F. Maucourant rmsaio


° facilita a salvação; 2.°



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1.° facilita a salvação; 2.° favorece a perfeição.





  • I. — A PERFEITA CASTIDADE FACILITA A SALVAÇÃO



  • Só Deus é o nosso fim e nosso soberano bem: luz infinita, beleza soberana, adorável bondade. Ele atrai o nosso espírito, solicita o nosso coração, reclama todos os entusiasmos da nossa vontade. Mas Deus é espírito puro, in­finita santidade, perfeita pureza. É portanto pelo espírito, pela pureza que se tende para Ele nesta vida, que se goza dele nos céus. E quan­to a nós, em quem a carne está junta ao es­pírito, a lei divina é que o corpo seja para a al­ma um respeitoso e dócil servo: sem isso, nem santidade nem salvação possível (1). S. To­más afirma que «o que mais afasta de Deus é o pecado pelo qual a alma se faz escrava do corpo», e suporta o seu domínio: o espírito de



  • (1) I, Cor., XV, 50.

  • Deus retira-se e já não resta senão um ser car­nal (2).

  • Pelo contrário, a castidade mantém o corpo na obediência, e o estado de perfeita castidade livra de numerosas ocasiões de pecado, afastan­do aquelas «tribulações» especiais que o após­tolo prediz aos que ficam no caminho ordiná­rio (3). É um acto de prudência colocar ca­da um uma barreira entre si e a ocasião, porque, obrigado como está a «combater incessantemen­te consigo mesmo para se subtrair a objectos aos quais arrasta todo o peso do coração, quanto mais inclinados nos sentimos para eles, quan­do tudo o que nos rodeia nos convida e nos in­cita a satisfazer os nossos desejos» (4). É mais seguro, para não ser roubado, não descobrir a ninguém as próprias riquezas, e corre-se maior risco, se se confiar a alguém a chave do tesou­ro. Por isso Santo Afonso de Ligório afirma que as pessoas presas pelas laços de família «estão continuamente em perigo de perderem a gra­ça de Deus e a sua alma. Estão numa tempes­tade contínua, e queira Deus que esta tempes-

    1. Gen., VI, 3.

    2. Bossuet.

    3. I Cor., VII, 28.

    1. tade lhes não arrebate a alma». Para ser com­pleto, o santo doutor acrescenta: «Algumas san-tificam-se; são raras como os corvos brancos, e essas mesmo arrependem-se de ter ficado no mundo, quando podiam consagrar a Deus a sua virgindade».

    2. As virgens seguem, efectivamente, o cami­nho mais seguro. Aquele que contorna os abis­mos ou que se inclina sobre o lado do barco, basta-lhe um movimento menos feliz, um pas­so em falso, e escorrega imediatamente, fica sub­merso : não se corre o mesmo perigo, se a pessoa se conservar distanciada das costas, ou se se sen­tar ao centro da embarcação. Precisamente, a alma que segue o conselho evangélico, fazen­do mais do que exige o dever, dá a si mesma uma segurança maior de não transgredir o es­treito preceito e de ficar «santamente severo so­bre o seu corpo» (5). Religiosas «despojadas por uma generosa renúncia dos objectos capa­zes de vos enfastiar, no receio de ceder à na­tureza, vós preferistes recusar-lhe sem perigo o que poderia ser-lhe permitido em vez de vos expordes a deixar-vos arrastar para além dos li­mites, dando-lhe tudo o que podíeis absoluta-



    3. (5) Bossuot.

    4. mente conceder-lhe» (6). Que Deus vos faça corajosamente perseverantes!



    5. II. —A PERFEITA CASTIDADE FAVORECE A PERFEIÇÃO



    6. A perfeita castidade livra as almas de três obstáculos que impedem subir aos caminhos per­feitos : a servidão, a instabilidade, a divisão Ela opera libertações, prepara a sua perseve­rança, permite que não haja reservas na sua doação.

    7. Na vida de família, não se tem a livre pos­se de si e das suas acções; está-se na dependên­cia de todos os deveres que se aceitaram livre­mente (7), de suportar o jugo a que se está sujeito, suportar muitas outras cadeias que se não tinham previsto. Os cuidados terrestres, os encargos desta vida, as relações sociais con­trariam o trabalho da perfeição. O céu continua acessível a todos; mas a generalidade só lá che­ga a passos lentos, «como aquele animal ras­tejante que arrasta penosamente o seu pobre corpo todo húmido na embaraçosa concha que

    1. Bossuet.

    2. Cor., VII, 4.

    1. lhe serve de casa» (8). A virgindade libertou-se; está livre: o seu corpo e a sua alma são de Je­sus Cristo; a sua vida é consagrada aos exer­cícios que purificam, santificam e fortificam. Dedicou-se «ao amor de Deus, essa sagrada di-lecção que torna todas as coisas tão fáceis e tão suaves» (9); o amor que a liga cria-lhe «uma dependência doce, pois é depender do bem e unir-se a ele (10).

    2. O segundo entrave das almas agarradas à terra é a instabilidade. «As várias necessidades a que têm de fazer face são como cães que la­dram em volta delas : as suas energias são umas vezes reclamadas pela preparação da vida fu­tura, outras vezes absorvidas pelos cuidados deste mundo» (11). Há-as que alimentam as­pirações elevadas, que se agitam a certos so­pros de graça, que ensaiam ascensões. Quão poucas são as que perseveram! Retidas pelo «seu vestido de carne» (12), solicitadas pelas alegrias sensíveis, chamadas pelas vozes deste mundo, elas estão bem expostas a escutar, parar, recair, finalmente entregar-se à vida me-

    1. S. Gregório de Naz.

    2. S. Francisco de Sales.

    1. (10) Bossuet. (11) São Gregório Magno.
      (12) S.to Agostinho.

    2. díocre: a erva secou, a flor caiu» (13); «as folhas ligeiras são levadas ao sabor do vento» (14). A virgem guarda bem as fraquezas do seu coração e a leviandade inata do seu espírito; mas, pelos seus votos, ela lançou «as suas raí­zes no amor» (15); pelo estado, ela fixou-se «como em morada na herança do Senhor» (16). Tomou a precaução, ao «pôr a mão na char­rua», de se separar das causas que teriam tido o maior poder para a fazerem «voltar para trás» (17). Em volta dela, tudo a ajuda con­tra as suas próprias fraquezas e a encoraja a ficar nas alturas.

    3. Finalmente o Apóstolo diz daquele que está preso pelos laços do século, que é um reparti­do, «um dividido» (18); «tem dois senhores a contentar, dois olhares aos quais agradar» (19). Ainda por esta razão, as virtudes nele são frá­geis, incompletas, efémeras. Ali, segundo a lin­guagem bíblica, «a espiga é infeliz» (20), «a oliveira definha» (21), «a vinha chora» (22).



    4. (13) Job, XIV, 12. (14) Job, XIII, 15.

    5. (15) Efés., III, 17. (16) Ed., XXIV, 1.
      (17) I, Cor., VII, 33. (18) I, Cor., VII, 34.

    6. (19) Joel, I, 17. (20) Joel, I, 10.

    1. Joel, I, 10.

    2. Isaías, XXIV, 17.

    1. Os castos, pelo contrário, têm a sua alma «como um jardim regado» (23); são como «um campo de Deus», (24) em que nada falta, «nem o pu­ro trigo nem as plantas ornamentais» (25). Além de Deus, ninguém tem direitos sobre eles, e parecem-se com aquelas florestas do Líbano que nenhuma mão tocou e que conservam o seu bálsamo puro de toda a mistura» (26). Estão muito à vontade, assim entregues a Deus, pa­ra «se purificarem incessantemente, não admi­tirem termo nos seus progressos e pretenderem ser deificados sem medida» (27).



    2. Afectos. — «Õ Deus da minha alma, vós quereis a minha salvação a todo o custo, e es-tendestes-me uma mão paternal para me livrar­des dos perigos do mundo. Vós colocastes-me entre as Vossas esposas. Espero, ó meu Esposo, ir cantar no céu as misericórdias que vós me fizestes. Ajudai-me, Senhor, porque eu quero amar-Vos e fazer todo o possível por Vos agra­dar- Vós destes-vos a mim sem reserva; sou

    1. Isaías, LVIII, 11.

    2. Orígenes.

    3. Ed., XXIV, 42.

    4. Ed., XXIV, 21.

    5. S. Greg., de Nazianzo.

    1. religiosa, fazei agora que eu me torne santa» (S.to Af. de Ligório).

    2. Exame. — Cristã, eu devo salvar a minha alma, tenho eu o temor do pecado? — Virgem, eu devo viver com toda a delicadeza, receio eu a sombra do mal? — Religiosa, eu devo ser perfeita, tenho o cuidado de avançar nos ca­minhos espirituais? — Não há nenhuma im­prudência, nenhuma prisão que me possa ex­por ao pecado?; nenhuma negligência, nenhu­ma excepção que faça parar ou atrasar a mar­cha da minha alma para a santidade ? — Agra­deço muitas vezes a Nosso Senhor o ter-me ti­rado do mundo e guardado para Ele?

    3. Resolução.

    4. Ramalhete espiritual. — «A alma não chega à união divina, se não se despojar do amor das criaturas». (S. João da Cruz).



    5. \ V

    6. VANTAGENS DA PERFEITA CASTIDADE PARA O APOSTOLADO



    7. «Os apóstolos não se contentaram com irem ter com Jesus na montanha em que Ele lhes

    8. tinha prometido aparecer; mas com as suas palavras e com os seus exemplos, eles levaram--lhe grande multidão: o que eu devo imitar, tanto quanto puder, procurando a salvação do meu próximo para glória de Deus» (1). Toda a alma que «segue Jesus Cristo» sente-se ime­diatamente invadida pela chama apostólica, de tal forma que S. Bernardo ensina que «a pure­za consiste em procurar a glória de Deus e o bem do próximo». Ora, a castidade torna ma­ravilhosamente apta a exercer: 1.° o apostolado de mediação; 2.° o apostolado de acção.



    9. I. —A CASTIDADE E O APOSTOLADO DE MEDIAÇÃO

    10. «Entre Deus e os homens não há senão um mediador, Cristo Jesus» (2); «ele tem todo o poder sobre os corações; maneja-os e movimen­ta-os como lhe apraz» (3). Mas «cada um de nós recebeu, dado por Deus, o encargo do seu próximo» (4), e um santo doutor adverte-nos de que «temos primeiro de nos ocupar da nos­sa salvação, e depois de dar conta do mundo

    11. (1) B. L. Marillac. (2) I, Tim., II, 5.

    12. (3) Santa Teresa. (4) Ed., XVII, 12.

    13. inteiro» (5). Escutemos este queixume do Se­nhor : «Procurei quem me barrasse a passagem como uma sebe, que se conservasse na brecha para me deter, quem tomasse a defesa deste povo; não o encontrei, e lancei sobre eles a minha indignação» (6). As virgens conhecem esta missão, e «como não se trata de deixar arrancar uma erva sem preço ou perecer uma flor caduca, mas da salvação de uma alma, imagem de Deus» (7), elas «procuram tornar--se, tanto quanto podem, um bem comum a todos» (8), para os ganhar e os conservar em Jesus Cristo.

    14. Elas começam pela oração. O Salvador disse um dia a Santa Catarina de Sena: «Eu quero estabelecer misericórdia no mundo, une-te às santas almas para orar». Do alto de uma vida liberta dos cuidados e tribulações do século, dis­tingue-se melhor o que falta ao culto de Deus, compreende-se a indigência das almas menos privilegiadas, sente-se a necessidade de dar, com a própria vida, compensação à divina Ma­jestade, uma esmola à humana miséria. As vir­is) S. João Crisóst.

    1. Ezequiel, XXII, 30, 31.

    2. S. Greg., de Nazianzo.

    3. Bossuet.

    1. gens a quem «o amor levou para além das coi­sas» (9) lembram aquelas crateras extintas que, tendo primeiro expelido as suas impurezas de lava e de escória, se encheram das águas do céu, e formaram assim aqueles belos lagos das montanhas que se espalham pelo vale para lhe levarem a fertilidade e a vida» (10). Estão incessantemente ocupadas em encher-se de Deus para o darem ao mundo e «as suas súplicas transportam o universo» (11).

    2. A expiação continua esta grande obra. Por­que cultiva a Igreja as virgens com tanto amor? Ah! é a dízima sagrada do mais puro dos seus bens que ela oferece a Cristo, seu esposo; é o supremo recurso do seu coração desolado com as prevaricações dos maus. Ela ergueu no es­tado de virgindade «aquela montanha santa, em que se amontoam as graças, em que Deus se compraz em residir» (12), e de onde parte o perpétuo sacrifício que se une ao dos nossos altares para deter no caminho a cólera divina. As virginais intervenções conjuram «aquelas tempestades com que o céu precisa por vezes de descarregar. Ele não poupa a terra senão

    3. (9) Ruysbroeck. (10) Mons. Baunard.

    1. S. Jerónimo.

    2. Salmo LXVII, 16-17.

    1. por consideração para com elas. Deus apla­ca-se, ao vê-las, como um pai que vê os seus filhos entre os seus inimigos e suspende a sua mão» (13). O véu de Santa Águeda possuía o dom de extinguir os incêndios; «quando as có­leras de Deus se amontoam em nuvens de fo­go sobre as nossas cabeças, as virgens estendem também os seus véus sagrados, e as cóleras di­vinas aplacam-se» (14). Somos nós suficiente­mente puras para esta missão redentora?





    2. II.— A CASTIDADE E O APOSTOLADO DE ACÇÃO



    3. «O amor não pode estar inactivo; ele es­tá ansioso por agir; é uma actividade divina e eterna» (15). Muitas consagradas não têm à sua disposição, para alimentar este fogo do ze­lo, senão a prece e a imolação. Quantas vezes elas ouviram dizer a bocas autorizadas, para sua consolação, que Santa Teresa nos seus claus­tros e com as suas orações converteu tantas al­mas como S. Francisco Xavier com as suas pre-

    1. Bossuet.

    2. Mons. Berteaud.

    3. Ruysbroeck.

    1. gações. As religiosas a quem os seus ministérios retêm no mundo têm ainda o recurso do exem­plo e da dedicação.

    2. «A melhor maneira de pregar é pregar com o exemplo» (16). Uma palavra pode ser pro­ferida fora de propósito, mal julgada ou depressa esquecida. Que poder tem o exemplo perseve­rante ! Dizia S. Matias: «Quando alguém faz mal perto de um cristão, é preciso tomar conta desse vizinho que não dá muito bom exem­plo» (17). Aos olhos do mundo, uma vida santa representa «a carta de Cristo escrita não com tinta, mas com o espírito do Deus vivo» (18). Acantonado no egoísmo, devorado pela cobiça, embotado pelo sensualismo, o mundo não lê o Evangelho ou declara-o impraticável. O triun­fo da vida virginal, é justamente estar diante dos olhos desses cegos «um evangelho em ac­ção, um evangelho eterno» (19), «uma luz que se não segue talvez, mas a cujos raios se não pode escapar» (20). A todos os que se lamen­tam dos ardentes conflitos que o Apóstolo de­plorava, ela ensina que há na alma cristã su-

    3. (16) Bossuet. (17) Clemente de Alex.

    1. II Cor., m, 3.

    2. Orígenes.

    3. S. Greg., de Naz.

    1. ficiente força e graça para disciplinar e reduzir a vida dos sentidos. Fazendo mais do que Deus pede, ela ensina a respeitar pelo menos o que Ele manda; é uma censura viva para os indo­lentes, e para os fracos uma sedução.

    2. Quando um apóstolo viu fracassar todas as tentativas do seu zelo, resta-lhe uma última in­dústria à qual raramente resistem os mais en­durecidos : é a dedicação. Todo o homem, todo o cristão é capaz de se dedicar. Todavia, na maior parte, os primeiros entusiasmos são reti­dos pelos deveres, agrilhoados por afeições. Ca­da um dedica-se pelos seus; só por excepção os troca por estranhos. Só a virgindade dá o estranho poder de fazer da dedicação um há­bito, uma profissão: todas as necessidades do corpo e da alma têm a sua irmã de caridade pronta a socorrê-las. As virgens «essas dedica­das celestes» (21) libertas das escravidões da carne e do sangue, não têm nada que as rete­nha no caminho do sacrifício, nem mesmo o cuidado da sua vida, pois dizem consigo : «Nes­te momento, presto serviço a Jesus Cristo» (22). Purifiquemos bem o nosso coração e façamos

    1. P.e Gratry. j

    2. Ruysbroeck.

    1. 4. Castidade

    1. a nossa alma «vasta como as praias de areia, na margem dos oceanos» (23), a fim de que ela seja «hospitaleira para todas as almas» (24).

    2. Afectos.—«Ó Jesus, fazei de mim a vossa virgem e a vossa hóstia: quem diz hóstia, diz pureza e amor. Meu Jesus, é ao sacerdote que incumbe fazer a sua hóstia e, na qualidade de pão que pede a sua transformação, entrego-me toda a vós. Vendo tão claramente que vós o quereis assim, dou-me a vós nesta qualidade de hóstia, dou-me para ser dada. A hóstia é de todos e a todas as horas; que eu me tenha dado e imolado em toda a parte onde isso for necessário à vossa glória e à salvação das al­mas». (Xavierina de Maistre, carmelita).

    3. Exame. — Sou apostólica? — Rezo e sofro pela conversão dos pecadores, perseverança dos justos, multiplicação das vocações? — E a mi­nha, vida suficientemente pura, para que a mi­nha prece e as minhas imolações sejam bem aceites? — Sou, ao mesmo tempo, boa e deli­cada nos meus ministérios ? — Tenho realmente em vista dar Jesus às almas, as almas a Jesus? — Tornam-me estes pensamentos o sacrifício mais leve?



    4. (23) III, Reis, IV, 29. (24) S.to Ambrósio.

    5. Resolução.

    6. Ramalhete espiritual. — «A obra das virgens consagradas a Jesus, é ajudar a salvar as al­mas». (Xavierina de Maistre, carmelita).





    7. VI

    8. DA EXCELÊNCIA DA PERFEITA CASTIDADE



    9. I. — A SUA SEMELHANÇA COM DEUS E COM OS ANJOS

    10. Deus fez-nos à «Sua imagem e semelhan­ça» (1). Todos nós reproduzimos, duma manei­ra geral, a Sua santa fisionomia. Mas há tra­ces particulares que se encontram marcados, nalguns, de uma maneira mais nítida e mais expressiva. Existe, por exemplo, entre Deus ou o que mais aproxima de Deus e as castas, as virgens, ares de família, uma semelhança de gostos, uma conformidade de vida mais notá­veis; de onde se conclui a excelência da casti­dade, «a perfeição da criatura, que consiste em se parecer com o Criador» (2). 1.° A virgindade



    11. (1) Gen., I, 27. (2) S.to Agostinho.

    1. faz imitar Deus; 2.° a virgindade faz imitar os anjos.





    2. I. — A VIRGINDADE IMITA DEUS



    3. A vida de Deus é infinitamente fecunda. D'Ele procedem todos os seres, e no mistério da Sua essência comunica a inefável alegria da fa­mília, sem multiplicar a Sua natureza. São três: o Pai, o Filho e o Espírito Santo, e estes três não são senão um. Mas esta fecundidade de Deus é tão pura, que nada no mundo a pode representar. A vida imaculada de Deus toma em si mesma o poder de se fecundar; nada vem em seu auxílio, nada a desfeia: tudo ali é paz e beatitude, tudo ali é luz e amor, e «a mais bela, como a primeira das virgens, é a augusta Trindade» (3).

    4. «A virgindade tirou pois do céu o que imita na terra; por cima das nuvens, do firmamento e dos anjos, ela atinge o Verbo até ao seio do Pai» (4). Ela torna-nos semelhantes a Deus; é como uma incorruptibilidade celeste e divi­na» (5). A virgem copia a perfeição de Deus, no

    5. (3) S. Greg., de Naz. (4) S.to Ambrósio.

    6. (5) S. Basílio.



    7. seu espírito, no seu coração e nas suas acções.

    8. Deus vive da sua própria contemplação. Do mesmo modo, o objecto dos pensamentos de uma virgem é Deus, e o primeiro fruto des­te comércio íntimo com Ele é conservar «san­tos o seu espírito e o seu corpo» (6). O que a arranca ao criado, o que a arrebata, o que a mantém suspensa entre o céu e a terra, é a vista incessante de Deus: ela fixa obstinada­mente «os seus olhos iluminados» (7) na sua imaterial beleza. Nada a atrai, nada a ocupa fora desse rosto «glorioso cuja visão face a fa­ce a saciará» (8), durante os séculos eternos. Por vezes há aparições que ferem o seu olhar, encontros, todas aquelas imagens que passam por diante dos seus olhos de carne ou os seus sentidos interiores. Que importa? «A castidade vela e conduz tudo à unidade: ela já não vê senão diversos aspectos da universal beleza de Jesus Cristo» (9).

    9. Como, desde então, não amar a Deus «de todo o seu coração?» (10). A virgem sabe que «só Deus é bom» (11). Se se encontrarem, em face dela, forças, atractivos, apelos capazes de

    10. (6) I, Cor., VII, 34. (7) Efés., I, 18.

    11. (8) Salmo XVI, 15. (9) S.to Agostinho.

    12. (10) S. Lucas, X, 27. (11) S. Marcos, X, 18.

    13. solicitar e impressionar a vontade, os seus olhos simples e purificados habituam-se a olhar tudo «como pertença de Deus» (12), um regato ali­mentado por aquele rio inesgotável. A sua vida passa-se a purificar as suas jóias, levando-as a não serem, como as de Deus, senão «jóias em Cristo, de Cristo, para Cristo» (13). A regra que governa o seu coração é esta: «Tudo por Jesus, Jesus para Ele só» (14).

    14. Finalmente, fazendo profissão de «morrer para tudo o que não é Deus, as virgens não en­contram vida e acção senão pelo Esposo ce­leste (15). Elas deram-lhe a liberdade de poder, sem cessar, com Ele, «ocupar-se nas coisas de seu Pai» (16) e aplicar-se em tudo «o que sa­tisfaz o seu bom prazer» (17). Tal é a força da virgindade, para transfigurar as almas que que­rem- tirar do tesouro evangélico tudo o que ele contém: pela rectidão e pureza das suas inten­ções, esforçam-se por fazer acções divinas, obras eternas. Se quisermos, o nosso estado «aproxi­ma-nos do esplendor da imortal Trindade» (18).

    15. (12) S.to Agostinho. (13) S.to Agostinho.

    1. Imit., liv. II, cap., VIII, 4.

    2. S. Bernardo. (16) S. Lucas, II, 49.



    1. S. João, VIII, 29.

    2. S. Greg., de Nazianzo.

    1. II. —A VIRGINDADE IMITA OS ANJOS

    2. Os espíritos que rodeiam o trono de Deus são também virgens. As suas puras essências não se aliam entre si para multiplicar a sua vida, mas todas juntas saciam-se na contem­plação do Verbo, fruto virginal da vida de Deus; recebem da Trindade santa, cuja pureza imi­tam, uma imensa luz. Ora, Nosso Senhor, con­sultado sobre as relações que os eleitos teriam entre si no céu, respondeu: «Serão como os anjos de Deus» (19).

    3. O Mestre queria dizer que seriam livres de todos os laços de que se libertam as virgens. Desde que o cristianismo estabeleceu na terra o reino da castidade, todos os povos submeti­dos ao evangelho não têm cessado de dar a esta virtude o nome significativo de virtude an­gélica; de um casto, como S. Luís Gonzaga, diz-se: é um anjo. Os povos do Oriente cha­mam ao hábito religioso, índice e guardião da castidade, «a forma angélica». Os Padres da Igreja ensinam que «a castidade faz dos que a guardam, anjos» (20). Os que vivem na cas­tidade são anjos, e não julgueis que eles se-

    1. S. Mateus, XXII, 30.

    2. S.to Ambrósio.

    1. jarri anjos de uma categoria inferior, eles são da ordem mais elevada e mais nobre» (21). Nu­ma das suas visões, S. João quis prostrar-se diante de um anjo; este não lho permitiu «por causa da virgindade do apóstolo» (22) e res­pondeu-lhe : «Eu sou da tua categoria no ser­viço de Deus (23).

    2. O anjo abrange a verdade de uma maneira imutável (24) e não pode conceber senão pen­samentos santos e puros, reflexos da eterna luz. Assim a virgem «luz iluminada», reserva os seus pensamentos para as coisas de Deus» (25), «luz iluminante» (26). O anjo não produz se­não desejos puros e inocentes: a virgem incli­na a sua alma a levar «todas as suas aspira­ções para o Deus forte» (27). O anjo vê Deus, bendi-lo, adora-o, consome-se no seu serviço; a virgem já «saboreia a felicidade de ser pura e de ver Deus» (28) à sua maneira; deixou tu­do para ser consagrada, «sem obstáculo, ao seu louvor» (29).


      1. (22) S. Pedro Damião.

      2. (24) S. Tomás. (26) S.to Agostinho. (28) S. Mat, V, 8.
      A castidade faz ainda mais, ela parece ele-

    3. (21) S. Basílio.

    4. (23) Apoc., XIX, 10.

    5. (25) I, Cor., VII, 34.

    6. (27) Salmo LI, 2.

    7. (29) I, Cor., VII, 35.

    8. var o homem acima do próprio anjo. «O anjo não está revestido de carne e de sangue nem permanece na terra; não tem de recear os es­tímulos da carne e das paixões; não é impelido para baixo pelas necessidades do corpo e não tem necessidade alguma de um alimento gros­seiro; os cânticos melodiosos não poderiam amolecê-lo, nem a vista das humanas belezas seduzi-lo: nada pode surpreender a sua pureza bem-aventurada» (30). Pelo contrário, a vir­gem «traz o seu tesouro num vaso frágil» (31); «tem sentidos que se revoltam contra o espíri­to» (32) e milhares de vozes gritam-lhe : «Vem, gozemos» (33). «Ê portanto algo maior con­quistar a glória dos anjos do que gozá-la; ser anjo, é o cúmulo da felicidade; ser virgem, é o cúmulo da virtude» (34); a pureza do anjo é mais feliz, a castidade da virgem é mais va­lorosa» (35).

    9. Afectos. — «Dai-me, ó meu Deus, para me guardar, a piedosa milícia dos vossos anjos. E

    1. S. João Crisóstomo.

    2. Gálat., V, 17.

    3. Gálat., V, 17.

    4. Sabedoria, II, 6.

    5. S. Pedro Crisol.

    6. S. Bernardo.

    1. Vós, a quem a divina misericórdia me confiou, ó meu anjo da guarda, assisti-me dia e noite; afastai de mim todo o perigo, tudo o que for mal e tudo o que não for a verdadeira pure­za. Se eu me desviar, chamai-me; se os meus inimigos se aproximarem, repeli-os. Conduzi--me até ao trono de Deus, onde poderei compar­tilhar das vossas alegrias» (S. João Gualberto).



    2. Exame. — Que impressão produzem em mim as excelências da castidade? — Vou passar a apreciá-la tanto como Deus a aprecia? — Os meus sacrifícios de um dia não me pesarão, em face das grandezas que eles valem? — A mi­nha vida é realmente à imagem da vida divi­na? — É tudo puro no meu espírito, no meu co­ração, e em todo o meu ser? — Sou angélica, elevando-me acima do meu corpo, para viver de maneira celeste?



    3. Resolução.

    4. Ramalhete espiritual. — «Como é bela a fa­mília dos castos, e como ela é gloriosa! A sua nobreza é eterna» (Sabedoria, IV, 1).



    5. DA EXCELÊNCIA DA PERFEITA CASTIDADE

    6. II. — O SEU PARENTESCO COM AS VIRTUDES TEOLOGAIS E CARDEAIS

    7. Quando se descobriu o corpo de Santa Filo­mena, quiseram pôr numa urna de cristal o que restava do seu sangue seco. Então, cada uma das ténues poeiras se transformou em pé­rolas, em diamantes, em pedras preciosas, em pó de ouro. Deus, «que se glorifica nos seus santos» (1), não quereria simbolizar nesta ma­ravilha a excelência da virgindade, campo ben­dito em que todas as virtudes estão mais à von­tade para crescerem e expandir-se na sua ad­mirável variedade. Aceitemos esta piedosa inter­pretação e meditemos o parentesco da virgin­dade: 1.° com as virtudes teologais; 2.° com as virtudes cardeais.

    8. I. — O PENSAMENTO DA VIRGINDADE COM AS VIRTUDES TEOLOGAIS

    9. A fé principia as relações sagradas que Nos­so Senhor vem estabelecer entre seu Pai e nós.

    1. (Salmo LXXXIII, 8).



    1. «A luz do homem» não pode levar-nos até Ele; precisamos «da claridade de Deus», isto é, «a fé, começo da vida eterna» (2); é nela que Cristo nos desposa para a união que não mais acabará (3). — Que é a vida religiosa, senão um olhar simples, puro, penetrante, lançado sobre a infini­ta beleza, que ultrapassa toda a hesitação e que pára nesta palavra luminosa: «Eu sei a quem dou a minha fé»? (4). O que é que dá a um espírito, ordinariamente tão jovem, a um cora­ção tão terno, a força invencível em face das seduções, prisões, dilacerações, senão «a fé, que nos torna vitoriosos sobre o mundo inteiro ?» (5). Que são os dias de uma consagrada, senão um acto de fé, a fé que vive, que age, que se per­petua? A fé do mundo é uma lâmpada que se acende e que se extingue, segundo a ocasião; a prudência da virgem consiste em derramar sem cessar azeite na sua lâmpada para ir à frente do Esposo (6).

    2. Desembaraçada do que põe sombras entre os olhos e Deus, a virgem vai direito à espe­rança. O objectivo da esperança cristã é a par­ticipação plena e definitiva da vida essencial

    3. (2) S. Tomás. (3) Oséias, II, 20.

    4. (4) II, Tim., I, 12. (5) S. João, V, 4.

    5. (6) S. Mat, XXV, 4.

    6. de Deus, nosso fim, nossa beatitude, o céu; é, em seguida todo o meio necessário ou útil à aquisição dessa eterna felicidade. Deus é bom e pródigo de si, fez promessas, deu garantias; nada está mais bem apoiado do que a nossa esperança. — Contudo o Salvador comprome­teu-se mais especialmente em dar a vida eterna àqueles que deixam tudo para O seguirem (7). O que enfraquece e mata a esperança, é o atrac­tivo dos prazeres terrenos: assim, o mundano faz de si e da criatura o paraíso. Pelo contrá­rio, assim como o aeronauta alivia o seu apa­relho, assim a virgem alijou toda a carga que lhe dificultava o voo. «Considerando que tudo é desprezível, comparado com Jesus Cristo, ela tudo perdeu para o ganhar» (8); e, no seu per­curso em direcção à «terra dos vivos», ela não receia mal algum, porque Deus está com ela (9).

    7. A caridade, o amor vem «aperfeiçoar o la­ço com Deus» (10). Ele amou-nos com um amor activo, todo empregado na nossa salva­ção; com um amor eterno que nos viu e nos quis desde sempre; com um amor generoso, de-

    1. S. Mat., XIX, 29.

    2. Filip., III, 8.

    3. Salmo LXXVI, 6.

    1. (10) Coloss., III, 14.

    2. sinteressado ao qual nada jamais perturbou. Na medida do possível, a virgem restitui a Deus tudo o que Deus lhe dá; oferecendo tudo o que tem, e «imolando-se com os seus sacrifí­cios» (11), ela dá o seu tudo: se Deus recebe menos, é unicamente porque ela nasceu menos rica. De resto, nada pôde detê-la, nem as di­ficuldades, nem as tentações, nem o longo mar­tírio que ela impunha a si própria. Depois que ela renunciou, por Jesus, a todo o amor que repartisse o seu coração, ela vai-se embora ale­gre e forte, e repete a todo o que quer receber dela um queixume ou um olhar: «Não, nada poderá jamais separar-me do amor do meu Cris­to» (12).



    3. II. — PARENTESCO DA CASTIDADE COM AS VIRTUDES CARDEAIS



    4. As virtudes teologais têm por objecto di­recto o próprio Deus, a quem elas devem unir--nos. As virtudes cardeais põem a ordem e a santidade naquela série de acções e de circuns­tâncias que compõem a nossa vida.

    1. Filip, II, 17.

    2. Rom., VIII, 39.

    1. A prudência é a virtude conselheira e di­rectriz; «ela regula, como convém, a nossa vi­da prática» (13). «Sede prudentes» (14), diz

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