F. Maucourant rmsaio



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(1). Aplicam-se estas palavras ao mártir que resti­tui à alma, em todo o seu brilho, «a sua primei­ra veste» (2) de honra. Elas entendem-se igual­mente do sacramento da penitência: «Toda a alma lavada desta maneira é esposa, e o Fi­lho do Rei une-se a ela» (3); é portanto uma fonte, divinamente preparada, onde as castas se purificam das fraquezas quotidianas e refa-

  1. Apoc, XXII, 14.

  2. S. Lucas, XV, 5. (3) Bossuet.

  1. zem o vigor da sua juventude. O sacramento da penitência é: 1." uma força; 2.° uma luz.





  2. I. — O SACRAMENTO DA PENITÊNCIA É UMA FORÇA



  3. «A confissão frequente purifica cada vez mais a nossa alma das suas sujidades, e por ela conseguem-se não só a remissão dos peca­dos, mas também auxílios mais poderosos pa­ra resistir às tentações» (4). Como as palavras dos nossos santos doutores são belas e preci­sas! Em duas palavras, aqui temos os frutos directos do sacramento da penitência, relativa­mente à castidade : purifica, fortifica.

  4. Um grande papa escreveu que o pecado que não é destruído imediatamente pela penitência, é, por si mesmo, um peso bastante pesado para arrastar a outro pecado (5). Consultamos a experiência: no mal, só o primeiro passo é que custa; uma segunda falta comete-se mais fa­cilmente, traz menos remorsos; pequenas ne­gligências não tardam em lançar uma alma no

  1. S.to Af, de Ligório.

  2. S. Gregório Magno.

  1. carril da mediocridade; as faltas veniais colo­cam-na no pendor que conduz aos abismos, e o Espírito Santo adverte que as grandes quedas são preparadas pelas minúsculas infidelidades (6); como o barco que vai ao fundo, se não lhe repararem as primeiras avarias.

  2. Pelo contrário, se ao leãozinho cortarem, quando pequeno, os dentes ou as unhas, tiram--lhe a possibilidade de fazer mal. Assim aconte­ce com a alma que, à primeira beliscadura do pecado, à primeira ameaça do inimigo, recorre ao sacramento que o Salvador instituiu para nossa purificação. «Neste grande hospital de Deus em que tudo está doente» (7), os cora­ções religiosos têm dificuldade em subtrair-se ao contágio e são o alvo preferido pelos ataques do inimigo. Mas as asas da pomba não são cap­tadas pelo simples contacto com o mal; ela la­va-as imediatamente no sangue do Cordeiro, retoma o seu voo para as alturas e, apesar de ter o corpo envolto em lodo, ela continua a sua angélica vida.

  3. O celeste médico não se contenta com res­tituir a saúde ou com eliminar as causas que a comprometem; ela precavê contra as recaídas



  4. (6) Ecles., XIX, 1. (7) Bossuet.

  5. e confere a força que conjura o regresso do mal. Por um efeito que lhe é próprio, o sacramento da penitência dá direito a receber, em tempo oportuno, as graças especiais que são necessá­rias para não tornar a cair nas faltas cometi­das, para conservar e aumentar as graças rece­bidas. É pois bem «do sangue do Cordeiro que vem a vitória» (8). A experiência ensina que se está mais alegre, mais resoluto, mais forte de­pois de uma boa confissão. Os actos que a pre­pararam na prece e na reflexão; os que a acom­panharam na humildade e na caridade; os que a seguem no bom propósito e santos desejos, inclinam para nós a divina misericórdia e er­guem-nos para as regiões da santidade. Por is­so não é para admirar que S. Francisco de Sa­les tenha dito aos tentados: «Confessai-vos mais frequentemente»; e que Santo Afonso de Ligó-rio tenha assegurado a essas almas que «elas se tornariam invencíveis com a confissão frequen­te; com a condição de se ser, não escrupulo­so, mas perfeitamente delicado» (9).









  6. (8) Apoc, I, 5. (9) Rodriguez.

  7. II. — O SACRAMENTO DA PENITÊNCIA É UMA LUZ



  8. O sacramento da penitência oferece um ou­tro aspecto igualmente favorável à castidade: é uma luz.

  9. Por uma infinidade de pormenores e para or­denar a sua vida conformemente à santa re­gra que ela abraçou, a religiosa recorreu natu­ralmente à sua mestra de noviças, à sua supe­riora; ela ensina «a beber a água do seu poço» (10), «a alimentar-se do pão que Deus deu ao Instituto» (11). Mas quando se trata de virtu­de que nos ocupa, «as superioras não devem examinar tão de perto as suas filhas no tocan­te à castidade» (12). «O nosso bem-aventura­do Padre, escreve Santa Joana de Chantal, diz firmemente que, para os escrúpulos e tenta­ções contra a pureza, devem enviar-se sempre as filhas para o seu confessor, e que, nem a su­periora, nem a directora as interroguem jamais sobre isso, nem consintam a si mesmas falar--lhes nessa matéria, a não ser em sentido geral». Os motivos que ditam esta reserva e esta pru-

  1. Prov., V, 15.

  2. S.ta Joana de Chantal.

  3. S.ta Joana de Chantal.

  1. dência não podem escapar nem aos inferiores nem aos superiores.

  2. O confessor possui, ele e só ele, pelo seu sacerdócio e em vista da sua missão, as gra­ças úteis para tratar salutarmente as questões mais delicadas. «Quando pois o demónio vos provocar, ide procurar o vosso confessor; abri de par em par o vosso coração e pedi ao sa­cerdote conselhos e encorajamentos. O demónio, como todos os malfeitores, detesta a luz. Quan­do um rato anda a forragear num armário, o melhor meio de o desalojar é abrir o mesmo ar­mário» (13). «A primeira condição que o mal­dito põe à alma que quer seduzir, é a condição do silêncio, como fazem os sediciosos nas cons­pirações. Referi humilde e singelamente ao vos­so director as sugestões e as tentações que che­gam até vós, e não duvideis de que Deus vos libertará» (14). «Uma tentação confessada é meio-vencida» (15). Rogai ao vosso confessor que vos ensine, se vós não souberdes exprimir--vos, a linguagem 'discreta, casta, santa da Igre­ja a respeito das vossas faltas e das vossas per­turbações, e não lhe oculteis nada do que pos-

  1. Mons. Ségur.

  2. S. Francisco de Sales.

  3. S. Filipe de Néri.

  1. sa inquietar-vos. Haveria no entanto perigo em exagerar, em cair no escrúpulo, em «se pare­cer com as criancinhas que, sendo picadas por uma vespa ou por uma abelha, vão, muito à pressa, mostrar o dedo à mãe, para ela lho so­prar» (16).

  2. Ao sacerdote, a graça de Deus fará «conhe­cer, mesmo sob as flores, a marcha tortuosa da serpente» (17). Na maior parte do tempo, o seu papel limitar-se-á a esclarecer-vos, a tran­quilizar-vos; em pôr-vos de prevenção contra aquela astúcia do inimigo, que consiste em per­turbar a vossa paz, em vos meter medo. Por vezes, mostrar-vos-á um perigo que vos esca­pava, porque «vós medíeis tudo pela candura e pela nobreza da vossa alma» (18); chamar--vos-á à prudência, defender-vos-á contra as próprias aparências do bem. Por estado, é o bom e caritativo pastor da ovelha perdida. Se­rá sempre para vós «aquele archote que Deus vos preparou para a hora em que tiverdes ne­cessidade dele» (19).

  3. Afectos. — «Escutai uma pobre pecadora, Senhor, escutai a sua confissão. Depois, vós o

  4. (16) S. Francisco de Sales. (17) Bossuet.
    (18) Aristóteles. (19) Job, XII, 5.

  5. ordenastes, chamarei um dos vossos amigos, dir--lhe-ei as minhas misérias; eu quero, com o seu auxílio e com os seus conselhos, robustecer-me no vosso serviço, consolidar-me na paz, armar--me contra os meus inimigos. Eu não posso con­fessar todos os dias as minhas pobres fraque­zas; mas eu encontro-vos, ó meu Deus, na so­lidão do meu coração : ensinai-me a nunca vos deixar, ou antes a reencontrar-vos sem demo­ra» (Atribuído a S. Bernardo).



  6. Exame. — Como é que eu me preparo para receber o sacramento da penitência? — Que meios costumo eu utilizar para assegurar os seus frutos? — Sou sobrenatural, sincera, con­fiante na confissão? — Não deixo a menor som­bra que possa obscurecer a minha alma? — Tenho a coragem de dominar a minha repug­nância, a timidez, para bem me purificar, es­clarecer, tranquilizar?



  7. Resolução.

  8. Ramalhete espiritual. — «Ó poder divino de Jesus, meu sacerdote, aplicai-vos a purificar--me para que o vosso amor me consuma» (Xav. de Maistre, carmelita).

  9. XXIV

  10. DA SANTA COMUNHÃO



  11. S. Francisco de Sales, na sua tão graciosa como simples linguagem, ensina-nos o sobera­no meio de conservarmos e robustecermos a cas­tidade. «As lebres, diz ele, tornam-se brancas entre as nossas montanhas, no inverno, por­que não vêem nem comem senão neve; assim, à força de adorardes e comerdes a beleza, a bon­dade, a própria pureza no divino sacramento, tornar-vos-eis toda bela, toda boa e toda pu­ra». A santa comunhão, «força da alma e do corpo» (1), é uma fonte de castidade: 1." para a alma; 2.° para o corpo.





  12. I. — A SANTA COMUNHÃO PRINCIPIO DE CASTIDADE PARA A ALMA



  13. Quando um médico é chamado para junto de um doente, de um ferido, ou de uma pessoa de saúde delicada, não se contenta com caute­rizar uma ferida, tratar um membro fracturado,



  14. (1) Cânon da Missa.

  15. receitar um medicamento cujo efeito será sim­plesmente parcial ou local. Ele sabe que uma alimentação escolhida, um regime fortificante, exerce primeiramente, sobre a saúde geral, uma acção reparadora cuja salutar influência se faz seguidamente nos órgãos enfraquecidos, em to­da a parte afectada ou ameaçada.

  16. Assim os santos, ao mesmo tempo que in­dicam os meios especiais destinados a preservar ou a recuperar a castidade, dão às almas a san­ta comunhão como um alimento fortificante, um manjar reparador, por vezes como o último re­curso dos desesperados. Há memoráveis exem­plos na vida de Santo Afonso de Ligório, de S. Bernardo e de S. Filipe de Néri.

  17. A santa comunhão é, efectivamente, para a alma «o pão de vida» (2), «de uma vida mais abundante» (3); ela é «o antídoto do pecado». Ela produz entre Deus e a alma «uma mais ín­tima união, um aumento de graça, um acrés­cimo de vida espiritual» (4); ela repara a perda causada pelas fraquezas quotidianas; ela ine­bria suavemente as divinas bondades» (5). Du­rante este trabalho de transformação em Deus,



  18. (2) S. João, VI, 35. (3) S. João, X, 10.

  19. (4) S. Tomás. (5) S. Tomás.

  20. é impossível que a castidade não seja mais es­timada, mais saboreada e mais fortemente apoiada.

  21. A Eucaristia é anunciada como um «vinho destinado a suscitar uma germinação de vir­gens» (6); um vinho «que inspira e dá a vir­gindade» (7); «um vinho que torna as almas angélicas» (8). «As nossas virgens que são san­tas de corpo e de espírito, vão beber este vinho para encontrarem nele o inebriamento e a ale­gria que lhes faz seguir a Igreja, e para que um dia lhes apliquem estas palavras: no seu sé­quito, as virgens serão conduzidas ao Rei. Ine­briam-se com esse vinho aqueles que seguem o Cordeiro para toda a parte para onde ele vai; são as virgens a quem nenhuma aliança huma­na maculou». «A Eucaristia é uma semente de castidade, melhor ainda, de virgindade. Por meio dela, Santa Catarina de Sena tornou-se uma virgem angélica; Cristo desposou-a e ela viveu só da santa comunhão. Foi ainda da hós­tia dos altares que veio a S. Casimiro o amor da virgindade, da qual foi como que o mártir: Cristo parecia ter irradiado sobre ele os esplen­dores da sua própria castidade» (9).

  22. (6) Zac, IX, 7. (7) Cornélio a Lápide.

  23. (8) S.Bernardo. (9) Cornélio a Lápide.

  1. No santuário e no tabernáculo «tudo res­pira inocência; tudo toma uma voz para re­comendar a pureza. É o pão sem fermento, o vinho sem mistura, a cera tal como a dá a abe­lha, os vasos sagrados de um metal incorruptí­vel. Para se abeirar muitas vezes da sagrada mesa, a alma deve estar radiosa de pureza. Res­pira-se nestes lugares não sei que perfume de castidade que impede a alma de se corromper. As doçuras que se saboreiam na sagrada mesa desprendem do amor das alegrias sensuais e fazem-nas esquecer» (10). Que é que as vir­gens desejam afinal mais ardentemente do que a conservação da virgindade? E Nosso Senhor parece dizer-lhes : «Quando vós sois puras, ten­des ainda necessidade de mim para permane­cerdes na vossa pureza» (11).





  2. II.—A SANTA COMUNHÃO PRINCIPIO DE CASTIDADE PARA O CORPO



  3. «O trigo dos eleitos» e «o sangue da taça divina vivifica as regiões da nossa alma que



  4. (10) Mons. Pichenot. (11) Bossuet.

  5. estão privadas de sabedoria, e torna-as razoá­veis» (12). Então, «tornada, em certo modo celeste, a alma já não tem as mesmas relações com a terra», e o nosso corpo recebe a sua parte «do remédio instituído contra as doenças cau­sadas pelo fruto mortal» (13). A Eucaristia, diz S. Tomás, é um alimento medicinal, cuja virtude cura, no corpo e na alma, o veneno das más concupiscências.

  6. Graves teólogos (14) sustentam primeira­mente que a Eucaristia produz efeitos imedia­tos no corpo; diminui o foco do pecado, tem­pera-lhe os ardores, acalma a impetuosidade do temperamento. «O corpo do Senhor produz nos nossos membros aquele suave refrigério que nos Hebreus produzia o pão que lhes caía do Céu sob a forma de neve e de orvalho» (15). Nos calores do estio, as plantas secam, e as mais belas flores empalidecem; o céu envia o orva­lho das noites, e num dia a flor e a planta re­cuperam a sua mocidade e beleza. Assim, quan­do Jesus-Hóstia nos visita durante o estio des­secante das paixões, o seu contacto virginal faz reflorir a nossa carne (16), a sua presença pro-

  1. Santo Ambrósio.

  2. S. Tomás. (14) De Lugo Suarez. (15) S. Tomás. (16) Salmo XXVII, 7.

  1. 13. — Castidade.

  1. duz na nossa alma o aumento da caridade, e no nosso corpo a diminuição da cobiça (17).

  2. Pelo menos, é certo que, de uma maneira indirecta, a sagrada comunhão «diminui a fon­te do pecado, dando novas forças ao amor de Deus e uma intensidade nova à vida interior». Quando se rega uma árvore na raiz, a frescura e a renovação da vida comunicam-se ao tronco, aos ramos e até às folhas mais afastadas. «Sa­turada de Deus» (18), inundada de graça, a alma reencontra «o pleno vigor da piedade; as sacudidelas interiores acalmam-se, a triste lei dos membros abranda» (19), e os comungan-tes tornam-se «terríveis como leões que respiram a chama» (20). Ê impossível, efectivamente, que a Eucaristia dê à alma bem preparada, tan­tas luzes, força, amor, tudo o que é santo, sem produzir no corpo uma reacção salutar. Cristo une-se misticamente à alma que ele desposou na fé, no baptismo, e na virgindade, na profis­são; ama o corpo dele como o seu, e protege-o mais especialmente, quando está nele pela sua presença sacramental ou pelos efeitos prolonga­dos do sacramento (21). Podemos nós ser

  3. (17) Alex. de Ales. (18) Tertuliano.

  1. S. Cirilo de Alexandria.

  2. S. João Crisóstomo. (21) Franzelin.

  1. «transformados em Cristo, pela virtude da Eu­caristia» (22), sem que o corpo e a alma par­ticipem de algum modo, nessa transformação? E quando se vai ao- altar, à sagrada mesa, precisamente para se obter a força de vencer uma tentação, a graça de perseverar na vir­gindade, cada um encontra na sua hóstia «aqui­lo de que necessita» (23).

  2. Afectos. — «Dignastes-vos, ó meu Deus, Pai omnipotente, alimentar-me, a mim pecadora, vossa indigna serva, do corpo e do sangue pre­cioso do vosso amado filho, Jesus Cristo, Nos­so Senhor. Fazei, eu vos peço, que esta co­munhão seja a armadura da minha fé e o es­cudo da minha boa vontade, a eliminação dos meus vícios, a extinção da cobiça e da concu­piscência, o aumento da caridade e de todas as virtudes, finalmente a pacificação de todos os movimentos desordenados, tanto da carne como do espírito» (S. Tomás de Aquino).

  3. Exame. — Proponho eu por vezes a mim mesmo como exemplo a pureza, o desinteresse de Jesus-Hóstia? — Esforço-me por ser mais justa e mais santa, por ser menos indigna da

  4. (22) S. Tomás. (23) S. Tomás.

  5. sagrada comunhão? — A minha comunhão de ontem, a de amanhã, são a recordação e a es­perança que alegram a minha alma e a pre­servam das seduções terrestres? — Na dificul­dade, o meu primeiro olhar, o meu primeiro grito, vão para o tabernáculo?



  6. Resolução.

  7. Ramalhete espiritual. — «Ó fonte de toda a pureza, Senhor Jesus, purificai-me pelo vosso sangue, de que uma simples gota basta para apagar todos os pecados do mundo» (S. Tomás).





  8. \ XXV



  9. DEVOÇÃO À PAIXÃO . E AO SAGRADO CORAÇÃO





  10. «A pomba, diz Santo António de Lisboa, retira-se para as profundezas da rocha. Ali põe--se a coberto das perseguições da ave de ra­pina. Ao mesmo tempo, aproveita uma morada tranquila em que repousa suavemente e arru­lha em paz. Assim, no coração de Jesus, aberto na sua paixão, a alma religiosa encontra um asilo seguro contra as maquinações de Sata­nás, e um delicioso retiro». Dois outros meios de guardar a perfeita castidade: a devoção 1.' a Jesus Crucificado; 2.° ao Sagrado Coração.



  11. I.—A DEVOÇÃO A JESUS CRUCIFICADO



  12. Os santos, nossas vanguardas na vida mili­tante e nossos guias nos caminhos da vitória, são unânimes em aconselhar, como meio de conservar a castidade, a lembrança da paixão do Salvador e a devoção à sua cruz. «A pomba, diz S. Bernardo, não deixa a cruz; esvoaça em torno dos seus braços, e ali, intrépida, desa­fia as garras do abutre». Quando as almas con­sagradas estão expostas às perseguições exte­riores e aos tormentos interiores, «é o maligno que joga esses jogos; não conseguirá nada so­bre elas, desde que elas se unam ao pé da cruz, como os pintainhos sob as asas da mãe, quando o gato os persegue» (1). Ali, «não só as nos­sas almas mas também os sentidos se apazi­guam, e experimentamos um suave repou­so» (2).

  13. (1) B. L. de Marillac. (2) S. Boaventura.

  14. Que coisa existe mais capaz, efectivamente, de inspirar o horror do pecado? Aquele cru­cificado é o Filho de Deus; era cheio de graça e de verdade e tinha direito a todas as alegrias e a todas as felicidades. Todavia a dor acom­panha-o desde o seu berço e segue-o por toda a parte, ávida das suas lágrimas e dos seus ge­midos; depois, após uma agonia sangrenta, após a via dolorosa, expira como um escravo, na ignomínia e nas torturas da crucifixão. Então que tinha ele feito? Nada; mas, por uma livre e generosa aceitação, tinha-se «oferecido pela expiação dos nossos pecados» (3). «Quando Deus descobre, na carne adorável de Jesus Cris­to, a iniquidade do género humano de que se revestiu, fere sem intermitências, fere sem pie­dade, fere até à morte» (4).

  15. Jesus «para combater a concupiscência da carne, opõe ao prazer dos sentidos um corpo todo mergulhado na dor, ombros rasgados por vergastadas, uma cabeça coroada de espinhos e espancada por mãos impiedosas, um rosto coberto de escarros, olhos pisados, faces desbo­tadas e lívidas, uma língua dessedentada com fel e vinagre, e, por cima de tudo isto, uma



  16. (3) Hebr., IX, 28. (4) R. P.e Monsabré.

  17. alma triste até à morte: temores, desolações e uma tristeza inaudita. Mergulhai-vos nos praze­res, ó mortais; vede o vosso Senhor abismado, corpo e alma, na dor» (5). Que cristão, que consagrada poderia pecar, de olhos postos no quadro da coroação de espinhos, da flagelação e da morte na cruz?

  18. O Salvador dava-nos ali «a maior prova de amor». De olhos postos no crucifixo, Santo Agostinho exclamava: «Não me devia nada e contudo resgatou-me; os meus crimes merecem a morte, ele dá-me amor. Quando os meus pen­samentos se perturbam e o meu corpo me deixa angustiado, olho para o corpo ferido de Cristo; a lembrança das suas feridas de amor salva-me de toda a cilada». Os castos fazem do sinal da cruz a sua arma de predilecção. S.ta Teresa gos­tava de acrescentar-lhe o emprego da água benta. O venerável cura d'Ars defendia-se con­tra «as garras do inimigo» com o sinal da cruz. A cruz possui «um grande vigor contra o ini­migo, porque ela recorda-lhe a morte do Salva­dor que o subjugou, e porque o sinal da cruz é uma curta invocação do Redentor» (6).

  1. Bossuet.

  2. S. Francisco de Sales.

  1. II.—A DEVOÇÃO AO SAGRADO CORAÇÃO



  2. «Quereis vós, diz um piedoso autor da or­dem franciscana, resistir às paixões e ao espí­rito maligno ? Retirai-vos para o interior da pe­dra rústica, o lado aberto de Jesus-Cristo» (7). «Não te admires, se tiveres tentações; mas, no meio do perigo, refugia-te em Deus; apressa-te a encerrar-te no coração de Jesus Cristo» (8). Quando o Salvador morreu, estava imóvel, ti­nha os braços atados, não podia mexer a mão para nos mostrar o coração; nesse momento in­clina a cabeça, baixa os olhos, detém ali o seu último olhar para nos indicar «aquela devota morada, como o nosso mais seguro asilo» (9). Também a virgem de Paray foi advertida de que as almas, e especialmente as consagradas, encontrariam «no coração adorável um lugar de refúgio durante a sua vida e principalmente à hora da morte».

  3. De resto, o Sagrado Coração dá-nos as mes­mas lições que o crucifixo. A cruz é principal­mente o memorial dos sofrimentos físicos e exte-

  1. P.e Bernardo de Osimo, 1581.

  2. S. Boaventura.

  3. P.e Vincent Marie, récollet.

  1. riores de Jesus Cristo; o Sagrado Coração reve­la-nos mais os seus sofrimentos íntimos, uma paixão mil vezes mais dolorosa do que dores corporais. Que sofrimentos! A traição dos seus amigos, o seu sangue derramado por homens que o haviam de vilipendiar, o martírio da sua mão, as perseguições da Igreja e dos seus san­tos através dos séculos. Por último, o bom Sal­vador diz à sua confidente: «Compareci diante da santidade de Deus que me fez beber o cálix que continha todo o fel e amargura da sua justa indignação, como se ele tivesse esquecido o nome de Pai para me sacrificar à sua justa cólera». Mostrando o seu coração, acrescenta: «É aqui que eu tenho sofrido mais do que em to­do o resto da minha paixão». Depois fala dos consagrados que têm precisamente a mão mais cruel: «Os outros, diz ele, contentam-se com bater no meu corpo; estes atacam o meu co­ração». Õ Mestre, poderia eu «por um punhado de cevada» (10), uma vil satisfação, chegar a tal ponto de crueldade ?

  2. Esse coração, que tanto tem sofrido, é o coração que mais me tem amado. «Vós ten-des-me perdoado os meus pecados, vós tendes-



  3. (10) Ezequiel, XIII, 19-

  4. -me confiado as vossas riquezas espirituais. En­treabrindo diante de mim as águas do mar tempestuoso deste século, vós introduzistes-me no deserto sagrado da religião; vós refrescas-tes-me com ondas da vossa graça; vós cha-mastes-me para a santidade. Tudo isto está es­crito no vosso coração» (11). O pensamento deste amor de Jesus bastará para nos impelir às maiores delicadezas, se nós lhe juntarmos um recurso fiel e confiante à protecção do seu di­vino coração. Não dizia ele: «Não te faltará força, senão quando te faltar poder»? (12). Por sua vez, quando o demónio vê que as suas ten­tações nos levam a implorar este divino amor, deixa de nos assediar» (13).



  5. Afectos. — «Ó Jesus cheio de amor, ponde o sinal da vossa santa cruz na minha mão di­reita, para que, sempre rodeada da vossa pro­tecção, eu avance contra todas as emboscadas do inimigo. Conservai no santuário do vosso coração, tão cheio de bondade, a pureza da minha inocência; colocai os meus compromissos sob a vossa guarda fiel, a fim de que eu vo-los

  1. Bem-aventurada B. Varani.

  2. N. S. a S.ta Marg. Maria.

  3. S. Francisco de Sales.

  1. possa apresentar na sua integridade à hora da minha morte». (Santa Gertrudes).

  2. Exame. — Tenho eu a devoção a Jesus crucificado? — Sirvo-me da sua lembrança pa­ra me defender contra as tentações, represen­tando a mim mesma tal ou tal cena da paixão, esta ou aquela estação da via-sacra? — Faço muitas vezes, dignamente, piedosamente, o si­nal da cruz? — Estou habituada a recorrer ao Sagrado Coração desde que a minha alma se encontre perturbada, e preveja ou pressinta a aproximação do inimigo?

  3. Resolução.

  4. Ramalhete espiritual. — «Õ paz do coração humano, só te encontram no amor e na cruz de Jesus Cristo» (S. Francisco de Sales).





  5. XXVI

  6. DA DEVOÇÃO À SANTÍSSIMA VIRGEM E AOS ANJOS



  7. «Todas vós que estais da posse da virgin­dade, refugiai-vos junto da Mãe do Senhor. Ela tomar-vos-á debaixo da sua protecção e conservar-vos-á na incorruptibilidade esse mag­nífico e precioso tesouro» (1). Sabe-se, por

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