Empreendedorismo



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EMPREENDEDORISMO

O empreendedorismo tem sido o centro das políticas públicas na maioria dos países. O crescimento do empreendedorismo no mundo se acelerou na década de 1990 e aumentou em proporção nos anos 2000, o que pode ser observado nas ações desenvolvidas relacionadas ao tema. Alguns exemplos são: programas de incubação de empresas e parques tecnológicos; desenvolvimento de currículos integrados que estimulem o empreendedorismo em todos os níveis, da educação fundamental à pós-secundária; programas e incentivos governamentais para promover a inovação e a transferência de tecnologia; subsídios governamentais para criação e desenvolvimento de novas empresas; criação de agências de suporte ao empreendedorismo e à geração de negócios; programas de desburocratização e acesso ao crédito para pequenas empresas; desenvolvimento de instrumentos para fortalecer o reconhecimento da propriedade intelectual, entre outros. Particularmente no que se refere à educação empreendedora, os exemplos e casos de sucesso têm sido cada vez mais frequentes, haja vista o empreendedorismo ter se disseminado rapidamente como disciplina, forma de agir, opção profissional e como instrumento de desenvolvimento econômico e social. A seguir, são apresentados alguns exemplos mundiais que se tornaram referência para a educação empreendedora: X O currículo integrado do Babson College, que levou mais de uma década para ser desenvolvido e tem o empreendedorismo como tema transver Empreendedorismo - miolo.indd 10 20/10/2011 16:45:35 11 2O Processo Empreendedor W sal, envolvendo várias disciplinas dos cursos de graduação e de pós-graduação (MBA) da escola; X Programa Cap’Ten (Bélgica): voltado para a educação fundamental, por meio do qual as crianças são estimuladas a ter ideias dentro e fora da sala de aula, a se organizar em equipes, elaborar o planejamento e a implantação de projetos; X Boule and Bill create an Enterprise (Luxemburgo): através de histórias em quadrinhos as crianças são estimuladas a desenvolver habilidades empreendedoras e agir de forma empreendedora; X O período sabático sugerido em escolas europeias para professores fazerem estágio em empresas, programas abrangentes de treinamento de professores, criação de redes de troca de experiência e discussão de casos de sucesso; X A sistematização da capacitação de professores europeus para ensinar empreendedorismo de forma abrangente e não apenas com o foco na criação de empresas, o desenvolvimento de estudos de casos de empreendedores locais e regionais, o envolvimento de empreendedores da vida real na formatação e aplicação dos programas (professores e empreendedores ensinando na sala de aula e fora dela) etc. Além disso, destacam-se os programas de miniempresas, por meio dos quais os estudantes criam e gerenciam um negócio durante a graduação. Outro exemplo que cabe destacar é o caso do NFTE – Network For Teaching Entrepreneurship – iniciado nos Estados Unidos e voltado a ensinar empreendedorismo para jovens de comunidades carentes, presente em vários países. Em todo o mundo, o interesse pelo empreendedorismo se estende além das ações dos governos nacionais, atraindo também a atenção de muitas organizações e entidades multinacionais, como ocorre na Europa, nos Estados Unidos e na Ásia. Há uma convicção de que o poder econômico dos países depende de seus futuros empresários e da competitividade de seus empreendimentos. Outro exemplo é o interesse do Fórum Econômico Mundial, que patrocina a conferência anual de Davos, no qual o tema empreendedorismo tem sido discutido de forma recorrente, já que é considerado de interesse global. Em uma reunião realizada em 2009 por integrantes do Fórum, denominada “Educando a próxima onda de empreendedores”, após vários debates e análises de experiências bem-sucedidas no mundo, algumas recomendações foram feitas para que se potencialize Empreendedorismo - mioloindd 11 20/10/2011 16:45:35 EMPREENDEDORISMO W 12 2 o empreendedorismo nos jovens de maneira que estes consigam suprir as demandas e desafios do século XXI: X Desenvolver habilidades de liderança e conhecimento do mundo e do ambiente onde vivem para que consigam superar os desafios das próximas décadas. X Enfatizar a educação empreendedora como parte chave da educação formal em todos os níveis. X Desenvolver o empreendedorismo como um tema transversal e não apenas uma disciplina. X Utilizar a interatividade como mote da pedagogia educacional, com foco na experimentação e na ação, e na análise e solução de problemas. X Ampliar o uso da tecnologia no ensino tanto para ganhar escala e aumentar a abrangência do tema, como para possibilitar a criação de material didático inovador e interativo. A explicação para a focalização de um número cada vez maior de países no empreendedorismo pode ser obtida ao se analisar o que ocorre nos Estados Unidos. Trata-se do maior exemplo de compromisso nacional com o empreendedorismo e o progresso econômico. Mesmo com a recente crise econômica mundial, da qual os Estados Unidos têm sido protagonistas, o que tem acarretado corte orçamentário em várias áreas, no que se refere ao empreendedorismo ocorre o contrário, haja vista a crença de que o empreendedorismo é e continuará a ser o grande propulsor do desenvolvimento econômico. Além de centenas de iniciativas dos governos locais e de organizações privadas para encorajar e apoiar o empreendedorismo nos Estados Unidos, o governo americano gasta centenas de milhões de dólares anualmente em programas de apoio ao empreendedorismo. Por causa do sucesso relativo desses programas, eles são vistos como modelos por outros países que visam a aumentar o nível de sua atividade empresarial. Isto tem ocorrido com o Reino Unido, que criou em 1999 a Agência de Serviços para Pequenas Empresas, nos moldes do SBA – Small Business Administration – americano, e também com outros países da Comunidade Europeia. A conjunção de um intenso dinamismo empresarial e rápido crescimento econômico, somados aos baixos índices de desemprego e às baixas taxas de inflação ocorridos, por exemplo, na década de 1990, nos Estados Unidos, Empreendedorismo - miolo.indd 12 20/10/2011 16:45:36 13 2O Processo Empreendedor W aparentemente aponta para uma única conclusão: o empreendedorismo é o combustível para o crescimento econômico, criando emprego e prosperidade. O desafio atual dos americanos é retomar este mesmo dinamismo para vencer uma forte crise econômica, iniciada com o estouro da bolha do mercado imobiliário em 2007-2008 e agravada com a crise de crédito e insolvência de bancos. Economistas e especialistas americanos são unânimes em dizer que a resposta para a saída da crise continua sendo a mesma: estimular e desenvolver o empreendedorismo em todos os níveis. Todos estes fatores levaram um grupo de pesquisadores a organizar, em 1997, o projeto GEM – Global Entrepreneurship Monitor – uma iniciativa conjunta do Babson College, nos Estados Unidos, e da London Business School, na Inglaterra, com o objetivo de medir a atividade empreendedora dos países e observar seu relacionamento com o crescimento econômico. Este pode ser considerado o projeto mais ambicioso e de maior impacto até o momento no que se refere ao acompanhamento do empreendedorismo nos países. Trata-se de uma iniciativa pioneira e que tem trazido novas informações a cada ano sobre o empreendedorismo mundial e também em nível local para os países participantes. O número de países participantes do GEM cresceu de 10, em 1999, para mais de 30, em 2000, chegando a 59, em 2010, o que representa 84% do PIB mundial. Uma das medidas efetuadas pelo estudo do GEM refere-se ao índice de criação de novos negócios, denominado Atividade Empreendedora Total. Este índice mede a dinâmica empreendedora dos países e acaba por definir um ranking mundial de empreendedorismo. Este ranking tem mudado a cada ano e o leitor poderá ter acesso aos dados mais recentes ao pesquisar no site do GEM: www.genconsortium.org. Em 2010 a Atividade Empreendedora Inicial, TEA, de cada país participante é apresentada no gráfico a seguir. O valor de TEA no eixo das ordenadas representa o percentual da população adulta dos países (18 a 64 anos) envolvida na criação de novos negócios. As barras verticais indicam a margem de erro da pesquisa, com intervalo de confiança de 95%. No Brasil, a TEA de 2010 foi de 17,5%, a maior desde que a pesquisa GEM é realizada no país. Considerando a população adulta brasileira em torno de 120 milhões de pessoas, esse percentual representa 21,1 milhões de brasileiros à frente de atividades empreendedoras em 2010. Em números absolutos, apenas a China possuía mais empreendedores que o Brasil: a TEA chinesa de 14,4% representava 131,7 milhões de adultos envolvidos em atividades empreendedoras naquele país.

O empreendedorismo no Brasil O movimento do empreendedorismo no Brasil começou a tomar forma na década de 1990, quando entidades como Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) e Softex (Sociedade Brasileira para Exportação de Software) foram criadas. Antes disso, praticamente não se falava em empreendedorismo e em criação de pequenas empresas. Os ambientes político e econômico do país não eram propícios, e o empreendedor praticamente não encontrava informações para auxiliá-lo na jornada empreendedora. O Sebrae é um dos órgãos mais conhecidos do pequeno empresário brasileiro, que busca junto a essa entidade todo o suporte de que precisa para iniciar sua empresa, bem como consultorias para resolver pequenos problemas pontuais de seu negócio. O histórico da entidade Softex pode ser confundido com o histórico do empreendedorismo no Brasil na década de 1990. A entidade foi criada com o intuito de levar as empresas de software do país ao mercado externo, por meio de várias ações que proporcionavam ao empresário de informática a capacitação em gestão e tecnologia. Fonte: GEM 2010 – Executive Report e GEM 2010 – Relatório Executivo: Empreendedorismo no Brasil Economias movidas por fatores: economias baseadas na extração e comercialização de recursos naturais, doravante tratadas aqui como países impulsionados por fatores. Economias movidas por eficiência: economias norteadas para a eficiência e a produção industrial em escala, que se configuram como os principais motores de desenvolvimento, doravante nominados países impulsionados pela eficiência. Economias movidas por inovação: economias fundamentadas na inovação ou simplesmente impulsionadas por ela. 60% 50% 40% 30% 20% 10% 0% Egito Paquistão Arábia Saudita Cisjordânia e Faixa de Gaza Jamaica Irã Guatemala Uganda Angola Zâmbia Gana Bolívia Rússia Romênia Malásia Croácia Tunísia Hungria Bósnia e Herzegovina Macedônia Taiwan Turquia África do Sul Letônia Uruguai Costa Rica Argentina China Montenegro Trinidade e Tobago Chile Brasil Colômbia Equador Peru Itália Japão Bélgica Dinamarca Alemanha Espanha Portugal Eslovênia Suécia Suíça Grécia Israel Finlândia Reino Unido Coréia Irlanda Países Baixos/Holanda Estados Unidos Noruega Austrália Islândia Porcentagem da população adulta entre 18-64 anos Economias movidas por fatores Economias movidas por eficiência Economias movidas por inovação Empreendedorismo - miolo.indd 14 20/10/2011 16:45:37 15 2O Processo Empreendedor W Foi com os programas criados no âmbito da Softex em todo o país, junto a incubadoras de empresas e a universidades/cursos de ciências da computação/informática, que o tema empreendedorismo começou a despertar na sociedade brasileira. Até então, palavras como plano de negócios (business plan) eram praticamente desconhecidas e até ridicularizadas pelos pequenos empresários. Passados 20 anos, pode-se dizer que o Brasil entra na segunda década deste novo milênio com todo o potencial para desenvolver um dos maiores programas de ensino de empreendedorismo de todo o mundo, comparável apenas aos Estados Unidos, onde mais de duas mil escolas ensinam empreendedorismo. Seria apenas ousadia se não fosse possível. Ações históricas e algumas mais recentes desenvolvidas começam a apontar para essa direção. O infográfico que acompanha o livro apresenta esta evolução histórica. Seguem alguns exemplos: 1. Os programas Softex e Genesis (Geração de Novas Empresas de Software, Informação e Serviços), criados na década de 1990 e que até há pouco tempo apoiavam atividades de empreendedorismo em software, estimulando o ensino da disciplina em universidades, e a geração de novas empresas de software (start-ups). O programa Softex foi reformulado e continua em atividade. Informações podem ser obtidas em www.softex.br. 2. O programa Brasil Empreendedor, do Governo Federal, que foi dirigido à capacitação de mais de 6 milhões de empreendedores em todo o país, destinando recursos financeiros a esses empreendedores, totalizou um investimento de R$ 8 bilhões. Este programa vigorou de 1999 até 2002, e realizou mais de 5 milhões de operações de crédito. 3. Ações voltadas à capacitação do empreendedor, como os programas Empretec e Jovem Empreendedor do Sebrae, que são líderes em procura por parte dos empreendedores e têm ótima avaliação. 4. Houve ainda um evento pontual, que depois se dissipou, mas que também contribuiu para a disseminação do empreendedorismo. Trata-se da explosão do movimento de criação de empresas pontocom no país nos anos de 1999 e 2000, motivando o surgimento de várias empresas start-up de internet, desenvolvidas por jovens empreendedores. 5. Especial destaque deve ser dado ao enorme crescimento do movimento de incubadoras de empresas no Brasil. Dados da Anprotec (Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos de TecnoloEmpreendedorismo - miolo.indd 15 20/10/2011 16:45:37 EMPREENDEDORISMO W 16 2 gias Avançadas) mostram que, em 2010, mais de 400 incubadoras de empresas estavam em atividade no país. 6. Evolução da legislação em prol das micro e pequenas empresas: Lei da Inovação, instituição do Simples, a Lei Geral da Micro e Pequena Empresa, o Programa Empreendedor Individual. 7. Repercussão na mídia nacional da semana anual do empreendedorismo mundial, com eventos, workshops, seminários e discussões sobre os resultados anuais da pesquisa GEM e com debates sobre as estratégicas para o futuro do empreendedorismo brasileiro. 8. Os diversos cursos e programas desenvolvidos nas universidades brasileiras para o ensino do empreendedorismo e criação de negócios, o que levou a uma consolidação da primeira fase do empreendedorismo universitário do país (a fase da disseminação); e o desenvolvimento do ensino de empreendedorismo na educação fundamental, no ensino médio e em cursos técnicos. 9. Mais recentemente, várias escolas estão estruturando programas não só de criação de novos negócios, mas também focados em empreendedorismo social e empreendedorismo corporativo. Existem ainda programas específicos sendo criados por escolas de administração de empresas e de tecnologia para formação de empreendedores, incluindo cursos de MBA (Master of Business Administration), e também cursos de curta e média duração, bem como programas a distância (EAD). 10. Aumento do número de professores universitários com títulos de mestre e doutor em temas relacionados ao empreendedorismo e ainda com dedicação ao ensino de empreendedorismo. Um exemplo é a crescente demanda pelos workshops regionais que têm sido realizados pela Empreende e Campus-Elsevier destinados à capacitação de professores de empreendedorismo em todo o país. 11. Aumento da quantidade de entidades de apoio ao desenvolvimento do empreendedorismo no Brasil: além das mais presentes e conhecidas (Sebrae, Anprotec, Endeavor), há várias ONGs, institutos e empresas em todo o país destinando recursos e apoio institucional a projetos e programas de desenvolvimento do empreendedorismo em várias regiões do país. 12. A ênfase do Governo Federal no apoio a micro e pequena empresa, considerando inclusive a criação. Processo Empreendedor W 13. A consolidação de programas de apoio à criação de novos negócios com recursos de subvenção econômica, bolsas, investimentos para empresas iniciantes inovadoras, provenientes de entidades governamentais de apoio à inovação e ao empreendedorismo, tais como Finep, fundações de amparo à pesquisa, CNPq, BNDES, entre outros. 14. Aumento da quantidade de brasileiros adultos criando negócios, o que denota melhoria do cenário econômico, possibilitando maior quantidade de oportunidades de negócios, principalmente para empreendedores das classes sociais C e D. 15. Aumento da quantidade de milionários e bilionários brasileiros, o que representa o sucesso fi nanceiro destes brasileiros, na maioria dos casos tendo a atividade empreendedora como base para esse resultado. 16. O interesse dos fundos de capital de risco e private equity mundiais em empresas brasileiras. Em 2010 o Brasil ocupou uma posição inferior apenas em relação à China quanto a investimentos internacionais deste tipo no mundo. 17. O maior interesse dos brasileiros e também de investidores estrangeiros na Bovespa, a bolsa de valores brasileira, com o aumento do número de ofertas públicas iniciais (IPO) e do número de investidores individuais. 18. A constatação de que a palavra “empreendedorismo” já não é mais um substantivo difícil de pronunciar e é conhecida em todo o país. 19. A constatação de que o “planejamento” já faz parte da agenda do empreendedor iniciante, que reconhece a importância de se planejar o negócio antes de colocar suas ideias em prática (mas ainda há muito que fazer neste quesito, pois, apesar de os empreendedores reconhecerem a necessidade, muitos nem sempre planejam!) 20. O crescente movimento das franquias no Brasil também pode ser considerado um exemplo de desenvolvimento do empreendedorismo nacional. Segundo a Associação Brasileira de Franchising, em 2010 havia 1.855 redes de franquias constituídas no país, com mais de 86 mil unidades franqueadas, o que correspondeu a praticamente R$ 76 bilhões de faturamento consolidado do setor. Em síntese, os últimos 20 anos foram repletos de iniciativas em prol do empreendedorismo, mas a última década destacou-se por criar as bases para a nova fase do empreendedorismo no país. Essa nova fase pode ser representada por dois importantes eventos que ocorrerão no Brasil nesta década: Empreendedorismo - miolo.indd 17 20/10/2011 16:45:38 EMPREENDEDORISMO W 18 2 Copa do Mundo de Futebol de 2014 e Olimpíadas de 2016. Tratam-se de dois importantes marcos que já estão estimulando novas oportunidades empreendedoras e que proporcionarão a criação e o desenvolvimento de novos negócios no país. É o novo momento do Brasil e o empreendedorismo será o protagonista desta década. Esse novo momento começou a ser moldado a partir da constatação da importância do país na visão de alguns atores envolvidos com o movimento do empreendedorismo no mundo e, principalmente, no Brasil, após a leitura do resultado do primeiro relatório executivo do Global Entrepreneurship Monitor (GEM, 2000). Naquela ocasião o Brasil apareceu como o país que possuía a melhor relação entre o número de habitantes adultos que começam um negócio e o total dessa população: um em cada oito adultos. Como se sabe, este estudo tem sido realizado anualmente e no gráfico apresentado anteriormente o Brasil aparece em 2010 na décima posição, com um índice de criação de empresas (TEA) de 17,5 no momento da pesquisa, ou seja, em cada cem pessoas, aproximadamente 18 pessoas desenvolviam alguma atividade empreendedora, correspondendo a mais de 21,1 milhões de pessoas envolvidas em novos negócios. Mas, o que significa ficar em primeiro, décimo ou vigésimo lugar nesse ranking? A criação de empresas por si só não leva ao desenvolvimento econômico, a não ser que esses negócios estejam focando oportunidades no mercado. Isso passou a ficar claro a partir do estudo anual do GEM, do qual originaram-se duas definições de empreendedorismo. A primeira seria o empreendedorismo de oportunidade, em que o empreendedor visionário sabe aonde quer chegar, cria uma empresa com planejamento prévio, tem em mente o crescimento que quer buscar para a empresa e visa à geração de lucros, empregos e riqueza. Está totalmente ligado ao desenvolvimento econômico, com forte correlação entre os dois fatores. A segunda definição seria o empreendedorismo de necessidade, em que o candidato a empreendedor se aventura na jornada empreendedora mais por falta de opção, por estar desempregado e não ter alternativas de trabalho. Nesse caso, esses negócios costumam ser criados informalmente, não são planejados de forma adequada e muitos fracassam bastante rápido, não gerando desenvolvimento econômico e agravando as estatísticas de criação e mortalidade dos negócios. Esse tipo de empreendedorismo é mais comum em países em desenvolvimento, como ocorre com o Brasil, e também influencia na atividade empreendedora total desses países. Assim, não basta o país estar ranqueado nas primeiras posições Empreendedorismo - miolo.indd 18 20/10/2011 16:45:39 19 2O Processo Empreendedor W do GEM. O que o país precisa buscar é a otimização do seu empreendedorismo de oportunidade. No Brasil, até 2002, o índice de empreendedorismo de oportunidade era inferior ao índice de empreendedorismo de necessidade, mas nos últimos anos tem-se percebido uma melhora e até reversão desta tendência. Como exemplo, em 2010, para cada empreendedor de necessidade havia 2,1 empreendedores de oportunidade no Brasil, ou seja, mais de 68% dos empreendedores no país empreendiam por oportunidade. Espera-se que para os próximos anos cada vez mais empreendedores focados em oportunidades surjam, promovendo o desenvolvimento do país. No entanto, apesar de avanços recentes sinalizados pelo Governo Federal, ainda faltam políticas públicas duradouras dirigidas à consolidação do empreendedorismo no país, como alternativa à falta de emprego, e visando a respaldar todo esse movimento proveniente da iniciativa privada e de entidades não governamentais, que estão fazendo a sua parte. A consolidação do capital de risco e o papel do angel (“anjo” – investidor pessoa física) também estão se tornando realidade, motivando o estabelecimento de cenários otimistas para os próximos anos. Um último fator, que dependerá apenas dos brasileiros para ser desmitificado, é a quebra de um paradigma cultural de não valorização de homens e mulheres de sucesso que têm construído esse país e gerado riquezas, sendo eles os grandes empreendedores, que dificilmente são reconhecidos e admirados. Pelo contrário, muitas vezes são vistos como pessoas de sorte ou que venceram por outros meios alheios à sua competência. Isso deverá levar ainda alguns anos, mas a semente inicial foi plantada. É necessário agora regá-la com zelo, visando à obtenção de um pomar com muitos frutos no futuro. Análise histórica do surgimento do empreendedorismo A palavra empreendedor (entrepreneur) tem origem francesa e quer dizer aquele que assume riscos e começa algo novo. Antes de partir para definições mais utilizadas e aceitas, é importante fazer uma análise histórica do desenvolvimento da teoria do empreendedorismo (Hisrish, 1986). PRIMEIRO USO DO TERMO EMPREENDEDORISMO Um primeiro exemplo de definição de empreendedorismo pode ser creditado a Marco Polo, que tentou estabelecer uma rota comercial para o Oriente. Como empreendedor, Marco Polo assinou um contrato com um Empreendedorismo - miolo.indd 19 20/10/2011 16:45:39 EMPREENDEDORISMO W 20 2 homem que possuía dinheiro (hoje mais conhecido como capitalista) para vender as mercadorias deste. Enquanto o capitalista era alguém que assumia riscos de forma passiva, o aventureiro empreendedor assumia papel ativo, correndo todos os riscos físicos e emocionais.

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