Dias da música 2015 Luzes, Câmara… Música!



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DIAS DA MÚSICA 2015

Luzes, Câmara… Música!

Num documentário sobre a música no cinema, Alfred Hitchcock fazia-nos ver a célebre cena do duche de Psico (1960) em que Janet Leigh está prestes a ser assassinada. Primeiro víamos a cena tal como ela foi exibida nas salas de cinema. Depois repetia-se a cena sem a música de Bernard Herrmann. Escusado será dizer que a cena perdia quase tudo, a força dramática, a emoção, o suspense. “A música”, dizia Hitchcock, “a música é o segredo”! Os próprios irmãos Lumière estavam conscientes disso quando fizeram acompanhar as suas primeiras projeções por uma pequena orquestra, tal como viria a acontecer ao longo das primeiras décadas de exibição. Na transição do Cinema Mudo para o Cinema Sonoro, entre 1926 e 1927, a música adquire uma importância ainda maior, não tendo sido por acaso que o título escolhido para o primeiro filme sonoro tivesse sido O Cantor de Jazz (1927), a história de um músico negro que se apaixona pelo género nascido em Nova Orleães.


Na sua primeira rendição à voz, quase uma década depois do seu primeiro filme, Charlie Chaplin optou por cantar em vez de dialogar. Na realidade, mesmo na fase do cinema mudo, a maneira como o vagabundo mais famoso da Sétima Arte se movimentava ao longo das inúmeras peripécias em que se envolve, faz-nos perceber como em todos esses movimentos há toda uma coreografia encenada, reveladora da relação quase umbilical entre o cinema e a música.
De meramente ilustrativa e acessória a elemento fulcral na narrativa, a música tornou-se num elemento indispensável em qualquer filme e não foi preciso esperar muito para assistir ao nascimento de um género específico de música para filmes e para o qual contribuíram grandes compositores como Sergei Prokofiev, Dmitri Shostakovich, Arthur Honegger e Erich Wolfgang Korngold, ou ainda compositores que se tornaram em verdadeiros especialistas neste género absolutamente único como Miklós Rózsa, Nino Rota, Maurice Jarre, Bernard Herrmann, Michel Legrand, Ennio Morricone, John Barry, ou John Williams. Um contributo tão precioso, que muitos destes nomes acabaram por se transformar em parceiros indispensáveis de alguns dos maiores realizadores da história da Sétima Arte. Para além disso a ascensão do género Musical, coincidente com a época dourada de Hollywood, vem dar à Música um papel absolutamente central, comparável ao de uma grande produção musical apresentada em palco e para o qual concorreram compositores como George Gershwin, Cole Porter, Irving Berlin, Richard Rodgers, Stephen Sondheim e Leonard Bernstein, entre outros.
Para além da música escrita de propósito para o cinema, houve também uma apropriação cada vez maior das obras intemporais da história da música, dando-lhes toda uma dimensão cénica, a ponto de muitas vezes sermos levados a esquecer o sentido original da obra. De Bach a Ligeti, passando por Handel, Vivaldi, Mozart, Beethoven, Schubert, Rossini, Liszt, Chopin, Wagner, Brahms, Tchaikovsky, Mahler, Richard Strauss ou Samuel Barber, todo um mundo de obras apropriadas pela Sétima Arte para Bandas Sonoras que ainda hoje estão na nossa memória.
A todo este mundo musical há também uma vontade cada vez maior por parte dos mais variados artistas em incluírem as suas músicas nas grandes produções cinematográficas. Phil Collins, Stevie Wonder, Smashing Pumpkins, Metallica ou The Cure são alguns exemplos recentes de artistas consagrados que aceitaram o desafio de construir canções para o cinema, nunca esquecendo o caso de James Bond, a saga que se distingue também pela canção título, alvo de cobiça dentro da indústria discográfica.
É precisamente com a consciência do enorme poder da música na Sétima Arte, que o CCB decide dedicar os Dias da Música em Belém de 2015 ao tema Luzes, Câmara… Música! ou seja, à Música no Cinema. Um pretexto para através da Sétima Arte revisitarmos toda a grande história da música e igualmente para abrirmos ainda mais o leque já variado de ofertas musicais, da música erudita ao Jazz, do Fado à música latino-americana, e até aos grandes Temas que tendo sido apresentados no Cinema, se tornaram em verdadeiros fenómenos de popularidade. Tudo com um enfoque especial para a relação entre a música e a imagem.
De 24 a 26 de abril de 2015, concertos, oficinas, conferências e visualização de filmes, artistas de primeira linha do panorama nacional e internacional, jovens intérpretes e até compositores, vão levar-nos por uma viagem pela história do Cinema através da sua música, sempre no clima de festa que caracteriza os Dias da Música.

QUINTA-FEIRA




5.ª-feira – 21h30

cINEMA SÃO JORGE



Concerto Pré-Inaugural Dias da Música no IndieLisboa

Alis Ubbo Ensemble

Filme: Around the World in 50 Concerts
O filme apresentado no Cinema São Jorge, em parceria com o CCB numa ante-estreia aos Dias da Música em Belém, este ano subordinados ao tema “Luzes, Câmara… Música!”, é da realizadora holandesa de origem peruana Heddy Honigmann, e tem o título sugestivo de Around the World in 50 Concerts (A Volta ao Mundo em 50 Concertos), escolhido de propósito para unir estes dois Festivais que acontecem em simultâneo na cidade de Lisboa,

Antes do filme realiza-se um concerto do Alis Ubbo Ensemble com temas de sempre apropriados pela sétima arte.


SEXTA-FEIRA




6.ª-feira – 21h30

A1 – Grande Auditório



Concerto de Abertura

Richard Strauss: Assim Falava Zaratustra

Filmes: 2001: Odisseia no Espaço; 2010: O Ano do Contacto; As Meninas de Beverly Hills; Linda de Morrer; House!; Magnolia; O Meu Marciano Favorito; New Guy; UP the Roof; Zoolander; Casino; Looking for an Echo; Homem na Lua; Rugrats: O Filme; Pequenos Guerreiros; Os Ladrões do Tempo; Toy Story 2 – Em Busca de Woody; Amigos e Detetives
Sergei Rachmaninov: Concerto para Piano n.º 2, op. 18

Filmes: No Centro do Palco; Rhapsody; O Sétimo Véu; Breve Encontro; O Pecado Mora Ao Lado

Richard Strauss: Suite de O Cavaleiro da Rosa, op. 59

Filmes: O Cavaleiro da Rosa; A.I.: Inteligência Artificial

Orquestra Sinfónica Metropolitana

Pedro Amaral, direção musical

Anna Fedorova, piano
Já existia música para cinema antes de este ter sido inventado. O paradoxo desta afirmação permite enquadrar certeiramente o programa que dá início à presente edição dos Dias da Música em Belém. Uma importante parcela da música que se fez e se ouviu ao longo da História assume características eminentemente funcionais; para dançar, para enaltecer ocasiões cerimoniosas, como exemplos. É também muito significativa a fatia de repertório de pendor idealista, em que os compositores buscaram o fundamento das suas obras no conhecimento teórico e na elaboração formal. Há ainda géneros musicais com manifesta disposição expressiva, que favorecem a afetação emocional dos ouvintes, capazes de referenciarem prontamente ambientes e estados de ânimo, de impor imaginários que nos imergem inadvertidamente em vivências extramusicais. São estes últimos que mais frequentemente contribuem para a sétima arte.

Em sentido contrário, também é certo que o cinema acrescenta às partituras cargas contextuais e simbólicas que estas antes desconheciam. Quantos de nós têm dificuldade em dissociar os primeiros acordes de Assim falou Zaratustra, de Richard Strauss, dos minutos iniciais do filme 2001 – Odisseia no espaço, de Stanley Kubrick? Trata-se, no entanto, de um poema sinfónico escrito em 1896, numa tradição, antecedida por músicos como Liszt, em que a música se deixava sugestionar por pinturas e por textos literários. Neste caso, evoca-se o tratado homónimo de Friedrich Nietzsche. Os ensinamentos agnosticistas de um profeta, que surge aqui ficcionado, impulsionaram Strauss a demarcar-se da exaltação metafísica que havia dominado a estética musical no século xix. Por seu turno, a música da ópera O Cavaleiro da Rosa viu ser-lhe traçada pela mão do próprio compositor uma relação mais próxima do cinema. Em 1926, quinze anos depois de ter sido estreada em Dresden, esta história de amor contada com ironia foi adaptada num filme mudo austríaco. R. Strauss dirigiu a orquestra nesta segunda ocasião.

Completa o programa o segundo concerto para piano e orquestra de Sergei Rachmaninov, no qual se pode ouvir uma das mais belas melodias de sempre. Foi estreado pelo próprio compositor russo na condição de solista, em novembro de 1910 na cidade de Moscovo. Desde então, o dramatismo que o distingue tem servido muitos realizadores, como Clint Eastwood em Outra Vida, de 2010, ou Billy Wilder em O Pecado Mora ao Lado, de 1955, com a memorável Marilyn Monroe.

A música é um aliado da ilusão. Torna mais intensa a experiência cinematográfica e contribui muitas vezes para a tornar mais convincente. Passa frequentemente despercebida pelo espetador, tão focado este está nas ações que se passam na tela. Uma vez devolvida à sala de concertos, procura semelhante efeito, desta vez com outros filmes, que agora passam na imaginação de cada um de nós.



Rui Campos Leitão

SÁBADO



GRANDE AUDITÓRIO



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