Final do século XIX e século XX



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Introdução


Após ter-me sido solicitado pelo meu formador no âmbito do módulo Fundamentos, Língua e Cultura. A minha escolha para a realização deste trabalho recaiu sobre o tema Moda.

Desde bastante jovem me interessei por moda, tendo também o meu percurso profissional tudo a ver com este tema, uma vez que fui vendedora de artefactos de couro e vestuário, durante bastantes anos. Posso dizer que a nível pessoal a roupa é o meu elemento.

Esta abordagem recaiu sobre a evolução da moda internacional no século XX, relacionando-a com o panorama nacional. É impossível dissociar a moda e o design nacionais, do panorama internacional, visto que Portugal segue a tendência de países mais expressivos nesta área como é o caso de França, Inglaterra, Itália, EUA e até mesmo o Japão.

Por isso farei sempre referência às tendências e movimentos que ditaram a moda ao longo dos tempos e a sua relação com a evolução a nível nacional nesta matéria.



Breve História da Moda


A Moda começa no momento em que o gosto pelo enfeite e pelo adorno, a vontade de

experimentar o novo, se tornam mais fortes do que as considerações funcionais. A história da moda está inserida no próprio desenvolvimento da humanidade e, consequentemente, na evolução e mudanças de costumes.



Conceitos de Moda


Ao conceituarmos moda, dizemos que a moda é mais do que simplesmente vestuário. Para se proteger do calor, do frio, da chuva, da neve e do sol, o Homem, animal que nasceu nu necessitava de roupa. No entanto, se se tratasse somente da protecção contra as forças da natureza, bastar-nos-ia apenas possuir algumas peças de vestuário, que poderiam ter uma longa duração. Porém, a roupa serviu também para adornar e para distinguir quem as usava das demais. A roupa sempre foi um diferenciador social, uma espécie de retrato de uma comunidade ou classe. A maneira de vestir pode expressar a personalidade do utilizador; pode-se vestir para influenciar, impressionar ou seduzir alguém. A moda é um reflexo móvel de como somos e dos tempos em que vivemos, podendo revelar nossas prioridades, aspirações, liberalismo ou conservadorismo, ou ainda, satisfazem necessidades emocionais simples ou complexas ou seja, a moda fala, revela características, identidades e a posição social de quem as usa. A maneira como nos vestimos dá forma aos nossos sentimentos e emprestam elegância e cor ao nosso ambiente.

Podemos dizer então, que Moda é: Comportamento, comunicação, um fenómeno

sócio/cultural, a inteligência comunicativa e a expressão da vontade de um grupo,

diferenciadora e socializadora, a ruptura do uso, transformar a vontade das pessoas num

produto na hora certa.

Ao contrário do traje típico ou do simples vestuário, a moda significa uma constante

mudança, possibilitando ao utilizador ser único e inconfundível e, simultaneamente,

demonstrar a pertença a um grupo, seja ele qual for. A existência da moda e as evoluções por que tem passado podem de certa maneira serem explicadas pelos factores sociais, políticos e económicos.

A moda segue as suas próprias leis formais, igualando-se à arte no papel que ela desempenha pelo gosto ao belo, pelas cores, pelas linhas e pelas formas. A interpretação do mundo vivido pelos homens de uma maneira muito própria, é a semelhança que a moda tem, desde sempre com a pintura e a literatura. O significado da moda não se resume somente a ser algo de consumível, é mais do que um mero produto entre muitos outros, pois a moda movimenta-se na linha que separa o Consumo da Arte. Muitos estilistas vêem-se como artistas ou muitas vezes cooperam com os profissionais das artes. Neste contexto, enquadramos as encenações de moda contemporâneas, nomeadamente os desfiles e a fotografia de moda, que na maior parte das vezes muito pouco têm a ver com uma moda que seja “vestível”, assemelhando-se mais a espectáculos teatrais, nos quais, em última instância são apresentadas obras de arte sob

forma de peças de vestuário impossíveis de serem usadas no dia a dia. As criações de moda e suas encenações perecem ter-se tornado elas próprias uma forma de arte, cujo objectivo é criar constantemente ideias renovadas do corpo humano.

As relações a respeito do corpo e a da ergonomia devem ser aprofundadas quando

desenvolvemos produtos de moda. Afinal, será o corpo coberto pelos artigos que criaremos.

Então, para além dos aspectos sociológicos e culturais devem ser entendidos os aspectos

fisiológicos e biológicos do utilizador.

Enquadramento social do século XIX

 

Na segunda metade do século XIX, regista-se uma nova organização social:



  • a nobreza perdeu privilégios, passou a pagar impostos, viu diminuídos os rendimentos, mas continuou a possuir muitas terras;

  • o clero, de igual modo, perdeu muitos privilégios, as ordens religiosas foram extintas e as suas terras passaram a pertencer ao governo;

  • a burguesia transformou-se no grupo social mais importante e viu a sua riqueza aumentada devido ao desenvolvimento do comércio e da indústria;

  • o povo passou a ter, teoricamente, na lei, os mesmos direitos e deveres que os outros grupos sociais, mas na prática, continuou a ser o grupo que vivia com mais dificuldades, que desempenhava as tarefas mais duras e difíceis, e manteve-se marginalizado pelos restantes estratos sociais.



A moda europeia no início do séc. XX


É nesta década que se dá o início de uma lenta e tímida alteração de trajes e costumes. São as mudanças desta época que vão fazer a ponte entre o estilo rígido e formal da sociedade eduardina (Eduardo VII de Inglaterra) e a liberdade dos vestidos pelo joelho dos loucos anos 20, que se lhe surgirão.

Os tempos modernos trouxeram o automóvel e novas danças, como o tango ou o ragtime, que implicam liberdade de movimentos (demasiada liberdade dizem os conservadores, de sobrolho carregado) e levam à necessidade de roupas mais descontraídas.

A década de 10 faz a ponte entre o estilo rígido e formal do início do século e o dos loucos anos 20.
No início da década, ainda em plena Belle Époque, a moda feminina era dominada pela formalidade e rigidez. Os vestidos da época são opulentos, muito elaborados e implicam o uso de muitos e diversos tecidos e em grande quantidade.

Usam-se os tules, os tafetás, a seda brocada, os tecidos bordados, passamanaria (luxuosos galões e fitas aplicados nos vestidos e tecidos com padrões feitos de fio de prata, de ouro ou seda), as saias com franzidos e drapeados, que requerem muito tecido, e os chapéus são grandes e muito enfeitados.



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