Dados de copyrig ht



Baixar 1.49 Mb.
Pdf preview
Página1/12
Encontro08.05.2020
Tamanho1.49 Mb.
  1   2   3   4   5   6   7   8   9   ...   12

DADOS DE COPYRIG HT
Sobre a obra:
A presente obra é disponibilizada pela equipe 
Le Livros
 e seus diversos parceiros,
com  o obj etivo de oferecer conteúdo para uso parcial em  pesquisas e estudos
acadêm icos, bem  com o o sim ples teste da qualidade da obra, com  o fim
exclusivo de com pra futura.
É expressam ente proibida e totalm ente repudiável a venda, aluguel, ou quaisquer
uso com ercial do presente conteúdo
Sobre nós:

Le Livros
 e seus parceiros disponibilizam  conteúdo de dom inio publico e
propriedade intelectual de form a totalm ente gratuita, por acreditar que o
conhecim ento e a educação devem  ser acessíveis e livres a toda e qualquer
pessoa. Você pode encontrar m ais obras em  nosso site: 
LeLivros.site
 ou em
qualquer um  dos sites parceiros apresentados 
neste link
.
"Quando o mundo estiver unido na busca do conhecimento, e não mais lutando
por dinheiro e poder, então nossa sociedade poderá enfim evoluir a um novo
nível."

Livros do autor publicados por esta editora:
• Am or líquido
• Aprendendo a pensar com  a sociologia
• A arte da vida
• Capitalism o parasitário
• Com unidade
• Confiança e m edo na cidade
• Em  busca da política
• Europa
• Globalização: As consequências hum anas
• Identidade
• Legisladores e intérpretes
• O m al-estar da pós-m odernidade
• Medo líquido
• Modernidade e am bivalência
• Modernidade e holocausto
• Modernidade líquida
• A sociedade individualizada
• Tem pos líquidos
• Vida a crédito
• Vida líquida
• Vida para consum o
• Vidas desperdiçadas

Zy gm unt Baum an e Tim  May
APRENDENDO A PENSAR COM A SOCIOLOG IA
Tradução:
Alexandre Werneck

. Sumário .
  Prefácio à segunda edição
Introdução: A sociologia como disciplina
Em  busca de distinção | Sociologia e senso com um  | O conteúdo deste livro |
Questões para refletir | Sugestões de leitura
Parte I  Ação, identidade e entendimento na vida cotidiana
1.   Alguém com os outros
Escolha, liberdade e convivência com  os outros | Alguém  com  o outro:
perspectivas sociológicas | Socialização, im portância e ação | Síntese |
Questões para refletir | Sugestões de leitura
2.   Observação e sustentação de nossas vidas
Fundam entando nossas vidas: interação, entendim ento e distância social |
Observando e vivendo a vida: fronteiras e outsiders | Síntese | Questões para
refletir | Sugestões de leitura
3.   Laços: para falar em “nós”
Com unidades: forj ar o consenso e lidar com  o conflito | Cálculo,
racionalização e vida grupal | Síntese | Questões para refletir | Sugestões de
leitura
Parte II Viver nossas vidas: desafios, escolhas e coerções
4.   Decisões e ações: poder, escolha e dever moral
Tom adas de decisão | Valores, poder e ação | A m otivação para agir | Síntese
| Questões para refletir | Sugestões de leitura
5.   Fazer acontecer: dádivas, trocas e intimidade nas relações
Pessoal e im pessoal: a dádiva e a troca | À procura de nós m esm os: am or,
intim idade, carinho e m ercadorias | A m ercantilização da identidade |

Síntese | Questões para refletir | Sugestões de leitura
6.   O cuidado de nós: corpo, saúde e sexualidade
Em  busca de segurança | Self corporificado: perfeição e satisfação | A busca
de saúde e boa form a | Corpo e desej o | Corpo, sexualidade e gênero |
Síntese | Questões para refletir | Sugestões de leitura
7.   Tempo, espaço e (des)ordem
A experiência do espaço e do tem po | Sociedade de risco | Autonom ia,
ordem  e caos | Síntese | Questões para refletir | Sugestões de leitura
8.   Traçar fronteiras: cultura, natureza, Estado e território
Natureza e cultura | Estado, nações e nacionalism o | Síntese | Questões para
refletir | Sugestões de leitura
9.   Os negócios na vida cotidiana: consumo, tecnologia e estilos de vida
Tecnologia, expertise e habilidades | Consum o e publicidade | Estilos de vida,
produtos e m ercado | Síntese | Questões para refletir | Sugestões de leitura
Parte III Olhar para o passado, ansiar pelo futuro
10. Aprendendo a pensar com a sociologia
O olhar sociológico | Expectativas e pensam ento sociológicos | Sociologia:
três estratégias em ergem  das som bras | Tensões sociais, form as de viver e
obj etivos sociológicos | Sociologia e liberdade | Questões para refletir |
Sugestões de leitura
Agradecimentos
Índice remissivo

Prefácio à segunda edição
Prefaciar  a  segunda  edição  de  um   livro  originalm ente  escrito  por  Zy gm unt
Baum an  foi  tarefa  da  qual  m e  aproxim ei  com   algum   tem or.  Afinal,  o  texto  foi
escrito em  estilo próprio, atraente para inúm eros leitores, em  m uitas línguas. Por
outro  lado,  Baum an  percebia  que  um a  reedição  atualizada  ganharia  algo  com
m inha contribuição. Diante disso, m inha disposição de preservar a originalidade
ao  m esm o  tem po  que  acrescentava  m inha  produção  própria  obrigou-m e  a  ser
cuidadoso.
O resultado final é um a edição totalm ente revista e am pliada. Capítulos foram
alterados,  outros  foram   introduzidos;  paralelam ente  acrescentou-se  m aterial  ao
longo  do  texto,  por  exem plo,  sobre  saúde  e  fitness,  intim idade,  tem po,  espaço  e
desordem , risco, globalização, organizações e novas tecnologias. No final, am bos
acreditam os  ter  produzido  um   livro  que  m antém   os  m elhores  elem entos  da
prim eira  edição  (de  1990),  m as  com   acréscim os  que  realm ente  m elhoram   seu
apelo universal.
Nós  dois  nos  im pusem os  a  tarefa  de  pontilhar  Aprendendo  a  pensar  com  a
sociologia  de  atrativos  para  um   am plo  espectro  de  leitores.  Para  quem   está
estudando  sociologia,  procuram os  antecipar  os  diferentes  tópicos  do  currículo;
esperam os  tam bém   que  nosso  m odo  de  escrever  sej a  instigante  para  cientistas
sociais  em   plena  carreira.  Torcem os  naturalm ente  para  que  o  livro  desperte  o
interesse de vasta gam a de leitores cuj a curiosidade se volta para essa disciplina
–  que  tem   recebido  cada  vez  m ais  atenção,  pelos  insights  que  fornece  sobre  a
sociedade  e  as  relações  sociais.  Tem os  total  clareza  quanto  à  razão  disso:  a
sociologia  oferece  um a  valorosa  e  às  vezes  negligenciada  perspectiva  sobre  as
questões com  que todos nós deparam os neste século XXI.
Em bora  separados  por  duas  gerações,  som os  am bos  sociólogos  devotados  a
nosso  tem a,  no  sentido  do  entendim ento  que  ele  oferece  para  dar  sentido  às
experiências  dos  am bientes  sociais  em   que  vivem os.  Desenvolver  um
pensam ento  sociológico  não  só  facilita  nossa  com preensão  uns  dos  outros  e  de
nós m esm os, m as tam bém  propicia explicações im portantes para a dinâm ica das
sociedades  e  das  relações  sociais  com o  um   todo.  Esperam os,  portanto,  que,
depois de ler este livro, você concorde conosco quanto ao fato de a sociologia ser
assunto esclarecedor, estim ulante, prático e desafiador.

TIM MAY
Questões para refletir e sugestões de leitura
Um  de nossos obj etivos, neste livro, é fornecer um a estrutura para sem inários de
discussão e grupos de estudos, ou para quem  leu o livro e desej a explorar m ais as
questões  que  nele  levantam os.  Com   essa  finalidade,  sugerim os  um a  série  de
perguntas  relativas  a  cada  capítulo  e  acrescentam os  indicações  de  leituras
adicionais.  Elas  têm   a  intenção  de  ser  seletivas  no  que  diz  respeito  a  áreas  de
interesse  que  costum am   gerar  considerável  quantidade  de  escritos.  Afinal,  a
sociologia 
é 
um a 
disciplina 
dinâm ica 

progressiva, 
produzindo
perm anentem ente novos estudos – o que, aliás, não surpreende, considerando que
nossa  vida  m uda  de  várias  m aneiras  e  em   diferentes  m om entos.  Selecionam os
esses livros pelos tópicos que abordam  e pelas questões que aqui analisam os. Por
conseguinte,  nem   sem pre  são  os  livros  m ais  fáceis,  m as  esperam os  que  eles  se
com provem  de interesse suficiente para despertar novas reflexões a respeito das
questões sociais básicas.
Ao  avaliar  esses  textos  e  ao  lê-los,  não  se  sinta  deprim ido  nem   se  renda  à
tentação  de  deixá-los  de  lado.  O  conhecim ento  sociológico  pode  parecer
opressivo, m as o esforço é ricam ente recom pensador e em  nada soará além  de
suas  capacidades.  Além   disso,  existem   publicações  sociológicas  produzidas
especificam ente  para  aj udá-lo  e  aos  outros  a  andar  pelo  eixo  principal  do
conhecim ento  na  área.  Repare  que  a  leitura  pode  ser  um   exercício  passivo,  no
qual o leitor atua com o receptor do texto, e dela não se aproxim a para criticar,
analisar,  fazer  cruzam entos  de  referências  e  trazer  aprendizagem   prévia  e
experiências  próprias  para  o  texto.  É  exatam ente  por  isso  que  você  deve  ler
usando  um   “estilo  interrogativo”,  pelo  qual  “se  aproxim e”  do  texto  e
constantem ente lhe faça perguntas, tendo em  m ente os obj etivos de sua leitura.
Produzim os as perguntas ao final dos capítulos para aj udá-lo nesse processo,
m as com  certeza suas habilidades interrogativas se desenvolverão, à m edida que
você  estabeleça  um   processo  de  constante  aprofundam ento  e  aum ente  a
am plitude  do  conhecim ento.  Resta-nos  apenas  esperar  que  você  aprecie  essa
j ornada contínua pela sociologia.

. Introdução .
A sociologia com o disciplina
Neste capítulo analisarem os a ideia de aprender a pensar sociologicam ente e sua
im portância  no  entendim ento  de  nós  m esm os,  uns  dos  outros  e  dos  am bientes
sociais  em   que  vivem os.  Para  isso,  irem os  considerar  a  sociologia  um a  prática
disciplinada,  dotada  de  um   conj unto  próprio  de  questões  com   as  quais  aborda  o
estudo da sociedade e das relações sociais.
Em  busca de distinção
A  sociologia  engloba  um   conj unto  disciplinado  de  práticas,  m as  tam bém
representa considerável corpo de conhecim ento acum ulado ao longo da história.
Percorrer com  o olhar a seção de sociologia das bibliotecas revela um  conj unto
de  livros  que  representa  essa  área  de  conhecim ento  com o  um a  tradição  de
publicação.  Essas  obras  fornecem   considerável  volum e  de  inform ação  para
novatos  na  área,  queiram   eles  se  tornar  sociólogos  ou  apenas  am pliar  seu
conhecim ento  a  respeito  do  m undo  em   que  vivem .  São  espaços  em   que  os
leitores  podem   se  servir  de  tudo  aquilo  que  a  sociologia  é  capaz  de  oferecer  e,
com   isso,  consum ir,  digerir,  dela  se  apropriar  e  nela  se  expandir.  Essa  ciência
configura-se, assim , um a via de constante fluxo, e os novatos acrescentam  ideias
e  estudos  da  vida  social  às  estantes  originais.  A  sociologia,  nesse  sentido,  é  um
espaço  de  atividade  contínua  que  com para  o  aprendizado  com   novas
experiências  e  am plia  o  conhecim ento,  m udando,  nesse  processo,  a  form a  e  o
conteúdo da própria disciplina.
Isso  parece  fazer  sentido.  Afinal,  quando  nos  perguntam os  “o  que  é  a
sociologia?”,  podem os  nos  referir  a  um a  coleção  de  livros  em   um a  biblioteca,
que dão conta do conteúdo da disciplina – esse é um  m odo aparentem ente óbvio
de  pensar  sobre  a  m atéria,  posto  que,  se  alguém   nos  perguntar  “o  que  é  um
leão?”, podem os pegar um  livro sobre anim ais e indicar um a im agem  específica.
Nesse sentido, estam os apontando para a ligação entre palavras e obj etos. Assim ,
portanto,  palavras  referem -se  a  obj etos,  que  se  tornam   referentes  para  essas
palavras,  e,  então,  estabelecem os  conexões  entre  uns  e  outras  em   condições
específicas.  Sem   essa  capacidade  com um   de  com preensão,  seria  im possível  a
com unicação  m ais  banal,  aquela  que  não  costum am os  sequer  questionar.  Isso,

entretanto, não é suficiente para um  entendim ento de m aior profundidade, m ais
sociológico, dessas conexões.
Esse  processo,  contudo,  não  nos  possibilita  conhecer  o  obj eto  em   si.  Tem os
então  de  acrescentar  algum as  perguntas,  por  exem plo:  de  que  m aneira  esse
obj eto  é  peculiar?  De  que  form a  ele  se  diferencia  de  outros,  para  que  se
j ustifique  o  fato  de  poderm os  a  ele  nos  referir  por  um   nom e  diferente?  Se
cham ar um  anim al de leão é correto m as cham á-lo de tigre não, deve haver algo
que  leões  tenham   e  tigres  não,  deve  haver  distinções  entre  eles.  Só  descobrindo
essas  diferenças  podem os  saber  o  que  caracteriza  um   leão  –  o  que  é  bem
diferente  de  apenas  saber  a  que  obj eto  corresponde  a  palavra  “leão”.  É  o  que
acontece  com   a  tentativa  de  caracterizar  a  m aneira  de  pensar  que  podem os
cham ar de sociológica.
Satisfaz-nos  o  fato  de  a  palavra  “sociologia”  representar  certo  corpo  de
conhecim entos  e  certas  práticas  que  utilizam   esse  conhecim ento  acum ulado.
Entretanto,  o  que  faz  esses  conteúdos  e  essas  práticas  serem   exatam ente
“sociológicos”? O que os torna diferentes de outros corpos de conhecim ento e de
outras disciplinas que têm  seus próprios procedim entos?
Para  responder  a  essa  pergunta,  poderíam os,  voltando  a  nosso  exem plo  do
leão, buscar distinguir a sociologia de outras disciplinas. Em  m uitas bibliotecas, as
estantes  m ais  próxim as  às  de  sociologia  têm   etiquetas  com o  “história”,
“antropologia”,  “ciência  política”,  “direito”,  “políticas  públicas”,  “ciências
contábeis”, 
“psicologia”, 
“ciências 
da 
adm inistração”, 
“econom ia”,
“crim inologia”,  “filosofia”,  “serviço  social”,  “linguística”,  “literatura”  e
“geografia hum ana”. Os bibliotecários que as organizam  talvez suponham  que os
leitores que pesquisam  a seção de sociologia podem  eventualm ente chegar a um
livro desses outros assuntos. Em  outras palavras, considera-se que o tem a central
da  sociologia  deve  estar  m ais  próxim o  desses  corpos  de  conhecim ento  que  de
outros. Talvez as diferenças entre os livros de sociologia e seus vizinhos im ediatos
sej am ,  então,  m enos  pronunciadas  do  que  as  existentes  entre  sociologia  e,
digam os, quím ica orgânica?
Faz sentido essa catalogação. Os corpos de conhecim ento dessas m atérias têm
m uito  em   com um ,  sendo  preocupação  de  todas  elas  o  mundo  feito  pelos  seres
humanos,  aquele  que  só  existe  em   decorrência  de  nossas  ações.  Todos  esses
sistem as de pensam ento, cada um  à sua m aneira, se referem  a ações hum anas e
suas  consequências.  Se,  entretanto,  exploram   o  m esm o  território,  o  que  os
distingue? O que os faz tão diferentes um  do outro que j ustifique cada qual ter um
nom e?
Som os tentados a oferecer um a resposta sim ples para essas questões: divisões
entre  corpos  de  conhecim ento  devem   refletir  as  divisões  em   seu  universo  de
investigação.  São  as  ações  hum anas  (ou  os  aspectos  dessas  ações)  que  diferem
um as  das  outras,  e  as  divisões  entre  os  diferentes  corpos  de  conhecim ento

sim plesm ente  levam   em   conta  esse  fato.  Assim ,  a  história  diz  respeito  às  ações
que  têm   lugar  no  passado,  enquanto  a  sociologia  se  concentra  nas  ações  atuais.
De  m odo  sim ilar,  a  antropologia  trata  de  sociedades  hum anas  em   estágios  de
desenvolvim ento  diferentes  daquele  em   que  se  encontra  a  nossa
(independentem ente da m aneira com o isso sej a definido).
No que diz respeito a outros parentes próxim os da sociologia, a ciência política
tende  a  discutir  ações  relativas  ao  poder  e  ao  governo;  a  econom ia  lida  com
aquelas  relacionadas  ao  uso  de  recursos  em   term os  de  m axim ização  de  sua
utilidade  por  indivíduos  considerados  “racionais”,  em   um   sentido  particular  do
term o, assim  com o à produção e à distribuição de bens; o direito e a crim inologia
estão  interessados  na  interpretação  e  aplicação  de  leis  e  norm as  que  regulam   o
com portam ento  hum ano  e  na  m aneira  com o  essas  norm as  estão  articuladas,
com o se tornam  obrigatórias, são executadas e seus efeitos. Todavia, esse m odo
de j ustificar as fronteiras entre disciplinas torna-se problem ático, pois assum im os
que  o  m undo  hum ano  reflete  divisões  tão  precisas  que  dem andam   ram os
especializados de investigação. Chegam os então a um  debate im portante: com o a
m aioria  das  crenças  que  parecem   autoevidentes,  essas  divisões  só  se  m antêm
óbvias enquanto nos abstem os de exam inar os pressupostos que as sustentam .
Então, de onde tiram os a ideia de que as ações hum anas podem  ser divididas
em  categorias? Seria do fato de que elas têm  sido assim  classificadas, e a cada
um a  tem   se  atribuído  nom e  específico?  Ou  do  fato  de  que  há  grupos  de
especialistas  com   credibilidade,  considerados  conhecedores  e  confiáveis,  que
clam am   direitos  exclusivos  para  estudar  determ inados  aspectos  da  sociedade  e
nos  suprir  com   opiniões  fundam entadas?  Do  ponto  de  vista  de  nossas
experiências,  contudo,  faz  sentido  repartir  a  sociedade  entre  econom ia,  ciência
política ou políticas públicas? Afinal, não vivem os um  m om ento sob o dom ínio da
ciência  política  e  o  seguinte  sob  o  da  econom ia;  nem   nos  deslocam os  da
sociologia  para  a  antropologia  quando  viaj am os  da  Inglaterra  para  algum a
região, digam os, da Am érica do Sul; ou da história para a sociologia de um  ano
para outro!
Será  que  som os  capazes  de  separar  esses  dom ínios  de  atividade  em   nossas
experiências  e,  assim ,  categorizar  nossas  ações  em   políticas  num   m om ento  e
econôm icas em  outro porque antes de tudo fom os ensinados a fazer tal distinção?
Então  o  que  conhecem os  não  seria  o  m undo  em   si,  m as  o  que  nele  estam os
fazendo em  term os de com o nossas práticas são conform adas por um a im agem
daquele m undo. Trata-se de um  m odelo construído com  os blocos derivados das
relações entre linguagem e experiência.  Desse  m odo,  não  há  divisão  natural  do
m undo  hum ano  que  se  reflita  em   diferentes  disciplinas  acadêm icas.  O  que  há,
pelo  contrário,  é  um a  divisão  de  trabalho  entre  os  estudiosos  que  se  debruçam
sobre as ações hum anas, e isso é reforçado pela m útua distinção dos respectivos
especialistas,  com   os  direitos  exclusivos  de  cada  grupo  quanto  à  decisão  do  que

pertence e do que não pertence a suas áreas específicas.
Em  busca da “diferença que faz a diferença”, deparam os com  a questão: em
que  as  práticas  desses  ram os  de  estudo  diferem   um as  das  outras?  Existe
sim ilaridade nas atitudes de cada um  deles em  relação ao que escolheram  com o
obj eto de estudo. Afinal, todos exigem  obediência às m esm as regras de conduta
ao  lidar  com   seus  respectivos  obj etos.  Todos  buscam   coletar  fatos  relevantes  e
garantir sua validade, e, então, testam  e voltam  a testar esses fatos no sentido de
confirm ar  a  confiabilidade  das  inform ações  a  respeito  deles.  Além   disso,  todos
tentam   colocar  as  proposições  sobre  esses  fatos  de  tal  m aneira  que  elas  sej am
clara e inequivocam ente com preendidas e confirm adas por evidências. Fazendo
isso, procuram  antecipar-se a contradições entre proposições ou m esm o elim iná-
las, de m odo que nunca duas afirm ações opostas sej am  consideradas verdadeiras
ao  m esm o  tem po.  Sim plificando,  todos  eles  tentam   fazer  j us  à  ideia  de  um a
disciplina sistem ática e apresentar seus achados de m odo responsável.
Agora podem os afirm ar que não há diferença na m aneira com o a tarefa dos
especialistas, bem  com o sua m arca registrada – a responsabilidade acadêm ica –,
é  entendida  e  praticada.  Quem   reivindica  a  condição  de  especialista  parece
em pregar  estratégias  sim ilares  para  coletar  e  processar  seus  fatos:  observa
aspectos das ações hum anas ou em prega evidências históricas e busca interpretá-
las segundo m odos de análise coerentes com  essas ações. Logo, parece que nossa
últim a  esperança  de  encontrar  o  traço  distintivo  está  nos  tipos  de  questão  que
m otivam   cada  cam po,  ou  sej a,  aquelas  que  determ inam   os  pontos  de  vista
(perspectivas  cognitivas)  pelos  quais  as  ações  hum anas  são  observadas,
pesquisadas, descritas e explicadas por estudiosos dessas diferentes disciplinas.
Vej am os  o  tipo  de  questão  que  m otiva  os  econom istas.  Nessa  abordagem ,  o
que  é  levado  em   consideração  se  deslocaria  para  a  relação  entre  custos  e
benefícios das ações hum anas, avaliadas do ponto de vista do gerenciam ento de
recursos  escassos  e  dos  m odos  possíveis  de  m axim izar  seus  benefícios.  Além
disso, as relações entre os atores seriam  exam inadas com o aspectos da produção
e das trocas de bens e serviços, todos eles considerados regulados por relações de
m ercado  de  oferta  e  procura  e  pelo  desej o  dos  atores  de  conquistar  suas
preferências  de  acordo  com   um   m odelo  de  ação  racional.  Os  achados  seriam ,
então, arranj ados em  um  m odelo do processo pelo qual os recursos são criados,
obtidos e distribuídos entre várias dem andas.
A  ciência  política,  por  sua  vez,  m ais  provavelm ente  se  interessará  pelos
aspectos  das  ações  hum anas  que  m udam   –  ou  são  m udados  por  –  condutas
vigentes  ou  prognósticas  de  outros  atores  em   term os  de  seu  poder  e  influência.
Nesse  sentido,  as  ações  podem   ser  vistas  em   term os  de  assim etria  entre  essas
duas  grandezas,  e,  então,  alguns  atores  em ergem   da  interação  com   seus
com portam entos  m ais  significativam ente  m odificados  do  que  os  de  outros
integrantes  dessa  interação.  Tam bém   é  possível  organizar  essas  descobertas  em

torno de conceitos com o poder, dom inação, Estado, autoridade e outros.
As  preocupações  da  econom ia  e  da  ciência  política  não  são  de  m aneira
algum a estranhas à sociologia, o que logo se evidencia em  trabalhos sociológicos
escritos  por  estudiosos  que  se  podem   identificar  com o  historiadores,  cientistas
políticos,  antropólogos  ou  geógrafos.  A  sociologia,  aliás,  com o  outros  ram os  das
ciências sociais, possui sua própria perspectiva cognitiva que estabelece questões
a  lançar  acerca  das  ações  hum anas,  assim   com o  seus  próprios  princípios  de
interpretação. Desse  ponto de  vista, podem os  dizer que  a sociologia  se  distingue
por observar as ações hum anas com o elem entos de figurações m ais am plas; ou
sej a,  de  um a  m ontagem   não  aleatória  de  atores  reunidos  em   rede  de
dependência  m útua  (dependência  considerada  o  estado  no  qual  a  probabilidade
de  que  a  ação  sej a  em preendida  e  as  chances  de  seu  sucesso  se  alterem   em
função do que sej am  os atores, do que façam  ou possam  fazer).
Os sociólogos perguntam  que consequências isso tem  para os atores hum anos,
as  relações  nas  quais  ingressam os  e  as  sociedades  das  quais  som os  parte.  Em
resposta,  form atam   o  obj eto  da  investigação  sociológica.  Assim ,  figurações,
redes  de  dependência  m útua,  condicionam entos  recíprocos  da  ação  e  expansão
ou  confinam ento  da  liberdade  dos  atores  estão  entre  as  m ais  preem inentes
preocupações da sociologia.
Atores individuais tornam -se obj eto das observações de estudos sociológicos à
m edida que são considerados participantes de um a rede de interdependência. Por
isso,  e  porque,  não  im portando  o  que  façam os,  som os  dependentes  dos  outros,
poderíam os dizer que a questão central da sociologia é: com o os tipos de relações
sociais  e  de  sociedades  em   que  vivem os  têm   a  ver  com   as  im agens  que
form am os uns dos outros, de nós m esm os e de nosso conhecim ento, nossas ações
e suas consequências? São questões desse tipo – partes das realidades práticas da
vida  cotidiana  –  que  constituem   a  área  própria  da  discussão  sociológica  e
definem  a sociologia com o ram o relativam ente autônom o das ciências hum anas
e sociais. Logo, podem os concluir que aprender a pensar com  a sociologia é um a
form a  de  com preender  o  m undo  dos  hom ens  que  tam bém   abre  a  possibilidade
de pensá-lo de diferentes m aneiras.
Sociologia e senso com um
Aprender  a  pensar  sociologicam ente  é  um a  atividade  que  se  distingue  tam bém
por  sua  relação  com   o  cham ado  “senso  com um ”.  Talvez  m ais  ainda  que  em
outras  áreas  de  estudo,  a  relação  com   o  senso  com um   é,  na  sociologia,
conform ada  por  questões  im portantes  para  sua  perm anência  e  sua  prática.  As
ciências físicas e biológicas não se preocupam  aparentem ente em  enunciar sua
relação com  o senso com um . A m aioria das ciências se estabelece definindo-se
em   term os  das  fronteiras  que  as  separam   de  outras  disciplinas,  e  não  se  supõe

partilhando  terreno  suficiente  para  se  preocupar  em   traçar  fronteiras  ou  pontes
com  esse conhecim ento rico, ainda que desordenado e não sistem ático, em  geral
desarticulado, inefável, que cham am os de senso com um .
Essa indiferença deve ter algum a j ustificativa. O senso com um , afinal, parece
nada  ter  a  dizer  sobre  os  problem as  que  preocupam   físicos,  quím icos  e
astrônom os.  Os  assuntos  com   os  quais  eles  lidam   não  se  voltam   para  as
experiências cotidianas nem  passam  pela m ente de hom ens e m ulheres com uns.
Assim ,  não  especialistas  em   geral  não  se  consideram   aptos  a  em itir  opiniões  a
respeito  desses  tem as,  a  m enos  que  sej am   auxiliados  por  cientistas.  Afinal,  os
obj etos  explorados  pelas  ciências  físicas  só  são  acessíveis  sob  circunstâncias
m uito especiais – por exem plo, através das lentes de telescópios gigantescos, cuj o
uso para desenvolver experim entos em  determ inadas condições é exclusividade
dos cientistas, que dessa form a reivindicam  para si a posse m onopolística de um
dado  ram o  da  ciência.  Com o  únicos  detentores  da  experiência  que  fornece  a
m atéria-prim a para seus estudos, o processo, as análises e a interpretação desses
m ateriais estão sob seu controle. Os produtos dessa form a de posse devem , então,
subm eter-se  e  resistir  ao  escrutínio  crítico  de  outros  cientistas.  Não  precisam
com petir com  o senso com um  pela sim ples razão de que este não tem  pontos de
vista sobre as m atérias a respeito das quais essas áreas se pronunciam .
Devem os  agora  lem brar  algum as  questões  m ais  sociológicas.  Afinal,  a
caracterização  seria  tão  sim ples  quanto  sugere  o  que  acabam os  de  dizer?  A
produção  de  conhecim ento  científico  contém   fatores  sociais  que  inform am   e
conform am   suas  práticas,  enquanto  as  descobertas  científicas  podem   ter
im plicações  sociais,  políticas  e  econôm icas  a  respeito  das  quais,  em   qualquer
sociedade  dem ocrática,  a  últim a  palavra  não  será  dos  cientistas.  Em   outras
palavras, não podem os separar tão facilm ente o sentido da pesquisa científica dos
fins a que ela pode ser aplicada, nem  separar a razão prática da própria ciência.
Afinal, a m aneira com o a pesquisa é financiada, e por quem , pode, em  algum as
instâncias, ser determ inante para seus resultados.
Preocupações  públicas  recentes  com   a  qualidade  do  alim ento  que
consum im os,  o  am biente  em   que  vivem os,  o  papel  da  engenharia  genética  e  o
patenteam ento de inform ação sobre os genes de populações por parte de grandes
corporações representam  apenas um a pequena parcela da gam a de questões que
a ciência não pode regular sozinha – um a vez que está diante da j ustificação do
conhecim ento, m as tam bém  de suas aplicações e im plicações nas vidas que ele
conduz. Esses assuntos dizem  respeito a nossas experiências e suas relações com
práticas  cotidianas,  ao  controle  que  tem os  sobre  nossa  vida  e  à  direção  em   que
nossas sociedades se orientam .
Esses  tem as  fornecem   a  m atéria-prim a  para  a  investigação  sociológica.
Vivem os  em   com panhia  de  outras  pessoas  e  interagim os  uns  com   os  outros.
Nesse  processo,  dem onstram os  extraordinária  quantidade  de  conhecimento

tácito, que nos perm ite lidar bem  com  os desafios do dia a dia. Cada um  de nós é
um  ator habilidoso, m as o que conseguim os e o que som os depende do que fazem
as outras pessoas. Afinal, a m aioria de nós j á viveu a angustiante experiência de
ruptura  da  com unicação  com   am igos  e  desconhecidos.  Segundo  esse  ponto  de
vista,  o  assunto  da  sociologia  j á  está  em butido  em   nosso  cotidiano,  sem   o  que,
aliás, seríam os incapazes de conduzir nossa vida na com panhia dos outros.
Em bora  profundam ente  im ersos  em   nossas  rotinas  –  conform adas  por
conhecim ento  prático  orientado  para  os  parâm etros  sociais  pelos  quais
interagim os –, não é frequente pararm os para pensar sobre o significado daquilo
por  que  passam os;  e  m enos  ainda  para  com parar  nossas  experiências  pessoais
com  o destino dos outros, a não ser, talvez, para obter respostas individuais para
os  problem as  sociais  ostensivam ente  exibidos  para  o  consum o  de  todos  em
program as  de  entrevistas  na  TV.  Nesse  caso,  entretanto,  a  privatização  de
questões  sociais  é  reforçada,  aliviando-nos,  assim ,  do  fardo  de  enxergar  as
dinâm icas das relações sociais no que é antes visto com o reações individuais.
É  exatam ente  isso  que  o  pensam ento  sociológico  pode  fazer  por  nós.  Com o
um   m odo  de  pensar,  ele  nos  fará  questões  do  tipo:  “Com o  nossas  biografias
individuais  se  entrelaçam   com   a  história  que  partilham os  com   outros  seres
hum anos?”  Ao  m esm o  tem po,  sociólogos  são  parte  dessa  experiência  e,  com o
tal,  não  im porta  quão  arduam ente  tentem   m anter  distância  de  seus  obj etos  de
estudo  –  tratando  as  experiências  de  vida  com o  obj etos  “de  fora”  –,  não
conseguem   desligar-se  com pletam ente  do  conhecim ento  que  buscam
com preender.  Apesar  disso,  essa  condição  pode  ser  um a  vantagem ,  posto  que
possuem  um a visão interna e externa das experiências que tentam  entender.
Há,  entretanto,  m uito  m ais  a  ser  dito  sobre  a  relação  entre  a  sociologia  e  o
senso  com um .  Os  obj etos  da  astronom ia  precisam   ser  nom eados,  alocados  em
um  conj unto ordenado e com parados com  outros fenôm enos sim ilares. Existem
poucos  equivalentes  sociológicos  desse  tipo  de  fenôm eno  lim po  e  intocado,  que
nunca  tenha  sido  preenchido  com   significados  antes  que  os  sociólogos
aparecessem   com   seus  questionários,  fizessem   anotações  em   seus  cadernos  de
cam po  ou  observassem   docum entos  relevantes.  As  ações  hum anas  e  as
interações que os sociólogos estudam  j á receberam  nom es e j á foram  analisadas
pelos  próprios  atores,  e,  dessa  m aneira,  são  obj etos  de  conhecim ento  do  senso
com um .  Fam ílias,  organizações,  redes  de  parentesco,  vizinhanças,  bairros,
aldeias,  cidades,  nações,  igrej as  e  qualquer  outro  agrupam ento  m antido  coeso
pelas  interações  hum anas  regulares  j á  se  apresentam   com   significados  e
significações conferidos pelos atores.
Por essas razões, a sociologia está intim am ente relacionada ao senso com um .
A segurança de cada um a dessas instâncias não pode ser garantida de antem ão,
em   função  de  suas  fronteiras  perm eáveis  e  fluidas.  Assim   com o  no  caso  das
aplicações das descobertas dos geneticistas e suas im plicações para a vida social,

a  soberania  da  sociologia  sobre  o  conhecim ento  social  provavelm ente  é
contestável.  Por  isso,  estabelecer  um a  fronteira  entre  conhecim ento  sociológico
form al e senso com um  é questão tão im portante para a identidade da sociologia
com o m anter um  corpo de conhecim ento coeso. Não surpreende, portanto, o fato
de  os  sociólogos  darem   tanta  atenção  a  esse  tem a,  e  podem os  apontar  quatro
m odelos segundo os quais essa diferença tem  sido levada em  consideração.
Em   prim eiro  lugar,  a  sociologia,  à  diferença  do  senso  com um ,  em penha-se
em  se subordinar às regras rigorosas do discurso responsável. Trata-se de atributo
da  ciência  para  se  distinguir  de  outras  form as  de  conhecim ento,  sabidam ente
m ais  flexíveis  e  m enos  vigilantes  em   term os  de  autocontrole.  Espera-se  dos
sociólogos, em  sua prática, um  grande cuidado para distinguir – de m aneira clara
e  visível  –  afirm ações  corroboradas  por  evidências  verificáveis  e  aquelas  que
reivindicam   seu  status  a  partir  de  m eras  ideias  provisórias  e  não  testadas.  As
regras  de  responsabilidade  discursiva  exigem   que  a  “oficina”  –  o  conj unto  de
procedim entos  que  conduz  às  conclusões  finais  e  que,  afirm a-se,  garantiria  sua
credibilidade – estej a sem pre aberta para fiscalização.
O discurso responsável tem  tam bém  de se relacionar com  outras afirm ações
a  respeito  do  m esm o  tópico  e,  desse  m odo,  não  pode  dispensar  ou  passar  em
silêncio  por  outros  pontos  de  vista  que  tenham   sido  verbalizados,  por  m ais
inconvenientes  que  eles  possam   ser  para  o  argum ento.  Dessa  m aneira,  a
fidedignidade,  a  confiabilidade  e,  finalm ente,  tam bém   a  utilidade  prática  das
proposições que se seguirem  a esse argum ento serão bastante am pliadas. Afinal,
nossa  crença  na  credibilidade  da  ciência  apoia-se  na  esperança  de  que  os
cientistas  tenham   seguido  as  regras  do  discurso  responsável.  Quanto  aos
cientistas,  eles  próprios  apontam   para  as  virtudes  do  discurso  responsável  com o
argum ento  para  validar  e  conferir  confiabilidade  ao  conhecim ento  que
produzem .
Em  segundo lugar, há o tam anho do cam po do qual o m aterial do pensam ento
sociológico é extraído. Para a m aioria de nós, no dia a dia, esse cam po se resum e
a  nossos  próprios  mundos  da  vida,  ou  sej a,  ao  que  fazem os,  às  pessoas  que
encontram os, aos propósitos que estabelecem os para nossos em preendim entos e
pressupom os  que  outras  pessoas  estabeleçam   para  os  delas,  assim   com o  os
tem pos e os lugares em  que interagim os. Poucas vezes consideram os necessário
ultrapassar o nível de nossas preocupações cotidianas para am pliar o horizonte de
nossas experiências, atitude que exigiria tem po e recursos de que m uitos podem
não ter ou com  que não se dispõem  a arcar. Dada, porém , a trem enda variedade
de condições de vida e de experiências no m undo, cada um a é necessariam ente
parcial e talvez até unidim ensional.
Essas  questões  só  podem   ser  exam inadas  se  as  colocarm os  j untas  e
com pararm os  experiências  prospectadas  a  partir  de  um a  m ultiplicidade  de
m undos.  Só  então  as  realidades  delim itadas  da  experiência  individual  serão

reveladas, assim  com o a com plexa rede de dependência e interconexões na qual
elas estão envolvidas – rede que vai m uito além  da esfera que pode ser acessada
a  partir  do  ponto  de  vista  da  biografia  singular.  O  resultado  global  de  tal
am pliação  de  horizontes  será  a  descoberta  da  íntim a  ligação  entre  biografia
individual  e  am plos  processos  sociais.  É  por  essa  razão  que  a  busca  dessa
perspectiva m ais am pla efetivada pelos sociólogos faz um a enorm e diferença –
não só quantitativam ente, m as tam bém  na qualidade e nos usos do conhecim ento.
Para  gente  com o  nós,  o  saber  sociológico  tem   algo  a  oferecer  que  o  senso
com um , por m ais rico que sej a, sozinho não nos pode dar.
Em   terceiro  lugar,  a  sociologia  e  o  senso  com um   diferem   quanto  ao  sentido
que  cada  um   atribui  à  vida  hum ana  em   term os  de  com o  entendem   e  explicam
eventos e circunstâncias. Sabem os por nossas experiências que som os “o autor”
de nossas ações, e que o que fazem os é efeito de nossas intenções, m uito em bora
os  resultados  possam   não  corresponder  ao  que  pretendíam os.  Em   geral  agim os
para  alcançar  um   estado  de  coisas,  sej a  visando  possuir  um   obj eto,  receber
elogios,  im pedir  que  aconteça  algo  que  não  nos  agrada  ou  aj udar  um   am igo.
Naturalm ente, o m odo com o pensam os nossas ações é o m odelo pelo qual dam os
sentido  às  ações  dos  outros.  Nessa  m edida,  a  única  m aneira  que  tem os  para
conferir  sentido  ao  m undo  hum ano  à  nossa  volta  é  sacar  nossas  ferram entas
explicativas estritam ente no interior de nossos próprios mundos da vida.
Tendem os a perceber tudo que acontece no m undo em  geral com o resultado
da ação intencional de alguém , que procuram os até encontrar, acreditando, então
que  nossas  investigações  tiveram   êxito.  Assum im os  que  a  boa  vontade  está  por
trás dos eventos para os quais som os favoravelm ente predispostos e que há m ás
intenções  por  trás  daqueles  que  nos  desagradam .  Em   geral,  as  pessoas  têm
dificuldade em  aceitar que um a situação não sej a efeito de ações intencionais de
alguém  identificável.
Aqueles  que  falam   em   nom e  da  realidade  contida  na  esfera  pública  –
políticos,  j ornalistas,  pesquisadores  de  m ercado,  anunciantes,  publicitários  –
m ostram  sintonia em  relação a essas tendências e se referem  a “necessidades do
Estado”  ou  “dem andas  da  econom ia”.  Isso  é  dito  com o  se  o  Estado  ou  a
econom ia fossem  feitos na m edida de indivíduos com o nós, com  necessidades e
desej os  específicos.  De  m odo  sim ilar,  lem os  e  ouvim os  falar  a  respeito  de
problem as com plexos de nações, Estados e sistem as econôm icos, descritos com o
efeitos  dos  pensam entos  e  dos  escritos  de  um   grupo  de  indivíduos  que  podem os
nom ear,  fotografar  e  entrevistar.  Os  governos  m uitas  vezes  tam bém   se
desobrigam   de  responsabilidades,  referindo-se  a  coisas  fora  de  seu  controle  ou
tratando  das  “dem andas  públicas”  por  m eio  de  grupos  focais  e  pesquisas  de
opinião.
A  sociologia  se  opõe  tanto  ao  m odelo  que  se  funda  na  particularidade  das
visões de m undo, com o se elas pudessem , sem  problem a algum , dar conta de um

estado  geral  de  coisas,  quanto  ao  que  usa  form as  inquestionáveis  de
com preensão,  com o  se  elas  constituíssem   um   m odo  natural  de  explicação  de
eventos,  com o  se  eles  pudessem   ser  sim plesm ente  separados  da  m udança
histórica ou das localidades sociais de que em ergiram . Quando, em  vez de atores
individuais  em   ações  isoladas,  tom a  figurações  (redes  de  dependência)  com o
ponto  de  partida  de  suas  pesquisas,  a  sociologia  dem onstra  que  a  m etáfora
com um   do  indivíduo  dotado  de  m otivação  com o  chave  da  com preensão  do
m undo  hum ano  –  incluindo  nossos  próprios  pensam entos  e  ações,
m inuciosam ente  pessoais  e  privados  –  não  é  cam inho  apropriado  para  nos
entender e aos outros. Pensar sociologicam ente é dar sentido à condição hum ana
por  m eio  de  um a  análise  das  num erosas  teias  de  interdependência  hum ana  –
aquelas m ais árduas realidades a que nos referim os para explicar nossos m otivos
e os efeitos de suas ativações.
Finalm ente,  em   quarto  lugar,  o  poder  do  senso  com um   depende  da
autoevidência de seu caráter, isto é, do não questionam ento de seus preceitos e de
sua  autoconfirm ação  na  prática.  Esse  caráter,  por  sua  vez,  repousa  na  rotina,
personagem  habitual da vida cotidiana, que conform a nosso senso com um  e é ao
m esm o tem po por ele conform ado. Esse sistem a é indispensável à continuidade
de nossas vidas. Quando repetidos com  suficiente frequência, os fatos tendem  a
tornar-se fam iliares, e o que é fam iliar costum a ser considerado autoexplicativo:
não  apresenta  problem as  e  pode  não  despertar  curiosidade.  Não  se  pergunta  às
pessoas se elas estão satisfeitas com  “as coisas com o são” por razões não abertas
ao escrutínio. O fatalism o, por sua vez, pode desem penhar seu papel, por m eio da
crença  de  que  podem os  fazer  m uito  pouco  para  m udar  as  condições  em   que
agim os.
De  acordo  com   esse  ponto  de  vista,  é  possível  afirm ar  que  a  fam iliaridade
estaria  em   tensão  com   seu  caráter  inquisitivo  e  que  isso  tam bém   pode
potencializar  o  ím peto  de  inovação  e  transform ação.  Em   face  do  m undo
considerado  fam iliar,  governado  por  rotinas  capazes  de  reconfirm ar  crenças,  a
sociologia pode surgir com o alguém  estranho, irritante e introm etido. Por colocar
em   questão  aquilo  que  é  considerado  inquestionável,  tido  com o  dado,  ela  tem   o
potencial  de  abalar  as  confortáveis  certezas  da  vida,  fazendo  perguntas  que
ninguém   quer  se  lem brar  de  fazer  e  cuj a  sim ples  m enção  provoca
ressentim entos  naqueles  que  detêm   interesses  estabelecidos.  Essas  questões
transform am  o evidente em  enigm a e podem  desfam iliarizar o fam iliar – com  os
padrões  norm ais  de  vida  e  as  condições  sociais  em   que  eles  têm   lugar  em
j ulgam ento,  elas  em ergem   não  com o  a  única,  m as  com o  um a  das  possíveis
form as de dar andam ento a nossas vidas e organizar as relações entre nós.
Obviam ente  isso  não  é  para  agradar  todo  m undo,  sobretudo  aqueles  cuj a
situação lhes confere grande vantagem . As rotinas têm  tam bém  seu lugar. Cabe
aqui recordar a centopeia de Kipling, que andava sem  qualquer esforço sobre as

cem   patas  até  que  um   adulador  da  corte  com eçou  a  elogiar  sua  extraordinária
m em ória.  Seria  essa  faculdade  o  que  perm itia  que  ela  j am ais  pisasse  a
octogésim a quinta perna antes da trigésim a sétim a ou a quinquagésim a segunda
antes  da  décim a  nona.  Tornada  consciente  de  si  m esm a,  a  pobre  centopeia
perdeu a capacidade de andar.
Há  quem   se  sinta  hum ilhado  ou  ressentido  se  algo  que  dom ina  e  de  que  se
orgulha é desvalorizado porque foi questionado. Por m ais com preensível, porém ,
que  sej a  o  ressentim ento  assim   gerado,  a  desfamiliarização  pode  ter  benefícios
evidentes.  Pode  em   especial  abrir  novas  e  insuspeitadas  possibilidades  de
conviver  com   m ais  consciência  de  si,  m ais  com preensão  do  que  nos  cerca  em
term os  de  um   eu  m ais  com pleto,  de  seu  conhecim ento  social  e  talvez  tam bém
com  m ais liberdade e controle.
Para  todos  aqueles  que  acham   que  viver  a  vida  de  m aneira  m ais  consciente
vale a pena, a sociologia é um  guia bem -vindo. Em bora repouse em  constante e
íntim a conversação com  o senso com um , ela procura ultrapassar suas lim itações
abrindo possibilidades que poderiam  facilm ente ser ignoradas. Quando aborda e
desafia  nosso  conhecim ento  partilhado,  a  sociologia  nos  incita  e  encoraj a  a
reacessar  nossas  experiências,  a  descobrir  novas  possibilidades  e  a  nos  tornar,
afinal,  m ais  abertos  e  m enos  acom odados  à  ideia  de  que  aprender  sobre  nós
m esm os  e  os  outros  leva  a  um   ponto  final,  em   lugar  de  constituir  um   processo
dinâm ico e estim ulante cuj o obj etivo é a m aior com preensão.
Pensar  sociologicam ente  pode  nos  tornar  m ais  sensíveis  e  tolerantes  em
relação à diversidade, daí decorrendo sentidos afiados e olhos abertos para novos
horizontes  além   das  experiências  im ediatas,  a  fim   de  que  possam os  explorar
condições  hum anas  até  então  relativam ente  invisíveis.  Tendo  com preendido
m elhor o m odo com o surgiram  os aspectos aparentem ente naturais, inevitáveis,
im utáveis e perm anentes de nossas vidas – m ediante exercício de poder e m eios
hum anos  –,  nos  parecerá  m uito  m ais  difícil  aceitar  que  eles  sej am   im unes  e
im penetráveis a ações subsequentes – incluindo aí as nossas próprias ações.
O pensam ento sociológico, com o um  poder antifixação, é, dessa m aneira, um
poder em  seu próprio direito. Ele torna flexível aquilo que pode ter sido a fixidez
opressiva das relações sociais e, ao fazer isso, abre um  m undo de possibilidades.
A arte de pensar sociologicam ente consiste em  am pliar o alcance e a efetividade
prática da liberdade. Quanto m ais disso aprender, m ais o indivíduo será flexível
diante  da  opressão  e  do  controle,  e  portanto  m enos  suj eito  a  m anipulação.  É
provável  que  ele  tam bém   se  torne  m ais  efetivo  com o  ator  social,  um a  vez  que
passa  a  ver  conexões  entre  suas  ações  e  as  condições  sociais,  assim   com o  a
possibilidade  de  transform ação  daquelas  coisas  que,  por  sua  fixidez,  se  dizem
im utáveis, m as estão abertas à transform ação.
Há  tam bém   o  que  se  encontra  para  além   de  nós  com o  indivíduos.  Dissem os
que a sociologia pensa de form a relacional para nos situar em  redes de relações

sociais. Faz, assim , um a apologia do indivíduo, m as não do individualism o. Nesse
sentido, pensar sociologicam ente significa entender de um  m odo um  pouco m ais
com pleto  quem   nos  cerca,  tanto  em   suas  esperanças  e  desej os  quanto  em   suas
inquietações  e  preocupações.  Podem os  então  apreciar  m elhor  o  indivíduo
hum ano  contido  nesse  coletivo  e  talvez  aprender  a  respeitar  aquilo  que  toda
sociedade civilizada tem  de garantir para se sustentar: o direito de cada m em bro
do  coletivo  escolher  e  pôr  em   prática  m aneiras  de  viver  de  acordo  com   suas
preferências.
Isso  significa  selecionar  seus  proj etos  de  vida,  definir-se  e  defender  sua
própria dignidade, assim  com o os dem ais defendem  a deles, diante de obstáculos
com  que todos se deparam , em  variados graus. Pensar sociologicam ente, então,
tem   um   potencial  para  prom over  a  solidariedade  entre  nós,  um a  solidariedade
fundada  em   com preensão  e  respeito  m útuos,  em   resistência  conj unta  ao
sofrim ento  e  em   partilhada  condenação  das  crueldades  que  o  causam .
Finalm ente, se for conquistada, a causa da liberdade  será  m uito  am pliada,  posto
que elevada ao patam ar de causa com um .
De  volta  ao  que  estávam os  falando,  a  respeito  da  fluidez  daquilo  que  parece
inflexível,  o  insight  sociológico  sobre  a  lógica  interna  e  o  sentido  das  form as  de
viver  diferentes  da  nossa  podem   nos  levar  a  pensar  de  novo  sobre  os  lim ites
estabelecidos  entre  nós  e  os  outros.  Um a  nova  com preensão  gerada  dessa
m aneira  pode  tornar  nossa  com unicação  com   “os  outros”  m ais  fácil  e  m ais
inclinada  a  conduzir  ao  m útuo  entendim ento.  Medo  e  antagonism o  podem   ser
substituídos  por  tolerância.  Não  há  m aior  garantia  de  liberdade  individual  que  a
liberdade de todos.
Dar-se  conta  da  conexão  entre  as  liberdades  individual  e  coletiva  tem   um
efeito  desestabilizador  sobre  as  relações  de  poder  existentes  ou  sobre  o  que
m uitas vezes cham am os de “ordens sociais”. É por essa razão que acusações de
“deslealdade  política”  são  feitas  contra  a  sociologia  por  parte  de  governos  e
outros  detentores  de  poder  que  m antêm   o  controle  da  ordem   social.  Isso  é
bastante  evidente  naqueles  governos  que  buscam   m oldar  a  realidade  em   seu
nom e, alegando-se representantes, sem  problem a algum  com  relação ao estado
de  coisas  em   vigor,  com o  se  ele  fosse  natural;  ou  que  castigam   as  condições
contem porâneas por m eio de nostálgicos convites a um a era passada, m ítica, na
qual todos conheciam  seus lugares na sociedade.
Quando testem unham os m ais um a cam panha contra o “im pacto subversivo”
da sociologia, podem os presum ir que aqueles que querem  governar por decreto
preparam   outro  ataque  à  capacidade  dos  suj eitos  de  resistir  à  coercitiva
regulação da vida individual. Tais cam panhas em  geral coincidem  com  m edidas
agressivas que m iram  as form as sobreviventes de autogerência e autodefesa de
direitos coletivos; visam , em  outras palavras, às fundações coletivas da liberdade
individual.

Diz-se às vezes que a sociologia é o poder dos sem  poder. Isso nem  sem pre é o
caso, em  particular nos lugares onde os praticantes se encontram  sob crescentes
pressões  para  se  adequar  às  expectativas  governam entais.  Não  há  garantia  de
que, tendo adquirido entendim ento sociológico, alguém  possa dissolver e destituir
o poder das “árduas realidades” da vida. O poder da com preensão não é páreo
para as pressões da coerção, aliadas ao senso com um  resignado e subm isso sob
condições  econôm icas  e  políticas  dom inantes.  Não  fosse,  porém ,  por  esse
entendim ento,  as  chances  de  adm inistração  bem -sucedida  da  vida  de  alguém   e
da  adm inistração  coletiva  das  condições  partilhadas  de  vida  seriam   ainda
m enores.  Trata-se  de  um a  form a  de  pensar  só  valorizada  positivam ente  por
aqueles  que  não  a  podem   considerar  indiscutível;  quando  se  trata  daqueles  que
podem , é quase sem pre subavaliada.
O conteúdo deste livro
Este  livro  foi  escrito  com   o  obj etivo  de  aj udar  as  pessoas  a  entender  suas
experiências pessoais em  si m esm as e com  os outros. Ao fazer isso, m ostra com o
os  aspectos  aparentem ente  fam iliares  da  vida  podem   ser  interpretados  de
m aneiras diferentes e inovadoras. Cada capítulo aborda questões que são parte de
nossa  vida  cotidiana,  m esm o  que  não  se  encontrem   na  linha  de  frente  de  nossa
com preensão do dia a dia. Elas dizem  respeito a m aneiras de ver e aos dilem as e
escolhas  com   que  rotineiram ente  deparam os,  m as  sobre  os  quais  tem os  pouco
tem po  ou  oportunidade  de  refletir.  Nosso  obj etivo  é,  assim ,  conduzir  o
pensam ento nesses term os, e não segundo um  “pensam ento correto”. Querem os
am pliar os  horizontes de  com preensão, m as  não para  corrigir algum a  noção  de
erro,  com   um a  ideia  de  verdade  inquestionável.  No  processo,  esperam os
encoraj ar  um a  atitude  questionadora,  na  qual  entender  os  outros  nos  perm ite
m elhor entender a nós m esm os com os outros.
Este  livro  é  diferente  de  grande  parte  dos  dem ais,  porque  é  organizado  de
acordo com  questões que conform am  nosso cotidiano. Há tem as que interessam
a  sociólogos  profissionais  no  curso  de  suas  práticas,  m as  que  são  brevem ente
m encionados  ou  m esm o  inteiram ente  om itidos,  com o,  por  exem plo,  a
m etodologia de pesquisa para o estudo da vida social. Tratase de um  com entário
sociológico sobre tem as que integram  diretam ente nossa experiência diária, cuj a
divisão  em   partes  e  capítulos  pautou-se  por  esse  conceito.  Neste  guia,  nossa
narrativa  sociológica  não  será  desenvolvida  de  m aneira  linear,  porque
retornam os a alguns tópicos ao longo do texto. Por exem plo, a identidade social
aparecerá  sob  m uitas  form as  nos  diversos  capítulos,  pois  é  assim   que  o  esforço
de  com preensão  funciona  na  prática.  Afinal,  quando  exam inam os  um   novo
tem a, ele vai revelando novas questões e, assim , trazendo para a luz aquelas que
ainda não havíam os considerado. Com o assinalam os, isso é parte de um  processo

no qual adquirim os m aior conhecim ento – um a tarefa sem -fim .
Questões para refletir

Baixar 1.49 Mb.

Compartilhe com seus amigos:
  1   2   3   4   5   6   7   8   9   ...   12




©bemvin.org 2020
enviar mensagem

    Página principal
Prefeitura municipal
santa catarina
Universidade federal
prefeitura municipal
pregão presencial
universidade federal
outras providências
processo seletivo
catarina prefeitura
minas gerais
secretaria municipal
CÂmara municipal
ensino fundamental
ensino médio
concurso público
catarina município
reunião ordinária
Dispõe sobre
Serviço público
câmara municipal
público federal
Processo seletivo
processo licitatório
educaçÃo universidade
seletivo simplificado
Secretaria municipal
sessão ordinária
ensino superior
Universidade estadual
Relatório técnico
Conselho municipal
técnico científico
direitos humanos
científico período
pregão eletrônico
Curriculum vitae
espírito santo
Sequência didática
Quarta feira
conselho municipal
prefeito municipal
distrito federal
língua portuguesa
nossa senhora
educaçÃo secretaria
Pregão presencial
segunda feira
recursos humanos
educaçÃO ciência
Terça feira
agricultura familiar