Espelho meu



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5.2 No Brasil
O jornalismo de moda no país surge como crescimento e o desdobramento do fenômeno do desenvolvimento e da ascensão da sociedade, a entrada da moda no jornalismo também assume esse aspecto e adquire o desempenho de alteração das sensibilidades através da estimulação da leitura e circulação de temas relacionados à arte e a tudo o que envolve o universo feminino.

Na década de 1960 o jornalismo de moda começa a aparecer de forma mais intensa no Brasil, assim é possível notar que com esse desenvolvimento jornalístico sobre o assunto em meados do século XIX, surge de forma mais intimista e contida, muitas vezes mesclado a outros temas de interesse da sociedade, essa produção jornalística é um importante inventário dos costumes em termos de vestimenta e de hábitos culturais, bem como mostra algumas características centrais do tipo de jornalismo praticado no país nessa época.

O jornalismo de moda mostra-se de grande diferenciação em relação aos outros campos do jornalismo, essa diferenciação pode ser notada desde veículos de divulgação de seus anunciantes até ao predomínio das imagens e do texto mais subjetivo e de fácil absolvição por todas as classes sociais. Assim essas diferenças estão ligadas ao próprio fenômeno da moda, ao tempo em que é informação, a moda também é uma questão de escolha e de personalidade.

Segundo Buitoni (1986) no Brasil, a então atual situação de colônia, dificultou a chegada deste tipo de imprensa. O Espelho Diamantino foi o primeiro periódico feminino brasileiro, ele foi lançado no Rio de Janeiro em 1827. A partir daí, a mulher começa a expressar publicamente o que pensa e não o que a sociedade espera que ela pense. Logo após, surgem outros periódicos, como: O Espelho das Brasileiras, de 1831 no Recife, o Jornal de Variedade, de 1935, o Relator de Novelas, de 1838, o Correio das Modas, de 1939, Espelho das Bellas, de 1941, e A Marmota (1949), o pioneiro em trazer litografias impressas no Brasil.

Muitas dessas publicações tinham uma história bastante pequena, e os sucessos editoriais duravam, no máximo, de um a dois anos. Após esse período as revistas ganham um caráter mais informativo e com temas que RAM ditos de mais “interesse” da sociedade e uma vida mais duradoura. Com o surgimento, entre outras, de A Revista da Semana, A Cigarra e Fon Fon, essas revistas passaram a ser de maior circulação na sociedade.

Curiosamente, os textos publicados não eram assinados, deixando as colaboradoras em um conveniente anonimato. Até a autora da seção de modas mostrava-se muito temerosa de um possível ridículo e, admitindo que lhe faltasse a coragem da editora, requeria que seu anonimato fosse mantido.

No início, muitos veículos reservavam um espaço considerável para a literatura e traziam histórias em capítulos, o que fazia as leitoras esperarem ansiosas pela próxima publicação. No Armazém de Novellas Escolhidas ou Novelista Brasileiro, ambos 1951, eram encartados fascículos onde, pouco a pouco, o espaço genérico foi utilizado pelo romance folhetim.

A primeira revista feminina de fato no Brasil chamava-se Revista da Feminina, fundada em 1914. Ela durou 22 anos e deu um novo impulso ao setor, pois introduziu o esquema comercial, que incluía a fabricação e a distribuição de produtos destinados ao público feminino. Mas as mudanças mais drásticas do setor acontecem no meio do século, quando a Grande Hotel, da Editora Vecchi e Capricho, da editora Abril, passam a publicar as fotonovelas. Tal fato gerou o crescimento das indústrias relacionadas à mulher e a ampliação da classe média junto ao crescimento do mercado interno, fortalecendo o poder de vendas dos veículos voltados para este público. Mais tarde, títulos, como Cláudia, inauguram um novo estilo, sofisticando o setor.

Em 1975, surge no país a revista Vogue, nosso objeto de estudo. “A moda impulsiona a imprensa feminina e por ela é impulsionada”, conforme Buitoni (1986, p. 14). Nesta via, Schimtz (2007, p. 34) argumenta que as revistas junto, com o assunto moda, foram um fator primordial durante o século passado, para que a imprensa feminina se consolidasse. “Se hoje as revistas ditam regras a ser seguida, isso se deve à contribuição para a construção e divulgação de um padrão estético de mulher”.

Ironicamente, no início do século XX, é o rádio que atua como um dos veículos propulsores do jornalismo impresso de moda no Brasil, uma vez que a popularização das radionovelas fazia com que as fãs buscassem as fotos dos atores em publicações especialmente voltadas para esta finalidade, como era o caso do Jornal das Moças, lançado em 1919.

Assim, nota-se um crescimento gradual e lento do jornalismo da moda, esse novo tipo de jornalismo vem equiparado ao jornalismo literário onde, apresenta-se a possibilidade de uma exposição de material mais elaborado. Na década de 90 têm-se “boom” da Moda brasileira, esta “profissão” começava a ganhar status social e firma-se enquanto vertente do jornalismo. Ainda nesta década, a ABIT – Associação Brasileira da Indústria Têxtil criou o prêmio de Jornalismo de Moda visando incentivar os profissionais que atuassem nesta área e fomentar o interesse pelo de exercício desta especialização.

Atualmente, são inúmeras as publicações especializadas ou mesmo de generalidades com editorias específicas de Moda, o que lhe atribui grande destaque. Algumas revistas mundialmente conhecidas conseguiram se firmar no país por um bom tempo, mas as novas tecnologias e a explosão do surgimento dos blogs com temas específicos para a área, o que ratifica a questão da heterogeneidade dos discursos sobre o tema e ampliando a visão sobre o jornalismo de moda, o que vai diferenciá-los apenas, é o meio de veiculação. Mas ainda sim, no Brasil, indicadores apontam que a busca pela informação de moda na mídia local se dá na maioria das vezes por meio da televisão, seja em novelas, programas femininos e jornais, seguida pelas revistas especializadas.



6. BLOGS DE MODA
Diante de toda evolução cibernética, com a internet cada vez mais acessível, com o desenvolvimento mundial da sociedade e com a implementação de conceitos e formas de moda. Hoje, qualquer pessoa que dispuser de um computador pode se tornar disseminador de informações em tempo real. E assim surgiram os blogs, que são consideradas ótimas ferramentas para fazer valer os direitos de qualquer cidadão a se expressar sem maior rigor de censuras, atuam como se configura um diário, onde age como ferramenta de informação e principalmente como troca de conhecimentos, publica e repassam informações para os leitores. A narrativa, no caso dos blogs de moda procura deixar quem está lendo à vontade, nas postagens sempre há um texto em que aproxima o blogger com os seus seguidores.Essa influência despertada pelas blogueiras de moda pode ser explicada por Miranda (2008 p.25).
“O indivíduo possui tendência psicológica à imitação, esta proporciona a satisfação de não estar sozinho em suas ações. Ao imitar, não só transfere a atividade criativa, mas também a responsabilidade sobre a ação dele para o outro. A necessidade de imitação vem da necessidade de similaridade.”
Por meio dos blogs é possível estabelecer um ato de comunicação, pois o processo consiste no envio de mensagens para pelo menos um receptor, e no caso dos blogs, são vários receptores, denominados leitores, que ao comentarem positivamente nas postagens dão um feedback para o emissor, a blogueira.

Os primeiros blogs de moda surgem na década de 1990, apriori seu espaço era destinado apenas comentar acontecimentos do dia-a-dia, onde o blogueiro, que antes era mero espectador passou a escrever seus textos, fatos habituais, comentavam sobre livros, filmes e eventos que aconteciam em sua região, assim com a difusão e expansão desses tipos de comentários sobre diversos assuntos, mesmo sem a formação adequada esses “escritores” passaram a ser considerados formadores de opiniões, passando assim a ser criador do seu próprio conteúdo.

Segundo, Ene Querido (2003, p. 9) blog é uma abreviatura das palavras inglesas web (rede) e log (diário de bordo onde os navegantes registravam os eventos das viagens, principalmente ligados ao clima). A abreviação blog foi criada por Peter Merholz em 1999. Ele desmembrou a palavra weblog para formar a frase we blog ("nós blogamos") na barra lateral de seu blog Peterme.com, em 1999.

O termo weblog foi utilizado pela primeira vez em 1997 por Jorn Barger, considerado um dos primeiros blogueiros da história, seu objetivo foi referir-se a um conjunto de sites que divulgavam links interessantes na web, como era o caso de seu site intitulado “robot wisdom weblog”.

O Weblog ou Blog surgiu oficialmente em 1997. O nome foi criado por Jon Barger, hoje, estima-se que existem mais de dez milhões de blogs, e cerca de cem milhões de leitores. O blog ainda é considerado por muitos uma fonte de hobby, segundo (Orihuela, 2007, p.6), vejamos :

“O blog é um meio a princípio pessoal (embora haja blogs em grupos), que funciona sem editores e sem prazos, sem fins lucrativos, e que é escrito, em geral, pelo prazer de compartilhar informações ou como veículo de expressão.”


Assim, como tratando de diversos assuntos os blogs de moda, transmitem além de informações, passam também características próprias do escritor, como seu estilo de vida, seus gostos, onde permite ao internauta identificar-se com determinado estilo, assim a influência passa a ser de tal ponto que ate o layout passa a ser motivo de poder ao visitante.

Adotando uma tendência mundial os blogs de moda vêm recebendo cada vez maior e mais destaque no Brasil, aumentando o número de acessos a cada dia e atraindo cada vez mais anunciantes interessados em um público fiel e segmentado. O blog também é uma mídia social, para Torres, (2009, p.123), nele, um indivíduo produz conteúdo, que é lido e comentado por outros. Entretanto esses leitores muitas vezes têm seus próprios blogs, que reproduzem ou ampliam a discussão em torno do que leram.

Com a facilidade existente com o acesso fácil e rápido entre as trocas de conhecimentos, seja ela através dos sites especializados ou através das redes sociais, informações são facilmente colocadas nas mãos do publico alvo. Antes era preciso esperar um tempo para ter acesso às revistas e noticias do que estavam acontecendo no mundo. Hoje com a facilidade descrita, em poucos minutos podemos ter acesso as essas informações, através de imagens e poucas palavras podemos entender os que os “formadores de opinião” querem transmitir.

Com isso a internet também passa a contribuir de forma eficaz para essa divulgação de informação sobre eventos e desfiles de moda, fotografias, reportagens, textos. Atualmente, é possível ver fotos e resenhas de desfiles das semanas de moda do mundo inteiro minutos depois deles terem acontecido.



Com uma linguagem, solta, moderna, ágil e de fácil entendimento, os blogs utilizam de imagens e vídeos que possam demonstrar o que o bloqueiro quer passar para seus “seguidores”, assim quanto maior for a quantidade de informação e de maior qualidade mais acessos e trocas de informações são possíveis. Denise Schittine (2004, p.155), explica melhor essa comunicação escrita na internet:
“Para manter o contato com o Outro, instituiu-se entre o blogueiros uma escrita mais informal, em tom de diálogo mesmo. A internet possibilita e exige uma escrita sem formalidades e, acima de tudo, fragmentária. O diarista virtual precisa escrever posts frequentemente, daí o texto rápido e em cápsulas que, de certa forma, serve também para prender a atenção do leitor.”
Passaremos aqui a explemplificar em formas de figuras o que acabamos de relatar, foi feito uma analise dos que considero serem os quatro maiores blogs de moda do Brasil: Garotas Estúpidas, Blog da Thássia, Lala Rudge e Super Vaidosa, dos quais os dois primeiros serão alvo de pesquisa aprofundada posteriormente. Ao eleger esses quatro como os maiores do país foram verificados entre tudo posts, comportamentos, a quantidade de acessos por dia e quantidade de seguidores nas suas redes sociais.

6.1 Blogs brasileiros influentes

Figura 02: Blog Garotas Estúpidas


Criada por Camila Coutinho, como ela mesmo se intitula: “designer de moda por formação, criei o Garotas Estúpidas há 7 anos em um surto criativo em uma madrugada de insônia. A intenção sempre foi dividir com as amigas as novidades de moda, beleza e celebridades, sem ninguém que atrapalhasse dizendo que aquilo era tudo bobagem ou futilidade sabe? É assunto de menininha? Sim! Então deixa a gente livre pra assumir o tal lado “stupid girl” sem ninguém encher o saco! Kkkk Sou recifense, tenho 26 anos e fico super feliz de ver que um projeto que começou como um hobby tenha tomado a proporção que o GE tem hoje! Temos atualmente uma média de 6 milhões de pageviews/mês e estamos em quinto no ranking dos 99 blogs de moda mais influentes do mundo, de acordo com o signature9.com! Por aqui, vocês vão encontrar muita moda, beleza, fofoquinhas, dicas de viagem e muito mais. Fiquem ligadas e sintam-se a vontade pra opinar tá?”

Figura 03: Blog Thássia Naves.



Em sua apresentação no blog, Thássia se descreve: “Sou Thássia Naves, mineira, filha caçula, publicitária por formação, apaixonada por moda, viajante em busca de novas experiências e tendências, e aqui é o cantinho que tenho para compartilhar um pouco de tudo que me cerca.Day by day, viagens, looks, tendências, dicas, eventos, isso é o que você encontra aqui, sempre com meu olhar e um jeitinho especial de conversar com você, que é o personagem principal de toda essa história. Por isso busco sempre me aprimorar para trazer o melhor conteúdo e contribuir um pouco com o dia a dia dessas poderosas mulheres modernas.”