Cursinho pró-enem ufms 2015


CURSINHO PRÓ-ENEM UFMS - 2015



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CURSINHO PRÓ-ENEM UFMS - 2015

Prof. Gustavo Saldivar - Literatura
Aula 02 - Trovadorismo
Exercícios
1) (Vunesp-2004) A próxima questão toma por base uma

cantiga do trovador galego Airas Nunes, de Santiago

(século XIII), e o poema Confessor Medieval, de Cecília

Meireles (1901-1964).

Cantiga

Bailemos nós já todas três, ai amigas,



So aquestas avelaneiras frolidas,

(frolidas = floridas)

E quem for velida, como nós, velidas,

(velida = formosa)

Se amigo amar,

So aquestas avelaneiras frolidas

(aquestas = estas)

Verrá bailar.

(verrá = virá)

Bailemos nós já todas três, ai irmanas,

(irmanas = irmãs)

So aqueste ramo destas avelanas,

(aqueste = este)

E quem for louçana, como nós, louçanas,

(louçana = formosa)

Se amigo amar,

So aqueste ramo destas avelanas

(avelanas = avelaneiras)

Verrá bailar.

Por Deus, ai amigas, mentr’al non fazemos,

(mentr’al = enquanto outras coisas)

So aqueste ramo frolido bailemos,

E quem bem parecer, como nós parecemos

(bem parecer = tiver belo aspecto)

Se amigo amar,

So aqueste ramo so lo que bailemos

Verrá bailar.

(Airas Nunes, de Santiago. In: SPINA, Segismundo.

Presença da Literatura Portuguesa - I. Era Medieval. 2ª ed.

São Paulo: Difusão Européia do Livro, 1966.)

Confessor Medieval

(1960)


Irias à bailia com teu amigo,

Se ele não te dera saia de sirgo?

(sirgo = seda)

Se te dera apenas um anel de vidro

Irias com ele por sombra e perigo?

Irias à bailia sem teu amigo,

Se ele não pudesse ir bailar contigo?

Irias com ele se te houvessem dito

Que o amigo que amavas é teu inimigo?

Sem a flor no peito, sem saia de sirgo,

Irias sem ele, e sem anel de vidro?

Irias à bailia, já sem teu amigo,

E sem nenhum suspiro?

(Cecília Meireles. Poesias completas de Cecília Meireles - v.

8. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1974.)

As cantigas que focalizam temas amorosos apresentam-se

em dois gêneros na poesia trovadoresca: as “cantigas de

amor”, em que o eu-poemático representa a figura do

namorado (o “amigo”), e as “cantigas de amigo”, em que o

eu-poemático representa a figura da mulher amada (a

“amiga”) falando de seu amor ao “amigo”, por vezes

dirigindo-se a ele ou dialogando com ele,

com outras “amigas” ou, mesmo, com um confidente (a

mãe, a irmã, etc.). De posse desta informação,

a) classifique a cantiga de Airas Nunes em um dos dois

gêneros, apresentando a justificativa dessa resposta.

b) identifique, levando em consideração o próprio título, a

figura que o eu-poemático do poema de Cecília Meireles

representa.

2) (Mack-2005) Assinale a afirmativa correta com relação

ao Trovadorismo.

Texto I


Ondas do mar de Vigo,

se vistes meu amigo!

E ai Deus, se verrá cedo!

Ondas do mar levado,

se vistes meu amado!

E ai Deus, se verrá cedo!

Martim Codax

Obs.: verrá = virá

levado = agitado

Texto II


1. Me sinto com a cara no chão, mas a verdade

precisa ser dita ao

2. menos uma vez: aos 52 anos eu ignorava a

admirável forma lírica da

3. canção paralelística (...).

4. O “Cantar de amor” foi fruto de meses de leitura

dos cancioneiros.

5. Li tanto e tão seguidamente aquelas deliciosas

cantigas, que fiquei

6. com a cabeça cheia de “velidas” e “mha senhor” e

“nula ren”;

7. sonhava com as ondas do mar de Vigo e com

romarias a San Servando.

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8. O único jeito de me livrar da obsessão era fazer

uma cantiga.

Manuel Bandeira

a) Um dos temas mais explorados por esse estilo de época

é a exaltação do amor sensual entre nobres e mulheres

camponesas.

b) Desenvolveu-se especialmente no século XV e refletiu a

transição da cultura teocêntrica para a cultura

antropocêntrica.

c) Devido ao grande prestígio que teve durante toda a

Idade Média, foi recuperado pelos poetas da

Renascença, época em que alcançou níveis estéticos

insuperáveis.

d) Valorizou recursos formais que tiveram não apenas a

função de produzir efeito musical, como também a função

de facilitar a memorização, já que as composições eram

transmitidas oralmente.

e) Tanto no plano temático como no plano expressivo, esse

estilo de época absorveu a influência dos padrões estéticos

greco-romanos.

3) (Mack-2005) Assinale a afirmativa correta sobre o texto

I.

Texto I



Ondas do mar de Vigo,

se vistes meu amigo!

E ai Deus, se verrá cedo!

Ondas do mar levado,

se vistes meu amado!

E ai Deus, se verrá cedo!

Martim Codax

Obs.: verrá = virá

levado = agitado

a) Nessa cantiga de amigo, o eu lírico masculino manifesta

a Deus seu sofrimento amoroso.

b) Nessa cantiga de amor, o eu lírico feminino dirige-se a

Deus para lamentar a morte do ser amado.

c) Nessa cantiga de amigo, o eu lírico masculino manifesta

às ondas do mar sua angústia pela perda do amigo em

trágico naufrágio.

d) Nessa cantiga de amor, o eu lírico masculino dirige-se às

ondas do mar para expressar sua solidão.

e) Nessa cantiga de amigo, o eu lírico feminino dirige-se às

ondas do mar para expressar sua ansiedade com relação à

volta do amado.

4) (Mack-2005) Assinale a alternativa correta sobre o texto

I.

Texto I


Ondas do mar de Vigo,

se vistes meu amigo!

E ai Deus, se verrá cedo!

Ondas do mar levado,

se vistes meu amado!

E ai Deus, se verrá cedo!

Martim Codax

Obs.: verrá = virá

levado = agitado

a) A estrutura paralelística é, neste poema,

particularmente expressiva, pois reflete, no plano formal, o

movimento de vai-e-vem das ondas.

b) Nesse texto, os versos livres e brancos são

indispensáveis para assegurar o efeito musical da canção.

c) As repetições que marcam o desenvolvimento do texto

opõem-se ao tom emotivo do poema.

d) No refrão, a voz das ondas do mar faz-se presente como

contraponto irônico ao desejo do eu lírico.

e) É um típico vilancete de tradição popular, com versos

em redondilha maior e estrofação irregular.

5) (FMTM-2002) Endechas à escrava Bárbara

Aquela cativa,

que me tem cativo

porque nela vivo,

já não quer que viva.

Eu nunca vi rosa

em suaves molhos,

que para meus olhos

fosse mais formosa.

Uma graça viva,

que neles lhe mora,

para ser senhora

de quem é cativa.

Pretos os cabelos,

onde o povo vão

perde opinião

que os louros são belos.

Pretidão de Amor,

tão doce a figura,

que a neve lhe jura

que trocara a cor.

Leda mansidão

que o siso acompanha;

bem parece estranha,

mas bárbara não.

Vocabulário:

Endechas: Versos em redondilha menor (cinco sílabas).

Molhos: feixes.

Leda: risonha.

Vão: fútil.

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Em sua obra, Camões continua a tradição da conduta

amorosa das cantigas medievais. Nela, a mulher amada era

considerada

a) responsável pelas contradições e insatisfações do

homem.


b) símbolo do amor erótico.

c) incapaz de levar o homem a atingir o Bem.

d) um ser impuro e prejudicial ao homem.

e) uma pessoa superior, fonte de virtudes.

6) (UNIFESP-2005) Senhor feudal

Se Pedro Segundo

Vier aqui

Com história

Eu boto ele na cadeia.

Oswald de Andrade

O título do poema de Oswald remete o leitor à Idade

Média. Nele, assim como nas cantigas de amor, a idéia de

poder retoma o conceito de

a) fé religiosa.

b) relação de vassalagem.

c) idealização do amor.

d) saudade de um ente distante.

e) igualdade entre as pessoas.

7) (UFF-1998) Texto I

OS TUMULTOS DA PAZ

O amor ao próximo está longe de representar um

devaneio beato e piedoso, conto da carochinha para

enganar crianças, desavisados e inquilinos de sacristia.

Trata-se de uma essencial exigência pessoal e política, sem

cujo atendimento não nos poremos a serviço, nem de nós

mesmos, nem de ninguém. Amar ao Próximo como a si

mesmo é, por excelência, a regra de ouro, cânon fundador

da única prática pela qual poderemos chegar a um pleno

amor por nós próprios. Sou o primeiro e mais íntimo

Próximo de mim, e esta relação de mim para comigo

passa, inevitavelmente, pela existência do Outro. Este é o

termo terceiro, a referência transcendente por cuja

mediação passo a construir a minha auto-estima.

Eis aí o modelo da paz.

(PELLEGRINO, Hélio. A burrice do demônio. Rio de Janeiro:

Rocco, 1989. p. 94)

Texto II

PENSAMENTO DE AMOR

Quero viver de esperança

Quero tremer e sentir!

Na tua trança cheirosa

Quero sonhar e dormir.

Álvares de Azevedo

..........................................................................

Todo o amor que em meu peito repousava,

Como o orvalho das noites ao relento,

A teu seio elevou-se, como as névoas,

Que se perdem no azul do firmamento.

Aqui...além...mais longe, em toda a parte,

Meu pensamento segue o passo teu.

Tu és a minha luz, - sou tua sombra,

Eu sou teu lago, - se tu és meu céu.

..................................................................

À tarde, quando chegas à janela,

A trança solta, onde suspira o vento,

Minha alma te contempla de joelhos...

A teus pés vai gemer meu pensamento.

..................................................................

Oh! diz' me, diz' me, que ainda posso um dia

De teus lábios beber o mel dos céus;

Que eu te direi, mulher dos meus amores:

- Amar-te ainda é melhor do que ser Deus!

Bahia, 1865.

(ALVES, Castro. Obra completa. Rio de Janeiro: Aguilar,

1976. p. 415-6)

Texto III

RONDÓ PRA VOCÊ

De você, Rosa, eu não queria

Receber somente esse abraço

Tão devagar que você me dá,

Nem gozar somente esse beijo

Tão molhado que você me dá...

Eu não queria só porque

Por tudo quanto você me fala

Já reparei que no seu peito

Soluça o coração bem feito

De você.

Pois então eu imaginei

Que junto com esse corpo magro

Moreninho que você me dá,

Com a boniteza a faceirice

A risada que você me dá

E me enrabicham como o que,

Bem que eu podia possuir também

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O que mora atrás do seu rosto, Rosa,

O pensamento a alma o desgosto

De você.


(ANDRADE, Mário de. Poesias completas. São Paulo / Belo

Horizonte: Martins / Itatiaia, 1980. V. 1. p. 121 )

Texto IV
O AMOR E O TEMPO

Tudo cura o tempo, tudo faz esquecer, tudo gasta,

tudo digere, tudo acaba. Atreve-se o tempo a colunas de

mármore, quanto mais a corações de cera ! São as afeições

como as vidas, que não há mais certo sinal de haverem de

durar pouco, que terem durado muito. São como as linhas,

que partem do centro para a circunferência, que quanto

mais continuadas, tanto menos unidas. Por isso os antigos

sabiamente pintaram o amor menino; porque não há amor

tão robusto que chegue a ser velho. De todos os

instrumentos com que o armou a natureza, o desarma o

tempo. Afrouxa-lhe o arco, com que já não atira; embotalhe

as setas, com que já não fere; abre-lhe os olhos, com

que vê o que não via; e faz-lhe crescer as asas, com que

voa e foge. A razão natural de toda esta diferença é

porque o tempo tira a novidade às coisas, descobre-lhe os

defeitos, enfastia-lhe o gosto, e basta que sejam usadas

para não serem as mesmas. Gasta-se o ferro com o uso,

quanto mais o

amor ?! O mesmo amar é causa de não amar e o ter

amado muito, de amar menos.

(VIEIRA, Antônio. Apud: PROENÇA FILHO, Domício.

Português. Rio de Janeiro: Liceu, 1972. V5. p.43)

Assinale a opção em que o eu lírico, ao se dirigir à amada,

emprega linguagem semelhante à do texto III.

a) "Goza, goza da flor da mocidade / que o tempo trata a

toda ligeireza" (Gregório de Matos).

b) "A gente sempre se amando / nem vê o tempo passar"

(Carlos Drummond de Andrade).

c) "Eu sou escritor difícil / Que a muita gente enquizila"

(Mário de Andrade).

d) "Vem, ó Marília, vem lograr comigo / Destes alegres

campos a beleza" (Tomás A. Gonzaga).

e) "O mesmo amar é causa de não amar e o ter amado

muito, de amar menos." (Antônio Vieira).

8) (Unifesp-2002) Texto I:

Ao longo do sereno

Tejo, suave e brando,

Num vale de altas árvores sombrio,

Estava o triste Almeno

Suspiros espalhando

Ao vento, e doces lágrimas ao rio.

(Luís de Camões, Ao longo do sereno.)

Texto II:

Bailemos nós ia todas tres, ay irmanas,

so aqueste ramo destas auelanas

e quen for louçana, como nós, louçanas,

se amigo amar,

so aqueste ramo destas auelanas

uerrá baylar.

(Aires Nunes. In Nunes, J. J., Crestomatia arcaica.)

Texto III:

Tão cedo passa tudo quanto passa!

morre tão jovem ante os deuses quanto

Morre! Tudo é tão pouco!

Nada se sabe, tudo se imagina.

Circunda-te de rosas, ama, bebe

E cala. O mais é nada.

(Fernando Pessoa, Obra poética.)

Texto IV:

Os privilégios que os Reis

Não podem dar, pode Amor,

Que faz qualquer amador

Livre das humanas leis.

mortes e guerras cruéis,

Ferro, frio, fogo e neve,

Tudo sofre quem o serve.

(Luís de Camões, Obra completa.)

Texto V:

As minhas grandes saudades

São do que nunca enlacei.

Ai, como eu tenho saudades

Dos sonhos que não sonhei!...)

(Mário de Sá Carneiro, Poesias.)

A alternativa que indica texto que faz parte da poesia

medieval da fase trovadoresca é

a) I.

b) II.


c) III.

d) IV.


e) V.

9) (PUC-SP-2006) A farsa revela surpreendente domínio da

arte teatral. Segundo seus estudiosos, Gil Vicente utiliza-se

de processos dramáticos que se tornarão típicos em suas

criações cômicas. com as características de seu teatro,

a) o rigoroso respeito à categoria tempo, delineado na

justa sucessão do transcorrer cronológico das ações.

b) a não preparação de cenas e entrada de personagens, o

que provoca a precipitação de certos

quadros e situações.

c) o realismo na caracterização social, psicológica e

lingüística de seus personagens.

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d) o perfeito domínio do diálogo e grande poder de

exploração do cômico.

e) o pouco aparato cênico, limitado ao necessário para

sugerir o ambiente em que decorre a peça.

10) (Unicamp-2003) a) No início da Farsa de Inês Pereira,

Lianor Vaz relata à mãe de Inês um hilariante

acontecimento que teria protagonizado. Tal

acontecimento serve de testemunho à crítica moral que Gil

Vicente pretendeu fazer a uma instituição ainda de grande

influência no século XVI, época em que foi escrita a famosa

peça. Qual é o episódio que Lianor Vaz teria

protagonizado? Qual seria aquela instituição?

b) Ao final da peça de Gil Vicente, com Inês já casada com

Pero Márquez, comparece à cena uma personagem

decisiva para o desenlace da trama. Quem é essa

personagem? Que relação teria ela tido com Inês,

anteriormente?

11) (PUC-SP-2006) Ainda sobre a peça O Velho da Horta,

considerando o texto como um todo, é correto afirmar se

que

a) a reza do "Pai Nosso" que inicia a peça, prepara o leitor



para o desenvolvimento de um texto fundamentalmente

religioso, confirmado, inclusive, pela ladainha proferida

pela alcoviteira.

b) o velho relaciona-se, ao longo da peça, com quatro

mulheres, das quais uma é a moça por quem se apaixona e

com quem, correspondido, acaba se casando.

c) a farsa tem como argumento a paixão de um velho por

uma moça de muito bom parecer, por causa dela (e por via

de uma alcoviteira) acaba gastando toda a sua fortuna.

d) o texto se organiza a partir de uma estrutura

versificatória que revela ritmo poético, marcado por

versos livres e por ausência de esquema rímico.

e) o diálogo estabelecido entre o velho e a moça cria

condições para o arrebatamento amoroso de ambos e

revela ausência de ironia e de menosprezo de qualquer

natureza.

12) (UNIFESP-2004) Andar! Pero Marques seja!

Quero tomar por esposo

quem se tenha por ditoso

de cada vez que me veja.

Meu desejo eu retempero:

asno que me leve quero,

não cavalo valentão:

antes lebre que leão,

antes lavrador que Nero.

Sobre a Farsa de Inês Pereira, é correto afirmar que é um

texto de natureza

a) satírica, pertencente ao Humanismo português, em que

se ridiculariza a ascensão social de Inês Pereira por meio

de um casamento de conveniências.

b) didático-moralizante, do Barroco português, no qual as

contradições humanas entre a vida terrena e a espiritual

são apresentadas a partir dos casamentos complicados de

Inês Pereira.

c) religiosa, pertencente ao Renascimento português, no

qual se delineia o papel moralizante, com vistas à

transformação do homem, a partir das situações

embaraçosas vividas por Inês Pereira.

d) reformadora, do Renascimento português, com forte

apelo religioso, pois se apresenta a religião como forma de

orientar e salvar as pessoas pecadoras.

e) cômica, pertencente ao Humanismo português, no qual

Gil Vicente, de forma sutil e irônica, critica a sociedade

mercantil emergente, que prioriza os valores

essencialmente materialistas.

13) (PUC - SP-2007) Considerando a peça Auto da Barca do

Inferno como um todo, indique a alternativa que melhor se

adapta à proposta do teatro vicentino.

a) Preso aos valores cristãos, Gil Vicente tem como

objetivo alcançar a consciência do homem, lembrando-lhe

que tem uma alma para salvar.

b) As figuras do Anjo e do Diabo, apesar de alegóricas, não

estabelecem a divisão maniqueísta do mundo entre o Bem

e o Mal.


c) As personagens comparecem nesta peça de Gil Vicente

com o perfil que apresentavam na terra, porém apenas o

Onzeneiro e o Parvo portam os instrumentos de sua culpa.

d) Gil Vicente traça um quadro crítico da sociedade

portuguesa da época, porém poupa, por questões

ideológicas e políticas, a Igreja e a Nobreza.

e) Entre as características próprias da dramaturgia de Gil

Vicente, destaca-se o fato de ele seguir rigorosamente as

normas do teatro clássico.

14) (FUVEST-2007) E chegando à barca da glória, diz ao

Anjo:

Brísida. Barqueiro, mano, meus olhos,



prancha a Brísida Vaz!

Anjo. Eu não sei quem te cá traz...

Brísida. Peço-vo-lo de giolhos!

Cuidais que trago piolhos,

anjo de Deus, minha rosa?

Eu sou Brísida, a preciosa,

que dava as môças aos molhos.

A que criava as meninas

para os cônegos da Sé...

Passai-me, por vossa fé,

meu amor, minhas boninas,

olhos de perlinhas finas!

(...)

Gil Vicente, Auto da barca do inferno.



(Texto fixado por S. Spina)

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a) No excerto, a maneira de tratar o Anjo, empregada por

Brísida Vaz, relaciona-se à atividade que ela exercera em

vida? Explique resumidamente.

b) No excerto, o tratamento que Brísida Vaz dispensa ao

Anjo é adequado à obtenção do que ela deseja — isto é,

levar o Anjo a permitir que ela embarque? Por quê?

15) (Unicamp-2001) Leia agora as seguintes estrofes, que

se encontram em passagens diversas de A farsa de Inês

Pereira de Gil Vicente:

Inês:


Andar! Pero Marques seja!

Quero tomar por esposo

quem se tenha por ditoso

de cada vez que me veja.

Por usar de siso mero,

asno que leve quero,

e não cavalo folão;

antes lebre que leão,

antes lavrador que Nero.

Pero:


I onde quiserdes ir

vinde quando quiserdes vir,

estai quando quiserdes estar.

Com que podeis vós folgar

que eu não deva consentir?

(nota: folão, no caso, significa “bravo”, “fogoso”)

a) A fala de Inês ocorre no momento em que aceita casarse

com Pero Marques, após o malogrado matrimônio com

o escudeiro. Há um trecho nessa fala que se relaciona

literalmente com o final da peça. Que trecho é esse? Qual

é o pormenor da cena final da peça que ele está

antecipando?

b) A fala de Pero, dirigida a Inês, revela uma atitude

contrária a uma característica atribuída ao seu primeiro

marido. Qual é essa característica?

c) Considerando o desfecho dos dois casamentos de Inês,

explique por que essa peça de Gil Vicente pode ser

considerada uma sátira moral.

16) (UNICAMP-2007) Leia o diálogo abaixo, de Auto da

Barca do Inferno:

DIABO

Cavaleiros, vós passais



e não perguntais onde is?

CAVALEIRO

Vós, Satanás, presumis?

Atentai com quem falais!

OUTRO CAVALEIRO

Vós que nos demandais?

Siquer conhecê-nos bem.

Morremos nas partes d’além,

e não queirais saber mais.

(Gil Vicente, Auto da Barca do Inferno, em

Antologia do Teatro de Gil Vicente. Org. Cleonice

Berardinelli, Rio de Janeiro: Nova Fronteira/

Brasília: INL, 1984, p. 89.)

a) Por que o cavaleiro chama a atenção do Diabo?

b) Onde e como morreram os dois Cavaleiros?

c) Por que os dois passam pelo Diabo sem se dirigir a ele?

17) (Unicamp-2005) Leia os diálogos abaixo da peça “O

Velho da Horta” de Gil Vicente:

(Mocinha) - Estás doente, ou que haveis?

(Velho) - Ai! não sei, desconsolado,

Que nasci desventurado.

(Mocinha) - Não choreis;

mais mal fadada vai aquela.

(Velho) - Quem?

(Mocinha) - Branca Gil.

(Velho) - Como?

(Mocinha) - Com cent’açoutes no lombo,

e uma corocha por capela*.

E ter mão;

leva tão bom coração,**

como se fosse em folia.

Ó que grandes que lhos dão!***

* (corocha) cobertura para a cabeça própria das

alcoviteiras; (por capela) por grinalda.

** caminha tão corajosa

*** Ó que grandes açoites que lhe dão!

(Gil Vicente, O Velho da Horta, em Cleonice Berardinelli

(org.), Antologia do Teatro de Gil Vicente. Rio de Janeiro:

Nova Fronteira/Brasília, INL, 1984, p. 274) .

a) A qual desventura refere-se o Velho neste diálogo com a

Mocinha?

b) A que se deve o castigo imposto a Branca Gil?

c) Diante do castigo, Branca Gil adota uma atitude

paradoxal. Por quê?

18) (PUC-SP-2001) O argumento da peça A Farsa de Inês

Pereira, de Gil Vicente, consiste na demonstração do

refrão popular “Mais quero asno que me carregue que

cavalo que me derrube”. Identifique a alternativa que não

corresponde ao provérbio, na construção da farsa.

a) A segunda parte do provérbio ilustra a experiência

desastrosa do primeiro casamento.

b) O escudeiro Brás da Mata corresponde ao cavalo,

animal nobre, que a derruba.

c) O segundo casamento exemplifica o primeiro termo,

asno que a carrega.

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d) O asno corresponde a Pero Marques, primeiro

pretendente e segundo marido de Inês.

e) Cavalo e asno identificam a mesma personagem em

diferentes momentos de sua vida conjugal.

19) (UNIFESP-2004) Leia a cantiga seguinte, de Joan Garcia

de Guilhade.

Un cavalo non comeu

á seis meses nen s’ergueu

mais prougu’a Deus que choveu,

creceu a erva,

e per cabo si paceu,

e já se leva!

Seu dono non lhi buscou

cevada neno ferrou:

mai-lo bon tempo tornou,

creceu a erva,

e paceu, e arriçou,

e já se leva!

Seu dono non lhi quis dar

cevada, neno ferrar;

mais, cabo dum lamaçal

creceu a erva,

e paceu, e arriç’ar,

e já se leva!

(CD Cantigas from the Court of Dom Dinis. harmonia mundi

usa, 1995.)

A leitura permite afirmar que se trata de uma cantiga de

a) escárnio, em que se critica a atitude do dono do cavalo,

que dele não cuidara, mas graças ao bom tempo e à chuva,

o mato cresceu e o animal pôde recuperar-se sozinho.

b) amor, em que se mostra o amor de Deus com o cavalo

que, abandonado pelo dono, comeu a erva que cresceu

graças à chuva e ao bom tempo.

c) escárnio, na qual se conta a divertida história do cavalo

que, graças ao bom tempo e à chuva, alimentou-se,

recuperou-se e pôde, então, fugir do dono que o

maltratava.

d) amigo, em que se mostra que o dono do cavalo não lhe

buscou cevada nem o ferrou por causa do mau tempo e da

chuva que Deus mandou, mas mesmo assim o cavalo pôde

recuperar-se.

e) mal-dizer, satirizando a atitude do dono que ferrou o

cavalo, mas esqueceu-se de alimentá-lo, deixando-o

entregue à própria sorte para obter alimento.

20) (Vunesp-1995) SEDIA LA FREMOSA SEU SIRGO

TORCENDO


Estêvão

Coelho


Sedia la fremosa seu sirgo torcendo,

Sa voz manselinha fremoso dizendo

Cantigas d'amigo.

Sedia la fremosa seu sirgo lourando,

Sa voz manselinha fremoso cantando

Cantigas d'amigo.

- Por Deus de Cruz, dona, sey que avedes

Amor my coytado que tan ben dizedes

Cantingas d'amigo.

Por Deus de Cruz, dona, sey que avedes

D'amor my coytada que tan ben cantastes

Cantingas d'amigo.

- Avuytor comestes, que adevinhades,

(Cantiga n°321 - CANC. DA VATICANA)

ESTAVA A FORMOSA SEU FIO TORCENDO

(paráfrase de Cleonice Berardinelli)

Estava a formosa seu fio torcendo,

Sua voz harmoniosa, suave dizendo

Cantigas de amigo.

Estava a formosa sentada, bordando,

Sua voz harmoniosa, suave cantando

Cantigas de amigo.

- Por Jesus, senhora, vejo que sofreis

De amor infeliz, pois tão bem dizeis

Cantigas de amigo.

Por Jesus, senhora, eu vejo que andais

Com penas de amor, pois tão bem cantais

Cantigas de amigo.

- Abutre comeste, pois que adivinhais.

(in BERARDINELLI, Cleonice. CANTIGAS DE TROVADORES

MEDIEVAIS EM POTUGUÊS MODERNO. Rio de Janeiro:

Organ, Simões, 1953, pp. 58-59.)

Considerando-se que o último verso da cantiga caracteriza

um diálogo entre personagens; conside a palavra abutre

grava-se avuytor, em português arcaico; e considerando-se

que, de acordo com a tradição popular da época, era

possível fazer previsões e descobrir o que está oculto,

comendo carne de abutre, mediante estas três

considerações: (ver texto)

a) Identifique o personagem que se expressa em discurso

direto, no último verso do poema;

b) Interprete o significado do último verso, no contexto do

poema.

21) (FMTM-2003) Senhora, partem tão tristes



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meus olhos por vós, meu bem,

que nunca tão tristes vistes

outros nenhuns por ninguém.

Tão tristes, tão saudosos,

tão doentes da partida,

tão cansados, tão chorosos,

da morte mais desejosos

cem mil vezes que da vida.

Partem tão tristes os tristes,

tão fora d’esperar bem,

que nunca tão tristes vistes

outros nenhuns por ninguém.

Sobre esse texto de João Roiz de Castelo Branco,

representante do Humanismo português, é correto afirmar

que é exemplo da poesia

a) épica, tendo por tema a valorização dos sentimentos de

saudade e melancolia experimentados pelo trovador.

b) lírica, tendo por tema o amor cortês e apresentando

uma visão idealizada da mulher.

c) lírica, tendo por tema a preocupação com os

compromissos sociais assumidos pela ética humanista.

d) satírica, tendo por tema o sentimento de negação da

vida prática, para assumir compromisso com os interesses

mais íntimos.

e) satírica, tendo por tema a combinação de amor

palaciano servil e heroísmo tardio.

GABARITO


1) a) Cantiga de amigo, pois há a presença do eu lírico

feminino e os interlocutores são amigas desse interlocutor.

b) O eu-poemático, como o título diz (Confessor Medieval),

trata-se da figura de um religioso ou confidente que

aconselha a moça.

2) Alternativa: D

3) Alternativa: E

4) Alternativa: A

5) Alternativa: A

6) Alternativa: B

7)

8) Alternativa: B



9) Alternativa: A

10) a) Lianor fora atacada por um padre. A crítica se dirige

a uma parte do clero que não segue os preceitos pregados

pela Igreja Católica.

b) Um Ermitão, que se percebe ser um antigo pretendente

de Inês.


11) Alternativa: C

12) Alternativa: E

13) Alternativa: A

14) a) Em O Auto da Barca do Inferno, a expressão verbal

das personagens sempre indicia o lugar social dos falantes.

No excerto ocorre, em particular, uma paródia da

linguagem da sedução, pois Brísida adota com o Anjo o

estilo afetado que empregava no processo de

desencaminhamento de “meninas”.

b) O tratamento que Brísida dispensa ao Anjo é

inadequado para a obtenção do céu, porque, em vez de

ocultar a essência de sua profissão para merecê-lo, ela

evidencia os mecanismos retóricos por meio dos quais

mediava encontros entre padres lascivos e moças

ingênuas. Ao enfatizar sua relação com o clero, Brísida

supõe que o Anjo também seja adepto da luxúria. Como

ele representa a moralidade proposta pela peça, não lhe

dará lugar em sua barca.

15) a) O trecho é: “asno que me leve quero”. O verso está

antecipando a cena final em que Pero Marques carrega

Inês em seus ombros durante a travessia de um rio. Na

verdade, o marido está levando a esposa a um encontro

adúltero. Assim, Pero é duplamente “asno”: por levar Inês

em suas costas e por ser por ela enganado.

b) O primeiro marido de Inês a proibia de sair de casa, até

mesmo para ir à igreja. Já Pero Marques, em sua fala,

revela a liberdade que dará à sua esposa.

c) Pois critica um aspecto do comportamento da sociedade

portuguesa, mais particularmente o fato de se abandonar

‘princípios’ em nome de uma “vida folgada”.

16) a) O cavaleiro repreende o Diabo porque este ousou

dirigir-lhe a palavra. Pela lógica da peça, os cavaleiros,

pertencendo à categoria do Bem, não poderiam ser

interpelados pelo símbolo do Mal. O estranhamento do

Diabo diante dos cavaleiros contrasta com a familiaridade

com que ele recebia as almas pecadoras que entraram na

Barca do Inferno.

b) Os Cavaleiros morreram em batalha de Guerra Santa,

defendendo a palavra de Cristo em região dominada pelos

árabes.


c) A atitude dos Cavaleiros explica-se pela certeza de sua

própria salvação, já que morreram defendendo a palavra

de Cristo.

17) a) O desconsolo do Velho deve -se à paixão não

correspondida por uma jovem moça, por quem acaba

perdendo a cabeça e os bens, ludibriado por uma

alcoviteira que prometeu interceder a seu favor junto à

moça. Essa paixão é o objeto da sátira e da crítica

moralizante do auto.

b) Os açoites recebidos por Branca Gil são o castigo pelo

crime de lenocínio, alcovitice e ludibrio. A personagem em

questão é a alcoviteira que promete interceder a favor do

Velho na conquista da moça por quem ele se mostra

apaixonado. Na verdade, sua intenção é apenas a de

ludibriar o Velho, extorquindo-lhe dinheiro e bens com a

promessa de que conseguirá fazer com que a moça se

apaixone por ele.

c) A contradição diz respeito ao fato de que, embora

aprisionada e castigada em público, Branca Gil “leva tão

bom coração” (isto é, “caminha tão corajosa”), “como se

fosse em folia”. Essa atitude se justifica, em parte, pelo

fato de não ser a primeira vez que a prisão e o castigo

ocorrem. A personagem já se ‘habituou’ a isso. O castigo já

se tornou rotina da personagem, que há muito vive na

contravenção. Como ela mesma diz ao Alcaide que a

prende, na cena anterior à do excerto acima: “Nunca

havedes de acabar / de me prender e soltar? Não há poder

... [...] Está já a corocha aviada. /Três vezes fui já açoutada,

/ e enfim hei de viver”.

A atitude de Branca Gil está indicada também no tipo de

capuz que lhe colocam no momento em que é presa. Gil

Vicente utiliza um termo ambíguo que nos permite ver, de

10 | Projeto Medicina – www.projetomedicina.com.br

um lado, a identificação que era imposta às alcoviteiras e,

de outro lado, o seu uso como uma espécie de adorno

festivo, próprio das noivas.

Fonte: Banca examinadora da Unicamp

18) Alternativa: A

19) Alternativa: A

20) a moça responde a quem lhe fala

ela realmente está sofrendo por amor

21) Alternativa: B




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