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sensação  tensa  e  ardente  que  lhe  comprimia  a  barriga.  Por  instinto  –  talvez  numa  tentativa
de autopreservação –, ela deu um passo para trás.
Ele pareceu divertido, como se pudesse ler os pensamentos dela.
Kate brincou com a flor um pouco mais, então falou abruptamente:
– Você não deveria tê-la colhido.
–  Você  devia  ter  uma  tulipa  –  falou  ele  em  tom  casual.  –  Não  é  justo  que  Edwina  receba
todas as flores.
O estômago de Kate ficou ainda mais tenso e ardente.
–  No  entanto  –  retrucou  ela,  com  dificuldade  para  falar  –,  o  jardineiro  decerto  não  vai
apreciar a mutilação do trabalho dele.
O visconde deu um sorriso diabólico.
– Vai pôr a culpa num de meus irmãos mais novos.
Ela não pôde deixar de rir.
– O senhor deveria cair na minha avaliação por tal truque – comentou Kate.
– Mas não vou?
Ela balançou a cabeça.
– Acho que minha opinião a seu respeito não pode piorar.
–  Essa  doeu.  –  Ele  balançou  um  dedo  na  direção  dela.  –  Pensei  que  a  senhorita  devesse
estar se comportando da melhor maneira possível.
Kate olhou ao redor.
– Não conta muito se não houver ninguém por perto para me ouvir, não é?
– Eu posso ouvi-la.
– Com certeza o senhor não conta.
Ele abaixou um pouco a cabeça na direção dela.
– Eu acharia que sou o único que conta.
Kate não disse nada. Não queria nem mesmo olhar em seus olhos. Sempre que se permitia
encarar aquelas profundezas aveludadas, seu estômago se revirava.
– Srta. Sheffield? – murmurou ele.
Ela ergueu o olhar. Grande erro. O estômago se embrulhou de novo.
– Por que o senhor veio me procurar? – indagou.

Anthony afastou-se do arco de madeira e empertigou-se.
– Na verdade, não vim. Fiquei tão surpreso em vê-la quanto a senhorita ficou em me ver.
Embora,  pensou  com  ironia,  não  devesse  ter  ficado.  Ele  poderia  ter  percebido  que  a  mãe
estava aprontando alguma coisa no momento em que sugeriu um lugar para sua caminhada.
Mas  será  que  ela  o  tinha  jogado  para  cima  da  Srta.  Sheffield  errada?  Por  certo  não
escolheria Kate em vez de Edwina como futura nora.
– Mas, já que a encontrei – prosseguiu –, tem algo que gostaria de lhe falar.
– Algo que já não falou – observou, irônica. – Não consigo imaginar o que seja.
Ele ignorou o sarcasmo.
– Gostaria de me desculpar.
Isso a desconcertou. Abriu um pouco os lábios, surpresa, e arregalou os olhos.
– O que disse? – perguntou.
Anthony pensou que a voz dela mais pareceu o coaxar de um sapo.
–  Eu  lhe  devo  desculpas  pelo  meu  comportamento  naquela  noite  –  prosseguiu.  –  Tratei  a
senhorita de modo muito rude.
–  O  senhor  não  vai  se  desculpar  pelo  beijo?  –  indagou  Kate,  ainda  parecendo  muito
confusa.
Pelo  beijo?  Ele  nem  sequer  considerara  isso.  Nunca  se  desculpara  por  um  beijo,  jamais
beijara  alguém  que  considerasse  necessário  um  pedido  de  desculpa.  Na  verdade,  ele  estava
pensando nas coisas desagradáveis que lhe dissera após o beijo.
– Hã... claro – mentiu. – Pelo beijo e por tudo o que disse também.
– Sei – murmurou ela. – Não achei que libertinos se desculpassem.
Ele cerrou os punhos. Aquele maldito hábito dela de tirar conclusões precipitadas sobre ele
era muito irritante.
– Este libertino pede – falou em tom mais baixo.
Ela respirou fundo e depois deu um longo suspiro.
– Nesse caso, aceito as desculpas.
– Ótimo – disse ele, dirigindo-lhe seu sorriso mais atraente. – Posso acompanhá-la de volta
à casa?
Ela assentiu.
– Mas não pense que isso me fará mudar de ideia a respeito do senhor e de Edwina.
–  Jamais  sonharia  em  considerá-la  tão  facilmente  influenciável  –  atalhou  ele,  com
sinceridade.
Kate  virou-se  para  Anthony  e  viu  que  seus  olhos  eram  muito  diretos  –  de  uma  forma
assustadora, mesmo para ela.
– A questão é que o senhor me beijou – retrucou.
– E a senhorita retribuiu.
Ele não conseguiu resistir.
As bochechas dela ficaram com uma deliciosa cor rosada.

–  A  questão  é  –  repetiu  Kate  com  determinação  –  que  isso  aconteceu.  E,  se  o  senhor  se
casasse com Edwina, independentemente de sua reputação, que não considero infundada...
– Não – disse ele baixinho, interrompendo-a com um tom de voz aveludado e suave. – Não
acho que a senhorita deveria.
Ela lançou-lhe um olhar severo.
–  Independentemente  de  sua  reputação,  isso  sempre  ficaria  entre  nós.  Depois  que  algo
assim acontece, é impossível apagar.
O  diabo  em  Anthony  quase  o  impeliu  a  sibilar  “Isso  o  quê?”,  forçando-a  a  repetir  as
palavras  “O  beijo”,  mas,  em  vez  disso,  ele  compadeceu-se  dela  e  deixou  para  lá.  Além  do
mais,  Kate  tinha  razão.  O  beijo  sempre  estaria  entre  eles.  Mesmo  agora,  com  as  bochechas
dela  rosadas  de  vergonha  e  os  lábios  contraídos  de  irritação,  ele  se  perguntava  como  ela  se
sentira quando ele a puxara para seus braços, que gosto experimentara quando ele desenhara
o contorno de seus lábios com a língua.
Será que ela passara a cheirar como o jardim? Ou aquele perfume enlouquecedor de lírios e
sabonete ainda estava em sua pele?
Será que cederia em seus braços? Ou o afastaria e correria para casa?
Só havia um meio de descobrir, e, ao fazer isso, ele arruinaria para sempre as chances com
Edwina.
Mas,  como  Kate  dissera,  talvez  casar-se  com  Edwina  lhe  trouxesse  muitas  complicações.
Afinal, ele não poderia desejar a cunhada.
Talvez  tivesse  chegado  o  momento  de  procurar  outra  noiva,  por  mais  entediante  que
pudessem ser as perspectivas.
Talvez  fosse  o  momento  de  beijar  Kate  Sheffield  de  novo,  ali  em  meio  à  perfeição  dos
jardins de Aubrey Hall, com as flores tocando suas pernas e o aroma de lilases no ar.
Talvez...
Talvez...

CAPÍTULO 9
Homens são criaturas contraditórias. A mente e o coração nunca estão de acordo. E, como
sabem  muito  bem  as  mulheres,  suas  ações  costumam  ser  governadas  por  um  aspecto
completamente diferente.
C
29
O
u, talvez, não.
Enquanto Anthony imaginava qual seria o melhor caminho até os lábios dela, ouviu o som
perturbador da voz de Colin.
– Anthony! – gritou ele. – Aí está você.
Kate,  felizmente  sem  saber  como  estivera  perto  de  ser  beijada  do  modo  mais  insensato,
virou-se para observar a chegada de Colin.
– Qualquer dia – murmurou Anthony –, eu vou ter que matá-lo.
Kate virou-se de novo para ele.
– O senhor disse alguma coisa, milorde?
Anthony  ignorou-a.  Essa  devia  ser  a  melhor  alternativa,  pois  era  muito  provável  que  não
ignorá-la  o  fizesse  desejá-la,  o  que  era,  como  ele  sabia  muito  bem,  o  caminho  mais  curto  e
direto para o desastre completo.
Na  verdade,  ele  tinha  que  agradecer  a  Colin  pela  interrupção  inoportuna.  Mais  alguns
segundos e ele teria beijado Kate Sheffield, o que seria um dos maiores erros de sua vida.
Beijá-la  uma  vez  poderia  ser  perdoado,  sobretudo  considerando-se  o  modo  como  ela  o
provocara naquela noite, no escritório. Mas duas vezes... Bem, duas vezes obrigaria qualquer
homem honrado a desfazer a corte a Edwina Sheffield.
E Anthony não estava nem um pouco disposto a desistir de seu conceito de honra.
Não podia acreditar que estivera tão perto de estragar seus planos de casar-se com Edwina.
Em  que  estava  pensando?  Ela  era  a  noiva  perfeita  para  seus  propósitos.  Só  quando  a  irmã
intrometida estava por perto sua mente ficava confusa.
–  Anthony  –  repetiu  Colin  ao  se  aproximar.  –  E  Srta.  Sheffield.  –  Ele  lançou  um  olhar
curioso aos dois, pois sabia muito bem que eles não se davam. – Que surpresa.
– Estava apenas explorando os jardins de sua mãe – falou Kate –, e esbarrei em seu irmão.
Anthony assentiu, confirmando.
– Daphne e Simon estão aqui – continuou o mais novo.
Anthony virou-se para Kate e explicou:
– Minha irmã e o marido.

– O duque? – perguntou ela.
– O próprio – resmungou ele.
Colin riu ao perceber o rancor na voz do irmão.
– Ele se opôs ao casamento – comentou com Kate. – Vê-los felizes o deixa aborrecido.
–  Ora,  mas  que  diab...  –  falou  Anthony,  interrompendo-se  antes  de  blasfemar  diante  de
Kate.  –  Estou  muito  contente  pela  felicidade  de  minha  irmã  –  continuou  de  modo  ríspido,
sem  soar  muito  satisfeito.  –  Só  acho  que  eu  deveria  ter  tido  mais  oportunidades  de  saber  o
que o desgraç... malcriado pretendia antes de os dois embarcarem no “felizes para sempre”.
Kate reprimiu uma risada.
– Entendo – disse, certa de que não mantivera o rosto tão sério quanto desejara.
Colin sorriu para ela antes de virar-se mais uma vez para o irmão.
–  Daff  sugeriu  jogarmos  Pall  Mall.  O  que  você  acha?  Faz  séculos  que  não  jogamos.  E,  se
formos  logo,  poderemos  escapar  das  senhoritas  excessivamente  delicadas  que  mamãe
convidou por nossa causa. – Ele virou-se de novo para Kate com um sorriso que o faria ser
perdoado por qualquer coisa. – A não ser pela presente companhia, sem dúvida.
– Sem dúvida – murmurou ela.
Colin inclinou-se para a frente, com os olhos verdes brilhando de astúcia.
–  Ninguém  cometeria  o  erro  de  chamá-la  de  senhorita  excessivamente  delicada  –
acrescentou.
– Isso foi um elogio? – indagou ela, com acidez.
– Sem dúvida.
– Então terei que aceitá-lo de bom grado e com gratidão.
Colin deu uma risada e falou para Anthony:
– Eu gosto dela.
O mais velho não parecia divertido.
– A senhorita já jogou Pall Mall? – perguntou Colin a Kate.
– Infelizmente, não. Acho que nem sei o que é.
– É um jogo ao ar livre. Muito engraçado. Mais popular na França que aqui, embora eles o
chamem de paille maille.
– Como se joga? – quis saber Kate.
–  Colocamos  arcos  de  ferro  em  um  campo  –  explicou  Colin  –,  então  tentamos  acertá-los
batendo com tacos em bolas de madeira.
– Parece bem simples – refletiu ela.
– Não quando se joga com os Bridgertons – falou ele, dando uma risada.
– E o que isso quer dizer?
–  Quer  dizer  –  interrompeu  Anthony  –  que  nunca  vimos  necessidade  de  demarcar  um
campo. Colin coloca os arcos sobre as raízes das árvores...
–  E  você  já  colocou  um  na  direção  do  lago  –  atalhou  Colin.  –  Nunca  encontramos  a  bola
vermelha depois que Daphne a afundou.

Kate  sabia  que  não  deveria  aceitar  passar  uma  tarde  na  companhia  do  visconde,  mas,
apesar de tudo, o jogo parecia divertido.
– Haveria espaço para mais um jogador? – perguntou ela. – Já que estou excluída do grupo
de senhoritas excessivamente delicadas?
–  Claro  que  sim!  –  exclamou  Colin.  –  Suspeito  que  a  senhorita  se  encaixará  muito  bem
entre os maquinadores e trapaceiros.
– Vindo do senhor – falou Kate, dando uma risada –, sei que foi um elogio.
– Ora, com toda a certeza. Honra e sinceridade têm seu tempo e lugar, mas não num jogo
de Pall Mall.
–  E  –  interrompeu  Anthony,  com  uma  expressão  presunçosa  no  rosto  –  teremos  que
convidar sua irmã também.
– Edwina? – disse Kate, quase engasgando.
Com  mil  demônios.  Ela  acabara  de  jogar  a  irmã  direto  nas  garras  dele.  Vinha  fazendo  o
máximo  para  mantê-los  afastados  e  agora  praticamente  lhes  arranjara  um  passeio  à  tarde.
Não haveria meio de excluir Edwina depois de ter convidado a si mesma para o jogo.
– A senhorita tem outra irmã? – indagou ele em voz baixa.
Ela lançou-lhe um olhar severo.
– Talvez ela não queira jogar. Creio que está repousando no quarto.
–  Instruirei  a  criada  a  bater  bem  de  leve  na  porta  –  retrucou  Anthony,  sem  dúvida
mentindo.
– Ótimo! – comemorou Colin. – Assim teremos três homens e três mulheres.
– É um jogo em equipes? – indagou Kate.
–  Não  –  respondeu  ele  –,  mas  mamãe  sempre  fez  questão  de  que  tivéssemos  as  mesmas
quantidades em tudo. Ficaria muito aborrecida se jogássemos em número ímpar.
Kate não podia imaginar a adorável e graciosa mulher com quem conversara havia apenas
uma hora aborrecendo-se por causa de um jogo de Pall Mall, mas imaginou que não devia
comentar nada.
–  Vou  chamar  a  Srta.  Sheffield  –  murmurou  Anthony,  parecendo  insuportavelmente
arrogante.  –  Colin,  por  que  você  não  leva  esta  Srta.  Sheffield  até  o  campo  e  e  eu  encontro
vocês lá em meia hora?
Kate  abriu  a  boca  para  protestar  contra  o  arranjo  que  deixaria  Edwina  sozinha  com  o
visconde,  mesmo  que  por  um  curto  período,  enquanto  caminhavam  até  o  campo,  mas,  por
fim, permaneceu em silêncio. Não havia uma desculpa razoável que pudesse dar para evitar
aquilo, ela sabia.
Anthony captou o balbucio proferido por ela e deu o sorriso enviesado mais insolente que
pôde, antes de dizer:
– Fico feliz em ver que a senhorita concorda comigo.
Ela apenas resmungou. Se tivesse dito algo, as palavras não teriam sido educadas.
– Ótimo – falou Colin. – Nós os veremos mais tarde.

Então  deu  o  braço  a  Kate  e  se  afastou  com  ela,  deixando  Anthony  sorrindo  com  afetação
atrás deles.
Colin e Kate caminharam cerca de meio quilômetro até uma clareira ligeiramente irregular,
ladeada por um lago.
– O lar atual da bola vermelha, suponho – comentou Kate, apontando para a água.
Colin riu e assentiu.
– Uma pena, pois tínhamos equipamento suficiente para oito jogadores. Mamãe insistiu em
comprar um conjunto que pudesse incluir todos os filhos.
Kate não sabia se sorria ou franzia a testa.
– Sua família é muito unida, não é?
– Muito – respondeu Colin, dirigindo-se a um galpão próximo.
Kate o seguiu, dando tapinhas distraídos na coxa.
– O senhor sabe que horas são? – disse ela.
Ele fez uma pausa, retirou um relógio do bolso e abriu-o.
– Três e dez.
– Obrigada – falou, anotando mentalmente a hora.
Eles haviam se  separado de  Anthony quinze  minutos antes,  e ele  prometera levar Edwina
até o campo de Pall Mall em meia hora, portanto deveriam estar ali às 15h25.
No máximo, às 15h30. Kate estava disposta a ser generosa e aceitar os inevitáveis atrasos. Se
o visconde aparecesse com sua irmã às 15h30, ela não iria censurá-lo.
Colin  continuou  o  caminho  até  o  galpão  e  Kate  o  observou  com  interesse  enquanto  ele
empurrava a porta.
– Parece enferrujada – comentou ela.
– Já faz um tempo que não aparecemos aqui para jogar – retrucou ele.
– Mesmo? Se eu tivesse uma casa como Aubrey Hall, nunca iria a Londres.
Colin virou-se, com a porta aberta pela metade.
– A senhorita é um bocado parecida com Anthony, sabia?
Kate engasgou.
– O senhor só pode estar brincando.
Ele balançou a cabeça e deu um sorriso breve e estranho.
–  Talvez  seja  porque  vocês  dois  são  os  mais  velhos.  Deus  sabe  que  agradeço  todos  os  dias
por não ter nascido no lugar de Anthony.
– O que quer dizer?
Colin deu de ombros.
– Que eu não iria querer lidar com as responsabilidades dele, só isso. O título, a família, a
fortuna... É muita coisa nos ombros de um único homem.
Kate  não  tinha  qualquer  vontade  particular  de  saber  quão  bem  o  visconde  assumira  as

responsabilidades do título. Não queria ouvir nada que pudesse mudar sua opinião sobre ele,
embora  precisasse  admitir  que  ficara  impressionada  com  a  aparente  sinceridade  do  pedido
de desculpas mais cedo.
– O que isso tem a ver com Aubrey Hall? – indagou ela.
Colin  olhou-a  de  modo  inexpressivo  por  um  momento,  como  se  tivesse  esquecido  que  a
conversa  se  iniciara  com  o  comentário  inocente  de  Kate  sobre  como  a  casa  de  campo  era
adorável.
– Nada – disse ele. – E tudo. Anthony adora este lugar.
– Mas ele passa o tempo inteiro em Londres – retrucou Kate. – Não passa?
– Pois é. – Colin deu de ombros. – Estranho, não é?
Kate não respondeu. Ficou apenas observando-o terminar de empurrar a porta do galpão,
deixando-a totalmente aberta.
– Aqui estamos – declarou ele, retirando lá de dentro um carrinho construído para conter
os  oito  tacos  e  as  bolas  de  madeira.  –  Está  um  pouco  mofado,  mas  nada  que  vá  causar
problemas.
– A não ser pela perda da bola vermelha – comentou Kate com um sorriso.
– Isso é culpa de Daphne – retrucou Colin. – Tudo é culpa de Daphne. Torna minha vida
muito mais fácil!
– Eu já ouvi algo parecido antes!
Kate  deu  meia-volta  e  viu  um  jovem  casal  muito  atraente  aproximando-se.  O  homem  era
lindo, com cabelos muito escuros e olhos bem claros. A mulher só podia ser uma Bridgerton,
com o mesmo cabelo castanho de Anthony e Colin. Sem falar na estrutura óssea e no sorriso.
Kate ouvira dizer que todos os Bridgertons eram muito parecidos, mas ela nunca acreditara
por completo nisso, até o momento.
– Daff! – chamou Colin. – Você chegou bem a tempo de nos ajudar a posicionar os arcos.
Ela lhe lançou um sorriso malicioso.
–  Você  não  achou  que  eu  iria  permitir  que  você  arrumasse  o  campo  sozinho,  não  é?  –
Então, virando-se para o marido: – Não confio nem um pouco nele.
– Não dê ouvidos a ela – disse Colin a Kate. – Sou a pessoa mais confiável que existe.
Daphne revirou os olhos e se dirigiu a Kate:
– Como tenho certeza de que meu infeliz irmão não fará as honras, vou me apresentar. Sou
Daphne, duquesa de Hastings, e esse é meu marido, Simon.
Kate fez uma pequena mesura.
–  Vossa  Graça  –  murmurou,  então  se  virou  para  o  duque  e  disse  mais  uma  vez:  –  Vossa
Graça.
Colin fez um gesto com a mão na direção dela enquanto se curvava para retirar os arcos do
carrinho.
– Essa é a Srta. Sheffield.
Daphne pareceu confusa.

–  Acabei  de  cruzar  com  Anthony  em  casa  e  pensei  que  ele  tivesse  dito  que  estava  indo
pegar a Srta. Sheffield.
– Minha irmã – explicou Kate. – Edwina. Eu sou Katharine. Kate, para os amigos.
– Bem, se você é corajosa o suficiente para jogar Pall Mall com os Bridgertons, sem dúvida
eu a quero como amiga – comentou Daphne, abrindo um sorriso amplo. – Então, você deve
me chamar de Daphne. E meu marido, de Simon. Não é, Simon?
– Ora, é claro – respondeu ele, e Kate teve a nítida impressão de que o duque teria dito a
mesma coisa se ela afirmasse que o céu era laranja.
Não  que  não  estivesse  prestando  atenção  nela  –  simplesmente  era  óbvio  que  a  adorava  a
ponto de não conseguir se concentrar na conversa.
Era isso, pensou Kate, que queria para Edwina.
–  Deixe-me  levar  metade  –  ofereceu  Daphne,  estendendo  o  braço  para  pegar  os  arcos  da
mão do irmão. – Eu e a Srta. Sheffield... isto é, eu e Kate – falou, dando a Kate um sorriso
simpático – vamos arrumar três deles, e você e Simon podem fazer o restante.
Antes  que  Kate  pudesse  sequer  arriscar  uma  opinião,  Daphne  pegou-a  pelo  braço  e
conduziu-a até o lago.
–  Temos  que  ter  certeza  absoluta  de  que  Anthony  vai  jogar  a  bola  na  água  –  murmurou
Daphne. – Nunca o perdoei pela última vez. Pensei que Benedict e Colin fossem morrer de
tanto  rir.  E  Anthony  foi  o  pior.  Só  ficou  ali  parado,  com  um  sorrisinho  afetado.  Um
sorrisinho afetado! – Ela se virou para Kate com a expressão mais pesarosa. – Ninguém sorri
afetado como meu irmão mais velho.
– Eu sei – murmurou Kate baixinho.
Por sorte, a duquesa não a ouviu.
– Se eu pudesse matá-lo, juro que teria feito.
–  O  que  vai  acontecer  se  todas  as  suas  bolas  se  perderem  no  lago?  –  perguntou  Kate  sem
conseguir  resistir.  –  Ainda  não  joguei  muito  com  a  senhora,  mas  me  parece  muito
competitiva, e pelo jeito...
–  Pelo  jeito  isso  seria  inevitável?  –  Daphne  terminou  a  frase  por  ela.  Então  sorriu.  –
Provavelmente,  você  está  certa.  Não  temos  espírito  esportivo  quando  se  trata  de  Pall  Mall.
Sempre que um Bridgerton ergue um taco, tornamo-nos todos trapaceiros e mentirosos. Na
verdade, o jogo é muito menos sobre ganhar e muito mais sobre garantir que os adversários
percam.
Kate fez um esforço para encontrar as palavras.
– Isso parece...
–  Terrível?  –  Daphne  sorriu  de  novo.  –  Não  é.  Você  nunca  se  divertirá  tanto,  posso  lhe
garantir. Mas, do jeito que a coisa vai, todo o conjunto terminará no fundo do lago em muito
pouco tempo. Acho que teremos que mandar buscar outro na França. – Ela enfiou um dos
arcos no solo. – Parece um desperdício, eu sei, mas vale a pena humilhar meus irmãos.
Kate tentou não rir, mas não foi bem-sucedida.

– A senhorita tem algum irmão? – perguntou Daphne.
Como  a  duquesa  se  esquecera  de  usar  seu  primeiro  nome,  Kate  achou  melhor  voltar  a
tratá-la de maneira formal:
– Nenhum, Vossa Graça – respondeu. – Edwina é minha única irmã.
Daphne cobriu os olhos com a mão e examinou a área, procurando um local diabólico para
outro  dos  arcos.  Quando  avistou  um  –  bem  em  cima  da  raiz  de  uma  árvore  –,  seguiu  em
frente, e Kate não teve alternativa senão segui-la.
–  Quatro  irmãos  –  prosseguiu  Daphne,  enfiando  o  arco  no  solo  –  proporcionam  uma
educação maravilhosa.
– Imagino as coisas que a senhora deve ter aprendido – falou Kate, muito impressionada. –
A senhora consegue deixar um homem de olho roxo? Derrubá-lo no chão?
Daphne deu um sorriso astucioso.
– Pergunte a meu marido.
–  Perguntar  o  que  a  mim?  –  gritou  o  duque  do  outro  lado  da  árvore,  onde  ele  e  Colin
posicionavam um arco em uma raiz.
– Nada – retrucou a duquesa com ar de inocência. – Eu também aprendi – cochichou para
Kate – quando é melhor manter a boca fechada. Homens são muito mais fáceis de manipular
depois que aprendemos alguns fatos essenciais sobre a natureza deles.
– E quais são esses fatos? – arriscou Kate.
Daphne inclinou-se para a frente e sussurrou com a mão em concha cobrindo-lhe a boca.
– Os homens não são tão inteligentes quanto nós, e não precisam saber nem metade do que
fazemos. – Ela olhou ao redor. – Ele não ouviu isso, ouviu?
Simon deu um passo para o lado, surgindo detrás da árvore.
– Cada palavra.
Kate reprimiu uma gargalhada enquanto Daphne se punha de pé de um salto.
– Mas é a pura verdade – falou com ar de superioridade.
Simon cruzou os braços.
– Deixo que você pense assim – retrucou. Virou-se para Kate e prosseguiu: – Aprendi uma

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