Escola “sem” partido



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dpress.com/>. Acesso em: 8/10/2016.
2  DEBORD, Guy. A sociedade do espetáculo. Rio de Janeiro: Contraponto, 2016.

9
GAUDÊNCIO FRIGOTTO
fetichismo da mercadoria.
3
 Nas sociedades industriais avançadas, diz o autor, 
e na brasileira, hoje, dizemos, estão muito bem caracterizadas a sedução do 
consumo, as modas, a publicidade, a dominação das imagens, a submissão ao 
império da mídia que se assenhoraram de todos os âmbitos do conhecimento 
(arte, economia, política etc.). Há uma coisificação geral da vida e dos sen-
timentos. As modernas condições de produção tornaram toda a vida social 
uma imensa acumulação de espetáculos. Tudo se tornou uma representação. 
No espetáculo permanente oferecido pelos meios de comunicação, há uma 
cisão entre a vida dos sujeitos e as imagens que simulam a vida, confundindo 
a aparência com a realidade. Há alteração dos critérios de verdade em favor 
do que é visto, ouvido, sentido, interpretado pelos sujeitos.
Na alteração dos critérios de verdade está outra parte do embuste da 
publicidade do Escola sem Partido. A edição de 19/9/2016 do The Economist, 
comentada por O Globo recentemente,
4
 fala da era da “pós-verdade” política, 
“a crença em afirmações ´sentidas como verdadeiras´, mas que não têm ne-
nhuma base nos fatos”. São inverdades reproduzidas, curtidas, compartilhadas 
nas redes sociais.
5
 O critério de verdade é abandonado em favor de rumores 
e opiniões que ajudam na difusão de inverdades e na organização das forças 
sociais com base em suposições.
Penna busca pensar o Escola sem Partido como um discurso que vem sendo 
compartilhado desde 2004, quando o movimento foi criado, e que se apresenta 
desde então como uma “chave de leitura para entender o fenômeno educacio-
nal”, assim como “a ameaça apresentada por esse discurso e os projetos de lei 
que incorporam suas ideias”, contraditórios com a legislação educacional atual.  
O Escola sem Partido utiliza-se de uma “linguagem próxima do senso comum, 
recorrendo a dicotomias simplistas que reduzem questões complexas a falsas 
alternativas”, e expande-se por meio de memes, “imagens acompanhadas de 
breves dizeres”, por “quatro elementos principais: primeiro, uma concepção de 
escolarização; segundo, uma desqualificação do professor; terceiro, estratégias 
discursivas fascistas; e, por último, a defesa do poder total dos pais sobre os seus 
filhos”. Contém estratégias discursivas fascistas através de “analogias voltadas 
à docência, que desumanizam o professor”, tratando-o como “um monstro, 
um parasita, um vampiro” na forma de memes ofensivos, incluindo Gramsci 
e Paulo Freire. Instalam um “clima de denuncismo” e “um discurso de ódio”.
3  MARX, Karl. O Capital. (Crítica da Economia Política). Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1980.
4  The Economist critica a era da “pós-verdade”. O Globo, País, 8/10/2016, p.6.
5 Disponível em: lied-does-it-matter-if-they-leave-truth-behind-entirely-art/>. Acesso em: 8/10/2016.

10
ESCOLA “SEM” PARTIDO
Entendemos que o Escola sem Partido significa uma volta funcional e 
sectária aos ideólogos brasileiros conservadores e ao positivismo do início do 
século XX.
6
 Também o Brasil da Operação Lava Jato, endeusada pela firmeza 
oblíqua da justiça curitibana, encontra em Giorgio Agamben, como lembrado 
por Frigotto e outros autores, uma explicação coerente com o “Estado de 
exceção” em que vivemos e com a mistificação dos valores e dos critérios de 
verdade na vida social. É o que indica Agamben quando trata do arrependi-
mento do delator como critério de aceitação de “suas” verdades: “denunciar os 
companheiros é garantia de veracidade do arrependimento e o arrependimento 
íntimo sanciona a autenticidade da denúncia”.
7
Betty Espinosa e Felipe Campanuci Queiroz expõem em detalhes a ori-
gem do pensamento que deu base ao Escola sem Partido. Alertam que, no que 
teria parecido “uma simples cilada sem maiores consequências, esconde-se 
uma poderosa teia de relações que surpreende pelo cunho conservador, com 
várias articulações e redes por meios digitais que perpassam por entidades 
da sociedade civil, instâncias religiosas e partidos políticos”, apesar de sua 
inconstitucionalidade estar defendida por juristas de renome. O movimento 
se declara inspirado, entre outros, na iniciativa norte-americana denominada 
No Indoctrination, com base em um “suposto apartidarismo para questionar 
as posturas dos professores em sala de aula”. Seus partidários agem como  
“a organização também norte-americana, Campus Watch,
8
 que publica in-
formes e incentiva estudantes universitários a denunciarem professores que 
possam ter posições ideológicas anti-israelenses ou que simplesmente sejam 
simpáticos à causa palestina”. Outras são de inspiração cristã, a exemplo de 
“o Creation Studies Institute (CSI), que combate a suposta indoctrination nas 
escolas públicas americanas”, como chamam a teoria da evolução, a perspectiva 
de gênero, temas afins com o multiculturalismo, “através da difusão de material 
audiovisual e publicações”, e “oferecem em seu site
9
 um portfólio de serviços, 
como o homeschooling”. No Brasil, os autores destacam as mídias existentes 
e a atuação dos setores evangélicos, notadamente as igrejas neopentecostais, 
logrando “consolidar uma pauta na agenda pública nacional de cunho altamente 
conservador e retrógrado”. Os autores contribuem ainda com informações 
sobre instrumentos de análise e acompanhamento para ações de resistência. 
6 A exemplo de Oliveira Vianna, Alberto Torres e seus inspiradores, como De Bonald, Joseph  
de Maestre.
7  AGAMBEN, Giorgio. Meios sem fim. Notas sobre a política. Belo Horizonte: Autêntica, 2015, p.116.
8  Disponível em:
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