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ou duas coisas sobre as mulheres com o passar do tempo.
– É mesmo? – indagou Kate, fascinada.
Ele assentiu e curvou-se, como se prestes a compartilhar um importante segredo de Estado.
– Elas se tornam muito mais fáceis de manipular quando deixamos que acreditem que são
mais espertas e intuitivas que nós. E – acrescentou, lançando um olhar arrogante à esposa –
nossas  vidas  são  muito  mais  tranquilas  quando  fingimos  saber  apenas  metade  do  que  elas
fazem.
Colin aproximou-se, balançando um taco em um arco baixo.
– Eles estão brigando? – indagou a Kate.
– Conversando – corrigiu Daphne.
– Deus me livre de tais conversas – resmungou Colin. – Vamos escolher as cores.

Kate acompanhou-o de volta ao conjunto do jogo, tamborilando na coxa.
– Que horas são? – perguntou.
Colin pegou o relógio de bolso.
– Passa um pouco das três e meia. Por quê?
– Só achei que Edwina e o visconde já deveriam estar aqui a esta hora. Só isso – disse ela,
tentando não parecer muito preocupada.
Colin deu de ombros.
–  Deveriam.  –  Então,  esquecendo-se  totalmente  da  aflição  de  Kate,  apontou  para  o
conjunto do jogo e falou: – Tome. A senhorita é nossa convidada, por isso será a primeira a
escolher. Que cor deseja?
Sem pensar duas vezes, Kate esticou a mão e pegou um taco. Apenas quando ele já estava
em sua mão, ela percebeu que era preto.
– O taco da morte – comentou Colin em tom de aprovação. – Eu sabia que ela daria uma
excelente jogadora.
– Deixe o cor-de-rosa para Anthony – orientou Daphne, pegando o verde.
O duque retirou o taco laranja do conjunto, virou-se para Kate e disse:
–  A  senhorita  é  testemunha  de  que  eu  não  tive  nada  a  ver  com  o  taco  cor-de-rosa  de
Anthony, não é?
Kate deu um sorriso astucioso.
– Eu percebi que o senhor não escolheu o cor-de-rosa.
– Claro que não – retrucou ele, com um sorriso ainda mais astucioso que o dela. – Minha
esposa já o escolheu para ele, e eu não poderia contrariá-la, não é?
– Para mim, o amarelo – interrompeu Colin – e, para a Srta. Edwina, o azul, não acha?
– Ah, sem dúvida – respondeu Kate. – Edwina adora azul.
Os quatro olharam para os dois tacos que restavam: cor-de-rosa e roxo.
– Ele não vai gostar de nenhum dos dois – comentou Daphne.
Colin assentiu.
– Mas vai gostar ainda menos do cor-de-rosa.
Então,  pegou  o  taco  roxo  e  foi  jogá-lo  dentro  do  galpão.  Depois,  fez  o  mesmo  com  a  bola
que combinava com ele.
– E, por falar nisso – comentou o duque –, onde está Anthony?
– Essa é uma ótima pergunta – murmurou Kate, tamborilando na coxa.
– Suponho que a senhorita queira saber as horas – disse Colin dissimuladamente.
Kate enrubesceu. Ela já lhe pedira que checasse o relógio de bolso duas vezes.
– Não precisa, obrigada – retrucou, por falta de uma resposta mais espirituosa.
–  Muito  bem.  É  só  que  aprendi  que  assim  que  a  senhorita  começa  a  mexer  a  mão  dessa
maneira...
Kate interrompeu o movimento.
– ... é porque está prestes a me perguntar que horas são.

–  O  senhor  aprendeu  um  bocado  sobre  mim  na  última  meia  hora  –  falou  Kate  de  modo
áspero.
Ele sorriu.
– Sou um homem observador.
– Decerto que sim – murmurou ela.
– Mas, se a senhorita quiser saber, faltam quinze minutos para as quatro.
– Eles estão bastante atrasados – observou Kate.
Colin inclinou-se para a frente e cochichou:
– Duvido que meu irmão esteja violentando sua irmã.
– Sr. B-B-Bridgerton! – gaguejou Kate.
– Sobre o que vocês estão conversando? – indagou Daphne.
Colin sorriu.
– A Srta. Sheffield teme que Anthony esteja desrespeitando a outra Srta. Sheffield.
– Colin! – exclamou Daphne. – Isso não é nem um pouco engraçado.
– E, com certeza, não é verdade – protestou Kate.
Bem,  não  era  verdade  até  certo  ponto.  Ela  não  achava  que  o  visconde  estivesse
desrespeitando  Edwina,  mas  era  bem  provável  que  se  esforçasse  ao  máximo  para  deixá-la
encantada. E isso já era perigoso por si só.
Kate  balançou  o  taco,  sentindo  o  peso,  e  tentou  imaginar  como  poderia  baixá-lo  sobre  a
cabeça de lorde Bridgerton e fazer com que parecesse um acidente.
O taco da morte, de fato.
Anthony deu uma olhada no relógio sobre a prateleira no escritório. Quase três e meia. Eles
iam se atrasar.
Sorriu. Ora, bem, nada podia ser feito quanto a isso.
Em  geral,  ele  prezava  pela  pontualidade,  mas  quando  o  atraso  levava  à  tortura  de  Kate
Sheffield, não se importava em chegar mais tarde.
E Kate sem dúvida se contorcia em agonia naquele momento, horrorizada com a ideia da
preciosa irmã em suas garras malignas.
Anthony baixou os olhos para as garras malignas – isto é, para as mãos, recordou-se; para as
mãos – e sorriu mais uma vez. Havia muito tempo não se divertia tanto, e tudo o que estava
fazendo era perambular pelo escritório, imaginando Kate trincando os dentes e soltando fogo
pelas ventas.
Era uma imagem muito divertida.
Não  que  isso  fosse  culpa  dele,  claro.  Teria  saído  pontualmente  se  não  tivesse  que  esperar
por Edwina. Ela enviara um recado pela criada dizendo que iria encontrar-se com ele em dez
minutos, e isso ocorrera vinte minutos antes. Não podia fazer nada se ela estava atrasada.
Anthony teve uma visão súbita do restante de sua vida: esperando por Edwina. Será que ela

era do tipo que se atrasava sempre? Isso poderia tornar-se irritante depois de algum tempo.
Como  em  resposta  a  seus  pensamentos,  ele  ouviu  uma  sucessão  de  passos  no  corredor  e,
quando  ergueu  os  olhos,  viu  as  formas  encantadoras  da  jovem  emolduradas  pelo  vão  da
porta.
Pensou,  com  objetividade,  que  ela  era  perfeita,  absolutamente  adorável.  As  feições  não
tinham qualquer defeito, a postura era a mais graciosa e os olhos tinham um tom de azul tão
radiante,  tão  vívido,  que  era  impossível  não  se  surpreender  com  os  matizes  sempre  que  ela
piscava.
Anthony  esperou  que  algum  tipo  de  reação  se  desencadeasse  dentro  dele.  Sem  dúvida,
nenhum homem poderia ser imune à beleza dela.
Nada.  Nem  mesmo  a  mais  leve  vontade  de  beijá-la.  Parecia  quase  um  crime  contra  a
natureza.
Mas talvez isso fosse bom. Afinal, não queria uma esposa por quem se apaixonasse. Desejo
podia  ser  ótimo,  mas  também  era  perigoso.  Desejo  certamente  tinha  uma  chance  maior  de
acabar em amor.
– Lamento muito pelo atraso, milorde – falou Edwina de forma encantadora.
– Não foi nenhum transtorno – respondeu ele, sentindo-se animado por sua mais recente
conclusão.  Edwina  ainda  serviria  muito  bem.  Não  precisaria  procurar  outra  noiva.  –  Mas
agora devemos nos apressar. Os outros já devem ter montado o percurso.
Pegou  o  braço  dela  e  saíram  da  casa.  Anthony  fez  uma  observação  sobre  o  tempo.  Ela
também.  Então  ele  comentou  sobre  o  tempo  do  dia  anterior.  Ela  concordou  com  alguma
coisa que ele dissera (um minuto depois, ele já nem se lembrava do quê).
Depois de esgotar todos os assuntos possíveis relacionados ao clima, ficaram em silêncio e,
por  fim,  após  três  longos  minutos  em  que  nenhum  dos  dois  tinha  nada  a  dizer,  Edwina
arriscou:
– O que o senhor estudou na faculdade?
Anthony lançou-lhe um olhar curioso. Nenhuma jovem lhe fizera aquela pergunta antes.
– Ora, o de sempre – retrucou.
– Mas o que é “o de sempre”? – insistiu ela, parecendo inusitadamente impaciente.
– Sobretudo história. Um pouco de literatura.
– Ah. – Ela refletiu por um momento. – Eu adoro ler.
– É mesmo? – Ele a fitou com interesse renovado. Não a teria considerado uma intelectual.
– O que gosta de ler?
Ela pareceu mais relaxada ao responder:
–  Quando  estou  com  a  imaginação  solta,  romances.  E,  quando  estou  com  vontade  de
aperfeiçoar o espírito, filosofia.
– Filosofia, hein? – repetiu Anthony. – Nunca tive paciência para essas coisas.
Edwina soltou uma de suas risadas melodiosas.
–  Kate  pensa  como  o  senhor.  Está  sempre  me  dizendo  que  sabe  muito  bem  como  viver  a

vida e que não precisa de um defunto lhe dando instruções.
Anthony  se  lembrou  das  tentativas  de  ler  Aristóteles,  Bentham  e  Descartes  na
universidade.  Então  recordou  as  tentativas  de  evitar  a  leitura  de  Aristóteles,  Bentham  e
Descartes na universidade.
– Creio – murmurou ele – que preciso concordar com sua irmã.
Edwina sorriu.
– O senhor concordando com Kate? Eu deveria registrar este momento num caderno. Sem
dúvida, é algo inédito.
Ele lançou-lhe um olhar avaliador.
– A senhorita é muito mais impertinente do que demonstra, não é?
– Não tanto quanto Kate.
– Isso nunca esteve em questão.
Ele  ouviu  Edwina  dar  uma  risadinha  e,  quando  voltou  a  olhar  para  ela,  a  jovem  parecia
fazer um esforço imenso para ficar séria. Dobraram a última esquina até o campo e, quando
a  clareira  irregular  se  ergueu  diante  dos  dois,  viram  o  restante  do  grupo  os  esperando,
balançando preguiçosamente os tacos para a frente e para trás.
–  Ora,  com  mil  demônios!  –  praguejou  Anthony,  esquecendo-se  por  completo  de  que
estava na companhia da mulher com quem planejava se casar. – Ela pegou o taco da morte.

CAPÍTULO 10
Festas  em  casas  de  campo  são  eventos  perigosos.  Os  casados  com  frequência  acabam
desfrutando  da  companhia  de  outra  pessoa  que  não  o  próprio  cônjuge  e  solteiros  muitas
vezes voltam à cidade tendo noivado às pressas.
De fato, os noivados mais surpreendentes são anunciados por causa desses feitiços da vida
rural.
C
2

 
V
ocês  decerto  gastaram  todo  o  tempo  que  podiam  para  chegar  até  aqui  –  observou
Colin assim que Anthony e Edwina alcançaram o grupo. – Peguem os tacos, estamos prontos
para  começar.  Edwina,  você  fica  com  o  azul  –  falou,  entregando-lhe  um  taco.  –  Anthony,
você fica com o cor-de-rosa.
–  Eu  fico  com  o  cor-de-rosa  enquanto  ela  –  retrucou,  apontando  para  Kate  –  fica  com  o
taco da morte?
– Dei a ela o direito de escolher primeiro – explicou Colin. – Afinal, é nossa convidada.
– Anthony costuma ficar com o preto – atalhou Daphne. – Na verdade, foi ele que batizou
o taco.
– O senhor não deveria ficar com o cor-de-rosa – disse Edwina a Anthony. – Não lhe cai
bem,  de  modo  algum.  Pegue  –  continuou,  estendendo-lhe  o  próprio  taco.  –  Por  que  não
trocamos?
–  Não  sejam  ridículos!  –  exclamou  Colin.  –  Nós  decidimos  que  a  senhorita  deveria  ficar
com o azul porque combina com seus olhos.
Kate pensou ter ouvido Anthony resmungar.
– Eu fico com o cor-de-rosa – anunciou Anthony, tirando o taco ofensivo de modo bastante
enérgico das mãos de Colin –, e ainda assim vou ganhar. Vamos começar, está bem?
Assim  que  as  apresentações  necessárias  foram  feitas  entre  o  duque,  a  duquesa  e  Edwina,
todos largaram as bolas de madeira próximo ao ponto inicial e se prepararam para jogar.
– Vamos iniciar do mais novo para o mais velho? – sugeriu Colin, com uma mesura galante
na direção de Edwina.
Ela balançou a cabeça.
– Eu preferiria ser a última, pois assim teria a chance de observar a estratégia de jogadores
mais experientes.
–  Uma  jovem  sábia  –  elogiou  Colin.  –  Então  faremos  do  mais  velho  para  o  mais  novo.
Anthony, creio que você seja o mais velho entre nós.

– Desculpe, querido irmão, mas Hastings ganha de mim por alguns meses.
–  Por  que  eu  tenho  a  sensação  de  estar  me  intrometendo  numa  briga  de  família?  –
sussurrou Edwina no ouvido da irmã.
– Creio que os Bridgertons levam esse jogo muito a sério – murmurou Kate em resposta.
Os três Bridgertons assumiram feições muito agressivas e todos pareciam bastante decididos
a ganhar.
–  Não,  não,  não!  –  ralhou  Colin,  balançando  um  dedo  para  elas.  –  Não  é  permitido
conspirar.
–  Nem  saberíamos  por  onde  começar  a  conspirar  –  retrucou  Kate  –,  já  que  ninguém
pareceu achar adequado nos explicar as regras do jogo.
– Basta nos seguir – falou Daphne bruscamente. – Vocês vão entender quando começar.
–  Acho  que  o  objetivo  é  afundar  a  bola  dos  adversários  no  lago  –  sussurrou  Kate  para
Edwina.
– É mesmo?
– Não. Mas acho que é isso que os Bridgertons fazem.
–  Vocês  ainda  estão  cochichando!  –  gritou  Colin  sem  nem  mesmo  lançar  um  olhar  para
elas. Então, berrou na direção do duque: – Hastings, acerte a maldita bola! Não temos o dia
inteiro!
– Colin – atalhou Daphne –, não comece a xingar. Há damas presentes.
– Você não conta.
– Além de mim, há outras duas damas presentes – insistiu ela.
Colin piscou, então se virou para as irmãs Sheffields.
– As senhoritas se importam?
– Nem um pouco – respondeu Kate, absolutamente fascinada.
Edwina se limitou a balançar a cabeça.
– Ótimo. – Colin virou-se de novo para o duque. – Hastings, prossiga.
O duque empurrou a bola um pouco para a frente do restante da pilha.
– Vocês sabem – falou, para ninguém em particular – que eu nunca joguei isto antes?
–  Apenas  dê  uma  boa  tacada  na  bola  naquela  direção,  querido  –  orientou  Daphne,
apontando para o primeiro arco.
– Aquele não é o último arco? – indagou Anthony.
– Não, é o primeiro.
– Deveria ser o último.
Daphne cerrou os dentes.
– Quem arrumou o percurso fui eu, e digo que é o primeiro.
– Acho que isso pode se tornar violento – murmurou Edwina para Kate.
O duque virou-se para Anthony e abriu um sorriso falso.
– Acho que prefiro acreditar em Daphne.
– Ela arrumou mesmo o percurso – atalhou Kate.

Anthony, Colin, Simon e Daphne olharam para ela espantados, como se não acreditassem
em sua coragem de se meter naquela conversa.
– Bem, é verdade – repetiu Kate.
Daphne entrelaçou o braço ao dela.
– Acho que eu a adoro, Kate Sheffield – anunciou.
– Que Deus me proteja – murmurou Anthony.
O duque afastou o próprio taco e deu uma pancada na bola, que logo corria pelo gramado.
– Muito bem, Simon! – gritou Daphne.
Colin deu meia-volta e olhou para a irmã com desprezo.
– Ninguém parabeniza os adversários neste jogo – repreendeu, erguendo uma sobrancelha.
– Ele nunca jogou – argumentou ela. – Dificilmente vai ganhar.
– Não importa.
Daphne virou-se para Kate e Edwina e explicou:
– A falta de espírito esportivo é um requisito importante no Pall Mall dos Bridgertons.
– Eu já tinha percebido – retrucou Kate.
– Minha vez – disse Anthony de forma brusca.
Lançou  um  olhar  cheio  de  desprezo  à  bola  cor-de-rosa,  em  seguida  deu-lhe  uma  boa
tacada.  Ela  se  deslocou  esplendidamente  sobre  a  grama  e  bateu  numa  árvore,  caindo  feito
uma pedra no solo.
– Excelente! – exclamou Colin, preparando-se para sua vez.
Anthony  murmurou  algumas  palavras,  mas  nenhuma  delas  era  adequada  a  ouvidos
delicados.
Colin lançou a bola amarela na direção do primeiro arco, depois se afastou para dar a vez a
Kate.
– Eu poderia bater uma vez para treinar? – perguntou ela.
– Não!
Foi um “não” bem alto, proferido por três bocas ao mesmo tempo.
–  Muito  bem  –  resmungou  ela.  –  Para  trás,  todos  vocês.  Não  vou  querer  ser
responsabilizada se machucar alguém na primeira tentativa.
Ela  afastou  o  taco  com  toda  a  força  e  bateu  na  bola,  que  se  deslocou  no  ar  em  um  arco
impressionante, em seguida bateu na mesma árvore que atrapalhara Anthony e caiu no chão
bem perto da bola dele.
– Ah, meu Deus – falou Daphne, balançando o próprio taco para a frente e para trás para
ajustar a mira antes de bater na bola.
– Por que “Ah, meu Deus”? – indagou Kate, sem ficar menos preocupada ao ver o sorriso
solidário da duquesa.
– Você vai ver – disse ela.
Daphne assumiu a posição, então caminhou na direção de sua bola.
Kate olhou para Anthony. Ele parecia muito, muito satisfeito com o atual estado das coisas.

– O que o senhor vai fazer comigo? – perguntou.
Ele se inclinou maliciosamente.
– A pergunta correta seria o que eu não vou fazer com a senhorita.
– Acho que é minha vez – falou Edwina, andando até o ponto de partida.
Ela deu uma tacada anêmica na bola e gemeu quando ela se deslocou apenas um terço do
caminho das outras.
–  Use  um  pouco  mais  de  força  da  próxima  vez  –  instruiu  Anthony  antes  de  ir  atrás  da
própria bola.
– Certo – murmurou Edwina às costas dele. – Eu nunca teria imaginado isso.
– Hastings! – gritou Anthony. – Sua vez.
Enquanto o duque batia na bola na direção do próximo arco, Anthony encostou-se à árvore
com  os  braços  cruzados  e  o  ridículo  taco  cor-de-rosa  pendendo  de  uma  das  mãos,
aguardando Kate.
–  Ah,  Srta.  Sheffield  –  falou,  afinal.  –  As  regras  determinam  que  cada  um  siga  a  própria
bola!
Observou-a caminhar pesadamente até o seu lado.
– Está bem – resmungou ela. – E agora?
–  A  senhorita  deveria  me  tratar  com  mais  respeito  –  provocou  ele,  oferecendo-lhe  um
sorriso lento e irônico.
– Depois de o senhor se atrasar com Edwina? – retrucou ela. – Eu deveria fazer picadinho
do senhor.
– Uma jovem com sede de sangue – comentou ele. – A senhorita vai se dar muito bem no
Pall Mall... um dia.
Ele observou, muito divertido, o rosto dela enrubescer, depois ficar pálido.
– O que o senhor quer dizer? – perguntou Kate.
– Pelo amor de Deus, Anthony! – gritou Colin. – Faça a maldita jogada!
O visconde olhou para o local do gramado em que as bolas de madeira estavam – a dela,
preta, e a dele, cor-de-rosa.
– Muito bem – murmurou. – Eu não gostaria de deixar o querido e doce Colin esperando.
Ao dizer isso, pôs o pé sobre a bola cor-de-rosa, recuou o taco...
– O que o senhor está fazendo? – perguntou Kate com a voz aguda.
...  e  bateu.  A  bola  cor-de-rosa  permaneceu  bem  firme  sob  a  bota  dele,  enquanto  a  preta
saiu voando morro abaixo pelo que pareceram quilômetros.
– Seu demônio – resmungou ela.
– No amor e na guerra, vale tudo – observou ele, com ironia.
– Eu vou matá-lo.
– Você pode tentar – provocou. – Mas vai precisar me alcançar primeiro.
Kate encarou o taco da morte e, então, fixou os olhos no pé de Anthony.
– Nem pense nisso – advertiu ele.

– É muito, muito tentador – retrucou ela.
Ele se curvou e disse em tom de ameaça:
– Nós temos testemunhas.
– E é só isso que vai lhe poupar a vida agora.
Ele sorriu.
– Acredito que sua bola esteja bem longe agora, Srta. Sheffield. Acho que nós só a veremos
em cerca de meia hora, quando conseguir nos alcançar.
Nesse momento, Daphne apareceu vindo atrás da própria bola, que parara perto deles sem
que percebessem.
– Foi isso que eu quis dizer com “Ai, meu Deus” – explicou, sem necessidade, na opinião
de Kate.
– O senhor vai pagar por isso – sibilou Kate para Anthony.
O sorriso afetado dele era mais eloquente que qualquer coisa que dissesse.
Ela seguiu morro abaixo, xingando em voz alta e de maneira pouco apropriada a uma dama
quando percebeu que a bola se alojara sob uma sebe.
Meia hora depois, Kate ainda se encontrava dois arcos atrás do penúltimo jogador. Anthony
era o vencedor por ora, o que a deixou muito irritada. A única coisa boa era que ela estava
tão atrasada que não podia ver a expressão satisfeita dele.
Então,  enquanto  aguardava  a  vez  com  as  mãos  entrelaçadas  (havia  muito  pouco  a  fazer
nesse  meio-tempo,  já  que  nenhum  outro  jogador  estava  nem  remotamente  próximo  dela),
ouviu Anthony soltar um grito aflito.
Isso atraiu sua atenção no mesmo instante.
Sorrindo  na  esperança  de  uma  possível  morte,  ela  olhou  a  sua  volta,  ansiosa,  até  avistar  a
bola cor-de-rosa correndo pela grama direto em sua direção.
– Ui! – berrou, dando um pulinho e atirando-se para o lado o mais rápido que pôde, antes
que perdesse um dedo do pé.
Ao  olhar  para  a  parte  mais  alta  do  terreno,  viu  Colin  pulando  de  alegria  e  balançando  o
taco com força acima da cabeça ao gritar:
– É isso aí!
Anthony olhou para ele como se pudesse estripá-lo ali mesmo.
Kate  também  teria  feito  uma  pequena  dança  da  vitória  (se  não  podia  ganhar,  a  segunda
melhor  coisa  seria  saber  que  ele  não  ganharia),  não  fosse  o  fato  de  agora  Anthony  estar  na
mesma  posição  que  ela  no  jogo.  E,  embora  a  solidão  não  fosse  muito  divertida,  era  melhor
que ter que conversar com ele.
Ainda  assim,  foi  difícil  disfarçar  a  presunção  quando  ele  andou  com  dificuldade  até  ela,
fitando-a como se uma nuvem negra tivesse se alojado acima de sua cabeça.
– Que azar, milorde – murmurou Kate.

Ele só olhou para ela.
Ela suspirou, sem dúvida apenas para provocá-lo mais um pouco.
– Tenho certeza de que o senhor ainda vai conseguir ficar em segundo ou terceiro lugar.
Ele  se  inclinou  de  maneira  ameaçadora  e  emitiu  um  som  bastante  parecido  com  um
rosnado.
– Srta. Sheffield! – chamou Colin ao descer o morro correndo: – É sua vez!
– Vamos lá – falou Kate, analisando todos os lances possíveis.
Poderia  mirar  no  próximo  arco  ou  tentar  sabotar  Anthony,  deixando-o  ainda  mais  para
trás.  Infelizmente,  a  bola  cor-de-rosa  estava  encostada  à  dela,  o  que  queria  dizer  que  não
poderia  recorrer  à  manobra  que  ele  usara  contra  ela  antes,  colocando  o  pé  sobre  a  própria
bola e lançando a do adversário bem longe. Era provável que isso fosse bom – com sua sorte,
terminaria errando a bola e quebrando o próprio pé.
– Que escolha difícil... – murmurou ela.
Anthony cruzou os braços.
– O único meio de você estragar meu jogo é estragar o seu também.
– É verdade – concordou.
Se  Kate  quisesse  acabar  com  as  chances  dele  de  vitória,  teria  que  acabar  com  as  próprias,
pois  precisaria  bater  na  própria  bola  com  toda  a  força  apenas  para  fazer  com  que  a  de
Anthony se movesse. E, como não conseguiria manter a sua no lugar, Deus sabe onde ela iria
parar.
– Mas – falou, erguendo os olhos para ele e sorrindo com inocência – eu não tenho mesmo
chance de ganhar o jogo.
– Você poderia ficar em segundo ou terceiro – arriscou ele.

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