CoraçÕes de ferro (“fury”) Informações de Produção



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CORAÇÕES DE FERRO

(“FURY”)
Informações de Produção
Abril de 1945. Enquanto os Aliados iniciam a sua ofensiva final no Teatro de Operações Europeu, um aguerrido sargento do Exército apelidado de “Wardaddy” (Brad Pitt) comanda um tanque Sherman e sua tripulação de cinco homens numa missão mortal detrás das linhas inimigas. Em inferioridade tanto numérica quanto em poder de fogo, e com um soldado novato em suas fileiras, Wardaddy e seus homens terão tudo contra si em suas tentativas heroicas de lançar um ataque ao coração da Alemanha nazista. 
Columbia Pictures apresenta em associação com QED International e LStar Capital, uma produção QED International / Le Grisbi Productions / Crave Films, um filme de David Ayer, Corações de Ferro (Fury). O filme é estrelado por Brad Pitt, Shia LaBeouf, Logan Lerman, Michael Peña, Jon Bernthal, Jason Isaacs e Scott Eastwood. Escrito e dirigido por David Ayer. Produzido por Bill Block, David Ayer, Ethan Smith e John Lesher. Os produtores executivos são Brad Pitt, Sasha Shapiro, Anton Lessine, Alex Ott e Ben Waisbren. O diretor de Fotografia é Roman Vasyanov. O desenhista de produção é Andrew Menzies. Os montadores são Dody Dorn, ACE, e Jay Cassidy, ACE. O figurinista é Owen Thornton. A trilha é de Steven Price. O elenco é de Mary Vernieu, CSA, e Lindsay Graham, CSA. Créditos sujeitos à aprovação final.

SOBRE O FILME
“Eu já era fã do David Ayer por sua filmografia anterior, especialmente Marcados Para Morrer (End of Watch)”, afirma Brad Pitt, que encarna o protagonista Don “Wardaddy” Collier no novo filme de Ayer, Corações de Ferro (Fury). “Sabendo da extensão da sua preocupação com o realismo e a autenticidade, e da sua estrutura única, eu acredito que ele seja um dos trunfos do filme. Também é um veterano, e com essa experiência em primeira mão, ele tem uma riqueza de conhecimentos sobre o assunto que atraiu todos nós”.
Corações de Ferro (Fury) não é o típico filme de guerra do seu avô”, afirma o produtor Bill Block, que havia oferecido o filme à QED antes que a Columbia Pictures adquirisse os direitos de distribuição. “Eu acho que ainda não tínhamos visto o horror físico que a divisão blindada enfrentou. Em inferioridade em efetivos e arsenal, eles venceram exclusivamente por conta da sua habilidade no combate verdadeiro e cruel”.
"Ninguém escreve sobre os homens no seu momento mais vulnerável à maneira que o David faz", comenta o produtor John Lesher, que trabalhou anteriormente com Ayer em seu filme aclamado, Marcados Para Morrer (End of Watch). "Em todos os seus filmes, vejo temas em comum: são sobre o amor fraternal, a amizade, pais e filhos, e alguns desses temas ressoam com muita força neste roteiro”.
Corações de Ferro (Fury) se passa na Alemanha, em 1945, no final da guerra. “A guerra está por acabar e esse elefante agonizante – o império nazista – está nos seus estertores”, explica Ayer. “É um mundo diferente da maioria dos filmes de guerra, onde comemoramos campanhas vitoriosas como a invasão do continente europeu, o Dia D ou a Batalha de Bulge, essas batalhas famosas nas quais as tropas americanas atuaram. Um dos períodos esquecidos é este último suspiro do império nazista, quando o exército americano, que vinha lutando há anos, está em suas últimas reservas de efetivos. Os homens estão esgotados. Na Segunda Guerra Mundial, você lutava até vencer ou morrer, ou até ser gravemente ferido e enviado para casa. O regime fanático está em colapso, é um ambiente confuso, onde qualquer um pode ser o inimigo - é incrivelmente desgastante para o emocional do combatente”.
É neste ambiente que Ayer criou o personagem de Don "Wardaddy" Collier, interpretado por Brad Pitt. "Wardaddy é o comandante do tanque - sua responsabilidade é manter seus homens vivos", afirma Pitt. "Ele é responsável pelas operações, o moral e, sobretudo, por garantir que eles funcionarão como uma máquina. As suas decisões vão determinar quem volta para casa, e quem não volta. No início do filme, eles perderam um de seus cinco tripulantes, e um garoto é incluído às pressas na nossa “família”. Não é apenas o fato de ser um rapaz e de não ter experiência em tanques - ele é, na verdade, uma ameaça à nossa sobrevivência; se ele não for capaz de cumprir com as suas funções, toda a tripulação está em risco, e pessoas vão morrer. Ele chega cheio de inocência, e a questão é: como você educa um filho em um dia? Wardaddy precisa endurecê-lo e fazê-lo lutar para garantir a segurança dos demais”.
No pelotão de Wardaddy, surge Norman Ellison, um jovem tragicamente despreparado para a guerra. "Ele foi treinado para ser datilógrafo, mas acaba enviado para a linha de frente na 2ª Divisão Blindada, para servir como motorista auxiliar. Ele está atordoado e confuso - e tem certeza de que houve algum engano", explica Lerman. "Norman está lá para ocupar o lugar de um soldado morto, Red, que tinha servido com os outros quatro membros da tripulação basicamente desde o início da guerra. Ele é jovem e inocente - o tipo de garoto que qualquer um gostaria de ter como filho ou irmão caçula - mas a guerra não é lugar para um rapaz assim. Ele terá que mudar se quiser sobreviver, e Wardaddy vai lhe mostrar como”.
Ao longo dessas 24 horas fatídicas, seu treinamento será testado, enquanto os cinco homens do Fúria - Wardaddy, o comandante; Boyd Swan, o atirador; Grady Travis, o municiador; Trini Garcia, o motorista; e Norman, o motorista auxiliar – enfrentam 300 soldados inimigos das tropas alemãs em uma batalha desesperada pela sobrevivência.
A intensidade do roteiro que Ayer escreveu para Corações de Ferro (Fury) se tornou sua marca registrada, mas o filme, assim como seus roteiros para Dia de Treinamento (Training Day), Velozes e Furiosos (The Fast and the Furious) e outros títulos, também retrata uma ligação profunda entre os personagens. “Os filmes do David são viscerais e reais, mas também, intrinsecamente, sobre o amor fraternal e a amizade nas circunstâncias mais extremas", diz Block.
Neste filme, Ayer traçou uma relação igualmente complexa, como o vínculo que se forma entre o jovem Norman e o veterano Wardaddy e que se torna o coração do filme. "Norman é jovem, ingênuo e inocente, e isso o torna cativante, mas esse também é o problema que ele deve superar", diz Ayer. "Wardaddy deve tirá-lo de sua inocência”.
"De muitas maneiras, Norman é o filho que Wardaddy nunca teve", continua Ayer. "Ele se torna um mentor para Norman, com um pai, orientando-o para que se torne um soldado eficaz”.
Ayer diz que é história complexa através de uma estrutura aparentemente simples. "O filme todo se passa em 24 horas, do amanhecer de um dia à alvorada do dia seguinte", observa o produtor Ethan Smith. "É muito simples em sua construção, mas numa narrativa muito eloquente e complicada”.
Com seu filme de 2012, Marcados Para Morrer (End of Watch), Ayer foi aclamado por seu estilo de direção original e instigante. Com Corações de Ferro (Fury), ele dá um novo passo em sua carreira, afirma o produtor Bill Block. “Este filme é uma evolução no estilo de David Ayer, um quadro mais formal e belamente filmado”, afirma ele. “Enquanto em Marcados Para Morrer (End of Watch), ele criou um estilo docu-vídeo, este é um filme de época, que mantém a sua assinatura - realismo intenso”.
“Esta é uma obra nitidamente do David Ayer no sentido de que é um filme de guerra muito autêntico visualmente na sua recriação da época”, afirma o produtor Ethan Smith. “David faz uma imersão em pesquisas e trabalha em estreita colaboração com os conselheiros táticos e militares a fim de reproduzir corretamente todos os detalhes. Seu processo de direção inclui se cercar dos melhores de cada disciplina para garantir a exatidão da reprodução”.
O produtor John Lesher afirma que a pesquisa se paga com personagens e experiências que ganham vida na tela, porque parecem da vida real. “Eu fiquei fascinado”, afirma Lesher. “E ele disse: ‘Você devia vir ao meu escritório’. Eu vi o tanto de livros, pesquisas e reflexões que ele dedicou a essa história. Eu fiquei realmente impressionado”.
Ao mesmo tempo, segundo Lesher, Ayer escreveu um roteiro que era compreensível e verdadeiro para qualquer geração. "Eu o achei muito interessante e convincente, e muito moderno", diz Lesher. "Sim, é sobre a Segunda Guerra Mundial, com toda a sua especificidade e autenticidade, e toda a pesquisa que o Davi fez realmente ganha vida no roteiro. Mas é realmente sobre homens em guerra”.
Kevin Vance, um dos assessores técnicos militares do filme, diz que o compromisso com o realismo significou um compromisso com um filme arrebatador, visceral e diferente de qualquer filme da Segunda Guerra Mundial que o precedeu. “Na maioria dos filmes sobre a Segunda Guerra, temos esta associação com a ‘boa guerra’ - e ela foi", diz ele. "Mas mais de 60 milhões de pessoas morreram na Segunda Guerra. Essa é uma dicotomia que ainda não foi totalmente explorada, e é isso que o David exigiu deste filme”.
Uma das maneiras através das quais os cineastas acertaram foi contando com a ajuda de uma série de veteranos da 2ª Divisão Blindada, que serviram durante a Segunda Guerra Mundial. "David faz questão de autenticidade”, afirma Pitt. A fim de trazer essa autenticidade para a convivência da tripulação, conta ele: “Ele nos deu algumas belas experiências. Nós tivemos a oportunidade de conhecer vários veteranos, todos na casa dos 90 anos; eles tinham sobrevivido aos desembarques do Dia D e à Batalha de Bulge… Foi uma experiência que nos deu muita humildade, ficarmos lá sentados na sua presença, ouvindo suas histórias. Eles tinham descrições muito viscerais de como era servir dentro de um tanque: o calor, o escape, era pegajoso, o cheiro da morte sempre pairando no ar. A maioria não tinha treinamento suficiente, tinham poucos equipamentos, e eles tiveram de lidar com condições climáticas e adversidades incríveis, com a escassez de comida, privação de sono. E tiveram de prosseguir no combate sob as condições mais desgastantes”.
Block, QED, e Pitt organizaram uma reunião do elenco principal com veteranos da 2ª Guerra, incluindo aqueles que poderiam fornecer relatos em primeira mão de como era operar um tanque em algumas das batalhas mais sangrentas da guerra. Quatro homens, em particular, conversaram com os atores, compartilhando suas memórias e experiências.
Donald Evans, que serviu numa companhia de reconhecimento da 2ª Divisão Blindada do 66º Regimento de Infantaria, conta que ele "não sabia muito sobre a 2ª Divisão Blindada", quando foi designado para lá. "Eu nem sei se eu sabia que eles estavam na África”.
Paul Andert mentiu sobre a sua idade, em 1940, para entrar no exército aos 17 anos, e foi sargento da 2ª Divisão Blindada do 41º Regimento de Infantaria durante a guerra. "Patton se tornou o comandante da nossa divisão - ele sabia como nos instruir", diz ele. Ele lembra palavras memoráveis de Patton sobre a importância de cada um fazer o que pode para demonstrar liderança: "Patton diz: ‘Você não empurra o espaguete; você o puxa'" - ou seja, como líder, se você faz um movimento numa direção, seus homens o seguirão. Andert se lembraria dessas palavras repetidas vezes, em batalha após batalha. "Ele interiorizou a luta na gente – e nos instilou a ideia de que chegando lá, você deve se mover, não ficar parado”.
George Smilanich foi motorista durante a guerra e diz que, embora cada um tivesse suas obrigações, “todos da equipe poderiam fazer qualquer coisa que os outros caras faziam. Poderíamos fazer um rodízio, se fosse preciso – se perdíamos alguém durante uma batalha, um dos outros membros da tripulação poderia intervir e assumir, seja qual fosse a função. Nós podíamos dirigir um jeep, podíamos dirigir um caminhão blindado, ou dirigir um tanque. Éramos como uma família grande e feliz - se eu quisesse que o motorista auxiliar assumisse, bastava eu trocar de lugar com ele; se o atirador quisesse sair, o motorista auxiliar assumia o canhão. O comandante dava as ordens e dizia o que deveríamos e não fazer, mas de resto, era assim. E quando perdíamos alguém e alguém novo entrava, ele se inseria imediatamente nesse sistema”.
Ray Stewart tinha apenas 21 anos, na primavera de 1945 - não muito diferente do personagem do jovem Norman Ellison no filme. Designado para um tanque como motorista auxiliar/segundo atirador, ele conta: "Eu estava lá com quatro caras que tinham sido treinados por Patton, e eu era o cara novo. Eu estava disposto a fazer o melhor que eu pudesse. O meu comandante do tanque à época estava tentando me testar. O atirador, por fim, se mudou para o seu posto; ele se tornou o líder do pelotão. Claro que tivemos outros caras que ocuparam o seu posto”.
Como é estar em um tanque quando o inimigo está disparando contra você? Mesmo com polegadas de aço nos protegendo, ainda é tão angustiante como se poderia imaginar. "Quando eles estão atirando aquelas metralhadoras e os disparos resvalam em torno de você, você sente no seu veículo blindado ou no seu tanque - só de ouvir isso, você já fica abalado", diz Evans. "Não há onde se esconder”.
Depois que um tanque sai de combate, a tripulação é designada para um novo veículo. Que tipo de coragem é preciso para entrar no próximo tanque? Stewart dá de ombros. "Você simplesmente vai e embarca", diz ele.
Conhecemos detalhes das memórias desses tripulantes de tanques em Corações de Ferro (Fury) – por exemplo, a cada quinta bala de metralhadora, uma é traçante; que há tantas traçantes, que o calor pode derreter o tambor; a diferença entre o fogo disparado e o fogo inimigo é o assobio revelador da aproximação do fogo inimigo; que os tanques Sherman, com armas de menor poder de fogo, podiam encontrar maneiras de usar a sua excepcional mobilidade contra os poderosos tanques Tiger dos alemães. São esses detalhes que dão realismo ao filme.
“Os relatos dos veteranos são sumamente importantes, porque eles trazem tudo isso de volta à vida”, afirma David Rae, um dos assessores técnicos militares do filme. "Eles nos dão a real de como, de fato, uma tripulação combatia nos diferentes ‘Teatros de Operações - através da Normandia, no Norte de África, nos países do sul e, finalmente, na Alemanha, naquela campanha final. Eles nos fornecem histórias interessantes às quais você pode se ater e se ancorar emocionalmente”.

SOBRE OS PERSONAGENS
Comandando os homens do Fúria está Don Collier – mais conhecido por seu nome de guerra, “Wardaddy”. O papel é interpretado por Brad Pitt. "Wardaddy representa a espinha dorsal do exército – são os sargentos e suboficiais que realmente sustentam o Exército", diz Ayer. "Ele é muito racional, muito prático e pragmático - tudo o que o preocupa é cumprir sua missão”.
Mas Ayer diz que Wardaddy também é um homem com um passado oculto. "Ele está expiando sua história, através deste incrível ato de penitência de lutar nesta guerra pela libertação da Europa. Ele tem seu próprio código moral, mas não é o seu código moral civil; é, em grande parte, um reflexo dos tempos. Ele é muito estoico, mas cheio de vida, de humor e amor por seus homens, e um verdadeiro ódio ao inimigo”.
“Quando li o roteiro, achei muito interessante o arco incomum do personagem Wardaddy", afirma o produtor Bill Block. "Quando nós o conhecemos, já há três anos na guerra, ele é um assassino empenhado e certeiro – e o que acontece com ele, acontece de uma forma que nunca vimos. Ele se torna um herói da compaixão, um líder para seus outros homens, para completar a sua missão”.
“Wardaddy é um personagem muito interessante", afirma o produtor John Lesher. "Esses caras estão juntos, sob seu comando, desde o início da guerra. Ele é uma alma complicada, traumatizada e sua intenção é passar toda a sabedoria que adquiriu ao Norman. É um personagem original que David criou, e eu o acho muito cativante – sem paralelo com nada do que já vimos antes”.
Shia LaBeouf encarna o papel de Boyd Swan. “Ele é o atirador e, basicamente, o segundo no comando do Fúria”, afirma o ator. “Ele opera o armamento principal do tanque, o canhão de 76mm de alta velocidade. Ele é um assassino frio, mas também é um homem de fé – é interessante para mim explorar como um homem que cita a Bíblia e tem fé - um cristão - concilia isso com o combate”.
Para explorar essa dicotomia, LaBeouf se baseou em suas experiências de encontros com militares que mostraram traços de personalidade semelhantes. Por exemplo, LaBeouf passou um tempo com Don Evans, um veterano da 2ª Divisão Blindada, durante a Segunda Guerra Mundial. "Ele é cristão, um homem justo, que lhe dirá a diferença entre matar e assassinar – e há uma grande diferença. O Don nos fez entender isso”, afirma o ator. “Ele vive sua vida de maneira exemplar, mas ainda vai matar você se estiver do lado inimigo - e não terá problemas para dormir à noite. Eu acho que Deus colocou as pessoas certas aqui para recolher as almas – é o Anjo da Morte de Deus”.
LaBeouf também se baseou em conversas com veteranos mais jovens. "Eu conheci um capitão chamado Shane Yates - ele é capitão, mas também é pastor, pregador e capelão do Exército e do 42º Batalhão”, conta o ator. “Eu obtive a permissão deles e do David para ir viver com eles numa base operacional avançada bem no meio do seu destacamento. Passei cerca de um mês e meio com a Guarda Nacional, depois, eu me reuni ao resto dos rapazes e fomos para outro pequeno acampamento de treinamento em Fort Irwin”.
LaBeouf também se sentiu inspirado trabalhando com David Ayer. “O David tem uma história pessoal muito louca, que ele compartilha com você, e ele ouve. Ele é o nosso Patton - ele é meio maluco, o que é perfeito", diz ele.
“Muitas vezes, em filmes sobre a Segunda Guerra Mundial, vemos aqueles personagens arquetípicos – o David pega esses arquétipos e os usa como inspiração para personagens reais e autênticos", observa John Lesher. “O personagem do Shia, arquetipicamente, é um cara que estudou para ser pastor - já vimos esse cara - mas nas mãos do David, ele é um homem que acredita em Deus, mas também adora matar. O Shia tem um desempenho muito profundo e penetrante; sua dedicação foi inigualável e impressionante”.
O elemento central do filme, segundo Lesher, é o personagem Norman Ellison, interpretado por Logan Lerman. “Norman representa o público no filme”, afirma. “Ele é o garoto novo com quase nenhum treinamento militar, e é através dos olhos dele que nós aprendemos sobre o tanque, a gramática e a história do filme. É a sua história de aceitação; a sua jornada constitui o núcleo do filme”.
Ayer afirma que, nos dias finais da Segunda Guerra, não era incomum que muitos jovens despreparados fossem designados para as frentes de batalha de uma hora para outra. “Depois da Batalha de Bulge, os EUA haviam tido grandes baixas em seus efetivos, então, esses rapazes acabavam tendo somente de três a quatro semanas de treinamento de combate antes de serem enviados ao front”, observa ele. “Norman está muito despreparado para o que está havendo, e se torna refém deles, de certa forma, ao ser jogado naquela jaula de aço e ser arrastado pelos campos alemães em pleno combate. Norman acaba em situações para as quais não está absolutamente preparado, e é tarefa de Wardaddy treiná-lo e levá-lo a relativizar o conceito civil de certo e errado”.
Logan Lerman interpreta o jovem soldado. Ele diz que o que o atraiu no papel foi sua complexidade. "Para os atores da minha idade, há por aí uma grande oferta de personagens simples", comenta ele. "Norman, por outro lado, era muito complicado e estressante. Pareceu um desafio - é um ótimo papel, uma ótima história, e eu tenho a oportunidade de trabalhar com um monte de gente que eu admiro”.
Uma dessas pessoas é Ayer. Lerman estava bem preparado para o estilo de direção intenso de Ayer e seguiu as orientações do diretor, como um soldado segue seu general. "O David nos leva numa jornada insana e incrível", diz ele. "Ele agendou um longo período de preparação para nós, os atores. Ele nos apresentou ao mundo no qual estaríamos vivendo - não foi um caminho fácil, mas eu toparia qualquer coisa, feliz com tudo aquilo. Eu gosto de desafios. Eu me entreguei a ele, e ele foi um dos projetos mais criativamente gratificantes dos quais eu já estive a sorte de participar”.
Como resultado de toda essa preparação, diz Lerman, Ayer se sentiu à vontade para dar aos seus atores a liberdade para interpretar os personagens como quisessem. "Durante pelo menos um mês e meio, a gente se encontrava todos os dias – mas, na verdade, por um período muito mais longo do que isso, a gente via o tempo todo - repassando o roteiro a cada vez que nos encontrávamos", conta Lerman. "Chegamos ao ponto em que já conhecíamos tão bem o material - cada trecho, cada cena - que ficamos totalmente à vontade. Podíamos brincar, seguir em direções diferentes – saindo um pouco pela tangente”.
Depois de dirigir o ator Michael Peña no filme Marcados Para Morrer (End of Watch), Ayer criou o papel do motorista do tanque, Trini Garcia, especialmente para Peña. "Eu creio que cerca de 350.000 hispano-americanos serviram na Segunda Guerra, muitos como motoristas nas Forças Blindadas", observa Ayer. "Ele é um cara sofisticado, e no bairro onde morava, ele seria muito responsável – mas, nessa situação, com o cansaço, os nervos e o estresse, ele se refugiou no álcool para enfrentar seus problemas. Havia um alto consumo de álcool no Exército naquela época, e ele não seria o primeiro piloto do tanque a dirigir bêbado”.
“É legal como, apesar das suas idiossincrasias, ele está prestando uma homenagem a todos os latinos que lutaram na Segunda Guerra Mundial e que não foram reconhecidos", diz Peña. "Eu tiro o meu chapéu para o David Ayer - rapazes latinos foram à guerra e lutaram pelo país, e isso os afetou, psicológica e fisicamente”.
Jon Bernthal completa a tripulação do Fúria no papel de Grady Travis. "Ele vem da região pantanosa do interior do país", diz Ayer. "Foi o tipo de criança da era da Depressão, crescendo descalço, trabalhando desde os oito anos em fazendas - ele simplesmente não está preparado para a aventura em que se viu forçado a entrar por conta das circunstâncias”.
“Se Wardaddy é o cérebro, Grady é a coragem", continua Ayer. O diretor explica que, como municiador, ele tem uma "relação especial" com o atirador. "Ele é como o cara que trabalha com uma pá enfiando carvão na fornalha, isto é, a munição neste sistema de armas, e por causa disso, eles mantêm uma relação de trabalho muito estreita”.
É uma relação que vai além do trabalho, no entanto. "Grady considera Boyd como a ‘mãe’ do grupo", diz Bernthal. "Grady tem um respeito inacreditável pelo Boyd como o eixo espiritual e ético do grupo. Com Boyd, ele mantém sua conexão com algo maior e com Deus. A relação municiador / atirador é incrivelmente interessante, uma vez que eles dependem totalmente um do outro. A gente poderia pensar que haveria um distanciamento entre eles - um cara que é cristão, que fala de pregação e da Bíblia, e um outro que, por sua vez, só quer saber de matança e mulheres. Mas ambos os personagens acabam se amalgamando como um só. Somos apenas dois lados de quase a mesma pessoa”.


SOBRE OS TANQUES
A produção utilizou cinco tanques principais nas filmagens, todos diversos modelos do tanque M4 Sherman: no filme, os tanques têm apelidos: Fúria, Matador, Lucy Sue, Old Phyllis e Murder Inc.
Para Ian Clarke, o coordenador de veículos do filme, e Jim Dowdall, o supervisor das equipes de tanques, a busca por cinco tanques originais da época da 2ª Guerra começou como começaria qualquer outro trabalho: com ligações para seus colegas. “O círculo de aficionados por veículos militares no Reino Unido é relativamente pequeno e todos nós tendemos a nos conhecer”, afirma Dowdall. “Ao final, encontramos as pessoas que poderiam nos fornecer os tanques e que estavam dispostas a dedicar três meses das suas vidas ao filme”.
Para tripular os tanques, afirma Dowdall, “nós pensamos que a melhor coisa seria usar tripulações treinadas no combate com tanques - não colecionadores, mas caras que tinham estado no Afeganistão e em outras situações de combate recentemente. Eles não apenas sabiam comandar os tanques corretamente, mas como reagir adequadamente se algo desse errado com um desses veículos de setenta anos de idade”.
Para o tanque “Fúria”, a produção utilizou três veículos principais. O primeiro, naturalmente, foi um tanque real, fornecido pelo Tank Museum, de Bovington, um Sherman do fim da guerra com um canhão de 76 milímetros.

Além disso, a equipe criou um set para tomadas especializadas e para dar conta das necessidades da filmagem: esse veículo de filmagem foi construído sobre a base de um tanque com uma plataforma montada na parte superior, de modo a que a equipe técnica e as câmeras pudessem filmar no tanque.


Para as tomadas dentro do Fúria, o desenhista de produção, Andrew Menzies, criou um set do seu interior. "Esse foi o maior desafio técnico", diz ele. "É um set muito pequeno, e todas as paredes tinham que ser rebatíveis para permitir que o David filmasse a partir de qualquer ângulo. Ao mesmo tempo, tudo estaria montado em um eixo pivotante móvel, de modo a passar a sensação de um veículo em movimento - e, claro, como ele seria chacoalhado, não poderia haver qualquer oscilação nem peças soltas".


Gary Jopling, assistente de direção de arte do filme, criou o interior do tanque por meio de esboços e modelos e, em seguida, construiu a estrutura. "Ele faz tudo o que um tanque de verdade faria", diz ele. "A suspensão pivotante lhe dá um movimento de balanço e a torre gira 360 graus. O canhão se eleva e pode ser disparado".


Para criar o interior, o departamento de arte digitalizou o interior do tanque de verdade e, em seguida, o ampliou numa escala de 10 por cento. A partir do escaneamento, construíram um set com uma armação de metal e um revestimento de resina de fibra de vidro. Para criar essas paredes rebatíveis que permitissem o posicionamento das câmeras, 42 painéis entram e saem.


Jopling e o departamento de adereços decoraram, então, o interior com equipamentos de tanques reais. "Nós reunimos peças de vários entusiastas de tanques de todo o país para garantir que o interior tivesse uma aparência autêntica", comenta ele. "Tudo funciona como seria em um tanque de verdade. A área do posto ocupado pelo personagem “Bíblia”, em particular, é bastante complicada. Por exemplo, há nela um telescópio e ele precisa ser capaz de olhar através dele, o que requer um ajuste fino".


Os cineastas também encontraram uma solução criativa para a maneira com que o Fúria consegue carregar um projétil, disparar e ejetar a cápsula vazia. "O departamento de efeitos especiais criou um sistema de pistão que empurra o bloco em frente como numa arma real, e aí, retrai. O pistão empurra a cabeça para dentro da cápsula e a ejeta com uma nuvem de fumaça, o que cria a ilusão do disparo e da cápsula vazia sendo ejetada".


O tanque - que era um set móvel, que diariamente tinha de ser retocado e mantido como um veículo de filmagem - também se tornou uma segunda casa, até certo ponto, para os atores que interpretam a tripulação. "Quando estavam no acampamento de treinamento, eles treinaram o combate ao ar livre; mais tarde, porém, quando o Fúria se tornou disponível para eles, a gente não conseguia tirá-los de dentro dele", diz o supervisor das equipes de tanque, Jim Dowdall. "Eles imprimiram a sua própria marca nele. Começaram a viver e comer dentro dele. Entre os ensaios, em vez de desembarcarem, eles simplesmente ficavam todos acocorados lá dentro, de papo; eles conversavam e viviam como a tripulação de um tanque faria. Acredito que isso se reflita no filme – há essa familiaridade".


Jon Bernthal – como todos os atores – ficou muito apegado ao Fúria. "Dizem que não é o tamanho do lutador que importa, mas sim sua garra na luta. Esse tanque é casca grossa”, diz ele, descrevendo o blindado. “Não é o maior nem o mais forte – vocês deviam ver um Tiger! – mas é o que tem mais coração".


Logan Lerman acrescenta: "Ver os tanques, esses veículos de 70 anos de idade, em pleno funcionamento, foi uma visão e tanto".


Para Michael Peña, a realidade do treinamento para operar o tanque o ajudou a entrar no personagem: "Tivemos que treinar muito fora do tanque para garantir que todos nós saberíamos embarcar e desembarcar como soldados reais. A princípio, passar pela escotilha, que é só um pouco mais larga do que o seu corpo, já era um desafio", conta Peña. "Aí, depois de já ter feito isso centenas de vezes, você desenvolve sua própria técnica para entrar e sair. É a memória muscular".


Com tanta ação dentro e ao redor do tanque, a captação dos diálogos exigiu tenacidade e capacidade de resolução de problemas. Como fez com cada um dos chefes de departamento, Ayer enfatizou para a artista de mixagem de som, Lisa Piñero, que o realismo era fundamental – e eles, então, optaram por uma captação de áudio tão realista quanto possível, com aparência e som idênticos ao do equipamento original. Entretanto, havia dois obstáculos em seu caminho. Em primeiro lugar, para as cenas dentro do tanque, o equipamento original de comunicação não só tem 70 anos, como nunca foi concebido para sobreviver ao teste do tempo e não era capaz de captar som de alta-fidelidade, nem mesmo quando novo. Em segundo lugar, nas externas com os tanques, os blindados de verdade e até mesmo o veículo cenográfico eram tão barulhentos que abafavam absolutamente todo e qualquer outro som.


Piñero e sua equipe resolveram esses problemas de duas maneiras criativas. Primeiro, para obter uma aparência fiel à realidade, eles modificaram microfones vintage T-30 e microfones de mão T-17 - originais da guerra - com um novo material conector e adaptaram as caixas de comunicação no interior do tanque para receber um sinal de retorno de áudio de Piñero. Os adereços práticos poderiam agora ser usados como dispositivos de gravação verdadeiros.


Para as tomadas no exterior do tanque, os magos do departamento de som realizaram testes iniciais de posicionamento de microfones para descobrir quais microfones e marcações obtinham a melhor captação. Com o início das filmagens, muitas cenas envolviam um tanque em movimento que, em seguida, parava para um diálogo ou cena de batalha; nesses casos, a equipe de som enterrava centenas de metros de cabo de microfone sob uma camada de lama ressecada. Finalmente, a fim de captar qualquer diálogo abafado pelos tanques em movimento incrivelmente ruidosos, a equipe de som e os atores trabalharam em um caminhão dedicado que ganhou, posteriormente, um revestimento completamente à prova de som para as sessões de gravações adicionais de diálogos.


No filme, a coluna de tanques norte-americanos enfrenta sua ameaça mais mortal: um tanque Tiger alemão. "É o tanque de guerra supremo ", explica Menzies. "Um Sherman realmente tinha muito pouca chance contra um Tiger, fabricado para ser uma arma impiedosa".


Restam apenas seis Tigers do período, e o Tank Museum possui o único que se encontra em condições de funcionamento. "O Tiger 131 é um tanque muito importante", observa David Willey, o curador do museu. "O tanque que estamos usando se posicionou sobre uma colina na Tunísia, sendo atacado por tanques britânicos do 48º Regimento Real de Infantaria Blindada. Ele abateu, pelo menos, dois dos tanques de Churchill, mas foi atingido por outros - você pode ver as avarias nele. A tripulação alemã abandonou o tanque e, depois da guerra, ele foi entregue ao Tank Museum".


"Desde que o veículo foi capturado, em 1943, ele foi usado algumas vezes, mas nunca da maneira que usamos", diz Jim Dowdall, o supervisor da equipe de tanques. "Você precisa tomar muito cuidado com ele, porque o metal é antigo – temos que propiciar condições perfeitas para que o veículo sofra o menos possível".


Obviamente, os cineastas não correram nenhum risco de danificar o Tiger real. Por isso, para as tomadas em que o tanque é avariado, eles produziram uma cópia. O original foi medido, e o museu tinha todos os projetos da época. "Cortamos o tanque de aço de um quarto de polegada - é uma estrutura autossustentável", explica o desenhista de produção, Andrew Menzies. "Nós, então, a encaixamos sobre a base de um tanque menor e adicionamos as rodas através de efeitos visuais na pós-produção. Era muito importante para todos que a nossa cópia parecesse absolutamente correta, até nas porcas e parafusos usados na sua fabricação”.



SOBRE A PRODUÇÃO
Corações de Ferro (Fury) foi rodado ao longo de 12 semanas nos campos de Oxfordshire e na pista de pouso de Bovingdon, em Hertfordshire. Segundo o produtor John Lesher, inúmeras foram as conveniências práticas que atraíram a produção à Inglaterra. “Primeiro, eles têm uma base fantástica de técnicos, o que já é um bom começo”, afirma ele. “Mas há também uma profusão de recursos excepcionais na Inglaterra – tanques, veículos blindados, tanto alemães quanto norte-americanos. Finalmente, a luz na Inglaterra – aquele incrível esplendor do norte – e o clima que poderia bem se passar pelo da Alemanha. Por todos esses motivos, a Inglaterra se tornou o local ideal”.
Mas antes do início da produção, Ayer e sua equipe começaram um longo processo de pesquisa, investigando todos os aspectos da história – dos tipos de tanques que o Fúria enfrentaria ao tipo de artilharia e outras armas envolvidas nas campanhas de que suas tripulações teriam participado aos uniformes e estilos de cabelos.
“Tudo é uma reprodução exata até nas coisas mais ínfimas”, afirma David Ayer. “Até quando alguém na plateia nem percebe o que está vendo, quando tudo está correto forma algo coeso que equivale às imagens que já vimos em documentários e noticiários da TV. É isso o que eu busco”.
Segundo Ethan Smith, muitas vezes, a história cinematográfica ofusca a nossa visão de como foi, de fato, a Segunda Guerra Mundial. David Ayer voltou à fonte. "David discutia como no final de 1940, quando Hollywood começou a fazer filmes sobre a Segunda Guerra Mundial, optou-se por uma aparência limpa", diz Smith. "Ao David não interessava tomar como referência a história do cinema, mas a história real. Então, passávamos horas e horas assistindo aos filmes das Tropas de Comunicação, estudando detalhadamente como os homens caminhavam, como carregavam as armas, como atuavam em uma missão ou relaxavam à beira de uma estrada, e esse se tornou o modelo para o nosso filme”.
Além disso, Ayer e sua equipe tiveram a orientação de três conselheiros militares e quatro veteranos da Divisão Blindada da Segunda Guerra, que disponibilizaram para a produção seus conhecimentos e experiência.
Kevin Vance e David Rae foram os conselheiros militares primordialmente responsáveis por trabalhar com os atores para transformá-los em “tanqueiros” críveis. Entre outras funções, Vance e Rae criaram um acampamento de treinamento para os cinco atores principais.
Vance já tinha trabalhado anteriormente com David Ayer em Marcados Para Morrer (End of Watch), instruindo o elenco com relação aos mais diversos aspectos do policiamento comunitário. No set de Corações de Ferro (Fury), ele ajudou os protagonistas a mergulharem fundo na psicologia do combatente. Vance havia trabalhado durante 14 anos na comunidade de Operações Especiais dos Estados Unidos, tendo passado muitos anos em áreas de alto risco em todo o mundo; Rae serviu 23 anos no serviço militar britânico, muitos deles na divisão blindada do país.
Como parte de suas funções, Vance e Rae organizaram um acampamento de treinamento para os atores. "Nós queríamos que o elenco agisse e pensasse como um grupo. E funcionasse como uma tropa. Alguns elementos foram individualmente planejados visando uma maior competição e estresse, mas, em última análise, até o final do acampamento, eles deveriam ser interdependentes. Não apenas atuando, mas agindo em equipe", afirma Vance. "Cada elemento tinha um propósito. Até mesmo seus uniformes, armamento e as rações - tudo era muito básico para reproduzir aquela era. Eles também foram expostos às condições climáticas por uma semana, e com isso, tiveram uma pequena amostra do que a geração da Segunda Guerra Mundial enfrentou. Chuva, lama, vento - e privação de sono. Seis dias de pré-produção foram alocados para o acampamento de treinamento, e desses seis, os dois primeiros foram projetados para desestruturá-los mental e fisicamente - mantendo-os fatigados, doloridos e sem qualquer conforto. A partir daí, nós os reconstruímos todos juntos. Essa metamorfose foi crucial”.
O acampamento não era um trote - era necessário, de acordo com a Rae. "Eles precisavam ter esse vínculo", diz ele. "Ele precisa ser retratado na tela - você perceberia se ele não estivesse lá, porque uma guarnição cria um elo muito íntimo. O clichê é ‘não há hierarquia de posto dentro de um tanque' - todos nós sabemos quem é o chefe e conhecemos os limites que não devem ser ultrapassados, mas estamos muito, muito próximos uns dos outros. Você sabe tudo sobre o outro. Nós cuidamos uns dos outros. É uma fraternidade dentro de um tanque”.
Mas não era apenas uma questão de um vínculo emocional – os atores precisavam conhecer seus postos de combate no tanque como sabiam seus próprios nomes. “Você tem que conhecer as manobras. Quando a batalha começa, a memória muscular é acionada”, afirma Rae. “Seja em 1945 ou 2014, eles trabalham como uma engrenagem. A minha meta pessoal para o treinamento era garantir que eles parecessem cinco pessoas se deslocando numa mesma direção”.
“Nosso acampamento de treinamento foi obrigatório”, diz Pitt. Ele é cuidadoso ao observar as diferenças entre o treinamento dos atores e as agruras pelas quais os soldados passam em tempo de guerra – “nós éramos turistas”, afirma ele – mas apesar de ter sido apenas uma simulação, a experiência foi o mais próximo possível da realidade. “Nós pegamos no pesado: estávamos de pé às cinco da manhã, fazíamos duas horas de preparação física, instrução, trabalho em campo, circuitos, até o fim da tarde, comendo rações frias, dormindo na chuva – e alguém tinha que ficar de sentinela, com uma troca a cada hora. Ele foi projetado para nos desestruturar, para nos dar um gostinho das pequenas agruras, mas também para nos edificar quando nosso moral está no fundo do poço”.
O acampamento de treinamento foi inestimável, diz LaBeouf. "Tivemos a oportunidade de conhecer uns aos outros", diz ele. "Seis dias na mata, e você começa a conhecer um pouco mais os outros e o grupo se torna uma unidade mais coesa. Somos todos parte de algo maior do que nós mesmos e estamos fazendo aquilo em nome de muitos homens. Acho que o treinamento realmente nos fez olhar para a bandeira de outra forma; é um talismã, é algo religioso. É espiritual. É transcendente. Meu pai é um veterano, então, eu sempre tive muito respeito pela bandeira, mas ter ficado sentado lá naquela floresta com o Kevin e os rapazes me deixou muito emocionado”.
“O acampamento foi absolutamente vital para o processo", acrescenta Jon Bernthal. "Nós estabelecemos uma relação de verdadeira confiança com os demais... o que não acontece quase se trabalha apenas em um set de filmagem”.
O equivalente a Vance e Era do lado alemão foi Ian Sandford, um ex-paraquedista do exército britânico, que serviu como consultor militar alemão. Com um ávido interesse pela Alemanha durante a Segunda Guerra Mundial, ele aprendeu alemão sozinho para que pudesse ler manuais originais de treinamento; posteriormente, ele instruiu o elenco coadjuvante que interpreta as tropas alemães em manobras com o manuseio das metralhadoras.

SOBRE A FOTOGRAFIA
O diretor de fotografia Roman Vasyanov, que trabalhou anteriormente com o roteirista e diretor David Ayer em Marcados Para Morrer (End of Watch), comenta que este filme teve uma abordagem fotográfica bem diferente. Enquanto Marcados Para Morrer (End of Watch) foi inspirado pelo cinema ao estilo documentário, Corações de Ferro (Fury) seria muito mais clássico em seus métodos. “Após uma primeira leitura do roteiro, vi que não poderíamos usar câmeras portáteis”, afirma ela. “Teria de ser uma fotografia sombria e coreografada, com câmeras em carrinhos simplesmente seguindo a ação, sem trazer qualquer energia extra”.
Acrescenta o produtor John Lesher: “A gramática visual do filme é um cinema muito bonito e clássico. Nós optamos por empregar uma abordagem mais ao estilo de David Lean, uma abordagem cinematográfica simples, bela e clássica”.
Em termos de aparência, Vasyanov explica: "Eu queria fazer um filme muito naturalista e minimalista. Para mim, este filme é, antes de tudo, um drama e as outras coisas são secundárias. Eu não queria iluminá-lo em excesso nem fazer qualquer coisa extravagante com a câmera – ao contrário de um filme de ação. Este é provavelmente o filme mais minimalista que eu já fotografei e o minimalismo traz os desempenhos para o primeiro plano”.
Vasyanov explica que muitos filmes recentes da Segunda Guerra Mundial foram influenciados pelo famoso fotógrafo de guerra, Robert Capa, mas Corações de Ferro (Fury) tomaria outro rumo. " Escolhi para mim uma linguagem completamente diferente - é uma espécie de road movie", diz ele. "Quando vemos cenas reais da Segunda Guerra, você nunca vê um cinegrafista correndo com a câmera. Normalmente, ele é filmado com lentes panorâmicas. Às vezes, o plano geral conta a história melhor do que milhões de close-ups, só porque você pode sentir um aspecto diferente dessa loucura que é a guerra. Você pode sentir o silêncio”.
O filme inteiro foi rodado em película, e não digitalmente. "Eu sabia que a nossa palheta de cores seria muito restrita, e a película tem uma cor melhor", afirma ele. "Além disso, este seria um filme em cinemascope anamórfico. Fizemos alguns testes com a película, e obtivemos uma grande resolução, grandes contrastes e uma bela profundidade de foco. Foi a melhor maneira de capturar esta bela paisagem e os tanques em deslocamento”.
Um dos maiores desafios da Vasyanov era iluminar com autenticidade o interior escuro do Fúria. "Eu me sentei por algumas horas em um tanque de verdade, observando a escotilha para ver como a luz se comporta", conta ele. "Na maioria das vezes, o tempo está fechado e nublado, e por isso, o sol não atravessa a escotilha vazando para o interior do tanque. Então, criamos um sistema de LEDs, que colocamos no chão e prendemos às paredes. Trabalhamos com níveis muito baixos de luz, apenas o suficiente para obtermos o foco e a exposição”.
SOBRE O DESENHO DE PRODUÇÃO
O desenhista de produção Andrew Menzies foi encarregado de realizar a visão de Ayer para um filme com uma aparência autêntica. "Eu não diria que este filme era um projeto de criação; era mais uma reprodução história", afirma Menzies. "Para isso, praticamente todas as vinhetas do filme derivam de imagens levantadas nas nossas pesquisas. Entre as diversas imagens que realmente me marcaram quando eu estava fazendo a pesquisa, está a base do batalhão - me deparei com essas fotos de homens afundados na lama até os joelhos, lutando e puxando coisas e equipamentos pesados através daquele lamaçal. Eu percebi que realmente era a essência da guerra daquela época... grande parte da rotina diária envolvia lama, muito esforço e frio”.
"Como qualquer filme, o que importa é a atmosfera”, continua ele. E em Corações de Ferro (Fury), essa atmosfera pode ser resumida com uma palavra: a atmosfera é de lamaçal. "Queríamos o máximo de lama, sujeira e poeira possível", diz ele. "Nós acrescentamos lama e trouxemos toneladas e toneladas de barro para construir essa textura lamacenta do filme. A lama foi a cola que deu liga ao filme”.
O único local que tinha lama limitada foi o set da cidade alemã que Menzies construiu numa pista de pouso na Base Aérea de Bovingdon, em Hertfordshire. Menzies estudou as cidades alemãs para incorporar os detalhes arquitetônicos adequados - persianas, madeira e gesso - em sua construção.
As cenas da cidade alemã formam o ato central do filme e quebram por um momento o clima. É uma cidadezinha que permaneceu relativamente intocada pela guerra. "É a primeira vez que eles podem curtir e relaxar, e que os homens encontram álcool, alimentos e mulheres - eles realmente relaxam", diz Menzies. "Então, eu usei cores um pouco mais alegres na cidade - para esse momento de pausa no filme, você se sente numa trégua das agruras da guerra”.
O set da cidade alemã foi construído em 12 semanas. "David queria filmar a entrada nos tanques, então, planejamos a cena em torno da ação, dos tanques e dos franco-atiradores nas janelas. Nós terminamos numa praça, onde a maior parte da sequência é encenada. O tamanho da cidade foi influenciado pelo tamanho dos tanques; se tivéssemos feito uma praça muito pequena, aí os tanques pareceriam comparativamente ridículos”.
Um dos projetos mais incomuns de Menzies foi a serraria que queima continuamente durante a batalha das encruzilhadas no clímax do filme. “É uma construção bastante inusitada porque tinha que ter a aparência de um prédio de madeira, mas tinha que queimar continuamente enquanto filmávamos a cena da batalha ao longo de uma semana. E, claro, a queima tinha de ser controlada – tínhamos de ser capazes de ligar e desligar o fogo segundo nossas necessidades. Então, nós o construímos com aço e concreto. Parece um prédio de madeira, mas ele queimou ao longo de toda a duração das filmagens”.


SOBRE OS FIGURINOS
A fim de preservar o maior realismo possível, Ayer e sua equipe também realizaram uma extensa pesquisa sobre os uniformes militares da época para a criação dos figurinos do filme. “Estudamos muitos registros fotográficos e tivemos a sorte de contar com ótimas pessoas nos aconselhando sobre o que seria correto", diz Ayer. "Há uma quantidade incrível de detalhes nesses uniformes, porque enquanto os militares dos EUA, basicamente, usavam uniformes de trabalho, os militares alemães usavam fardas ajustadas feitas sob medida segundo as técnicas tradicionais da alfaiataria europeia; muitas eram confeccionadas à mão. Curiosamente, os alemães – sobretudo, os oficiais – lutavam tipicamente no que poderíamos chamar de uniformes de gala, cheios de medalhas”.
O figurinista Owen Thornton trabalhou em estreita colaboração com Ayer estudando exatamente o que era necessário. "Nós fizemos dois anos de pesquisas para tentar acertar no figurino e nos uniformes do período", diz ele. "Analisamos o inventário do que o soldado americano estaria usando em 1945. A Europa tinha acabado de passar por um dos invernos mais longos em 50 anos, de modo que o uniforme do soldado mudou drasticamente; ele estaria vestindo um sobretudo por cima de um casaco de campo, por cima de suéteres, por cima de camisas, por cima de roupas de baixo térmicas. Nós tentamos recriar a aparência de um soldado dormindo ao tempo, vivendo em tocas, comendo rações frias, sem se lavar nem se barbear durante meses”.
Para a pesquisa, Thornton afirma que eles abriram mão da história de Hollywood em favor de fontes originais. “Nós analisamos milhares de fotografias das Tropas de Comunicação – fotos originais da Segunda Guerra que eram muito específicas”, conta Thornton. “Começamos a partir de janeiro de 1945 e cobrimos até o final da guerra. Revisamos meticulosamente os arquivos da 2ª Divisão Blindada à procura de indivíduos que chamassem a nossa atenção nas fotografias”.
Apesar de dar a cada soldado sua própria personalidade em seu uniforme, Thornton diz que há uma grande consistência entre eles, com base nas pesquisas. "Ao final da guerra, o exército norte-americano parecia mais uma tropa maltrapilha", diz ele. "Suas roupas se assemelhavam aos uniformes de trabalho civis. Eles usavam muita espinha de peixe, uniformes folgados com tecido sobrando; suas jaquetas de campo eram feitas de lã, e assim, seguiam uma palheta de tons marrons. Por outro lado, se você olhar para o exército alemão do mesmo período, seus uniformes eram completamente diferentes; eles eram estruturados e ajustados ao corpo. O exército alemão empregava artistas cujo único trabalho era criar novos padrões de camuflagem, por isso, ao fim da Segunda Guerra, eles tinham pelo menos 35 padrões diferentes. Nós incorporamos o maior número que pudemos”.
Uma parte importante do trabalho da equipe de figurinos é fazer com que as roupas pareçam surradas, gastas e usadas. A isso, um figurinista chama de "breakdown". "O departamento de figurinos inclui uma equipe de desgaste - artistas de tecido que fazem com que uma peça de vestuário novinha em folha pareça ter passado por um ano de uso", explica Thornton. "Eles desbotam a cor e fazem com que os bolsos pareçam estar prestes a estourar. Eles rasgam o tecido e, em seguida, fazem remendos por cima daqueles rasgos. Fizemos isso em 350 uniformes norte-americanos e 350 uniformes alemães - cada um desses trajes é único, e cada soldado tem a sua própria história”.
Obviamente, a extensão de desgaste no uniforme de Norman Ellison é bem diferente da dos outros homens do Fúria. Enquanto os outros quatro tripulantes do tanque estão juntos há muitos anos, Norman acaba de se juntar à tripulação. "Nós não usamos de sutileza para deixar claro quem era o novato", diz Thornton. "Os outros caras estão cobertos de sujeira, graxa, furos, manchas e danos. São homens sujos e cansados. Criamos a sua aparência com muita sujeira e estragos, enquanto Norman chega com sua aparência jovial e fresca. Ele chega barbeado, tem um belo corte de cabelo e não tem sujeira nas unhas”.
Além dos figurinos militares, o roteiro de Ayer também exigiu que figurinos civis fossem confeccionados com o mesmo zelo e atenção aos detalhes. Com esse objetivo, Maja Meschede, a designer de figurinos civis, viajou a Berlim e alugou roupas confeccionadas nos anos 1930 e 1940. “Todos os itens – botões, ganchos e barras, os cadarços dos sapatos – tinham que ser daquela época”, explica ela. “O tecido da época possui muito mais textura e uma qualidade mais tridimensional do que qualquer tecido encontrado nos dias atuais”. Todos os figurinos que tiveram de ser confeccionados, como os vestidos de Irma e Emma, foram criados usando tecidos originais da época.


SOBRE MAQUIAGEM E CABELOS
Para o designer de maquiagem e penteados, Alessandro Bertolazzi, o primeiro passo foi guardar a maquiagem e brincar com lama. "Tínhamos montes de referências, mas não tínhamos ideia de como fazer com que funcionassem", conta ele. "Então, começamos enfiando os dedos na lama cenográfica e, em seguida, sujando os seus rostos. Não foi perfeito, mas foi o primeiro passo no sentido de esquecermos o conceito da maquiagem clássica”.
Ao criar o look, Bertolazzi buscou referências em artistas como Oskar Kokoschka, Francis Bacon e Egon Shiele. "O drama, a dor e o sofrimento são realmente perfeitos nestas pinturas”.
Bertolazzi passou um dia treinando a sua equipe de maquiadores para que esquecessem seu treinamento clássico de Hollywood. “"Eu acrescentava um pouco de marrom no rosto com um pincel, e depois começava a borrar tudo, aí respingava um pouco de sangue, e todos nós nos divertimos com isso", explica ele. "Há diferentes níveis de sujeira, por isso, o nível zero era um pátina leve e o nível quatro era para as pessoas que ficavam no acampamento de campanha, na lama e fumaça, durante semanas a fio”.

SOBRE A TRILHA
Para compor a trilha de Corações de Ferro (Fury), David Ayer convidou Steven Price, que no início do ano venceu o Oscar® com sua trilha para Gravidade (Gravity). Depois de ler o roteiro, Price sabia que teria uma oportunidade fantástica. “O roteiro era emocionante”, afirma ele. “David tem um dom para criar personagens: você sente que os conhece e quer conhecê-los ainda melhor logo no início do filme, que é um grande truque quando se consegue isso”.

 

Disposto a se envolver na produção desde o início, Price conheceu Ayer no set do filme, que estava sendo rodado não muito longe da casa de Price na Inglaterra. “Foi extraordinário – nós íamos nos aproximando, e eu já enxergava muita fumaça ao longe. Quando chegamos lá, eles estavam rodando tomadas panorâmicas de uma das grandes batalhas de tanques do filme. Não dava para ver as câmeras – parecia que ele estava realmente acompanhando um combate acirrado", relembra ele. "Eu me encontrei com o David e, a partir da nossa conversa, entendi o que ele pretendia fazer, e eu quis ser parte disso”.



 

“O filme mostra um pouco da guerra como ela ainda não foi retratada no cinema – as últimas semanas da Segunda Guerra. Há uma suposição errônea de que a experiência de um soldado nesse momento não teria sido tão intensa tão perto da vitória dos Aliados, mas a realidade é o oposto disso", continua Price. "Ninguém se rendia sem resistir. É uma história que não foi contada, e a forma como David a conta é autêntica, realmente emocionante e bonita”.

 

Segundo Price, Ayer é um daqueles cineastas que têm uma compreensão inata do que a trilha cinematográfica é capaz de fazer. “A principal recomendação que recebi do David foi que ele queria que o público sentisse”, explica ele. “E ele apontou para o próprio coração e o próprio estômago. Ele queria uma experiência gutural real para o público, que se sentisse como se estivesse passando por aquele inferno junto com os personagens, mas dentro disso tudo, você também sente a fraternidade entre eles e as belas relações que estabelecem”.



 

Deste modo, comenta Price, embora o filme tenha combates de guerra pesados, ele também leva o público numa viagem emocional enquanto os homens no tanque formam uma espécie de família. "O filme é sobre essa família - eles tinham enfrentado três ou quatro anos das experiências mais terríveis, e o filme mostra como estavam lidando com isso. David e eu conversamos sobre a psicologia dos personagens e criamos referências para esse ponto em que se encontram nesse momento das suas vidas”.

 

Assim como fez em Gravidade (Gravity), onde Price incorporou com frequência os sons das ondas do rádio na trilha, o compositor foi capaz de encontrar uma voz única para a trilha de Corações de Ferro (Fury), utilizando instrumentos incomuns e não convencionais numa fusão com as trilhas orquestral, coral e solo ouvidas ao longo da produção. Neste filme, ele teve acesso às gravações feitas no set, e mais tarde, armas, chapas de identificação e partes do tanque foram levadas ao estúdio como equipamento de percussão. “Eles captaram sons no momento da filmagem – como cápsulas vazias caindo no chão do tanque – que eu isolava e manipulava para incorporá-los como parte dos sons ambientes inerentes à trilha”, explica ele. “Quando chegamos às sessões finais, tivemos também ao nosso dispor uma seleção dos adereços originais usados no filme. Eles foram levados para o estúdio, na Abbey Road, e eu usei aquilo tudo na criação de alguns dos elementos da percussão da trilha. Parecia que os elementos da trilha surgiam a partir dos recursos visuais e extrapolavam a história. Era isso o que eu queria fazer - extrair elementos da qualidade das imagens e da visão do David e inseri-los na música. Quando começo a compor para um filme, eu gosto de pensar sobre como posso tornar a música o mais distintiva possível e criar a sensação de que ela não poderia pertencer a nenhuma outra história”.



 

Não que alguém espere que os espectadores reconheçam esses sons, diz Price. “Muitas vezes, você nunca vai ouvi-los como o que são, mas o primeiro som no filme é, por exemplo, o som das chapas metálicas de identificação dos soldados, numa velocidade absurdamente lenta. Está, basicamente, irreconhecível, mas de alguma forma dá uma qualidade melancólica e adequada à abertura do filme”.

 

Price também fez uso pesado de um coral, muitas vezes recitando e cantando em alemão. "A ideia era que, enquanto os personagens deveriam estar ganhando a guerra, na verdade, eles estão no meio da Alemanha nazista, cercados. Queríamos criar uma sensação de grande instabilidade - toda a partitura dá uma sensação de se estar em perigo. Então, usei o coral de maneiras diferentes - às vezes, como um grupo, às vezes, solo, usando o microfone a uma curta distância. Ele é esta presença constante, essa influência subjacente de uma escuridão inquietante”.



 

Os dois temas principais do filme, é claro, são os temas ligados a Wardaddy e Norman, uma vez que grande parte do filme gira em torna do relacionamento entre eles. “Esta é uma trilha muito temática. David sempre explora as relações entre os personagens ao escrever seus roteiros, e isso me permitiu ver como os temas se combinavam entre si à medida que descobrimos mais sobre eles”, explica Price. “Os primeiros temas que ouvimos no filme são os motivos ligados a Wardaddy – o seu tema, de início, é bastante contundente, musicalmente, mas ele se desenvolve ao longo do filme à medida que o conhecemos melhor. Norman, por outro lado, começa como um personagem muito oprimido e assustado, com um tema que muda continuamente sem se fixar. À medida que o filme avança, ele ganha força, assim como o seu tema. Na verdade, os temas evoluem gradualmente ao longo do filme. Uma grande parte do trabalho neste filme foi reduzir os temas aos seus elementos mais básicos, encontrando as combinações que realmente resultavam em algo, do ponto de vista emocional”.



 

E Price conclui, comentando sobre sua obra: "A ideia da mecanização em massa da guerra foi fundamental para todo o filme e para mim - a trilha prossegue dessa forma pesada e mecanizada. Eu fui muito cuidadoso em lhe dar uma cadência pesada e uma sensação nítida de avanço". Mas, segundo ele, é também uma trilha que capta a beleza das relações entre os personagens. “Mesmo contendo toques orquestrais grandiosos, ela inclui também diversos trechos muito intimistas”, explica ele. “Eu gravei muitos solos com violoncelos e violas, e também cantores solistas. E, muitas vezes, a trilha vai de momentos delicados e puros a sons orquestrais primordiais. Nós contrastamos constantemente os seres humanos com esse mundo mecanizado no qual estão inseridos”.



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