Crítica da Razão Pura



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NOTAS 
 
 
(1) Intuição, como Kant aqui a define, é a representação imediata que faço de um 
objeto. O conhecimento de um objeto não tem que ser sempre imediato, pois sem necessidade 
de contempla -lo imediatamente posso obter o seu conhecimento. Com efeito: seja um objeto 
qualquer, o Pacaembu, por exemplo. Posso conhecê-lo, representando-o em todos os seus 
elementos, e pelas explicações fornecidas ter do mesmo um conhecimento mais ou  menos 
perfeito. Tal conhecimento será sempre  imediato,  porque nele intervie ram uma série de 
representações, que as informações daquele que nos descreveu o Pacaembu, foi despertando 
em mim. 
Mas este, que é um meio de conhecer, não é o único. Eu posso, sem  intermediários, ir 
ver o Pacaembu. Neste caso não tenho uma representação de representações como antes, mas 
sim uma representação imediata, quer dizer, uma representação do objeto. Intuição é, pois, 
uma representação imediatamente relacionada com o objeto. É um modo de conhecimento 

imediato; assim como o primeiro é imediato: por conceitos e imagens. A intuição, por 
conseguinte, é um elemento muito importante de nosso conhecimento. É a primeira relação e 
a mais imediata que com o objeto pode manter. De sorte que um conceito que careça de 
intuição que lhe corresponda, não pode fornecer nenhum conhecimento imediato. Deve -se ter 
desde já na lembrança esta observação, para acompanhar Kant no desenvolvimento dos seus 
primeiros princípios. Náo se esqueça, tampouco, que todo pensamento se propõe como meio 
de intuições, e que quando um pensamento carece de intuição, é porque não tem objeto a que 
referir-se imediatamente, é portanto vão, e os conceitos que produz, vazios, sem conteúdo 
algum, pois este só pode ser  dado pela intuição. Terá, é verdade, um objeto o conceito desta 
classe, mas sera um outro conceito, e estaremos no mesmo caso se carece de intuição, ou uma 
imagem da fantasia, quer dizer, uma intuição da ima ginação e nada mais, conceitos assim, 
sendo obje to, são conceitos vazios, são simples negações, como dizia Kant: nihil privativum; 
de nenhuma maneira, conceitos reais; dizem o que uma coisa não é, e não o que ela é, pois só 
o conceito que possui um objeto é um  ens reale.  Disto resultará, depois, com todo rigor, que 
não podemos conhecer a Deus, porque este objeto, Deus, nunca se nos apresenta 
intuitivamente. Teremos, certamente, o seu conceito, mas não o seu conhecimento imediato, 
pois não é Deus um objeto sensível, um fenômeno, cuja intuição nos seja  acessível. Tudo 
quanto se afirma de Deus no conhecimento, será negação, e ao dizer que é infinito, entender-
se-á que não é finito, etc. O importante, pois, é não tirar da idéia que não existem 
conhecimentos propriamente ditos sem intuições, e intuições sem objetos, objetos sem 
fenômenos. (Nota do Tradutor) 
 
(2) Os alemães são os únicos que empregam hoje a palavra Estética para designar o que 
outros chamam “crítica do gosto”. Esta denominação se deve à fracassada esperança do 
notabilissimo crítico Baurngarte n, que acreditou poder reproduzir a princípios racionais o 
juízo crítico do belo, e elevar as suas regras à categoria de ciência. Mas esse esforço é vão. 
Efetivamente essas regras ou critérios são empíricas em suas prin cipais fontes, e por 
conseguinte não poderiam jamais servir de leis “a priori” próprias a regular o gosto em seus 
julgamentos, pois é este que serve de pedra de toque para a retificação dos princípios. É, pois, 
prudente o abandono dessa denominação, e reservá-la para aquela doutrina que é verdadeira 
ciência, ou bem empregá-la em comum com a Filosofia especulativa, e entender a palavra 
Estética ora em sentido transcendental, ora em sentido psicológico. 
 
(3) Os predicados do fenômeno podem ser atribuídos ao objeto mesmo em relação com 
nosso sentido, por exemplo: a rosa, a cor vermelha e o odor; mas a aparência não pode 
jamais, como predicado, ser atribuída ao objeto, porque precisamente atribui ao objeto em si 
o que não lhe pertence mais do que pela relação com os sentidos, ou em geral com o sujeito, 
como, por exemplo, os dois anéis atribuídos primitivamente a Saturno. 
O fenômeno é qualquer coisa que não se pode achar no objeto mesmo, mas sempre na 
relação do objeto para com o sujeito, e que é insepa rável da representação que temos; assim é 
que, com razão, os predicados do espaço e do tempo são atribuídos aos objetos do sentido 
como tais, e nisto não existe nenhuma aparência. 
Já, pelo contrário, se atribuo a cor vermelha à rosa em si, e os anéis a Saturno, ou a 
todos os objetos exteriores a  extensão em si, sem atender á determinada relação desses 
objetos com o sujeito, nem limitar meu juízo por conseguinte, então surge a aparência. 

 
(4) Aliem Weissenchaft. A tradução literal seria Catártico. 
 
(5) A unidade analítica da consciência tem a sua origem em todos os conceitos comuns 
considerados como tais. Quando, por exemplo, concebo o vermelho em geral, represento-me 
por isso uma qualidade que (como caráter) pode ser achada em qualquer parte ou ser ligada a 
outras representaçôes; não é, pois, senão sob a condição de conceber de ante mão uma 
unidade sintética possível que podemos conceber a unidade analítica. Para imaginarmos uma 
representação comum a coisas diferentes, devemos considerá-la como dependente a essas 
coisas e, que, além da sua analogia, possuem alguma coisa diferente entre elas das restantes, 
pelo que se deduz que devemos concebê-las como formando uma unidade sintética com 
outras representações (embora sejam apenas possibilidades), muito antes que eu possa 
conceber nelas a unidade analítica da consciência que a transforma num “conceptus 
communis”. A unidade sintética da nossa percepção é, pois, o ponto mais elevado ao qual 
podemos aplicar nosso entendimento, bem como toda a lógica e, por seu intermédio, a 
Filosofia transcendental; mais ainda, esta faculdade é o próprio entendimento. 
(6)  O tempo e o espaço e todas as suas partes são intuições, por conseguinte, 
representações particulares como a diversidade que elas em si contêm (V. a Estética 
transcendental). Não são, pois, simples  conceitos por meio dos quais esteja a consciência 
deles como que contida em muitas representações, sendo ao contrário estas as que se contêm 
em uma consciência só, estando, por conseguinte, como compostas nelas; donde se segue que 
a unidade da consciência  se nos apresenta como sintêtica, e não obstante como primitiva. Esta 
particularidade dos mesmos é importante na aplicação (V. § 25). 
 
(7) A extensa teoria das quatro figuras subjetivas não conceme senão aos raciocínios 
categóricos, e ainda que, em verdade, não seja mais do que uma arte de surpreender, 
ocultando as conseqüências imediatas (“consequentiae imediatae") sob as premissas de um 
raciocínio puro, a aparência de muitas espécies de conseqüências, que não há na primeira 
figura, não teria ganho, sem  embargo, muito se não tivesse conseguido apresentar 
exclusivamente os juízos categóricos como aqueles a quem todos os outros devem referir-se, 
e que, segundo o § 9, é falso.  
 
(8) A prova se funda na unidade representada da intuição pela qual um objeto se dá a 
que sempre encerra em si mesma síntese da diversidade dada em uma intuição e contém já a 
relação desta diversidade com a unidade da apercepção. 
 
(9)  O movimento de objeto no espaço não pertence a uma ciência pura e tampouco 
pertence à Geometria; porque não sabemos “a priori”, senão pela experiência, que algo seja 
movível. Mas o movimento como descrição de um espaço é um ato puro da síntese sucessiva 
da diversidade na intuição externa em geral, pela imaginação produtiva e pertence, não só à 
Geometria, como também à Filosofia transcendental. 

 
(10)  Não compreendo a dificuldade de admitir que o sentido interno é afetado por nós 
mesmos. Todo ato da atenção pode proporcionar-nos um exemplo. Nesta, o entendimento 
determina sempre ao sentido inte rior conforme o enlace que ele concebe para formar uma 
intuição interna, que corresponde à diversidade contida na síntese do entendimento. Cada um 
pode observar em si mesmo como o espírito é freqüentemente desta maneira. 
 
(11) eu penso expressa o ato pelo qual determino minha existência. A existência está 
portanto já dada nele; mas a maneira como devo determinar esta existência, quer dizer, pelos 
elementos diversos que lhe pertencem, para isto é preciso uma intuição de si mesmo que tem 
por fundamento uma fórmula “a priori”, quer dizer, o tempo que é sensível e pertence à 
receptividade do determinável. 
Se não tenho, pois, outra intuição de mim mesmo que do que há em mim de 
determinante, de cuja espontaneidade somente estou cônscio e que dei antes do ato da 
determinação da mesma maneira que o tempo dá o determinável, não posso então determinar 
minha existência como a de um ser espontâneo, mas somente me represento a espontaneidade 
de meu pensar. 
Quer dizer, meu ato de determinação e minha existência não são nunca determináveis 
senão sensivelmente, ou seja como existência de um fenômeno. Todavia, esta espontaneidade 
faz com que eu a chame inteligência. 
Ainda que todas as categorias constituam o pensamento de um objeto geral pela união 
da diversidade em uma apercepção, a consciência própria não é conhecimento de si mesmo. 
Assim como para o conhecimento de um objeto diferente de mim necessito, além do 
pensamento de um objeto geral (na categoria), uma intuição pela qual determino esse 
conceito geral, assim também para o conhecimento de mim mesmo ne cessito, além da 
consciência de que eu penso, uma intuição da diversidade que em mim existe, mediante a 
qual determino esse pensamento. 
Eu existo, pois, como inteligência que tem consciência unicamente de sua faculdade 
sintética, mas que, em relação ao diverso que deve sintetizar, se acha sujeita a uma condição 
restritiva chamada sentido mesmo e que não pode tomar perceptível esse enlace senão 
segundo as relaçôes do tempo, as quais são totalmente estranhas aos conceitos próprios do 
entendimento. Donde se segue que esta inteligência não pode conhecer-se a si mesma senão 
como se aparece em uma intuição particular (a qual não pode ser intelectual e dada pelo 
entendimento mesmo) e não como se conheceria se sua intuição fosse intelectual. 
 
(12)  O espaço apresentado como objeto (como realmente é preciso em Geometria) 
contém, além da simples forma da intuição, a composição da diversidade dada em uma 
representação intuitiva, segundo a forma da sensibilidade, de tal sorte que a forma da intuição 
dá unicamente a diversidade e a intuição formal à unidade da representação. 
Eu apreciei na Estética esta unidade, como pertencendo simplesmente à sensibilidade, 
somente para indicar que precede a todo conceito, ainda que em verdade pressuponha uma 

síntese que não pertence dos sentidos, mas que possibilita todo conceito de espaço e de 
tempo. Como por esta síntese (determinando o entendimento a sensibilidade) são dados o 
espaço e o tempo primeiramente como intuições, a unidade desta intuição “a priori” pertence 
ao espaço e ao tempo e não ao con ceito do entendimento (§ 24).  
 
(13) Desta maneira se prova que a síntese da apreensão, que é empírica, deve concordar 
necessariamente com a síntese da apercepção, que é intelectual e contida totalmente “a priori” 
na categoria. A união da diversidade da intuição é produzida por uma só e mesma 
espontaneidade, chamada ali imaginação e aqui entendimento. 
 
(14)  A fim de não se alarmarem precipitadamente com as perigosas conseqüências 
desta proposição, advertirei  que as categorias no pensar não estão limitadas pelas condições 
de nossa intuição sensível, mas têm um campo ilimitado, e que o conhecimento do que 
pensamos ou a de terminação do objeto tem necessidade da intuição; mas que faltando esta, o 
pensamento do objeto pode ainda ter suas conseqüências verdadeiras e úteis relativamente ao 
uso que o indivíduo faz da razão, mas como não se trata aqui da determinação do objeto, e 
por conseguinte do conhecimento, senão também da do sujeito e de sua vontade, não chegou 
ainda o momento para falar disto. 
 
(15)  Até aqui acreditei necessária a divisão em parágrafos, porque nos ocupamos de 
conceitos elementares, mas, agora, queremos mostrar o uso dos mesmos, e a exposição 
poderá prosseguir em uma continua compenetração sem necessidade dos mesmos. 
 
(16)  A falta de juízo é o que propriamente se denomina estupidez, defeito para o qual 
não há remédio. Uma cabeça obtusa ou limitada, que só carece de grau conveniente de 
inteligência e de conceitos próprios, é suscetível de instrução e mesmo de erudição. Mas 
como quase sempre nestes casos acompanha a falta de juízo (segundo Petri), não é raro 
encontrar homens muito instruídos que deixam freqüentemente transparecer essa falta grave 
em seus trabalhos. 
 
(17)  Toda união (“conjunctio”) ou é uma composição (“compositio”), ou uma conexão 
(“nexus”). O primeiro é uma síntese de elementos diversos que não se pertencem 
necessariamente uns aos outros, como por exemplo: os dois triângulos em que um quadrado 
se decompõe cortado por uma diagonal  não se pertencem necessariamente um ao outro. 
Assim é a síntese do homogêneo em tudo o que pode ser examinado mate maticamente 
(síntese que por seu turno pode dividir-se em síntese de agregação e síntese de coalisão, 
conforme se refira a quantidades extensivas ou a intensivas). 
A segunda união (“nexus”) é a síntese de elementos diversos que necessariamente se 
pertencem uns aos outros, como, por exemplo, o acidente em relação com a substância, ou o 
efeito e a causa, e que, por conseguinte, ainda que heterogêneos, se representam como unidos 

“a priori”. E denomino a esta união dinâmica, porque não arbitrária, ainda que se refira à 
união da existência da diversidade, união esta que pode por sua vez dividir-se em união fisica 
de fenômenos entre si e em uma união metafísica, cujas sínteses se representam na faculdade 
de conhe cer “a priori”. 
 
(18)  A “realidade” de uma coisa diz com mais segurança de uma coisa que a sua 
possibilidade, porém não mais “na coisa” ; porque a coisa não pode conter nunca na realidade 
mais do que estava contido na sua possibilidade completa. Mas como a possibilidade era 
apenas uma “posição” da coisa em relação ao Entendimento (no seu uso empírico), a 
realidade é, ao mesmo tempo, o encadeamento da coisa com a percepção. 
 
(19)  Pode -se facilmente conceber a não existência da matéria, e, não obstante, os 
antigos não a tiveram por contingente. Mas a vicissitude mesma do ser e do não ser de um 
estado dado de uma coisa, em que toda mudança consiste, em nada prova a contingência 
deste estado de uma maneira indireta ou pela realidade de seu contrário; p. ex.: o repouso de 
um corpo que sucede ao movimento desse corpo, porque o repouso seja o contrário do 
movimento. 
Porque esse contrário não está aqui oposto ao outro senão logicamente e não realmente. 
Para provar a contingência do movimento, seria preciso provar que, em lugar de estar em 
movimento no instante precedente, haveria sido possível que o corpo estivesse então em 
repouso: não basta que o tivesse sido em seguida, porque então os dois contrários podem 
coexistir perfeitamente. 
 

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