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raciocínio  geográfico

,  uma  maneira  de  exercitar  o  pensamento 

espacial, aplica determinados princípios (Quadro 1) para compreen-

der aspectos fundamentais da realidade: a localização e a distribuição 

dos fatos e fenômenos na superfície terrestre, o ordenamento ter-

ritorial, as conexões existentes entre componentes físico-naturais e 

as ações antrópicas.

46

46  Essa concepção, que valoriza a capacidade dos jovens de pensar espacialmente por meio 



do raciocínio geográfico, é compartilhada por propostas curriculares de diversos países, como 

o Reino Unido, Portugal, Estados Unidos da América, Chile e Austrália.



BASE NACIONAL  

COMUM CURRICULAR

360

QUADRO 1 – DESCRIÇÃO DOS PRINCÍPIOS DO RACIOCÍNIO GEOGRÁFICO 



PRINCÍPIO

DESCRIÇÃO



Analogia

Um fenômeno geográfico sempre é comparável a outros. A 

identificação das semelhanças entre fenômenos geográficos é 

o início da compreensão da unidade terrestre. 



Conexão

Um fenômeno geográfico nunca acontece isoladamente, mas 

sempre em interação com outros fenômenos próximos ou 

distantes. 



Diferenciação*

É a variação dos fenômenos de interesse da geografia pela 

superfície terrestre (por exemplo, o clima), resultando na 

diferença entre áreas. 



Distribuição

Exprime como os objetos se repartem pelo espaço. 



Extensão

Espaço finito e contínuo delimitado pela ocorrência do 

fenômeno geográfico. 

Localização

Posição particular de um objeto na superfície terrestre. A 

localização pode ser absoluta (definida por um sistema de 

coordenadas geográficas) ou relativa (expressa por meio de 

relações espaciais topológicas ou por interações espaciais). 

Ordem**

Ordem ou arranjo espacial é o princípio geográfico de maior 

complexidade. Refere-se ao modo de estruturação do espaço 

de acordo com as regras da própria sociedade que o produziu. 

Fontes: FERNANDES, José Alberto Rio; TRIGAL, Lourenzo López; SPÓSITO, Eliseu Savério. 

Dicionário de Geografia 

aplicada. Porto: Porto Editora, 2016.

* MOREIRA, Ruy. A diferença e a geografia: o ardil da identidade e a representação da diferença na geografia. 

GEOgraphia, Rio de Janeiro, ano 1, n. 1, p. 41-58, 1999.

** MOREIRA, Ruy. Repensando a Geografia. In: SANTOS, Milton (Org.). 

Novos rumos da Geografia brasileira. 

São Paulo: Hucitec, 1982, p. 35-49.

Essa é a grande contribuição da Geografia aos alunos da Educação 

Básica: desenvolver o pensamento espacial, estimulando o raciocínio 

geográfico para representar e interpretar o mundo em permanente 

transformação e relacionando componentes da sociedade e da natu-

reza. Para tanto, é necessário assegurar a apropriação de conceitos 

para o domínio do conhecimento fatual (com destaque para os acon-

tecimentos que podem ser observados e localizados no tempo e no 

espaço) e para o exercício da cidadania. 



CIÊNCIAS HUMANAS – GEOGRAFIA

ENSINO FUNDAMENTAL

361

Ao utilizar corretamente os conceitos geográficos, mobilizando o pen-



samento  espacial  e  aplicando  procedimentos  de  pesquisa  e  análise 

das  informações  geográficas,  os  alunos  podem  reconhecer:  a  desi-

gualdade  dos  usos  dos  recursos  naturais  pela  população  mundial; 

o  impacto  da  distribuição  territorial  em  disputas  geopolíticas;  e  a 

desigualdade  socioeconômica  da  população  mundial  em  diferentes 

contextos urbanos e rurais. Desse modo, a aprendizagem da Geografia 

favorece o reconhecimento da diversidade étnico-racial e das diferen-

ças dos grupos sociais, com base em princípios éticos (respeito à 

diversidade  e  combate  ao  preconceito  e  à  violência  de  qualquer 

natureza). Ela também estimula a capacidade de empregar o racio-

cínio geográfico para pensar e resolver problemas gerados na vida 

cotidiana, condição fundamental para o desenvolvimento das com-

petências gerais previstas na BNCC. 

Nessa  direção,  a  BNCC  está  organizada  com  base  nos 



principais

conceitos

  da  Geografia  contemporânea,  diferenciados  por  níveis 

de  complexidade.  Embora  o 

espaço  seja  o  conceito  mais  amplo 

e  complexo  da  Geografia,  é  necessário  que  os  alunos  dominem 

outros  conceitos  mais  operacionais  e  que  expressam  aspectos 

diferentes do espaço geográfico: 

território, lugar, região, natureza 

paisagem. 



O conceito de espaço é inseparável do conceito de tempo e ambos 

precisam ser pensados articuladamente como um processo. Assim 

como  para  a  História,  o  tempo  é  para  a  Geografia  uma  constru-

ção social, que se associa à memória e às identidades sociais dos 

sujeitos. Do mesmo modo, os tempos da natureza não podem ser 

ignorados,  pois  marcam  a  memória  da  Terra  e  as  transformações 

naturais  que  explicam  as  atuais  condições  do  meio  físico  natural. 

Assim, pensar a temporalidade das ações humanas e das socieda-

des por meio da relação tempo-espaço representa um importante 

e desafiador processo na aprendizagem de Geografia.

Para  isso,  é  preciso  superar  a  aprendizagem  com  base  apenas  na 

descrição  de  informações  e  fatos  do  dia  a  dia,  cujo  significado 

restringe-se  apenas  ao  contexto  imediato  da  vida  dos  sujeitos. 

A  ultrapassagem  dessa  condição  meramente  descritiva  exige 

o  domínio  de  conceitos  e  generalizações.  Estes  permitem  novas 

formas  de  ver  o  mundo  e  de  compreender,  de  maneira  ampla  e 

crítica, as múltiplas relações que conformam a realidade, de acordo 

com o aprendizado do conhecimento da ciência geográfica. 

Para dar conta desse desafio, o componente Geografia da BNCC foi 

dividido em cinco 



unidades temáticas

 comuns ao longo do Ensino 

Fundamental, em uma progressão das habilidades.


BASE NACIONAL  

COMUM CURRICULAR

362

Na unidade temática 



O sujeito e seu lugar no mundo, focalizam-se 

as  noções  de  pertencimento  e  identidade.  No  Ensino  Fundamental 

–  Anos  Iniciais,  busca-se  ampliar  as  experiências  com  o  espaço  e 

o  tempo  vivenciadas  pelas  crianças  em  jogos  e  brincadeiras  na 

Educação  Infantil,  por  meio  do  aprofundamento  de  seu  conhe-

cimento  sobre  si  mesmas  e  de  sua  comunidade,  valorizando-se 

os  contextos  mais  próximos  da  vida  cotidiana.  Espera-se  que  as 

crianças percebam e compreendam a dinâmica de suas relações 

sociais e étnico-raciais, identificando-se com a sua comunidade e 

respeitando  os  diferentes  contextos  socioculturais.  Ao  tratar  do 

conceito de espaço, estimula-se o desenvolvimento das relações 

espaciais topológicas, projetivas e euclidianas, além do raciocínio 

geográfico, importantes para o processo de alfabetização carto-

gráfica  e  a  aprendizagem  com  as  várias  linguagens  (formas  de 

representação e pensamento espacial). 

Além disso, pretende-se possibilitar que os estudantes construam 

sua identidade relacionando-se com o outro (sentido de alteridade); 

valorizem as suas memórias e marcas do passado vivenciadas em 

diferentes lugares; e, à medida que se alfabetizam, ampliem a sua 

compreensão do mundo. Em continuidade, no Ensino Fundamental 

– Anos Finais, procura-se expandir o olhar para a relação do sujeito 

com contextos mais amplos, considerando temas políticos, econô-

micos e culturais do Brasil e do mundo. Dessa forma, o estudo da 

Geografia  constitui-se  em  uma  busca  do  lugar  de  cada  indivíduo 

no mundo, valorizando a sua individualidade e, ao mesmo tempo, 

situando-o  em  uma  categoria  mais  ampla  de  sujeito  social:  a  de 

cidadão  ativo,  democrático  e  solidário.  Enfim,  cidadãos  produtos 

de  sociedades  localizadas  em  determinado  tempo  e  espaço,  mas 

também produtores dessas mesmas sociedades, com sua cultura e 

suas normas.

Em 

Conexões  e  escalas,  a  atenção  está  na  articulação  de  dife-



rentes  espaços  e  escalas  de  análise,  possibilitando  que  os  alunos 

compreendam  as  relações  existentes  entre  fatos  nos  níveis  local 

e global. Portanto, no decorrer do Ensino Fundamental, os alunos 

precisam  compreender  as  interações  multiescalares  existentes 

entre  sua  vida  familiar,  seus  grupos  e  espaços  de  convivência  e 

as interações espaciais mais complexas. A conexão é um princípio 

da Geografia que estimula a compreensão do que ocorre entre os 

componentes  da  sociedade  e  do  meio  físico  natural.  Ela  também 

analisa  o  que  ocorre  entre  quaisquer  elementos  que  constituem 

um conjunto na superfície terrestre e que explicam um lugar na sua 

totalidade. Conexões e escalas explicam os arranjos das paisagens, 

a  localização  e  a  distribuição  de  diferentes  fenômenos  e  objetos 

técnicos, por exemplo. 


CIÊNCIAS HUMANAS – GEOGRAFIA

ENSINO FUNDAMENTAL

363

Dessa  maneira,  desde  o  Ensino  Fundamental  –  Anos  Iniciais,  as 



crianças  compreendem  e  estabelecem  as  interações  entre  socie-

dade e meio físico natural. No decorrer desse processo, os alunos 

devem aprender a considerar as escalas de tempo e as periodiza-

ções históricas, importantes para a compreensão da produção do 

espaço geográfico em diferentes sociedades e épocas. 

Em 


Mundo do trabalho, abordam-se, no Ensino Fundamental – Anos 

Iniciais, os processos e as técnicas construtivas e o uso de diferen-

tes materiais produzidos pelas sociedades em diversos tempos. São 

igualmente abordadas as características das inúmeras atividades e 

suas funções socioeconômicas nos setores da economia e os pro-

cessos  produtivos  agroindustriais,  expressos  em  distintas  cadeias 

produtivas.  No  Ensino  Fundamental  –  Anos  Finais,  essa  unidade 

temática  ganha  relevância:  incorpora-se  o  processo  de  produ-

ção  do  espaço  agrário  e  industrial  em  sua  relação  entre  campo  e 

cidade,  destacando-se  as  alterações  provocadas  pelas  novas  tec-

nologias  no  setor  produtivo,  fator  desencadeador  de  mudanças 

substanciais  nas  relações  de  trabalho,  na  geração  de  emprego  e 

na distribuição de renda em diferentes escalas. A Revolução Indus-

trial,  a  revolução  técnico-científico-informacional  e  a  urbanização 

devem ser associadas às alterações no mundo do trabalho. Nesse 

sentido,  os  alunos  terão  condição  de  compreender  as  mudanças 

que ocorreram no mundo do trabalho em variados tempos, escalas 

e processos históricos, sociais e étnico-raciais.

Por sua vez, na unidade temática 

Formas de representação e pen-

samento espacial, além da ampliação gradativa da concepção do 

que é um mapa e de outras formas de representação gráfica, são 

reunidas aprendizagens que envolvem o raciocínio geográfico. Espe-

ra-se  que,  no  decorrer  do  Ensino  Fundamental,  os  alunos  tenham 

domínio  da  leitura  e  elaboração  de  mapas  e  gráficos,  iniciando-

-se  na  alfabetização  cartográfica.  Fotografias,  mapas,  esquemas, 

desenhos, imagens de satélites, audiovisuais, gráficos, entre outras 

alternativas,  são  frequentemente  utilizados  no  componente  cur-

ricular.  Quanto  mais  diversificado  for  o  trabalho  com  linguagens, 

maior o repertório construído pelos alunos, ampliando a produção 

de sentidos na leitura de mundo. Compreender as particularidades 

de cada linguagem, em suas potencialidades e em suas limitações, 

conduz  ao  reconhecimento  dos  produtos  dessas  linguagens  não 

como verdades, mas como possibilidades. 

No Ensino Fundamental – Anos Iniciais, os alunos começam, por meio 

do exercício da localização geográfica, a desenvolver o pensamento 

espacial, que gradativamente passa a envolver outros princípios meto-

dológicos do raciocínio geográfico, como os de localização, extensão, 



BASE NACIONAL  

COMUM CURRICULAR

364

correlação, diferenciação e analogia espacial. No Ensino Fundamental 



– Anos Finais, espera-se que os alunos consigam ler, comparar e elabo-

rar diversos tipos de mapas temáticos, assim como as mais diferentes 

representações utilizadas como ferramentas da análise espacial. Essa, 

aliás, deve ser uma preocupação norteadora do trabalho com mapas 

em Geografia. Eles devem, sempre que possível, servir de suporte para 

o repertório que faz parte do raciocínio geográfico, fugindo do ensino 

do mapa pelo mapa, como fim em si mesmo.

Na  unidade  temática 

Natureza,  ambientes  e  qualidade  de  vida, 

busca-se  a  unidade  da  geografia,  articulando  geografia  física  e 

geografia humana, com destaque para a discussão dos processos 

físico-naturais  do  planeta  Terra.  No  Ensino  Fundamental  –  Anos 

Iniciais,  destacam-se  as  noções  relativas  à  percepção  do  meio 

físico natural e de seus recursos. Com isso, os alunos podem reco-

nhecer  de  que  forma  as  diferentes  comunidades  transformam  a 

natureza, tanto em relação às inúmeras possibilidades de uso ao 

transformá-la em recursos quanto aos impactos socioambientais 

delas  provenientes.  No  Ensino  Fundamental  –  Anos  Finais,  essas 

noções ganham dimensões conceituais mais complexas, de modo 

a levar os estudantes a estabelecer relações mais elaboradas, con-

jugando natureza, ambiente e atividades antrópicas em distintas 

escalas e dimensões socioeconômicas e políticas. Dessa maneira, 

torna-se  possível  a  eles  conhecer  os  fundamentos  naturais  do 

planeta  e  as  transformações  impostas  pelas  atividades  humanas 

na dinâmica físico-natural, inclusive no contexto urbano e rural. 

Em  todas  essas  unidades,  destacam-se  aspectos  relacionados  ao 

exercício da cidadania e à aplicação de conhecimentos da Geogra-

fia  diante  de  situações  e  problemas  da  vida  cotidiana,  tais  como: 

estabelecer regras de convivência na escola e na comunidade; dis-

cutir propostas de ampliação de espaços públicos; e propor ações 

de  intervenção  na  realidade,  tudo  visando  à  melhoria  da  coletivi-

dade e do bem comum. 

No Ensino Fundamental – Anos Iniciais, as crianças devem ser desa-

fiadas a reconhecer e comparar as realidades de diversos lugares de 

vivência, assim como suas semelhanças e diferenças socioespaciais, 

e a identificar a presença ou ausência de equipamentos públicos e 

serviços  básicos  essenciais  (como  transporte,  segurança,  saúde  e 

educação). No Ensino Fundamental – Anos Finais, espera-se que os 

alunos compreendam os processos que resultaram na desigualdade 

social,  assumindo  a  responsabilidade  de  transformação  da  atual 

realidade, fundamentando suas ações em princípios democráticos, 

solidários e de justiça. Dessa maneira, possibilita-se o entendimento 

do  que  é  Geografia,  com  base  nas  práticas  espaciais,  que  dizem 


CIÊNCIAS HUMANAS – GEOGRAFIA

ENSINO FUNDAMENTAL

365

respeito às ações espacialmente localizadas de cada indivíduo, con-



siderado como agente social concreto. Ao observar e analisar essas 

ações, visando a interesses individuais (práticas espaciais), espera-

-se que os alunos estabeleçam relações de alteridade e de modo de 

vida em diferentes tempos.

Assim, com o aprendizado de Geografia, os estudantes têm a opor-

tunidade de trabalhar com conceitos que sustentam ideias plurais 

de natureza, território e territorialidade. Dessa forma, eles podem 

construir uma base de conhecimentos que incorpora os segmentos 

sociais culturalmente diferenciados e também os diversos tempos 

e ritmos naturais.

Essa dimensão conceitual permite que os alunos desenvolvam apro-

ximações e compreensões sobre os saberes científicos – a respeito 

da natureza, do território e da territorialidade, por exemplo – presen-

tes nas situações cotidianas. Quanto mais um cidadão conhece os 

elementos físico-naturais e sua apropriação e produção, mais pode 

ser protagonista autônomo de melhores condições de vida. Trata-

-se, nessa unidade temática, de desenvolver o conceito de ambiente 

na  perspectiva  geográfica,  o  que  se  fundamenta  na  transforma-

ção da natureza pelo trabalho humano. Não se trata de transferir o 

conhecimento científico para o escolar, mas, por meio dele, permitir 

a compreensão dos processos naturais e da produção da natureza 

na sociedade capitalista. Nesse sentido, ao compreender o contexto 

da natureza vivida e apropriada pelos processos socioeconômicos 

e  culturais,  os  alunos  constroem  criticidade,  fator  fundamental  de 

autonomia para a vida fora da escola. 

Para tanto, a abordagem dessas unidades temáticas deve ser realizada 

integradamente, uma vez que a 

situação geográfica

não é apenas um 

pedaço do território, uma área contínua, mas um conjunto de relações. 

Portanto, a análise de situação resulta da busca de características fun-

damentais de um lugar na sua relação com outros lugares. Assim, ao 

se estudarem os objetos de aprendizagem de Geografia, a ênfase do 

aprendizado é na posição relativa dos objetos no espaço e no tempo, o 

que exige a compreensão das características de um lugar (localização, 

extensão, conectividade, entre outras), resultantes das relações com 

outros lugares. Por causa disso, o entendimento da situação geográ-

fica, pela sua natureza, é o procedimento para o estudo dos objetos 

de aprendizagem pelos alunos. Em uma mesma atividade a ser desen-

volvida pelo professor, os alunos podem mobilizar, ao mesmo tempo, 

diversas habilidades de diferentes unidades temáticas.

Cumpre destacar que os critérios de organização das habilidades na 

BNCC (com a explicitação dos objetos de conhecimento aos quais 



BASE NACIONAL  

COMUM CURRICULAR

366

COMPETÊNCIAS ESPECÍFICAS DE GEOGRAFIA PARA O 



ENSINO FUNDAMENTAL

1.

  Utilizar os conhecimentos geográficos para entender a interação sociedade/

natureza e exercitar o interesse e o espírito de investigação e de resolução 

de problemas.



2.

  Estabelecer conexões entre diferentes temas do conhecimento geográfico, 

reconhecendo a importância dos objetos técnicos para a compreensão das 

formas  como  os  seres  humanos  fazem  uso  dos  recursos  da  natureza  ao 

longo da história.

3.

  Desenvolver  autonomia  e  senso  crítico  para  compreensão  e  aplicação 

do raciocínio geográfico na análise da ocupação humana e produção do 

espaço,  envolvendo  os  princípios  de  analogia,  conexão,  diferenciação, 

distribuição, extensão, localização e ordem.

4.

  Desenvolver o pensamento espacial, fazendo uso das linguagens cartográ-

ficas  e  iconográficas,  de  diferentes  gêneros  textuais  e  das  geotecnologias 

para a resolução de problemas que envolvam informações geográficas.



5.

  Desenvolver e utilizar processos, práticas e procedimentos de investigação 

para compreender o mundo natural, social, econômico, político e o meio 

técnico-científico  e  informacional,  avaliar  ações  e  propor  perguntas 

e  soluções  (inclusive  tecnológicas)  para  questões  que  requerem 

conhecimentos científicos da Geografia.



6.

  Construir  argumentos  com  base  em  informações  geográficas,  debater  e 

defender ideias e pontos de vista que respeitem e promovam a consciência 

socioambiental e o respeito à biodiversidade e ao outro, sem preconceitos   

de qualquer natureza.

7.

  Agir  pessoal  e  coletivamente  com  respeito,  autonomia,  responsabilidade, 

flexibilidade, resiliência e determinação, propondo ações sobre as questões 

socioambientais, com base em princípios éticos, democráticos, sustentáveis 

e solidários.

se relacionam e do agrupamento desses objetos em unidades temá-

ticas) expressam um arranjo possível (dentre outros). Portanto, os 

agrupamentos  propostos  não  devem  ser  tomados  como  modelo 

obrigatório para o desenho dos currículos. 

Considerando esses pressupostos, e em articulação com as com-

petências  gerais  da  Educação  Básica  e  com  as  competências 

específicas da área de Ciências Humanas, o componente curricular 

de Geografia também deve garantir aos alunos o desenvolvimento 

de 


competências específicas

.


CIÊNCIAS HUMANAS – GEOGRAFIA

ENSINO FUNDAMENTAL

367

4.4.1.1. 



GEOGRAFIA NO ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS: 

UNIDADES TEMÁTICAS, OBJETOS DE CONHECIMENTO E 

HABILIDADES

No  contexto  da  aprendizagem  do  Ensino  Fundamental  –  Anos  Ini-

ciais,  será  necessário  considerar  o  que  as  crianças  aprenderam  na 

Educação Infantil. 

Em seu cotidiano, por exemplo, elas desenham familiares, enumeram 

relações  de  parentesco,  reconhecem-se  em  fotos  (classificando-as 

como antigas ou recentes), guardam datas e fatos, sabem a hora de 

dormir, de ir para a escola, negociam horários, fazem relatos orais, revi-

sitam o passado por meio de jogos, cantigas e brincadeiras ensinadas 

pelos  mais  velhos,  posicionam-se  criticamente  sobre  determinadas 

situações, e tantos outros.

Tendo  por  referência  esses  conhecimentos  das  próprias  crianças, 

o estudo da Geografia no Ensino Fundamental – Anos Iniciais, em 

articulação com os saberes de outros componentes curriculares e 

áreas de conhecimento, concorre para o processo de alfabetização 

e letramento e para o desenvolvimento de diferentes raciocínios. 

O estudo da Geografia permite atribuir sentidos às dinâmicas das 

relações entre pessoas e grupos sociais, e desses com a natureza, 

nas  atividades  de  trabalho  e  lazer.  É  importante,  na  faixa  etária 

associada a essa fase do Ensino Fundamental, o desenvolvimento 

da  capacidade  de  leitura  por  meio  de  fotos,  desenhos,  plantas, 

maquetes  e  as  mais  diversas  representações.  Assim,  os  alunos 

desenvolvem a percepção e o domínio do espaço.

Nessa fase, é fundamental que os alunos consigam saber e respon-

der  algumas  questões  a  respeito  de  si,  das  pessoas  e  dos  objetos: 

Onde se localiza? Por que se localiza? Como se distribui? Quais são as 

características  socioespaciais?  Essas  perguntas  mobilizam  as  crian-

ças a pensar sobre a localização de objetos e das pessoas no mundo, 

permitindo que compreendam seu lugar no mundo.

“Onde se localiza?” é uma indagação que as leva a mobilizar o pen-

samento  espacial  e  as  informações  geográficas  para  interpretar  as 

paisagens  e  compreender  os  fenômenos  socioespaciais,  tendo  na 

alfabetização cartográfica um importante encaminhamento. 


BASE NACIONAL  

COMUM CURRICULAR

368

“Por que se localiza?” permite a orientação e a aplicação do pensa-



mento espacial em diferentes lugares e escalas de análise. 

“Como  se  distribui?”  é  uma  pergunta  que  remete  ao  princípio  geo-

gráfico de diferenciação espacial, que estimula os alunos a entender 

o ordenamento territorial e a paisagem, estabelecendo relações entre 

os conceitos principais da Geografia. 

“Quais são as características socioespaciais?” permite que reconhe-

çam a dinâmica da natureza e a interferência humana na superfície 

terrestre,  conhecendo  os  lugares  e  estabelecendo  conexões  entre 

eles,  sejam  locais,  regionais  ou  mundiais,  além  de  contribuir  para  a 

percepção das temáticas ambientais.

A ênfase nos lugares de vivência, dada no Ensino Fundamental – Anos 

Iniciais, oportuniza o desenvolvimento de noções de pertencimento, 

localização,  orientação  e  organização  das  experiências  e  vivências 

em diferentes locais. 

Essas  noções  são  fundamentais  para  o  trato  com  os  conhecimen-

tos geográficos. Mas o aprendizado não deve ficar restrito apenas 

aos lugares de vivência. Outros conceitos articuladores, como pai-

sagem, região e território, vão se integrando e ampliando as escalas 

de análise.

De maneira geral, na abordagem dos objetos de conhecimento, é 

necessário  garantir  o  estabelecimento  de  relações  entre  concei-

tos e fatos que possibilitem o conhecimento da dinâmica do meio 

físico, social, econômico e político. Dessa forma, deve-se garantir 

aos alunos a compreensão das características naturais e culturais 

nas  diferentes  sociedades  e  lugares  do  seu  entorno,  incluindo  a 

noção espaço-tempo. 

Assim,  é  imprescindível  que  os  alunos  identifiquem  a  presença  e  a 

sociodiversidade de culturas indígenas, afro-brasileiras, quilombolas, 

ciganas e dos demais povos e comunidades tradicionais para com-

preender  suas  características  socioculturais  e  suas  territorialidades. 

Do  mesmo  modo,  é  necessário  que  eles  diferenciem  os  lugares  de 

vivência e compreendam a produção das paisagens e a inter-relação 

entre elas, como o campo/cidade e o urbano/rural, no que tange aos 

aspectos políticos, sociais, culturais, étnico-raciais e econômicos. 



CIÊNCIAS HUMANAS – GEOGRAFIA

ENSINO FUNDAMENTAL

369

Essas  aprendizagens  servem  de  base  para  o  desenvolvimento  de 



atitudes,  procedimentos  e  elaborações  conceituais  que  poten-

cializam  o  reconhecimento  e  a  construção  das  identidades  e  a 

participação em diferentes grupos sociais.

Esse  processo  de  aprendizado  abre  caminhos  para  práticas  de 

estudo provocadoras e desafiadoras, em situações que estimulem 

a  curiosidade,  a  reflexão  e  o  protagonismo.  Pautadas  na  obser-

vação,  nas  experiências  diretas,  no  desenvolvimento  de  variadas 

formas  de  expressão,  registro  e  problematização,  essas  práticas 

envolvem, especialmente, o trabalho de campo.


BASE NACIONAL  

COMUM CURRICULAR

370

GEOGRAFIA – 1º ANO



UNIDADES TEMÁTICAS 

OBJETOS DE CONHECIMENTO 

HABILIDADES 


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