Equipe de taquigrafia e revisão sg



Baixar 190.88 Kb.
Encontro06.11.2017
Tamanho190.88 Kb.
#37767




SECRETARIA DE REGISTRO PARLAMENTAR E REVISÃO – SGP.4

EQUIPE DE TAQUIGRAFIA E REVISÃO – SGP.41

NOTAS TAQUIGRÁFICAS

SESSÃO SOLENE : 25SS




DATA: 07/05/2013







O SR. PRESIDENTE (Natalini) – Está aberta a sessão. Sob a proteção de Deus, iniciamos os nossos trabalhos.

A presente sessão solene destina-se à comemoração do Dia de Recordação dos Heróis e Mártires da 2ª Guerra Mundial, nos termos da Lei nº 11.844/95, de 06.07.1995, por iniciativa deste Vereador, que contou com a aprovação unânime dos Srs. Vereadores desta Casa.

Passo a palavra à Mestre de Cerimônias, Sra. Luciana Feldman, para a condução dos trabalhos. (Palmas)
MESTRE DE CERIMÔNIAS – A Câmara Municipal de São Paulo agradece e parabeniza a Sra. Gisele Marques.

Convidamos para seu pronunciamento o Presidente da Sherit Hapleitá do Brasil, o Sr. Ben Abraham, sobrevivente do Holocausto, que dedica a sua vida a mostrar até onde o racismo, a discriminação e a intolerância podem levar o ser humano, lembrando a importância do respeito às diferentes etnias, raças e religiões.


O SR. BEN ABRAHAM – Exmo. Vereador Dr. Gilberto Natalini; Exmo. Sr. General do Exército, Comandante do 2º Exército, Adhemar da Costa Machado Filho, na pessoa de quem cumprimento todos os oficiais do Exército presentes; Exmo. Coronel Datan Munhoz, na pessoa de quem cumprimento todos os presentes da nossa Força Aérea; Exmo. Sr. Ricardo Berkiensztat, considerado como meu filho, Vice-Presidente Executivo da Federação Israelita do Estado de São Paulo; Exmo. Sr. Abraham Goldstein, Presidente da B’nai B’rith do Brasil; minhas senhoras e meus senhores.

Passei cinco anos e meio nos campos de concentração nazista, presenciei as maiores atrocidades já praticadas do homem contra o homem. Vi as chaminés no crematório funcionando de dia e de noite e a fumaça negra jorrando de suas chaminés, senti nas minhas narinas o cheiro da carne queimada. Vi pessoas despidas na frente das câmaras de gás, enforcamentos em massa e fuzilamentos coletivos.

Naquela época, perambulando pelo campo, esfomeado, esfarrapado e alquebrado, jurei a mim que, se caso Deus me permitisse sobreviver à guerra, contaria ao mundo tudo pelo que passei e presenciei e, desta maneira, tentar prevenir a repetição dessas mesmas atrocidades e injustiças.

Ao lado da minha esposa, Miriam, também sobrevivente do nazismo, ministramos palestras e conferências em todo Brasil, de Norte ao Sul, em escolas, universidades e onde somos convidados. Levamos essa tarefa a sério. O único pagamento que exigimos pelo nosso trabalho é que os nossos ouvintes assumam o compromisso de se tornarem mensageiros, para nunca mais permitir que isso se repita em qualquer lugar do mundo.

Saliento que Hitler foi levado ao poder por meio de eleições livres e democráticas, para depois assumir a forma ditatorial.

Cabe a todos, inclusive aos presentes, serem nossos mensageiros para transmitir essa mensagem onde houver regime totalitário e inescrupuloso, como foi o de Hitler, é uma forma de governo que pode conduzir o mundo ao caos, inclusive sua própria nação.

Vivemos no Brasil, um país democrático, onde não há diferença por causa de raça, procedência e cor. Somos todos homens livres.

Passamos por mais de 80 países como jornalistas, mas um país como o Brasil não existe no mundo inteiro. O brasileiro tem natureza boa. Experimente num país estrangeiro esbarrar em alguém, como por exemplo, a Alemanha, França, Inglaterra. Certamente você receberá xingamentos sem fim. Aqui no Brasil se recebe em troca uma palmadinha nas costas dizendo: “Não foi nada.”, isso é Brasil.

Nós, judeus, estamos vivendo a mais bela época durante toda a história do nosso povo, ou seja, nos últimos dois mil anos, quando fomos expulsos na nossa pátria Israel. Vivemos a mais bela época quando voltamos as nossas raízes, ao nosso lar.

Voltando ao Holocausto, muitas vezes fomos acusados de covardia, pois deixamos que nos conduzissem à morte, sem qualquer reação. Podemos falar agora o quanto sofremos de fome e de privações. Éramos um povo transformado em animais irracionais, mas assim nos levantamos, em 1942, nos guetos - falo dos guetos, porque dentre os muitos que havia, não sobrou ninguém para contar, mas o de Varsóvia entrou para a história do heroísmo do povo judeu. Sabiam que ninguém sobreviveria, nem venceria a guerra contra os alemães. Mas eles lutaram para salvar a honra e a dignidade do povo judeu, finalmente conseguiram. Lá nas ruas do gueto de Varsóvia foi erguida uma força indestrutível, que é o futuro Estado de Israel.

Nós, judeus, morando no Brasil somos fiéis à pátria que nos acolheu. Somos cidadãos iguais a todos os outros, mas a nossa pátria espiritual, a querida Israel, sempre ficará em nossos corações.

Obrigado a todos. (Palmas)


MESTRE DE CERIMÔNIAS – Agradecemos a presença da Sra. Marilza de Carvalho, diretora do Instituto Cultural Israelita Brasileiro.

Para seu pronunciamento convidamos o Sr. Abraham Goldstein, Presidente da B’nai B’rith do Brasil.


O SR. ABRAHAM GOLDSTEIN – Boa noite a todos.

Exmo. Sr. Presidente e proponente desta histórica e tradicional sessão da Câmara Legislativa de São Paulo, amigo e nobre Vereador Dr. Gilberto Natalini; caros eternos amigos, Sr. Ben Abraham, Presidente da Shenit Hapleitá do Brasil, e sua esposa, Miriam, incansáveis batalhadores pela lembrança do Holocausto, fico feliz em ver aqui conosco queridos amigos como Nanette, John, Cohen, também sobreviventes do Holocausto. A Nanette com uma singularidade muito especial, como foi apresentada há pouco.

Cumprimento também o caro General do Exército Adhemar da Costa Machado Filho, Comandante Militar do Sudeste; prezado Vereador Coronel Telhada, Vice-Presidente da Associação dos Ex-Combatentes do Brasil, da Força Expedicionária Brasileira; caro Amigo, Ricardo Berkiensztat, Vice-Presidente Executivo da Federação Israelita do Estado de São Paulo; querido amigo Jaime Gawendo, jovem participante da Mesa nesta oportunidade, do Fórum 18, da B’nai B’rith, na pessoa de quem agradeço a presença de todos, principalmente de vocês, alunos, da professora, nesta sessão da Câmara dos Vereadores da cidade de São Paulo, tradicional evento, para a eterna lembrança dos Mártires e Heróis da Segunda Grande Guerra Mundial e das Vítimas do Holocausto.

Hoje, 07 de maio de 2013, dia 27 do mês de lyar, do ano de 5.773, do Calendário Judaico. Esta data tem um enorme simbolismo e importância para a história da humanidade, pois no dia seguinte, 8 de maio, portanto amanhã, estaremos celebrando o evento ocorrido em 8 de maio de 1945, o famoso V-E Day, o Dia da Vitória sobre a Europa. O dia da vitória dos aliados sobre o exército nazifascista que arrastou a Europa para um banho de sangue inimaginável, com a morte de 50 milhões de seres humanos.

Dentre deles, um conjunto de cidadãos europeus, inclusive do norte da África, foi conduzido para a morte sistemática, fria e calculista, movendo enormes recursos militares e logísticos, apenas porque o regime nazista determinava a necessidade da existência de uma raça pura. Uma raça que deveria superar todas as demais.

Este episódio, de grande impacto para a consciência humana, levou à morte de seis milhões de judeus, centenas de milhares de Testemunhas de Jeová, centenas de ciganos, homossexuais, negros, comunistas, políticos indesejáveis e até alguns poucos cidadãos alemães que tiveram a coragem de se expor contra o regime nazista. É esse triste momento, assim como o seu legado para a humanidade, que lembramos nesta noite. Lembramos o Holocausto.

O Brasil, nosso maravilhoso país, apesar de um início titubeante, numa questionável neutralidade, decidiu declarar, em 22 de agosto de 1942, o estado de guerra contra a Alemanha nazista e a Itália fascista.

Em 2 de julho de 1944, engajou-se militarmente no conflito, mandando para o front, sob o comando do general João Batista Mascarenhas de Morais, com destino a Nápoles, os primeiros soldados e equipamentos brasileiros.

Apesar das diferenças existentes, as Forças Armadas brasileiras contribuíram e muito para o sucesso das Forças Aliadas na Itália, combatendo as forças experientes e bem equipadas do Eixo. Agiram bravamente, demonstraram a tenacidade e vontade de lutar pela liberdade, pelo direito humano de ser feliz, livre e democrático.

A todos os membros da Força Expedicionária Brasileira o nosso muito obrigado. O vosso sacrifício e esforço serão sempre lembrados e honrados por todos nós, brasileiros de todas as diversidades, etnias e religiões que compõem a nossa grande sociedade.

Derrotamos nesse episódio um exército que representava uma forma diferente de ver o mundo e quase o levou à destruição, exigindo um esforço colossal dos que acreditavam na liberdade, na felicidade e na democracia. Mas não foram derrotados de forma completa e definitiva alguns dos ideais que os nazifascistas apregoavam. Ainda não conseguimos educar todos os nossos filhos a não caírem na tentação da propaganda da raça superior, da raça melhor, da ação justificada por um modelo de discriminação sistemática.

Convivemos ainda com pessoas e grupos que se organizam, aproveitando-se dos espaços naturais da democracia, na sua tolerância e diálogo, para agirem. Acompanhamos casos de agressões aos homossexuais, nordestinos, negros e pessoas pobres moradoras de rua, que são covardemente atacados em momentos de desatenção.

Precisamos ficar atentos, nos portar dentro dos limites da lei, apoiar quem tem a responsabilidade de entrar em ação, mas, principalmente, evitar que os atos de agressão sejam realizados. Temos de atuar com inteligência, informação e organização para antecipar a possibilidade do mal. No entanto, nada é mais eficiente e sadio para uma sociedade do que o reconhecimento do risco de ideais discriminatórias.

Por essa razão, 60 anos depois do final da Segunda Grande Guerra, em 2005, a Assembleia Geral da ONU declarou o dia 27 de janeiro, como a data da libertação do maior campo de concentração Auschwitz-Birkenau, pelas forças russas, parte dos exércitos aliados, assim como a data de lembrança das Vítimas do Holocausto. Ainda recomenda a todas as nações que eduquem os seus cidadãos, seus filhos a reconhecer essa tragédia e que seu legado seja em favor de uma sociedade de paz.

Assim, reconhecem as Nações - o Brasil é signatário de primeira fila - a necessidade constante de a sociedade ser educada, preparada e apoiada no reconhecimento do valor dos Direitos Humanos, da convivência na pluralidade de uma sociedade, do amor sincero pela democracia, cidadania e paz.

E a B’nai B’rith, entidade com 80 anos no Brasil e 170 anos de fundação, não poderia estar indiferente a essa decisão. Aliás, foi numa iniciativa apoiada de primeiro momento, pelo nosso amigo, Presidente desta sessão solene, o Vereador Gilberto Natalini, que iniciamos, em 2002 - portanto três anos antes da decisão da ONU -, com a Sherit Hapleitá e a B’nai B’rith, um projeto sobre o tema dos Mártires da Segunda Guerra Mundial e das Vítimas do Holocausto.

Essa ideia cresceu e a atividade evoluiu. Em parceria com o Laboratório de Estudos da Etnicidade e Racismo da USP e o apoio da Secretaria Municipal da Educação de São Paulo, o Programa Educacional de Ensino do Holocausto em Defesa da Democracia e Cidadania evoluiu a ponto de levar cerca de 1.200 participantes, no Memorial da América Latina, em 2012, para a jornada destinada aos educadores das escolas paulistanas. Envolvemos também nesse programa outras cidades, como Rio de Janeiro, Niterói, Curitiba, Brasília e Porto Alegre.

Como antecipei no ano passado, criamos, em 6 de dezembro de 2012, o Instituto Shoah de Direitos Humanos. É um departamento da B’nai B’rith que, em a parceria do Laboratório de Estudos da Etnicidade e Racismo da USP, tendo o Holocausto como referência histórica, está voltado à missão de pesquisar, promover e educar sobre os perigos do racismo, da xenofobia e do negacionismo.

Neste ano realizaremos a nossa Jornada Paulistana no próximo dia 27 de julho, no Memorial da América Latina, sob o tema: Holocausto, Direito à Verdade, Direito à Memória.

Contamos, como sempre, com o apoio da Secretaria Municipal da Educação e certamente de todos os presentes, os educadores e os membros desta honrosa Casa, a Câmara dos Vereadores de São Paulo.

Shalom. (Palmas)

MESTRE DE CERIMÔNIAS – Convidamos os nossos amigos Ben Abraham e Miriam para a cerimônia de acendimento das seis velas, em memória dos seis milhões de judeus mortos na Segunda Guerra Mundial. Este é sem dúvida um dos momentos mais especiais da nossa cerimônia e pedimos a todos que permaneçam em silêncio e que não se batam palmas.

Cada vela será acesa por sobreviventes do Holocausto e por alunos da EMEF Joaquim Nabuco. Pedimos quer permaneçam ao lado do candelabro após acenderem a vela.

Convidamos para acender a primeira vela as Sras. Hanna Jurika, Rosa Brenner e o aluno João Vitor Borges da Silva.

- Realiza-se o de acendimento da primeira vela.



MESTRE DE CERIMÔNIAS – Convidamos para acender a segunda vela o Sr. Abraham Fligelman e a jovem Luana Keila Pereira da Silva Alves.

- Realiza-se o de acendimento da segunda vela.



MESTRE DE CERIMÔNIAS – Convidamos para acender a terceira vela o Sr. Moishe Shutman e o Sr. Gabriel Desidério Varcomi e a jovem Ágata Caroleine Bergonzini.

- Realiza-se o de acendimento da terceira vela.



MESTRE DE CERIMÔNIAS – Convidamos para acender quarta vela a Sra. Nanette Konig e a jovem Vitória Oliveira Jade Oliveira Soares de Alencar.

- Realiza-se o de acendimento da quarta vela.



MESTRE DE CERIMÔNIAS – Convidamos para acender a quinta vela a Sra. Clara Kilmanovitch e o Sr. Leon Ferenstein e o aluno Vitor Alves de Oliveira.

- Realiza-se o de acendimento da quinta vela.



MESTRE DE CERIMÔNIAS – Convidamos o General do Exército Sr. Adhemar da Costa Machado Filho, o Coronel Zavatti e o Coronel Telhada para acender a vela em memória aos Expedicionários da FEB e de todos os que morreram nos campos de batalha na Itália, lutando contra o nazifascismo.

- Realiza-se o de acendimento da sexta vela.



MESTRE DE CERIMÔNIAS – Convidamos o chazan David Leo Eisencraft para reza El Male Rachamin e depois o Kadish dos Enlutados em memória das vítimas do Holocausto. É uma prece que acima de tudo glorifica a Deus e a vida. Pedimos a todos que fiquem de pé e permaneçam em silêncio.

- Entoa-se o cântico da reza.



O SR. DAVID LEO EISENCRAFT – Oh! Deus cheio de misericórdias que habitas nas alturas proporciona um repouso adequado, sob as asas da divina presença, nos níveis santificados e puros que brilham como o esplendor do firmamento, para as almas de todos os ilustres que partiram, dos seis milhões de judeus, vítimas do Holocausto na Europa, assassinados, sacrificados, queimados e mortos pela santificação de teu nome, pelos assassinos nazistas.

Porquanto esta comunidade ora pela ascensão das suas almas, assim como pela alma de todas as vítimas, heróis e mártires da barbárie nazista.

Amparas, ó Mestre da misericórdia, no abrigo das suas asas para a eternidade e faça com que as suas almas participem da vida eterna, que o seu repouso seja no Jardim do Éden, o eterno, seu legado e que repousem em paz em suas sepulturas.

E digamos: amém.

- Oração pronunciada em idioma estrangeiro.

O SR. DAVID LEO EISENCRAFT - Eu queria ler um pedacinho de um Salmo, só para a gente pensar nas coisas boas. Salmo 121, através deste Salmo a gente reafirma a nossa fé em Deus e a nossa convicção de que é possível melhorar o mundo em que vivemos, por meio de nossas atitudes e ações. E assim, transformar esse mundo em uma terra digna da harmonia divina.

- Salmo pronunciado em língua estrangeira



O SR. DAVID LEO EISENCRAFT – Um cântico para ascensão: “Ergo os olhos para o alto: de onde virá o meu auxílio? O meu socorro vem do Eterno, o Criador dos Céus e da Terra. Ele não permitirá que resvale o teu pé, pois jamais se omite aquele que te guarda. O guardião de Israel jamais descuida, jamais dorme. Deus é a proteção como a sombra, te acompanha à tua destra. De dia não te molestará o sol, nem sofrearás de noite com o brilho da lua. O Eterno te guarda de todo mal. Ele preservará a tua alma. Estará sob sua proteção ao saíres e ao voltares, desde agora e para todo o sempre.” (Palmas)

MESTRE DE CERIMÔNIAS – Muito obrigada ao chazan David Leo.

Convidamos para seu pronunciamento o General de Exército Sr. Adhemar da Costa Machado Filho.



O SR. ADHEMAR DA COSTA MACHADO FILHO – Vou retornar hoje para minha casa bem melhor do que quando cheguei aqui. Uma cerimônia como esta é extremamente densa para qualquer pessoa do bem. E nós somos do bem. Eu trouxe uma representação do quartel, para testemunharem este momento.

Tem sido especial desde a magnífica Gisele que, com sua arte cênica, nos deixou uma mensagem marcante. Li esse diário, conheço a história desde garoto. São especiais as palavras das pessoas que passaram por aqui, com ênfase ao Sr. Ben Abraham que fez uma belíssima referência ao nosso país.

Este país é especial, pena que o brasileiro não saiba disso. Um país que não estuda e não se interessa pelo seu passado não entende o presente e não sabe projetar o futuro.

Fico satisfeito ao ver a juventude sentada aqui, porque esta mensagem precisa ser levada a eles. É para a criança que devemos passar esses valores, pois eles forjam uma nação.

Esta semana está sendo extremamente especial para mim. Ontem a Assembleia Legislativa, por iniciativa de um Deputado e do nosso Vereador Telhada, prestou uma belíssima homenagem aos heróis brasileiros que estiveram na Força Expedicionária Brasileira.

Fico triste quando me conscientizo que a nação brasileira de hoje não conhece o feito desses 25 mil irmãos brasileiros que, em 1944, atravessaram o Atlântico e se aliaram às forças que combateram o mal.

Os senhores imaginam o que era o Brasil em 1944? Como era o brasileiro daquela época? Eles foram e cresceram naquela missão. O brasileiro deixou um rastro belíssimo na Itália, com sentido humano. Cumpriram a missão bélica que lhes foi incumbida, mas ganharam a simpatia do povo italiano. Desfrutamos, até hoje, da afeição do povo italiano pela tropa brasileira. Hoje, desconhecemos os detalhes, que o Exército, a Marinha e a Aeronáutica cultuam porque sabem da importância que isso representa para um povo.

Ontem, houve a homenagem que o Vereador Coronel Telhada muito bem conduziu. Hoje, estou participando desta belíssima cerimônia, com as referências feitas ao nosso Brasil e ao nosso pracinha que combateu na Força Expedicionária Brasileira.

Amanhã, dia 8, faremos a homenagem no meu quartel do Dia da Vitória. Os senhores estão todos convidados, às 10h30min, no Quartel General do Ibirapuera, estaremos fazendo uma cerimônia tão densa, tão forte quanto esta.

Hoje, se eu conseguir reunir uns 13 pracinhas, Gisele, acendo uma vela, porque esta geração está indo e nós estamos perdendo.

Cumprimento Vereador Natalini pela iniciativa. Gostei de ter participado. No ano passado neste dia eu estava ausente de São Paulo, fui a uma reunião em Brasília. Quase que neste ano não pude vir pelo mesmo motivo. Felizmente, adiaram o encontro em Brasília, seria nesta semana, transferiram para a semana que vem. Falei aos meus oficiais que queria estar aqui.

Toda vez que os nossos integrantes da Força Expedicionária Brasileira forem homenageados estejam certos que, enquanto eu tiver saúde, estarei presente.

Cumprimento todos por este sentido de solidariedade, de reflexão e principalmente de agradecimento pela terra que temos. Nós, irmãos brasileiros, mesmo os que vieram de fora, temos um compromisso com este país e o Exército, a Marinha e a Aeronáutica têm como sagrado esse compromisso.

Tenho 44 anos de vida militar, o meu compromisso é com a sociedade e com a nação brasileira. Eu o levarei até o final, mesmo que haja irmãos brasileiros que não entendam o importante papel que o Exército faz neste país. Insubstituível. Mas nós temos consciência da nossa importância.

Muito obrigado. Agradeço a oportunidade que o Vereador me proporcionou de testemunhar este momento. Como falei, vou sair muito feliz, melhor de que quando entrei.

Parabéns a todos. Obrigado. (Palmas)



MESTRE DE CERIMÔNIAS – Convidamos para seu pronunciamento o Vereador Coronel Telhada.

O SR. CORONEL TELHADA – Boa noite a todos. Cumprimento, em primeiro lugar, o nosso Presidente, Vereador Gilberto Natalini, a quem parabenizo por esta solenidade. O Vereador Natalini é antigo na Casa, Vereador com quem tenho aprendido muito, tendo em vista ser este o meu primeiro mandato. É um brasileiro que vibra com a nossa história, um homem que luta pela população. Muito obrigado, Natalini, parabéns pela solenidade. Cumprimento também o General do Exército Adhemar da Costa Machado Filho, Comandante Militar Sudeste, em nome de quem saúdo todos os militares presentes. Cumprimento o Sr. Ben Abraham, que conhecia muito de nome, é um prazer estar com o senhor pessoalmente, em nome de quem saúdo todas as autoridades e civis presentes.

Sou Coronel da Polícia Militar aposentado, estou Vereador hoje nesta Casa, no meu primeiro mandato, também sempre fui curioso da história da Segunda Guerra Mundial, trabalhei nas pesquisas e hoje tenho a missão de ser o Vice-Presidente da Associação dos Veteranos da Força Expedicionária Brasileira.

Com certeza não sou veterano, não tinha nem nascido naquela época, nasci em 1961, tenho 51 anos de idade. Mas como o próprio General falou, hoje, o mais novinho deles, está com 89 anos. Infelizmente, não temos o pessoal aqui, até por problema de idade, de condução, eles não têm como se locomover. O Presidente João Albuquerque também não pode vir, é uma pessoa muito distinta, sargento da FEB. Pediu-me para representa-lo.

É motivo de grande orgulho conhecer todos os senhores e senhoras, principalmente os sobreviventes do Holocausto, que têm o nosso respeito pela história, devido ao que passaram, pelas atrocidades que sofreram, como a Gisele demonstrou aqui, uma pequena amostra do que foi o sofrimento do povo judeu, na Segunda Guerra Mundial. O mundo todo sofreu, mas em especial o povo judeu.

Como o próprio Sr. Ben Abraham falou, hoje nós brasileiros mais jovens temos a obrigação de não deixar que isso se repita. Como militar que sou, apesar de aposentado, hoje político, farei o possível para evitar qualquer tipo de atrocidade, de preconceito, ou desconsideração para qualquer cidadão, porque essa é a nossa missão. É para isso que estamos aqui.

Tive a oportunidade de viajar para fora do Brasil, conheci o campo de Auchwitz e vi o absurdo que foi aquilo. Hoje conhecemos uma realidade – quem esteve lá foi totalmente diferente. Estivemos e Varsóvia, procuramos o gueto, mas não existe mais, nem sinal, toda Varsóvia foi reconstruída. Passei na Rua Mila 18, onde pudemos ter uma noção de onde era o local e sabemos que, infelizmente, há pessoas que não acreditam nisso. Há pessoas que duvidam.

O ser humano comete atrocidades, mas sempre vem alguém procurando justificar tais atrocidades, querendo explicar o mal. Nós, pessoas de bem, como o General falou, sabemos que o mal só pode ser combatido de um jeito, de frente e com coragem. A melhor maneira de combatê-lo é não esquecer o que ele fez para a sociedade, continuar relembrando essa história para que as próximas gerações saibam dos fatos e não deixem acontecer novamente.

Como foi dito pelos meus antecessores, o Brasil mandou 25 mil homens para a Itália, lutar contra o nazifascismo. Para aqueles que não sabem, de toda a América Latina só dois países participaram ativamente da 2ª Guerra Mundial: o Brasil mandou um contingente de 25 mil homens, mais a Força Aérea Brasileira, com o primeiro grupo de aviação de caça e o México, que mandou também um grupo de aviação de caça que combateu com os americanos no Pacífico, contra os japoneses. A única nação da América Latina que mandou efetivo de homens para campos de batalha no exterior foi o Brasil.

Temos a honra de falar para todo mundo que estivemos lá, participamos, e o nosso Brasil deu a sua contribuição. Muito pequena, comparada com outros países, mas participamos.

Antes da declaração de guerra vários navios foram afundados, praticamente mil brasileiros morreram nas águas dos oceanos de todo mundo. Na guerra, 458 brasileiros foram mortos em confronto. Não derramaram seu sangue em vão, ficaram sepultados em Pistoia, posteriormente foram trazidos para um mausoléu no Rio de Janeiro, em Botafogo, mas não foram e nem devem ser esquecidos.

O brasileiro tem um ponto muito fraco, ele não preserva a sua história, não cultua os seus heróis. Infelizmente é um povo que tem pouca idade, são apenas 500 anos de história, comparado ao povo judeu que tem milhares de anos na sua cultura, o povo brasileiro é muito novo. Temos muito a aprender. Nós vamos aprender, com o tempo vamos aprender.

Uma das coisas que queremos deixar para os mais jovens é o culto aos nossos verdadeiros heróis, aos homens que estiveram lá, se sacrificaram, saíram do interior de São Paulo, do Nordeste. Esses homens atravessaram o mar dentro de um bojo de navio de guerra. Ficaram 16 dias praticamente trancados no navio. Nunca tinham sequer visto o mar antes, imaginem a situação. Chegaram à Europa, local que não conheciam devido à cultura da época. Saíram do interior do Nordeste brasileiro e caíram num inverno com 18 graus negativos. Encontraram neve, tiro, buraco, fome, tristeza. O nosso homem enfrentou tudo isso e voltou vencedor, deu o sinal da raça brasileira, do homem brasileiro na Europa. Isso não deve ser esquecido.

Amanhã se comemora o Dia da Vitória, não poderíamos deixar de cultuar os nossos heróis, irmãos brasileiros que lá estiveram e os que voltaram. Hoje, muitas vezes, passam do lado de um jovem que vê aquela pessoa idosa e pensa por que o velhinho está com a boina na cabeça, o que ele fez? Nem imagina que aquele homem, hoje arrastando os pés, de cabelos brancos, mal tendo forças para subir uma escada, aquele homem foi um jovem que, com 20-21 anos, esteve no campo de combate, subiu e desceu montanhas, escalou inúmeros montes, fez buracos, onde ele esteve dentro da neve, lutando contra os alemães, dando o melhor de si e muitos deixaram lá a sua vida.

Esses velhinhos que aqui estão hoje - temos vários sobreviventes aqui -, que só Deus e eles sabem o que passaram, merecem todo respeito e gratidão.

Se o mundo está melhor, apesar de todos os problemas, se há mais liberdade, nós mais jovens devemos isso aos senhores e às senhoras, devemos a todos os heróis do mundo que, com 20, 22, 23 anos, aquela geração que deu sua vida à guerra, saíram do seu país e deram seu sangue em terra estrangeira.

Muitos voltaram com vários problemas, outros ficaram, mas essa geração tem de ser cultuada e não pode jamais ser esquecida. Tenham certeza de que, quando os senhores partirem, aqui estaremos lutando e cultuando a sua história.

Esperamos e vamos trabalhar para que, quando partirmos, aqueles que ficarem também sigam esse exemplo e mostrem para o mundo que um dia a sua geração encarou o mal de frente, assim como o nazismo, o fascismo e todo tipo de totalitarismo. Nenhum regime totalitário é bem-vindo nos dias atuais e vocês encararam isso de frente, sobreviveram, lutaram e venceram.

Vocês são um exemplo para todos nós. Deus os abençoe. Parabéns a todos. Shalon. (Palmas)



MESTRE DE CERIMÔNIAS – Convidamos o coral da EMEF Joaquim Nabuco para uma apresentação musical. A coordenação do coral é da Professora Maria Ruth.

A SRA. MARIA RUTH - Boa noite a todos, depois que conheci o Sr. Ben Abraham, sua esposa D. Miriam e a sobrevivente D. Rita Abrahão algo realmente me tocou. Falei que não posso ignorar a história. Antes, eu preferia não lembrar ou tratar como algo que aconteceu, muito ruim e que deveria ser esquecido. Obrigada, aprendi que não, que a gente tem de realmente conhecer o passado para poder mudar o futuro.

Há muitos alunos novos que não poderão participar do concurso de redação neste ano, por estarem na sexta série. Como vou me aposentar do cargo de português no ano que vem, escolhi esta turma que está aprendendo, para que possam, eles mesmos, dar sequência com a nova professora que terão no ano que vem.

Vamos apresentar duas músicas em iídiche.

- Apresentação musical.



MESTRE DE CERIMÔNIAS – Convidamos para seu pronunciamento o jovem Jaime Gawendo.

O SR. JAIME GAWENDO - Excelentíssimo Sr. Presidente desta honrosa sessão, Vereador Gilberto Natalini, na pessoa de quem já aproveito para cumprimentar as demais autoridades presentes neste plenário; Sr. Ben Abraham, Presidente da Sherit Hapleitá do Brasil, na pessoa de quem cumprimento os demais sobreviventes do Holocausto que aqui se encontram presentes; Sr. Abraham Goldstein, Presidente da B’nai B’rith do Brasil; Sr. General Adhemar da Costa Machado Filho - General de Exército do Comando Militar do Sudeste, e demais autoridades militares; Coronel Ubirajara Zavatti Martins, na pessoa de quem saúdo e cumprimento todos os membros da Força Aérea; Coronel Telhada, Vice-Presidente da Associação dos Ex-Combatentes do Brasil, FEB - Força Expedicionária Brasileira; Sr. Ricardo Berkiensztat, Vice-Presidente Executivo da Federação Israelita do Estado de São Paulo; convidados, boa noite a todos.

É com imensa satisfação que tenho hoje a oportunidade de representar o Grupo Fórum 18, nesta memorável sessão. Para aqueles que ainda não conhecem, o Fórum l8, é uma entidade criada por iniciativa da B’nai B’rith que visa aproximar e dar suporte necessário aos jovens universitários para que possam estudar e debater fora das salas de aulas de suas universidades as questões relacionadas aos conflitos internacionais.

Em primeiro lugar, sinto-me honrado em estar aqui ao lado de verdadeiros heróis de nosso país. Sem os bravos soldados e oficiais que integraram a Força Expedicionária Brasileira, durante a 2ª Guerra Mundial, certamente a história teria sido diferente. Soldados mais jovens do que eu, mesmo assim tiveram de tomar difíceis decisões em território inimigo, colocando a suas vidas em xeque, na luta pelo fim do terror que a guerra causava.

Os mais de 25 mil homens que embarcaram com destino a uma Europa caótica naquele obscuro agosto de 1944, serão para sempre mártires de nossa pátria e heróis de todos aqueles que de alguma forma se opõem as violações de direitos.

Sabemos que não é missão fácil vigiar e proteger os mais de 15 mil quilômetros de fronteira de nosso território, mas tenham certeza de que essa tarefa está entregue aos mais capazes: a Marinha do Brasil, o Exército Brasileiro e a Força Aérea Brasileira.

Saúdo todos aqueles que lutaram e que lutam pela intolerância e ao desrespeito pelas diferenças.

No entanto, não poderia finalizar estas breves palavras sem antes prestar a justa homenagem a todos aqueles cujas vidas foram tão precocemente ceifadas pelo Holocausto.

Por mais que queira, não me atrevo a saudá-los individualmente nesta noite, pois se me furtasse a cumprimentar alguém, estarei cometendo um enorme pecado para comigo mesmo.

Desta forma, em nome do Sr. Ben Abraham, Presidente da Sherit Hapleitá, agradeço, representando o Fórum 18, por nunca terem desistido de lutar, por não terem desistido de viver para ver o dia seguinte, por não terem desistido de sua fé e, principalmente, por não terem desistido de vossas vidas.

Os senhores são exemplos a todos nós da comunidade. Portanto, aproveito esta ocasião, tendo os presentes como testemunhas, para lhes fazer um pedido pessoal: por favor, não parem de transmitir os horrores que os senhores foram submetidos durante a Guerra. Seja por narrativa, livros ou ainda pelos extraordinários projetos com as escolas que a sua instituição mantém, pois o legado destinado aos senhores é maior do que aparenta ser. Os depoimentos são dados, fazendo deles fiéis protetores e guardiões das Vítimas do Holocausto.

Holocausto nunca mais!

Shalom Leitraot.(Palmas)



MESTRE DE CERIMÔNIAS – Convidamos para seu pronunciamento o Sr. Ricardo Berkiensztat.

O SR. RICARDO BERKIENSZTAT – Meu amigo e irmão Gilberto Natalini, Vereador proponente desta sessão; General do Exército Sr. Adhemar Machado da Costa Filho, Comandante Militar do Sudeste; Coronel Zavatti, a quem tive o prazer de conhecer e ter ao meu lado; Coronel Telhada, Vereador e Vice-Presidente da Associação dos Ex-Combatentes da FEB; Sr. Abraham Goldstein, Presidente da B’nai B’rith do Brasil; meu professor Ben Abraham, professor de tantas lições, junto com a D. Miriam. Como é bom partilhar desta privacidade com vocês, como é bom estar com vocês e como é uma lição para nós jovens ouvirmos vocês falarem; Jaime, colega, senhoras e senhores.

É tão importante o que o Coronel Telhada falou sobre a memória, sobre conhecer a história. Por exemplo, estamos hoje aqui com a Escola EMEF, que leva o nome de Joaquim Nabuco, que foi um grande brasileiro. Provavelmente, como vocês estudam lá, devem conhecer um pouco da vida dele. Mas boa parte dos brasileiros não lembra quem ele foi. Não sabem que ele nasceu de uma família escravocrata, mas que foi contra a família e defendeu os escravos. Joaquim Nabuco foi um grande homem neste país.

Assim como grandes homens, consideramos grandes os que lutam contra a discriminação, a intolerância, o racismo. Não podemos mais permitir, no Século XXI, que homossexuais apanhem na Av. Paulista, porque é como se cada um de nós estivéssemos apanhando no seu lugar. Quando um negro apanha ou é discriminado, todos nós somos discriminados. Sabemos como começa a história, jamais como termina.

Tem uma historinha muito tradicional que diz que uma pessoa morava no campo e veio a polícia, ou vieram os criminosos, e prenderam os socialistas; mas eu não me preocupei, eu não era socialista. Depois vieram e prenderam os sindicalistas; eu também não era sindicalista. Depois prenderam os negros; mas eu também não era negro, não me preocupei. Quando vieram prender a mim, não tinha mais ninguém para lutar por mim.

Penso que esse é o nosso papel, ou seja, o de estudar, de reverenciar este país maravilhoso, com todas as suas imperfeições – o Brasil tem muitas ainda -, mas este país é onde vivemos e fomos criados. É fundamental que levemos esta missão para frente. A missão de não permitir que ninguém seja discriminado por nenhum motivo.

A barbárie maior aconteceu durante a Segunda Guerra Mundial, onde crianças eram arrancadas dos colos de seus pais e assassinadas, tinham suas cabeças esmagadas contra os muros; jovens eram ceifados e privados de ter uma vida, simplesmente porque tinham uma religião que não era a ariana; idosos que eram privados de comida, de bebida e de pudor, eram assassinados a sangue frio - segundo Hitler, os arianos eram uma raça superior, como se sangue fosse diferente de um ser humano para outro.

Não podemos mais permitir esse tipo de coisa. Assim como não podemos permitir que no ano de 2013, um Presidente da República do Irã negue que isso aconteceu. Aqui o Sr. Ben Abraham, D. Miriam, D. Nanette, Sr. Leon, tantos outros sobreviventes da primeira fila.

Como pode alguém negar que aconteceu uma história há 70 anos? Em termos de história esse número é tão pequeno. Aprendemos a história do Descobrimento do Brasil, de 500 anos; 70 é tão pouco. Vem agora um energúmeno desses e diz que não aconteceu, na frente de pessoas que estão aqui e que viveram isso, perderam familiares, pai, mãe, tios, primos, perderam uma vida. Não podemos permitir isso.

Como o Sr. Ben Abraham disse, as eleições democráticas são muito importantes, mas temos de saber em quem estamos votando. Temos de eleger as pessoas que sejam coerentes com os direitos humanos e com aquilo que pensamos. Porque um democrata, hoje, vira um ditador amanhã. Há países em nosso continente que conhecem bem essa história.

Parabenizo essa artista maravilhosa que é a Gisele, pela participação emocionante da história de Anne Frank, D. Nanette foi colega de Anne Frank, estudaram juntas. D. Nanette também é um grande exemplo de mulher que roda o Brasil e o mundo contando sua história.

Holocausto nunca mais, racismo nunca mais, discriminação nunca mais. Viva o Brasil. (Palmas)

MESTRE DE CERIMÔNIAS – Convidamos para seu pronunciamento o proponente desta sessão solene o Vereador Gilberto Natalini.

O SR. PRESIDENTE (Natalini) – Boa noite a todos, sejam bem-vindos à Câmara Municipal de São Paulo, a casa do povo paulistano, então a casa é de vocês. Quero cumprimentar os amigos da mesa, o Ben Abraham, amigo antigo, convivo com ele há tantos anos. Sua vida, na verdade, é um exemplo de luta pelos ideais que eu também acredito, penso que vocês que estão aqui também acreditam.

Quero cumprimenta o General Adhemar, agradecer sua presença no nosso ato, aqui na Câmara Municipal de São Paulo, o senhor é uma pessoa que honra a sua farda, junto com seus comandados. O senhor me falou antes e também no seu discurso, que entende a importância de um ato de uma cerimônia como esta. Inclusive para as Forças Armadas, representadas aqui entre outros pelo senhor. Muito obrigado mesmo pela sua presença. A Casa é sua, venha quando quiser será sempre muito bem recebido, junto com seus oficiais.

Quero cumprimentar o Coronel Zavatti, que representa, neste ato, o Brigadeiro José Geraldo Ferreira Malta, da Aeronáutica, que está sempre presente nas nossas sessões.

Cumprimento meu Colega de Câmara, Coronel Telhada, que é uma pessoa que estou aprendendo a admirar cada vez mais. Conhecia-o de nome, de fama, mas não conhecia sua personalidade. Posso dizer a todos que ele tem uma personalidade forte, mas é um homem de bem. Isso nos aproxima. Eu gosto muito de conviver com pessoas de bem, me dá muito prazer, conviver com pessoas que têm caráter bom, ideias firmes. Ele está aqui representando a Associação dos Ex-Pracinhas da FEB, as Forças Expedicionárias Brasileiras, que foram pessoas muito importantes e são, inclusive, um dos motivos do nosso ato. Está muito bem representada pelo Coronel Telhada a FEB, onde temos muitos amigos.

Quero cumprimentar o Abraham Goldstein, Presidente da B’nai B’rith do Brasil, que também é nosso amigo dileto, de muito tempo. Ele disse algumas peripécias que inventamos juntos e que deram certo, inclusive levar para dentro das escolas públicas municipais da cidade de São Paulo este debate, para que a juventude não se esqueça nunca na sua vida, meninos e meninas, de defender a democracia e a liberdade, que é o bem maior que o ser humano pode ter na vida. Por isso, vocês estão aqui e vamos até vocês com toda atividade que é feita.

O Ricardo, que representa a Federação, também um amigo antigo nosso, amigo mesmo de verdade, conversamos muito, comungamos e debatemos os problemas as ideias e as propostas. Obrigado, Ricardo, por estar representando a Federação entre nós.

O Jaime, o jovem que falou tão bem aqui do Fórum 18, obrigado por estar representando a juventude.

Quero cumprimentar o Maestro Tenente Gedolin Mendes da Silva, da Banda do Exército, do Comando Militar que nos abrilhantou aqui nesta festa.

Os alunos, a Professora Ruth que está aqui; cumprimento os sobreviventes, que vieram fazer este ato. Agradeço a presença de todos vocês.

Em duas palavras quero terminar a fala da mesa, dizendo a vocês que a gente vive numa pequena esfera perdida, rodando nesse Universo imenso, que a gente não vai conseguir compreender nunca. Vivemos num Planeta, que é nosso, que está solto, girando.

Somos sete bilhões de pessoas, em 2030 seremos nove bilhões. Olha quanta gente! Fora as outras formas de vida que convivem conosco. Estou falando dos humanos. Destes sete bilhões, não há nenhum igual ao outro. Somos diferentes na raça, na cor da pela. Olha a minha pele e olhe a da Professora Ruth, somos diferentes na cor da pele. Somos diferentes no idioma. Aqui hoje foram falados vários idiomas, se formos ver a quantidade de idiomas é imensa. Somos diferentes na religião, no credo, na fé de cada um, uns acreditam aqui, outros ali. Enfim, na quantidade de cultura, na formação cultural, na comida que a gente come, cada um dos povos. Não há um ser humano igual ao outro.

Estamos há 12 anos aqui na Câmara fazendo este ato em homenagem aos heróis e mártires da Segunda Guerra, porque temos uma crença, acreditamos que é possível, nesta pequena esfera rodando no Universo, que essas sete bilhões de pessoas, uma diferente da outra, possam conviver em paz. Vou morrer trabalhando e acreditando nisso. Possam se tolerar, possam conviver juntos, na diferença, nas opções sexuais, na música que cada um gosta de uma coisa. É possível trabalharmos para construir uma vida pacífica, de tolerância, que não discrimine, em que você não precise levantar a mão para agredir o outro. Acredito que isso seja possível. Eu trabalho para isso, dia e noite.

Sou médico, trabalho para diminuir o sofrimento do meu semelhante. Quando eu posso, trabalho para prolongar um pouco mais a vida de cada um. É claro que não podemos fazer os milagres que Deus faz, mas trabalho para isso. Cada um que está nesta mesa de alguma maneira está aqui porque trabalha e acredita nisso, senão não estaria sentado aqui, desde às 19h30min até agora, ouvindo, falando e participando.

Acredito que vocês também, cada um da sua maneira, também acreditam nisso. Acredito que lá fora, que não está aqui, está lá, está no outro canto, na outra fronteira tem milhares, tem milhões, bilhões de seres humanos que acreditam e procuram viver dessa maneira, construindo uma vida diferente da violência e da intolerância, da discriminação, do ódio.

É possível caminharmos neste caminho. É possível.

Muitos líderes nossos, religiosos, políticos, cientistas, já falaram isso e apontaram caminhos. Líderes militares, como diz o hino: “A paz queremos com fervor, a guerra só nos causa dor”. É um hino militar, olha lá o verso o que está falando. Dito, cantado, se não me engano é o Hino do Exército? Canção do Exército. Conheço a letra inteira. Se o senhor pedir eu canto depois para o senhor.

Gente, por isso estamos aqui há 12 anos homenageando os heróis e mártires da Segunda Guerra. Porque nessa extensão de vida que a Humanidade tem, não sabemos bem quantos anos são, mas são muitos, a Humanidade se envolveu várias vezes com atrocidades enormes. No passado remoto, no próximo e no presente. Atrocidades absolutamente inacreditáveis, de nós dizermos que não é possível que um semelhante meu cometa uma barbaridade dessas. Mas comete.

Temos de ter uma bandeira na mão, uma palavra na boca e um sentimento no coração, para dizer que isso não é da nossa escolha. Queremos outro caminho.

A Segunda Guerra foi um momento gravíssimo, quando forças muito poderosas e destrutivas se reuniram para dominar a humanidade. Hitler na cabeça à frente, Mussoline e toda uma gama de pessoas que desenvolveram a teoria que alguém pudesse ser, pela cor da pele, pela crença, ou por isso e aquilo, superior ao seu semelhante. Não há nada mais pernóstico.

Isso custou 50 milhões de vidas, seis milhões de judeus foram trucidados nos campos de concentração, como nós ouvimos aqui. Além dos seis milhões de judeus, mais 44 milhões de seres humanos foram mortos pela luta, pela máquina do nazifascismo de destruição, de terror.

Estamos aqui para lembrar isso, para manter a memória viva. As velas estão ali acesas. Estamos homenageando aqueles que deram a vida nessa luta e também os que sobreviveram de forma sofrida e que estão gradativamente partindo.

Os personagens dessa história são aqueles que lutaram lá, os que foram perseguidos como os judeus e outros povos, outras etnias que também sofreram – já foi dito aqui. Homenageamos cada um deles, ou delas, de vocês. Homenageamos também as Forças Armadas Brasileiras que, num determinado momento dessa luta, saiu daqui uma Força Expedicionária Brasileira, embarcou aqui para ir à Europa, há milhares de quilômetros para lutar e levantar a bandeira da liberdade, da democracia, da fraternidade, porque lutar contra o nazifascismo é defender a própria sobrevivência da humanidade.

Fazemos isso aqui de uma forma singela, sem nenhuma pretensão. Enquanto eu estiver na Câmara, mas quando não estiver mais, os senhores vão continuar, pegar essa bandeira para continuarem, por favor, fazendo este ato.

Porque este ato não é feito em meu nome, nem em nome do Coronel Telhada, que é um colega meu, nem de todos os vereadores que assinaram a sessão solene, chamando a sessão os 55 vereadores que assinaram. Na hora que a Câmara unanimemente chamou esta sessão solene de homenagem é o povo paulistano que está homenageando estes heróis e estes mártires da Segunda Guerra.

Portanto, recebam de coração a homenagem do povo paulistano, pela 12ª vez, aqueles que deram a vida e se sacrificaram na luta pela liberdade. Estaremos sempre juntos nessa trincheira e nessa causa.

Muito obrigado a todos. (Palmas)


MESTRE DE CERIMÔNIAS – Agradeço à Cris, ao Pedro e à Roberta, da B’nai B’rith do Brasil, pois sem eles, sem o apoio oferecido, este evento não teria sido possível.

Convidamos a Orquestra de Cordas Laitare e Coral Sinchá para uma apresentação musical sob a regência da Maestrina Muriel Waldman. Apresentarão o Hino dos Partisans, Yerushalayim e Am Israel Chai. Pedimos que todos fiquem de pé para cantar o Hino.


- Apresentação musical.


MESTRE DE CERIMÔNIAS – Convidamos, para o encerramento desta sessão solene, do Vereador Gilberto Natalini.
O SR. PRESIDENTE (Natalini) – Minha primeira palavra é de agradecimento, agradeço ao Ben Abraham, ao General Adhemar, a todos os companheiros que vieram fazer representação muito bem feita no nosso ato. Agradeço a todos vocês homens, mulheres, jovens idosos, os sobreviventes. Muito obrigado por mais esta oportunidade de estarmos juntos.

Não havendo mais nada a tratar, dou por encerrada a presente sessão solene.








Baixar 190.88 Kb.

Compartilhe com seus amigos:




©bemvin.org 2022
enviar mensagem

    Página principal
Prefeitura municipal
santa catarina
Universidade federal
prefeitura municipal
pregão presencial
universidade federal
outras providências
processo seletivo
catarina prefeitura
minas gerais
secretaria municipal
CÂmara municipal
ensino médio
ensino fundamental
concurso público
catarina município
Serviço público
Dispõe sobre
reunião ordinária
câmara municipal
público federal
processo licitatório
Processo seletivo
educaçÃo universidade
seletivo simplificado
Secretaria municipal
sessão ordinária
Universidade estadual
ensino superior
Relatório técnico
técnico científico
Conselho municipal
direitos humanos
Curriculum vitae
científico período
espírito santo
língua portuguesa
Sequência didática
pregão eletrônico
distrito federal
Quarta feira
conselho municipal
prefeito municipal
educaçÃo secretaria
nossa senhora
segunda feira
Pregão presencial
educaçÃO ciência
Terça feira
agricultura familiar
educaçÃo profissional