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UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA

CENTRO DE COMUNICAÇÃO, TURISMO E ARTES

DEPARTAMENTO DE COMUNICAÇÃO

CURSO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL – HABILITAÇÃO EM JORNALISMO

RENATA LEITÃO GUEDES

ESPELHO MEU”: ANÁLISE DO CONSUMO EM BLOGS DE MODA



JOÃO PESSOA

2014

UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA

CENTRO DE COMUNICAÇÃO, TURISMO E ARTES

DEPARTAMENTO DE COMUNICAÇÃO

CURSO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL – HABILITAÇÃO EM JORNALISMO

RENATA LEITÃO GUEDES

ESPELHO MEU”: ANÁLISE DO CONSUMO EM BLOGS DE MODA

Monografia acadêmica apresentada ao Curso de Comunicação Social – habilitação em Jornalismo –, do Centro de Comunicação, Turismo e Artes (CCTA), da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), em cumprimento às exigências da disciplina Trabalhos Experimentais, como requisito parcial para a obtenção do grau em Comunicação Social

Orientador(a): Profª Drª Margarete Almeida

JOÃO PESSOA
2014

RENATA LEITÃO GUEDES

ESPELHO MEU”: ANÁLISE DO CONSUMO EM BLOGS DE MODA

BANCA EXAMINADORA
_______________________________________

Prof. Dra. Margarete Almeida Nepomuceno

Orientadora


________________________________________

Prof. Dra. Suelly Maria Maux Dias




________________________________________

Prof. Msc. Cândida Maria Nobre de Almeida Moraes

JOÃO PESSOA

2014

Este trabalho é dedicado a minha família, às minhas amigas e acima de tudo a Deus que juntos me deram apoio e forças para tornar tudo isto possível.


RESUMO
O conceito de moda vai além do que pode ser levantado como um simples adorno, se vestir apresenta uma série de significações que envolvem os diversos grupos que integram a sociedade, este ato se tornou um fenômeno social denominado moda. Atualmente as informações sobre o tema circulam livremente na internet por meio de blogs, com isso, a comunicação vem a contribuir significativamente para o aumento do número de pessoas que tem acesso a esses conteúdos. Este Trabalho de Conclusão de Curso pretende analisar os discursos divulgados nos blogs de moda, pois é uma das maiores ferramentas de propagação de informações. Para isso, durante o estudo foi feita uma compilação de alguns textos selecionados e expostos no mesmo, a fim de demonstrar o impacto que a circulação fácil desses assuntos sobre moda pode colaborar para a alta do consumo na sociedade moderna. Analisaremos também a influência com que as autoras desses sites detêm perante seus leitores, além de demonstrar o processo comunicativo que a moda pode exercer.


Palavras-chave: Blogs; Moda; Comunicação.

ABSTRACT

The concept of fashion goes beyond what can be posed as a simple adornment , dress features a number of meanings involving the various groups that make up society , this act has become a social phenomenon called fashion . Currently information on the subject circulating freely on the internet through blogs , it comes to communication contributes significantly to the increase in the number of people who have access to such content . This Labor Completion of course you want to analyze the discourses disclosed in fashion blogs , it is one of the greatest tools of spreading information . For this reason, during the study, a compilation of some selected and displayed in the same text was taken in order to demonstrate the impact that the easy movement of such content on fashion can contribute to the high consumption in modern society. We will also consider the influence that the authors of these sites hold before his readers, and communicative process demonstrate that fashion can have.


 

Keywords: Blogs , Fashion , Communication .

LISTA DE LUSTRAÇÕES

Figura01: Journal des Dames

Figura 02: Blog Garotas Estúpidas

Figura 03: Blog Thássia Naves.

Figura04: Blog Lala Rudge

Figura05: Blog Super Vaidosa

Figura 06: Look presente

Figura07: Comentário leitor

Figura08: Comentário sobre Diane Von

Figura09: Comentário leitor

Figura10: Post sobre evolução de estilo

Figura 11: Comentário de internauta

Figura12: Diferentes estilos

Figura13: Comentário de leitores

Figura14: Looks

Figura 15: Comentários


Figura16: Looks Riachuelo


Figura 17: Comentário

Figura 18: Post sobre Martha Medeiros

Figura 19: Comentário de internauta.

Figura 20: Look de festa

Figura 21: Comentário

Figura 22: Fotos de joias

Figura 23: Sonho de internautas

Figura 24: Look de inverno

Figura 25: Comentário de outros países

Figura 26: LOFT 111

Figura 27: Comentário

Figura 28: Estampas

Figura 29: Elogio
SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO – TEMA E PROBLEMATIZAÇÃO.......................................................09

2 HISTÓRIA SOCIAL DA MODA.....................................................................................11

2.1 A origem....................................................................................................................11

2.2 Idade Contemporânea..............................................................................................14

2.2.1 Resquícios da revolução..........................................................................................14



2.2.2 Século XX................................................................................................................16

2.3 Prêt a Porter..............................................................................................................17

3 MODA, LUXO E CONSUMO .......................................................................................20

3.1 Consumo simbólico..................................................................................................20

3.2 Objeto de desejo.......................................................................................................22

3.3 Marca de Moda..........................................................................................................23

3.4 Mercado de luxo........................................................................................................24

3.5 Fast Fasion................................................................................................................27

4. MODA É COMUNICAÇÃO...........................................................................................30

4.1 Simbologia da vestimenta........................................................................................30

4.2 Diferenciação Social.................................................................................................32

5. BREVE HISTÓRICO DO JORNALISMO DE MODA...................................................36

5.1 No Mundo..................................................................................................................36

5.2 No Brasil....................................................................................................................37

6. BLOGS DE MODA.......................................................................................................40

6.1 Blogs brasileiros influentes.....................................................................................43

7. GAROTAS ESTÚPIDAS E BLOG DA THÁSSIA.........................................................48

7.1 Perfi do Garotas Estúpidas......................................................................................48

7.2 Perfil do blog da Thássia.........................................................................................49

8. ANÁLISE DO DISCURSO............................................................................................51

8.1 Garotas Estúpidas....................................................................................................51

8.2 Blog da Thássia........................................................................................................63

9. CONSIDERAÇÕES FINAIS.........................................................................................75

10. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS..........................................................................76


1. INTRODUÇÃO – TEMA E PROBLEMATIZAÇÃO


O fenômeno do mundo da moda denominado fast fashion ou moda rápida é considerado uma estratégia das grandes marcas, principalmente de lojas de departamentos, que atua como um atrativo do público consumidor. É um mecanismo que consiste em disponibilizar em curto espaço de tempo, tendências de grifes famosas em araras de lojas mais acessíveis, funcionando para atender as urgências da aparência desencadeada pela sociedade moderna. Nele, as produções mudam a cada semana, ou mesmo dias, o que o caracteriza como uma estratégia de realização dos desejos dos consumidores baseado na efemeridade.

Em paralelo a essa produção acelerada, a ascensão das novas mídias por meio da internet, encontra também na rapidez com que são veiculados os assuntos, um aliado. Essa junção se transforma na dupla perfeita para o sucesso nas vendas. Na medida em que as lojas expõem as novidades da semana, ao mesmo tempo esses produtos já estão ilustrando os posts, como são denominados os textos compostos por imagens das blogueiras, facilmente encontrados na internet. Por outro lado, os leitores, como agentes, nessa troca, passam a se comportar como “seguidores” do que é ditado pelos “bloggers”, denominação para as pessoas que tem um blog, e acabam desenvolvendo o desejo de se adequar ao que lhes é proposto como parâmetro para se vestir bem.

Essa análise procura compreender até que ponto essa influência na troca de informações entre blogger/leitor influência, de fato, nas sensações que visam os anseios de auto-afirmação de cada um como parte integrante de um grupo social. Até que ponto o enquadramento pode ser benéfico na constituição psicológica, social e cultural de cada indivíduo. A ostentação despertada a cada post nesses seguidores, e conseqüentemente no desenvolvimento da alta do consumismo, levando-os a falsa impressão de necessitarem daquele produto custe o que custar.

Essa troca de informações de moda promovida pelos blogs, revistas e jornais também permite que pessoas de poder aquisitivo mais baixo possam acompanhar as marcas de luxo. Despertando, nesse público, o desejo de adquirir essas peças que são (re)criadas e (re)interpretadas. Então, o foco desse ciclo passa a ser a obtenção de objetos de desejos para a realização dos anseios do leitor.

Entretanto, trazer às vitrines das lojas de departamentos, re-invenções de estilistas famosos caracteriza o que é chamado “democratização da moda”. Com o surgimento do “prêt-à-porter”, roupa pronta, a moda se tornou mais acessível, e a expressão veio, justamente, para firmar essas parcerias entre marcas de estilistas famosos com a produção em massa.

Compreender de que forma esses anseios dos grupos sociais são realmente atendidos pelo mercado permite determinar como se dá o fluxo de consumo e entender que relações são mantidas entre a indústria e a sociedade do imediatismo.

Então, esse estudo procura compreender a influência dos blogs de moda na formação de padrões estéticos como também no que diz respeito ao que as pessoas vestem, visa entender também que impactos essa facilidade disponibilizada na internet ao seguir grifes famosas, fruto dos desejos de muitas mulheres pode acarretar no cotidiano e na formação de uma identidade social de cada leitora.

2. HISTÓRIA SOCIAL DA MODA

Para explicarmos o processo desde o surgimento da moda até ela se tornar um fenômeno presente em toda sociedade moderna, é imprescindível que retornemos a sua história social com suas representações e significados. A palavra “moda” significa costume, por esse e por outros motivos é que para estudá-la, seja necessário analisar sua inserção no cotidiano das pessoas mundo afora.



2.1 A origem

Há milênios, o vestuário sempre foi usado pelas pessoas, seja por necessidade ou apenas por ornamento, desde os primórdios, as vestimentas já cumpriam com seu papel de comunicar, sendo assim, sempre exprimiu o caráter semiótico do corpo humano. Ao passar por várias modificações, seguindo transformações físicas, sociais, políticas e culturais de determinado período, a moda pode ser considerada um reflexo do comportamento humano, pensando nela como linguagem, podemos retratar um grupo ou comunidade.

A vestimenta foi uma alternativa encontrada pelos povos antigos, eles usavam o adorno como uma maneira de sobreviver às adversidades naturais. A própria história bíblica de Adão e Eva pode ser considerada como um dos primeiros traços da utilização de folhas e fibras vegetais para cobrir os órgãos genitais como representação da vergonha, pecado e sexo. Como exemplifica um texto da Bíblia, vejamos:

“…Então os seus olhos abriram-se; e, vendo que estavam nus, tomaram folhas de figueira, ligaram-nas e fizeram cinturas para si. E eis que ouviram o barulho (dos passos) do Senhor Deus. Que passeava no jardim, à hora da brisa da tarde. O homem e sua mulher esconderam-se da face do Senhor Deus, no meio das árvores do jardim. Mas o Senhor Deus chamou o homem, e disse-lhe: ‘Onde estás?’ E ele respondeu: ‘Ouvi o barulho dos vossos passos no jardim; tive medo porque estava nu; e ocultei-me. O Senhor Deus disse: Quem te revelou que estavas nu? Terias tu porventura comido do fruto da árvore que eu te havia proibido de comer? … O Senhor Deus fez para Adão e sua mulher umas vestes de pele, e os vestiu.’”(GÊNESIS, pg. 51, cap. 3, versículo 7 a 11 e 21)

Assim desde o nascimento, o ser humano é marcado pelo entorno social, a vestimenta surge como uma segunda pele visando não somente cobrir o corpo, mais também como forma de personalidade. Renata Pitombo Cidreira (2007, p.35), relata os olhares históricos sobre a vestimenta, vejamos:

“Os primeiros olhares históricos sobre o vestuário remontam aos séculos XVII e XVIII, quando três heranças se encontraram: trabalhos veiculando a imagem da diversidade vestimentar, estudos precisos sobre o modo de se vestir dos antigos e dos modernos, que são em parte ligados a certa tradição acadêmica da pintura da historia e de sua pedagogia, e, enfim as obras consagradas aos costumes provincianos e regionais. Pode-se acrescentar que a historia do costume foi um fato essencialmente romântico, que surgiu e se alimentou para fornecer aos artistas, pintores da época ou homens de teatro, os elementos figurativos da cor local necessária as suas obras, ou para o historiador se esforçando em estabelecer uma equivalência entre a forma vestimentária e o espírito geral de um tempo ou de um lugar.”

Já de acordo com Sant’Anna (2003, p.83), “moda não é roupa nem linguagem trans-histórica. É significante que articula as relações entre sujeitos a partir da aparência, sendo produto histórico da valorização do individual e da modernidade.” Tomando deste modo a moda como uma libertação para o convívio social, deixando assim o indivíduo aberto para o novo, despertando-o para um novo fenômeno social.

Assim a indumentária pode ser conceituada como sendo uma espécie de laço social que estabelece uma relação entre os vários integrantes da sociedade, caracterizada basicamente pelo novo. Ela pode ser compreendida como uma forma em que os indivíduos encontram de sociabilizar. Sendo assim, todas as práticas, instituições que fazem parte da sociedade estão suscetíveis a ela e sujeitas as suas tendências. A moda por ser considerada um fenômeno que atinge grande parte dos níveis sociais, além de ser também um dos fatores contribuintes para o desenvolvimento das civilizações.

Durante milênios, a vida em sociedade se deu sem culto às novidades, sem instabilidade e temporalidade efêmeras da moda. A indumentária ainda era utilizada nesse período pela sua funcionalidade, mas com algumas variantes como região e cultura. Mas foi a partir da Idade Média que a indumentária, de fato, passou a se caracterizar como um diferenciador social, e com o passar dos tempos o conceito moda foi se estabelecendo como parte integrante da sociedade.

Nesse período, quanto maior o poder do usuário, mais ornamentado eram suas vestes, e a principal utilidade ou falta dela, era esconder o corpo deixando de lado o caráter atraente que a vestimenta poderia apresentar.

De um modo geral, esse momento que compreende o final da Idade Média e o princípio do Renascimento é de grande avanço na história da moda, pois a partir daí é que surgiu, de fato, o seu conceito. As roupas eram marcadas pelo uso de muitos tecidos, onde os corpos dificilmente apareciam.

“Durante cinco séculos, da metade do século XIV à metade do século XIX: é a fase inaugural da moda, onde o ritmo precipitado das frivolidades e o reino das fantasias instalaram-se de maneira sistemática e durável. A moda já revela seus traços sociais e estéticos mais característicos, mas para grupos ainda restritos que monopolizam o poder de iniciativa e criação. Trata-se do estágio artesanal e aristocrático da moda” (Lipovestky, império, p. 88)

Para que consideremos a moda, é necessário haver uma transformação rápida das roupas, característica básica da efemeridade, que antes desses períodos, o fenômeno acontecia de maneira lenta, por isso, ainda não se era denominado como um gênero social.
“Só a partir do final da Idade Média é possível reconhecer a ordem própria da moda, a moda como sistema, com suas metamorfoses incessantes, seus movimentos bruscos, sua extravagância. A renovação das formas se torna um valor mundano, a fantasia exibe seus artifícios e seus exageros na alta sociedade, a inconstância em matéria de formas e ornamentações já não é exceção mas regra permanente: a moda nasceu” (Lipovestsky- O Império do Efêmero, 2009, p. 86)

Na metade do século XIX o mundo viveu o período renascentista, onde valores iluministas passaram a interferir no modo de vestir, além de ser também uma época marcada por uma guinada comercial e a queda da religião católica, sendo assim, novos tempos surgiam no mundo. A valorização do corpo foi acentuada nesse período, as roupas de ajustaram e encurtaram. Assim, a indústria têxtil se encontrava em constante desenvolvimento e os países já com seus hábitos de se vestirem ganhavam identidade própria, mesmo assim, os povos acabavam se influenciando, o que contribuía para uma similaridade na moda.



2.2 Idade Contemporânea

A partir da Revolução Francesa, o período que se segue é denominado de Contemporaneidade, tempo esse, marcado pela razão de correntes filosóficas. Além disso, a época que permanece até hoje, é caracterizada pela consolidação do regime capitalista – onde o mundo passa a girar em torno do mercado e do lucro.


2.2.1 Resquícios da Revolução.
Após o período que antecedeu a Revolução Francesa a sociedade se encontrava em três ordens: o clero, a nobreza e a população. Esta ultima camada insatisfeita com as diferenças sociais resolveu iniciar uma revolta popular, o que culminou para a reafirmação de que esse momento era de fato, de transformação, assim surgia a Idade Contemporânea. Este século pode ser compreendido em quatro épocas distintas quando se trata de moda, são eles: Império, Romantismo, Era Vitoriana e La Belle Époque.

No pós revolução, a moda começa a passar por um processo de transformação, até alcançar aquilo que seria referência dentro do período Imperial, neste momento a palavra de ordem é conforto. Um aspecto que vale ressaltar é a diferenciação do vestuário feminino do masculino, segundo João Braga (2007, p. 56-57) as roupas mudaram e os gostos passaram a ser diferenciados de acordo com o sexo, observemos:


“As roupas masculinas, nesse aspecto de anglonomia, adquiriram sobriedade. O casaco passou a ser o do tipo inglês de calça; o uso de botas também se tornou frequente, além de golas altas e ostensivo lenços amarrados como adorno no pescoço. A moda feminina na ultima década do século XVIII também se tornou manos ostensivas e extravagantes. Toda a opulência que antecedeu à Revolução Francesa foi substituída pó um vestido simples à semelhança de uma camisola solta de cintura alta, logo abaixo do seio, normalmente de cor branca, em tecido como mousseline ou cambraia. A transparência fazia-se presente nos vestidos a ponto das mulheres usarem malhas coladas ao corpo não só para se protegerem do frio, mais também para evidenciarem a sua silhueta.”

No período romântico um dos primeiros estilos com identidade própria surgia na Inglaterra, o dandy. Ele ditava regras e ao mesmo tempo se caracterizava por ser uma maneira diferente de se vestir. Ao contrário do que pregavam o estilo ornamentado da época, o dandy demonstrava distinção. O romantismo pregava a libertação das emoções humanas, oposto ao que ditava o racionalismo iluminista, essa época é marcada pela volta do ser humano emocional e espontâneo.

João Braga (2007, p.60) destaca que conforme as transformações sofridas pela sociedade a moda não ficou de lado, fazendo com que essa se modifique constantemente, vejamos:
“A Revolução Industrial estava em pleno andamento, e o ideal iluminista havia transformado homem em máquina. A insatisfação contra essa ideologia fez brotar na mente humana um saudismo dos tempos de outrora. Isso influenciou todo o processo criativo, da literatura às artes, da musica à arquitetura e obviamente a moda não ficou de lado, sofrendo significativas mudanças.”
Assim, a moda masculina e feminina, passaram por constantes mudanças, onde ainda existiam inspirações passadas, com um toque de materiais mais incrementados, como no caso das cores, onde o preto deixa de ser parte fundamental do guarda-roupa. Reaparecem assim, os decotes, e a presença dos tecidos florais e listrados, os vestidos começam a ter volume cômico.

A Era Vitoriana, em meados do século XIX, é marcada pela prosperidade e traz consigo um grande prestígio da burguesia, consequentemente a alta dos negócios e comercio fortalecendo o consumo. Com base nisso surgiu o conceito de alta costura e a moda encontrou uma forma de se modificar, nessa época ela encontrou a ajuda financeira que necessitava.

De acordo com Braga (2007, p. 64) é importante notar que praticamente paralelo à alta-costura surgiu, para o homem a roupa de trabalho, uma vez que a figura masculina se tornou verdadeiro reflexo de uma sociedade produtiva. O contraste entre o masculino é o feminino dar-se pelos contornos das vestimentas, uma vez que os vestuários masculinos encaminhavam-se pela simplicidade, as vestimentas femininas se apegavam a cada vez mais tecidos e adereços.

A La Belle Époque corresponde ao período que inicia a Primeira Guerra Mundial. As artes, arquiteturas ficaram marcadas por um estilo ornamental novo, denominado Art Nouveau. Essa é uma época de inovação, demonstrada pela sofisticação, luxo, além da alegria de viver. As mulheres dessa época passaram a praticar esportes e tomarem banho de mar o que influenciou muito em sua maneira de se vestir. Além dos trajes suntuosos nos quais elas se exibam, desfilavam também em trajes de banho e mais leves para a prática dos esportes.


2.2.2 Século XX

Da metade do século XIX em diante, um costureiro Charles Frederic Worth revoluciona a moda, e esse período passar a ser conhecido como A Moda de Cem Anos.

Da metade do século XIX até a década de 1960, é legítimo falar da moda dos cem anos, primeira fase da história moderna, seu momento heróico e sublime. Apareceu um sistema de produção e difusão desconhecido até então. Vimos aí mais do que uma página da história do luxo, das rivalidades e distinções de classes, reconhecemos a “revolução democrática” da moda em marcha”. (Lipovetsky, p. 115)
Esse foi o primeiro passo para a modernidade, onde os costureiros passaram a transferir os desejos dos clientes para a confecção das roupas. Lipovetsky (1991, p. 70) define Moda de Cem Anos como um “sistema bipolar fundado sobre uma criação de luxo e sob medida, opondo-se a uma produção de massa, em série e barata, imitando de perto ou de longe os modelos prestigiosos e griffes da Alta Costura”. O sistema permitiu que as tendências de massa fossem consumidas, o que representaria uma revolução no modo de fazer moda. A massificação das inovações nas vestimentas incitava a variedade e conseqüentemente afirmava ainda mais o caráter de diferenciador social da moda.
As décadas que se seguem o século XX, são marcadas por uma grande efervescência no mundo da moda. O mundo vivia a Primeira Guerra Mundial, o que excluiu o homem das atividades sociais, fator que contribuiu para a emancipação da mulher no mercado de trabalho. Desse modo, as roupas precisavam se adequar ao novo ritmo em que a classe feminina havia ocupado. As saias encurtaram, os espartilhos sumiram, os sapatos estavam à mostra e as pernas cobertas apenas por meias. Com o final da guerra, a mulher se sentia emancipada e independente, suas roupas refletiam em suas novas funções na sociedade.
O período que antecedeu a Segunda Guerra Mundial mais conhecido como “anos loucos” reforçavam o caráter cada vez mais revolucionário que a moda apresentava. A partir de então o funcionalismo se tornou a palavra-chave no quesito roupas e as diferenças sociais se tornavam menos aparentes. Em meio a Guerra a masculinização das roupas foi inevitável, influência dos uniformes dos soldados. Esse período é retratado por João Braga (2007, p.79) como sendo uma época estagnada, não só na moda, mas na sociedade como um todo.

“De 1939 a 1945, a palavra de ordem foi recessão. Obviamente que a moda não ficou de fora desse contexto. As roupas femininas, de fato, masculinizaram-se e a grande moda foi o uso de duas peças, para qualquer momento, fosse do dia ou da noite. Saias bem mais justas e casaco compunham a toalete feminina em tecidos simples e que, normalmente, eram racionados. Havia inclusive regras para gastos de tecidos e também para a limitação de metragem de compra.”


Ao fim da guerra, as pessoas retomavam a esperança, e na moda, a indústria estava bem estabelecida dando espaço a uma nova forma de produzir roupas em maiores quantidades, sem abrir mão da qualidade, as vestimentas ganharam várias numerações para um mesmo modelo.

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