Estudo da Análise Espacial Utilizando um Modelo Baseado em Indivíduo


Padrão da circulação oceânica na PCSE



Baixar 3.03 Mb.
Página5/5
Encontro29.10.2017
Tamanho3.03 Mb.
1   2   3   4   5

Padrão da circulação oceânica na PCSE

A análise dos movimentos das 30 mil partículas em cada ano, para cada experimento (Figura 8), nos mostram que a desova em locais específicos da PCSE tendem a melhorar significamente a sobrevivência das larvas o que pode afetar no desempenho da pesca. Os experimentos apontam que a circulação oceânica podem favorecer os extremos de desembarques comerciais da sardinha na PCSE. A escolha da desova pode ser explicada por processos de mesoescala coincidindo com maiores variabilidades interanuais nas taxas de mortalidade por temperatura ao Norte da PCSE, antes dos períodos de desembarques mínimos.

Figura 8 – Trajetórias das 30 mil partículas para cada ano analisado na PCSE durante os 45 dias de experimento por zonas, (Vermelho – Cabo Frio; Azul – Rio de Janeiro; Verde – São Sebastião; Laranja – Cabo de Santa Marta).
Os resultados dos experimentos de desova por zonas sugerem que a vantagem desta estratégia está realcionada a maior retenção larval. A probabilidade da larva morrer por advecção é maior quando a desova ocorre de forma aleatória ao longo da PCSE, devido à possibilidade das larvas serem capturadas por meandros e vórtices. Sem dúvida, há vantagens para os estoques desovantes da sardinha se deslocarem em busca de locais específicos, os chamados hábitats de desova. Isto é coerenter com a estratégia de desovar "no lugar certo e no momento certo" (Fréon et al., 2005), como forma de maximizar o sucesso reprodutivo de alguns poucos sobreviventes. Ambos experimentos mostraram que a variabilidade interanual das trajetórias das partículas estão relacionadas com a circulação superficial oceânica e a seleção do hábitat de desova, mas estas não são inevitavelmente refletidas nos desembarques comerciais.


  1. Conclusões

Apesar das limitações da modelagem, nossos experimentos adicionaram um elemento físico necessário à compreensão da dinâmica da sardinha. As simulaçoes mostraram o aumento da mortalidade larval inicial causada pela temperatura e mostrou que a mortalidade por advecção se torna um processo importante dependendo da estratégia de desova. O mais importante é que a variabilidade oceânica sozinha, particularmente durante os primeiros estágios de desenvolvimento da sardinha brasileira, não provou ser suficiente para explicar os desembarques de peixes extremos registrados.

A redução da mortalidade de larvas devido ao efeito do habitat de desova não foi estatisticamente detectada, uma vez que as taxas de mortalidade não são significativamente diferentes entre os anos de máximos e mínimos desembarques de sardinha. Pode-se observar, entretanto, que a mortalidade nos primeiros dias é maior antes dos anos de mínimos desembarques em comparação com anos de máxima. O ponto aqui é que, a desova em locais específicos ao longo da PCSE melhora a sobrevivência das larvas, mas não impede o declínio da produção pesqueira. Assim, as flutuações abruptas dos desembarques de peixes devem estar relacionadas a outros fatores como predação e inanição, devem ser seriamente considerados para fins de manejo.

No âmbito da presente abordagem, a análise exploratória aplicada a dados espaciais é essencial ao desenvolvimento das etapas da modelagem de estatística espacial, é sensível ao tipo de distribuição, à presença de valores extremos e à ausência de estacionariedade. Câmara et al. (2004b) lembram que na análise espacial é importante investigar as regiões de outliers não só no conjunto dos dados, mas também em relação aos seus vizinhos. Assim, esta técnica busca identificar a estrutura de correlação espacial que melhor descreva os dados, tendo como ideia básica, a estimativa da magnitude da autocorrelação espacial entre as áreas




  1. Referêncial Bibliográfico

Anselin, L. Exploratory spatial data analysis and geographic information systems. In: Workshop On New Tools For Spatial Analysis, Lisbon Portugal: ISEGI, nov. 1993. p. 18-20.

Anselin, Luc. Local Indicators of Spatial Association-LISA. Geographical Analysis, Ohio State University Press, v. 27, n. 2, p. 93-115, aril de 1995.

Bakun A, Parrish R. H. Comparative studies of coastal pelagic fish reproductive
habitats: the Brazilian sardine (Sardinella aurita). ICES Journal of Marine Science, 1990. v. 46, p. 269–283.

Behrens et al. Bayesian analysis of extreme events with threshold estimation. Statistical modeling, 2004. v. 4, n. 3, p. 227-244.

Bernal et al. Sardine spawning off the european atlantic coast: characterization of and spatio-temporal variability in spawning habitat. GLOBEC International Newsletter, 2007.v.13, n. 2, p. 20-22.

Brochier et al., Ichthyoplankton transport from the African coast to Canary Island. Journal of Marine Systems. 2011. v. 43 87, p. 109-122.

Câmara, Gilberto et al. Análise espacial e geoprocessamento.(eds). Análise Espacial de Dados Geográficos. Brasília: EMBRAPA, 2004a.

Câmara, Gilberto et al. Análise espacial de áreas. (eds). Análise Espacial de Dados Geográficos. Brasília: EMBRAPA, 2004b.



Carton JA, Giese BS. A Reanalysis of Ocean Climate Using Simple Ocean Data
Assimilation (SODA). Monthly Weather Review. 2008. v.136, p. 2999–3017.

Castelo, JP. Síntese sobre a distribuição, abundância , potencial pesqueiro ebiologia da sardinha verdadeira (Sardinella brasiliensis). Avaliação do Potencial Sustentável de Recursos Vivos na Zona Econômica Exclusiva MMA-REVIZEE. Análise/Refinamento de Dados sobre Prospecção Pesqueira. Departamento de Oceanografia. Fundação Universidade do Rio Grande, 2006. p. 15

Castro et al., Multidisciplinary oceanographic processes on the Western Atlantic Continental Shelf located between 4 °N and 34 °S. In: ROBINSON, A.R.; BRINK, K.H. The sea. New York: John Wiley & Sons, 2006. vol. 14, p. 259-293.

Cergole, M. C. Stock assessment of the Brazilian sardine, Sardinella brasiliensis, of the southeastern coast of Brazil. Scientia Marina, 1995.v. 59, n. 3 – 4, p. 597 – 610. COLE, J.; McGLADE, J. Clupeoid. Population variability, the environment and satellite imagery in coastal upwelling systems. Reviews in Fish Biology and Fisheries, 1998.v. 8, p. 445 – 471.

Cox, D. R.; Isham, V. S.; Northrop, P. J. Floods: some probabilistic ans statistical approaches. Philosophical Transactions: Mathematical. Physical and Engineering Sciences A., 2002.v. 360, p. 1389-1408.

Dias et al., Modeling the Spawning Strategies and Larval Survival of the Brazilian Sardine (Sardinella brasiliensis). Progress in Oceanography, 2014. v. 123, p. 38–53.

Dias-neto, J.; Oliveira, G.M.; Santos, G.C.B. Comportamento da produção total e por estado, frota permissionada e balança comercial da sardinha-verdadeira. Revista CEPSUL - Biodiversidade e Conservação Marinha, v. 2, n. 1, p. 34 – 49, 2011.

Freón et al. CSustainable exploitation of small pelagic fish stocks challenged by environmental and ecosystem changes: a review. Bulletin of Marine Science, 2005.76: 385–462.

Gigliotti et al,. Spatial analysis of egg distribution and geographic changes in the spawning habitat of the Brazilian sardine Sardinella brasiliensis. Journal of Fish Biology, 2010. v. 77, p. 2248 – 2267.

Gouveia, MB. A influência dos processos de circulação oceânica nos extremos de produção comercial da sardinha verdadeira. Dissertação (Mestrado em Sensoriamento Remoto) - Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, São José dos Campos, 2015.

Hugget et al. Modelling the transport success of anchovy Engraulis encrasicolus eggs and larvae in the southern Benguela: the effect to spatio-temporal spawning patterns. Marine Ecology Progress Series, 2003.v. 250, p. 247–262.

Ibaibariaga et al. Egg and larvae distribution of seven fish species in the north-east atlantic waters. Fisheries Oceanography, 2007.v. 16, n.3, p. 284-293.

Jenkinson, A. F. The frequency distribution of the annual maximum (or minimum) values of meteorological elements. Quaterly Journal of the Royal Meteorological Society, Reading, 1955.v. 81, n. 348, p. 158-171.

Mbaye et al. Sardinella aurita spawning seasons match local retention patterns in the Senegalese–Mauritanian upwelling region. Fisheries Oceanography, 2015.v. 24, p. 69–89.

Matsuura, Y. A probable cause of recruitment failure of the Brazilian sardine, Sardinella aurita population during the 1974/75 spawning seasons. S. Afr. J. mar. Sci., 1996.v. 17, p. 29-35.

Matsuura, Y. Contribuição ao estudo da estrutura oceanográfica da região sudeste entre Cabo Frio (RJ) e Cabo Santa Marta Grande (SC). Ciênc. Cult, São Paulo, 1986.v. 38, n. 8, p. 1439 – 1450.

Matsuura, Y. A study of the life history of Brazilian sardine, Sardinella brasiliensis. IV. Distribution and abundance of sardine larvae. Bolm. Inst. oceanogr. São Paulo, 1977b.v. 26, p. 219 – 247.

Peck et al. Intrinsic and extrinsic factors driving match- mismatch dynamics during the early life history of marine fishes. Advances in Ecolological Research. 2012; 47: 177–302.

Planque et al. Modelling potential spawing habitat of sardine (Sardine pilchardus) and anchovy (Engraulis encrasicolus) in the Bay of Biscay. Fisheries Oceanography, 2007.v. 16, n. 1, p. 16-30.

Rijnsdorp et al. Resolving the effect of climate change on fish populations. – ICES Journal of Marine Science, 2009.66: 1570–1583.

Rose et al. Demonstration of a fully-coupled end-to-end model for small pelagic fish using sardine and anchovy in the California Current. Progress in Oceanography, 2015.

Saha et al. The NCEP Climate forecast system reanalysis. Bulletin of American Meteorology Society, 2010.v. 91, p. 1015–1057.

Silva, A. D’A. Determinação da conectividade de ambientes recifais utilizando modelagem biofísica. Dissertação (Mestrado em Sensoriamento Remoto) - Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), São José dos Campos, 2014.

Soares et al.Oceanic and atmospheric patterns during spawning periods prior to extreme catches of the Brazilian sardine (Sardinella brasiliensis) in the southwest Atlantic. Scientia Marina, 2011.v. 75, n. 4, p. 665-677.

Souza, R. B.; Robinson, I. S. Lagrangian and satellite observations of the Brazilian Coastal Current. Continental Shelf Research, 2004. v.24, p.241-262.



Sunyé PS, Servain J. Effects of seasonal variations in meteorology and oceanography
on the Brazilian sardine fishery. Fisheries Oceanography. 1998; 7: 89-100.

Van Der Lingen, C. D. Characterizing spawning habitat of anchovy (Engraulis


encrasicolus), redeye round herring (Etrumeus whiteheadi), and sardine (Sardinops sagax) from CUFES sampling in the Southern Benguela. Report of Global Ocean
Ecosystem dynamics (GLOBEC), n. 21, p. 29-30, Special issue on GLOBEC/SPACC Workshop on characterizing and comparing the spawing habitats of small pelagic fish. January 2005.

Zar, J. H. Biostatistical analysis. 4. Ed. New Jersey: Prentice Hall, 1999.p.911.



Yoneda, N. T. Criação em laboratório de larvas da sardinha-verdadeira Sardinella brasiliensis e estudo dos incrementos diários nos otólitos. Dissertação (Mestrado em Oceanografia Biológica) - Universidade de São Paulo, Instituto Oceanográfico, São Paulo, 1987.

Baixar 3.03 Mb.

Compartilhe com seus amigos:
1   2   3   4   5




©bemvin.org 2020
enviar mensagem

    Página principal
Prefeitura municipal
santa catarina
Universidade federal
prefeitura municipal
pregão presencial
universidade federal
outras providências
processo seletivo
catarina prefeitura
minas gerais
secretaria municipal
CÂmara municipal
ensino fundamental
ensino médio
concurso público
catarina município
Dispõe sobre
reunião ordinária
Serviço público
câmara municipal
público federal
Processo seletivo
processo licitatório
educaçÃo universidade
seletivo simplificado
Secretaria municipal
sessão ordinária
ensino superior
Relatório técnico
Universidade estadual
Conselho municipal
técnico científico
direitos humanos
científico período
espírito santo
pregão eletrônico
Curriculum vitae
Sequência didática
Quarta feira
prefeito municipal
distrito federal
conselho municipal
língua portuguesa
nossa senhora
educaçÃo secretaria
segunda feira
Pregão presencial
recursos humanos
Terça feira
educaçÃO ciência
agricultura familiar