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PERIGOS SUTIS AO MINISTÉRIO PASTORAL



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PERIGOS SUTIS AO MINISTÉRIO PASTORAL
ESTUDO SOBRE A IGREJA
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"Quando fui convidado para escrever este artigo para a nossa Revista PROPOSTA, logo pensei em algo sobre o ministério pastoral. Trata-se de um desejo de compartilhar com meus irmãos e colegas pastores, alguns perigos do ministério, os quais tenho constatado em minha própria caminhada. Como sempre, são sutilezas que procuram desestabilizar e adulterar o nosso pastorado.



1º Perigo: O perigo de envolver-se tanto em atividades que negligenciamos nossa vida devocional.

Penso que na essência, todo pastor deseja grandes mudanças em suas igrejas e daí a quantidade exorbitante de atividades a que nos entregamos todos os dias: aconselhamentos, visitas, escrever artigos, fazer ligações telefônicas, preparar estudos e sermões, separar tempo para planejar, reunir-se com a liderança, etc...

Obviamente, existe por trás deste excesso de atividades uma cultura – nosso mundo é voltado para o sucesso. Em razão disso, em nossas muitas atividades eclesiásticas somos cada vez mais dominados por superlativos. Orgulhamos por ter uma grande Igreja, um grande coral, um grande...

Conscientemente ou não, corremos atrás de atender a um modelo ideal de pastor estigmatizado por esta cultura do sucesso que é aquele líder que está sempre ocupado, sem tempo para mais nada. Se estar atarefado é ser importante, então preciso estar atarefado. Tornamo-nos daí pastores compulsivos, onde nossa identidade pastoral passa a ser derivada de nossas atividades.

Sutilmente somos enganados, e por fazermos parte de uma sociedade competitiva, constantemente temos que provar o nosso valor, a nossa utilidade, e para tanto, procuramos nos manter sempre ocupado. Abro aqui um parêntesis para recomendar a leitura do livro de Henry Nouwen “ No Nome de Jesus” , onde o autor fala de três tentações mais comuns no ministério pastoral: ser relevante, ser espetacular e ser poderoso. Mas voltando; como evitar cair na armadilha do excesso de atividades ? A resposta é a mais simples possível: Precisamos praticar um tempo a sós com Deus. Parece uma ousadia falar assim aos pastores, mas aqui falo também como pastor - em nossa vida agitada e cheia de atividades temos fracassado em separar tempo para a solidão afim de aprofundarmos nossa vida espiritual. Solidão é o remédio contra o ativismo pastoral. Cito Henry Nouwen quando ele afirma que na solidão, descobrimos que ser é mais importante que ter e que valemos muito mais que o resultado de nossos esforços.

Aprendemos com nosso Senhor Jesus em Lucas 5:15,16, que a ação interna (oração) tem precedência sobre a ação externa (proclamação). O v.15 nos informa que muitas pessoas procuravam a Jesus para serem curadas por ele e o v.16 afirma “ele porém se retirava para lugares solitários e orava”. Jesus percebeu o perigo e não caiu na armadilha de se entregar ás atividades, negligenciando sua vida devocional.

O pastor que imita as ações e a pregação de Jesus, sem, ao mesmo tempo, imitar sua vida profunda de oração, são um prejuízo para a fé e um empecilho para o crescimento da igreja.

Nós pastores insistimos com nossas ovelhas sobre a necessidade delas terem um tempo a sós com Deus. Mas não podemos nos esquecer que somos ovelhas também, e que ter uma vida profunda de oração não perde o seu valor quando somos ordenados ao ministério.

2º Perigo: O perigo de reduzir a funções e projetos a pessoas que Deus nos mandou pastorear.

Corremos o perigo de abandonarmos nossa função como pastor, deixando de pastorear pessoas, e nos tornamos administradores e secretários de Igrejas. Começamos a medir o sucesso no ministério pela popularidade de nossos projetos, dos terrenos que a igreja adquiriu, das reformas feitas na estrutura física da igreja durante nosso pastorado ali, do formato novo do boletim informativo, etc... Quando olhamos para o ministério de Jesus, verificamos que ele passou mais tempo cuidando de pessoas e conversando com elas do que em qualquer outra coisa. Jesus não era inclinado à programas, mas à pessoas. Diferentemente de nós que somos movidos para a produção.

Não me entendam mal. A princípio não há nada de errado em tudo isto; o perigo é sutil. Neste processo da secularização da igreja, movida á produção, homens e mulheres com quem vivemos e trabalhamos podem se tornar meros objetos. Pouco a pouco todos se transformam em instrumentos de trabalho. Sob a pressão de que estão trabalhando para Jesus, usamos estas pessoas como empregados para cumprirem uma missão que nem sempre é de Deus e sim do pastor.

Talvez devêssemos perguntar: Como posso saber se estou sendo bem sucedido no cumprimento de meu ministério? Creio que Efésios 4:11-15 delineia qual é a expectativa de Deus para nós pastores – Dentre algumas das medidas de sucesso em nosso ministério, está o fato de que precisamos preparar pessoas para o ministério. Para fazer isto preciso gastar tempo com as pessoas – ajuda-las, ouvi-las, aconselha-las, etc...Pessoas são a razão de nosso ministério.


Precisamos ser lembrados que fomos chamados para pastorear e não para administrar. Para isto é que existem presbíteros regentes e docentes. Nós pastores precisamos pastorear, dedicar tempo ás nossas ovelhas para visitá-las e orienta-las espiritualmente. Deixe a administração com o presbítero regente.

3º Perigo: O perigo de se afastar tanto do mundo que perdemos a consciência de que o mundo é nossa paróquia.

Quando nos tornamos pastores, a “ exigência” é que devemos nos retirar do mundo e nos entregarmos ao trabalho de uma instituição religiosa que se dedica a seus próprios assuntos, seguindo seu próprio cronograma e agenda. Erroneamente, vemos o mundo como algo mal, um inimigo ou um competidor de nossa espiritualidade.Assim, nos enfiamos nos trabalhos da Igreja que consomem todo nosso tempo e energia e cada vez menos nos interessamos pelo mundo lá fora.

É surpreendente ver que Jesus não agiu desta maneira. Em Mateus 9:36 lemos que Ele andava pela cidade e vendo as pessoas compadecia-se delas porque eram como ovelhas sem pastor. Eram pessoas aflitas. Aflitas por falta de trabalho, medo da violência, sem acesso a uma boa escola e inseguras quanto ao dia seguinte. Eram pessoas exaustas, talvez pela sobrecarga de trabalho, não ter tempo para o lazer ou por causa dos problemas do dia-a-dia. O texto ainda fala que eram pessoas sem rumo na vida. Pessoas com crises no casamento, problemas com os filhos, na vida profissional, emocional e existencial.

Nós pastores precisamos seguir o exemplo de Jesus e olhar para a nossa cidade, para o nosso bairro e ter uma proposta pastoral para estas pessoas aflitas, exaustas e sem rumo na vida. Nosso ministério corre o perigo de ser exercido basicamente dentro da Igreja. Creio que já está na hora de desenvolve-lo “fora da igreja” também. De tanto se afastar do “mundo”, nossa linguagem vai se tornando “igrejeira” e quem é de fora entende muito pouco do que falamos.

Creio que para evitar que nosso pastorado seja adulterado, precisamos buscar a “paz da cidade” ( Jr 29:7 ) e para tanto é mister nos envolvermos com ela. Se faz necessário construir relacionamentos, estabelecer amizades e se identificar com as pessoas da comunidade, sejam crentes ou não. Nossa espiritualidade pastoral não pode ser desenvolvida apenas dentro da igreja; precisamos, por exemplo, fazer parte da sociedade amigos de bairro, visitar a Câmara Municipal, o prefeito da cidade, nos envolver em atividades promovidas pelas pessoas da vizinhança, etc... Imagine se Jesus fosse o pastor de sua igreja! Por onde você acha que ele andaria ? Quem ele visitaria ? Se formos bem honestos, teremos que duramente admitir que ele andaria pela nossa cidade, visitando asilos, hospitais, lanchonetes, prisões, os vizinhos que moram próximos á igreja, etc...Ele não resumiria seu ministério apenas aos salvos.

Nas palavras de Eugene Peterson “quando o trabalho que executamos para Jesus como pastores esmaece nossa consciência do mundo, afasta dele o foco de nossa atenção, colocamo-nos em competição contra ele, ou, simplesmente leva-nos a evita-lo, podemos dizer que nossa ordenação foi adulterada”.

A título de aplicação daquilo que foi dito aqui, penso que temos que responder a três perguntas:

1) Quais são as atividades que você tem durante a semana em que você se coloca na presença de Deus na perspectiva de ovelha, de filho e não de um funcionário da igreja?

2) Quem são as pessoas que estão sendo afetadas pela sua vida? Pela convivência espiritual com você?

3) Quais os lugares, ambientes que você freqüenta e pessoas com quem se relaciona que facilitam sua ação como sal da terra e luz do mundo?

QUASE CRENTE
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Com freqüência, encontramos pessoas que por simpatia, admiração, situação conjugal ou outros razoáveis motivos, são assíduos ouvintes, e, mesmo, participantes da Escola Bíblica, dos cultos, e de outros eventos e reuniões do povo de Deus. Há quem diga que são "quase crentes".



QUE É SER "QUASE CRENTE"?

É ser nascido em lar cristão, criado na luz do evangelho de Jesus Cristo, afeito às práticas espirituais, conhecedor até dos fatos doutrinários acerca de Jesus Cristo e Seu ensino, acostumado ao caminho em que se deve andar, porém sem convicção, sem certeza e sem determinação.

Ser quase crente é ser apreciador da mensagem do evangelho, ou, como às vezes é chamado, ser "amigo do evangelho". Título interessante, sugestivo, até, mas não é realista, pois não retrata o sério problema que o "amigo do evangelho" é tão perdido quanto o "inimigo do evangelho". Nesse campo, não há meio termo: ou se é, ou não; ou se é a favor, ou se é contra, como Jesus Cristo mesmo explicou, "... quem comigo não ajunta, espalha" (Mt 12.30).

Ser quase crente é buscar a moralidade, a ética, o desvio da corrupção, é cavar masmorras ao vício e, mesmo, levantar templos à virtude, é não pactuar com o ilegal, o imoral e o indecente, é favorecer e lutar por uma sociedade justa, pela dignidade moral.



MAS, TALVEZ...

Talvez você seja quase crente porque não tenha entendido o que é o novo nascimento de que falam os crentes em Cristo. Vamos à Bíblia:

"Havia um fariseu chamado Nicodemos, que era líder dos judeus. Uma noite ele foi visitar Jesus e disse: - Rabi, nós sabemos que o senhor é um mestre que deus enviou, pois ninguém pode fazer esses milagres se Deus não estiver com ele. Jesus respondeu: - Eu afirmo ao senhor que isto é verdade: ninguém pode ver o reino de Deus se não nascer de novo. Nicodemos perguntou: - Como é que um homem velho pode nascer de novo? Será que ele pode voltar para a barriga da sua mãe e nascer outra vez? Jesus disse: - Eu afirmo ao senhor que isto é verdade: ninguém pode entrar no reino de Deus se não nascer da água e do Espírito. Quem nasce de pais humanos é um ser de natureza humana; quem nasce do espírito é um ser de natureza espiritual. Por isso não fique admirado porque eu disse que todos vocês precisam nascer de novo" (João 3.1-7).

O evangelista Pr. Billy Graham conta o testemunho de um homem que pela primeira vez ouviu a mensagem do evangelho num culto evangélico. O sermão foi simples, e após, o pregador convidou a quem desejasse outras explicações a vir à frente. Ele foi. Conversou com o pregador por algum tempo, e saiu. Na porta do templo, um homem lhe perguntou: "O senhor é crente?" Respondeu que sim, apesar de estranhar a pergunta. O homem com mais ênfase na voz repetiu, "O senhor é crente?" Ele viu que a coisa era séria, e disse, "Estou tentando ser..." O homem o pôs a nocaute dizendo: "Já tentou ser um animal qualquer, um elefante?" Espantou-se. Puxando-o pelo braço, o homem sentou-se com ele e lhe disse que, por mais que tentasse, nunca se tornaria um cristão, como não poderia um animal inferior, e repassou-lhe o ensino do Novo Testamento sobre o evangelho:


* Cristo morrera em seu lugar
* Pagara o castigo dos pecados
* Por isso, o perdão acontecia através de Jesus, e só dEle;
* Pela fé em Jesus como Salvador, viria o novo nascimento.
Ele recebeu a mensagem, e sua vida passou por uma completa reviravolta.

Nascer de novo é isso. Jesus fez algo simples, mas os homens têm complicado demasiadamente. Paulo disse a um policial, "Crê no senhor Jesus e serás salvo" (At 16.31) Precisa maior simplicidade? Nascer de novo significa mudança de atitude quanto ao pecado. Na linguagem da Bíblia isso se chama arrependimento (cf. Atos 3.19). A realidade é que só podemos mudar de vida, se mudarmos de atitude. O pecado é um fato, uma terrível realidade na nossa experiência. Observe o que estas pessoas disseram sobre os seus pecados: "Senhor, afaste-se de mim pois eu sou um pecador!" Foi Pedro quem o exclamou (Lc 5.8); "Ó Deus, tem pena de mim, pois sou pecador!" Quem assim se definiu foi um cobrador de impostos numa história contada por Jesus (Lc 18.13). E Jó explicou sua nova visão de Deus: "Antes eu te conhecia só por ouvir falar, mas agora eu te vejo com os meus próprios olhos. Por isso, estou envergonhado de tudo o que disse e me arrependo, sentado aqui no chão, num monte de cinzas" (42.5,6).

O arrependimento é isso: reconhecimento de que somos pecadores diante de Deus, tristeza profunda pelo pecado e disposição real de nos afastarmos dele.

OU AINDA...

Talvez você seja quase crente porque não compreenda o que é fé. Se arrepender-se é dar as costas ao pecado, ter fé é voltar-se para Deus.

Mas fé não é simplesmente crença, porque não é algo puramente intelectual. Fé, na verdade, é uma escolha. Leia e reflita: "Aquele que crê no Filho não é julgado, mas quem não crê já está julgado porque não crê no Filho único de Deus" (João 3.18).

Quem tem fé não entra em julgamento; quem não tem fé já está julgado e condenado. Quem crê já está absolvido, anistiado, seguro; quem não crê, coitado, está perdido, apenado e no aguardo de penas maiores. Por isso, é importante crer.

Fé não é mero sentimento: é certeza de que está salvo, seguro, sem dívidas e sem dúvidas quanto à purificação de seu passado, quanto às alegrias do presente, e quanto às esperanças do futuro.

E MAIS...

Talvez você seja quase crente porque admira os princípios do evangelho, mas não queira se unir a uma igreja local. Você não compreende os privilégios de ser membro de uma congregação local: a graça de pertencer a uma família de fé; a graça de amar e ser amado; a graça de trabalharem união pela extensão do governo de Deus na Terra, porque ser membro de uma igreja não é o mesmo que ser sócio de um clube recreativo-social-esportivo. Aliás. não faz a igreja campanha de adesão ao seu quadro de membros: o evangelho não se barateia.

A igreja é um grupo de pessoas, de pecadores perdoados, que trabalham ativamente para que outras pessoas nas suas famílias, no círculo de amigos ou desconhecidos venham a conhecer a Jesus Cristo como Salvador, e venham a crescer no Seu conhecimento e misericórdia.

E POR FIM...

Talvez você seja quase crente porque não entendeu perfeitamente o que seja "receber ou render-se a Jesus Cristo". Você dirá, "Mas eu sempre tive Jesus em alta consideração, sou cristão desde o nascimento como toda a minha família..." O problema é que há toda uma idéia equivocada quando se menciona "aceitar a Jesus" Parece que Jesus é um pedinte, um rejeitado, que aguarda nosso veredicto sobre Ele. E isso pode criar um problema: recebê-lo por emoção sem prejuízo para mudança no modo de viver. Levar Jesus a sério é ligar-se com a Pessoa de Jesus de um modo único na experiência de vida

As citações foram extraídas da Bíblia Sagrada - Nova Tradução na Linguagem de Hoje. Barueri, SP: SBB, 2001.

REFLETINDO SOBRE LIDERANÇA CRISTÃ
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Há um lugar especialíssimo para a liderança na visão do Novo Testamento. Assim é que Efésios 4. 11-16 apresenta a plataforma de liderança da Igreja Apostólica, e 1Timóteo 3.1-13 oferece o padrão para os ministérios pastoral (ali denominado "episcopado") e diaconal.



Parece ser o óbvio, mas a função do líder é liderar. Na Igreja de Cristo é a liderança desse corpo, e detêm funções de liderança aqueles soberanamente escolhidos para esse cometimento. Paulo usa a expressão "a graça que nos foi dada" (Rm 12.6). Não é função de mando, mas de presidência a ser exercida zelosamente, segundo a Versão da IBB (Rm 12.8). Nancy DUSILEK no seu Liderança Cristã: a arte de crescer com as pessoas, cita o ex-reitor da Universidade de Colúmbia, nos EUA, Dr. Nicholas Murray Butler que disse haver três tipos de pessoas no mundo:
· as que não sabem o que está acontecendo,
· as que observam o que está acontecendo e
· as que fazem com que as coisas aconteçam.

São essas últimas que detêm o dom de liderança. Uma música popular dos anos 70 de forte mensagem diz que "quem sabe faz a hora, não espera acontecer".



FUNDAMENTO BÍBLICO DA LIDERANÇA CRISTÃ

Deus utiliza seres humanos como seu método. Assim aconteceu com Moisés, com Josué e com os apóstolos. Um líder tem limitações, e Moisés reconhecia as suas próprias (Ex 4.10), mas no seu aprendizado teve que aprender a delegar (Ex 18.27). Como parte do seu aprendizado, foi humilde bastante a ponto de atender conselhos que lhe foram dados. Desse modo, treinou os líderes escolhidos dentre critérios bem determinados: que fossem capazes, tementes a Deus, pessoas de palavra e não avarentos (Ex 18.20,21). É um Josué, homem submisso ã vontade de Deus (Js 6.2), hábil na distribuição de tarefas (vv. 6,7), e em dar ordens claras (v.10). Quanto à liderança espiritual e à preparação de outros líderes da igreja apostólica, há de ser lembrada a palavra de Paulo em 2Timóteo 2.2: "e o que de mim ouviste diante de muitas testemunhas, transmite-o a homens fiéis, que sejam idôneos para também ensinarem os outros".



TEOLOGIA DA LIDERANÇA

Recorde-se de que liderança cristã é "o trabalho de despertar e conduzir o ser humano para Deus e para tudo o que dEle recebeu", conforme ensinou MINERVINO. Se estamos falando de conduzir para Deus, falemos igualmente de fé, pois sem essa virtude é impossível agradar a Deus (cf. Hb 11.6). O líder cristão deve agir com fé, pois essa virtude determina o verdadeiro objetivo da liderança cristã que é o ser servo (cf. Mt 20.28; Lc 22.27; Gl 5.13; 1Co 9.19; Fp 1.1).

Além disso, pela fé a unidade da igreja é mantida. Não é demais dizer que a Igreja é variada e multiforme. Romanos 16 o lembra com extrema clareza: havia naquela comunidade cristã: mulheres, homens, judeus e gentios, livres, libertos e escravos, jovens e idosos, todos agindo, reagindo e interagindo para o bem comum e para o bem da causa de Jesus Cristo.

Pela fé, o líder é estimula a desenvolver seu potencial (1Co 11.1), e pela fé, o líder cristão exerce a perseverança.

É observar o que diz 2Coríntios 11.24-31. Pelo próprio conceito da palavra (leader>líder), o líder é um condutor, e desse modo leva os seus liderados aos cometimentos propostos, e utiliza para tanto os dons dos seus liderados e associados. Mas o líder cristão reconhece que não o faz por mérito próprio: Deus está com ele (Ex 3.10-12; 1Co 12.4). Porque o serviço é inerente à função, o líder é servo. É um com o seu povo.

Mais: o líder tem poder. Duas palavras gregas são elucidativas do conceito de poder: kratos e dynamis. Kratos é "poder, autoridade", especialmente no sentido de "poder político, comando, autoridade de mando". Vocábulos como democracia, tecnocracia, gerontocracia veiculam a idéia de "poder do povo", "poder da técnica" e "autoridade dos idosos". Dynamis, por outro lado, traduz "força, potência", permitindo que se chegue ao universo semântico de "força ou espiritual, atividade, energia", e dando-nos vocábulos como dínamo, dinamite e dinamismo.

Do líder cristão é esperada a dynamis como fundamento e veículo da sua autoridade espiritual e da sua atividade de condutor de vidas. Lamentavelmente, observa-se uma profusão de kratos em numerosos líderes com sede de manipulação, de detenção de poder decisório que só evidenciam que, na falta de autêntica autoridade espiritual, de dinamismo ungido, passam a buscar o controle, a preeminência, assumindo, mesmo, determinados títulos "religiosos" com o propósito de "autenticar" o poder de mando e comando. Lucas 12.41-48 apresenta uma palavra de Jesus Cristo a esse respeito.

QUALIDADES DO LÍDER
· No mínimo as seguintes qualidades podem ser destacadas. A primeira é ter ideal, e, aliada a esta, ter visão: alma e olhar de condutor de vidas.

· A competência e o espírito de iniciativa, que é o "partir para a ação", são igualmente basilares.
· Segue-se a tenacidade aliada à serenidade.
· Em seguida, segurança e confiança,
· que, ao lado da simpatia, autenticidade e comunicação, formam o perfil do líder cristão. O líder há de ser equilibrado, e Atos 6.3 descreve o equilíbrio desejado: boa reputação (cf. 1Tm 3.2), plenitude do Espírito Santo, plenitude de sabedoria e de fé (cf. v.5).

Funções do Líder

Previsão e visão que envolvem, sem sombra de dúvida, análise dos acontecimentos do passado, das circunstâncias do presente e das tendências do futuro, imaginação e rapidez de raciocínio.

Planejamento que envolve algumas análises preliminares: estabelecimento de objetivos, escolha dos meios para a realização do planejamento, controle da situação e avaliação do realizado. Outra importante função da liderança é a defesa. E dentro disso, vale ressaltar, a postura apologética diante das ameaças à doutrina, às posturas e aos valores da instituição.

RELIGIÃO OU EVANGELHO?
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"Pois é pela graça que sois salvos, por meio da fé - e isto não vem de vós, é Dom de Deus - não das obras para que ninguém se glorie." Ef. 2:8,9

Desejamos refletir a respeito de algumas práticas religiosas do passado e do presente, e compará-las com o evangelho de Jesus Cristo. Observamos que quando abrimos qualquer livro que aborde a religião dos antigos, ele ensina que estava essa religião muito mesclada com a superstição.

No antigo Egito, consideravam no seu panteão muitos deuses. Havia deuses para todos os gostos; havia um centro de cultos na cidade de Heliópolis, a cidade do Sol. O próprio deus do Sol era Rá, razão porque alguns faraós se consideram "filho do sol", adotando o nome de Ramsés, palavra formada de Rá (sol) e Mses (filho). Animais eram cultuados, o crocodilo (alguns podem ser vistos mumificados em museus), que era considerado deus da água; o gato, deus da alegria e do amor; o chacal era o guarda dos túmulos e deus dos mortos; Seu nome entre os egípcios era Anúbis. E o touro também, o deus Ápis. Quando o povo de Israel estava no deserto, notando a ausência de Moisés que estava no alto do monte Sinai, o povo pediu a Arão que fizesse um bezerro de ouro, uma reprodução do deus Ápis.

Em outras civilizações, encontraremos o mesmo fenômeno. Na Assíria e na Babilônia, cultuava-se a natureza. O Sol (Shamesh) era cultuado; e havia uma deusa para a noite, a Lua (Nanna). O céu era cultuado com o nome de Ass; o deus do ar era Enlil, da água, Enki. A Mãe-terra era chamada Ninhursg, e a rainha do céu, Innana.

Aliás, Gênesis 1 é uma verdadeira canção marcial. Por isso, no relato da obra criada parece no verso 11, "E disse Deus: Produza a terra relva, ervas que dêem semente, e árvores frutíferas que dêem fruto segundo a sua espécie, cuja semente estava nele, sobre a terra. E assim foi" (1.11). Florestas, e campos eram cultuadas em Canaã como sendo a expressão da Mãe-natureza. O retorno à natureza era o grande desejo dos cananeus. No entanto, o Senhor está dizendo: "Vocês cultuam a natureza, mas Eu sou o Criador dessa natureza que vocês admitem como deuses".

Mais adiante lemos: "Haja luminares". Eles eram cultuados, conforme vimos, no Egito, na Assíria, na Babilônia. Seres aquáticos foram cultuados: o peixe (na Filistia, Dagon), as aves (o íbis, no Egito). Em tudo Deus está dizendo, "Eu criei, enquanto vocês estão se dedicando a esses falsos deuses".

Mas não é preciso ir ao passado. Hoje esse tipo de coisa acontece. Na Índia, o Hinduísmo ensina que a salvação se obtém através das boas obras. E uma pessoa vai realizando boas obras na sua presente vida e em outras do passado e do futuro de maneira a alcançar a purificar-se. Naquele país, ainda hoje existe o sistema de castas. A mais elevada é a dos brâmanes, os sacerdotes. Uma pessoa da casta dos sacerdotes não se casa com alguém de uma casta inferior. A seguinte é a dos militares, onde acontece o mesmo. Depois vem a dos comerciantes, e a dos agricultores, e por fim a dos "zé-ninguém", o pária, aquele cuja sombra tocando outra pessoa de casta acima, obriga-a a se purificar através de um banho porque ficou maculada pela sua sombra.

No sistema hindu, se uma pessoa foi muito pecadora nesta vida, precisa cumprir a lei do Karma, tem que sofrer muito, e vai nascer numa casta inferior. Se era da casta militar, mas fez tanta coisa que não prestava nesta vida, tem que nascer numa casta inferior, como agricultor pôr exemplo. Mas fez tanto nessa outra condição que vai nascer como pária, e como pária foi tão ruim que pode nascer como um animal inferior. Por isso não matam animais. A TV Cultura mostrou o "Templo dos Ratos" alimentados com comida, com leite, e água levados pelas pessoas, que depois de bebida, e pisada pelos ratos é passada no corpo dos fiéis. Não é de admirar que na Índia haja uma explosão de epidemias por essa idéia que têm. Isso é hoje, e nem comem carne, porque a vaca, que é um animal sagrado, fica solta pelas ruas, atrapalhando, prejudicando o trânsito, mas ninguém tem a ousadia de matar uma vaca porque é considerada sagrada.

Entre os nossos índios, ocorre o animismo, a idéia de que cada coisa tem o seu espírito. Existe o espirito das árvores, o espirito das águas, e o das nuvens, o espírito disso e daquilo. E cada pessoa que morre transforma-se num espírito vagante. Há uma cerimônia no Xingu chamada quarup, quando, todos os anos, derrubam uma grande árvore na da floresta de modo a ser cortada em vários pedaços que são pintados e enfeitados para a "dança do quarup" que, segundo eles, faz com que o espírito daquele que morreu se incorpore naquele pedaço de tronco. Dançam, choram e oferecem presentes pensando estar na alma do seu parente incorporado. Essa coisa está vindo para o nosso meio. O jornal está falando de uma psicóloga em Salvador que se intitula Xamã. E ela está trazendo o Xamanismo como meio de terapia. Xamanismo é feitiçaria, pois em algumas tribos o feiticeiro, o pajé é chamado xamã. Ë pajelança. Mulher preparada, ilustrada trazendo a feitiçaria?!



UM INSTINTO RELIGIOSO

Que quer dizer tudo isso? Esses fatos nos dizem que há um instinto religioso na pessoa humana. Da mesma maneira que você tem o instinto de segurança, e o de alimentação, tem, igualmente, o instinto religioso que se encontra não só em cada pessoas individualmente falando, mas também em cada página da história. Por isso, Jesus disse: "Errais não conhecendo as Escrituras". E iam não somente atrás do crocodilo, atrás do peixe, ou atrás do trio elétrico, mas também atrás do xamanismo, porque pensam, sentem e querem algo que lhes satisfaça o instinto. E a religião é a expressão organizada desse instinto, razão porque o ser humano tem feito de tudo um deus: rãs, bois, sol, lua, árvores, etc. Isso quer dizer então, que todas as religiões sentem a mesma coisa, ou sejam elas primitivas ou altamente elaboradas. Todas são motivadas porque o ser humano necessita de Deus.

O EVANGELHO

Mas há algo diferente e especial no evangelho de Jesus Cristo: enquanto as religiões são motivadas pelo instinto religioso do ser humano o evangelho é motivado pelo amor de Deus. Que extraordinária diferença! Voltando à Escritura, encontramos o texto que diz "pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom [é presente que vem da parte] de Deus"( Ef. 2.8).

O cristianismo tem suas raízes no conceito de salvação, o que significa que nada que você faça, nada, absolutamente nada lhe pode dar a salvação. Somente a graça de Deus pode salvar. É o que diz aqui: "Pois é pela graça que sois salvos, por meio da fé - e isto não vem de vós, é Dom de Deus" (Ef. 2.8).

Que ensinam os outros sistemas religiosos? Todos dizem que você precisa fazer alguma coisa para obter a salvação. Há os que dizem que você precisa realizar boas obras. "fora da caridade, não há salvação", dizem eles. Mas a Bíblia diz "não vem das obras, para que ninguém se glorie" (Ef. 2.9).

Há os que dizem que vem através dos rituais, das rezas, das penitências. Está registrado no livro dos Atos dos Apóstolos o discurso que Paulo fez diante dos intelectuais em Atenas, afina flor dainteligentzia ateniense. No meio do discurso ele citou,


"Homens atenienses, em tudo vejo que sois muito religiosos. Pois passando eu e vendo os vossos santuários, achei também um altar em que estava escrito: AO DEUS DESCONHECIDO... Portanto, sendo nós geração de Deus, não havemos de pensar que a divindade seja semelhante ao ouro, ou à prata, ou à pedra esculpida pela arte e imaginação do homem. Mas Deus não levando em conta os tempos da ignorância, manda agora que todos os homens em todos os lugares se arrependam" (17: 22,23 a 29, 30).

Então vejam o interesse do evangelho não é que os deuses sejam aplacador, não é que se façam doações, ou rituais pelos quais espíritos sejam tranqüilizados, mas quer você seja salvo dos seus pecados, razão porque é perfeitamente correta a afirmação "O Cristianismo é uma religião de redenção."



REVITALIZANDO A IGREJA
ESTUDO SOBRE A IGREJA
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Introdução:
Aonde chegaremos como igreja se continuarmos insistindo em ser apenas o que temos sido e em praticar somente aquilo que temos praticado nestes últimos anos?

Essa pergunta estabelece a relevância do presente trabalho, que se justifica quando confrontamos o projeto da maioria de nossas igrejas com o potencial das igrejas batistas; o compromisso dos membros no exercício de cargos e no sustento da igreja com a indiferença reinante, expressa na média Brasil batista de integração que é de 40% apenas; a necessidade de revitalização da igreja para a sobrevivência no mundo globalizado com o tradicionalismo embotador imposto por um seguimento de líderes denominacionais ideologicamente ultrapassados e quando confrontamos a gradativa contextualização denominacional em seu interminável repensar, com o arcaísmo saudosista e excludente praticado por aqueles que insistem em não pensar a batistandade.

Tais confrontações se materializam na leitura do perfil traçado de muitas de nossas igrejas, tomando-se por base o alto índice de exclusões, o número de dizimistas fiéis, a média do número de membros e a incontável massa de líderes neopentecostais oriundos de nossa denominação.
Se analisarmos muitas de nossas igrejas sem ufanismo e sem o amor platônico que nos foi inculcado, temos que a admitir que a situação é caótica. Precisamos estudar mais as nossas doutrinas, deveríamos corre o risco de rever os nossos posicionamentos doutrinários, carecemos de uma reformulação da proposta de educação teológica e prosseguir repensando a denominação, mas creio que devemos urgentemente buscar a revitalização de nossas igrejas, para a retomada dos ideais de Cristo para a igreja e a manifestação da glória de Deus em nossos arraiais.

Este momento, em Eclesiologia, é a leitura hermenêutica do traçado histórico da igreja e a constatação da situação real em que nos encontramos, o que realmente permite que a igreja redirecione seu foco e retome os propósitos de Deus para o seu ministério e para o cumprimento de sua missão evangelizadora.


Antes que a igreja se prostre em nostalgia e desemboque nos questionamentos que provocam a rotura que tem como fim último o desaparecimento da igreja. Antes que a perda da identidade e da relevância no mundo como igreja ocorram, devemos avaliar as nossas convicções doutrinárias, os nossos objetivos e a nossa estrutura organizacional. Devemos revitalizar.
Revitalizar é reafirmar tudo aquilo que é bíblico, é retomar os princípios bíblico-teológicos desprezados e é reordenar a estrutura, o modelo e as estratégias para que não sejamos vitimados por uma nulidade eclesial devastadora. A igreja que busca a revitalização tem o privilégio e o compromisso de prosseguir sempre vitoriosa.

I - Missão e Visão: ferramentas para a revitalização da igreja

Se é nosso desejo revitalizar a igreja para augurarmos relevância ministerial na proclamação do evangelho, precisamos desenvolver uma genuína consciência de missão que propicie uma visão objetiva do que somos e do mundo para o qual pregamos.
Qualquer instituição, principalmente a igreja, se não sabe ao certo o que deve fazer e se não tem noção clara das estratégias possíveis para fazer o que deve, sucumbe a historicidade e torna-se dependente do tradicionalismo conservador de nulidades e acalentador da nostalgia petrificante.
Se esperamos ser igreja viva para cumprirmos o nosso papel no reino de Deus, devemos elaborar a nossa declaração de missão, que nos manterá atrelados a Palavra de Deus, bem como a nossa declaração de visão, que direcionará os nossos olhos sempre para o ideal de Cristo para a igreja.
Aqui, cabem duas perguntas; o que é a nossa missão e qual seria, a luz dessa missão, a nossa visão? Vejamos, a partir de uma conceituação teológica, as devidas respostas. A primeira resposta é sobre a missão.

* Missão é a definição objetiva e clara da nossa identidade como igreja local, independente da Denominação, buscando compreender o nosso corpo de doutrinas, o que cremos, e a nossa missão prática no mundo, o que devemos fazer.

É essa consciência de missão, quando bem definida, que estabelece a nossa identidade, quem somos, e que determina a qual denominação nos filiar. No nosso caso, fica mais fácil por que somos batistas e não devemos prescindir dessa identidade denominacional, mas carecemos de saber e de definir conceitualmente o que é ser batista no terceiro milênio. O que a CBB busca fazer com a aprovação do parecer do GT Repensando na última Assembléia convencional.



Agora vejamos a resposta sobre visão.

* Visão é, a partir da compreensão de nossa realidade efetiva, a imagem futura que fazemos do lugar onde pretendemos chegar como igreja e a concepção filosófica de como vivemos como igreja de Jesus no mundo.

Nossa visão do mundo e de nós mesmos como igreja é determinada e condicionada pela nossa consciência de missão. Se não sabemos quem somos, o que cremos e o que devemos fazer, não temos o que olhar ou, sequer, para onde direcionar os nossos olhos.

Temos um verdadeiro desafio missionário no Brasil e no mundo. Não podemos acreditar que está tudo muito bom, basta olharmos para o tempo de permanência da igreja batista no País e confrontarmos com o número de membros que somamos. Mais de 120 anos de igreja contra aproximadamente um milhão de batistas, conforme as últimas estatísticas denominacionais. Um número inexpressivo se comparado a densidade demográfica verificada no censo 2000 e divulgada pelo IBGE.

Precisamos ou não de revitalização? Carecemos ou não de redescobrir a nossa missão? Necessitamos ou não de restaurarmos a nossa visão? A resposta para estas questões é um altissonante e retumbante sim! Não podemos negar a necessidade de restaurarmos a nossa visão para que obtenhamos vitória de Deus no cumprimento da nossa missão. Negar a necessidade de revitalização é como usar antolhos históricos e eclesiológicos.

Nossa missão precípua é a evangelização, mas para levarmos a cabo esta grandiosa tarefa carecemos de uma previsão dotada de discernimento e alicerçada na compreensão do que deveríamos ter feito como igreja de Cristo nestes mais de 120 anos de história. Isso é ter visão.
Na verdade, nos deparamos com a premente necessidade de definirmos as nossas reais intenções ministeriais a fim de que adquiramos características eclesiológicas e expressão cúltica puramente bíblicas, bem como uma identidade denominacional definitivamente Batista, não tradicionalista.

II - Declaração de Missão e de Visão cabíveis para a revitalização da igreja

Acreditando serem positivas as respostas às questões colocadas, buscamos nos arraiais batistas as respostas possíveis e as apresentamos no presente trabalho, no afã de definirmos nossa declaração de missão, bem como a nossa declaração de visão. Vale ressaltar a necessidade de adaptação à realidade da igreja local, no caso de se considerar apropriada a presente propositora.
Tomando por base o livro de Darrell Robinson, que apresenta a nova análise bíblica dos dons espirituais no contexto Batista, visto que desejamos estar afinados com a batistandade, definimos a nossa declaração de missão e de visão.

Sobre a missão, podemos asseverar que:

* A missão da nossa igreja é evangelizar os pecadores, capacitando-os, após a conversão, como santos de Deus, para a exaltação de Cristo.

Não há mistério nem inovações. A nossa missão só pode ser baseada em textos como Mateus 28.19 e 20 e Marcos 16.15, que apresentam a Grande Comissão delegada por Jesus e ainda, em textos como Lucas 24.44-48 e João 20.21, que determinam a formatação missiológica designada pelo próprio Cristo para a sua igreja.


Esta declaração de missão proporciona uma vida eclesiástica equilibrada e contém tudo que é essencial para o fortalecimento doutrinário, para a maturidade espiritual e para o crescimento numérico da igreja. Logo, essa missão promoverá relevância histórica e ministerial para a igreja, incitando seus membros e sua liderança à constante renovação do entendimento de si mesma, de suas doutrinas e de suas estratégias ministeriais. A igreja deve se permitir a uma permanente autocrítica e praticar uma continuada hermenêutica histórica, se deseja cumprir sua missão.

Com relação a visão, ainda tomando por base Darrell Robinson, afirmamos que:

* Nossa visão é ser Corpo Vivo de Cristo, com todas as suas implicações, vivendo, coletiva e individualmente, sob sua autoridade e seu senhorio, cumprindo a nossa missão evangelizadora com autoridade espiritual e relevância sociocultural, exercendo influência ético-cristã na sociedade.

Essa visão está de acordo com os princípios do Novo Testamento e vem do Cabeça da igreja, Jesus. É isso que podemos deferir de textos como Mateus 16.18, que apresenta a igreja como poderosa e vitoriosa no embate contra o inferno, e de 1 Pedro 2.1-5, que nos posiciona como casa espiritual e ministradores do sacerdócio universal praticado em genuína espiritualidade, a fim de que obtenhamos contundente autoridade testemunhal em Cristo.

Temos o mesmo Senhor e Cabeça, Jesus, Colossenses 1.18. É a cabeça que impõe a visão. A imagem visual se projeta e se define a partir da construção da imagem mental que se faz. O tamanho da igreja é diretamente proporcional a visão que seus membros têm de Deus e ela cumpre sua missão na mesma proporção em que crê no poder de Deus ainda atuante no mundo.

III - Antíteses indispensáveis para a revitalização bem-sucedida

É extremamente produtivo definir a declaração de missão e de visão, ou mesmo redefini-las, se entendemos que se faz necessário, mas este labor impõe antíteses entre o tradicionalismo da batistandade e a tradição bíblica que deve ser abraçada pela igreja de Cristo denominada Batista.

Muitas vezes, lidar com estas antíteses não é nada agradável e exige uma firmeza doutrinária hercúlea e uma identidade denominacional capaz de intercambiar relacionamento sem se permitir ser influenciado. Diversos líderes postergam ao máximo a decisão de iniciar a revitalização da igreja na tentativa de evitar os desgastes decorrentes destas antíteses, muitas vezes lamentando, ao final, a perda de seus membros para a igreja neopentecostal que se acampou nas redondezas.

Em síntese, a questão reside na compreensão da diferença entre o que é ser uma Igreja Tradicional ou uma Igreja Tradicionalista, visto que a maioria dos nossos membros, e até mesmo boa parcela dos nossos líderes, não sabe a diferença efetiva entre uma coisa e outra.



Tradição é ato de transmitir ou de entregar. É a transmissão de valores espirituais através das gerações. Filosoficamente, tradição é a herança cultural transmitida de uma geração para outra, visando preservar as crenças. É o único reconhecimento e a única garantia da verdade. Em Teologia, tradição consiste em sabedoria e discernimento quanto a validade das instruções e as noções religiosas transmitidas de geração para geração.

Na Bíblia, vemos em 2 Tessalonicenses 2.15 e em 1 Coríntios 11.2 indicações para se preservar a tradição, onde a palavra no original significa preceitos doutrinários e está condicionada a doutrina dos apóstolos citada em Atos 2.42.

A doutrina dos apóstolos nada mais é do que os ensinamentos espirituais transmitidos por Jesus, que são verdadeiros e que estabelecem os parâmetros e a validade do cristianismo. Não há na Bíblia qualquer referência a tradição denominacional, até porque denominação não existia no período da Igreja Primitiva.

A primeira Denominação Cristã surgida foi o Catolicismo Romano, no século IV, que monopolizou a igreja até o movimento de Reforma Protestante, no século XVII.



Tradicionalismo é aferro ou apego, ou seja, amor exagerado aos usos antigos. Filosoficamente, tradicionalismo é a defesa explícita da tradição no âmbito do espírito romântico, classificando como tradição o que se entende ser verdadeiro e não necessariamente a verdade.

Em Teologia rejeita-se o tradicionalismo devido a sua origem no iluminismo e o seu ponto culminante, a Revolução Francesa, visto que tais movimentos foram uma tentativa idealista de se devolver à Igreja Católica Romana a absoluta autoridade sobre as questões religiosas.



No contexto bíblico, tradicionalismo é um mal devastador que afasta as pessoas do ideal de Deus para escravizá-las com rudimentos humanos ou para enganá-las com sutilezas diabólicas, Marcos 7.1-13 e Colossenses 2.8-15.
Jesus combateu a tradição dos anciões, escribas e fariseus, que impunham ao povo 365 proibições e 250 mandamentos, acusando-os de subjugar o povo com um fardo extremamente pesado que nem mesmo eles suportariam carregar, Mateus 23.1-7.

No contexto da igreja que busca a revitalização e que está disposta a se permitir as antíteses necessárias na avaliação de sua prática eclesiológica e cúltica, a diferença fundamental entre tradição e tradicionalismo se identifica no quadro que se segue
Este quadro reflete algo que já ouvi do próprio Pr. Ed Kivitz em assembléias convencionais: "Tradicionalismo é a fé morta dos vivos. Tradição é a fé viva dos mortos".

Depois de se permitir a estas antíteses, a pergunta talvez seja; o que vai mudar realmente? A resposta não é simples e nem resumida na palavra tudo. Na verdade, as mudanças reais acontecerão, primeiro, por que a igreja terá uma identidade denominacional e doutrinária própria, não o perfil do pastor. Segundo; na formação da liderança, que será mais efetiva e sempre direcionada pelo serviço cristão, e não pela iconografia muitas vezes perniciosa. Terceiro, doutrinariamente, nada. Os ajustes doutrinários possíveis são os promovidos pela CBB, como no caso do Espírito Santo. A igreja apenas se adequará a estes ajustes para permanecer fiel a Declaração Doutrinária da Convenção Batista Brasileira.


Em quarto lugar, no que diz respeito a Eclesiologia, nada mudará também. A Eclesiologia trata dos postulados filosóficos sobre o ser igreja, o que não se pode prescindir como Batistas. As mudanças se efetivarão na expressão cúltica, na forma do praticar o culto, que será ajustado ao Texto Sagrado, renunciando tradicionalismo histórico e promovendo mudanças radicais de vida nos membros da igreja. A igreja se tornará mais contextualizada e menos ritualista; mais informal e menos eclesiástica, visto que bater palmas, utilizar bateria e guitarras, bem como cantar hinetos ou fazer coreografias nas músicas, não são temas contemplados no estudo da Eclesiologia Batista.


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