Faculdade teológica do brasil "Entidade Educacional Com Jurisdição Nacional"



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B. Os Passos da Disciplina
Biblicamente, a disciplina na igreja tem um triplo objetivo: 1) restabelecer o pecador (Mt 18.15; 1 Co 5.5 e Gl 6.1); 2) manter a pureza da igreja (1 Co 5.6-8) e 3) dissuadir outros (1 Tm 5.20). É este triplo propósito que aponta para os passos a serem seguidos em uma aplicação correta da disciplina eclesiástica. Esses passos são especialmente mencionados em Mateus 18.15-17.

1. Abordagem individual- O v. 15 (Se teu irmão pecar vai argui-lo entre ti e ele só...) ensina que a confrontação é um tarefa cristã. Uma das melhores coisas a se fazer por um irmão em pecado é confrontá-lo em amor (Pv 27.5-6). Mas é sempre arriscado confrontar alguém, pois nunca se pode prever a reação do mesmo. Jesus, todavia, dirige nossa atenção para a alegre possibilidade de que tal irmão nos ouça. Além do mais, o termo grego e)/legcon ("arguir, instruir, confrontar," v. 15) também pode ser traduzido como "trazer à luz, expor."(10) É significativo o fato de que esse é o mesmo termo usado em João 16.8 para descrever o ministério do Espírito em relação àqueles que estão no mundo, em convencê-los (confrontá-los) "do pecado, da justiça, e do juízo." Assim, antes de confrontar um irmão, podemos sempre clamar por socorro Àquele cujo ministério de confrontação é sempre eficaz.

2. Admoestação privada - No caso de o ofensor não atender à confrontação individual, Jesus ordena que haja admoestação privada (v. 16). Nesse caso, um número maior de pessoas é envolvido. A princípio, pode parecer que o objetivo desse passo é intimidar o ofensor. Uma atenção maior, porém, leva-nos a entender que o propósito do mesmo pode ser o de conscientizar o ofensor quanto aos prejuízos de sua atitude para com a comunidade do corpo de Cristo. Em outras palavras, nosso pecado traz conseqüências pessoais e coletivas. Além do mais, Jesus afirma que as outras pessoas envolvidas nesse processo serão testemunhas. Isto é uma referência à prática vetero-testamentária de não se condenar alguém com base apenas em uma opinião pessoal (ver Nm 35.30, Dt 17.6 e 19.15). Com isto, a objetividade do caso é preservada, o que diminui as chances de injustiça, e o ofensor é beneficiado.

3. Pronunciamento público (v. 17) - Tal proceder nunca é violação de segredos, pois o ofensor deliberadamente recusou os caminhos prévios do arrependimento. Diante de tal pronunciamento cada membro do corpo de Cristo deve orar pelo pecador, evitar comentários desnecessários (2 Ts 3.14-15) e vigiar a si próprio (1 Co 10.12). Tal oficialização pública da disciplina traz implicações temporárias em relação aos sacramentos (1 Co 11.27).(11)

4. Exclusão pública - O último recurso da disciplina é o da excomunhão (do latim ex, "fora," e communicare, "comunicar"), na qual o ofensor é privado de todos os benefícios da comunhão. Nesse caso, o ofensor é tido como gentio (a quem não era permitido entrar nos átrios sagrados do templo do Senhor) e publicano (que eram considerados traidores e apóstatas: Lc 19.2-10). Com estes não há mais comunhão cristã, pois deliberadamente recusam os princípios da vida cristã (1 Co 5.11). Se o seu pecado é heresia, ou seja, o desvio doutrinário das verdades fundamentais ensinadas nas Escrituras, eles não devem nem mesmo ser recebidos em casa (2 Jo 10-11).

É claro que cada um desses passos envolve dor, tempo, amor e transparência. Nenhum deles é agradável e eles só prosseguem diante de dureza de coração do ofensor, ou seja, a recusa ao arrependimento. Há porém o conforto de saber que a presença e o poder de Jesus são reais mesmo no contexto desse processo (Mt 18.19-20). Assim, a disciplina eclesiástica "não é uma atividade a ser realizada facilmente, mas algo a ser conduzido na presença do Senhor."(12)

III. Implicações teológicas

Sem a intenção de limitar, mas tão somente de elucidar, oferecemos três tópicos teológicos que estão vitalmente ligados ao processo da disciplina eclesiástica.

A. Disciplina e a Adoração Cristã
A verdadeira adoração "é a mais nobre atividade de que o homem, pela graça de Deus, é capaz."(13) A exclusiva adoração a Deus é um mandato divino (Mt 4.10 e Ap 19.10), é uma marca da fé salvadora (Fp 3.3), e deve seguir os princípios revelados por Deus em sua Palavra.(14) Um princípio essencial da adoração cristã é o zelo pela santidade do nome do Senhor (Ex 20.7 e Mt 6.9). A negligência do povo de Deus quanto aos mandamentos do Senhor motiva os incrédulos a blasfemar o nome de Deus (Rm 2.24). Assim, o zelo pela santidade do nome de Deus implica diretamente no exercício da disciplina eclesiástica. Uma igreja adoradora e ao mesmo tempo tolerante para com o pecado no seu seio é uma contradição de termos e recebe a repreensão do Senhor (Ap 2.18-29).

B. Disciplina e as Marcas da Igreja
A Reforma Protestante do século XVI considerou importantíssima para a teologia cristã a seguinte questão: Como distinguir entre a igreja verdadeira e a falsa? Em outras palavras, quais são as marcas da verdadeira igreja cristã? Para o reformador João Calvino, tais marcas consistem da proclamação da Palavra, da administração dos sacramentos e do exercício da disciplina eclesiástica. Segundo ele, "aqueles que pensam que a igreja pode sobreviver por longo tempo sem disciplina estão enganados; a menos que pensemos que podemos omitir um recurso que o Senhor considerou necessário para nós."(15) Nesse sentido, "a disciplina eclesiástica é tão necessária quanto os ligamentos do corpo humano, ou como a disciplina em família."(16)

Sendo que Cristo deseja sua igreja "sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, porém santa e sem defeito" (Ef 5.27), a disciplina eclesiástica é altamente relevante, pois é um meio instituído por Deus para manter pura a sua igreja. O servo de Deus sempre deve almejar a pureza da noiva do Cordeiro (2 Co 11.1-3), mesmo diante da possibilidade da sua contaminação pelo mundo.

C. Disciplina e Evangelismo
A disciplina evidencia o amor cristão pelo pecador, ainda que esse pecador seja um dos membros da igreja. Esse amor pelo pecador cristão também reflete o amor da mesma pelo pecador incrédulo. A disciplina eclesiástica ressalta a seriedade do pecado. Sem a visão dessa seriedade, a igreja não é corretamente motivada a buscar a redenção do pecador. Há uma relação entre disciplina eclesiástica e evangelismo.

Uma igreja sem disciplina torna-se um impecilho para o avanço do evangelho. Essa relação vital entre evangelismo e disciplina é clara à luz de 1 Co 5.12-13. O evangelismo é dirigido aos que estão fora dos portões da igreja e que estão escravizados pelo pecado. A disciplina é dirigida àqueles que estão dentro dos portões da igreja e que estão se sujeitando ao domínio do pecado. Assim, ambos (evangelismo e disciplina) almejam a liberdade do pecador e a concretização do triunfo histórico da graça sobre o pecado na vida do mesmo (Rm. 6.1-23). Uma igreja sem disciplina proclama uma liberdade desconhecida, ou rejeitada, pelos seus próprios membros. Como diz Barnes, "há pouca vantagem em uma greja que tenta vencer o mundo se ela já tem se rendido ao mundo."(17)

Conclusão
Laney adverte para o fato de que "a disciplina é como um medicamento muito forte: pode trazer a cura ou causar maior dano."(18) Nenhum profissional médico, porém, se recusa a aplicar um medicamento que pode curar o seu paciente apenas porque o mesmo é forte. Também, nenhum doente faz opção pela morte ou pela continuidade da doença se a vida e a cura podem estar tão próximas.

Uma séria reflexão bíblica sobre a disciplina eclesiástica evidencia dois princípios básicos. Primeiro, que a disciplina na igreja não é uma opção, mas sim uma ordenança e, conseqüentemente, uma bênção divina (Hb 12.5-7). Segundo, que a disciplina requer profundo amor por parte da igreja que a aplica e semelhante humildade e quebrantamento por parte daquele que é disciplinado (2 Co 2.5-11).

1 Ver Os Guinness, Dining With the Devil: The Megachurch Movement Flirts With Modernity (Grand Rapids: Baker, 1993).

2 Ver Guilherme de Barros, "O Pastor da Esquerda Evangélica," Vinde (Julho 1997):7-12. Nessa entrevista, o bispo Robson Cavalcanti teoriza sobre casos em que a poligamia poderia ser considerada uma atitude mais humana. O presente autor discorda do bispo e crê que a questão retórica a ser levantada não é se condenar a poligamia "seria humano," mas sim se a prática atual da mesma "é bíblica."

3 Essa é uma constante referência à obra clássica de Nathaniel Howthorne, The Scarlet Letter.

4 Josh N.D. McDowell, Tolerating the Intolerable: A Mandate of Love (Wheaton, Illinois: Josh McDowell Ministry).

5 Richard J. Foster, Celebração da Disciplina: O Caminho do Crescimento Espiritual, trad. Luiz Aparecido Caruso (São Paulo: Vida, 1983).

6 Carl J. Laney, "The Biblical Practice of Church Discipline," Biblioteca Sacra (Outubro-Dezembro 1986): 353-64.

7 Compton’s Interactive Encyclopedia, 1997 (The Learning Company, Inc. CD).

8 Justo L. González, The Story of Christianity (Nova York: HarperSanFrancisco, 1984), 277-359.

9 Wayne Grudem, Systematic Theology (Grand Rapids: Zondervan, 1994), 896. Minha tradução. A única exceção a esse princípio foi "o pecado secreto de Ananias e Safira (At 5.1-11). Nesse sentido a atuação extraordinária do Espírito Santo resultou em grande temor entre os membros da igreja."

10 F. F. Bruce, ed., Vine’s Expository Dictionary of Old and New Testament Words (Nova Jersey: Fleming H. Revell, 1981), 283-4.

11 R. N. Caswell, "Discipline," em New Dictionary of Theology, eds. S. B. Ferguson, D. F. Wright, e J. I. Packer (Downers Grove: InterVarsity, 1988), 200.

12 Grudem, Systematic Theology, 898. Minha tradução.

13 John R. W. Stott, Christ the Controversialist: A Study in Some Essentials of Evangelical Religion (Londres: Tyndale Press, 1970), 160. Minha tradução.

14 Confissão de Fé de Westminster, XXI.i.

15 John Calvin, Institutes of the Christian Religion, ed. John T. McNeill (Filadélfia: Westminster, 1960), 4.7.4. Minha tradução.

16 Caswell, "Discipline," 200. Minha tradução.
17 Peter Barnes, "Biblical Church Discipline," The Banner of Truth 414 (Março 1998): 20. Minha tradução.
18 Laney, "The Biblical Practice of Church Discipline," 363.


É Maravilhoso...
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Vede que grande amor nos tem concedido o Pai: que fôssemos chamados filhos de Deus; e nós o somos. Por isso o mundo não nos conhece; porque não conheceu a ele. Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não é manifesto o que havemos de ser. Mas sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele; porque assim como é, o veremos” (1Jo 3.1,2).

Sou fascinado pela Primeira Carta de João. Ela tem qualidades extraordinárias. Este é o mesmo João que um dia, ao passarem Jesus e os discípulos por Samaria, ao perceber a má vontade dos samaritanos em receber o grupo porque era composto de judeus (pois havia inimizade entre samaritanos e judeus, como, por sinal, ainda hoje acontece), indaga de Jesus se não seria conveniente pedir um raio que acabasse com os samaritanos tão sem hospitalidade (cf. Lc 9.51-54). Este tão intolerante e raivoso João é o mesmo que quase sessenta depois, amadurecido, experimentado, tem agora um tratamento absolutamente diferente. Escreve esta carta debaixo de uma ternura tão grande, como atestam suas palavras do início até o verso final.

É nessa carta que ele diz que “Deus é amor” (4.8); que “temos um advogado para com o Pai” (2.1); e, ainda, “Eu escrevi, jovens, porque sois fortes, e a palavra de Deus permanece em vós, e já vencestes o Maligno” (2.14).

Fizemos o destaque dos versículos iniciais do capítulo 3, que passaremos a comentar. Estes dois versículos nos dão uma grande descoberta: o evangelho de Jesus Cristo tem uma mensagem de alcance mundial, tão extraordinária que fala de quando nosso passado foi obliterado, jogado para trás, fala de uma experiência presente na nossa caminhada em e com Cristo, e fala do futuro, daquilo que nos aguarda, da gloriosa epifania, da presença de Jesus Cristo, de Sua manifestação na Segunda Vinda. Algo especial vai acontecer, e isso é maravilhoso!

É MARAVILHOSO...

“Vede que grande amor nos tem concedido o Pai: que fôssemos chamados filhos de Deus; e nós o somos” (v. 1). É maravilhoso sermos “chamados filhos de Deus”.

Quem são os filhos de Deus? A pergunta tem pertinência porque existe uma teologia popular que afirma que todos são filhos de Deus. Ouvi nesta semana um pedaço de conversa no supermercado em que um cidadão dizia para o outro: “... mas eu também sou filho de Deus...” Talvez fosse, não queremos julgar, mas a idéia geral e popular é essa.

É popular, mas não é da Bíblia, que ensina que somos criaturas de Deus, ou como o apóstolo Paulo deixou registrado, “somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus antes preparou para que andássemos nelas” (Ef 2.10). A palavra “feitura” é muito sugestiva na língua em que Paulo escreveu esta carta; é poeimia, de onde vem nossa palavra “poema”. Somos uma obra de arte de Deus, mas tão somente criaturas.

Então, se todos somos criaturas, quem é filho de Deus? Há inúmeras referências na Bíblia Sagrada sobre isso. Gálatas 3, verso 26, não deixa por menos: “Pois todos sois filhos de Deus pela fé em Cristo Jesus.” Já fez uma tremenda limitação, pois quem não tem fé em Jesus Cristo não é filho de Deus!

Se assim é, que teologia é essa que ensina que todos somos filhos de Deus? Se alguém não acompanha a Jesus, não o considera com responsabilidade na vida, não tem um comprometimento sério com Ele pode efetivamente ser chamado “filho de Deus”? Pela Escritura Sagrada, não. Vamos, então, ao Evangelho de João. É o mesmo escritor da carta que estamos apreciando. Diz ele: “Veio [Cristo] para o que era seu, e os seus não o receberam. Mas, a todos quantos o receberam, aos que crêem no seu nome [aos que têm fé-adesão, compromisso], deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus” (Jo 1.11,12).Quem é filho de Deus? Os que têm fé e crêem em Cristo Jesus.

Diz a Palavra de Deus, ainda, que são filhos de Deus os que andam em sinceridade. Ser sincero é ter uma face autêntica, ser puro de mãos e limpo de coração. A palavra sincero vem do teatro greco-romano. O modo de fazer teatro era diferente do nosso, visto que a postura corporal, o tom da voz, a expressão facial têm enorme importância no teatro moderno. No teatro romano, usavam-se máscaras: uma tinha a boca voltada para cima como se estivesse sorrindo, e dava idéia de alegria, e a outra tinha a boca voltada para baixo como se chorasse, e denotava tristeza. Para passar alegria, colocava-se no rosto a máscara feita de cera denotando felicidade; se tristeza, a máscara triste de cera era colocada no rosto. Quando o ator não estava de máscara, sem a cera no rosto, portanto, estava com a verdadeira face aparecendo. Uma pessoa “sincera” (sem cera) ´não está mascarada, mostra quem é. E diz a Bíblia que quem anda na honestidade de seu coração voltado para a fé em Jesus Cristo, essa pessoa é filha de Deus. E o propósito do evangelho é patente: “...para que vos torneis irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus imaculados no meio de uma geração corrupta e perversa, entre a qual resplandeceis como luminares no mundo” (Fp 2.15).

Diz a Palavra Santa que é filho de Deus quem é praticante da justiça. Palavrinha boa... justiça! Ser justo é ser reto no que se faz. Nas artes gráficas, justificar é colocar tudo reto; o mesmo em informática: pode-se justificar pelo lado esquerdo, pelo direito ou pelo meio. A Palavra de Deus é tão clara quando diz, “Justificados, pois, pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo” (Rm 5.1). Glória a Deus porque pela fé somos considerados retos diante de Deus: tudo o que é passado vai para a lixeira da eternidade, e agora temos uma vida toda nova porque fomos considerados justos pelo Senhor, palavras Suas. Essa citação encontra outra versão em 1João 3.10: “Nisto são manifestos os filhos de Deus, e os filhos do Diabo: quem não pratica a justiça não é de Deus”. A Bíblia diz, ainda, que são filhos de Deus os que promovem a paz. “Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus” (Mt 5.9).

Pacificador não é o não-violento, nem o que foge de conflitos: é o que promove a paz.

Uma melhor tradução para esta afirmação de Jesus Cristo é “Bem-aventurados os promotores da paz, porque eles serão chamados filhos de Deus”, ou. A modo exclamativo, “Como são feliz os artesãos da paz porque Deus os tem como herdeiros de Sua natureza”. Uma oração atribuída a Francisco de Assis pede “Senhor, faze de mim um instrumento de Tua paz”. Está dentro do espírito do evangelho. Filhos de Deus são os guiados pelo Espírito Santo de Deus. “Pois todos os que são guiados pelo Espírito de Deus, esses são filhos de Deus ... O Espírito mesmo testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus” (Rm 8.14, 16); “E, porque sois filhos, Deus enviou aos nossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai” (Gl 4.6).

Voltando ao texto básico (“Vede que grande amor nos tem concedido o Pai: que fôssemos chamados filhos de Deus; e nós o somos. Por isso o mundo não nos conhece; porque não conheceu a ele.

Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não é manifesto o que havemos de ser. Mas sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele; porque assim como é, o veremos”, 1Jo 3.1,2), descobrimos que é mais extraordinária uma declaração que vem a seguir:

É MAIS MARAVILHOSO... O fato de que agora somos filhos de Deus, pois “Amados, agora somos filhos de Deus...” (1Jo 3.2a). Além de referendar a primeira e já comentada declaração, acrescenta que “neste momento, neste instante, agora somos filhos de Deus”! E isto é mais extraordinária porque ninguém precisa ficar esperando que uma determinada situação aconteça para tentar obter a filiação divina. Paulo e João nos dizem que a relação fundamental dos salvos com Deus é filial. Paulo nos dá o aspecto legal. Diz que fomos adotados por Deus: é a adoção, portanto. Gálatas 4.5 esclarece: “vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido debaixo de lei, para resgatar os que estavam debaixo de lei, a fim de recebermos a adoção de filhos” e “Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual ... nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis diante dele em amor; e nos predestinou para sermos filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade” (Efésios 1.3-5; cf. Rm 8.15).

João nos apresenta o aspecto natural: fala de geração.. Paulo diz que fomos adotados, mas João diz que fomos gerados, e isso é mais íntimo. Uma pessoa quis falar de uma criança que havia adotado. Ao ser indagada pelo interlocutor, “então, é seu filho de criação?”, respondeu com muita ternura, “Não, é meu filho do coração...” Que lindo jogo de palavras. Há o filho que nasce do ventre e há o que nasce do coração. Os apóstolos usam ambas as figuras. A Bíblia diz que Deus nos gera no coração agora! Precisamos entender, no entanto, na lei romana, sob a qual Paulo viveu, adoção era considerada como equivalente à verdadeira filiação. E como a nossa lei é herdeira direta da linha-mestra do Direito Romano, também no nosso Direito o filho adotado é reputado como filho que nasceu do ventre daquela mãe. Neste verso, duas das suas idéias centrais se encontram: o amor e a filiação da parte de Deus. Um amor que tem como fim, como objetivo que os seres humanos sejam chamados Seus filhos. É como claramente diz João:

“somos filhos de Deus”, palavras que anunciam o glorioso fato de que pertencemos à família divina. E isso é simplesmente maravilhoso porque não acontecerá no futuro, mas já acontece agora. Observe o relato a seguir: “Disse-lhe alguém: Eis que estão ali fora tua mãe e teus irmãos, e procuram falar contigo. Ele, porém, respondeu ao que lhe falava: Quem é minha mãe? e quem são meus irmãos? E, estendendo a mão para os seus discípulos disse: Eis aqui minha mãe e meus irmãos. Pois qualquer que fizer a vontade de meu Pai que está nos céus, esse é meu irmão, irmã e mãe” (Mt 12.46-50, itálico do autor). E porque filhos de Deus, Seus interesses se tornam nossos interesses. Filhos da ira que éramos, tornamo-nos, por adoção, herdeiros da Sua glória. No nascimento carnal, filhos da desobediência; no segundo nascimento, no espiritual, filhos de Deus. E esse estado é desfrutado agora, seja a pessoa abençoada rica ou pobre, letrada ou não. Isso quer significar uma série de privilégios:

? Somos congregados num só corpo: “o sumo sacerdote naquele ano, profetizou que Jesus havia de morrer pela nação, e não somente pela nação, mas também para congregar num só corpo os filhos de Deus que estão dispersos” (Jo 11.52).

? Somos herdeiros de Deus: “e, se filhos, também herdeiros, herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo; se é certo que com ele padecemos, para que também com ele sejamos glorificados” (Rm 8.17).

? Recebemos o amor e a disciplina da parte do Pai: “Vede que grande amor nos tem concedido o Pai: que fôssemos chamados filhos de Deus” (1Jo 1.3) e “É para disciplina que sofreis; Deus vos trata como a filhos; pois qual é o filho a quem o pai não corrija?” (Hb 12.7).

? Somos filhos da ressurreição: “porque já não podem mais morrer; pois são iguais aos anjos, e são filhos de Deus, sendo filhos da ressurreição” (Lc 20.36).

E vivemos na expectativa de um futuro glorioso e radiante, como destaca 1João 3.2, a ser explicado em seguida.



É AINDA MAIS MARAVILHOSO... “... sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele” (Jo 3.2b). Aqui temos três informações importantíssimas: O Senhor Jesus ainda se manifestará. Estamos no aguardo do retorno de Cristo, ansiamos por Sua vinda. Ele virá e nos tomará para Si como nos prometeu em Mateus 24.30, 31: “aparecerá no céu o sinal do Filho do homem, e todas as tribos da terra se lamentarão, e verão vir o Filho do homem sobre as nuvens do céu, com poder e grande glória. E ele enviará os seus anjos com grande clangor de trombeta, os quais lhe ajuntarão os escolhidos desde os quatro ventos, de uma à outra extremidade dos céus”.

Este texto é referendado por “o Senhor mesmo descerá do céu com grande brado, à voz do arcanjo, ao som da trombeta de Deus, e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro. Depois nós, os que ficarmos vivos seremos arrebatados juntamente com eles, nas nuvens, ao encontro do Senhor nos ares, e assim estaremos para sempre com o Senhor” (1 Ts 4.16, 17).



Nós o veremos como é. Não como homem de dores, não na Sua Paixão, isso já ficou para trás! Vamos vê-Lo gloriosamente retornando como a Bíblia descreve: “Eis que vem com as nuvens, e todo olho o verá” (Ap 1.7a), e, repetimos, “Então aparecerá no céu o sinal do Filho do homem, e todas as tribos da terra se lamentarão, e verão vir o Filho do homem sobre as nuvens do céu, com poder e grande glória” (Mt 24.30). Agora o veremos na Sua glória como Rei dos reis e Senhor dos senhores! Há uma terceira etapa:
isso vai completar nossa semelhança com Ele. Isso é extraordinário porque “Quando Cristo, que é a nossa vida, se manifestar, então também vós vos manifestareis com ele em glória” (Cl 3.4). Agora, precisamos ter a mente de Cristo como Paulo enfatiza (“nós temos a mente de Cristo, 1Co 2.16), precisamos imitar a Jesus Cristo agora (“sede pois imitadores de Deus, como filhos amados”, Ef 5.1). Mas quando Jesus retornar, vai de tal maneira que não somente teremos a mente de Cristo, mas também o corpo semelhante ao corpo glorioso de Cristo. A Bíblia é um tanto econômica sobre esse assunto. Paulo, por exemplo, não soube como dizer como seria este corpo igual ao corpo glorioso de Cristo. Por isso, colocou uma expressão, “corpo espiritual”. Como seria este “corpo espiritual”? É só lembrar o episódio da transfiguração: “tomou Jesus consigo a Pedro, a Tiago e a João, irmão deste, e os conduziu à parte a um alto monte; e foi transfigurado diante deles; o seu rosto resplandeceu como o sol, e as suas vestes tornaram-se brancas como a luz” (Mt 17.1, 2). Esta visão extraordinariamente gloriosa pode ser uma pista para entendermos o “corpo espiritual” de que fala Paulo. Implícito em todo o que foi dito por João e Paulo está a Segunda Vinda, a transformação dos corpos operada na ressurreição, a reconfiguração dos que estiverem vivos naquela ocasião. E tudo isso começa com uma coisa: a fé. E não é verdade?

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