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UMA GRANDE IGREJA É AQUELA QUE TEM FIRMEZA DE FÉ E DE DOUTRINAS



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UMA GRANDE IGREJA É AQUELA QUE TEM FIRMEZA DE FÉ E DE DOUTRINAS

Como é possível obter uma fé estável, firme, que não seja levada por todo vento de heresia ou de corrupção? Temos algumas pistas na Palavra de Deus. Uma muito simples é compartilhando as experiências nos cultos. A Carta aos Hebreus quase que diz "Não deixando a vossa congregação como é costume de... Fulano de Tal..."Mas o Espírito Santo diz "Não deixando a vossa congregação como é costume de alguns". E esses "alguns" sabem quem são e quais são os costumes: de faltar sem necessidade, de passear pelas outras igrejas (o chamado "turismo eclesiástico").

Irmão amado, irmã querida, qual a sua mesa espiritual? Já imaginou se seu filho resolvesse que amanhã vai almoçar na casa do vizinho, e terça-feira na casa da tia, quarta-feira vai para a do primo, e assim cada dia da semana. Seria uma tremenda economia para o irmã, mas o feijão-com-arroz é em casa. Fora, há banquete, mas há tantos banquetes que fazem mal. Feijão-com-arroz bem preparado, bem temperado edifica, faz crescer, engorda e faz ficar bonito. O mesmo com a doutrina: edifica, fortalece, encaminha.

O hábito da freqüência sistemática aos cultos é uma bênção na vida do cristão por ser fundamental para a firmeza de suas convicções. Li uma frase (mas não vou dar 100% de crédito porque conheço a luta de alguns irmãos): "No domingo de manhã, vêm todos; à noite, só os fiéis". Achei-a um tanto pesada. É meio complicado para um igreja de centrão da cidade ter uma altíssima freqüência à noite: há quem more muito distante, há quem seja idoso, há quem tenha filhos ainda pequenos, e outra tantas razões. Porém, se você não tem nenhum desses impedimentos, venha. Traga sua alegria, seu louvor, sua contribuição de presença à Celebração do Nome de Jesus.

E o Culto de Oração nas quartas ou quintas-feiras que tem virado uma lástima em algumas igrejas? Alguém me repassou uma Nota de Falecimento que diz o seguinte:
Nota de falecimento
Faleceu, na Igreja dos negligentes e frios na fé, dona "Reunião de Oração", que já estava enferma desde os primeiros séculos da era cristã.

Foi proprietária de grandes avivamentos bíblicos e de grande poder e influência no passado. Os médicos constataram que sua doença foi motivada pela "frieza de coração", devido à falta de circulação do "sangue da fé".

Constataram ainda: "dureza de joelhos" - não dobravam mais - "fraqueza de ânimo" e muita falta de boa vontade. Foi medicada, mas erroneamente, pois lhe deram grande dose de "administração de empresa", mudando-lhe o regime; o xarope de reuniões sociais" sufocou-a; deram-lhe "injeções de competições esportivas", o que provocou má circulação nas amizades, trazendo ainda os males da carne: rivalidades, ciúmes, principalmente entre os jovens. Administraram-lhe muitos "acampamentos", e comprimidos de "clube de campo". Até cápsulas de "gincana" lhe deram pra tomar!

RESULTADO: Morreu Dona "Reunião de Oração"! A autópsia revelou: falta de alimentação, como "pão da vida", carência de "água viva", e ausência de vida espiritual. Em sua memória, a Igreja dos negligentes, situada na Rua do Mundanismo, número 666, estará fechada nos cultos do meio da semana. Aos domingos, haverá Culto ou Escola Bíblica, só pela manhã, assim mesmo quando não houver dias feriados, emendando o lazer de sexta a segunda e vigília, nem pensar.



Agora, uma pergunta: SERÁ QUE O LEITOR NÃO AJUDOU A MATAR A DONA "REUNIÃO DE ORAÇÃO"?

Quantos pastores se ressentem da ausência de irmãos (até da liderança...) que deveriam e até poderiam estar presentes no Culto de Oração. A presença nos Cultos é fundamental para a solidez da fé, tanto quanto participar das atividades da Denominação fortalece os laços de amor entre as igrejas locais.



UMA GRANDE IGREJA É A QUE TEM UMA VIDA DE DISCIPLINA

Os primeiros seguidores de Jesus foram chamados de "discípulos", isto é, "aqueles que estão debaixo de uma disciplina". Na Palavra de deus, a disciplina de Jesus Cristo é uma atitude e uma atividade. É uma atitude de submissão, de entrega, de quebrantamento, de reconhecimento do senhorio de Jesus Cristo sobre nós com o objetivo nosso de aprender.


E é uma atividade que se demonstra em tudo o que fazemos. Como Jesus expressou: "São os teus olhos a lâmpada do teu corpo; se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo será luminoso; mas, se forem maus, o teu corpo ficará em trevas"(Lc 11.34), e Paulo, o apóstolo, em Filipenses 3.13,14, "Irmãos, quanto a mim, não julgo havê-lo alcançado; mas uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançando para as que diante de mim estão, prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus". É uma atividade que olha para o alvo que é a cruz de Jesus Cristo, o próprio Senhor Jesus Cristo.

Essa disciplina se manifesta na devoção e na vida de serviço. O exercício da oração é prova disso. Jesus manteve uma vida de oração. Sua vida de oração era intensa: ou Ele Se levantava de madrugada para orar, ou ficava até de madrugada em oração. Orava durante o dia, orava na sinagoga, no Templo, chegou a ensinar uma oração-modelo, pela qual pautamos a nossa oração; modelo porque não é recitada simplesmente, embora até a recitemos. Mas temos que nela colocar alma para que não vire reza (palavra que vem de "recitar"). Observem que os discípulos não pediram a Jesus "Ensina-nos a pregar", mas "Ensina-nos a orar". A oração torna a nossa marcha mais firme, a nossa vida mais constante, e o nosso trabalho mais abundante no Senhor.

Através do estudo da Palavra. Não posso entender o crente que não se alegra com a leitura da Palavra de Deus. Isso quando a Bíblia fala tanto de alegria e felicidade. Há até uma bem-aventurança: no Salmo 1, onde fala do "varão que tem o seu prazer na lei do Senhor, e na sua lei medita dia e noite". Prefiro esta última expressão "dia e noite" a uma outra tradução que ensina "de dia e de noite", porque a primeira fala de constância, permanência na Palavra, enquanto a segunda pode dar idéia de tirar uma horinha de dia, e outra horinha de noite para meditar na Palavra. Ela só é meditação constante quando aplicada à vida e cada coisa que fizermos, cada palavra que pronunciarmos, cada atitude que expressamos está marcada por essa disciplina que vem da Escritura Sagrada.

O propósito da leitura e estudo da palavra de Deus é confirmar e estimular nossa fé, como ensina Paulo: "a fé vem pela... palavra de Cristo" (cf. Rm 10.17). Lemos a Bíblia com o objetivo de estudá-la e de nela meditar. Há, aliás, uma bem-aventurança para aquele que "tem prazer na lei do Senhor, e na sua lei medita dia e noite".

Através de vida disciplinada no serviço. Todos somos chamados, e aquele que deseja fazer de sua vida um real ministério, deve nele disciplinar-se. As horas consumidas no preparo disciplinado não constituem tempo perdido.

Nossa igreja tem realizado seminários e simpósios de capacitação. Eles vêm para melhorar a nossa vida pessoal e da igreja como um todo.



UMA GRANDE IGREJA É AQUELA QUE TEM UMA VIDA DE TESTEMUNHO

Mateus 5.16 e Atos 1.8b são textos basilares sobre o testemunho do cristão: "Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens..."; "Vós sois a luz do mundo"; "Vós sois o sal da terra". Tudo isso é testemunho! O apóstolo Paulo tem uma expressão em 2Coríntios 3.2< "Vós sois... conhecida e lida por todos os homens, estando já manifestos como carta de Cristo, produzida pelo ministério, escrita não com tinta, mas pelo espírito do Deus vivente..." O que é impressionante é que muita gente nunca vai abrir a Bíblia Sagrada, mas vai ler a minha e a sua vida, a única Bíblia que estas pessoas irão ler. Portanto, uma grande igrejaé aquela que tem uma vida de testemunho.

Outra realidade impressionante é que o melhor testemunho não é aquele que eu pesquiso e repasso às pessoas: é o da minha vida, é o que eu conto sobre o que Deus fez por mim. Nos bondes, no passado bem passado, havia uma propaganda que dizia

"EU ERA ASSIM (e mostrava um indivíduo bem apessoado)


CHEGUEI A FICAR QUASE ASSIM (a figura era de um esqueleto)
TOMEI [E DIZIA O NOME DO FORTIFICANTE],
FIQUEI ASSIM (corado, bonito, forte).

Perceberam que isso é o que Jesus faz? É o evangelho! EU ERA ASSIM (o pecado em deixou desta maneira, na lama, quase me arrastando, e o evangelho veio e me resgatou para Jesus!!!) É a minha história e a sua também. Nós éramos assim (que palavra terrível!), e a Bíblia diz, "Não há um justo, nem um sequer"" (Rm 3.10), e , ainda, ""pois todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus (Rm 3.23). Ninguém fique iludido pensando não ter pecado. Se disse que não o tem, já está pecando.

Que é, no entanto, ser testemunha de Jesus Cristo? É compartilhar algo da própria experiência. Pode até acontecer que em nosso testemunho ao mundo perdido sejamos um tanto vacilantes, mas sempre devemos começar com a nossa própria experiência nos termos de 1João 1.3, "O que temos visto e ouvido anunciamos também a vós outros, para que vós, igualmente, mantenhais comunhão conosco". O que eu vi, eu conto. O melhor testemunho é contar a vida; o melhor testemunho é dizer "eu era ssim, eu fazia isso, mas a minha vida mudou", e você passa a ser respeitado. E sabe quando você começa a ser respeitado? Quando aquela rodinha no trabalho ou na escola se cala quando você chega, e não conta mais aquela piada indecente que você costumava ouvir.

O conteúdo do testemunho aponta para Jesus Cristo e Sua obra na vida humana. Somente temos que ler o livro dos Atos dos Apóstolos para confirmar o que foi dito. Que livro extraordinário! É uma leitura empolgante. Parece que estamos andando com os discípulos, e entrando com eles nas cidades, e participando das pregações. Nesse livro, o testemunho é pessoal, e começa na própria experiência de Pedro (At 2.32), de Pedro e João (3.4-6), de Estêvão (7.56), de Paulo (20.24; 22.14,15).

Fico impressionado com o testemunho de Estêvão. Ele estava sendo apedrejado, e naqueles momentos finais, ele exclamou: "Eis que vejo os céus abertos e o Filho do Homem, em pé à direita de Deus" (7.56). Não foi ele que pediu a Deus que peroasse os seus algozes? (7.60). Olha o nome: Atos dos Apóstolos: o Testemunho dos Apóstolos! Um livro inteiro só de testemunhos do que Deus fez através dele.

É, em todos os casos, testemunho pessoal que parte da experiência pessoal. Um testemunho eficaz inclui dois elementos básicos: um modo de viver: um modo de vida e uma comunicação oral. A única prova disponível para que o mundo veja a obra de Cristo em nós é nossa própria vida. Deste modo, o mundo quer ver esta realidade vital genuína que só Cristo pode oferecer.

O Pr. Tomás Munguba contou-me sobre um operário de uma fábrica em sua cidade (João Pessoa). O homem tem dez filhos, e todo início de semana chegava embriagado ao trabalho. Seu chefe, um descrente, amigo do Pr. Tomás, se perguntava o que poderia fazer para ajudar. Numa certa segunda-feira, deu-se um milagre: chegou sóbrio à fábrica e assim permaneceu por toda a semana e sempre. Quando o chefe soube que ele estava freqüentando uma igreja evangélica, perguntou ao Pr. Tomás, usando a linguagem da psicologia: "Que vocês, protestantes, estão fazendo para condicionar a atitude comportamental de Fulano?" Responde o pastor, "Nada. Não fizemos qualquer lavagem cerebral, nada. Mas o Espírito Santo trabalhou..."

UMA GRANDE IGREJA É AQUELA QUE TEM O PODER DO ESPÍRITO SANTO

Não obstante, nada acontecerá sem o poder do Espírito Santo. Absoluta nada. Não haverá um ministério para cada um; não haverá estabilidade de fé; nem vida de disciplina, nem vida de testemunho.

Há uma história sobre um grupo de missionários acampados na selva perto das vilas e aldeias, mas também perto de uma colônia de chimpanzés selvagens. Cada tardinha, voltavam das aldeias, acendiam uma fogueira e ficavam ao redor contando as experiências e as bênçãos. Uma tarde, quando os missionários regressaram, viram os macacos que os estavam imitando: puseram lenha para fazer uma fogueira, e estavam sentados ao redor da fogueira apagada se "esquentando" como os missionários faziam nas noites frias: esfregavam as mãos, faziam ruídos. Faltava, porém, algo importante naquela fogueira: o fogo. Era apenas uma imitação.

Assim é com a igreja: sem o fogo do Espírito, a igreja não tem sentido. É um clube religioso, é uma reunião de amigos, de gente idealista, mas não é uma igreja onde Jesus Cristo é Senhor. É uma mascarada, uma fantasia. Lembremos que o fogo que aquece a igreja é o Espírito Santo, na inspiração de Zacarias 4.6, "Não por força nem por poder, mas pelo meu Espírito, diz o Senhor dos Exércitos".



EXPRESSÕES PARA DESCREVER O MINISTÉRIO DO ESPÍRITO

O Novo Testamento tem dois termos para descrever o ministério do Espírito Santo na vida e experiência dos crentes: a habitação do Espírito Santo e a plenitude do Espírito Santo ou ser cheio do Espírito. O primeiro se refere à conversão (1Co 3.16; Tg 4.5). O segundo significa ser controlado pelo Espírito Santo (Ef 5.18).

Por incrível que possa parecer, Paulo faz uma analogia entre a intoxicação alcoólica, a embriaguez, e o controle do Espírito de Deus. Ele o faz em Efésios 5.18: "Não vos embriagueis com vinho, no qual há dissolução, mas enchei-vos do Espírito". Quando uma pessoa está "cheia de vinho" não significa que está cheia da cabeça aos pés como uma garrafa, mas que cada parte de seu corpo está afetada pela bebida: seu modo de caminhar, sua conversa, seu olhar, seus pensamentos.

Ser "cheio do Espírito" significa que cada ação nossa, cada pensamento e palavra está sob Sua influência. É o controle e o domínio do Espírito Santo sobre. A plenitude do Espírito Santo não é instantânea como a embriaguez também não o é. Sua comunhão com o Espírito vai fazendo com que sua vida seja controlada, e cada vez mais controlada, de tal modo que quando você fala, anda ou toca as pessoas, todos compreendem que você está sob o domínio do Espírito de Deus.

Esta deve ser uma nova hora para cada pessoa que lê esta reflexão. A hora de cada crente renovar sua aliança com Deus. A hora de se firmar mais e cada vez mais em Jesus Cristo, nossa Rocha Eterna. A hora de buscar a plenitude do Espírito, se o que desejamos é uma vida abundante e vitoriosa.

Este é o momento sério de renovar o pacto com suas convicções, se o que queremos é uma grande igreja, forte e espiritual!



CREIO NA CONTRIBUIÇÃO CRISTÃ
ESTUDO SOBRE A IGREJA
TEOLOGIA GRÁTIS PARA TODOS


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"Fazei todas as vossas obras com amor"
(1Co 16.14)

A causa de Jesus Cristo tem seu lado financeiro, o que ninguém desconhece. Isso faz lembrar a palavra de um evangelista que afirmou com muita propriedade, "Na verdade, a água da vida é grátis, mas o balde em que é transportada tem que ser comprado." Quer isso significar que quando se anuncia o reino de Deus isso é feito de modo absolutamente gratuito, havendo, no entanto, um custo financeiro. Quando os irmãos se reúnem para o crescimento, quando a igreja se reúne para a edificação ou quando espalha a mensagem através de ondas do rádio, da televisão, ou através da imprensa escrita, a água da vida é levada. E o crente que se consagra, reconhece que o dinheiro não é o lado profano, secular, de algo sagrado chamado Igreja. A contabilidade de uma igreja local é tão sagrada quanto a mensagem que sai do púlpito, tão sagrada quanto a lição da Escola Bíblica que é repassada para os alunos em uma classe; tão sagrada quanto uma cesta básica que é dada para uma família menos valida, porque na Igreja de Jesus Cristo não reconhecemos coisas profanas e coisas sagradas. Para o cristão, tudo tem sacralidade. Assim o era no Antigo Testamento. A Constituição do povo de Israel era a própria Lei de Moisés. O aspecto civil da lei de Moisés confundia-se com o lado cultual, ritual e litúrgico.

Dinheiro, portanto, é assunto sério. Tão sério, tão sagrado que Jesus tinha um tesoureiro no colégio apostólico. E havia pessoas fiéis que sustentavam o Seu ministério. Vamos a Lucas 8.2,3, que apresentam o seguinte: "E também algumas mulheres que haviam sido curadas de espíritos malignos e de enfermidades: Maria, chamada Madalena, da qual saíram sete demônios; E Joana, mulher de Cusa, procurador de Herodes, e Suzana, e muitas outras as quais o serviam com seus bens." Sustentavam a obra de Jesus Cristo.

Sim; existe um aspecto sagrado no dinheiro que entregamos à igreja. Há, até, quem pense que a Bíblia ensina que o dinheiro é a raiz de todos os males. E alguém disse, "Está na Bíblia". Isso não existe na palavra de Deus. Se assim fosse, não seria ordenado "trazei todos os dízimos à casa do tesouro". O que a Bíblia diz, é que "o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males". O que a Escritura ensina é que a avareza, o amor ao dinheiro, a ganância, é a raiz de todos os problemas e sofrimentos. No livro de Jó no capítulo 31, diz o verso 24: "Se no ouro pus a minha esperança, ou disse ao ouro fino: Tu és a minha segurança; Se me alegrei por ser grande a minha riqueza, e por ter a minha mão alcançado muito; Também isto seria pecado para ser punido pelos juizes, pois eu teria sido infiel a Deus que está lá em cima." Na palavra de Jesus, em Lucas 12.15: "Acautelai-vos e guardai-vos da avareza; a vida de um homem não consiste na abundância dos bens que ele possui". Mateus 6.24, faz parte do "Sermão do Monte. Nele está que "Ninguém pode servir a dois senhores. Ou a de odiar a um e amar o outro, ou se devotará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e as riquezas". Algumas traduções têm "Não podeis servir a Deus e a Mamon". Mamon é a personalização do dinheiro, das riquezas.

Aliás, neste último versículo, há um sugestivo ensinamento sobre uma gradação no relacionamento entre o homem e o seu dinheiro. Porque começa dizendo assim, "Ninguém pode servir, ninguém pode se devotar e ninguém pode cultuar." A idéia é essa mesmo: servir, amar e dedicar-se a Deus e dedicar-se aos bens, às posses, à conta bancária. Não servir, odiar e desprezar a Deus. Não pode ser dessa maneira.

Temos nesta história todo um sistema de valores. Dinheiro, não é apenas um meio de adquirir bens. Dinheiro é um sistema de valores. É um sistema de valores econômicos, espirituais e morais. Por isso que o valor de um objeto é medido pela quantidade de dinheiro que nós gastamos nele. Se alguém vai comprar um refrigerador, e a loja diz que custa R$ 450,00, e há um outro bem semelhante nas características e funções e custa R$ 580,00, você vai querer saber porque um custa duzentos e pouco e o outro quinhentos e alguma coisa. E normalmente se dá mais valor ao que custa mais caro. Então, nós colocamos no dinheiro um sistema de valores porque damos preço a um objeto pela quantidade de dinheiro investido nele.

O dinheiro é, também, um sistema de valores morais porque representa o seu tempo, o seu trabalho, e, até, a sua personalidade. É um sistema de valores espirituais, dependendo do modo como você o usa, como o emprega na causa de Jesus Cristo. E então, nós entramos na questão do dízimo.

O dízimo faz parte desse sistema de valores. Dar é sinal da graça de Deus. Tive a curiosidade de olhar na Concordância Bíblica a palavra dar, que também pode ser doar e oferecer. A lista de versículos relacionados com dar, doar e oferecer é imensa, indo de Gênesis 4:12 a Apocalipse 22:12. Por isso, a Bíblia diz tantas vezes, "Que Deus amou o mundo de tal maneira que deu o Seu filho unigênito". Também há uma palavra de Jesus registrada fora dos Evangelhos, no livro dos Atos dos Apóstolos (chamado, aliás, de "o Evangelho do Espírito"): "Mais bem aventurada coisa é dar do que receber".

Realmente, a Escritura mostra que dar é sinal da graça de Deus na sua vida e a disposição de fazê-lo é dom da operação do Espírito Santo no coração. Romanos 12 fala sobre isso, e uma das graças do Espírito na nossa vida chama-se o dom da liberalidade, o carisma de ser liberal. É aquela pessoa que dá o dízimo, no entanto, o carisma é tão forte na sua vida que se a igreja pedir o segundo dízimo dá, e se a igreja pedir uma contribuição para ajudar a uma determinada causa, também dá. Contribuir está intimamente ligado ao estado de vida espiritual e onde há contribuição generosa e liberal a Deus, podemos reconhecer a ação do Espírito Santo de Deus.

Contribuir significa companheirismo no serviço cristão; significa assistência aos pobres. Quando contribuímos, há pessoas que são ajudadas com as cestas básicas há pouco mencionadas; a manutenção do culto (ou alguém não paga essas luzes que são acesas durante o culto? Ou outros bens que nós usamos, outros serviços públicos que a igreja utiliza?). A própria expansão do evangelho quando mandamos um missionário ou uma família missionária, e a sustentamos em um determinado país. O crente faz isso através do seu dízimo.

No caso particular dos Batistas, quando o fiel entrega o dízimo, uma parte dele é enviada para a Convenção Batista do seu Estado. A Convenção estadual reúne das igrejas do seu campo e remete uma porcentagem para a Convenção Batista Brasileira, a qual, por sua vez, divide toda a contribuição recolhida pelos diversos apostolados e ministérios que realiza, enviando uma parte à Aliança Batista Mundial. Nesse ponto, forçosamente nós temos que entrar no sistema de Deus para o financiamento do Seu projeto. O projeto de Deus é o programa de expansão do Seu reino neste mundo. É o governo soberano de Deus nos corações. E parte desse projeto é 10% da renda pessoal.

Então o que é e o que não é o dízimo? Vamos esclarecer algumas coisas. Vamos começar com o que o dízimo não é:



  • O dízimo não é um meio de pressionar a igreja a levantar dinheiro a fim de suprir necessidades do seu orçamento.

  • O dízimo não é cumprimento de exigência da lei de Moisés. Já vi gente dizer isso, "Não dou dízimo porque é da lei de Moisés. O Novo Testamento acabou com o dízimo." Não acabou nada. A palavra de Jesus diz que nós devemos, além de realizar obras caracteristicamente cristãs, dar o dízimo também. E ele até mencionou temperos usados no trivial da cozinha: dízimo do cominho, do endro, do coentro, da hortelã, mostrando como é natural, Porque o povo dava o dízimo não só de dinheiro, mas, dava o dízimo também de espécie. Por exemplo: trigo, se tinha vinte sacas de trigo, duas pertenciam ao Senhor entregava ao Templo. Se tinha naquele ano uma produção de dez bezerros, um era do Senhor, então, um era do Templo.

  • Não é uma maneira de mostrar posição pessoal. Porque alguém pode pensar assim: "Bom, mas irmão Fulano ganha R$ 15 mil, ele dá R$ 1.500,00 de dízimo. Eu só ganho R$ 151,00, o salário mínimo, dou R$ 15,10". Então, um tem mais posição que o outro. Diante de Deus é a mesma coisa. R$1.500,00 para R$ 15.000,00 é a mesmíssima proporção de R$ 15,10 para quem recebe R$ 151,00. Talvez seja até mais sacrificial, os 15 reais e 10 centavos que os 1.500 reais que o outro entregou.

  • Não é um meio de pagar para que outros façam a obra no meu lugar. Já vi isso também, "Se ele é o Diretor de Evangelismo, ele que evangelize." Não é assim não. O Diretor de Evangelismo dirige a evangelização, por isso, ele é o Diretor. O Coordenador de um Ministério, coordena, por isso, ele é o Coordenador, mas, quem realiza é a Igreja de Jesus Cristo. Ela é evangelista, ela é visitadora, ela é aconselhadora, enfim, cada ministério é realizado pela igreja, com pessoas que treinam, que dirigem, que levam para o campo. Por isso, não é um meio de pagar para que outros façam.

  • Não é um meio de subornar a justiça de Deus. Há quem pense, "Isso me aconteceu porque eu não dei o dízimo. Agora vou dar o dízimo para não acontecer mais. Vou dar o dízimo para ficar rico." Não dê o dízimo com intenção de pagar pecados, não! Dízimo não é para isso. Hebreus 10.8 coloca o assunto da seguinte maneira: "Depois de dizer como acima: Sacrifício e oferta, e holocausto e oblações pelo pecado não quiseste, nem neles te deleitaste os quais se oferecem segundo a lei." Faziam sacrifícios de animais, oblações com vinho, ofertas com massas para pagar pecados. Mas, Deus não se deleitava com essas coisas.

  • Nem para criar um saldo de graças com Deus. Ouvi contar de certo pastor que falou para alguém, e essa pessoa repassou que ele dissera, "Eu tenho crédito com Deus, e agora posso exigir dele." Como pode?! Deus não está me devendo nada; eu, sim, que lhe devo! Deus só me cobre de graça sobre graça, benção sobre benção, glória sobre glória! Agora, eu preciso cumprir a minha parte. Não é que Deus me deva alguma coisa e com isso eu tenho credito com Ele. Eu não tenho que criar um saldo de graças com Ele, não. As bênçãos de Malaquias 3.10, não são apenas bênçãos materiais. A promessa é de bênção, "Se eu não vos derramar sobre vós uma benção em abundância." Há outras bênçãos além de dinheiro. Quantas vezes o dinheiro tem sido maldição; mais dinheiro uma pessoa tem, mais miserável é, às vezes, para a obra de Cristo. As bênçãos são a graça, a misericórdia, o crescimento espiritual. Por isso, não dê o dízimo para pagar promessa. Não dê o dízimo com medo, não.


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