F. Maucourant rmsaio



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(11) Rom., XIII, 13. JP5P^^m«v!

  • do, que se deixa ir ao sabor da corrente?» (12). Acontece o mesmo com a alma tíbia, à qual não podem impressionar nem a recordação das graças de Deus, nem o pensamento das pró­prias faltas, nem o exemplo dos santos, nem a esperança das alegrias eternas, nem o senti­mento das suas responsabilidades: que força te­rá ela, quando tiver de ser, para «escapar aos dedos do captor, vivo como a gazela, alado como a ave?». Finalmente, a alma sonhadora perde-se numa atmosfera demasiado pesada, que, a pouco e pouco, lhe vai fechando os olhos; desgostosa da vida real e das suas austeras obri­gações, distrai-^ com vãs miragens e deixa-se invadir pelo encanto das fantasmagorias: uma impressão, uma palavra, um apelo arrastá-la-á para fora «daquele templo de Deus, de quem a castidade é a sacristã e a guardiã» (13).





  • II. — AS REGRAS DA VIGILÂNCIA



  • O exercício da vigilância consiste em nos vigiarmos a nós mesmos e à volta de nós, em prevenirmos os ataques de fora e em desmasca-



  • (12) Mons. Gay. (13) Tertuliano.

    1. rarmos as cumplicidades de dentro. Se quiser­mos escapar ao «espírito de vertigem» (14), te­mos de olhar para nós, de escutarmos a nossa alma; elucidarmo-nos sobre as suas tendências e sobre os seus pendores mais ocultos; tomar­mos, a pouco e pouco, consciência do que ela pode tanto para o bem como para o mal; e chegarmos assim àquela incomparável ciência que se chama o conhecimento de nós próprios. Prestemos contas, a nós mesmos, não só das nossas íaltas, mas também das suas causas e das ocasiões que as provocam : não basta cortar essa árvore má, é preciso aniquilar-lhe os re­bentos» (15) e destruir até às suas raízes amar­gas que rebentariam com uma nova força» (16).

    2. Para alguém estar tranquilo a respeito de si mesmo ou para assegurar a sua própria vitó­ria, torna-se indispensável conhecer o estado ge­ral do seu coração, os lados fracos e defeituo­sos, as avenidas abertas ao inimigo, a porta à qual ele se apresenta habitualmente. É o espíri­to que importa recolher, é a imaginação que se deve refrear, é o coração que precisa de ser reprimido: precisa de saber muitas coisas

    1. Isaías, XIX, 14.

    2. Dan. IV, 11. (16) Hebr, XII, 45.

    1. aquele que quer colocar-se, principalmente em matéria de castidade, ao abrigo das surpresas. Em cada um de nós, o mal envolve um cúm­plice mais hábil e mais dissimulado: vaidade, amor dos prazeres, aspirações de um coração mais impressionável, talvez até «qualquer es­pião de aspecto inocente (17); estejamos de olho atento para o castigar, manietar, tornar impotente ao menor dos seus movimentos, ao primeiro ruído; nada de perdão nem de amnis­tia, aliás abusaria logo da nossa clemência.

    2. O inimigo interior poderia ser mais facil­mente reduzido, se não fosse impelido à trai­ção pelos de fora: daí a necessidade, como se­gunda regra de vigilância, «de ter cuidado com quem entra na praça» (18). Virtudes e faltas dependem muitas vezes do meio em que a vida decorre, das relações, dos hábitos, das dificul­dades ocorrentes. Para onde a Providência nos leva, aí nos protege a graça; para nós, a sabe­doria consiste em não nos expormos, sem ra­zão suficiente, ao perigo, não só de pecar, mas de ser tentado. Sejamos sinceros connosco mes­mos. Há, em qualquer parte, uma ideia, uma palavra, um projecto, uma pessoa, um objecto



    3. (17) Bossuet. (18) Bossuet.

    4. ameaçador, terrível, ou acariciador e cortês, fu­nesto à nossa virtude e à paz da nossa cons­ciência? O que é que nos seduz, nos impressio­na, nos alegra o espírito, nos dilata o coração, nos transporta os sentidos? O ladrão está ali: se ele estiver à direita, ide vós para a esquerda; se ele estiver na praça, procurai a solidão; se ele falar, fechai os ouvidos; se ele avançar, fugi. Nunca vos aventureis a uma região pantanosa, e principalmente nunca vos fixeis nela. «Bem--aventurado, diz o Espírito Santo, o que vigia e toma conta do seu vestuário, para não chegar despojado e humilhado» (19). «Vigiai e orai, para não cairdes em tentação» (20).



    5. Afectos. — Salvai-nos, Senhor, enquanto nós vigiamos; guardai-nos, enquanto permitis que durmamos; para que possamos vigiar com Je­sus Cristo e repousemos na paz». (Breviário romano ).



    6. despojado e humilhado» (19). «Vigiai e orai, com o respeito e o cuidado que são devidos a um conselho de Nosso Senhor? — Ao concluir esta meditação, visitei eu o meu espírito, o meu



    7. (19) Apoc, XVI, 15. (20) S. Marcos, XIV, 38.

    8. coração, todo o meu ser, para saber se real­mente não há em mim inimigo que ameace a minha castidade ? — Olhemos para o exterior: pessoas, objectos, circunstâncias que me ro­deiam' não haverá nada que seja para mim ocasião de pecado?



    9. Resolução.

    10. Ramalhete espiritual. — «Não tendes medo de dormir, enquanto o vosso inimigo está tão vigilante?» (Santo Agostinho).



    11. XX A MODÉSTIA



    12. I.—NO PORTE E NOS OLHARES



    13. « A modéstia, como a castidade, está ligada à virtude cardeal da temperança» (1). «Ela aplica o compasso e a régua a todos os mem­bros, a todos os sentidos, a todos os movimen­tos corporais» (2). Vê-se facilmente o que a modéstia é para a virgindade, se repararmos



    14. (1) Santo Tomás. (2) P. Saint-Jure.

    15. naquelas palavras de um grande santo: «Que tudo seja virgem na virgem, a vista, o ouvido, o gosto, o tacto, o olfato e cada um dos seus movimentos» (3). Para continuarmos o exer­cício da vigilância, estudemos : 1.° a modéstia no porte; 2.° a modéstia nos olhares.



    16. I. — A MODÉSTIA NO PORTE





    17. «A modéstia é uma virtude que, pelo res­peito devido à presença de Deus, para edifica­ção do próximo e por um sentimento de digni­dade pessoal, regula com decoro todo o exterior do homem: a sua conduta, o olhar, o gesto, as palavras, as diligências; ela ordena e compõe tudo conformemente à idade, à condição, sem afectação nem singularidade; é o reflexo, senão da santidade, pelo menos da probidade e da decência que devem existir interiormente» (4). «A modéstia serve de égide à castidade, afas­tando as ocasiões e os perigos. Sem a modés­tia, uma religiosa expõe-se a comprometer a sua vocação e a escandalizar o próximo. Pelo contrário, uma religiosa modesta afasta os ini-



    18. (3) Santo Antonino. (4) P.e Valuy.

    19. migos da sua salvação, mantém em respeito to­das as pessoas que a rodeiam, e inspira, sem as procurar, grande estima por si e uma gran­de concepção sobre o estado religioso» (5). A modéstia faz do nosso corpo «a guarda e co­mo que a custódia de um Deus; guarda e mos­tra Deus no nosso corpo» (6).

    20. A fisionomia desta virtude reflecte-se pri­meiro no conjunto das atitudes. Os santos ad­vertem-nos de que nunca devemos familiarizar--nos e que nos portemos com temor e dignidade, quando estamos sob o único olhar de Deus; «a virgem não receia senão a si própria» (7). En­quanto que a austeridade é a guardiã da casti­dade, uma conduta mole provoca naturalmen­te as revoltas sensuais; «há atitudes de corpo que enervam e fazem perder a razão mais de­pressa do que o vinho» (8). Como nos por­tamos? Escutai: «Só, ao levantar, ao deitar, no estudo, na maneira de caminhar e de nos sentarmos, nas mínimas atitudes em que se emancipa muitas vezes aquele que está ao abri­go de todo o olhar», S. Francisco de Sales nun­ca se dispensa «das mínimas regras do decoro;



    21. (5) R. P. Meynard. (6) P. de Pontevoy.

    22. (7) Tertuliano. (8) Santo Ambrósio.

    1. sozinha como se estivesse acompanhada; em companhia como se estivesse sozinha» (9). É que os santos começam por regular o seu in­terior. Se as lembranças perigosas, os desvios da imaginação, os desejos sensuais, os afectos de­masiado sensíveis não forem mantidos em res­peito, os sentidos, um momento contidos, recu­peram imediatamente a sua liberdade.

    2. Os que estabeleceram «a sua morada na paz» (10), governam tanto mais facilmente o seu exterior. O santo bispo de Genebra «conser­vava sempre a cabeça erguida, evitando igual­mente a ligeireza que a faz voltar-se para todos os lados, a negligência altiva e empertigada que a inclina para trás; todo o seu porte era nobre e santo, majestoso sem pretensão, natural sem moleza nem desleixo; nunca tinha uma maneira de estar ou de proceder que não estivesse em ordem; ou que se pudesse dizer inspirado pelo amor das suas comodidades» (11). Eis um mo­delo; comparemo-lo com o nosso porte. Como pormenores, pode acrescentar-se que «a mo­déstia ordena um caminhar grave, nem dema­siado lento nem demasiado precipitado» (12);

    3. (9) Mons. Carnus.
      (10) Salmo LXXV, 3. (11) M. Hamon.

    4. (12) S. Basílio.

    5. ela proíbe que nos sentemos de maneira des­cuidada ou que cruzemos os pés» (13); final­mente proíbe toda a negligência ou liberdade de­sordenada. Em toda a parte e sempre «devemos ser decorosos e reservados: em casa, pelo res­peito devido aos nossos irmãos; na rua, pelo respeito aos transeuntes; na solidão, pelo res­peito a nós mesmos; em toda a parte, por causa do Verbo que está em toda a parte» (14).



    6. II. — DA MODÉSTIA DOS OLHARES



    7. «Quase todas as paixões que fazem guerra ao nosso espírito têm origem nos olhos mal guar­dados, porque é a vista dos objectos exteriores que excita, a maior parte das vezes, os afectos desordenados» (15). «O pensamento nasce do olhar, o desejo, do pensamento; depois, ao de­sejo sucede o consentimento» (16). Eva só cai, depois de ter olhado, com demasiada atenção, para o fruto proibido; parece-lhe bonito e bom; pega nele e perde-se. «O demónio precisa ape­nas dos nossos primeiros avanços» (17); «basta

    1. S.:to Af. de Ligório.

    2. Clemente de Alexandria.

    3. Santo Af. de Ligório.

    4. Santo Agostinho. (17) S. Jerónimo.

    1. 11. Castidade.

    1. começarmos por lhe entreabrir a porta, ele sa­berá por si abri-la completamente. Um olhar bem consentido transformar-se-á numa faúlha do inferno que fará perecer a alma» (18). Por esse motivo, o Ven. César de Bus, depois de ter cegado, exclamava: «Perdi os meus dois maio­res inimigos».

    2. «Nosso Senhor foi o primeiro a ensinar-nos esta modéstia dos olhos: se o Evangelho obser­va por vezes que Ele ergueu os olhos para olhar os seus discípulos (19), é para dar a entender que Ele os conservava ordinariamente bai­xos» (20). Por issso o Apóstolo chama a aten­ção dos seus cristãos «para a doçura e modéstia de Jesus Cristo» (21). A exemplo d'Ele, os santos são tão reservados que, para se livrarem de olhar para qualquer objecto perigoso, conser­vam os olhos postos no chão e privam-se até, muitas vezes, de ver os objectos mais inocentes. S. Bernardo não conhecia as janelas da sua igreja; S. Pedro de Alcântara nunca via os seus irmãos; S. Luís Gonzaga nunca fitava o rosto da mãe. Santa Clara censurou-se aspera­mente a si própria, porque um dia, ao erguer os

    1. S. Af. de Ligório.

    2. S. Lucas, VI, 20.

    3. S.to Af. de Ligório. (21) Cor., II, 1.

    1. olhos para ver a hóstia consagrada, olhara in­voluntariamente para o sacerdote.

    2. «Por aqui se vê quão temerárias e loucas são aquelas religiosas que, sem serem Santas Claras, querem todavia olhar para os pátios, para o locutório, para a igreja, para tudo enfim que se oferece à sua curiosidade, até mesmo para as pessoas de um outro sexo, e querem ser isentas de tentações e do perigo de pe­car» (22). S. Bento, S. Jerónimo e muitos ou­tros deviam as suas terríveis lutas à recordação de pessoas que tinham visto demasiadamente.

    3. Todavia «o que mais prejudica não é tanto a vista como o olhar reflectido, com os olhos fi­xos e a discernir em demasia» (23); «se, por acaso, os nossos olhos deslizarem para qualquer pessoa, não os detenhamos em nenhuma» (24). Esses olhares de pormenor e de análise sobre «a enganadora e frágil beleza dos corpos» (25), são sempre prejudiciais; «quando mesmo se re­pelissem os maus pensamentos que o olhar faz nascer e que lançam ordinariamente a perturba­ção no espírito, ficaria sempre alguma sombra na alma» (26). Ou ela olhe ou se olhe ou se

    1. S.to Af. de Ligório.

    2. S. Fr. de Sales. (24) S.to Agostinho. (25) Bossuet. (26) S. Gregório.

    1. exponha a ser olhada, a virgem deve lembrar--se de que «os olhos são os primeiros ladrões da castidade e os primeiros solicitadores da im­pureza» (27). «Felizes pois as virgens sagradas que não querem ser o espectáculo do mundo e que desejariam ocultar-se a si próprias sob o véu sagrado que as envolve» (28). O B. Ange d'Acri cegou; Deus abria-lhe misericordiosa­mente os olhos para ele poder celebrar a Santa Missa e recitar o Ofício; depois fechava-lhos. Assim, abramos os nossos olhos para vermos a hóstia santa e cumprirmos os nossos deveres de estado; depois fechemo-los, guardemos este «se­lo sagrado que o Esposo colocou na nossa face, para que não aceitemos outro amor» (29).



    2. Afectos. — «Meu Deus, eu tenho às vezes terrores, quando examino o conjunto da minha vida e me detenho nos pormenores. Tudo me espanta na minha alma, tudo me espanta no uso que fiz do meu corpo. Os meus pés não me levaram para o bem, os meus braços não traba­lharam nas boas obras. A vista, o ouvido, o olfacto, a língua, tudo vos ofendeu. Meu Deus,



    3. (27) P.e Saint Jure. (28) Bossuet.

    4. (29) Ofício de Santa Inês.

    5. tirai-me da vaidade e reconduzi-me a uma vida angélica». (Atribuído a S. Bernardo).

    6. Exame. — Tenho eu grande cuidado com a modéstia exterior, imagem da ordem interior?

    • O meu porte é digno, austero, religioso ? — Sou, só com Deus, tão respeitosa como na pre­sença das minhas superioras? — Não há nada de relaxado ou de afectado na minha pessoa?

    • Como guardo os meus olhos naquilo que me diz respeito? relativamente às pessoas que vejo habitualmente? — nas igrejas, nas ruas, nas viagens?

    1. Resolução.

    2. Ramalhete espiritual. — «A virgem do Se­nhor deve ser irrepreensível no seu porte, na maneira de andar, no olhar e nas palavras» (Santo Agostinho).



    3. XXI DA MODÉSTIA



    4. II.—NAS CONVERSAS E RECREIOS

    5. «A modéstia põe, em toda a pessoa das vir­gens, uma graça moderada, e, na sua vida, hábitos pacíficos; ela regula as suas palavras e até o tom da sua voz» (1). Restam-nos, oara consolidar em nós e aperfeiçoar a modéstia, pa­ra disciplinar o nosso corpo, nas horas em que ele mais levado é a emancipar-se, os recreios; e para conter o nosso espírito numa ocasião em que ele suporta mais dificilmente o constrangi­mento, as conversas. De resto, é fácil compreen­der que, nestas duas circunstâncias, a modéstia vela pela defesa da castidade. 1.° Da modéstia nas conversas; 2.° da modéstia nos recreios.





    6. I. —A MODÉSTIA NAS CONVERSAS



    7. «A modéstia é uma virtude que dá as leis de uma boa conversação» (2). Encontramo-nos ainda perante um perigo da castidade: quantas almas perturbadas por uma palavra, agitadas por uma frase, até pervertidas por um passa­tempo com uma pessoa leviana, imprudente, corrompida! Para fugir a esta desgraça, a con­versação das consagradas deve ser séria, pie­dosa e religiosa.

    8. A conversação séria não exclui uma alegria discreta, uma viveza moderada, uma alegria

    9. (1) Santo Ambrósio. (2) Hugues card.

    10. calma que seja o reflexo de uma alma em que reine a ordem e a paz. «Uma religiosa deve ser modesta e devota, mas não triste e carrancuda, porque isso desonra a devoção» (3). Mas antes de mais nada, é necessário lembrarmo-nos de que há coisas que o Apóstolo proíbe mesmo «nomear na assembleia dos santos» (4). Em seguida é preciso repelir toda a palavra que re­baixa o espírito, que faz trabalhar a imagina­ção, que aproxima da terra. Finalmente, a re­ligiosa é elevada, pela graça e pela sua vocação, a uma esfera superior. Por esta razão, tratai de banir todas as expressões que revelam sem--cerimónia e má educação. As religiosas, pro­fessoras principalmente, devem exercer uma es­pecial vigilância sobre a sua linguagem; es­pantam e escandalizam, quando dizem ou re­petem, diante dos seus educandos, palavras ou expressões menos dignas ou respeitosas. Prestai atenção! Conhece-se pelo som se uma sineta está intacta ou rachada; conhece-se pelas pala­vras se uma cabeça está vazia ou cheia, se um espírito é ou não reflectido. Falai com tanta justiça e tão a propósito que «as vossas palavras

    1. Santo Af. de Ligório.

    2. Efés., V, 3.

    1. sejam como maçãs de ouro em vasos de pra­ta» (5).

    2. A segunda qualidade das conversações das virgens é a piedade. Santo Inácio, mártir, no meio dos seus suplícios, repetia sem cessar o nome de Jesus, e, quando morreu, encontraram este nome bendito gravado no seu coração. As­sim, cada um fala voluntariamente daquilo que mais ama: «tal é o coração, tais são as pala­vras» (6). Um modelo acabado de verdadeiro religioso, «Santo Inácio de Loiola, parecia só saber falar de Deus, de tal modo que o tinham cognominado de «o Padre que não tem na bo­ca senão a Deus» (7). É sempre fácil a uma religiosa, «sem se armar em presumida nem em mentora, mas com espírito de doçura, de ca­ridade, de humildade» (8), conduzir a conversa para assuntos pios: entre irmãs, entreter com o que interessa à família; com estranhos, res­ponder e corresponder, senão aos seus desejos, pelo menos à sua expectativa, e é um dos prin­cipais meios de os edificar (9).

    3. Finalmente, as nossas conversas devem ser

    1. Prov, XXV, ll.

    2. S. João Crisóstomo.

    3. S. Af. de Ligório.

    4. S. Fr. de Sales. (9) S.to Inácio.

    1. religiosas. Devemos abster-nos «de dizer pala­vras que seriam pouco decentes para o estado religioso. As palavras que sabem ao mundo são inconvenientes na boca de uma religiosa». Por exemplo, não convém que ela «fale das coisas do mundo, tais como casamentos, banquetes, espectáculos, vestidos aparatosos»; em geral de tudo o que lembra a matéria das suas renún­cias (10). Há religiosas que são verdadeiramen­te largas em demasia nesta matéria; escanda­lizam, sem mesmo darem por isso, cristãs mais delicadas do que elas mesmas: ou então falam muito livremente, ou escutam com demasiada avidez. Que o Senhor se digne «pôr nos seus lábios uma porta de circunspecção» (11).





    2. II. — A MODÉSTIA NOS RECREIOS



    3. «Deus quer que as pessoas que O amam tenham de tempos a tempos algum descanso, para se não estar de espírito sempre tenso. Se vos quiserdes recrear, fazei-o, mas como reli­giosas» (12). O recreio é necessário ao repouso

    4. -a

    1. S.to Af. de Ligório.

    2. Salmo, CXI, 3.

    3. S.to Af. de Ligório.

    1. do corpo e do espírito. Ele não interrompe a vida interior, quando é utilizado para mais vi­vamente se cumprir o serviço de Deus» (13).

    2. Para se não transgredirem as regras da mo­déstia, o recreio deve ser santamente alegre. Ê alegre, quando «as irmãs se conduzem nele, não em atitudes tristes e acabrunhadas, mas de rosto gracioso e afável» (14). Só «tempera­mentos doentios podem achar estranho que se fale em voz alta no recreio ou que se ria de bom grado, sem no entanto se rir a bandeiras despregadas nem falar com uma voz ruidosa, contrária à modéstia» (15). Quando o recreio é bem passado, quando a diversão se faz com a reserva e a decência que convêm a religiosas, mas com despretensionismo, simplicidade e con­tentamento, tudo corre bem na casa. Considerai o recreio como o pulso da comunidade; se nele há alegria, podeis crer que tudo decorre bem; se ali há sombras, é sinal de que o corpo sofre de qualquer lado» (16).

    3. Os recreios são santos, se, observados com espírito de fé e de obediência, se evita toda a

    1. S. Fr. de Sales.

    2. S. Francisco de Sales.

    3. S.ta Joana de Chantal.

    4. Mons. de Chaffoy.

    1. familiaridade, principalmente a que comprome­te a castidade; porque as religiosas devem ser ali abertas e cordiais, sem deixarem de se mos­trar graves e modestas. «Um dos defeitos da cordialidade, é parecerem rudes e macambú­zias, mostrarem um semblante triste e abati­do. O outro defeito é o excesso de cordialidade ; por exemplo, quando se vê uma rapariga a testemunhar à sua irmã, com excesso, o amor que lhe dedica, depois tomá-la pela mão ou pelo corpo e beijá-la. Deve-se misturar a cordialida­de com o respeito: se não testemunhais a al­guém senão cordialidade, denotais falta de res­peito; se apenas testemunhais respeito, dais pro­va de falta de cordialidade. É bom que se re­creiem modestamente, evitando risos exagera­dos e gestos piegas, evitando tocarem umas nas outras. Tende cuidado, minhas filhas, o demó­nio estendeu por baixo uma armadilha que vós não vedes» (17). «As familiaridades e as brin­cadeiras com as mãos são indícios de uma vir­gindade que agoniza e de uma virtude que está também agonizante» (18). As religiosas que passam modestamente os seus recreios, edifi-cam-se umas às outras e praticam o bem pelo



    2. (17) S. Vicente de Paulo. (18) S. Jerónimo.

    1. \

    1. seu contacto mútuo, como «as vinhas plantadas por entre oliveiras: dão cachos que têm o sabor das azeitonas» (19).

    2. Para serem santos, os recreios devem ser também moderados. A obediência marca a hora e a duração deles. Mas importa que eles ter­minem logo ao primeiro toque da sineta, que não os prolonguem por moleza ou negligência, com prejuízo de outros exercícios ou ocupa­ções. Aliás cair-se-ia na ociosidade, e uma re­ligiosa não pode esquecer que «a ociosidade é a mãe de todos os vícios» (20); que «o pre­guiçoso é o ponto de mira de todo o inferno e como que a cama de repouso de Satanás» (21); que «quem está ocupado, tem apenas um de­mónio a tentá-lo, enquanto que quem está ocio­so, encontra-se rodeado por toda uma le­gião» (22).

    3. Afectos. — «Dignai-vos, Senhor, dirigir, san­tificar, conduzir e governar, neste dia, os nos­sos corações e os nossos corpos, os nossos sen­timentos, as nossas palavras e os nossos actos, segundo a vossa lei e as obras dos vossos pre-

    1. S. Francisco de Sales.

    2. Ecles., XXXIII, 29. (21) S. Boaventura. (22) Vida dos Papas.

    1. ceitos, a fim de que, neste mundo e na eterni­dade, mereçamos, com o vosso auxílio, ó Sal­vador do mundo, ser salvos e resgatados» (Bre­viário romano).

    2. Exame. ■— São as minhas conversas ao mes­mo tempo sérias, caridosas, discretas, dignas? — São piedosas, impregnadas de simplicidade e sinceridade ? — São religiosas, evitando tudo o que não convém a uma consagrada? e isto tanto com estranhos como com as minhas ir­mãs ? — Qual é a minha atitude nos recreios ? digna e afável ? cordial e respeitosa ? — Não sou desleixada, sonhadora, ociosa?

    3. Resolução.

    4. Ramalhete espiritual. — «Mostrai que sois um modelo em todas as coisas; na pureza dos costumes e na gravidade do porte; que a vossa palavra seja sã e irrepreensível». (Tito, II, 7, 8).



    5. XXII

    6. DA ORAÇÃO



    7. «Logo que sentirdes em vós alguma tenta­ção, fazei como as criancinhas quando vêem um animal perigoso; correm logo para os bra­

    1. ços do pai ou da mãe, ou pelo menos chamam--nos em seu auxílio. Recorrei de igual modo a Deus, suplicando a sua misericórdia e socorro; é o remédio ensinado por Nosso Senhor» (1). Foi o «Mestre principal» (2) que o disse : «Orai, para não cairdes em tentação» (3). A alma que quer conservar a castidade deve conhecer: 1.° a necessidade da oração; 2." o poder da oração.





    2. I.—NECESSIDADE DA ORAÇÃO PARA DEFESA DA CASTIDADE



    3. A vigilância previne as surpresas do inimi­go e prepara a vitória; mas não poderia evitar os seus assaltos. Nas naturezas vivas e inexpe­rientes, o ataque é brusco como o de um ani­mal selvagem que de longe salta sobre a sua presa. Ãs vezes a ocasião surpreende-nos : é um fantasma que invade a imaginação, uma im­pressão que nos agita, um olhar perdido, uma recordação que assomou de novo. Que fazer? o inimigo está à porta; tem cúmplices na praça.



    4. (1) S. Francisco de Sales. (2) P.e Grarry.

    5. (3) S. Lucas, XXII, 46.

    6. Felizmente a previdente sabedoria do Salvador nada esqueceu. Depois de ter dito: «Vigiai», acrescenta: «Orai»; depois especifica as suas intenções: «Rezareis assim... Não nos deixeis cair em tentação» (4).

    7. No livro da Sabedoria, o Espírito Santo adverte-nos de que «ninguém pode ser casto se­não por um dom de Deus» (5). «Eu cuidava, diz Santo Agostinho, que se pode ser casto pe­las suas próprias energias; vós ter-me-íeis con­cedido este favor, ó meu Deus, se eu o tivesse implorado sinceramente da vossa bondade, e se eu me tivesse lançado com confiança no seio da vossa misericórdia» (6). Efectivamente, a castidade dá à alma um tal domínio sobre o corpo, que parece retomar sobre si os direitos da justiça original. É portanto a «Deus que é a fonte de tudo o que há de bom nos ho­mens», que ela deve ser pedida. Em parti­cular «a alma religiosa deve saber que as ondas do mar a submergiriam sem dó nem piedade, se ela não tivesse o cuidado de pedir, com in­cessantes súplicas, a conservação da sua vir­tude» (7); «a oração coloca-nos e guarda-nos

    1. S. Lucas, XI, 6.

    2. Sabedoria.

    3. Conf., L, VI, C, 11. (7) Cassiano.

    1. na sociedade de Deus e ela é o selo da virgin­dade» (8).

    2. Os apóstolos seguiram um dia Jesus, que subia para uma barca, e o Senhor adormeceu. De repente surge uma tempestade; a barca vai ser tragada pelas ondas. «Senhor, exclamam os discípulos, salvai-nos, que perecemos». Je­sus Cristo diz-lhes: «Que temeis, homens de pouca fé?». E, levantando-se, ordena ao mar que serene, e restabelece-se a tranquilidade (9). A barca, é a nossa alma; o mar é a vida, ex­posta às mais variadas e às mais imprevistas tormentas; o naufrágio parece talvez iminente. Não receeis nada; «o bom Jesus terá o cuidado de vos despertar. Ele parece dormir no auge da tempestade; mas virá o momento em que Ele mandará às ondas que se detenham. Quer que recorramos a Ele, e ama-nos tanto!» (10).

    3. É principalmente das tentações tão delica­das que atingem o que há em nós de mais ín­timo, que provém «a divisão da alma e do es­pírito, a medula do ser» (11), como diz S. Pau­lo. «Quando a alma está em perplexidade, o seu grande refúgio deve ser ainda a oração»;

    1. S. João Crisóstomo.

    2. S. Mateus, VIII, 23, 26.

    1. (10) S.ta Teresa. (11) Hebr, IV, 12.

    2. ela escapa a todos os perigos, ao subir até Deus. Assim faz a ave sobre as margens do Oceano : quando vê a maré a subir, levanta voo e ri-se do perigo; «é em vão que se lançam redes dian­te dos que têm asas» (12).





    3. II. — PODER DA ORAÇÃO



    4. «Quando pedimos algum bem temporal, e mesmo certas graças espirituais, tendentes ao aperfeiçoamente da nossa alma e à plenitude da nossa vida sobrenatural, pode ser que a nos­sa prece contrarie os desígnios da Providência ou previna a sua hora. Nesse caso, Deus faz--nos sofrer, sem injustiça, a recusa da sua bon­dade ou as dilações da sua misericórdia. Mas, nas surpresas da tentação, é a nossa salvação que está em jogo: sem recusas, sem delongas, toda a oração bem feita deve ser necessária e imediatamente eficaz» (13). Ao lado das pro­messas feitas na oração, em geral, «tudo o que vós pedirdes a meu Pai em meu nome, obtê--lo-eis» (14), há promessas especiais para a



    5. (12) Prov, I, 17. (13) R. P.e Monsabré.

    6. (14) S. João, XV, 16.

    1. 12. Castidade.

    1. conservação da pureza, pois o Salvador ordena­dos que peçamos o seu auxílio contra a tenta­ção e contra a invasão do mal. De resto, nós chamamo-lo contra o seu mortal inimigo, e a sua glória está empenhada na luta, não menos do que a nossa honra. E se o tentador se esfor­çar por nos levar ao desânimo, nós sabemos que «se obtém de Deus na medida em que se espera» (15).

    2. Os santos conhecem bem esta força e são há­beis no manejo desta arma. «Senhor, dizia San­ta Cecília, guardai o meu coração imaculado, e que eu não seja confundida». A resposta do Céu não tarda: aparece-lhe um anjo que de­sempenha o papel de seu guardião. Que pro­dígios obtiveram as virgens na época das per­seguições e no decurso dos séculos para a con­servação da castidade! Para elas, se realiza­vam verdadeiramente as palavras do Apóstolo : «Quando sou fraco, sou forte (16). Eu so­fro, mas conheço a bondade e o poder daque­le em quem pus toda a minha confiança» (17). «Acontece muitas vezes, diz S. Gregório, que as tentações vêm assediar-nos, e o número de-

    1. S. João da Cruz.

    2. II, Cor, XII, 10. (17) II, Tim, I, 12.

    1. las é tão grande que a nossa alma corre o risco de cair no abismo do desespero; ela lança os olhos para todos os lados, e não descobre senão as trevas mais densas; mas tenha essa alma confiança em Deus: de repente o Senhor com-praz-se em dissipar as nuvens e em restituir a luz da sua graça. Então a alma, que tinha sido humilhada e mergulhada nas trevas, encontra-se transformada em celestes claridades e inundada de alegria».

    2. Nestes estados, «Deus concede-nos primeira­mente a perseverança no pedir, pela qual obte­mos a perseverança em bem fazer» (18). Pa­ra isso, não se deve esperar que o perigo este­ja iminente, mas «mantermo-nos sempre aos pés de Nosso Senhor, como nosso único refú­gio» (19). O viandante, que é surpreendido pela chuva, procura uma árvore ou um pórtico em que se abrigue; instintivamente, a criança que brinca na rua, corre, ao primeiro ruído, à me­nor ameaça, para a casa paterna. Habituemo--nos a implorar primeiro o socorro de Deus; façamos da confiança uma prática tão fami­liar que nos faça recorrer logo a Ele; onde quer que as tartarugas se encontrem, estão sempre



    3. (18) Bossuet (19) S. Francisco de Sales.

    4. em casa: assim, façamos o que fizermos, te­nhamos a nossa morada em Deus, na sua protec­ção (20). Depois da sua queda, o demónio tem vergonha de Deus; a sua vizinhança queima--o; por isso não ataca a alma que se mantém constantemente, pela oração, sob os olhares di­vinos.



    5. Afectos. — «Õ meu Deus, escondei-nos de­baixo das vossas asas; protegei-nos com o es­cudo do vosso amor; preservai-nos das flechas que circulam no ar e que atingem inesperada­mente. Ordenai aos vossos anjos que nos guar­dem nos atalhos da vida; que eles nos levem nos seus braços, para que nos não magoemos nas pedras do caminho, e que nos livrem da per­fídia e da violência dos nossos inimigos» (Sal­mo CXV).



    6. Exame. — Faço eu humildemente, fielmen­te, com toda a confiança, os meus exercícios de piedade? — Peço eu habitualmente a Nos­so Senhor que afaste de mim a tentação? Se ela se apresenta, é o meu primeiro acto um grito para Deus, um apelo à sua misericórdia?



    7. (20) Belarmino.

    8. — Iguala a minha confiança em Jesus Cristo a minha falta de confiança em mim mesma? — Se sou fraca nas mínimas tentações, não provém isso do facto de eu não rezar suficientemente?

    9. Resolução.

    10. Ramalhete espiritual. — «Jesus, meu amor, vós ordenais-me que seja casta; concedei-me que seja o que vós quereis» (Santo Agostinho).





    11. XXIII

    12. DO SACRAMENTO DA PENITENCIA



    13. «Bem-aventurados, diz S. João, os que la­vam as suas vestes no sangue do Cordeiro»

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