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assentiu –, mas acho, e espero que você se sinta da mesma forma, que conseguimos construir
uma espécie de amizade.
Ela  voltou  a  aquiescer,  pensando  que  poderia  chegar  ao  fim  da  conversa  sem  fazer  nada
além disso.
–  A  amizade  entre  marido  e  esposa  é  algo  muito  importante  –  prosseguiu  ele  –,  mais
importante até, em minha opinião, que o amor.
Dessa vez, ela não concordou.
–  Nosso  casamento  será  baseado  na  amizade  e  no  respeito  mútuos  –  concluiu  ele  –,  e  eu
não poderia estar mais satisfeito com isso.
– Respeito – repetiu Kate, principalmente porque ele a fitava em expectativa.
– Farei tudo o que puder para ser um bom marido – disse Anthony. – E, desde que você
não me ponha para fora da cama, serei fiel a você e a nossos votos.
– Isso é bastante esclarecedor de sua parte – murmurou ela.
Ele não disse nada que Kate não esperasse, mas ainda assim ela tinha ficado irritada.
Anthony estreitou os olhos.
– Espero que você esteja levando a sério o que eu falei, Kate.
– Ah, com certeza.
–  Ótimo.  –  No  entanto,  ele  lhe  lançou  um  olhar  engraçado  e  ela  não  teve  certeza  de  que
acreditava  nele.  –  Em  troca  –  acrescentou  –,  espero  que  você  não  faça  nada  que  manche  o
nome de minha família.

Kate sentiu as costas tensionarem.
– Eu nem sonharia com isso.
–  Também  acho  que  não.  É  uma  das  razões  pelas  quais  estou  tão  satisfeito  com  nosso
casamento. Você será uma excelente viscondessa.
Kate  sabia  que  aquilo  era  um  elogio,  mas  ainda  assim  parecia  um  pouco  vazio  e  talvez
condescendente também. Ela preferiria ter ouvido que seria uma excelente esposa.
–  Vamos  ser  amigos  –  anunciou  ele  –,  respeitaremos  um  ao  outro  e  teremos  filhos,  que
graças  a  Deus  serão  crianças  inteligentes,  porque  você  é  a  mulher  mais  inteligente  que
conheço.
Isso compensava a condescendência, porém Kate mal teve tempo de sorrir pelo elogio antes
que ele acrescentasse:
– Mas você não deve esperar amor. Não nos casaremos por amor.
Kate  sentiu  um  bolo  se  formar  na  garganta  e  assentiu  de  novo,  desta  vez,  contudo,  cada
movimento de sua cabeça parecia lhe causar, por algum motivo, uma dor no coração.
– Há certas coisas que não posso lhe dar – disse Anthony –, e amor é uma delas.
– Entendo.
– Entende?
– Com certeza – disse ela bruscamente. – Você não poderia deixar as coisas mais claras nem
se escrevesse no meu braço.
– Nunca planejei me casar por amor – atalhou ele.
– Não foi isso que você disse quando cortejou Edwina.
– Quando eu fiz a corte a Edwina – retrucou ele –, queria impressionar você.
Ela estreitou os olhos.
– Não está me impressionando agora.
Ele deu um longo suspiro.
– Kate, não vim até aqui para discutir. Apenas pensei que seria melhor sermos sinceros um
com o outro antes do casamento.
– Claro.
Ela  suspirou,  fazendo  um  esforço  para  assentir.  A  intenção  dele  não  fora  insultá-la,  e  ela
não  deveria  levar  a  mal,  pois  o  conhecia  muito  bem  agora  para  entender  que  só  estava
agindo  daquela  maneira  por  preocupação.  Anthony  sabia  que  nunca  a  amaria,  então  seria
melhor deixar as coisas claras desde o início.
Ainda assim, doía. Ela não sabia se o amava, mas tinha certeza de que poderia amá-lo e seu
maior medo era que, após algumas semanas de casamento, de fato o amasse.
E seria tão bom se ele pudesse retribuir seu sentimento...
– É melhor deixarmos logo as coisas claras – disse ele em voz baixa.
Kate  simplesmente  continuava  a  assentir.  Um  corpo  em  movimento  tende  a  permanecer
em  movimento,  e  ela  temia  que,  se  parasse,  pudesse  acabar  fazendo  algo  muito  tolo,  como
chorar.

Ele esticou o braço por cima da mesa e segurou a mão dela, o que a fez recuar.
– Não queria que você entrasse nesse casamento com alguma ilusão – prosseguiu. – Achei
que não fosse querer isso.
– Claro que não, milorde – falou Kate.
Ele franziu a testa.
– Pensei que houvesse lhe dito para me chamar de Anthony.
– Disse, sim, milorde.
Ele  afastou  a  mão.  Kate  observou-o  apoiá-la  de  novo  no  colo,  sentindo-se  estranhamente
vazia.
–  Antes  de  ir,  tenho  uma  coisa  para  você  –  afirmou  ele.  Sem  tirar  os  olhos  do  rosto  dela,
enfiou  a  mão  no  bolso  e  retirou  uma  caixinha  de  joia.  –  Devo  me  desculpar  por  ter
demorado  tanto  a  lhe  dar  seu  anel  de  noivado  –  murmurou,  entregando-lhe  o  pequeno
estojo.
Kate  passou  os  dedos  pelo  veludo  azul  antes  de  abrir  a  caixa.  Dentro,  havia  um  anel  de
ouro adornado por um único diamante redondo.
– É uma herança dos Bridgertons – explicou ele. – Há muitos anéis de noivado na coleção,
mas  achei  que  você  fosse  gostar  mais  desse.  Os  outros  eram  muito  pesados  e  cheios  de
detalhes.
– É lindo – afirmou Kate, incapaz de tirar os olhos da joia.
Ele estendeu a mão e pegou a caixa da mão dela.
– Posso? – disse baixinho, retirando o anel do ninho de veludo.
Ela esticou a mão, amaldiçoando-se ao perceber que tremia – não muito, mas o suficiente
para que ele notasse. No entanto, Anthony não disse nem uma palavra, apenas pegou a mão
dela e pôs o anel em seu dedo.
– Ficou ótimo, não acha? – indagou, ainda segurando as pontas dos dedos de Kate.
Ela concordou, incapaz de desviar os olhos da joia. Nunca gostara de anéis, e aquele seria o
primeiro  que  usaria  regularmente.  A  sensação  era  estranha:  ele  parecia  pesado,  frio,  duro.
De  alguma  forma,  tornava  tudo  o  que  acontecera  na  semana  anterior  mais  real.  Mais
definitivo. Ocorreu-lhe, ao fitá-lo em seu dedo, que ela tinha alguma esperança de que um
raio  descesse  dos  céus  e  interrompesse  os  procedimentos  antes  que  eles  de  fato  fizessem  os
votos.
Anthony  chegou  mais  perto  dela  e  aproximou  sua  mão  recém-adornada  dos  próprios
lábios.
– Talvez devamos selar o acordo com um beijo – murmurou ele.
– Não sei...
Ele a puxou para seu colo, sorrindo com malícia.
– Eu sei.
Porém,  antes  de  Kate  desabar  sobre  ele,  acidentalmente  chutou  Newton,  que  soltou  um
ganido alto, sem dúvida incomodado por ter o cochilo interrompido de forma tão abrupta.

Anthony ergueu uma sobrancelha e olhou para o cão.
– Eu nem o vi aqui.
– Ele estava dormindo – explicou Kate. – Tem o sono bem pesado.
No entanto, uma vez acordado, Newton recusou-se a ser deixado de fora e, com um latido
animado, pulou para cima da cadeira, aterrissando no colo de Kate.
– Newton! – gritou ela.
– Ora, pelo amor de... – começou a reclamar Anthony.
Mas seus resmungos foram interrompidos por uma grande lambida.
–  Acho  que  ele  gosta  de  você  –  comentou  Kate,  divertindo-se  tanto  com  a  expressão  de
nojo de Anthony que esqueceu o constrangimento de estar sentada em seu colo.
– Cão! Desça agora! – ordenou ele.
Newton abaixou a cabeça e ganiu.
– Agora!
Com um grande suspiro, Newton deu meia-volta e pulou para o chão.
–  Minha  nossa  –  disse  Kate,  olhando  para  o  cachorro,  que  se  enfiou  debaixo  da  mesa  e
ficou deitado com o focinho encostado tristemente no tapete –, estou impressionada.
– Tem a ver com o tom de voz – retrucou Anthony de maneira astuta, passando um braço
ao redor da cintura dela para impedi-la de se levantar.
Kate olhou para o braço dele, depois para seu rosto, com as sobrancelhas se arqueando em
uma expressão interrogativa.
– Por que será que eu tenho a impressão de que você acha que esse tom de voz funciona
com as mulheres? – refletiu Kate.
Ele deu de ombros e inclinou a cabeça para ela com um sorriso.
– Em geral, funciona – sussurrou.
–  Não  com  esta  aqui  –  respondeu  Kate,  apoiando  as  duas  mãos  nos  braços  da  cadeira  e
tentando se soltar.
Mas ele era muito mais forte.
– Em especial com esta aqui – disse ele, e sua voz agora era quase um ronronar.
Com  a  mão  livre,  segurou  o  queixo  de  Kate  e  virou  seu  rosto  para  ele.  Os  lábios  de
Anthony eram macios mas exigentes, e ele explorou sua boca com uma eficácia que a deixou
sem fôlego.
Moveu  os  lábios  ao  longo  da  linha  do  queixo  dela  até  o  pescoço,  e  parou  apenas  para
murmurar:
– Onde está sua mãe?
– Saiu – arfou Kate.
Ele puxou a beirada do corpete dela com os dentes.
– Quanto tempo ela vai ficar fora?
– Não sei. – Kate deixou escapar um gemido quando a língua dele mergulhou por baixo da
musselina  e  traçou  uma  linha  erótica  em  sua  pele.  –  Meu  Deus,  Anthony,  o  que  você  está

fazendo?
– Quanto tempo? – repetiu ele.
– Uma hora. Talvez duas.
Anthony ergueu os olhos para ter certeza de que fechara a porta quando entrara na sala.
– Talvez duas? – sussurrou ele, sorrindo com o rosto encostado na pele dela. – É mesmo?
– T-talvez apenas uma.
Ele enfiou um dedo por dentro do corpete, próximo ao ombro, certificando-se de que tinha
alcançado a alça da combinação também.
– Uma hora ainda parece ótimo – falou.
Então, fazendo uma pausa para aproximar a boca da de Kate de modo que ela não pudesse
protestar, rapidamente puxou o vestido para baixo, junto com a combinação.
Ele sentiu o arfar dela dentro da própria boca, mas apenas aprofundou o beijo ao segurar a
plenitude  rechonchuda  de  seu  seio.  Ela  era  perfeita  sob  seus  dedos,  macia  e  atrevida,
enchendo sua mão como se tivesse sido feita sob medida para ele.
Quando  ele  sentiu  o  último  sinal  de  resistência  desaparecer,  deslocou  a  boca  até  a  orelha
dela e mordiscou o lóbulo de leve.
– Você gosta disso? – murmurou, apertando delicadamente o seio dela.
Ela assentiu, nervosa.
–  Hum,  ótimo  –  sussurrou  ele,  passando  a  língua  bem  devagar  na  orelha  dela.  –  Se  não
gostasse, as coisas se tornariam muito difíceis.
– C-como?
Ele fez um esforço para conter a risada. Não era, de forma alguma, hora de rir, mas ela era
tão  inocente...  Nunca  fizera  amor  com  uma  mulher  como  ela  antes,  e  estava  achando  isso
surpreendentemente delicioso.
– Vamos apenas dizer – prosseguiu ele – que gosto muito disso.
– Ah.
Ela lhe deu um sorriso dos mais hesitantes.
– E tem mais, você sabe – murmurou, deixando a própria respiração acariciar a orelha dela.
– Tenho certeza de que deve haver – respondeu ela, com não mais que um fiapo de voz.
– Tem? – perguntou ele em tom provocativo, apertando-a.
– Não sou tão pura a ponto de não saber que é fazendo isso que nascem os bebês.
– Eu ficaria feliz em lhe mostrar todo o resto – sussurrou ele.
– Não... Ah!
Ele a apertou mais uma vez e, naquele instante, roçou a pele dela com os dedos. Anthony
adorava o fato de ela não conseguir raciocinar quando ele lhe tocava os seios.
– O que você estava dizendo? – falou de supetão, mordiscando o pescoço dela.
– Eu... eu?
Ele anuiu, e os pelos recém-crescidos da barba roçavam seu pescoço.
–  Você.  Mas  talvez  fosse  melhor  não  ouvir,  porque  começou  com  “não”,  e  sem  dúvida  –

acrescentou encostando a língua depressa na parte de baixo do queixo dela – essa não é uma
palavra  que  deva  estar  entre  nós  num  momento  como  este.  No  entanto  –  acrescentou,
descendo  a  língua  pela  linha  do  pescoço  até  a  cavidade  acima  do  ombro  dela  –,  estou  me
desviando do assunto.
– E-está?
Ele assentiu.
– Acredito que tentava saber o que lhe agrada, como todos os maridos dedicados deveriam
fazer.
Ela não respondeu, mas a respiração se acelerou.
Ele sorriu contra a pele dela.
– Que tal, por exemplo, isto?
Ele espalmou a mão no seio dela, sem segurá-lo, apenas deixando a palma roçar o mamilo
de forma bem delicada.
– Anthony! – gemeu Kate, sem ar.
–  Ótimo!  –  disse  ele,  inclinando  o  queixo  dela  para  trás  de  modo  que  o  pescoço  ficasse
ainda  mais  exposto.  –  Fico  feliz  por  você  voltar  a  me  chamar  de  Anthony.  Milorde  é  tão
formal, não acha? Formal demais para isto.
Então  ele  fez  o  que  fantasiava  havia  semanas.  Abaixou  a  cabeça  e  colocou  o  seio  dela  na
boca,  provando-o,  sugando-o,  estimulando-o,  desfrutando  de  cada  suspiro  que  ouvia
emergir dos lábios de Kate, de cada espasmo de desejo que fazia o corpo dela estremecer.
Ele adorava o modo como ela reagia, extasiado com o fato de lhe causar essas sensações.
–  Que  delícia  –  murmurou,  resfolegando  contra  a  pele  dela.  –  Você  tem  um  gosto
maravilhoso.
– Anthony – chamou ela, com a voz rouca. – Você tem certeza...
Ele pôs um dedo sobre seus lábios sem nem mesmo erguer o rosto para fitá-la.
–  Não  faço  ideia  do  que  você  vai  perguntar,  mas  não  importa  o  que  seja  –  disse  ele,
desviando a atenção para o outro seio –, tenho certeza, sim.
Ela soltou um gemido baixinho e profundo. Arqueou o corpo sob os estímulos dele e, com
fervor renovado, ele excitou seu mamilo, roçando-o entre os dentes com delicadeza.
– Ah, meu... Ah, Anthony!
Passou a língua ao redor da aréola. Kate era simplesmente perfeita. Ele adorava o som de
sua  voz,  rouca  e  entrecortada  de  desejo,  e  seu  corpo  formigava  ao  pensar  na  noite  de
núpcias, nos gritos de paixão dela. Kate seria um vulcão debaixo dele, e Anthony saboreava a
perspectiva de fazê-la entrar em erupção.
Ele  se  afastou  para  poder  ver  seu  rosto.  Ela  estava  corada,  os  olhos  pareciam  confusos  e
dilatados e os cabelos começavam a se soltar do horroroso chapéu.
– Isto tem que sair – disse ele, tirando-o da cabeça dela e arremessando-o para o chão.
– Milorde!
– Prometa-me que nunca voltará a usá-lo.

Ela se virou no assento – ou melhor, no colo dele, o que não foi fácil considerando o estado
de excitação de seu membro – para ver onde o acessório tinha ido parar.
– Não vou prometer nada – retrucou ela. – Eu gosto muito dele.
– Não é possível que goste – falou ele, sério.
– É possível, sim, e... Newton!
Anthony  acompanhou  seu  olhar  e  irrompeu  numa  gargalhada,  fazendo  os  dois
chacoalharem na cadeira. Newton mastigava, satisfeito, o chapéu de Kate.
– Muito bem, cão! – disse ele, ainda rindo.
–  Se  você  não  tivesse  gastado  boa  parte  de  sua  fortuna  comigo  esta  semana  –  resmungou
Kate, puxando o corpete do vestido para cima –, eu lhe obrigaria a comprar outro.
Isso o divertiu.
– Gastei? – perguntou, em voz baixa.
Ela fez que sim com a cabeça.
– Eu fiz compras com sua mãe várias vezes.
–  Ah.  Ótimo.  Tenho  certeza  de  que  ela  não  a  deixou  escolher  nada  parecido  com  isso  –
atalhou ele fazendo um gesto na direção do chapéu, agora desfigurado, na boca de Newton.
Quando ele voltou a fitá-la, viu que sua boca se transformara em um traço decepcionado e
atraente. Anthony não pôde deixar de sorrir. Ela era tão transparente... Violet não permitira
que ela comprasse um chapéu tão feio, e o fato de ela não poder negar sua última observação
a estava deixando louca.
Ele suspirou, satisfeito. A vida com Kate não ia ser monótona.
Mas  estava  ficando  tarde  e  provavelmente  era  melhor  que  ele  fosse  embora.  Kate  dissera
que a mãe não deveria chegar em menos de uma hora, mas Anthony não confiava na noção
feminina  de  tempo.  Kate  podia  estar  errada,  ou  a  Sra.  Sheffield  podia  mudar  de  ideia,  ou
inúmeras outras coisas podiam acontecer. E, mesmo que eles fossem se casar em apenas dois
dias, não parecia muito prudente se arriscarem a ser flagrados na sala de estar numa posição
tão comprometedora.
Com grande relutância – já que ficar sentado ali com Kate em seu colo sem fazer nada além
de  segurá-la  era  surpreendentemente  bom  –,  ele  se  levantou,  erguendo-a  nos  braços,  e
depois a colocou na cadeira.
–  Foi  um  interlúdio  delicioso  –  murmurou  ele,  inclinando-se  para  dar-lhe  um  beijo  na
testa. – Mas temo que sua mãe possa voltar antes da hora. Eu a vejo no sábado de manhã,
então?
Ela piscou.
– Sábado?
– Uma superstição de minha mãe – explicou ele, com um sorriso sem graça. – Ela acredita
que dá azar o noivo ver a noiva na véspera do casamento.
–  Oh.  –  Kate  se  pôs  de  pé,  depois  ficou  alisando  o  vestido  e  ajeitando  os  cabelos,
envergonhada. – E você acredita nisso também.

– De modo algum – respondeu ele.
Ela assentiu.
– Nesse caso, é muito amável de sua parte fazer a vontade de sua mãe.
Anthony  parou  por  um  instante,  consciente  de  que  a  maioria  dos  homens  com  sua
reputação não queria parecer ligado às tradições familiares. Mas estava falando com Kate, e
sabia que ela valorizava a devoção à família tanto quanto ele, por isso, retrucou enfim:
– Poucas são as coisas que eu não faria para agradar à minha mãe.
Ela sorriu timidamente.
– É uma das coisas de que mais gosto em você.
Ele fez um gesto querendo mudar de assunto, porém ela o interrompeu:
–  Não,  é  verdade.  Você  é  muito  mais  carinhoso  do  que  gostaria  que  as  pessoas
acreditassem.
Como ele não era capaz de vencer uma discussão com ela – e não fazia sentido contradizer
uma mulher quando ela o estava elogiando –, pôs um dedo em seus lábios e disse:
– Shhh. Não conte isso a ninguém.
E então, com um último beijo em sua mão e um “Adieu” sussurrado, ele foi embora.
Montado em seu cavalo e a caminho da pequena residência do outro lado da cidade, ele se
permitiu avaliar a visita. Correu tudo bem, pensou. Kate parecera entender os limites que ele
estabelecera para o casamento e reagira a suas investidas com um desejo que era, ao mesmo
tempo, doce e selvagem.
No  fim  das  contas,  refletiu  com  um  sorriso  satisfeito,  o  futuro  se  revelava  promissor.  Seu
casamento  seria  um  sucesso.  E,  quanto  às  preocupações  anteriores  –  bem,  estava  claro  que
não tinha motivo para se preocupar.
Kate estava preocupada. Anthony se esforçara para que ela entendesse que nunca a amaria.
E decerto não parecia querer que ela o amasse também.
Porém, depois ele a beijara como se não houvesse amanhã, como se ela fosse a mulher mais
bonita  da  Terra.  Kate  era  a  primeira  a  admitir  que  tinha  pouca  experiência  com  homens  e
seus desejos, mas, sem dúvida, ele parecia desejá-la.
Ou  estava  apenas  querendo  que  ela  fosse  outra  pessoa?  Kate  não  era  sua  primeira  opção
como esposa, era bom que se lembrasse disso.
E, mesmo que ela se apaixonasse por ele... Bem, teria que manter isso em segredo. De fato,
não haveria mais nada que pudesse fazer.

CAPÍTULO 16
Chegou aos ouvidos desta autora que o casamento de lorde Bridgerton com a Srta. Sheffield
será uma cerimônia pequena, íntima e reservada.
Em outras palavras, esta autora não foi convidada.
Mas  não  tema,  querida  leitora,  esta  autora  está  dedicando-se  ao  máximo  para  saber  de
tudo e promete revelar os detalhes da cerimônia, tanto os mais interessantes quanto os mais
triviais.
O  casamento  do  solteiro  mais  cobiçado  de  Londres  é  sem  dúvida  algo  que  deve  ser
mencionado nesta humilde coluna, você não acha?
C
13
N
a  noite  anterior  à  cerimônia,  Kate  se  encontrava  sentada  na  cama  em  sua  camisola
favorita,  olhando  confusa  para  uma  infinidade  de  baús  espalhados  pelo  chão.  Cada  um  de
seus  pertences  estava  empacotado,  cuidadosamente  dobrado  ou  guardado,  pronto  para  ser
transportado para o novo lar.
O  próprio  Newton  fora  preparado  para  a  viagem.  Tomara  banho,  ganhara  uma  coleira
nova,  e  seus  brinquedos  favoritos  foram  colocados  em  uma  pequena  bolsa  no  saguão  de
entrada, bem ao lado da delicada arca de madeira entalhada que Kate tinha desde bebê. A
arca  estava  cheia  de  seus  brinquedos  e  tesouros  de  infância,  e  ela  se  sentiria  muito
reconfortada com a  presença deles  em Londres.  Era ridículo  e sentimental,  mas, para Kate,
tornaria a mudança um pouco menos assustadora. Levar suas coisas – itenzinhos engraçados
que  não  significavam  nada  para  ninguém  além  dela  –  para  a  casa  de  Anthony  dava  a
impressão de que a casa se tornaria verdadeiramente sua também.
Mary, que sempre parecia adivinhar as necessidades de Kate antes que ela mesma tomasse
consciência  delas,  entrara  em  contato  com  amigos  em  Somerset  assim  que  a  enteada  ficara
noiva e lhes pedira que enviassem o baú a Londres a tempo para o casamento.
Kate se levantou da cama e perambulou pelo quarto, parando para percorrer os dedos por
uma  camisola  dobrada  em  cima  de  uma  mesa,  esperando  ser  transferida  para  o  último  dos
baús.  O  traje  fora  escolhido  por  Lady  Bridgerton  –  Violet,  ela  tinha  que  começar  a  pensar
nela  como  Violet  –  e  tinha  um  corte  simples,  mas  era  confeccionado  em  um  tecido  fino  e
transparente.  Kate  ficara  mortificada  durante  todo  o  tempo  que  passaram  no  ateliê  da
costureira. Afinal de contas, lá estava sua sogra, escolhendo peças para sua noite de núpcias!
Quando Kate pegou a camisola e acomodou-a com todo o cuidado em um dos baús, ouviu
baterem  à  porta.  Logo  depois,  Edwina  pôs  a  cabeça  para  dentro  do  quarto.  Ela  também

estava  vestida  para  dormir,  com  os  cabelos  louros  puxados  para  trás  num  coque  desleixado
na altura da nuca.
– Achei que você poderia querer um pouco de leite quente – disse ela.
Kate sorriu com gratidão.
– Eu adoraria.
Edwina se abaixou e pegou a caneca de cerâmica que colocara no chão.
–  Não  consegui  girar  a  maçaneta  segurando  duas  xícaras  ao  mesmo  tempo  –  explicou,
sorrindo.  Depois  de  entrar,  deu  um  pontapé  na  porta  para  fechá-la  e  entregou  uma  das
canecas a Kate. Então, com os olhos fixos na irmã, perguntou sem preâmbulos: – Você está
com medo?
Kate tomou um gole com cautela, testando a temperatura antes de engolir. Estava quente,
mas  não  escaldante,  e  por  alguma  razão  isso  a  reconfortava.  Ela  bebia  leite  quente  desde
pequena, e o gosto e a sensação sempre a faziam se sentir aconchegada e segura.
– Não com medo, exatamente – respondeu por fim, sentando-se na beirada da cama –, mas
nervosa. Com toda a certeza, nervosa.
–  Ora,  é  claro  que  você  está  nervosa  –  retrucou  Edwina,  agitando  a  mão  livre  no  ar  com
entusiasmo. – Apenas uma idiota não ficaria nervosa. Toda a sua vida vai mudar. Tudo! Até

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