis (Figura

9.3 ). O  corpo celular pode ser esférico, piriforme ou anguloso.  Em geral, as células  nervosas são

grandes, podendo o corpo celular medir até 150 μm. Uma célula com esta dimensão, quando isolada,

é visível a olho nu. Todavia, os neurônios denominados células granulosas do cerebelo estão entre as

menores células dos mamíferos, tendo seu corpo celular 4 a 5 mm de diâmetro.

De acordo com sua morfologia, os neurônios podem ser classificados nos seguintes tipos (Figuras

9.3 e 9.4 ):

 

Neurônios multipolares

, que apresentam mais de dois prolongamentos celulares

 

Neurônios bipolares

, que têm um dendrito e um axônio

 

Neurônios  pseudounipolares

,  que  apresentam,  próximo  ao  corpo  celular,  prolongamento  único,

mas  este  logo  se  divide  em  dois,  dirigindo-se  um  ramo  para  a  periferia  e  outro  para  o  sistema

nervoso central.


Os neurônios pseudounipolares aparecem na vida embrionária sob a forma de neurônios bipolares,

com  um  axônio  e  um  dendrito  originando-se  de  extremidades  opostas  do  pericário.  Durante  o

desenvolvimento,  os  dois  prolongamentos  se  aproximam  e  se  fundem  por  um  pequeno  percurso,

próximo ao pericário.

Os  dois  prolongamentos  das  células  pseudounipolares,  por  suas  características  morfológicas  e

eletrofisiológicas, são axônios, mas as arborizações terminais do ramo periférico recebem estímulos

e  funcionam  como  dendritos.  Neste  tipo  de  neurônio,  o  estímulo  captado  pelos  dendritos  transita

diretamente para o terminal axônico, sem passar pelo corpo celular.

A  grande  maioria  dos  neurônios  é  multipolar.  Neurônios  bipolares  são  encontrados  nos  gânglios

coclear  e  vestibular,  na  retina  e  na  mucosa  olfatória.  Neurônios  pseudounipolares  são  encontrados

nos gânglios espinais, que são gânglios sensoriais situados nas raízes dorsais dos nervos espinais, e

também nos gânglios cranianos.

Os neurônios podem ainda ser classificados segundo sua função. Os 

neurônios motores

 controlam

órgãos  efetores,  tais  como  glândulas  exócrinas  e  endócrinas  e  fibras  musculares.  Os 

neurônios

sensoriais

  recebem  estímulos  sensoriais  do  meio  ambiente  e  do  próprio  organismo.  Os



interneurônios

 estabelecem conexões entre outros neurônios, formando circuitos complexos.

Durante  a  evolução  dos  mamíferos  ocorreu  grande  aumento  no  número  e  na  complexidade  dos

interneurônios.  As  funções  mais  complexas  e  de  mais  alto  nível  do  sistema  nervoso  dependem  das

interações dos prolongamentos de muitos neurônios.

No  SNC  os  corpos  celulares  dos  neurônios  localizam-se  somente  na  substância  cinzenta.  A

substância branca não apresenta pericários, mas apenas prolongamentos deles. No SNP os pericários

são encontrados em gânglios e em alguns órgãos sensoriais, como a mucosa olfatória.



Figura 9.3

 Esquemas de alguns tipos de neurônios. A morfologia dessas células é muito complexa. Todos os neurônios mostrados, exceto os dois neurônios

bipolares e o pseudounipolar, que não são muito numerosos no tecido nervoso, são neurônios do tipo multipolar.


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