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HABILIDADES

(EM13LGG301) Participar de processos de produção individual e colaborativa em 

diferentes linguagens (artísticas, corporais e verbais), levando em conta suas formas e 

seus funcionamentos, para produzir sentidos em diferentes contextos.

(EM13LGG302) Posicionar-se criticamente diante de diversas visões de mundo presentes 

nos discursos em diferentes linguagens, levando em conta seus contextos de produção e 

de circulação.

(EM13LGG303) Debater questões polêmicas de relevância social, analisando diferentes 

argumentos e opiniões, para formular, negociar e sustentar posições, frente à análise de 

perspectivas distintas.

(EM13LGG304) Formular propostas, intervir e tomar decisões que levem em conta o bem 

comum e os Direitos Humanos, a consciência socioambiental e o consumo responsável 

em âmbito local, regional e global.

(EM13LGG305) Mapear e criar, por meio de práticas de linguagem, possibilidades de 

atuação social, política, artística e cultural para enfrentar desafios contemporâneos, 

discutindo princípios e objetivos dessa atuação de maneira crítica, criativa, solidária  

e ética.


494

BASE NACIONAL  

COMUM CURRICULAR

COMPETÊNCIA ESPECÍFICA 4

Compreender  as  línguas  como  fenômeno  (geo)político,  histórico,  cultural,  social, 

variável, heterogêneo e sensível aos contextos de uso, reconhecendo suas varieda-

des e vivenciando-as como formas de expressões identitárias, pessoais e coletivas, 

bem como agindo no enfrentamento de preconceitos de qualquer natureza.

Essa  competência  específica  indica  a  necessidade  de,  ao  final  do  Ensino  Médio,  os 

estudantes compreenderem as línguas e seu funcionamento como fenômeno marcado 

pela heterogeneidade e variedade de registros, dialetos, idioletos, estilizações e usos, 

respeitando os fenômenos da variação e diversidade linguística, sem preconceitos.

Ela também diz respeito à utilização das línguas de maneira adequada à situação de 

produção dos discursos, considerando a variedade e o registro, os campos de atuação 

social, e os contextos e interlocutores específicos, por meio de processos de estiliza-

ção, seleção e organização dos recursos linguísticos.

HABILIDADES

(EM13LGG401) Analisar criticamente textos de modo a compreender e caracterizar as 

línguas como fenômeno (geo)político, histórico, social, cultural, variável, heterogêneo e 

sensível aos contextos de uso. 

(EM13LGG402) Empregar, nas interações sociais, a variedade e o estilo de língua 

adequados à situação comunicativa, ao(s) interlocutor(es) e ao gênero do discurso, 

respeitando os usos das línguas por esse(s) interlocutor(es) e sem preconceito 

linguístico.

(EM13LGG403) Fazer uso do inglês como língua de comunicação global, levando em 

conta a multiplicidade e variedade de usos, usuários e funções dessa língua no mundo 

contemporâneo.


495

LINGUAGENS E SUAS TECNOLOGIAS

ENSINO MÉDIO

COMPETÊNCIA ESPECÍFICA 5

Compreender os processos de produção e negociação de sentidos nas práticas cor-

porais, reconhecendo-as e vivenciando-as como formas de expressão de valores e 

identidades, em uma perspectiva democrática e de respeito à diversidade.

Essa  competência  específica  indica  que,  ao  final  do  Ensino  Médio,  o  jovem  deverá 

apresentar  uma  compreensão  aprofundada  e  sistemática  acerca  da  presença  das 

práticas corporais em sua vida e na sociedade, incluindo os fatores sociais, culturais, 

ideológicos, econômicos e políticos envolvidos nas práticas e nos discursos que circu-

lam sobre elas. Prevê também que o jovem valorize a vivência das práticas corporais 

como  formas  privilegiadas  de  construção  da  própria  identidade,  autoconhecimento 

e propagação de valores democráticos. Nessa direção, é importante que os estudan-

tes possam refletir sobre suas preferências, seus valores, preconceitos e estereótipos 

quanto às diferentes práticas corporais.

Cada conjunto de práticas corporais (jogos e brincadeiras, danças, lutas, ginásticas, 

esportes  e  atividades  corporais  de  aventura)  apresenta  especificidades  de  produ-

ção da linguagem corporal e de valores e sentidos atribuídos às suas práticas. Essa 

diversidade de modos de vivenciar e significar as práticas corporais é objeto de apren-

dizagem da área.

Para o desenvolvimento dessa competência, é fundamental que os jovens experimen-

tem práticas corporais acompanhadas de momentos de reflexão, leitura e produção 

de discursos nas diferentes linguagens.

HABILIDADES

(EM13LGG501) Selecionar e utilizar movimentos corporais de forma consciente e 

intencional para interagir socialmente em práticas corporais, de modo a estabelecer 

relações construtivas, empáticas, éticas e de respeito às diferenças.

(EM13LGG502) Analisar criticamente preconceitos, estereótipos e relações de poder 

presentes nas práticas corporais, adotando posicionamento contrário a qualquer 

manifestação de injustiça e desrespeito a direitos humanos e valores democráticos.

(EM13LGG503) Vivenciar práticas corporais e significá-las em seu projeto de vida, como 

forma de autoconhecimento, autocuidado com o corpo e com a saúde, socialização e 

entretenimento.



496

BASE NACIONAL  

COMUM CURRICULAR

COMPETÊNCIA ESPECÍFICA 6

Apreciar  esteticamente  as  mais  diversas  produções  artísticas  e  culturais,  conside-

rando suas características locais, regionais e globais, e mobilizar seus conhecimentos 

sobre as linguagens artísticas para dar significado e (re)construir produções auto-

rais  individuais  e  coletivas,  exercendo  protagonismo  de  maneira  crítica  e  criativa, 

com respeito à diversidade de saberes, identidades e culturas.

Ao final do Ensino Médio, os jovens devem ser capazes de fruir manifestações artísticas 

e culturais, compreendendo o papel das diferentes linguagens e de suas relações em 

uma obra e apreciando-as com base em critérios estéticos. É esperado, igualmente, 

que  percebam  que  tais  critérios  mudam  em  diferentes  contextos  (locais,  globais), 

culturas e épocas, podendo reconhecer os movimentos históricos e sociais das artes.

A  fruição,  alimentada  por  critérios  estéticos  baseados  em  contrastes  culturais  e 

históricos, deve ser a base para uma maior compreensão dos efeitos de sentido, de 

apreciação e de emoção e empatia ou repulsão acarretados por obras e textos.

Pretende-se também que sejam capazes de participar ativamente dos processos de criação 

nas  linguagens  das  artes  visuais,  do  audiovisual,  da  dança,  da  música  e  do  teatro  e  nas 

interseções entre elas e com outras linguagens e áreas de conhecimento. Nesses processos, 

espera-se que os estudantes considerem suas experiências pessoais e coletivas, e a diversi-

dade de referências estéticas, culturais, sociais e políticas de que dispõem, como também 

articulem  suas  capacidades  sensíveis,  criativas,  críticas  e  reflexivas,  ampliando  assim  os 

repertórios de expressão e comunicação de seus modos de ser, pensar e agir no mundo.

Para tanto, essa competência prevê que os estudantes possam entrar em contato e explo-

rar manifestações artísticas e culturais locais e globais, tanto valorizadas e canônicas como 

populares e midiáticas, atuais e de outros tempos, sempre buscando analisar os critérios 

e as escolhas estéticas que organizam seus estilos, inclusive comparativamente, e levando 

em conta as mudanças históricas e culturais que caracterizam essas manifestações.

HABILIDADES

(EM13LGG601) Apropriar-se do patrimônio artístico de diferentes tempos e lugares, 

compreendendo a sua diversidade, bem como os processos de legitimação das manifestações 

artísticas na sociedade, desenvolvendo visão crítica e histórica.

(EM13LGG602) Fruir e apreciar esteticamente diversas manifestações artísticas e culturais

das locais às mundiais, assim como delas participar, de modo a aguçar continuamente a 

sensibilidade, a imaginação e a criatividade.

(EM13LGG603) Expressar-se e atuar em processos de criação autorais individuais e coletivos 

nas diferentes linguagens artísticas (artes visuais, audiovisual, dança, música e teatro) e nas 

intersecções entre elas, recorrendo a referências estéticas e culturais, conhecimentos de 

naturezas diversas (artísticos, históricos, sociais e políticos) e experiências individuais e coletivas.

(EM13LGG604) Relacionar as práticas artísticas às diferentes dimensões da vida social, 

cultural, política e econômica e identificar o processo de construção histórica dessas práticas. 



497

LINGUAGENS E SUAS TECNOLOGIAS

ENSINO MÉDIO

COMPETÊNCIA ESPECÍFICA 7

Mobilizar  práticas  de  linguagem  no  universo  digital,  considerando  as  dimensões 

técnicas, críticas, criativas, éticas e estéticas, para expandir as formas de produzir 

sentidos, de engajar-se em práticas autorais e coletivas, e de aprender a aprender 

nos campos da ciência, cultura, trabalho, informação e vida pessoal e coletiva.

Essa competência específica diz respeito às práticas de linguagem em ambiente digital, 

que têm modificado as práticas de linguagem em diferentes campos de atuação social.

Nesse cenário, os jovens precisam ter uma visão crítica, criativa, ética e estética, e não 

somente técnica das TDIC e de seus usos, para selecionar, filtrar, compreender e pro-

duzir sentidos, de maneira crítica e criativa, em quaisquer campos da vida social.

Para tanto, é necessário não somente possibilitar aos estudantes explorar interfa-

ces  técnicas  (como  a  das  linguagens  de  programação  ou  de  uso  de  ferramentas 

apps variados de edição de áudio, vídeo, imagens, de realidade aumentada, de 

criação de gamesgifs, memes, infográficos etc.), mas também interfaces críticas 

e éticas que lhes permitam tanto triar e curar informações como produzir o novo 

com base no existente.

HABILIDADES

(EM13LGG701) Explorar tecnologias digitais da informação e comunicação (TDIC), 

compreendendo seus princípios e funcionalidades, e utilizá-las de modo ético, criativo, 

responsável e adequado a práticas de linguagem em diferentes contextos.

(EM13LGG702) Avaliar o impacto das tecnologias digitais da informação e comunicação 

(TDIC) na formação do sujeito e em suas práticas sociais, para fazer uso crítico dessa 

mídia em práticas de seleção, compreensão e produção de discursos em ambiente 

digital.

(EM13LGG703) Utilizar diferentes linguagens, mídias e ferramentas digitais em processos 

de produção coletiva, colaborativa e projetos autorais em ambientes digitais.

(EM13LGG704) Apropriar-se criticamente de processos de pesquisa e busca de 

informação, por meio de ferramentas e dos novos formatos de produção e distribuição 

do conhecimento na cultura de rede.



498

BASE NACIONAL  

COMUM CURRICULAR

5.1.2. 


 LÍNGUA PORTUGUESA 

Ao chegar ao Ensino Médio, os estudantes já têm condições de parti-

cipar de forma significativa de diversas práticas sociais que envolvem 

a  linguagem,  pois,  além  de  dominarem  certos  gêneros  textuais/

discursivos  que  circulam  nos  diferentes  campos  de  atuação  social 

considerados  no  Ensino  Fundamental,  eles  desenvolveram  várias 

habilidades relativas aos usos das linguagens. Cabe ao Ensino Médio 

aprofundar  a  análise  sobre  as  linguagens  e  seus  funcionamentos

intensificando a perspectiva analítica e crítica da leitura, escuta e pro-



dução de textos verbais e multissemióticos, e 

alargar as referências

estéticas, éticas e políticas

que cercam a produção e recepção de 

discursos,  ampliando  as  possibilidades  de  fruição,  de  construção  e 

produção de conhecimentos, de compreensão crítica e intervenção 

na realidade e de participação social dos jovens, nos âmbitos da cida-

dania, do trabalho e dos estudos.

Do  ponto  de  vista  das 

práticas  contemporâneas  de  linguagem, 

ganham mais destaque, no Ensino Médio, a cultura digital, as cultu-

ras juvenis, os novos letramentos e os multiletramentos, os processos 

colaborativos, as interações e atividades que têm lugar nas mídias e 

redes  sociais,  os  processos  de  circulação  de  informações  e  a  hibri-

dização  dos  papéis  nesse  contexto  (de  leitor/autor  e  produtor/

consumidor), já explorada no Ensino Fundamental. Fenômenos como 

a pós-verdade e o efeito bolha, em função do impacto que produzem 

na fidedignidade do conteúdo disponibilizado nas redes, nas intera-

ções sociais e no trato com a diversidade, também são ressaltados.

Para além de continuar a promover o desenvolvimento de habilidades 

relativas ao trato com a informação e a opinião, no que diz respeito 

à veracidade e confiabilidade de informações, à adequação, validade 

e força dos argumentos, à articulação entre as semioses para a pro-

dução de sentidos etc., é preciso intensificar o desenvolvimento de 

habilidades  que  possibilitem  o  trato  com  o  diverso  e  o  debate  de 

ideias. Tal desenvolvimento deve ser pautado pelo respeito, pela ética 

e pela rejeição aos discursos de ódio.

Se,  por  um  lado,  trata-se  de  enfrentar  e  buscar  minimizar  os  riscos 

que  os  usos  atuais  da  rede  trazem,  por  outro,  trata-se  também  de 

explorar suas potencialidades em termos do acesso à informação, a 

possibilidades variadas de disponibilização de conteúdos sem e com 

intermediação, à diversidade de formas de interação e ao incremento 

da possibilidade de participação e vivência de processos colaborati-

vos. Todos esses fatores requerem aprendizagens e desenvolvimento 

de habilidades que precisam ser contempladas pelos currículos.


499

LINGUAGENS E SUAS TECNOLOGIAS – LÍNGUA PORTUGUESA

ENSINO MÉDIO

Em  relação  à 

literatura,  a  leitura  do  texto  literário,  que  ocupa  o 

centro  do  trabalho  no  Ensino  Fundamental,  deve  permanecer 

nuclear também no Ensino Médio. Por força de certa simplificação 

didática,  as  biografias  de  autores,  as  características  de  épocas,  os 

resumos e outros gêneros artísticos substitutivos, como o cinema e 

as HQs


62

, têm relegado o texto literário a um plano secundário do 

ensino.  Assim,  é  importante  não  só  (re)colocá-lo  como  ponto  de 

partida para o trabalho com a literatura, como intensificar seu con-

vívio com os estudantes.

Como linguagem artisticamente organizada, a literatura enriquece 

nossa percepção e nossa visão de mundo. Mediante arranjos espe-

ciais das palavras, ela cria um universo que nos permite aumentar 

nossa capacidade de ver e sentir. Nesse sentido, a literatura possi-

bilita uma ampliação da nossa visão do mundo, ajuda-nos não só a 

ver mais, mas a colocar em questão muito do que estamos vendo 

e vivenciando.

Em  comparação  com  o  Ensino  Fundamental,  a  BNCC  de  Língua 

Portuguesa para o Ensino Médio define a 

progressão das aprendi-

zagens e habilidades levando em conta:

• 

a  complexidade  das  práticas  de  linguagens  e  dos  fenômenos 



sociais  que  repercutem  nos  usos  da  linguagem  (como  a  pós-

-verdade e o efeito bolha);

• 

a  consolidação  do  domínio  de  gêneros  do  discurso/gêneros 



textuais já contemplados anteriormente e a ampliação do reper-

tório de gêneros, sobretudo dos que supõem um grau maior de 

análise, síntese e reflexão;

• 

o  aumento  da  complexidade  dos  textos  lidos  e  produzidos  em 



termos de temática, estruturação sintática, vocabulário, recursos 

estilísticos, orquestração de vozes e semioses;

• 

o foco maior nas habilidades envolvidas na reflexão sobre textos 



e práticas (análise, avaliação, apreciação ética, estética e política, 

valoração, validação crítica, demonstração etc.), já que as habili-

dades  requeridas  por  processos  de  recuperação  de  informação 

(identificação, reconhecimento, organização) e por processos de 

compreensão  (comparação,  distinção,  estabelecimento  de  rela-

ções e inferência) já foram desenvolvidas no Ensino Fundamental;

62   É possível e desejável que se trabalhe com HQs, filmes, animações, entre outras produções, 

baseadas em obras literárias, incluindo análises sobre seus processos de produção e recepção. 

O que deve ser evitado é a simples substituição dos textos literários por essas produções.


500

BASE NACIONAL  

COMUM CURRICULAR

• 

a atenção maior nas habilidades envolvidas na produção de textos 



multissemióticos mais analíticos, críticos, propositivos e criativos, 

abarcando  sínteses  mais  complexas,  produzidos  em  contextos 

que  suponham  apuração  de  fatos,  curadoria

63

,  levantamentos  e 



pesquisas e que possam ser vinculados de forma significativa aos 

contextos de estudo/construção de conhecimentos em diferentes 

áreas, a experiências estéticas e produções da cultura digital e à 

discussão e proposição de ações e projetos de relevância pessoal 

e para a comunidade;

• 

o incremento da consideração das práticas da cultura digital e das 



culturas juvenis, por meio do aprofundamento da análise de suas 

práticas e produções culturais em circulação, de uma maior incor-

poração de critérios técnicos e estéticos na análise e autoria das 

produções  e  vivências  mais  intensas  de  processos  de  produção 

colaborativos;

• 

a  ampliação  de  repertório,  considerando  a  diversidade  cultural, 



de maneira a abranger produções e formas de expressão diversas  

– literatura juvenil, literatura periférico-marginal, o culto, o clássico, 

o popular, cultura de massa, cultura das mídias, culturas juvenis etc. –  

e em suas múltiplas repercussões e possibilidades de apreciação, 

em processos que envolvem adaptações, remidiações, estilizações, 

paródias, HQs, minisséries, filmes, videominutos, games etc.;

• 

a inclusão de obras da tradição literária brasileira e de suas refe-



rências ocidentais – em especial da literatura portuguesa –, assim 

como  obras  mais  complexas  da  literatura  contemporânea  e  das 

literaturas indígena, africana e latino-americana.

Os  eixos  de  integração  propostos  para  o  Ensino  Médio  são  as 

prá-

ticas de linguagem consideradas no Ensino Fundamental – leitura, 



produção  de  textos,  oralidade  (escuta  e  produção  oral)  e  análise 

linguística/semiótica.  As  dimensões,  habilidades  gerais  e  conheci-

mentos  considerados,  relacionados  a  essas  práticas,  também  são 

os  mesmos  (cf.  p.  72-74;  77-78;  79-80;  82-83),  cabendo  ao  Ensino 

63 Curadoria é um conceito oriundo do mundo das artes, que vem sendo cada vez mais utilizado 

para  designar  ações  e  processos  próprios  do  universo  das  redes:  conteúdos  e  informações 

abundantes,  dispersos,  difusos,  complementares  e/ou  contraditórios  e  passíveis  de  múltiplas 

seleções e interpretações que precisam de reordenamentos que os tornem confiáveis, inteligíveis 

e/ou  que  os  revistam  de  (novos)  sentidos.  Implica  sempre  escolhas,  seleção  de  conteúdos/

informação, validação, forma de organizá-los, hierarquizá-los, apresentá-los. Nessa perspectiva, 

curadoria pode dizer respeito ao processo envolvido na construção de produções feitas a partir 

de  outras  previamente  existentes,  que  possibilitam  a  criação  de  (outros)  efeitos  estéticos  e 

políticos e de novos e particulares sentidos. 

O  termo  também  vem  sendo  bastante  utilizado  em  relação  ao  tratamento  da  informação 

(curadoria  da  informação),  envolvendo  processos  mais  apurados  de  seleção  e  filtragem  de 

informações,  que  podem  requerer  procedimentos  de  checagem  e  validação,  comparações, 

análises, (re)organização, categorização e reedição de informações, entre outras possibilidades.


501

LINGUAGENS E SUAS TECNOLOGIAS – LÍNGUA PORTUGUESA

ENSINO MÉDIO

Médio, como já destacado, sua consolidação e complexificação, e a 

ênfase nas habilidades relativas à análise, síntese, compreensão dos 

efeitos de sentido e apreciação e réplica (posicionar-se de maneira 

responsável  em  relação  a  temas  e  efeitos  de  sentido  dos  textos; 

fazer apreciações éticas, estéticas e políticas de textos e produções 

artísticas e culturais etc.).

Uma vez que muitas habilidades já foram desenvolvidas e um grau de 

autonomia relativo às práticas de linguagem consideradas já foi alcan-

çado, as habilidades passam a ser apresentadas no Ensino Médio de 

um modo próximo ao requerido pelas práticas sociais, muitas vezes 

misturando, ao mesmo tempo, escuta, tomada de nota, leitura e fala.

Diferentemente do Ensino Fundamental, para o Ensino Médio não há 

indicação de anos na apresentação das habilidades, não só em função 

da natureza mais flexível do currículo para esse nível de ensino, mas 

também,  como  já  referido,  do  maior  grau  de  autonomia  dos  estu-

dantes,  que  se  supõe  alcançado.  Essa  proposta  não  mais  impõe 

restrições e necessidades de estabelecimento de sequências (que já 

são flexíveis no Ensino Fundamental), podendo cada rede de ensino e 

escola definir localmente as sequências e simultaneidades, considera-

dos os critérios gerais de organização apresentados em cada campo 

de atuação.

Os 

campos  de  atuação  social



  propostos  para  contextualizar  as 

práticas de linguagem no Ensino Médio em Língua Portuguesa cor-

respondem  aos  mesmos  considerados  pela  área.  Além  disso,  estão 

em relação com os campos propostos nesse componente nas duas 

fases do Ensino Fundamental:

ENSINO FUNDAMENTAL

ENSINO MÉDIO

ANOS INICIAIS

ANOS FINAIS

Campo da vida 

cotidiana

Campo da vida pessoal

Campo 

artístico-literário



Campo artístico-literário

Campo artístico-literário

Campo das práticas de 

estudo e pesquisa

Campo das práticas de 

estudo e pesquisa

Campo das práticas de 

estudo e pesquisa

Campo da vida pública

Campo jornalístico-midiático

Campo jornalístico-midiático

Campo de atuação na vida 

pública

Campo de atuação na vida 



pública

502

BASE NACIONAL  

COMUM CURRICULAR

campo da vida pessoal pretende funcionar como espaço de articula-



ções e sínteses das aprendizagens de outros campos postas a serviço 

dos projetos de vida dos estudantes. As práticas de linguagem privile-

giadas nesse campo relacionam-se com a ampliação do saber sobre si, 

tendo  em  vista  as  condições  que  cercam  a  vida  contemporânea  e  as 

condições juvenis no Brasil e no mundo.

Está em questão também possibilitar vivências significativas de práticas 

colaborativas em situações de interação presenciais ou em ambientes 

digitais, inclusive por meio da articulação com outras áreas e campos, 

e com os projetos e escolhas pessoais dos jovens. Nessas vivências, os 

estudantes  podem  aprender  procedimentos  de  levantamento,  trata-

mento e divulgação de dados e informações, e a usar esses dados em 

produções  diversas  e  na  proposição  de  ações  e  projetos  de  natureza 

variada, exercendo protagonismo de forma contextualizada.

No cerne do 

campo de atuação na vida pública estão a ampliação da 

participação em diferentes instâncias da vida pública, a defesa de direi-

tos, o domínio básico de textos legais e a discussão e o debate de ideias, 

propostas e projetos.

No  Ensino  Médio,  ganham  destaque  as  condições  de  produção  dos 

textos  legais,  sócio  e  historicamente  situados  e,  em  última  instância, 

baseados  nas  experiências  humanas,  formulados  com  vistas  à  paz 

social. A discussão sobre o Estatuto da Juventude e seu cumprimento e 

a análise e produção coletiva de projetos de lei também são postos em 

evidência. Análises de campanhas e programas políticos e de políticas 

públicas, bem como de estratégias de acompanhamento do exercício 

do  mandato  de  governantes,  também  são  consideradas  em  algumas 

das habilidades propostas.

Ainda no domínio das ênfases, indica-se um conjunto de habilidades que 

se relacionam com a análise, discussão, elaboração e desenvolvimento 

de propostas de ação e de projetos culturais e de intervenção social.

Em  relação  ao 

campo  jornalístico-midiático,  espera-se  que  os  jovens 

que chegam ao Ensino Médio sejam capazes de: compreender os fatos 

e circunstâncias principais relatados; perceber a impossibilidade de neu-

tralidade absoluta no relato de fatos; adotar procedimentos básicos de 

checagem de veracidade de informação; identificar diferentes pontos de 

vista diante de questões polêmicas de relevância social; avaliar argumen-

tos utilizados e posicionar-se em relação a eles de forma ética; identificar 

e  denunciar  discursos  de  ódio  e  que  envolvam  desrespeito  aos  Direi-

tos  Humanos;  e  produzir  textos  jornalísticos  variados,  tendo  em  vista 

seus contextos de produção e características dos gêneros. Eles também 

devem  ter  condições  de  analisar  estratégias  linguístico-discursivas 



503

LINGUAGENS E SUAS TECNOLOGIAS – LÍNGUA PORTUGUESA

ENSINO MÉDIO

utilizadas  pelos  textos  publicitários  e  de  refletir  sobre  necessidades  e 

condições de consumo.

No  Ensino  Médio,  enfatiza-se  ainda  mais  a  análise  dos  interesses  que 

movem o campo jornalístico-midiático e do significado e das implicações 

do direito à comunicação e sua vinculação com o direito à informação e 

à liberdade de imprensa. Também estão em questão a análise da relação 

entre informação e opinião, com destaque para o fenômeno da pós-ver-

dade, a consolidação do desenvolvimento de habilidades, a apropriação 

de mais procedimentos envolvidos nos processos de curadoria, a amplia-

ção do contato com projetos editoriais independentes e a consciência 

de que uma mídia independente e plural é condição indispensável para a 

democracia. Aprofundam-se também as análises das formas contempo-

râneas de publicidade em contexto digital, a dinâmica dos influenciadores 

digitais e as estratégias de engajamento utilizadas pelas empresas.

Como já destacado, as práticas que têm lugar nas redes sociais têm 

tratamento ampliado. Além dos gêneros propostos para o Ensino Fun-

damental, são privilegiados gêneros mais complexos relacionados com 

a apuração e o relato de fatos e situações (reportagem multimidiática, 

documentário etc.) e com a opinião (crítica da mídia, ensaio, vlog de 

opinião etc.). Textos, vídeos e podcasts diversos de apreciação de pro-

duções culturais também são propostos, a exemplo do que acontece 

no  Ensino  Fundamental,  mas  com  análises  mais  consistentes,  tendo 

em vista a intensificação da análise crítica do funcionamento das dife-

rentes semioses.

No 


campo  artístico-literário,  buscam-se  a  ampliação  do  contato  e 

a  análise  mais  fundamentada  de  manifestações  culturais  e  artísticas 

em geral. Está em jogo a continuidade da formação do leitor literário 

e do desenvolvimento da fruição. A análise contextualizada de produ-

ções artísticas e dos textos literários, com destaque para os clássicos, 

intensifica-se  no  Ensino  Médio.  Gêneros  e  formas  diversas  de  produ-

ções vinculadas à apreciação de obras artísticas e produções culturais 

(resenhas, vlogs e podcasts literários, culturais etc.) ou a formas de apro-

priação  do  texto  literário,  de  produções  cinematográficas  e  teatrais  e 

de outras manifestações artísticas (remidiações, paródias, estilizações, 

videominutos, fanfics etc.) continuam a ser considerados associados a 

habilidades técnicas e estéticas mais refinadas.

A  escrita  literária,  por  sua  vez,  ainda  que  não  seja  o  foco  central  do 

componente de Língua Portuguesa, também se mostra rica em pos-

sibilidades expressivas. Já exercitada no Ensino Fundamental, pode 

ser  ampliada  e  aprofundada  no  Ensino  Médio,  aproveitando  o  inte-

resse de muitos jovens por manifestações esteticamente organizadas 

comuns às culturas juvenis.



504

BASE NACIONAL  

COMUM CURRICULAR

O que está em questão nesse tipo de escrita não é informar, ensinar 

ou simplesmente comunicar. O exercício literário inclui também a 

função de produzir certos níveis de reconhecimento, empatia e soli-

dariedade  e  envolve  reinventar,  questionar  e  descobrir-se.  Sendo 

assim, ele é uma função importante em termos de elaboração da 

subjetividade e das inter-relações pessoais. Nesse sentido, o desen-

volvimento de textos construídos esteticamente – no âmbito dos 

mais diferentes gêneros – pode propiciar a exploração de emoções, 

sentimentos e ideias que não encontram lugar em outros gêneros 

não literários (e que, por isso, devem ser explorados).

campo  das  práticas  de  estudo  e  pesquisa  mantém  destaque 



para  os  gêneros  e  as  habilidades  envolvidos  na  leitura/escuta  e 

produção  de  textos  de  diferentes  áreas  do  conhecimento  e  para 

as  habilidades  e  procedimentos  envolvidos  no  estudo.  Ganham 

realce também as habilidades relacionadas à análise, síntese, refle-

xão,  problematização  e  pesquisa:  estabelecimento  de  recorte  da 

questão  ou  problema;  seleção  de  informações;  estabelecimento 

das  condições  de  coleta  de  dados  para  a  realização  de  levanta-

mentos;  realização  de  pesquisas  de  diferentes  tipos;  tratamento 

de dados e informações; e formas de uso e socialização dos resul-

tados e análises.

Além  de  fazer  uso  competente  da  língua  e  das  outras  semioses, 

os  estudantes  devem  ter  uma  atitude  investigativa  e  criativa  em 

relação a elas e compreender princípios e procedimentos metodo-

lógicos que orientam a produção do conhecimento sobre a língua 

e as linguagens e a formulação de regras.

No Ensino Médio, aprofundam-se também a análise e a reflexão sobre 

a língua, no que diz respeito à contraposição entre uma perspectiva 

prescritiva única, que segue os moldes da abordagem tradicional da 

gramática,  e  a  perspectiva  de  descrição  de  vários  usos  da  língua. 

Ainda que continue em jogo a aprendizagem da norma-padrão, em 

função de situações e gêneros que a requeiram, outras variedades 

devem ter espaço e devem ser legitimadas. A perspectiva de abor-

dagem do português brasileiro também deve estar presente, assim 

como a reflexão sobre as razões de sua ainda pouca presença nos 

materiais didáticos e nas escolas brasileiras.

As 


habilidades  de  Língua  Portuguesa  estão  organizadas  nesses 

cinco 


campos de atuação social. Além disso, ainda que uma mesma 

habilidade  possa  estar  a  serviço  de  mais  de  uma 

competência 

específica da área de Linguagens e suas Tecnologias, indica(m)-se 

aquela(s) com a(s) qual(is) cada habilidade tem maior afinidade.


505

LINGUAGENS E SUAS TECNOLOGIAS – LÍNGUA PORTUGUESA

ENSINO MÉDIO

5.1.2.1. 

LÍNGUA PORTUGUESA NO ENSINO MÉDIO: CAMPOS 

DE ATUAÇÃO SOCIAL, COMPETÊNCIAS ESPECÍFICAS E 

HABILIDADES

TODOS OS CAMPOS DE ATUAÇÃO SOCIAL

Embora a maioria das habilidades seja apresentada tendo em vista o 

contexto das práticas sociais de cada um dos diferentes campos de 

atuação  social,  os  campos  apresentam  várias  intersecções.  Nesses 

casos, a habilidade é descrita em um dos campos e referida no outro. 

Também  são  desejáveis  diferentes  níveis  de  articulação  entre  os 

campos.

A pesquisa, por exemplo, além de ser mais diretamente dedicada a 



um  campo,  perpassa  todos  os  outros  em  ações  de  busca,  seleção, 

validação,  tratamento  e  organização  de  informação,  envolvidas  na 

curadoria de informação, devendo também estar presente no trata-

mento metodológico dos conteúdos.

Os  Direitos  Humanos  também  perpassam  todos  os  campos  de 

atuação social de diferentes formas, seja no debate de ideias e orga-

nização de formas de defesa de direitos (campo jornalístico-midiático 

e campo de atuação na vida pública), seja no exercício desse direito 

(direito à literatura, à arte, à informação, aos conhecimentos disponí-

veis, ao saber sobre si etc.).

Por  fim,  o  trabalho,  entendido  como  ato  humano  de  transformar  a 

natureza – ideia na qual se considera que os humanos produzem sua 

realidade, apropriando-se dela e a transformando – e como forma de 

(re)produção  da  vida  material,  também  está  contemplado.  No  pri-

meiro sentido,

o trabalho é princípio educativo à medida que 

proporciona compreensão do processo histórico 

de produção científica e tecnológica, como 

conhecimentos desenvolvidos e apropriados 

socialmente para a transformação das condições 

naturais da vida e a ampliação das capacidades, das 

potencialidades e sentido humanos (Parecer CNE/

CEB nº 5/2011

64

).



64    BRASIL.  Conselho  Nacional  de  Educação;  Câmara  de  Educação  Básica. 

Parecer  nº  5, 

de  4  de  maio  de  2011.  Diretrizes  Curriculares  Nacionais  para  o  Ensino  Médio.  Diário  Oficial 

da  União,  Brasília,  24  de  janeiro  de  2012,  Seção  1,  p.  10.  Disponível  em:  


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