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IV - Objetivos gerais para uma igreja de visão no cumprimento de sua missão



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IV - Objetivos gerais para uma igreja de visão no cumprimento de sua missão

Para que a igreja tenha a motivação correta, após a revitalização, deve-se estabelecer os objetivos gerais que a impulsionarão e que indicarão o seu modo peculiar de ser igreja viva na adoração, na educação cristã, na comunhão, nos ministérios e na proclamação, fazendo o que todas as igrejas devem fazer, porém do jeito e da maneira mais apropriada para a realidade sociocultural na qual interage.


Tendo definido, como batistas, a Declaração de Missão e de Visão, pode-se então estabelecer os objetivos gerais que nortearão a eclesiologia, a expressão cúltica, as estratégias ministeriais e a identidade denominacional levados a efeito pela igreja revitalizada.
Vale ressaltar que a motivação da igreja deve ser a consciência objetiva quanto a missão e quanto a visão futura que se projeta do quanto se deseja alargar os horizontes do reino de Deus a partir do ministério prático da igreja. Em outras palavras, a motivação da igreja revitalizada deve derivar dos objetivos gerais definidos a partir da consciência de missão e da visão alargada em seus horizontes.

Podemos agora asseverar que os objetivos gerais de uma igreja revitalizada são os seguintes:

4.1 Instrução bíblica promotora de maturidade cristã e autoridade testemunhal - Deve-se desenvolver um programa de educação cristã com embasamento bíblico sólido, ensinando aos membros da igreja as verdades de Deus em sua Palavra, capacitando-os a vivenciar o quotidiano conforme o propósito de Deus, Josué 1.8; João 5.39-47 e Tiago 1.21-24.

Somente instrução bíblica com esta perspectiva pode oferecer à igreja referências claras de ensino bíblico profundo que se conciliem com uma unção incontestável na vida comunitária do cristão.

4.2 Consciência ético-cristã para o exercício do sacerdócio universal e do ministério eclesiástico - Deve-se levar os membros da igreja ao entendimento de que todos somos sacerdotes para Deus, o que nos exige um padrão ético e moral elevados, pois representamos o povo diante de Deus, e uma dedicação extremada ao serviço cristão na igreja, 2 Coríntios 5.14 e 15, Gálatas 2.20, Tito 2.11-14 e 1 Pedro 2. 9-10.


À medida que os cristãos trabalharem nas igrejas conscientes dos compromissos do sacerdócio e sabedores dos seus Dons espirituais para o ministério, não trabalharão mais por suas próprias forças, mas o Espírito Santo trabalhará neles e através deles.

4.3 Evangelismo responsável e baseado no testemunho pessoal - Praticar o evangelismo responsável é, certamente, não depender de campanhas ou de programas especiais, mas motivar a cada cristão a uma ação pró-ativa na evangelização, seja em casa, no trabalho ou na rua, para que quando o visitante chegar a igreja já tenha no seu coração o interesse pelo evangelho, despertado pela amizade e pela convivência com o cristão, Mateus 3.8-9 e 28.19-20, Lucas 24.45-48, Atos 1.8, 2 Timóteo 4.1-2 e 1 Pedro 3.14-16.


A vivência prática da fé, com dedicação, com amor extremado pelos pecadores e com entusiasmo contagiante, é fator determinante na evangelização. Uma igreja, por mais ortodoxa que seja e por melhor que seja a sua doutrina, mesmo que tenha um conhecimento bíblico apurado, dificilmente experimentará crescimento real se não aprender a vivenciar e a transmitir a outros a sua fé de forma pessoal e contagiante.

4.4 Adoração cristocêntrica que propicie verdadeiro louvor em culto vivo - Isto é o que nos permite libertação da preocupação escravista com a liturgia ou com os estilos, motivando-nos à participação efetiva e vívida na adoração, a partir da convicção de que Deus se faz presente em nossas celebrações. É a igreja se tornar sensível à ação do Espírito Santo que a guiará na exaltação a Cristo e na ministração de um culto vivo, santo e agradável a Deus, Salmo 92.1-4; Isaías 38.17-20; Sofonias 3.17; Romanos 12.1; Apocalipse 5.11-12.


A verdadeira adoração nos conclama a declararmos a superioridade absoluta de Deus, bem como a pequenez do adorador. Adoração é um mistério. É um exercício do espírito humano no encontro pessoal com Deus, no qual cantamos, glorificamos e magnificamos ao Senhor por sua santidade e por sua ação salvífica em nosso favor. Adorar é abrir o coração ao amor de Deus e render a nossa vontade aos propósitos dele.

4.5 Comunhão dinâmica vivenciada em amor, sinceridade e alegria produtiva - Isto é a decretação do fim do preconceito e da segregação na igreja. É a compreensão efetiva de que todos somos um. É a prática da empatia e da mutualidade na consolação, na intercessão confidente e na ministração da bênção àquele que foi vitimado pelas amputações existenciais ou pelas confrontações espirituais, Atos 2.44-47 e 4.32-35; Romanos 12.9-18, 13.8 e 15.1-7; 2 Coríntios 1.3-5; Colossenses 3.12-17; Hebreus 10.19-25 e 1 João 4.18-21.

A igreja que vivencia este tipo de comunhão valoriza as pessoas e torna seu ministério muito mais efetivo, visto que são satisfeitas as necessidades do ser integral. A prática do verdadeiro amor dá à igreja um brilho divino e uma alegria que se intensificam nos relacionamentos interpessoais de seus membros.
4.6 Fidelidade voluntária e incondicional na consagração de vidas e no sustento financeiro da obra - Isto é o entendimento pessoal de cada membro no fato de que é Deus quem nos sustenta e de que a contribuição financeira é apenas um reflexo da dedicação amorável de nossas vidas ao Senhor. É saber que conversão e senhorio estão amalgamados e que a insistência em não dizimar e ofertar é confissão objetiva de incredulidade, 1 Crônicas 29.10-17; Ageu 2.8-9; Malaquias 3.7-12; Atos 2.45 e 4.34-35 e 2 Coríntios 9.6-14.

Não se pode permitir a crença em uma dispensação automática ou mecânica de bênçãos para os contribuintes. Não se pode comprar o Dom de Deus, Atos 8.20. A oferta deve ser feita com fé e pela fé, como devoção amorosa ao Senhor e à sua obra, bem como ao seu povo. Esta é a oferta que propicia bênçãos incontáveis para o cristão. Em vez de encararmos a contribuição como uma obrigação desagradável e penosa, devemos compreender que a dedicação de vidas expressa na fidelidade nos dízimos e ofertas é um fértil meio de graça na igreja, pois por intermédio dela o Espírito Santo ministra graça e prosperidade à igreja.

4.7 Crescimento integrado da igreja a partir do equilíbrio entre quantidade e qualidade - Isto é o mesmo que dizer que não se deve estar preocupado com o número de membros no rol, com o patrimônio ou com a conta bancária. A preocupação certa é com a qualidade da vida espiritual dos membros da igreja. Se para ter dez mil membros, uma catedral, um edifício anexo moderno e funcional, um palacete pastoral, uma frota de veículos e uma equipe ministerial bem remunerada tivermos que prescindir da ética cristã e do embasamento bíblico continuaremos pequenos e pobres, porém, fiéis ao Senhor Deus, Levítico 19.1-5; Salmo 15; Mateus 10.7-10; Atos 2.46-47 e 9.31; Tito 2.11-15; 1 Pedro 2.9e Apocalipse 2.19-21.

A maior contribuição que a igreja tem para oferecer ao mundo é o evangelho de Cristo e seu poder libertador, por isso, jamais haverá crescimento verdadeiro na igreja se nos aprisionarmos ao poderio concedido pelo número de membros no rol ou pelo saldo financeiro e patrimonial, não dando atenção às questões mais profundas que afetam a humanidade em decorrência do aviltante paradoxo entre o ser e o ter, e entre o saber e o fazer.

4.8 Identidade doutrinária e denominacional definidas a partir do Texto Sagrado e não pelo conservadorismo histórico ou tradicionalismo - Isto é o mesmo que dizer que a igreja deve querer ser batistas, mas que não aceita um doutrinismo antibíblico. Deve-se querer ser batista, mas principalmente deve querer a liberdade para praticar os ensinamentos da Palavra de Deus, sem receios da crítica mordaz da batistandade. A Declaração Doutrinária dos Batistas preceitua que a Bíblia é a nossa única regra de fé e prática, mas deve-se desejar também que a Palavra de Deus seja a única regra de conduta, mesmo que para isso se tenha que renunciar a história, que se reconhecer erros doutrinários historicamente defendidos ou que se quebrar alguns paradigmas denominacionais, Marcos 7.5-9, Atos 2.41-42, Colossenses 2.8-10 e 2 Tessalonicenses 2.15.

Sempre que o tradicionalismo denominacional se sobrepõe a doutrina bíblica ou que o tradicionalismo histórico se torna ineficiente diante dos propósitos de Deus, é necessário substituí-los ou desmascará-los a luz da Palavra de Deus, o que nos exige uma reflexão crítica sobre o denominacionalismo a luz da Bíblia Sagrada.

4.9 Constante autocrítica e permanente avaliação do contexto histórico, da expressão cúltica e da estrutura organizacional - Neste objetivo reside a probabilidade de vitória. Quando se estabelece a autocrítica e a constante hermenêutica da própria realidade, do que se faz e de como se fazem as coisas, a luz da Palavra de Deus, evita-se a petrificação das estruturas, o arcaísmo dos estratagemas, o embotamento das idéias e o esvanecer dos ideais. Evita-se a tradicionalização suicida da igreja, bem como a mortificação da consciência cristã no fazer igreja.

A constante autocrítica e a avaliação permanente exigirá uma continuada revitalização, outorgando cognição no pensar a igreja, bem como saúde e maturidade espirituais na prática efetiva do fazer igreja, Mateus 26.20-23; Romanos 12.3 e 1 Coríntios 11.28-32.

A prática constante da autocrítica e da interpretação investigativa dos comportamentos da igreja revitalizada permite o desmascarar as vacas sagradas, como denomina George Barna. Tudo o que somos e fazemos como igreja deve estar aberto à análise e à crítica. Não há pessoa, programa, estrutura ou idéia que esteja fora do alcance de uma avaliação justa e alinhada com o propósito de Deus para a igreja. A insistência de uma igreja em não se submeter à autocrítica e à hermenêutica imparcial, negando-se a um processo de avaliação justo e construtivo, é prova inconteste de sua vulnerabilidade à deterioração e à petrificação motivadas pela maldição da negligência preceituada em Jeremias 48.10.

Conforme ressaltamos anteriormente, identificamos nestes nove objetivos gerais os cinco propósitos eternos de Deus para a igreja, que são: louvor, evangelismo, discipulado, ministério e comunhão. Estes propósitos sintetizam o Grande Mandamento e a Grande Comissão de Jesus para a igreja, conforme Mateus 22.37-40 e Mateus 28.19 e 20, que foram praticados de forma efetiva e vitoriosa pela Igreja Primitiva, Atos 2.37-47. São estes os mesmos propósitos que devem ser perseguidos e praticados pela igreja que busca revitalização, independentemente da tradição denominacional, se pretendemos relevância testemunhal e autoridade espiritual no cumprimento da nossa missão.

Pode-se inovar no fazer igreja sem se alterar a essência do ser Igreja, se há comprometimento com o Grande Mandamento e com a Grande Comissão, o que fará da igreja revitalizada uma grande igreja.

Conclusão

Finalizando esta proposta de trabalho com vistas a revitalização da igreja, deixo como sugestão a realização de estudos amplos e de debates francos, porém respeitosos, para que se defina o seguinte:

a) O tipo de igreja que se pretende ser.
b) A expressão cúltica que será praticada.
c) O referencial de ética que a igreja perseguirá.
d) O tipo de mensagem que se proclamará.
e) O nível de compromisso exigido dos membros da igreja.
f) O padrão de relacionamento interpessoal e de comunhão que se desenvolverá.
g) O método de evangelização que será usado.
h) Qual a periodicidade da avaliação.

Sem tais definições, penso, é impossível levar adiante a revitalização da igreja que carece de resgatar sua identidade doutrinária e denominacional, voltando a sentir-se uma Igreja Viva que proclama a salvação e a libertação em Cristo em meio a esta geração corrompida e perversa, Atos 2.40.

Na verdade, o presente trabalho visa embasar a assertiva de é que possível promover a revitalização da igreja de maneira bíblica, seguindo os preceitos de Jesus e desenvolvendo uma perspectiva correta de renovação espiritual e eclesiológica, bem como um método prático para se introduzir as mudanças necessárias para a contextualização da igreja.

O relato bíblico nos incentiva a perceber a dialética inevitável e continuada entre a identidade eclesial e o chamamento para a missão, isto é, entre o ser e o fazer igreja. Por isso, nenhuma igreja que afirme compromisso de missão conforme os postulados bíblicos e o mandamento de Jesus pode esquecer que o cumprimento da missão acontece em meio a difícil dialética entre o conservar a identidade doutrinária e o renunciar a tradição histórica.

Uma igreja verdadeiramente viva e motivada pela missão não tem receios de ultrapassar barreiras, de quebrar paradigmas, de romper as fronteiras e de alargar seus horizontes. Não se pode ter medo de se praticar culto vivo, santo e agradável a Deus. Não se pode ter fobia de evangelismo responsável, de discipulado biblicamente instrutivo, de sacerdócio universal e de comunhão dinâmica em amor. Pois estas são as características distintivas da igreja de Jesus Cristo no Texto Sagrado.

Finalmente, desejo ressaltar que a igreja, como Corpo Vivo de Cristo, não é mera sociedade de pessoas humanas. Se considerarmos apenas a tradição histórica e os pressupostos denominacionais para sermos e fazermos igreja, jamais compreenderemos o que realmente significa ser o povo de Deus que em Cristo é chamado para as boas obras. As denominações são expressões sociológicas. A diferença básica entre o ser e o fazer igreja e uma denominação reside na comunhão com Cristo, que somente a igreja pode desenvolver. Não existe Eclesiologia, o fazer igreja, dissociada da Cristologia, do ser igreja.

Pense em tudo isso e ore pedindo a Deus discernimento espiritual e direcionamento para a decisão que você precisa tomar juntamente com a sua igreja para a revitalização. Abrace este projeto, se considera-lo procedente e biblicamente correto, leve a sua igreja entender o que é e a desejar a revitalização. Trabalhe para que você, juntamente com sua igreja, seja despertado por Deus para os nove objetivos aqui propostos. Não critique ou refute sem estudar e orar. Permita-se a Deus e ao Espírito Santo para que estes objetivos sejam realidades efetivas em sua vida, em sua igreja e em nossa denominação.
Sejamos Igreja, Corpo Vivo de Cristo. Amém.

UM PROJETO DE REVITALIZAÇÃO PARA A IGREJA LOCAL
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O presente trabalho é uma tentativa de se apresentar, de modo prático (assim esperamos), alguns princípios fundamentais de revitalização da igreja local, visando seu crescimento numérico. Como ficará evidente, a nossa intenção não é lidar com modelos de igrejas propriamente dito, porque acreditamos que cada caso é um caso, mas nos basearemos em princípios gerais e em nossa experiência pastoral.



1. A REVITALIZAÇÃO DA LIDERANÇA
Não são poucas as igrejas que conhecemos que nos obrigam a fazer uma inevitável pergunta: "Onde está a liderança?". Um líder não é capaz somente pela sua boa reputação dentro e fora da igreja, o que é deveras significativo. Mas também é preciso que ele capacite e equipe novos líderes, que por sua vez capacitem e formem outros líderes.

A pessoa do pastor é fundamental para a formação de uma liderança capaz e capacitadora. Existe boa literatura sobre administração eclesiástica que ajudarão o pastor neste empreendimento. Uma das funções do pastor é equipar os santos. Investir na formação de uma boa liderança é garantir o sucesso da igreja local. Para isso, a liderança deve ser constantemente revitalizada, receber novas orientações, a fim de contribuir na formação de novos líderes.

O pastor precisa delegar e distribuir tarefas. Um pastor centralizador compromete seu ministério e o futuro de sua própria igreja. Um pastor que pretende levar a carga sozinho não conseguirá ir muito longe. O que não falta nas igrejas são pessoas que querem trabalhar, mas não sabem como fazer. Pastor, ensine sua igreja a fazer. Confie no potencial de seu rebanho. Os resultados serão simplesmente surpreendentes!

Os líderes de igrejas que crescem concentram seus esforços em capacitar outras pessoas para ministérios específicos. Líderes capacitadores formam colaboradores, e não meros "ajudantes" ou "marionetes" com o intuito de alcançar seus próprios interesses. Pelo contrário, a pirâmide de autoridade é invertida: os líderes ajudam cada cristão de sua igreja a chegar à medida de plenitude intencionada por Deus para cada um. Eles capacitam, apóiam, motivam e acompanham a todos individualmente para se tornarem aquilo que Deus tem em mente; a saber, a varonilidade do Corpo de Cristo. "Líderes que se vêem como instrumentos para capacitar outros cristãos e levá-los à maturidade espiritual, descobrem como esse aspecto leva ‘por si mesmo’ ao crescimento" (C. A. Schwarz, O crescimento natural da igreja, p. 23). Em vez de fazer a maior parte do trabalho, esses líderes investem a maior parte do tempo na formação de novos líderes através do discipulado e do compartilhamento de tarefas. Assim, a energia investida por eles pode multiplicar-se quase infinitamente.

Sendo assim, como revitalizar uma igreja cuja liderança está cansada e os liderados insatisfeitos? Em nossa pouca experiência temos aprendido que o segredo do sucesso está no investimento. Invista-se na liderança e na formação de novos líderes e a igreja como um todo reagirá positivamente.

Quando fui pastor em uma das igrejas da Grande São Paulo, pude perceber um pouco da força do que acabamos de dizer. Pegamos uma junta diaconal debilitada e sem muito compromisso. Aos poucos (ir devagar é fundamental quando se chega em uma nova igreja) fomos renovando a junta diaconal, trocando os "irrecuperáveis" por novos. Investimos na nova liderança, viajamos com eles para um encontro de diáconos no Rio de Janeiro, recebemos orientações específicas de líderes de juntas diaconais que estavam dando certo e em pouco tempo a junta diaconal de nossa igreja se tornou uma das mais atuantes da Grande São Paulo. Os diáconos reconquistaram a credibilidade da igreja, e a mesma se colocou à disposição para ajudá-los no que fosse preciso. O que seria daquela igreja se todos os setores fossem revitalizados? Infelizmente não foi possível continuar ali para ver os resultados.

Minha proposta é: 1) Quando uma liderança está "viciada" é preciso ser trocada. Geralmente não vale a pena tentar recuperá-la. É perda de tempo. Tem que ser trocada. Aos poucos, mas precisa ser trocada. Revitalização nem sempre significa tentar recuperar o que não tem jeito. Mudança também é revitalização. Existe muita gente boa no ministério errado. 2) Tem muita gente nova na igreja que daria um bom líder. Meu ex-professor, Dr. Elias Dantas, disse acertadamente que "o maior fenômeno de revitalização na igreja é o crente novo". E ele sabia o que estava dizendo porque levava isso a sério nas igrejas que pastoreava.

Mas como preparar uma liderança capaz e capacitadora, verdadeiramente revitalizada, sem que haja frustrações no futuro?



1º) Os ministérios devem ser orientados pelos dons
Acredito que muitos dos problemas de uma igreja, quer sejam de ordem espiritual, quer sejam de ordem administrativa, seriam resolvidos com mais facilidade, ou até mesmo não existiriam, se todos os membros da igreja descobrissem e usassem seus dons ministeriais. Orlando Costas (Compromiso y misión, p. 62) acertou quando disse que "o crescimento da igreja depende de uma eficaz mobilização de seus membros". E esta "mobilização", a meu ver, só é possível quando os membros de uma igreja estão no lugar certo.

Schwarz faz uma declaração alarmante: "De uma pesquisa que fizemos com 1600 cristãos ativos em suas igrejas, no ambiente de fala alemã, na Europa, descobrimos que 80% deles não sabem os seus dons espirituais". Será que o resultado da pesquisa seria diferente se fosse feita com 1600 cristãos ativos nas igrejas do Brasil? Acredito que não e digo por quê. Ministrei sobre o tema na região sul do País durante quase um ano, e pude constatar que o resultado da pesquisa não foi diferente.

Além de outros fatores indispensáveis para o crescimento da igreja, como veremos adiante, é fundamental que os ministérios sejam orientados pelos dons. Novos líderes devem ser formados a partir de seus dons.

Existem bons livros que poderão ajudar na formação de ministérios orientados pelos dons. Em português há pelo menos dois que recomendo: Quem é você no Corpo de Cristo?/ Lida E. Knight. Campinas: Luz Para o Caminho, 1994 e O teste dos dons/Christian A. Schwarz. Curitiba: Editora Evangélica Esperança, 1997.



2º) Formar discípulos para serem discipuladores
O discipulado que gira em torno de si mesmo está fadado ao fracasso. A preparação de um discípulo que não tem como objetivo a formação de outros não é bíblica. Um discípulo deve ser preparado para discipular e formar novos discípulos, que por sua vez discipularão e formarão outros e assim sucessivamente. Isto sim é bíblico, pois foi a tônica do ministério terreno de Jesus. Para isso preparou seus discípulos.

A ênfase da Grande Comissão foi: "fazei discípulos".

Infelizmente, o que temos visto na prática, em termos de discipulado, é a preparação que visa o crescimento espiritual do discípulo e nada mais que isso. Toda ovelha deve ser preparada para produzir outras ovelhas. Os discipuladores não devem perder isso de vista se realmente desejam formar líderes capazes.

E quem, por assim dizer, daria o ponta pé inicial do discipulado? Como pastor, entendo que os próprios pastores deveriam iniciar o processo de discipulado, por uma simples razão: Uma das principais atribuições do pastor é instruir, orientar e superintender as atividades da igreja, a fim de tornar eficiente a vida espiritual do povo de Deus.



2. A REVITALIZAÇÃO DAS ESTRUTURAS ECLESIAIS

O que muito tem contribuído para o não crescimento, e até decréscimo na membresia de algumas igrejas, são aquelas estruturas enrijecidas pelo tradicionalismo e, portanto, não funcionais. Duas coisas, pelo menos, são necessárias para que as estruturas de uma igreja se tornem funcionais.



1º) A quebra de paradigmas
Paradigma é uma palavra de origem grega que significa "modelo" ou "padrão". Os paradigmas podem ser definidos como "verdades" que se fixaram na mente, indicando um jeito de ser, viver ou fazer as coisas. Para um estudo interessante deste tema sugiro a leitura do livro Quebrando Paradigmas/Ed René Kivitz. São Paulo: Abba Press, 1995.

Às vezes é preciso coragem para quebrar paradigmas que não funcionam mais e que, portanto, já não têm nenhum valor prático.

À primeira vista parece fácil mudar aquilo que se tornou obsoleto. Mas nem sempre é tão simples assim. Primeiro é preciso mudar a mentalidade dos acomodados e principalmente dos saudosistas, daqueles que confundem inovação com inovacionismo; a boa tradição com tradicionalismo.

O segredo do sucesso está num trabalho de conscientização sério e paciente. Por uma questão de prudência e respeito com aqueles que não pensam como nós, é preciso que os paradigmas sejam quebrados aos poucos. As idéias e conceitos devem ser amadurecidos no meio da comunidade, sem atropelos, mas progressivamente. Uma coisa aprendi em meu ministério pastoral: Se a igreja não "comprar" a nossa idéia, não será por meio de decreto conciliar que conseguiremos qualquer êxito. Um diálogo franco, aberto e amigável é a chave do sucesso.



2º) Testes de qualidade
As estruturas da igreja devem ser constantemente testadas por sua liderança, a fim de serem revitalizadas e, desse modo, servirem melhor o organismo. Tudo que não contribui para esse objetivo deve ser mudado ou eliminado.

Algumas coisas podem ser citadas como exemplos do que não devem passar pelo teste de qualidade de uma igreja local: liderança inibidora, horário e duração do culto inadequados, conceitos desmotivadores de administração das finanças, etc.

Por meio de um processo constante de avaliação e renovação, o surgimento de estruturas enrijecidas é evitado em grande parte.

3. A REVITALIZAÇÃO DO COMPROMISSO MISSIONÁRIO

Com o passar do tempo os membros de uma igreja local tendem a esquecer-se de seus compromissos missionários. Para se evitar isso é preciso lembrá-los constantemente da importância da igreja local para com a obra missionária no mundo. Neste caso específico, o livro Igreja local e missões, de Edison Queiroz, pode ser muito bem aproveitado.



1º) Um exemplo que deu certo
Aprendi com um colega de ministério a separar um domingo por mês para falar de forma mais específica sobre a importância da igreja local em missões. O Domingo Missionário, como era chamado, era dedicado às missões. Pregávamos sobre missões, a igreja orava por missões e contribuía financeiramente com a obra missionária. Mas isso não aconteceu de um dia para o outro. Foi preciso um trabalho de base, de muita conscientização e investimento que valeram a pena.

Entendíamos que separar um domingo por mês para missões era o mínimo que estávamos fazendo. O ideal seria todos os domingos. Mesmo assim foi gratificante. Segundo testemunho de irmãos antigos (que a principio foram relutantes), aquele foi um dos períodos mais abençoados na vida daquela igreja. E não poderia ser diferente. Quando uma igreja se envolve com missões, todas as demais áreas são abençoadas por Deus, inclusive a financeira. Prove!



2º) Uma questão de obediência e prioridade
A experiência nos ensinou que evangelizar não é uma opção de vida de uma igreja local, mas a própria vida de uma igreja local. O que está "matando" muito crente novo (que desperdício!) é a igreja não-funcional, que se limita a suas atividades internas, fechada em quatro paredes. A igreja local precisa resgatar sua visão missionária, excelência maior de seu chamado, como bem declarou o apóstolo Pedro: "Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz" (I Pe 2.9).

Vejamos alguns exemplos de como a igreja poderá revitalizar sua visão missionária.



3º) Revitalizando a missão integral da igreja local
Como revitalizar uma igreja que começou com tanta empolgação para fazer missões e de repente esfriou? Em primeiro lugar, é preciso reconscientizar a igreja de sua missão no mundo. Em segundo lugar, é preciso conscientizá-la de que ela está no mundo para servir o mundo integralmente.

Se a igreja chegou a se empolgar com missão algum dia, é sinal que ela tem potencial para fazer, com a graça de Deus, o que fez antes. Sermões e estudos bíblicos missionários, filmes específicos como por exemplo As Primícias, Etal e Atrás do Sol, além do auxílio de associações evangélicas e agências missionárias, certamente produzirão novo alento.

A igreja deve ser redirecionada. Geralmente a frieza por missões acontece por causa da rotina. Uma vez que o mal foi detectado é necessário que seja combatido com atividades variadas.

Além disso, é importante que a igreja saiba que sua missão no mundo é integral. Isto é, evangelizar não é simplesmente distribuir folhetos como alguns pensam, mas sim, atender o indivíduo na totalidade de suas necessidades. Por outro lado, a igreja nunca deve deixar se levar pela prática do paternalismo e assistencialismo paliativos, mas sempre partir para uma ação social transformadora, do indivíduo e da sociedade, para a honra e glória de Deus Pai. O ponto de partida será o parâmetro bíblico e o contexto da igreja local.



Conclusão:
Mais coisas poderiam ser ditas como parte integrante de um projeto de revitalização para a igreja local, como por exemplo, a espiritualidade contagiante da igreja local com relacionamentos marcados pelo amor fraternal, um culto inspirador, a formação de grupos familiares ou células, etc. Entretanto, entendemos que a formação de uma liderança capacitadora, as estruturas da igreja sendo funcionais e o compromisso missionário revitalizado, naturalmente resultarão em novas realizações.

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TEXTO: ROMANOS 12: 1-2

PROPÓSITO:
Uma das maiores necessidades do mundo, das pessoas e também da igreja é a de se adaptar ao curso da história. Esta adaptação só se viabiliza mediante a disposição do mundo, das pessoas e da igreja em se transformarem. Transformação é o segredo de um organismo vivo.
- Ilust. Leon Tolstói: "Todos pensam em mudar a humanidade e ninguém pensa em mudar-se a si mesmo".

01. TRANSFORMAÇÃO ATRAVÉS DA COMUNICAÇÃO


A igreja não sobrevive sem uma comunicação interna. O grande fator de dispersão que a enfraquece é a falta de uma boa comunicação entre seus membros.
1.1 - A comunicação se processa através de três elementos básicos:
a - Kerigma - mensagem
b - Koinonia - comunhão
c - Diakonia - serviço
1.2 - Encurtando as distâncias - João 13: 12-17
A mensagem Kerigma - não funciona isoladamente. Para que ela produza resultados positivos é necessário que o membro exercite a Koinonia e a Diakonia.

02. TRANSFORMANDO A NOSSA RELAÇÃO


Este processo ocorre através da prática de quatro princípios bíblicos:
2.1 - Princípio da integralização - 1 Coríntios 12: 15-16
- cada membro tem a sua função. Um membro não deve aspirar o lugar do outro. Quando isto ocorre todo o corpo é prejudicado.
- A quebra deste princípio provoca:
a - desvalorização do membro
b - contestação da vontade de Deus
c - afastamento dos outros membros
d - desperdício de forças
2.2 - Princípio da oportunidade - 1 Coríntios 12:17-18
- este princípio visa dar a todos a mesma chance de trabalho. Um membro não pode inibir a ação do outro.
- A falta de oportunidade produz:
a - desequilíbrio em todo os sistema
b - um espírito de concorrência
c - uma anemia espiritual
2.3 - Princípio da dependência - 1 Coríntios 12: 21-22
- todos os membros devem participar das atividades que os demais realizam. A independência enfraquece o corpo.
- Quando este princípio é quebrado, ocorre:
a - enfraquecimento de todos os demais membros
b - o egoísmo passa a predominar nas relações
c - a arrogância quebra a linha de comunicação
2.4 - Princípio da unidade - 1 Coríntios 12: 25-26
- a unidade é a fonte geradora de toda a energia, mobilidade e harmonia do corpo. Sem ela, a igreja perde a sua função. João 17:23

3.0 - TODA TRANSFORMAÇÃO EXIGE DISCIPLINA PESSOAL -


1 Coríntios 9:25
- A igreja precisa ser a autora e não a espectadora no processo de mudanças. Ela foi criada para ser o instrumento de Deus na transformação da sociedade. Para isto o exercício da disciplina é imprescindível.
- Disciplina na prática de ouvir e falar - João 8:47
- Disciplina na prática do perdão - Marcos 11:25
- Disciplina na prática da fé - 2 Coríntios 13:5
- Disciplina na prática da liberdade - Gálatas 5:13
- Disciplina na prática das ações - Colossenses 3:17
- Disciplina na prática do tempo - Efésios 5:15-16
- Disciplina na prática da santidade - 1 Timóteo 5:22
- Disciplina na prática do amor - João 13: 35

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Romanos 16.3-16

No último capítulo da Carta aos Romanos, Paulo faz recomendações, saudações e votos. São saudações individuais a vinte e seis pessoas e a cinco famílias, grupos de pessoas ou "igrejas no lar". Das pessoas mencionadas, pelo menos oito são mulheres. Treze dos nomes aparecem em inscrições ou documentos que tem a ver com a nobreza e com o palácio do imperador naquela cidade (cf. Fp 4.22). No entanto, são, na maioria, escravos.

É uma esclarecedora lista de como a fé evangélica se havia espalhado entre todas as classes sociais. Há uma mistura de judeus e gentios; nobres, libertos e escravos; homens e mulheres; idosos e jovens. Mostra como aquela comunhão de fé na cidade de Roma era formada de gente de várias nacionalidades, procedências e estratos sociais. Registra, ainda, como o muro de separação entre judeus e não-judeus fora derrubado, exatamente nos termos de Efésios 2.14,16 (cf. Gl 3.28).

A COLORIDA VARIEDADE

Como já enfatizado, há nesta passagem uma visão da intensa vida da Igreja-dos-Primeiros-Dias. A relação de nomes é de altíssimo significado, e examinando-os com alguma análise, vemos que os tipos são tão diferentes que só um milagre chamado evangelho pode explicar a interação naquela comunidade de fé.

Há judeus e há gentios, já o dissemos, ou seja, gente que vem de um profundo contexto espiritual, e gente que vem do paganismo. Há ricos e há pobres. Há homens e há mulheres.

Os judeus. Era o caso de Priscila e Áquila (v.3), de Maria (v.6), de Andrônico e Júnias (v.7), de Apeles (v.10), de Herodião (v.11).

Há romanos: Ampliato (v.8) e Urbano (v.9), e, pelo menos, um grego, Epêneto.
Escravos: Ampliato, Urbano, Estáquis, Flegonte, Pérside e Hermas.

O significado dos nomes é igualmente muito interessante:


· Áquila = águia
· Asíncrito = incomparável
· Epêneto = louvado
· Estáquis = espiga
· Filólogo = falador, erudito
· Flegonte = ardoroso
· Hermes = intérprete (daí a palavra hermenêutica, a arte da eloqüência)
· Júlia = juvenil
· Maria = bela (alguns traduzem como "teimosa, obstinada")
· Nereu = molhado
· Olimpas = descido dos céus
· Pátrobas = vida do pai
· Priscila = venerável
· Trifena = delicada
· Trifosa = mimosa, graciosa
· Urbano = criado na cidade.

As saudações não são longas, mas são muito expressivas, cheias de gratidão e plenas de amor:

Em relação a Prisca e Áquila (vv. 3,4): "meus cooperadores em Cristo" e "pela minha vida expuseram as suas cabeças" . Para Epêneto (v.5b): "meu amado" e "primícias da Ásia para Cristo". Maria (v.6) foi a que "muito trabalhou por vós". No verso 7, Andrônico e Júnias são "meus parentes", "meus companheiros de prisão" e "bem conceituados entre os apóstolos".

No verso 8, Ampliato é "meu amado no Senhor"; no 9, Urbano é "nosso cooperador em Cristo"e Estáquis é chamado de "meu amado". Apeles (v. 10) é denominado "aprovado em Cristo"; no verso 12, as irmãs Trifena e Trifosa são as que "trabalham no Senhor", e Pérside, veterana senhora, é amada" e "muito trabalhou no Senhor". E passando ao verso 13, Rufo é o "eleito no Senhor".



MEMÓRIAS

Há algumas histórias por trás das lembranças de Paulo. A história de Prisca e Áquila. Eu escrevi Prisca? Prisca ou Priscila? Dá no mesmo, porque Priscila é o diminutivo de Prisca (cf. At 18.2, 18,26), como Lucia faz Lucila, Drusa, Drusila e Lívia, Livila. Era um casal devotadíssimo ao apóstolo Paulo, a ponto de sofrerem perigo de vida (cf. 1Co 15.32; At 19.23) Tinham a mesma profissão de Paulo, que, por um tempo, morou com eles. Quando Paulo deixou Corinto indo para Éfeso, o casal o acompanhou (At 18.18). É possível, até, que Priscila pertencesse a uma família da nobreza romana, e Áqüila fosse um judeuda Ásia menor setentrional. Um estudioso do Novo Testamento diz que não há no Novo Testamento um casal mais fascinante que este.

Outra história interessante é a de Rufo. No verso 13, Paulo chamou à senhora, mãe de Rufo, de sua mãe, de acordo com o costume oriental de assim chamar uma senhora mais idosa. Há quem admita ser Rufo filho de Simão, o cireneu que carregou a cruz de Jesus compartilhando com Ele a dor, o maltratto, a humilhação daquela manhã em Jerusalém (cf. Mc 15.21). Se assim ocorreu, que gente extraordinária são os pais de Rufo: o pai carregou a cruz de Jesus Cristo, e a mãe "adotou" Paulo, o grande apóstolo aos gentios.

As duas idosas irmãs em Cristo têm histórias não contadas no texto. Pérside ("natural da Pérsia") e Maria são pessoas que não se entregam. Eram avançadas na idade, e incansáveis no trabalho. Aliás, Paulo usa uma palavrinha que diz isso: kopian, que significa "trabalhar até o cansaço"



A UNIDADE

Não é fácil viver em unidade, em concórdia. Dietrich Bonhoffer usa as expressões "dom de uma vida comum" e "dom da adoração em comum aos domingos", aplicando-as à bênção de Deus que se chama Igreja. Diz ele que o estilo de vida que acontece na igreja é um privilégio. Mas a verdade é que é muito difícil viver em comunidade. E se não há o alicerce de Jesus Cristo, essa experiência que deveria ser abençoada, abençoadora, enriquecedora, torna-se amarga e, em certos casos, traumatizante. Muitos problemas afloram porque nossos irmãos em Cristo (em quem corre o mesmo de Jesus nas veias) são tratados apenas como outras pessoas, gente que enche os bancos da igreja, mas não como irmãos no Nome de Jesus Cristo, nosso Salvador.

Pois é; o relacionamento humano é uma teia delicadíssima, tenuíssima e fragílima que pode se romper com coisas mínimas e minúsculas, mas que se fortalece quando está fundamentada no respeito, na confiança, na honestidade, na tolerância, no querer o bem, no bem-querer e nas atitudes de boa vontade.

Na verdade, o relacionamento humano e cristão é dinâmico, poderoso e incentiva o crescimento pessoal e da Igreja como um corpo.



PRECIOSAS LIÇÕES

Sacrifício de uns pelos outros (vv. 3-5a). Aqui temos Priscila e Áqüila, o casal amado, recebendo do apóstolo o reconhecimento pelo modo através do qual compartilharam de suas lutas, a ponto de quase serem mortos.

Desde o princípio desta genuína e profunda amizade, Priscila e Áquila foram pessoas que mantiveram aberto o coração, abertas as mãos, e aberta a porta para a expansão do nome e reino de Cristo

Trabalho pelo bem comum (v.6). Paulo saúda a irmã na fé chamada Maria. É digno de observação que as mulheres são significativamente proeminentes na vida da Igreja de Cristo. Nesta lista há solteiras, casadas, viúvas, mães e todas executando um admirável ministério na Causa do Senhor.

Temos membros de uma mesma família fazendo parte com outras famílias de uma mesma família de fé. Paulo até o menciona. No verso 10, ele fala dos "da casa de Aristóbulo"; no verso 11, "os da casa de Narciso", no verso 13, de Rufo, sua mãe e sua irmã, e no verso 15, de Filólogo, Júlia, Nereu e sua irmã (provavelmente, pai, mãe e filhos).
O Novo Testamento menciona que, em muitas ocasiões, famílias inteiras eram batizadas (cf. At 10.44-48; 16.15, 33330-34; 18.8; 1Co 1.16; 16.19; Cl 4.15; Fm 2). Havia casos em que pequenos grupos se reuniam em uma casa. É o caso de um núcleo que tinha seus encontros na casa de Áquila e Priscila (v. 5a). Alguns foram companheiros de prisão do apóstolo (cf. v.7). Dr. Dale Moody, nosso ex-professor, fez uma significativa afirmação ao dizer que será um dia glorioso quando os cárceres forem transformados em púlpitos.

Aceitação de uns pelos outros (v. 16). Paulo recomenda uma saudação muito comum no Oriente Próximo ainda hoje: o beijo (cf. Gn 29.11; 33.4; 1Sm 10.1). Além de ser um sinal de afeição entre parentes,um sinal de amor, havia, também, um tom de homenagem (Gn 29.11; Ct 1.2). No Novo Testamento,é um sinal de amizade e saudação (Mt 26.48).

Era, lembremos, um ato de fraternidade entre os semitas, mas não entre os romanos. Por outro lado, o costume já se havia difundido nas igrejas conforme atestam os seguintes exemplos textuais: 1Coríntios 16.20; 2Coríntios 13.12; 1Tessalonicenses 5.26 e 1Pedro 5.14.. Paulo, porém, não o entende só como sinal de amizade, nem como uma ordenança ritual. Paulo usa a palavra "santo", "ósculo santo", para evitar toda e qualquer conotação maldosa. Equivale, então, em nossa cultura, a um fraternal abraço e aperto de mãos, um cordial "Bom dia!"

É preciso recuperar o significado da comunhão. Aliás, comunhão (koinonia) é uma das grandes palavras do Novo Testamento. Fala de uma abordagem sistêmica, pois é vital para a saúde espiritual da igreja e do crente como indivíduo. Pode não parecer, mas uma há uma comunhão o dedo e o fígado de alguém, a perna e o coração porque corre um sangue vital. Devemos buscar a comunhão, nos aproximar de alguém. É preciso lembrar que avivamento e comunhão andam de mãos juntas.

Há uma recomendação do apóstolo que é apropriada para encerrar esta reflexão. Encontra-se em 1Coríntios 16.14b: "Fazei todas as vosss obras com amor". É recomendação perfeitamente pertinente porque nenhum dom espiritual, nenhum desejo de unidade ou de comunhão é coisa alguma sem o amor. É ele quem põe um ponto final nas divisões, faz desaparecer o orgulho, que regenera o interesse, a solidariedade e a fraternidade de uns pelos outros.

O amor é o começo do crescimento espiritual. Será preciso lembrar que o primeiro aspecto do fruto do Espírito é o Amor? Por ele, manifesta-se a humildade (Rm 12.4), desenvolve-se a compreensão e o ministério do ouvido amigo. Assim é: "Todas as vossas obras sejam feitas com amor".



Oração
Senhor, nós Te pedimos:
Que nos conheçamos sempre melhor
Em nossas aspirações e nos compreendamos
Mais e mais em nossas limitações.
Que cada um de nós sinta e viva
as dificuldades dos outros.
Que ninguém fique alheio aos momentos
De cansaço, dissabor e desânimo do próximo.
Que nossas discussões não nos dividam,
Mas nos unam na busca da verdade e do bem. Que cada um de nós, ao construir a própria vida,
Não impeça o outro de viver a sua.
Que nossas diferenças não excluam ninguém da comunidade.
Que olhemos para cada um, Senhor,
Com os Teus olhos e nos amemos com o Teu coração.
Que a nossa fraternidade não se feche em si mesma,
Mas seja disponível, aberta e sensível
Aos problemas de cada um.
E que, no fim de todos os caminhos,
Além de todas as buscas, e depois de cada encontro,
Não haja vencidos nem vencedores,
Mas somente irmãos.
Assim seja. Amém!


TEOLOGIA GRÁTIS PARA TODOS


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