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SECRETARIA DE REGISTRO PARLAMENTAR E REVISÃO – SGP.4

EQUIPE DE TAQUIGRAFIA E REVISÃO – SGP.41

NOTAS TAQUIGRÁFICAS

SESSÃO SOLENE :




DATA:







O SR. PRESIDENTE (Floriano Pesaro – PSDB) - Está aberta a sessão. Sob a proteção de Deus, iniciamos os nossos trabalhos.

A presente sessão solene destina-se à homenagem e ao agradecimento ao Sr. Alexandre Chut, pelos 27 anos de plantio ininterrupto de florestas rurais, urbanas e educação ambiental em 16 países, conforme requerimento aprovado por esta Casa, nº 1.771, de 4 de setembro de 2013, por iniciativa deste Vereador.

Agradeço a todos, principalmente à Polícia Militar, orgulho do nosso Estado, à sua banda e à oportunidade que nos dá de ouvi-la nesta noite, cumprimentando o 1º Sargento Músico PM Bernardo. Obrigado pela presença. (Palmas)

Passo a palavra ao Mestre de Cerimônias, Sr. Antonio Carlos Vieira Jr., para a condução dos trabalhos.


MESTRE DE CERIMÔNIAS – Senhoras, senhores, autoridades, sejam bem-vindos à Câmara Municipal de São Paulo.

Para compor a Mesa, convidamos os Srs.: Vereador Floriano Pesaro, Presidente e proponente desta sessão solene; Alexandre Chut, Presidente do Instituto Plant+Ar, doutor em acupuntura, psicólogo, astrólogo, Presidente do Conselho Fiscal da Central Nacional de Astrologia; Akio Ogawa, Presidente do Conselho de Segurança do bairro da Liberdade e Presidente do Instituto Nikkeyweb; José Manoel Gobbi, engenheiro agrônomo, paisagista ambiental e arquiteto; Akio Koyama, ambientalista e plantador; Eduardo Panten, engenheiro agrônomo, foi servidor na Secretaria do Verde e Meio Ambiente, no Depave; Yoshiharu Kikuchi, Diretor Presidente da Beneficência Nipo-Brasileira de São Paulo - Enkyo. (Palmas)

Convidamos todos para, de pé, ouvirmos o Hino Nacional Brasileiro, executado pela Banda da Polícia Militar, sob a regência do 1º Sargento Músico PM Bernardo.
- Execução do Hino Nacional Brasileiro.
MESTRE DE CERIMÔNIAS – Registramos e agradecemos a presença dos Srs.: Marcel Hollender, Diretor Vice-Presidente de Operações e Programação da TV Aberta São Paulo; Yoshiharu Kikuchi, Diretor Presidente da Beneficência Nipo-Brasileira de São Paulo - Enkyo; Brás Pereira, jornalista do jornal São Paulo de Fato; Alex Rosa, jornalista da Rádio Coisas Bacanas. (Palmas)

Recebemos diversas mensagens cumprimentando-nos pelo evento, dentre as quais destacamos as dos Srs.: Geraldo Alckmin, Governador do Estado de São Paulo; Guilherme Afif Domingos, Vice-Governador e Ministro da Micro e Pequena Empresa; Fernando Haddad, Prefeito da Cidade de São Paulo; Nádia Campeão, Vice-Prefeita da Cidade de São Paulo; Vereador José Américo, Presidente da Câmara Municipal de São Paulo; Vice-Almirante Liseo Zampronio, Comandante do 8º Distrito Naval; Deputado Samuel Moreira, Presidente da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo; Desembargador Ivan Ricardo Garisio Sartori, Presidente do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo; Desembargador Newton De Lucca, Presidente do Tribunal Regional Federal da 3ª Região; Desembargadora Maria Doralice Novaes, Presidente do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo; Conselheiro Antonio Roque Citadini, Presidente do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo; Edson Simões, Conselheiro e Presidente do Tribunal de Contas do Município de São Paulo; Fernando Grella Vieira, Secretário de Estado da Segurança Pública; Rogério Hamam, Secretário de Estado de Desenvolvimento Social; Mônika Bergamaschi, Secretária de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo; Tadeu Morais de Souza, Secretário Estadual do Emprego e Relações do Trabalho; Linamara Rizzo Battistella, Secretária de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência de São Paulo; Márcio Fernando Elias Rosa, Procurador-Geral de Justiça; José Floriano de Azevedo Marques Neto, Secretário Municipal da Habitação; Rogério Sottili, Secretário Municipal de Direitos Humanos e Cidadania; Eliseu Gabriel, Secretário de Desenvolvimento, Trabalho e Empreendedorismo; Celso Augusto Coccaro Filho, Procurador-Geral do Município; dos Srs. Vereadores: Alfredinho, Goulart, Aurélio Miguel, Aurélio Nomura, Coronel Camilo, Claudinho de Souza, Dalton Silvano, Pastor Edemilson Chaves, Edir Sales, Gilson Barreto, Gilberto Natalini, Jair Tatto, José Police Neto, Marco Aurélio Cunha, Paulo Frange, Ricardo Young, Sandra Tadeu, Coronel Telhada, Toninho Paiva e Wadih Mutran; Prof. Dr. João Grandino Rodas, Reitor da Universidade de São Paulo.

Recebemos também a mensagem da Sra. Stela Goldenstein: “Tenho acompanhado a trajetória de Alexandre Chut há muitos anos. É maravilhoso ver como ele decidiu que o espaço público lhe pertence também e que, por isso, vai cuidar, zelar, investir, fazer o que puder pela sua melhoria e qualidade. Tendo escolhido plantar árvores, o faz com largueza, comprometimento e generosidade, de tal forma que nos envolve e compromete a todos. A cidade de São Paulo, que trata tão mal as sua árvores e áreas verdes, tem muito a aprender com isso.

Fico feliz com essa merecidíssima homenagem que Alexandre recebe aqui, por iniciativa do Vereador Floriano Pesaro, em nome da cidade de São Paulo. Que outros jovens tenham a mesma inclinação pelo bem comum. Parabéns, Alexandre”. Stela Goldenstein, Diretora Executiva da Associação Águas Claras do Rio Pinheiros, foi Secretária Estadual e Municipal de Meio Ambiente. (Palmas)

Convidamos todos para assistirmos a um vídeo institucional.
- Apresentação audiovisual.

MESTRE DE CERIMÔNIAS – Convidamos, para seu pronunciamento, o Sr. Akio Ogawa.
O SR. AKIO OGAWA – Boa noite, senhoras e senhores. Agradeço ao Vereador Floriano Pesaro pela homenagem que está fazendo a Alexandre. Eu o conheci quando ele estava a fim de plantar cerejeiras no bairro da Liberdade.

De repente, você encontra alguém que quer plantar, você pensa que é um lunático, quase não acredita, porque ele não tem nenhum objetivo a não ser o de plantar.

Nessa ocasião, consegui arranjar mudas de cerejeiras para começar a plantar. Aí parecia que tudo estava resolvido. Nós íamos começar a plantar em uma rua chamada Tomás Gonzaga, onde praticamente há só restaurante japonês e um único chinês. De repente, houve uma agitação e não deixaram. Estávamos com o buraco pronto para plantar e não foi permitido. Fomos para outra, a Rua Fagundes, onde há o Hospital Nipo-Brasileiro, e todos - Koyama, Kikuchi – ajudaram. O que acho admirável em Alexandre, é essa capacidade de fazer as outras pessoas abraçarem o projeto proposto por ele, mas que é de todos nós. Ficamos felizes em poder plantar cerejeiras. Chamamos agora a Rua Fagundes de Sakura Dori, caminho com cerejeiras. Daqui a dois, três anos, teremos uma florada muita bonita, coisa que no Japão é maravilhoso, algo impressionante. Mas, enfim, não precisamos chegar à beleza dos japoneses, mas vamos deixar uma marca dentro da Liberdade, uma rua que será caracterizada por cerejeiras. Anteriormente, todo mundo queria misturar ipê e cerejeira para fazer a integração, mas, no fim na Rua Fagundes, basicamente temos cerejeiras.

E foi muito bom trabalhar com Alexandre porque ele se dava o trabalho de falar com o lojista, com o dono da casa, com a dona da casa, mostrando a eles que a árvore que está na frente da casa dele, da loja, é uma árvore que é parceira, uma coisa importante. Disso ele fazia questão. Fez um cartaz em japonês, chinês. Fez tudo para mostrar para todos: olha, é desse jeito que vamos fazer esta cidade que amo, que é São Paulo, melhor! E isso ele tem feito incansavelmente, é algo impressionante. Brigou, brigou e, no fim, nós conseguimos plantar, agora na Tomás Gonzaga, foram recentemente plantadas 18 mudas. Aparentemente parece não ser nada, mas, depois que crescem, tornam-se lindas; e, depois, fica aquele gostinho de termos participado. Na verdade, temos São Paulo como algo que recebemos e nunca temos o sentido de que fizemos alguma coisa para São Paulo. Alexandre, mexendo com as pessoas, consegue convencer que nós também podemos fazer alguma coisa. Acho isso uma coisa superlegal. Acredito que essa homenagem que ele está recebendo é algo extremamente justo, porque ele está fazendo pela Cidade; está fazendo por nós; está fazendo com que nos sintamos participantes da construção de São Paulo. Normalmente pensamos que só destruímos São Paulo. Não é verdade. Fazemos também uma parte de construção e, com essas árvores floridas, vamos sempre observar essa beleza, apreciando as flores que são bonitas. O sakura tem uma característica, a flor dura pouco tempo, mas é vistosa, dá uma florada inteira, depois cai. É, mais ou menos, parecido com o ipê-amarelo.

Aproveito para agradecer a homenagem a Alexandre Chut, dizer que realmente ele é concentrado no que faz - digamos, é quase um fanático. Ele não tem medo, preguiça, não interessa o custo. Vai mexendo, vai mexendo com todo o mundo e, de alguma forma, ele consegue as mudas, quem transporte as mudas, quem faça o buraco. É algo maravilhoso. Realmente é um projeto planta, Plante+Ar é uma ideia que ele pratica. Normalmente temos ideias, mas nós não praticamos, e ele pratica.

Alexandre, parabéns pela homenagem, fico muito feliz por você ser homenageado e contente por ter participado desse projeto, que foi projeto de todos. Quer dizer, na frente do Nipo-Brasileiro há as cerejeiras plantadas, que todos nós estamos cuidando. Quando estão secas, regamos. Isso irá fazer uma grande diferença no futuro.

Alexandre, parabéns! Muito obrigado ao nobre Vereador Floriano Pesaro, por essa homenagem!
MESTRE DE CERIMÔNIAS – Agradecemos o Sr. Akio Ogawa.

Com a palavra o Eng. José Manuel Gobbi.


O SR. JOSÉ MANUEL GOBBI – Boa noite a todos. Faço questão de ficar de pé para poder homenagear as atitudes, os comportamentos que são induzidos por Alexandre.

Em nome da Mesa, agradeço a presença de todos e tenho recebido vários e-mails de pessoas se manifestando sobre essa homenagem, inclusive de outros estados. Enfatizo que o maior motivo de estar aqui homenageando Alexandre é pelo intuito que ele tem de multiplicação, de multiplicar seus desejos, semear seus desejos em outras pessoas. Quando ele esparrama esse conhecimento com tanto entusiasmo, dedicação, acaba multiplicando no coração das pessoas essa intenção maior.

O fato de ter chegado aqui para ser homenageado leva em conta bastante seu histórico de luta e perseverança e meu desejo é que essa perseverança, essa crença e essa fé continuem cada vez mais. Sei que há muitas dificuldades operacionais, emocionais e legais que, muitas vezes, impedem que nossos desejos fluam de uma maneira mais salutar. Sentimo-nos bem ao vencer essas dificuldades e ver nascer, literalmente germinar, nascer e crescer esses nossos desejos.

Muitas vezes, converso com algumas construtoras, sinto tanto orgulho de uma árvore que planto, que passo e vejo crescendo, imaginem a pessoa que constrói um prédio, uma escola, como deve ser gratificante. Sinto-me tão gratificado com a vegetação, imaginem vocês com os filhos, como é gratificante podermos passar e transmitir conhecimentos, carinho, amor para nossos filhos e nossos filhos hoje são simbolizados por meio das árvores. É uma colheita que é realizada por todos que transitam por aquele espaço. Criamos nossos filhos para o mundo. Melhor exemplo que esse é impossível. Semeando e multiplicando.

Agradeço a oportunidade de estar aqui. Sou um mero ajudante, um mero incentivador a ter esse desejo.

Muito obrigado!


MESTRE DE CERIMÔNIAS - Com a palavra o Sr. Akio Koyama, Presidente da Associação Brasileira dos Imigrantes Japoneses.
O SR. AKIO KOYAMA – Boa noite a todos.

Primeiramente, parabéns, Alexandre, nosso colega. Sou japonês importado, não falo muito bem português. Desculpa a expressão, mas está muito ruim meu vocabulário.

Cheguei ao Brasil aos 28 anos, nunca estudei português, aprendi conversando com pessoas, nesses últimos 10 anos que estamos trabalhando com o Governo do Estado, com a Prefeitura do Município de São Paulo e junto ao Secretário Eduardo Jorge. Há dois anos, realizamos um contrato com a Prefeitura para realização de plantio, no Parque do Carmo, natural da fazenda, em 10 anos, aproximadamente 80 mil árvores, onde estamos criando uma floresta natural.

E dois anos atrás, de repente, recebi uma ligação de uma pessoa chamada Alexandre Chut. Chut! Estranhei. Nome esquisito. Poxa vida! “O que você faz...?”. Não! Ele disse: “Ouvi falar que os senhores estão plantando arvores, tal, tal. Quero ajudar porque estamos trabalhando, fazendo bastante plantio aqui dentro da cidade”. Eu disse: “Poxa vida! O senhor está fazendo isso? Então é a mesma coisa que estamos fazendo. Não temos motivo para recusar ajuda”. Nós o conhecemos. Poxa vida! Nunca vi uma pessoa tão interessada no trabalho, plantando verde no mundo. Nós o chamamos de “louco”, tanto que é louco de verde. Assim, nós o chamamos de “Alexandre louco de verde”.

Nosso grupo tem, mais ou menos, 20, 30 pessoas que estão ajudando hoje Alexandre. Nos últimos 10 anos, estão plantando – não há lugar certo, não dentro da cidade – nos parques, faculdades, Parque Ibirapuera, na USP, Parque Ecológico do Tietê, esses lugares; e, paralelamente, como símbolo da amizade Brasil-Japão, escolhemos duas espécies: uma é a cerejeira, como símbolo do Japão; e o ipê, como símbolo do Brasil. Aqui temos a Beneficência Nipo-Brasileira de São Paulo - Enkyo, na pessoa do Presidente Yoshiharu Kikuchi, que sempre nos ajuda, considerado o homem mais importante da Colônia Japonesa, que sempre se interessou pela questão. Estou gostando do trabalho junto a Alexandre, porque aprendi muita coisa. Sou engenheiro, trabalhei mais de 40 anos na indústria automobilística, mas nunca tive conhecimento sobre plantio de árvores. Mas, nesses dois anos, ele me ensinou muita coisa. Aprendi muito. Temos já 10 anos de experiência, plantando em vários lugares em parceria com o Estado e com o Município. Então, através dessa prática, aprendemos muito, mas ele nos passa muito conhecimento especializado sobre filosofias, técnicas de plantio, coisas que não tínhamos acesso ao conhecimento. Graças a Deus, nesse último ano, estamos plantando no bairro da Liberdade, principalmente as cerejeiras, e já plantamos mais de 250 mudas delas. Perguntam: “Por que plantar cerejeira e ipê no bairro?”. É um símbolo de amizade. Sempre penso: sou imigrante japonês, o povo brasileiro aceitou o imigrante japonês com carinho, honestidade. A meu ver, devemos devolver esse agradecimento ao povo brasileiro. Por isso estou trabalhando nesses últimos 10 anos nessas questões; plantando, tal e tal. E, por outro lado, o descendente do Japonês que veio do Japão cem anos atrás, e que entrou no mato, cortou bastante árvore, hoje está considerado como especialista, colabora, essas coisas todas. Esse respeito que o japonês recebe do Brasil, por causa do desenvolvimento que ajudou e muito no progresso da agricultura, mas atrás disso aí, há bastantes árvores que foram cortadas na época, e nós, como descendentes dos japoneses, da colônia japonesa, achamos que deveríamos devolver aquelas árvores que foram cortadas cem anos atrás para o desenvolvimento da agricultura.

Por esses dois motivos que estou falando bastante para nissei, sansei, descendentes japoneses mais jovens a participarem e ajudarem Alexandre Chut a ter mais verde, não só na cidade de São Paulo, mas por todo o Brasil. Pretendemos continuar, junto com Alexandre, esse trabalho.

Muito obrigado!
MESTRE DE CERIMÔNIAS – Passo a palavra ao Sr. Yoshiharu Kikuchi, Presidente do Enkyo.
O SR. YOSHIHARU KIKUCHI – Boa noite a todos.

Venho da imigração japonesa e não sei falar bem português. Nobre Vereador Floriano Pesaro e autoridades presentes, parabenizo o Sr. Alexandre pelo trabalho e dedicação.

Parabéns, Alexandre! Por meio do plantio de árvores mostrou a beleza da Cidade, e também lava a alma da pessoa que contempla a beleza do verde. Seu trabalho em São Paulo é para o mundo. É um exemplo a ser seguido por todos nós. Se todos trabalharem como Alexandre, tenho certeza de que nossa sociedade será um lugar melhor para todos. Parabéns pelo trabalho. Alexandre, parabéns. Aprenderam muito com tanta dedicação, tanto trabalho, carinho, amor. Esta cidade, São Paulo, cada brasileiro tem de se dedicar para melhorá-la. Está aqui o Vereador também, vamos melhorar São Paulo e o Brasil. Espírito de sentimento, Alexandre, mais do que de samurai. Parabéns e muito obrigado. (Palmas)
MESTRE DE CERIMÔNIAS – Anunciamos as palavras do Sr. Eduardo Panten.
O SR. EDUARDO PANTEN - Boa noite a todos.

Os que me antecederam falaram com muita propriedade. Conheci Alexandre garoto, liderando um grupo de jovens e se envolvendo com eles e eu, paralelamente, trabalhando na Prefeitura. É até um embate que existe entre Poder Público e as iniciativas. Palavras que definem bem Alexandre são obstinação e generosidade. Obstinação porque venceu todas as dificuldades do setor público em que há leis que têm de ser seguidas e a dificuldade, a demora nos procedimentos, faz com que as pessoas o façam de uma forma espontânea, que não tenha as amarras do setor público. Quem está de fora do setor público não entende o que acontece, então, na medida em que a pessoa está lá dentro vai vendo as dificuldades do dia a dia.

Há a necessidade de ter um regramento como que tipo de árvore vamos plantar em tal rua, o planejamento é uma coisa difícil pela descontinuidade administrativa de uma gestão que muda para a outra. Então, todas as questões que eu trabalhei dentro do setor público com Alexandre ele conseguiu vencer. Não só isso, mas a coisa de estar passando para outras pessoas esse amor pelas árvores que se reflete em melhorias ambientais. E houve essa frase que foi dita no filme de as pessoas comprarem terrenos onde há mananciais de água, ou olhos d’água, pequenas nascentes, para preservar para as futuras gerações. A questão da água vai ser um dos dramas do nosso século. Toda a proteção nesse sentido, sobretudo a vegetação, é que vai proteger esses mananciais e a preservação será feita. As árvores, além de todos os benefícios, ainda têm esse dom de garantir a água para as futuras gerações.

Agradeço a todos os presentes e agradeço a iniciativa do nobre Vereador Floriano Pesaro de fazer essa muito justa homenagem a um cidadão paulistano que tem outra formação e decide tirar uma parte do seu dia para doar a todos nós. Como exemplo, vai frutificar mais ainda essa visão de as pessoas amarem a Cidade. (Palmas)



MESTRE DE CERIMÔNIAS – Anunciamos as palavras do Presidente e proponente desta sessão solene, o nobre Vereador Floriano Pesaro.
O SR. PRESIDENTE (Floriano Pesaro - PSDB) – Boa noite a todos.

Inicio cumprimentando Rosa Saposnic, mãe do nosso homenageado, obrigado pela presença e obrigado em nome da Cidade também. Aqui, como Vereador, numa homenagem como essa, eu falo do Poder Legislativo, agradecendo em nome da Cidade. Então, agradeço à senhora por ter contribuído com a nossa Cidade, com o nosso País. Agradeço ao Sr. Akio Ogawa pelo apoio que os japoneses da Liberdade deram ao trabalho de Alexandre. Houve um casamento entre uma expectativa de dar à Liberdade uma característica mais nipônica do que já tem, mais do que as luminárias que tem, mais do que o Hospital Nipo-Brasileiro, mais que os melhores restaurantes japoneses do mundo. Dizem que aqui se come tão bem sushi e sashimi quanto em Tóquio, mas cá é mais barato.

Agradeço muito a Yoshiharu Kikuchi; a José Manuel Gobbi, que é o mentor dessa história toda; a Eduardo, que trabalhou no Depave e que conhece bem as dificuldades da área pública; também agradeço a presença de cada um de vocês nesta noite de quinta-feira.

Alexandre, o que vale aqui é a sua formação moral, a sua formação técnica, humanística e holística de fazer o bem sem ver a quem. Aliás, por trás de tudo isso, há a civilização oriental milenar japonesa, mas há também na nossa civilização ocidental milenar judaica de 5.774 anos, que é o plantio de árvore como um preceito judaico que está entre os principais preceitos do judaísmo: ter filhos, escrever um livro e plantar árvores. Aliás, no judaísmo, nós temos o Dia da Árvore, que é um dia que reverenciamos a árvore, o meio ambiente e a água.

Para nós não é novidade quando falam em sustentabilidade, na importância de plantar uma floresta. Aqui no Brasil, enquanto lamentavelmente destruímos as nossas florestas – e recentemente devem ter visto nos jornais que a devastação na Amazônia, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul aumentou novamente -, em Israel eles constroem florestas. Mas é possível? Sim, com uma fábrica, inclusive.

Lembro-me de um colega médico, no deserto, irrigando. Essa é uma técnica que se chama gotejamento, uma técnica israelense para irrigar gastando pouca água e é muito eficiente. Então, acho que Alexandre faz algo que está na formação intelectual, moral, educacional e religiosa dele e, mais do que isso, ele é um sonhador que faz. Pode ser um samurai também, mas ele é um sonhador que faz. Essa é a diferença.

Para fazer, primeiramente, é preciso sonhar. Se não sonharmos, não vamos fazer. Considero - e Alexandre também, como percebi ao longo dos quatro anos que pudemos conviver juntos –, que sonhar é o primeiro passo para realizar e nada melhor do que gente que sonha e que faz.

Outra característica que eu queria frisar, além da sua formação profissional - acupunturista, psicólogo, medicina chinesa, ciência política, psicoterapia corporais, biodinâmica -, é que ele percebeu que não faz nada sozinho. E daí talvez tenha uma sabedoria milenar mais oriental, se bem que também está, nos nossos preceitos, a história do bambu e acho que tem a ver com o budismo também. Você enverga um bambu, mas você não enverga um conjunto deles. O bambu pode ser uma árvore aparentemente frágil, mas quando vários bambus estão juntos são muito fortes. E Alexandre percebeu isso também, percebeu que, para realizar o sonho, precisava ter sonhadores que dele compartilhassem, e ele conseguiu. Conseguiu fazer com os japoneses, na Liberdade; com os italianos, na Bela Vista, e conseguiu fazer com outros 15 países. O que me chama a atenção é ter percebido que era para fazer junto e era para mudar a cultura do território onde estaria atuando. Essa mudança de cultura é fundamental para a nossa Cidade.

Às vezes, acordamos de manhã e achamos que está tudo errado na nossa vida, na nossa cidade. Mas ele, pacientemente, diz que não vai consertar tudo. E eu, como Vereador, também não tenho essa pretensão, já cheguei à conclusão de que não vou ser um Dom Quixote, mas o que eu puder contribuir para mudar a sociedade e para apoiar aqueles que mudam a sociedade eu vou fazer. Esse é o meu compromisso.

E, quando chamei Alexandre e falei que queríamos homenageá-lo, ele disse que não, porque é humilde - também é a sabedoria milenar nipônica. Ele disse: “Será que eu mereço?”. Eu disse que, se ele não merecesse, quem mereceria, perto do que eu vejo de pessoas sendo homenageadas? Eu disse que ele teria de ser reverenciado por aquilo que já fez e por aquilo que ainda fará. Ele consegue contaminar as pessoas com a semente da transformação. E transforma.

As pessoas não querem árvores na porta da sua casa, essa foi uma resistência. Nos restaurantes da Liberdade, disseram: “Árvore aqui não, árvore dá trabalho, tem de podar, tem de regar, tem de limpar a calçada das folhas”, ou seja, as pessoas não querem árvores. A Prefeitura tem lá seus problemas, a legislação tem seus problemas, que é a questão do corte, da poda que só pode ser feita por um engenheiro agrônomo da Prefeitura sob pena de crime ambiental - o sujeito vai preso e é inafiançável tirar uma árvore, ainda que se tire na calada da noite.

É preciso mudar a cultura. Por isso que ele vai - além de fazer os cartazes, um dos quais, escrito em japonês, está na porta do meu gabinete, pois eu ganhei na Liberdade quando fui lá fazer os primeiros plantios com o Prefeito -, de casa em casa, explicar e, de repente, ele convence as pessoas de que ter árvores na rua é uma maravilha, o antes e o depois, a rua cinza, a rua verde, a sombra, a oxigenação, o respirar.

Então, acho que Alexandre tem contribuído muito na nossa cidade para mudar uma cultura equivocada de que a árvore dá trabalho, que atrapalha a entrada do carro, que atrapalha parar numa vaga na rua e não pode sair porque tem uma árvore. Ora, meu amigo, tira o carro, vai a pé. Aliás, se tudo fosse arborizado, talvez as pessoas andassem mais a pé.

Quero terminar dizendo que a cidade de São Paulo está aqui esta noite para reverenciá-lo, para agradecer-lhe, para dizer que o que você fez pouca gente faz e que a transformação que você já promoveu e ainda vai promover no próximo milhão de árvores – e nós vamos plantar juntos – foi muito significativa e muito importante.

Parabéns e muito obrigado. (Palmas)
MESTRE DE CERIMÔNIAS – Registramos a presença do Sr. Hirofume Ikesaki, Presidente da Associação Cultural e Assistencial da Liberdade.

Neste momento, o nobre Vereador Floriano Pesaro vai entregar a homenagem ao Dr. Alexandre Chut por seus trabalhos relevantes em benefício do meio ambiente e também o plantio de árvores na Cidade de São Paulo e em outros 15 países. Na realidade, serão duas homenagens: a primeira homenagem é uma placa comemorativa ao Sr. Alexandre Chut.


- É feita a entrega da homenagem, sob aplausos.
MESTRE DE CERIMÔNIAS – O nobre Vereador Floriano Pesaro entregará também uma escultura simbolizando o grande sucesso do seu trabalho.
- É feita a entrega da homenagem, sob aplausos.
MESTRE DE CERIMÔNIAS – Agradecemos e, na sequência, ouviremos as palavras da Sra. Vitória, filha do homenageado.
A SRA. VITÓRIA – Boa noite a todos.

Agradeço a todos por sempre terem ajudado meu pai, desde o começo; aos amigos e à família, que sempre acreditaram nele.

Meu pai passou por muitas dificuldades, mas sempre quis ajudar, não só o Brasil, mas outros países também.

Orgulho-me muito por todo trabalho que meu pai faz. Não plantei muitas árvores com ele, mas plantei algumas e estou sempre o ouvindo e tentando participar. Enfim, fico bem orgulhosa e, quando me deparo com uma árvore que eu sei que foi plantada por ele, eu penso: “Foi ele que plantou! Ele está ajudando!”.

Agora que retornei ao Brasil, percebi o quão importante é o seu trabalho porque, realmente, São Paulo não é uma cidade arborizada como são várias cidades europeias, canadenses ou argentinas.

Então, agradeço a todos: aos amigos, à família e àqueles que não puderam comparecer e que sempre ajudaram e incentivaram meu pai.

Muito obrigada. (Aplausos)
MESTRE DE CERIMÔNIAS – Anunciamos as palavras do nosso homenageado, Dr. Alexandre Chut.
O SR. ALEXANDRE CHUT – Muito obrigado, nobre Vereador Floriano Pesaro.

Agradeço aos meus pais, à Fabiana, que faz aniversário hoje; à Vitória; aos meus irmãos; aos meus amigos Iara, Carlos, Fátima, Carmem, Marcelo, à Vivi, minha ex-esposa, enfim, a todas as pessoas que convivem comigo e sabem por todas as dificuldades que passei.

Minha vida sempre foi pautada em muitos desafios. Então, ela sempre foi muito difícil, porque não consigo parar. Estou o tempo inteiro com ações de atendimento. O meu dia a dia é atender como Terapeuta: sou Psicólogo, sou Acupuntor, doutor em Pequim, então o meu atendimento busca excelência o tempo inteiro. Sou Astrólogo, então estou sempre pensando como Astrólogo, Psicólogo, Acupuntor o tempo inteiro.

Ao mesmo tempo, tenho outro lado meu que é político: um político que nunca se envolveu com partido algum, apesar de respeitar vários partidos, mas nunca entrei em nenhum partido. Comecei a ter tantos desafios que eu não imaginava que conseguiria realizá-los. Então, quero passar para vocês, um pouco, o que aconteceu em todo esse período.

Quando Ikesaki apareceu, fiquei muito feliz, porque ele me ouviu, pela primeira vez, na reunião da Associação Cultural da Liberdade, durante três ou quatro horas. Fiquei explicando o meu projeto. Então, Ikesaki disse: “Já tentaram fazer isso. Já tentei fazer isso. Já fizemos e não deu certo”. Aí, eu falei: “Ah, mas eu sou shaolin, não sou samurai”. Hoje, sou coração junto com todos que estão aqui.

Panten, foi meu primeiro companheiro há 26, 27 anos; depois, Gobbi. Panten foi muito importante porque me mostrou a realidade do mundo público. Ele me falava o quanto era difícil realizar coisas, qualquer coisa.

Além dos meus grandes desafios internos, também cresci com vários provérbios, com filosofias de várias culturas. Tenho descendência judaica. Com o tempo, comecei a ter amigos chineses, devido à arte marcial. Também comecei a ter amigos japoneses, italianos e árabes. Toda essa miscelânea me deu noção de outras realidades e consciências. Então, sempre falo que sou um cidadão do mundo, nesse sentido, porque estou aberto a entender o coração de cada pessoa que aparece na minha frente.

Ainda tive a oportunidade de viajar. Fui para Israel e consegui perceber que um deserto poderia ser uma floresta e, aí, tive uma bênção, um gift. Um dia, estava sozinho no campo e fiquei com um cano de irrigação preso. Como eu treinava muito e estava com muita força, pensei: Vou arrebentar esse cano, mas eu puxava e o cano não saía. Então, comecei a escavar a terra. Depois de escavar uns 40, 50 centímetros, comecei a encontrar areia e pensei: É óbvio! Aí, veio tudo junto, ao mesmo tempo, e é isso que eu falo de consciência, de insight. Estou em um deserto, na porta do Neguev, indo em direção ao Egito, em um lugar lindo, maravilhoso, arborizado, com um cheiro de eucalipto no ar o tempo inteiro! Aí eu falei: “É óbvio, isso que é mutirão, isso que é as pessoas se juntarem e fazerem algo junto”.

A partir dali, comecei a observar as ações em Israel, mas não conseguia distinguir se as ações eram do setor público, do setor privado, de um mutirão, de um kibutz. Não tinha noção, não tinha consciência, não tinha maturidade para isso.

Voltei para o Brasil e, um dia, li na Veja um artigo sobre o Memorial da América Latina. Achei ridículo Oscar Niemeyer ter feito tudo de cimento baseado em uma praça, Ágora, onde as pessoas se reúnem para discussão. Pensei: “Ninguém vai discutir lá. Ninguém vai fazer nada disso!”. Não tinha noção que havia começado a entrar em um mundo com uma opinião política!

Escrevi uma carta para a Veja, dizendo que não achava certo, porque a Cidade precisava de árvores e que cada um deveria plantar uma árvore. A partir dali, comecei a ser descoberto. O cara da Veja disse: “Olha, você está na Vejinha e vou te encaminhar para a Veja, mas gostaria de fazer uma matéria, porque você planta árvores”. Respondi: “Acho que temos de nos unir. Temos de arborizar a Cidade. A Cidade é um horror!”.

Reclamava muito e comecei a perceber que não podia reclamar, porque há o provérbio: “O homem comum é exigente com os outros, o homem superior é exigente consigo mesmo”.

Comecei a plantar e, passados dois anos, conheci Eduardo, que me ensinou técnicas. Passados alguns anos, conheci Gobbi, que me ensinou mais técnicas. Eles são os meus mentores, são meus amores nessa parte da arborização. Comecei a formar a pessoa que sou hoje graças a eles.

Enfim, juntando arte marcial, psicologia, judaísmo e ética, comecei a ter uma visão referente a decisões e a posturas de vida. Ficava em dúvida a respeito do que tinha que fazer: entrar para a política ou formar uma ONG. O pessoal da maçonaria começou a me ajudar na formação da ONG Projeto Plant-Ar. Depois de 20 anos, a ONG passou a se chamar Instituto Plant+Ar.

Porém, manter uma ONG, sem o tino comercial, também não é fácil. Não tenho tino comercial, sou terapeuta. Então, tínhamos vários projetos maravilhosos que não consegui realizar com a ONG, mas que consegui realizar, anos depois, com a Prefeitura.

Sempre tive dúvidas a respeito do que era mais importante e, com isso, consegui participar de mudanças de leis municipais, estaduais e federais. Durante um ano, por seis vezes, um programa da Xuxa e o X-Tudo mostraram meu trabalho de plantio de árvores, durante 11, 12 minutos. Foi muito legal. Então, consegui passar a mensagem, mas pensava: “Ainda não está tocando no coração das pessoas”. Nisso, fui chamado por uma pessoa, no Governo Jânio Quadros, para fazer um projeto, onde receberia 40%. Mas, pensei: “Deve haver outra forma”.

Tempos depois, estava em um workshop terapêutico em Piracicaba e, voltando de moto para São Paulo, vi um montão de árvores plantadas na Rodovia dos Bandeirantes, coisa que hoje não mais existe. Parei a moto e perguntei a um cara: “Quem é o cara que está fazendo isso? Esse é o meu sonho! Você sabe quem é?” Ele me respondeu: “Sou eu”. E esse cara era Gobbi! Aí, fiquei sabendo que o Presidente do Banco Real, à época, chamou Gobbi e lhe disse: “Vamos plantar 280 mil árvores na Rodovia dos Bandeirantes”.

Depois de um tempo, veio o Projeto do Trem Bala, que nunca foi implantado, nos Governos Quércia e Fleury, e derrubaram todas as árvores plantadas por Gobbi. Então, comecei a ver o quão difícil é e o quão político é o assunto meio ambiente.

Tentamos. Gobbi continua plantando. Continuo plantando. Não paramos. Pegamos essa causa.

Há alguns anos, fui chamado para um projeto em dois Estados brasileiros. Havia uma lei que abria a possibilidade de, no mínimo, 250 mil reais até 1,5 milhão de reais por Município, para fazer projetos de educação ambiental e arborização de acordo com um projeto de um fulano que eu nunca conheci. Aí falei: “Nossa, que legal! Vou ter a chance de fazer um projeto monstruoso no Brasil e, depois, vou espalhar pelo Brasil inteiro! Vou pegar a Argentina, porque é ridículo como eles estão cortando lá” e tudo mais.

Fui para o Estado, que não vou falar qual foi. Fui para o Estado, me reuni com os prefeitos, só que eles me falaram: “Olha, é o seguinte: é 1/3 para nós e você se vira com 2/3. Ficamos muito chateados – eu e meu grupo – porque vimos que era através de corrupção. Respondemos que não, muito obrigado. Perdi a chance de ganhar muito dinheiro ou ganhei a chance de fazer um trabalho posterior porque fiquei me perguntando: tem de haver outra forma, outro caminho.

Comecei a parar os projetos da ONG e comecei a fazer um mutirão. Foi quando apareceu Eduardo Jorge, que vocês o viram falar no vídeo de início, me viu plantando e ensinei os erros que a Prefeitura estava fazendo em relação aos berços que estavam pequeníssimos. A raiz fica "novelando", fica girando, as árvores caem quando adultas e não têm o tempo do estresse, é redonda, tem de fazer quadrada para que a raiz passe pelo primeiro estresse no início e aí fique forte. Igual a nós quando nascemos num parto, tem de ser difícil. Como a borboleta, tem de ser difícil e depois ela fica forte.

Nisso ele me falou para chamá-lo quando tivesse mais plantio. Chamei mais dois mutirões e depois ele me chamou para uma reunião. Nesse dia, eu estava no estúdio do Marcel, que está aqui, dando uma entrevista muito importante para mim. E aí alguém falou do Grupo C40 das cidades, dos encontros das cidades, como não sabia muito, na hora enrolei. Disse que iria falar com Eduardo Jorge e, quando saí de lá, fui direto falar com o Eduardo Jorge e ele me chamou para ser coordenador da Cidade num determinado lugar, ou de educação ambiental, ou de arborização, ou os dois. E me deu um salário – muito pouquinho -, que iria me atrapalhar, eu já sabia disso, mas vi como uma oportunidade, uma chance de conhecer o mundo público, o outro lado da moeda.

Então aceitei. Eu tinha umas reservas financeiras que desapareceram nesse meio tempo, muitas pessoas me ajudaram porque é preciso fazer muita coisa, trabalhar muito, senão não acontece. Muita gente é contra, as pessoas que têm de plantar não querem plantar, as pessoas que são responsáveis pelos projetos de plantios não plantam e fazem tudo para que não aconteça. Há milhões de reuniões em que não acontece nada. E pensei: vou realizar sozinho porque eu consigo.

Tenho um amigo que me contou a seguinte história: um homem que construiu – não sei onde – um castelo sozinho. Foi fazendo devagarzinho, tijolinho por tijolinho e fez um castelo. Então falei: eu consigo plantar porque não é muito difícil. Sinto-me hoje precisando de ajuda para fazer mais. Sinto que ainda não foi o suficiente, talvez fosse o que Floriano falou: “Mais para frente, vamos comemorar mais árvores”.

Então aceitei o desafio. Comecei com vários bairros e quando a comunidade japonesa me pediu para fazer um plantio de 10 árvores na Rua Fagundes me falaram para dizer que não dava, porque sakura – nome dado em japonês à cerejeira – deixa a pessoa cega, o galho pode cegar. Também porque aqui não é árvore nativa. Aí chegou o meu chefe e disse que eu não ia e que ninguém ia. Comentei com Rose Inojosa – ela não pode vir para cá -, ela era chefe abaixo de Eduardo Jorge, junto com Leda e com Hélio, e ela escreveu: o Alexandre vai e ponto final, porque na Prefeitura é assim, chefe manda no chefe, que manda no chefe, que manda no chefe e o chefe e o chefinho têm de obedecer. E aí o chefinho manda no outro chefe. E um vai mandando no outro e a coisa não acontece.

Quando Rose disse para que eu fosse, argumentou que eu tinha morado no Japão e sabia um pouquinho das culturas orientais. Então fui a uma reunião com sete ou oito pessoas, todos me observando, me dando comida o tempo inteiro, porque o japonês sabe que quem não come até o final do prato não consegue realizar nada. E eu vou comer até o final porque eu realizo tudo o que eu falo. Eu falo e faço. E aí, no finalzinho – eu estava estufado porque não paravam de me dar comida –, falei: “Ao invés de 10 sakuras, vocês me dão 15 ruas, eu planto uma sakura e, se der, eu consigo mais”. Um senhor presente na reunião e que nunca mais eu vi, muito grande, parecia um lutador de sumô, falou: “Fechado”.

A partir dali dei minha palavra. E como sou uma pessoa respeitadora da palavra, como os judeus, chineses, japoneses, e como brasileiro também sou assim, cumpri essa palavra até domingo passado, quando fizemos o último plantio que faltava das sakuras no projeto que criei – Liberdade Verde -, mas o meu chefe não queria. Aí minha colega achou bom, porque íamos sair desse chefe. Ela virou chefe, eu não queria e falei para ela assumir a chefia, porque eu queria realizar o trabalho de educação ambiental e o plantio.

Essa chefe também começou a me proibir quando eu comprava mudas em São Roque ou em Atibaia e trazia. Ela dizia que isso poderia constar como um desvio de verba e falei para ela que estava dando do meu dinheiro, trabalho em consultório, em paralelo, e estou pondo. Ela disse: “Não pode”. Aí falei: "Essa chefe também não está com nada" e comecei a perceber que tinha de pular etapas.

Uma das coisas que pensei em falar aqui - além de ser chamado para corrupção, que cortei; ser chamado para cargos sem conteúdo, de pessoas que não tinham noção nenhuma, que não é o que está acontecendo aqui, estou ao lado de Floriano, com muito respeito -, é que uma das coisas mais legais foi um dia quando um funcionário, que estava fazendo a marcação na Av. Liberdade, falou: "Alexandre, agora passei para o turno da madrugada", e eu disse que iria de madrugada trabalhar. Então me programei, foi um motorista comigo e nisso apareceu um professor de kung fu, nos cumprimentamos e ele disse que queria colocar umas florzinhas e que ficaria bonito.

Lembrei-me da época que plantava e morava em Buenos Aires - fiquei três anos lá -, que poderia criar um bulevar, igual à Avenida Melián, uma das ruas mais lindas que conheço na América do Sul. Adiantei o trabalho, dormi, acordei uma hora depois, fui voando para a Subprefeitura da Sé, tive uma reunião com o Subprefeito e menti. Perguntei a ele: “O senhor falou com o Prefeito Kassab sobre as calçadas verdes ecológicas, de mudar o projeto?”, porque o projeto era cimento puro. Ele falou: “Como assim?”. “Ele falou para você ligar para ele, porque adorou o projeto e era para fazer isso”.

Então comecei a mentir para realizar o projeto de ter áreas permeáveis na Cidade, porque eles estavam cimentando mais ainda. Comecei a ter posturas como na estória da cigarra e da formiga que diz: “O interesse é o principal”. Meu interesse era de ter áreas permeáveis. Então consegui 80 centímetros por extensões muito largas de áreas sem cimento, nós quebramos com aquelas betoneiras, tiramos o cimento, colocamos areia e terra e ficou uma área permeável muito legal. Conseguimos colocar umas 140 árvores de grande porte na avenida e muito bonitas, pau-mulato, pau-brasil e tudo mais.

Comecei a ter muito retorno da comunidade japonesa e isso me fez dar muita ênfase, porque estive também na Santa Cecília, Barra Funda e plantamos lá 5 mil árvores, mais do que na Liberdade, mas com a Prefeitura. E, na Liberdade, eu tive esse espírito do samurai, que é guerreiro e aprecia a flor de uma árvore. E isso nos emociona. Plantamos e ficamos emocionados. Então, esse pessoal que está aqui na Mesa é como Gobbi e Panten, se emocionam quando criam uma área. Quando se fala de ficar emocionado por um prédio, isso é verdade. Conheço engenheiros que fazem isso, mas nos emocionamos por dar a vida de volta, por trazer o verde de volta para a Cidade, que está só escondido.

Tenho muita coisa para contar, mas pensei em falar nisso. São 50 dificuldades e a mais chata que eu tive é que não ganhei – e, pelo que eu soube, Gobbi também tentou em outras linhas -, eu consegui a aprovação do Metrô em obra, com o engenheiro chefe, eu tinha 21 ou 22 anos, mas consegui a aprovação do engenheiro chefe para arborizar a Av. Paulista, porque o teto do metrô, em alguns lugares, até o chão da Paulista, chegava a 17 metros. E ele falava: “Você pode colocar o teu pau-ferro, não há problema nenhum”. E fui à Prefeitura, isso na época de Erundina, e aí falavam: “Você é o burguesinho, o judeu que quer aparecer?”. Na verdade, eu não quero aparecer. Eu quero divulgar.

Agora que a Globo está fazendo o que estamos fazendo há alguns anos, eu vou sair de cena, não preciso mais estar, porque já tem uma coisa mais forte. Passamos o bastão, depois de 27, 28 anos. Chamamos isso de “retorno de saturno”, passamos o bastão para outra frequência. Então a frequência agora é a Globo com o projeto Verdejando, mas, à época, a Secretária do Meio Ambiente mandou uma carta para mim, ainda tenho essa carta, falando que não dava para fazer, naquele momento, a Av. Paulista, mas que o interesse do Partido era fazer na Av. Aricanduva. Aí falei que na Aricanduva eu também plantava, que era maior ainda, são seis ou 10 quilômetros, mas a Av. Paulista iria virar referência.

As sakuras – pouca gente sabe –, todo o projeto da Liberdade, se der certo, porque tem um problema climático, por causa do calor, mas se der certo vai virar uma referência que vai mobilizar, e é uma educação ambiental viva, sem precisar ninguém falar nada, sem aquele esforço de cartaz que eu fiz, de ir falar um por um, durante muito tempo.

Então é isso. São perspectivas que tenho. Acho que ainda falta muita consciência para a população. E acho que a população vai ficar cada vez mais sem consciência. Por mais que haja mobilizações, o Brasil ainda terá muito problema, mas não podemos desistir, nem esmorecer e temos de estar um ajudando o outro. Eu abracei essa causa e abraço outras também, como Rafinha, que, há três ou quatro anos, entrou para a maçonaria, está começando a sentir um pouco o que é um irmão. Não sou da maçonaria, mas assino igual a um maçom, porque sei o que é o espírito do samurai, o espírito de um tzadik, o espírito de um maçom, é de ajudar o irmão, ajudar o outro. E meu dia a dia é esse.

Então se não fosse esse espírito eu não aceitaria de outro irmão o convite de ser homenageado, porque são muitas dificuldades técnicas, políticas, financeiras e pessoais. Minha filha, meu filho - que não está aqui -, minha ex-esposa não tiveram noção de qual é o meu projeto. Pouca gente sabe isso. Eu consegui perceber isso num domingo quando minha ex-esposa falou: “Não, mas você não plantava antes, não é?”. Pensei, agitei tanto antes, fiz tanta coisa antes, é uma coisa que já está. E acho que isso é função de alma, e função de alma temos de respeitar e um ajudar o outro.

Então eu super-respeito e agradeço a homenagem. Vou levar para o coração e espero que isso me fortifique para fazer outros projetos em outras instâncias. Não quero fazer a mesma coisa que estava fazendo. A ONG eu fechei no cartório, falta fechar no CNPJ, e não me vejo no mundo político no dia a dia. Não sei se teria algum caminho - às vezes, até penso, mas não vejo. Mas tenho muita força dentro de mim. Às vezes ouço Senna falando que o sonho dele era muito grande. Eu também sou assim.

Já levei a Fabi duas vezes para Mauá, para conhecer minhas terras. Eu vejo, são áreas muito grandes, eu tenho três rios, tenho 30, 40 cachoeiras, mais de 1,5 milhão de árvores que preservo e ainda acho que é pouco. Essa loucura é muito grande. Fiz esse símbolo na forma de árvore e um chinês - não sei se um japonês também - me falou que o símbolo estava muito pequeno, que era também um símbolo samurai de transmutação, de consciência e, por isso, estava muito pequeno. Então aumentei o símbolo. Tive uma reunião com um designer do Japão, falamos sobre isso e ele deixou a árvore menor e a cabeça do ser humano maior para começar a mudança. E aí conseguimos realmente colocar o projeto para frente.

Na Tomás Gonzaga, por 13 pessoas, com um interesse de 7 milhões, de um projeto que não aconteceu, fizeram um abaixo-assinado com 13 pessoas e conseguiram entrar na rádio para falar mal da Prefeitura, que seria contra os preceitos orientais de feng shui – com os quais trabalho, que sou especialista, nunca faria alguma coisa contra a energia para o comerciante -, e aí comecei a ter o apoio de Akio Ogawa, que foi meu braço direito para que eu não desistisse. Na época, fizeram um projeto falando: “Alexandre quer plantar manga, abacate e jaca na Rua Tomás Gonzaga. Aí Maurício, dono de um restaurante, me ligou e falou: "Alexandre, estão querendo destruir o teu projeto". Pensei: eu vou vencer, se não agora, vou vencer depois. Só que eu não sabia que ia sofrer tanto, porque em determinado momento o Secretário Adjunto falou: “Alexandre, o Projeto Liberdade Verde morreu”.

Depois de seis meses, fui falar com o Secretário Eduardo Jorge e disse que eu precisava voltar, que a ideia estava na minha cabeça e que precisava realizar. Se eu não realizasse, iria ter problema, precisava pôr em prática. Eu dei minha palavra para os líderes da comunidade. Falei com o líder da comunidade – Ikesaki -, responsável por tudo que há na Liberdade, como os festivais, e eu falei na frente dele: “Vou fazer”. Então eu dei minha palavra, por isso respeito o Eduardo Jorge, que entendeu isso e disse que eu poderia continuar. Um dia, Eduardo Jorge falou que sofreu muito com a minha pessoa, quando trabalhei na Prefeitura, porque todo mundo era contra o que eu fazia, porque eu punha em prática e o pessoal não trabalha.

Então hoje tenho reverência: ao Vereador Floriano Pesaro; a Eduardo Jorge, que voltou agora à ativa, na área de Saúde; a Leda Aschermann, de Itapecerica da Serra, que não pôde vir; a Rose Inojosa, que eram os líderes do Governo passado na área do Meio Ambiente e que conseguiram criar muitas coisas - espero que a próxima gestão tente manter as coisas boas que são boas para todo mundo. Sempre tem de fazer algo bom para nós e para o outro. Isso é muito difícil porque existem interesses. A vida é cheia de interesses difusos e precisamos ficar batalhando.

Agradeço muito às mães da minha filha e do meu filho, ou seja, à Cris – que não está presente - e à Vivi, que tiveram paciência comigo; à minha mãe; à Fabi, a todos que estão me ajudando a realizar esse projeto. Também agradeço a todos que compõem a Mesa.

Muito obrigado. (Palmas).
MESTRE DE CERIMÔNIAS – Após a fala do nosso homenageado, temos um vídeo, que será exibido.
- Apresentação audiovisual.
MESTRE DE CERIMÔNIAS – Parabéns, Alexandre. Sua mensagem é maravilhosa.

Para o encerramento desta solenidade, tem a palavra o Sr. Presidente, nobre Vereador Floriano Pesaro.


O SR. FLORIANO PESARO (PSDB) – Muito obrigado. Este evento foi muito emocionante. Alexandre merece. Agradeço aos presentes e vamos juntos continuar esse caminho. Parabéns, Alexandre.

Boa noite. Está encerrada a sessão.








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