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ex­periência, que as almas mais puras são parti­cularmente devotas à «Rainha das Virgens», e



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ex­periência, que as almas mais puras são parti­cularmente devotas à «Rainha das Virgens», e que Maria, «virgem prudentíssima», vela aten­tamente pela sua virgindade. Com ela, os anjos que são como as virgens do Céu, exercem uma especial protecção sobre as virgens da terra. Procuremos um apoio para a castidade: 1.° na devoção à Santíssima Virgem: 2.° na devoção aos Santos Anjos.





  • I. —DEVOÇÃO À SANTÍSSIMA VIRGEM PENHOR DE CASTIDADE



  • «Todas as vezes que vós aspirais a um dia mais puro, a quem se dirigem os vossos votos? A Maria, porque foi ela a primeira que com­preendeu a grande palavra da virgindade, an­tes que Jesus a tivesse pronunciado; foi Maria a primeira que se lhe consagrou, antes que o mundo tivesse conhecido o seu valor e a sua sublimidade; foi Maria que procurou ter o seu mérito, antes que o seu divino Filho tivesse pro­metido a recompensa dela» (2). Por todos es-

  • (1) S. João Crisóstomo. (2) Card. Pie.

  • tes títulos, Maria é invocada como «a gloriosa guardiã das virgens» (3).

  • Maria é a «estrela da manhã», para as al­mas preservadas. Elas encontram no seu exem­plo a estima e o amor da virgindade; no seu patrocínio a força para a abraçarem. No tempo da sua vida terrestre, «a graça da virgindade era tão abundante nela que, não só ela a enchia de pureza e de santidade, mas a sua simples vista tornava castos os que a visitavam». «A beleza, que lança ordinariamente faúlhas de­vastadoras, era maravilhosa em Maria, e só ins­pirava castos pensamentos» (4). No decurso dos séculos ela permanece «a mestra da inocên­cia» (5); «a instrutora da castidade» (6); a grande abadessa que recruta as virgens» (7).

  • Maria é «a sombra do meio-dia» (8) para os tentados. A virgindade dela foi pura, pacífica e segura; nas outras, quando ela se conserva sempre pura, nem sempre se pode conservar pa­cífica : tem os seus combates inevitáveis e o triunfo incerto. Sentada no seio da paz, «Maria vê as nossas lutas íntimas e, na sua virginal

    1. Ofício da Imaculada Conceição.

    2. S. Tomás. (5) Ruperto. (6) B. Algrin. (7) S. Fulberto. (8) Ricardo de S. Lourenço.

    1. bondade testemunha-nos uma piedade tanto mais segura quanto se encontra ao abrigo do perigo. Ela defende em nós o seu Filho, o pre­ço do seu sangue, o seu amor» (9). Portanto, «se o vento das tentações se eleva em vós, se a tempestade ameaça submergir-vos, se as sedu­ções dos sentidos vos prenderem, olhai para a estrela, chamai Maria» (10). Ela tem a «missão de combater por nós» (11); «o seu braço está sempre armado para nossa defesa» (12); «for­ma uma muralha suficientemente resistente para proteger o mundo inteiro» (13); «ela é o terror dos demónios» (14); «quando é invocada, eles caem, ao seu nome, como sob os raios da tro­voada» (15).

    2. Maria é também o «repouso da tarde para os pobres pecadores» (16); ela reconduz à casti­dade os que prevaricaram. Ao contemplá-la, o pecador pode dizer: «Se é triste estar coberto de manchas, se é horrível ser leproso por ter cometido muitas faltas, há pelo menos na mi­nha família uma bela criatura que não é apenas

    3. (9) Bourdaloue.

    4. (10) S. Bernardo. (11) Ritual dos Gregos.
      (12) Santo Anselmo. (13) Honorato d'Autun.
      (14) Alcuíno. (15) A. Kempis.

    5. (16) Adam de Perseigne.

    6. a Pureza, mas que é também a Caridade; uma dobra do seu manto será a minha tapa-misé-rias» (17). Como o pródigo vai ter com o seu Pai, ele vai ter com a sua Mãe. Maria é «o porto do naufragado» (18), «o hospício em que ela o cobre de ternura, como a galinha aos seus filhinhos» (19), «abre-lhe de novo o tesouro das divinas esmolas» (20), e ajuda-o a reen­trar na posse das riquezas perdidas» (21).

    7. S. José participa desta solicitude de Maria pelas virgens. Honram-nos como a «duas vir-gindades que se unem para se conservarem uma à outra» (22); é justo que as invoquemos si­multaneamente para a conservação da castida­de. S. José obtém para aqueles que lhe rezam uma parte no privilégio que ele recebeu de levar uma vida angélica no convívio de Maria (23).

    8. \ II.—A DEVOÇÃO AOS ANJOS E ÃS VIRGENS



    9. Para a conservação da castidade, «a devo­ção aos santos anjos, os amigos dos castos, é

    1. Möns, abade de J. Lémann.

    2. Pierre de Celles. (19) Adam de Perseigne. (20) Rupert. (21) Santo Anselmo.

    1. (22) Bossuet. (23) S.to Af. de Ligório.

    1. também grandemente eficaz» (24). Os anjos exercem uma acção contínua sobre nós. São Tomás sustenta que nenhum bem se faz em nós sem eles. Uma alma vale mais do que um mundo aos olhos de Deus, e é por isso que a Providência designa para junto de cada alma um espírito vigilante e protector (25). Ninguém está privado deste amigo invisível «que jamais adormece no seu posto» (26); «que nos protege em todos os nossos caminhos, nos leva nas suas mãos, para os nossos pés não toparem com a pedra do caminho, desvia a flecha perdida no dia e a malícia que vagueia no meio das tre­vas» (27).

    2. «Os anjos amam a castidade e são os seus protectores» (28). Habituados a conservarem-se diante de Deus e a sentirem-se penetrados do seu olhar, eles conhecem melhor as suas infi­nitas delicadezas; inquietam-se com todos os perigos que a nossa alma pode correr, e aju­dam-na a purificar-se das suas menores man­chas. No perigo, o anjo da guarda adverte-nos; na luta, protege; na dúvida, aconselha; depois da falta, repreende: «Se os maus anjos são os

    1. Boudon.

    2. S. Tomás. (26) Salmo CXX, 3. (27) Salmo XC, 6. (28) Cornélio a Lápide.

    1. tentadores e os cúmplices do pecador, os nossos bons anjos receberam de Deus a ordem de nos guardar, e são mais poderosos do que os de­mónios» (29). Nós somos «prisioneiros, ila-queados pelos laços deste corpo mortal: espí­ritos puros, espíritos libertos, ajudai-nos a levar este pesado fardo e amparai a alma que deve tentar para o Céu contra o peso da carne que a arrasta na terra» (30).

    2. A história dos castos refere exemplos me­moráveis da protecção dos anjos. Judite afirma que é assistida, na sua viagem e na sua estadia no campo de Holofernes, bem como no seu re­gresso, por um anjo cuja incumbência é preci­samente guardar-lhe a castidade (31). Santa Inês, numa hora em que o inferno parecia ir apoderar-se dela, encontra um anjo, pronto para defender a sua virgindade (32). Santa Cecília adverte Valeriano de que ela está sob a guarda de um anjo que vela ciosamente pelo seu cor­po (33). Dois anjos pegam em Santa Aldegun-des e fazem-na passar o rio Sambre a pé enxuto, para poder escapar a perseguições de alguns

    3. (29) Santo Agostinho. (30) Bossuet.

    1. Judite, XIII, 20.

    2. Ofício de Santa Inês.

    3. Ofício de Santa Cecília.

    1. 208

    2. 14. Castidade.

    1. mal-intencionados. As lutas da castidade são uma ocasião de merecimento que os anjos não podem ter, eles «tomam parte na hora do combate cantando a valentia do vitorioso» (34).

    2. As virgens coroadas são também as protec­toras das virgens militantes. É «uma doutrina afirmada pelos teólogos e demonstrada pela ex­periência, que o poder distribuido pelos santos se refere particularmente às graças e às virtu­des em que cada um deles se distinguiu» (35). Na terra, as virgens deram o exemplo; no céu oferecem a sua assistência. «Seguras da sua sal­vação, elas interessam-se pela nossa santifica­ção : deixando o seu corpo, não deixaram toda­via a caridade. Almas gloriosas, que escapastes aos laços deste mundo, tende piedade das que estão expostas às suas seduções e dai-lhes auxí­lio» (36).

    3. Afectos. — «Ó Senhora minha, ó minha Mãe, eu me ofereço todo a vós, e, em troca da mi­nha devoção para convosco, vos consagro neste dia os meus olhos, os meus ouvidos, a minha boca, o meu coração e inteiramente todo o meu ser. E porque assim sou vosso, ó boa Mãe,

    1. Bossuet.

    2. Card. Pie. (36) S. Bernardo.

    1. guardai-me e defendei-me como coisa própria vossa» (Oração indulgenciada).

    2. Exame. — Tenho eu uma devoção sólida e prática à Santíssima Virgem? — Rezo-lhe pela minha perseverança na religião e na castidade?

    • Tenho recorrido a ela nas minhas tentações ?

    • Sou, como ela, reservada, modesta, pruden­te? — Não há nada na minha alma e no meu coração que possa ofender o seu olhar? — Hon­ro a S. José e rezo-lhe ? — Imploro o socorro das virgens? — Trato o meu anjo da guarda com respeito, não fazendo nada que o possa contris­tar? — Tenho por hábito orar-lhe, principalmen­te à hora do perigo, para que me guarde?

    1. Resolução.

    2. Ramalhete espiritual. — «Rainha das vir­gens. Rainha dos anjos, rogai por nós» (Ladai­nha Lauretana).



    3. XXVII DO TEMOR DE DEUS

    4. «O princípio da sabedoria é o temor do Se­nhor» (1). S. Francisco de Sales repete fre-

    5. (1) Salmo CX, 10.

    6. quentemente às religiosas que elas não são «for­çados», mas «esposas» do Salvador, e convida--as a fazerem do amor a raiz de todas as suas acções. Nada mais justo. Mas há alguma vez em que se possam ter, num terreno escorregadio, como é a castidade, «meios de defesa suficien­tes, quando se está rodeado de tantos peri­gos?» (2). O temor é um suplemento ao amor, e «o ofício é recrutar-lhe auxiliares» (3). O te­mor guarda a castidade: 1." pela lembrança da presença de Deus; 2.° pelo pensamento dos seus terríveis juízos.





    7. I.—A LEMBRANÇA DA PRESENÇA DE DEUS



    8. A. lembrança da «presença de Deus produz estes três efeitos: liberta a alma do pecado, le­va-a à prática da virtude, e une-a a Deus pelo laço do santo amor. Não há meio mais eficaz para dominar as paixões, para resistir às ten­tações, e evitar assim todas as espécies de pe­cados» (4). «Se nós pensássemos sempre que



    9. (2) S. João Crisóstomo. (3) S. Gregório. (4) S.to Afonso M. de Ligório.

    10. Deus nos vê, não faríamos nunca, ou quase nunca, coisa alguma que desagradasse aos seus olhos» (5); ficaríamos sob o império «daquele temor cujo fruto é a obediência, e que acaba por se fundir no amor» (6).

    11. «Neste pensamento de que Deus tem os olhos postos em nós, durante o assalto das tentações, podemos encontrar um poderoso motivo de en­corajamento. O soldado que combate na presen­ça do seu general faz prodígios de valor; de que ardor devemos inflamar-nos, nós que sabemos que Deus, do alto do céu, assiste a todas as nossas lutas e nos tece coroas!» (7). Ao findar uma noite de lutas com os demónios, de assal­tos contra a castidade, Santo Antão, esgotado de fadiga e vergastado de golpes, vê subita­mente um raio de luz que dissipa as trevas, expulsa os demónios e o cura instantaneamente. «Onde estáveis vós, Senhor, exclama o santo eremita, e porque não viestes em meu auxílio? Respondeu-lhe uma voz : Eu estava ao teu lado desde o princípio, para te encorajar; aí estarei sempre». Os castos que lutam têm por testemu­nhas a corte celeste e o seu rei. Ora, do lado de



    12. (5) S. Tomás. (6) S.to Hilário.

    13. (7) Rodriguez.

    1. Deus, olhar é socorrer; «os seus olhos olham o universo e dão a força» (8). «Ele está comigo como um guerreiro formidável» (9), e reduz o demónio ao estado de um pardal que as crian­ças insultam impunemente (10).

    2. Depois, a coragem parece abondonar-nos, serve-nos de recurso a convicção de que ne­nhum dos nossos pensamentos, sentimentos e acções podem escapar ao olhar d'Aquele que vê, ainda mesmo quando todos os outros olhos estão fechados. Um valente a quem solicitavam para pecar, (e tratava-se de castidade) respon­deu simplesmente: «Procurai um sítio em que Deus nos não veja» (11). A casta Susana en­controu força no mesmo pensamento: «Vale mais morrer inocente do que pecar na presença do meu Deus» (12). Deus está tão perto de nós! «Nós vivemos nele, permanecemos nele, todos os nossos movimentos se realizam ne­le (13). Uma das palavras mais espantosas que até hoje devem ter sido ditas, é a de Santa Te­resa : Não é apenas diante de Deus, é em Deus que o pecador pratica o seu mal.

    1. (10) Job, XL, 70. (12) Dan, XIII, 23.

    1. II, Par, XVI, 9.

    2. Jerem, XX, 11. (11) Vida dos Padres (13) Act, XVII, 28.

    1. Estas considerações agravam-se ainda, quan­do se trata de um pecado «que mata a castida­de» (14); «que não é talvez o mais grave, mas que é, seguramente, o mais vergonhoso» (15), «que provoca particularmente a ira de Deus» (16); com o qual se experimenta a maior ne­cessidade de se esconder (17); que mais degra­da a alma humana (18); e que faz de uma consagrada um templo profano (19), uma sa­crílega (20), uma pérfida, uma perjura que traiu o Esposo celeste (21). Não, nunca seme­lhante desgraça lhe teria acontecido, se ela «ti­vesse pensado que Deus está presente e tão perto de nós! » (22).



    2. II.— O PENSAMENTO DOS JUÍZOS DE DEUS



    3. Uma outra espécie de temor, «infecundo em si mesmo, mas rico de frutos pela fé que ins-

    1. S. Pedro Crisólogo.

    2. Goffridus de Vendóme.

    3. S. Gregório. (17) Alain de Lisie.



    1. Pedro le Chantre.

    2. Hildeberto du Mans.

    3. Santo Ambrósio. (21) Santo Anselmo. (22) Santa Teresa.

    1. pira» (23), vem ainda em nosso auxílio. É bom meditar-lhe os motivos, «a fim de que, se as nos­sas faltas nos fizerem esquecer o amor do Se­nhor eterno, que ao menos o temor das penas nos ajude a não sucumbir ao pecado» (24). «Aqueles que fizeram ao Senhor o dom absoluto da sua vontade devem, para escapar ao pe­rigo de ofender a Deus, fazer como que uma muralha com as grandes verdades da fé, con­siderando atentamente que tudo acaba, que há um céu e um inferno» (25). É por terem es­quecido este temor e estas verdades que certas almas, cuja pureza «ultrapassava a brancura do marfim, se transformaram de repente em brasas fumegantes» (26).

    2. Este temor alimenta-se primeiramente do pensamento da morte, «que conserva a inocên­cia das almas», e as torna «no forte das tenta­ções, como um rochedo no meio da tempesta­de» (27). Fiel ou regenerada pela penitência, a religiosa pode passar, na sua morte, por an­gústias purificadoras; mas ela é geralmente consolada e «impaciente por se unir para sem­pre a Jesus Cristo e por entrar no coro das

    1. Santo Hilário.

    2. Santo Inácio. (25) Santa Teresa. (26) Rodriguez. (27) De Rance.

    1. virgens que viveram de renúncia e de castida­de» (28). As religiosas gravemente infiéis ao seu voto estão muito expostas a acabar na im-penitência (29). E então morrem de «duas maneiras: ou convulsiva e desesperadamente ou calmamente e sem remorsos; ambas horríveis, porque são a morte dos pecadores» (30). Par­tem, depois de terem abusado de todas as gra­ças, nas circunstâncias mais solenes e nas condições que tornam o pecado mais odioso, e continuam esposas de Jesus Cristo, «título augusto que devia ser o sinal da sua salvação e que vai converter-se no maior dos seus cri­mes» (31).

    2. Ei-las no tribunal de Deus, diante desta palavra do Evangelho: «Pedir-se-á muito àque­le que recebeu muito» (32). Eis-vos, virgem prevaricadora, aos pés do divino Esposo, tor­nado vosso juiz. Vós recebestes neste mundo os seus favores mais assinalados, a superabun­dância das suas graças, um excesso de benevo­lência e de amor; agora, as coisas inverteram--se: quanto Ele foi misericordioso, quanto se vai

    1. S. Cipriano.

    2. Santo Eusébio de Cesareia.

    1. (30) Mons. Planrier. (31) Massiilon.
      (32) S. Luc, XII, 48.

    2. mostrar severo; o carácter santo de que vos revestistes não fará senão redobrar os seus rigo­res; é aqui que vai começar para vós aquela espantosa cólera do Cordeiro, aquele desolador furor da pomba, de que fala a Sagrada Escri­tura» (33).

    3. A sentença já está pronunciada, está escrita. O Senhor do Céu disse: «Para fora daqui os que não são castos !» (34). O inferno da religio­sa será particularmente rude e humilhante. Os que a viram nos seus santos trajes, reconhecê--la-ão; os mundanos e o demónio servir-se-ão do seu carácter augusto para a escarnecerem e torturarem. O próprio fogo a reconhecerá; ele passará e tornará a passar lentamente em volta do seu corpo que fora consagrado pela virgin­dade, a duplicar a reduplicar o suplício (35) : por onde se pecou, por aí se deve ser castiga­do» (36). Ela será eternamente devorada pela lembrança das suas predilecções, dos seus títu­los, dos seus deveres, das suas esperanças, dos seus pecados, das suas vergonhas, da sua impe-nitência. «As religiosas condenadas dariam o mundo inteiro para se resgatarem; e há na terra



    4. (33) Mons. Plantier. (34) Apoc, XXII, 15.
      (35) P.e Valuy. (36) Sabedoria, XI, 17.

    5. religiosas que cometem o pecado e, depois de o terem cometido, dormem tranquilamente à beira do inferno» (37).

    6. Afectos.—«Lembrai-vos, ó Jesus cheio de misericórdia, que por mim descestes à terra, não me percais neste dia. Vós cansastes-vos a procurar-me, resgatastes-me com a vossa cruz; que um tão grande trabalho não seja inútil. Eu sou culpada, a minha falta faz-me corar; supli­co-vos, ó meu Deus, a vós que sois bom, que me perdoeis» (Dies irae).

    7. Exame. — Sou eu suficientemente calma, recolhida e interior para viver habitualmente na presença de Deus ? — Mantenho-me diante d'Ele num grande respeito e com espírito de religiosa? — Ajudo-me eu, nas tentações inte­riores e exteriores, com a lembrança desta di­vina presença ? — O pensamento dos novíssimos apoia a minha fidelidade? — Que é que eu que­reria ocultar a Deus ou temeria no seu tribunal ?

    8. Resolução.

    9. Ramalhete espiritual. — «Fazei, Senhor, que tenhamos sempre o temor e o amor do vosso santo nome» (Missal romano).



    10. (37) P.e Valuy.

    11. XXVIII

    12. AMEAÇAS E CONSOLAÇÕES



    13. «Nem todas as castas são virgens e nem todas as virgens são castas. Ora, pode-se ir para o Céu sem se ser virgem, contanto que se seja casto, e não se pode entrar no paraíso, embora se seja virgem, se não se for casto» (1). Este aviso é dado primeiramente às religiosas que, contentes com o seu hábito e com a sua pro­fissão, cuidam pouoo das suas obrigações e res­ponsabilidades : é uma ameaça; em segundo lugar, como uma consolação às que conheceram horas de transviamento e que regressaram sin­ceramente ao dever. O Evangelho não fala de outro modo; vamos meditar: 1.° a parábola das dez virgens; 2.° a história de Maria Ma­dalena.



    14. I.—A PARÁBOLA DAS DEZ VIRGENS



    15. Conhece-se a narrativa evangélica. Dez vir­gens vão à presença do Esposo: cinco têm as suas lâmpadas bem fornecidas e entram no fes-



    16. (1) S. Bruno d'Asti.

    17. tim; cinco não têm azeite; enquanto vão bus­cá-lo, a sala do festim fecha-se; o Esposo recusa abrir, não as conhece. As primeiras são cha­madas prudentes, as outras, virgens loucas (2).

    18. «Todas as dez são virgens; todas levaram lâmpadas; todas foram ao encontro do Esposo. Nenhuma é acusada de ter faltado à pureza vir­ginal. A loucura de umas era não terem levado azeite, e a prudência das outras estava em se terem provido dele. Que é este azeite, senão a doutrina, a ciência sagrada?» (3).

    19. As comunidades religiosas estão representa­das por aquele colégio de dez virgens. As almas chegam ali, porque ouviram o apelo: «Saí, ide à frente do Esposo» (4). O Espírito Santo tinha feito da sua alma, ao infundir-lhes no coração o amor mais santo, «uma lâmpada a que as tor­rentes não extinguiriam nem o fogo nem a cha­ma» (5). Os bons conselhos, os exemplos edifi­cantes, os piedosos exercícios do noviciado ti­nham «adornado» aquela lâmpada. A sua for­mação tinha sido tão cuidada que elas pareciam, ao partir, levar na mão «um feixe de archo­tes» (6); ao vê-las, dir-se-iam «fachos doura-

    20. (2) S. Mateus, XXV, 1-13. (3) Cardeal Pie. (4) S. Mateus, XXV, 6. (5) Cant, VIII, 6. (6) Baruch., VI, 18.

    21. dos elevando-se de um campo de lírios emur­checidos» (7). Mas é preciso um trabalho inces­sante, uma atenção perfeita, um zelo infatigável para alimentar essa celeste luz, e compete a ca­da um dar «do seu próprio fogo para iluminar o seu caminho» (8).

    22. As situações mudam, as dificuldades multi­plicam-se, as ocasiões fazem nascer os perigos. Em vez de prestarem atenção, de caminharem prudentemente, de estudarem na leitura e na oração, de consultarem os seus superiores e di­rectores, algumas há que caminham impensada­mente, habituam-se à rotina, perdem a noção das responsabilidades. Talvez já não saibam que continuam obrigadas à exacta observância dos seus votos, em particular da castidade. Dei­xaram «extinguir-se o Espírito» (9), e dentro em pouco «a luz da lâmpada terá acabado, para sempre, de brilhar aos seus olhos» (10). A sua marcha realiza-se nas trevas; quando elas che­garem, o Esposo não as conhecerá: virgens lou­cas !

    23. «As lâmpadas acesas são ainda as boas obras, sem as quais a castidade é insuficiente. A castidade encontra-se comprometida, se não

    24. (7) III, Reis, VII, 49. (8) Isaías, L, 11.

    25. (9) Tess., V, 19. (10) Apoc, XVIII, 33.

    26. houver o cuidado de lhe fazer uma muralha com todas as outras virtudes. Quando se é negli­gente, a carne fortifica-se, o espírito enfraquece. A virgindade do corpo não se mantém senão em quem trabalha com todas as suas forças na perfeição da própria alma» (11). As religiosas não podem esquecer que se encontram num estado de tendência para a perfeição; parando no caminho, elas expõem a castidade como todas as outras virtudes, e é um género de lou­cura. Nas ordens contemplativas, o recolhi­mento é mais profundo, a vida interior está mais ao abrigo da distracção e da dissipação; mas nem por isso se deve deixar de estar vigi­lante ! Nos institutos dedicados à acção, princi­palmente à instrução, corre-se deveras o risco de se descurar a si próprio. As relações com o mundo, a necessidade de estudar, de exercer vigilância, de manter bom nome, levam a cui­dados absorventes, a preocupações inferiores; e, por nelas se deixarem absorver, muitas reli­giosas não ultrapassam o nível das vidas das pessoas piedosas que vivem no mundo. Será isto suficiente para consagradas? Estarão as lâmpadas providas? Acolhê-las-á o Esposo? ou serão elas tratadas como virgens loucas? (11) S. Gregório.

    27. II. — A HISTÓRIA DE MARIA MADALENA





    28. O Evangelho atesta, sóbria mas fielmente, a ignomínia que se ligava ao nome de Maria Madalena: «uma mulher pecadora que se en­contrava na cidade» (12). Há quem veja nela uma criatura frívola e mundana; outros, com mais justiça, ao que parece, acusam-na de ter «abusado de todos os dons de Deus, para perder nela e nos outros a santa castidade» (13). «Ela tinha profanado tudo, e não podia apresentar a Deus senão ruínas» (14). E é precisamente «em favor dela que Jesus faz o maior dos seus milagres», quando, «sem lhe restituir a flor da inocência que não murcha senão uma vez, Ele a coroa com uma glória mais austera: a do arrependimento e do amor perdoado» (15).

    29. Que misericórdia, da parte do Salvador, nesta conversão, nesta reabilitação e nos privi­légios conferidos à pecadora de ontem! Jesus conhece-a. São como outros tantos apelos que Ele lhe dirige, quando se declara «enviado para



    30. (12) S. Lucas, VII, 37. (13) Raban Maur.

    31. (14) Lacordaire. (15) M. Abade Fonard.



    32. as ovelhas que pereceram em Israel» (16); quando se mostra tão bom para com a Sama­ritana; quando exclama : «Bem-aventurados os corações puros». Depois, aquele amigo dos pe­cadores» (17) vai, por amor dela, a casa de Simão, para ali realizar uma obra-prima de graça e de amor (18). Acolhe aquela transviada com a indulgência do bom Pastor pela ovelha que volta ao redil. Aceita os testemunhos da sua fé, do seu arrependimento, do seu amor. Defende-a contra o austero fariseu. Perdoa-lhe, restitui-a a Deus e à sua livre e generosa na­tureza na qual os dons do Espírito Santo vão encontrar um terreno maravilhosamente apro­priado. Louva-a como ainda se não louvou nin­guém. Associa o nome dela ao seu para a eter­nidade (19). Aceita dela a hospitalidade e a esmola e faz-se o Mestre da sua vida espiritual. Vêem-na aos pés da Cruz; a primeira aparição de Cristo é para ela. Depois da Ascensão, ela sobe, pela penitência e pelo amor, de degrau em degrau, na virtude, desenvolvendo sem ces­sar, no corpo e na alma, a pureza que ela re-

    1. S. Mateus, XV, 24.

    2. S. Mateus, XI, 19.

    3. De Bérulle.

    4. S. Marcos, XIV, 9.

    1. 15. — Castidade.

    1. cebera, como uma participação santa da pureza de Jesus (20).

    2. Que tinha ela feito para cooperar na graça do regresso? Os obstáculos eram numerosos; as suas faltas eram daquelas que enchem de ver­gonha (21); os fariseus zombariam dela; per­mitiria a santidade de Jesus que ela se aproxi­masse ? Teria ela coragem para fazer penitência? Tudo parecia, interior e exteriormente, afasta­da. Mas tudo se confunde naquele sentimento de confiança que ela experimenta pelo «Salva­dor dos que se perderam» (22), o caridoso «médico dos que estão doentes» (23). Ela acor­re, humilha-se, ama tanto quanto pecou, «mui­to» (24). Depois, a partir da hora do perdão, ela renasce serva de Jesus Cristo, «amante do Senhor» (25). De um salto, vai tão depressa e tão longe, que «começa onde as outras aca­bam» (26), e a sua vida passa-se toda inteira, de futuro, a revestir-se da pureza de Jesus Cris­to (27).

    3. As aplicações são fáceis para aquelas que

    4. (20) DeBérulle. (21) Godefr. Admont.

    1. S. Mateus, XVIII, 11.

    2. S. Lucas, V, 31. (24) S. Lucas, VII, 47.



    1. Raban Maur.

    2. De Bérulle. (27) S. João Crisóst.

    1. precisam ou julgam precisar deste consolador exemplo. Só mais uma palavra para as almas que invejassem as penitentes. «Considerai co­mo perdoado o mal que não cometeis, graças à divina protecção: assim vós não amareis me­nos o Cordeiro salvador, supondo que Ele vos remiu menos; e ficareis humildes e indulgentes a respeito do publicano que bate no peito» (28).

    2. Afectos. — «Deixai-vos enternecer, Senhor, pelas nossas preces, e concedei-nos o perdão das nossas ofensas e a verdadeira paz, a fim de que, sendo purificados de todos os nosso pecados, vos possamos servir na tranquilidade de uma santa confiança» (Missal romano).

    3. Exame. —Tenho eu consciência da obriga­ção que pesa sobre mim de tender à perfeição?

    • Corresponde a minha vida a esse dever?

    • Porventura não me iludo' eu, imputando aos meus cargos, distracções, negligências a meu res­peito, o pouco cuidado que tenho com a minha alma? Que reformas se me impõem? — Que fruto devo tirar da história de Maria Madalena?

    1. — Pratico seriamente a penitência para me preservar ou restaurar?

    2. (28) Santo Agostinho.

    1. Resolução.



    2. Ramalhete espiritual. — «Há duas espécies de doentes desesperados: o que não sente o seu mal e não chama o médico; o que sente de­masiado o seu mal e não suporta os cuidados do médico» (Hugo, cardeal).





    3. XXIX

    4. DAS ALEGRIAS TERRESTRES DA PERFEITA CASTIDADE



    5. «Bem-aventurados os corações puros, por­que eles verão a Deus» (1). Todas as vezes que nos encontramos em presença de uma palavra do salvador, devemos repetir que é «uma pa­lavra operosa» (2). O que ela diz, fá-lo em nós, se a nossa vontade lhe não pusesse obstá­culos e se cooperar nas divinas intenções. É por­tanto desde esta vida que as virgens têm de recolher o fruto das promessas feitas aos cora­ções puros (3), elas que se separaram de tudo para chegarem a uma mais eminente pureza.

    1. S. Mateus, V, 8.

    2. Santo Ambrósio. (3) S.to Agostinho.

    1. — 1.° A virgindade dá a felicidade desde este mundo; 2.° Qual é a felicidade das virgens?





    2. I. — A VIRGINDADE DÁ A FELICIDADE



    3. O Apóstolo São Paulo, respondendo a uma consulta dos fiéis de Corinto, estabelece a ver­dadeira doutrina relativamente à virgindade. Não há precito que a ordene (4); há circuns­tâncias em que não é oportuno entrar neste es­tado (5); mas o que ficar virgem «será mais feliz» (6). Em vão tentaríamos explicar ao mundo a felicidade da perfeita castidade : falta--lhe, para a apreciar, o sentido das coisas di­vinas (7). Cristo é, para ele, «um sinal de con­tradição» (8), «o Evangelho um livro fecha­do» (9), «o mistério da cruz, uma loucu­ra» (10). Faz consistir as suas felicidades fictí­cias nos nadas que divertem e atordoam, ou nas coisas que «matam a alma, afagando o corpo» (11). Depois, semelhante ao desgraçado que, morrendo de fome na rua, lamentasse aque-

    4. (4) I Cor., VII, 25. (5) I Cor., VII, 9. (6) I Cor., VII, 40. (7) I Cor., II, 14.

    5. (8) S. Lucas, II, 34. (9) II, Cor, IV, 3.

    6. (10) Cor., I, 18. (11) V. Beda.

    7. le que se senta a uma mesa lauta, põe-se a gri­tar que a virgem, no seu claustro, não pode encontrar a felicidade.

    8. Insensato! Estão precisamente ali «as ale­grias plenas» (12) que se «tomam no Se­nhor» (13). Interrogai os consagrados !

    9. «No próprio seio desta vida que eles des­prezam e de que fizeram o sacrifício a Deus, Deus, por um milagre permanente da sua mi­sericórdia, tem-lhes feito encontrar sempre a alegria e a felicidade num grau desconhecido do resto dos homens» (14). Quando os nossos pais na vida religiosa iam procurar, «na soli­dão, um abrigo para a castidade, uma muralha contra o mundo e contra si próprios» (15), pin­tavam as suas alegrias até nos nomes encanta­dores que davam aos lugares do seu retiro. Que coisa mais expressiva do que estas denomina­ções : «Bom-Lugar, Alegre-Lugar, O Doce Vale, as Delícias, Valbom, o Reconforto, a Alegria, o Pré-Feliz» (16).

    10. A felicidade não pode ser senão o soberano bem, «Deus, cuja presença contentará todas as aspirações da alma e do corpo» (17). Mas, an-

    11. (12) S. João, I, 4. (13) S. João, XV, 11. (14) Montalembert. (15) S. Pedro Damião. (16) Nomes de mosteiros. (17) S. Cipriano.

    12. tes da aquisição desse «bem perfeito que sa­ciará todo o apetite» (18), nada há tão paci­ficado, ninguém há tão feliz como uma alma cuja vida toda inteira forma como que uma série de degraus que conduzem a Deus, nosso fim (19). Tal é o caso das virgens que procu­ram no seu estado «um caminho mais seguro, um meio de santidade, um foco de amor, um asilo na vizinhança de Deus» (20). Elas não estão no Céu, mas caminham na senda do Céu: «não quereriam, por coisa nenhuma, ofender a Deus, isso lhes basta para viverem alegres» (21). O facto de se chamarem «Lugar de descanso, Ninho de Ave, Vale da Paz» (22) não quer di­zer que as mansões da virgindade na terra não conheçam tempestades e lutas. Mas em volta desse «jardim fechado, a castidade forma uma muralha que nada ainda quebrou» (23), e Deus vela com especial cuidado sobre «esta gloriosa parte do rebanho» (24). Além disso, que fon­tes de profundas alegrias na caridade fraterna, na fecundidade do apostolado, na paz que as

    1. S. Tomás.

    2. Suarez. (20) Vida dos Padres.



    1. S. Francisco de Sales.

    2. Nomes de mosteiros.

    3. Santo Ambrósio. (24) S. Cipriano.

    1. virgens gozam na terra e nas recompensas que esperam no Céu (25).





    2. II. — QUAL É A FELECIDADE DAS VIRGENS



    3. A felicidade da terra não pode ser senão a imagem da do Céu, «sendo a graça o prelúdio da glória» (26). Ora «a vida beatífica consistirá em ver Deus, não já através das sombras e co­mo num espelho, mas face a face, tal qual Ele é» (27). Os nossos olhos abrir-se-ão para essa «luz eterna, que é o próprio Senhor» (28). Se­rá a felicidade plena e definitiva, «uma luz cheia de amor, um amor cheio de alegria, uma ale­gria que ultrapassará toda a doçura» (29). O Evangelho coloca também a felicidade dos pu­ros no privilégio de ver Deus desde este mundo, de uma maneira sempre velada, mas mais cla­ra (30). E por esta pureza, deve entender-se «a isenção de todo o pecado, uma justiça que abrange toda a virtude, principalmente a cas-

    4. (25) S. Bernardo. (26) S. Tomás.

    5. (27) I, Cor., XIII, 12. (28) Isaías, LX, 19.
      (29) Dante. (30) Santo Agostinho.

    6. tidade» (31). A parte mais abundante cabe às virgens, contanto que elas explorem os tesou­ros ligados ao seu estado. Sai-se das trevas e entra-se na luz, quando se segue Jesus Cris­to (32). Ora quem segue o Mestre mais longe e mais alto do que as virgens? Sobre a monta­nha da perfeição, elas têm o ar mais puro, o horizonte mais vasto, e os seus olhares esten­dem-se por sobre a planície, por cima dos obstá­culos.

    7. A experiência demonstra que «o olho do co­ração» (33) nos castos, é «simples e torna tudo luminoso» (34). Como os anjos «as virgens, suas irmãs» (35) vêem Deus em toda a parte; como eles, quando se ausentam do Céu para transmitir uma mensagem, elas sabem pôr o seu paraíso em todo o lugar aonde Deus as envia ou as mantém.

    8. A luz celeste transfigura, primeiro que tudo, aos seus olhos, esta estalagem em que passamos algumas horas antes da manhã eterna. Neste universo, cada uma das criaturas aparece às virgens «como uma das letras de que se com-

    1. (33) Santo Agostinho. (35) Gloss. Dear.

    1. S. João Crisóstomo.

    2. S. João VIII, 12. (34) S. Lucas, XI, 34.

    1. 232

    2. 16. Castidade.

    1. põe o nome de Deus» (36). Tudo o que se agita e move torna-se como «um sinal maternal da Providência» (37) a chamar ao amor. Não há nada que não tome uma voz, «a voz do Verbo» (38), tecendo a Deus um hino de lou­vores» (39). Como poderia ser de outro mo­do, se «a virgem refere todos os seus pensamen­tos aos interesses do Senhor?» (40).

    2. As criaturas humanas passam por diante da virgindade sem a distraírem. Elas não são, aos seus olhos, mais do que «o rebanho que pasce nas pastagens do Senhor» (41). Presa ao «es­pectáculo da beleza eterna» (42), a virgem não concede um olhar às criaturas e não recebe de­las «por nenhum outro motivo senão o de lhes ser útil» (43). A sua consolação está em saber que «nunca fez mal a uma alma, nunca escan­dalizou uma só daquelas crianças, nunca se aproveitou de uma enfermidade, nem enganou um ignorante, nem concorreu para a dilatação do império do mal, mas sim dos limites sagra­dos do império do bem (44).

    3. (36) S. Francisco de Assis. (37) S. Gregório.
      (38) S. Tomás. (39) Santo Atanásio.

    1. I, Cor, VII, 34.

    2. Ezequiel, XXXIV, 31. (42) Platão. (43) Bossuet. (44) H. Perreyve.

    1. Quanto aos acontecimentos, as virgens dei­xam-nos passar; basta-lhes saber que «Deus dis­põe deles e que giram segundo as suas or­dens» (45). Numa esfera mais elevada, «Deus descobre-se-lhes na proporção da pureza de­las» (46). Aquelas «filhas bem-amadas do Al­tíssimo recebem por vezes vistas surpreendentes sobre os mistérios da fé; elas ouvem vozes in­teriores cujo acento tem qualquer coisa de ine-fàvelmente divino; são cumuladas de consola­ções inebriantes, ou visitadas por tormentos de coração que desolam, mas que se preferem a todas as alegrias, porque vêm de Deus e são co­mo que um mimo da sua misericórdia» (47). «Tu és pois feliz, ó santa virgindade, e fazes as pessoas felizes» (48).

    2. Afectos. — «Estou aos vossos pés, ó meu Deus, ó minha doce luz. Fazei brotar sobre mim os raios do vosso rosto; e as minhas trevas serão diante de vós brilhantes como o meio-dia mais radioso. Õ beatitude, fazei de mim uma coisa só convosco, pelo amor tão ardente que vos atrai para as vossas criaturas, para vos unir a elas». (Santa Gertrudes).

    3. (45) Bossuet. (46) Bourdaloue.

    4. (47) Mons. Plantier. (48) Santo Efrém.

    1. Exame. — Eu sei que bens estão ligados à virgindade: sou eu suficientemente pura para participar deles ? — Há em mim qualquer coisa que se opõe aos dons divinos? — Quando sou menos feliz, tenho medo de ter deixado passar uma sombra, uma prisão, uma indelicadeza? — Amo suficientemente a Nosso Senhor para o re­conhecer, o ouvir em toda a parte? — São os meus juízos inspirados sempre pelo Evangelho? — Não há nenhuma criatura entre Deus e eu ?

    2. Resolução.

    3. Ramalhete espiritual. — «É bem feliz aquele cuja alma é simples e pura: ele vê a Deus» (S. Justino, mártir).



    4. XXX

    5. DAS ALEGRIAS CELESTES DA PERFEITA CASTIDADE



    6. O Apóstolo foi arrebatado até ao terceiro céu e, das alegrias que ali se experimentam não ousa dizer uma palavra, ensinando a discrição àqueles «que não foram elevados nem ao pri­meiro nem ao segundo (1). Um ramo verde-

    7. (1) S. Francisco de Sales.

    8. jante e um coto de vela não dão a um recém--nascido, dado à luz numa prisão e crescido numa masmorra, a verdadeira noção do sol e de um campo florido na primavera: do mes­mo modo, nada forma em nós, enquanto en­cerrados «na prisão deste mundo» (2), uma ideia do céu. «No entanto deve dizer-se alguma coisa sobre ele». Assim raciocina S. Francisco de Sales. Seguindo o seu exemplo digamos: 1." O céu é prometido principalmente à virginda­de; 2.° a virgindade terá no céu privilégios reservados.





    9. I. —O CÉU ESPECIALMENTE PROMETIDO ÀS VIRGENS



    10. «Deus deu-nos a vocação na sociedade do Seu Filho, e ele é fiel» (3). Existe dele uma palavra que é «a verdade» (4); uma promessa consignada no livro cujas «palavras não pas­sam» (5). O Mestre disse: «O que abandona a sua casa, os seus parentes e tudo mais por amor do meu nome, esse possuirá a vida eter-

    1. Tertuliano.

    2. I, Cor., I, 9. (4) S. João, XIV, 6. (5) S. Mateus, XXVI, 35

    1. na» (6). Por isso os nomes das virgens «estão escritos no livro da vida do Cordeiro» (7); cu­jas páginas visíveis são o Evangelho e de que existe um exemplar misteriosamente traçado (8) no coração de Cristo.

    2. Os santos acrescentam o seu testemunho à declaração do Salvador: «Deus não pode men­tir; prometeu a vida eterna a quem abando­na o mundo por Ele; vós abandonaste-lo, como poderíeis duvidar de uma tal promessa ?» (9). «É fácil passar de uma cela ao céu; quando se morre no claustro, tem-se uma doce seguran­ça de ser salvo, porque é muito difícil perse­verar até à morte, se não se for predestinado para o céu» (10). «A religião é a porta do paraí­so; ser consagrado a Deus neste mundo, é já sinal de que se está marcado para ser compa­nheiro dos bem-aventurados» (11).

    3. Além disso, o cêntuplo, que começa nesta vida, segue as virgens no outro. Um frade leigo, morto no mesmo dia que um rei, revelou que o lugar deste rei estava, no Céu, tanto abaixo do seu quanto tinha estado acima, quando vi­via (12). «Tenho por certo, diz um grande doutor, que os lugares dos serafins, deixados vazios pela defecção dos companheiros de Lú­cifer, só serão ocupados por pessoas religiosas. O estado monástico perdeu parte do seu antigo esplendor; no entanto, ainda há santos entre os religiosos; o que uma alma piedosa faz no mundo não se pode comparar com o que faz uma religiosa. Os tesouros do mundo em face dos tesouros que Deus vos prepara são menos do que um grão de areia. Quando o demónio vos tentar apresentando-vos as durezas e as re­núncias da vossa vida, levantai os olhos ao Céu e tende coragem, à vista das beatitudes eternas, para suportardes os trabalhos do tempo» (13).

    4. Tais são as nossas esperanças, e tal é o segredo que torna tão doce a morte das con­sagradas : elas dão a Deus a sua morte como deram a sua vida, alegremente. Umas chegam ao termo, depois de «terem trilhado um longo caminho em poucos dias» (14); as outras vi­ram «o seu exílio prolongar-se» (15); «elas tra­zem, num corpo quebrado pela idade, uma al-



    1. (6) S. Mateus, XIX, 29. (7) Apoc, XXI, 27.
      (8) Apoc., V, 1. (9) S. João Crisóstomo.

    2. (10) S. Bernardo. (11) S. Lour. Justiniano.

    1. S.to Af. deLigório.

    2. S.to Af. de Ligório.

    3. Sabedoria, IV, 13. (15) Salmo CXIX, 5.

    1. ma toda jovem e como que perfumada» (16), Todas descem pacificamente no Oceano divi­no, como a barca, quando, chegada à foz, dei­xa o rio, saúda a margem e, por um insensível movimento, encontra-se num grande mar. «A morte é, para elas, um belo anjo que veio para coroá-las de flores» (17); «o desprendimento dos prazeres desabitua-as do corpo e elas já não sentem dificuldade em se separar dele; já desataram, ou quebraram, desde há muito, os laços mais delicados» (18); aprenderam que «a única precaução contra os ataques da morte é a inocência de vida» (19). Virgem por estado, sou eu suficientemente «santa de alma e de cor­po», para fazer minhas estas esperanças da vir­gindade ?



    2. II.—O CEU DAS VIRGENS TEM PRIVILÉGIOS RESERVADOS



    3. «Eu vi, diz o discípulo virgem: o Cordeiro estava de pé sobre a montanha de Sião; com ele vi cento e quarenta e quatro mil. Eles cantavam



    4. (16) S. Gregório de Nazianzo.

    5. (17) H. Perreyve. (18) Bossuet.
      (19) Bossuet.

    6. o cântico novo, e ninguém podia dizer aquele cântico; aqueles são os resgatados da terra, são os virgens» (20). Cada ser forma uma nota no concerto universal pelo qual a criação louva o Criador. Mas, da simples ervinha ao cedro, do colibri à águia, da última das estrelas ao sol, do homem ao anjo, os acentos aumentam em expressão, em doçura, em verdade. O primeiro de todos «o Mestre de coro, é o Verbo» (21), é Jesus. Depois d'Ele vêm os que melhor compre­enderam as ideias de Deus e realizaram o seu plano. Três classes de santos sustentaram com­bates mais temíveis; três coros de eleitos trazem auréolas distintivas : os mártires, os doutores, as virgens.

    7. Durante a sua vida, as virgens foram mais dóceis à palavra de Cristo; estiveram de acor­do com Ele até nos seus menores desejos. No Céu são admitidas a uma intimidade maior; aproximadas de Jesus, participam das alegrias mais suaves e as suas almas glorificadas mani­festam-se «num cântico reservado que as outras podem ouvir e com que lhes é dado regozijarem-se, mas que não têm o poder de repetir» (22).

    1. Apoc, XIV, 1-4.

    2. Clem. de Alexandria. (22) Santo Agostinho.

    1. «Estas primícias de Deus» (23) pagou-as o Cor­deiro mais caro: foi para elas pródigo das suas lágrimas e do seu sangue; protegeu-as com os espinhos da sua coroa, abrigou-as à sombra da sua cruz com uma particular dilecção. É este amor cioso que elas cantam, e o privilégio de terem sido «a porta fechada pela qual só o prín­cipe podia ir para o seu trono» (24).

    2. São João continua: «As virgens seguem o Cordeiro para toda a parte para onde Ele vai» (25). O Salvador tinha dito : «Aquele que quiser ser meu discípulo, renuncie a si mesmo e siga-me» (26). As virgens deixaram tudo; elas seguiram Jesus nos seus trabalhos, humi­lhações, na sua cruz e morte. Passaram a vida em busca de Cristo. Agora «que as sombras se inclinaram e que o dia nasceu» (27), elas en­contram-no, possuem-no «irmãs e esposas, no jardim fechado em que Ele colhe os lírios» (28). «Eu vos conjuro, minha querida irmã, diz S. Bernardo, não saboreeis nenhuma doçura, não procureis nenhum amor, não ameis nenhuma beleza fora de Cristo: se vós o amardes com



    3. (23) Apoc, XIV, 4. (24) Ezech., XLIV, 1-3.
      (25) Apoc, XIV, 4. (26) S. Lucas, IX, 23.
      (27) Cânt, II, 17. (28) Cânt, IV, 12; VI, 1.

    4. todo o vosso coração neste mundo, segui-lo-eis para toda a parte onde Ele for».

    5. Santo Hilário ensinava estas verdades à sua filha, a virgem Abra. Extasiada, essa disse-lhe um dia: «Pai, os meus amores não estão na terra; quando portanto eu for ter com o Esposo eterno, a quem vós me consagrastes; pai, eu quereria morrer». Imediatamente Hilário pros-trou-se diante de Deus; viram as suas lágrimas e ninguém ouviu a sua prece. Mas dentro em pouco, sem sofrimento, sem estremeção, a im­paciente amante de Cristo partiu, como uma pomba que abre as suas asas e levanta voo para os Céus. As suas fiéis esposas sentem que Jesus assiste aos seus últimos instantes, colocando-lhes na cabeça a auréola que as deve distinguir dos outros eleitos, e convidando-as meigamente: «Vem, minha esposa, vem do Líbano, tu serás coroada» (29). E elas respondem: «Vinde, Se­nhor Jesus, vinde, não vos demoreis» (30).



    6. Afectos. —«O meu coração e a minha alma aspiram a vós com ardor, ó Deus do meu cora­ção e das minhas esperanças. Que a alegria e o júbilo estejam em vós, pelo branco e nume-



    7. (29) Cânt, IV, 8. (30) Apoc, XXII, 20.

    8. roso enxame das virgens; alegria e júbilo no cântico novo que elas fazem ouvir, seguindo-vos para toda a parte, a vós seu Rei e seu esposo. Ó amor, eu vos dou a minha vida e a minha alma, adormecei-me convosco na paz». (Santa Gertrudes).



    9. Exame. — É o pensamento do Céu habitual em mim, principalmente nas horas de dificul­dade, de tentação ? — Estou reconhecida a Je­sus, por me ter mais magnificamente resgatado e misericordiosamente escolhido ? — É a minha vida suficientemente santa, para ser já o começo do cântico virginal ? — Sou Jesus em todas as suas vontades, desejos, delicadezas ? — Que pro­veito tirei eu destas meditações ? —Quais são as minhas resoluções? Os meios de as conservar?



    10. Resolução.

    11. Ramalhete espiritual. — «Vejo finalmente o objecto dos meus desejos; possuo o objecto das minhas esperanças; estou unida, no Céu, àquele que amei com todas as faculdades sobre a terra» (Ofício de Santa Inês).





    12. CONCLUSÃO





    13. Terminado o ensaio, consagrar um dia a agradecer a Nosso Senhor as luzes recebidas e a tomar resoluções práticas e muito precisas. Escrevê-las, para melhor as fixar no espírito e no coração, a fim de as poder voltar a ler de tempos a tempos. Informar o seu director sobre o trabalho que se efectuou durante estes piedo­sos exercícios, e submeter à sua aprovação as resoluções que são o fruto deles.





    14. Sub tuum praesidium, Virgo immaculata!













    1. ÍNDICE





    2. Conselhos preliminares pág. 9

    3. 1.—Natureza da Castidade » 12

    1. — O conselho evangélico da perfeita castidade » 19

    2. — Da vocação , » 27

    1. 4.—Das vantagens da perfeita castidade » 35

    2. 5. — Vantagens da perfeita castidade para o

    3. apostolado » 43

    4. 6.— Da excelência da perfeita castidade » 51

    1. — Da excelência da perfeita castidade » 59

    2. — As predilecções de Jesus pela virgindade » 67

    3. —■ Predilecções de Jesus pela virgindade ...» 74



    1. — Das tentações » 82

    2. —Das tentações » 90

    1. 12: — A mortificação em geral » 98

    1. — Mortificação do corpo » 105

    2. — Mortificação do espírito » H2

    3. — Mortificação do coração » 119

    1. 16.—Da tristeza » 127

    1. — Do espírito do mundo » 134

    2. — Do amor da solidão » 142

    1. 19.—Da vigilância » 150

    1. — A modéstia » 157

    2. — Da modéstia * 165

    1. 22.— Da oração * 173

    2. 23.—Do Sacramento da Penitência » 181

    3. 24.—Da santa Comunhão » 189

    1. —Devoção à Paixão e ao Sagrado Coração ... » 196

    2. — Da devoção à Santíssima Virgem e aos

    1. Anjos » 203

    1. — Do temor de Deus » 211

    2. — Ameaças e consolações » 220

    1. 29- — Das alegrias terrestres da perfeita castidade » 228 30. ■— Das alegrias celestes da perfeita castidade » 236

    1. COMPOSTO E IMPRESSO NA PIA SOCIEDADE DE S. PAULO RUA DO LUMIAR, 167 LISBOA 5

    2. em Maio de 1959



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