Carolina Monteiro "Time to Build and Aggregate Fluctuations"



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Seminário de Economia I

Licenciatura de Economia

Carolina Monteiro
“Time to Build and Aggregate Fluctuations” by Finn E. Kydland and Edward C. Prescott: Análise sobre os Ciclos Económicos e as suas implicações nas Políticas Económicas.

Kydland & Prescott (1982), vencedores do Prémio Nobel das Ciências Económicas de 2004, viram os seus nomes reconhecidos devido aos seus trabalhos no âmbito da Macroeconomia Dinâmica, que “não só revolucionaram a pesquisa econômica, como também influenciaram profundamente a prática da política econômica em geral, e da política monetária em especial” (in Nobelprize.org - http://nobelprize.org/nobel_prizes/economics/laureates/2004).


Foram dois os ensaios que escreveram em parceria, ambos citados pela Acedmia Sueca, e que vieram revolucionar, contrariando a teoria Keynesiana predominante entre os economistas da altura, a forma como as políticas económicas e as causas dos ciclos económicos passaram a ser formuladas (Academia Sueca, 2004 - http://nobelprize.org/index.html). O primeiro dos dois ensaios intitulado “Rules Rather than Discretion: The Inconsistency of Optimal Plans”, foi publicado em 1977 no Journal of Political Economy. O segundo ensaio, “Time to Build and Aggregate Fluctuations”, apareceu em Econometrica, em 1982.
Kydland & Prescott (1977), conclui que as decisões políticas (no caso concreto das Autoridades Monetárias) planeadas como óptimas, ou potencialmente óptimas, não o são, regra geral, vítimas de incoerência ao longo do tempo. Com isto querem dizer que as decisoões políticas sendo óptimas não são uma solução, ou sendo uma solução são apenas potencialmente óptimas, já que os agentes são racionais. Para exemplificar esta situação dão, no seu ensaio, um exemplo baseado nos seguros contra as inundações. Este exemplo refere que nenhum Governo estará disposto a subsidiar seguros contra inundações em àreas que tenham grande propensão a isso (seria um incentivo à construção nesses locais); no entanto, se não interfere financeiramente nos seguros referidos, e, num momento seguinte, presta ajuda monetária às vítimas de uma inundação, as pessoas passarão a contar com esse apoio financeiro e a construção nesses locais continuará a acontecer. A solução é, portanto, proibir a construção em locais com grande propensão a inundações.
O ensaio, veio assim, defender a ideia de coerência em relação às políticas adoptadas de longo prazo, por contrapardida das decisões que são tomadas, a nível político, no presente para a resolução de problemas imediatos. Segundo os autores, cabe aos Bancos Centrais a escolha e definição dos objectivos de longo prazo, devendo interferir muito pouco na estabilização/redução do desemprego ou na estabilização da procura a curto prazo. A influência que este ensaio teve nas políticas económicas seguidas a nível mundial foi de grande amplitude, sendo que hoje em dia a grande maioria dos Bancos Centrais em todo o mundo segue os princípios defendidos por Kydland e Prescott.
É, no entanto, sobre o segundo ensaio que este texto pretende analisar com mais atenção.
Kydland & Prescott (1982) veio contrariar a teoria keynesiana com a observação de que os choques do lado da oferta eram os verdadeiros causadores dos ciclos económicos, e não, como defendia a teoria keynesiana, os choques resultantes da procura agregada. Tornou-se numa das contribuições mais importantes na revolução que a teoria das expectativas racionais veio trazer à teoria económica.
Segundo a teoria keynesiana, uma economia que tivesse um bom funcionamento estaria imune aos ciclos económicos, não passando por períodos de inflação ou de desemprego elevado. A existência de ciclos implicava que a economia não fosse bem.
Este ensaio veio mostrar que os choques do lado da oferta (tais como desastres naturais) eram os grandes responsáveis pelos ciclos económicos numa economia com um bom desempenho. Segundo os seus estudos, os ciclos económicos não eram, assim, a consequência de uma economia com um mau desempenho. Esta constatação veio trazer uma nova visão dos legisladores sobre os ciclos económicos.
Para além de mudar a forma como os ciclos económicos eram encarados, Kydland & Prescott (1982) introduziu também uma nova técnica, alternativa ao método tradicional de análise de dados numa economia, a “Quantitative Theory”. Uma nova metodologia em que os macroeconomistas poderiam avaliar os modelos de forma quantitativa e que veio demonstrar que era possível utilizar modelos formais abstractos na discussão de problemas do mundo real, para além de quantificar o que se passava no modelo.
O ponto de partida de autores foi o facto de que a economia norte-americana crescia, nos últimos 100 anos, a uma taxa anual média de 2%, passando-se o mesmo com muitas outras economias ocidentais. Daqui formularam a hipótese de que a tecnologia poderia ser uma determinante das flutuações económicas, não só a curto prazo, mas também a longo prazo.
Assim, o modelo utilizado era composto pelas seguintes variáveis e condições:

  • O tempo é uma variável discreta e contínua (0, 1, 2, …);

  • Consumo: ct + it = yt;

  • Capital: kt+1 = (1 −δ)kt + it;

  • Função Produção: yt = f (zt, kt, lt);

  • Preferências do consumidor no presente: E[∞Xt=0βtu(ct, 1 −lt)], onde lt é o tempo gasto a trabalhar;

  • RO do consumidor: ct + kt+1 = (1+rt −δ)kt + wtlt, onde w t é o salário;

  • Trade-off entre salário (w) e tempo gasto a trabalhar (l).

Kydland &Prescott (1982) assumiu apenas um tipo de tecnologia, decorrente da função produção, e com base nas entradas de capital e de mão-de-obra. O avanço tecnológico é então contabilizado através do “Resíduo de Solow”, com base nesse crescimento de inputs. No entanto, isto implicava grandes valores residuais e variações ao longo do tempo, pelo que foi necessário assumir um padrão de desvio dos choques tecnológicos na mesma grandeza.

A demonstração do modelo feita por Kydland e Prescott pode ser resumida da seguinte forma:


  • Pressuposto: Economia fechada com concorrência perfeita

    • Choque positivo tecnológico

Este choque vai originar um aumento da produtividade, o que leva a um aumento dos salários; por sua vez, este aumento dos salários leva a um aumento da preferência de horas de trabalho em detrimento de horas de lazer, pelo que vai ocorrer um aumento do tempo total dedicado ao trabalho. Estes dois factos vão, então, contribuir directamente para um aumento da produção, que levam a um aumento do Output (y) da economia.

No entanto, a tecnologia assume um valor pré-determinado para o período t; pelo que se o choque tecnológico já tinha sido previsto, poderia ter ocorrido já, em t-1, um aumento do investimento que leva, por efeito indirecto, a um maior aumento da produção em t e, consequentemente, a um reforçar do aumento do Output da economia (y). Este efeito indirecto vai ter um maior impacto quanto menor for a preferência dos consumidores por consumo no presente e quanto maior for a longevidade esperada do choque.

Este mecanismo, descrito por Kydland & Prescott (1982), veio permitir a fuga ao “mecanismo dos preços” no cálculo do equilíbrio de mercado. Assim, passou a ser possível calcular as quantidades óptimas de equilíbrio directamente.

Para além disso, formula um modelo teórico facilmente mensurável, assenta na estimação de parâmetros proveniente de dados diferentes dos dados que se pretendem explicar. É uma teoria ambiciosa, na medida em que tenta encontrar um comportamento humano constante e previsível que possa explicar comportamentos económicos numa grande variedade de situações. Assim, na prática, um dos maiores focos deste estudo foi a reconciliação entre as séries de dados temporais e as séries de dados “multi-temporais” (cross-sectional data) e a análise integrada do crescimento económico ( longo-prazo) e os ciclos económicos (curto-prazo).


“Time to Build and Aggregate Fluctuations” veio desenvolver um método eficaz e prático de derivação das implicações quantitativas da teoria do crescimento económico na teoria das flutuações provocadas pelos ciclos económicos. Graças a esta análise, a eliminação da influência dos ciclos económicos deixou de ser vista como um objectivo da política económica. É hoje incondicionalmente aceite que o problema económico se centra numa flutuação eficiente, e não na “não existência” de qualquer flutuação.

Bibliografia:


  • Hoover, Kevin D. (1992); “Introduction”, The new classical macroeconomics I, pp. 11-23. Edward Elgar Publishing;

  • Sargent, Thomas J. and Wallace, Neil; University of Minnesota; “Rational” Expectations, the Optimal Monetary Instrument, and the Optimal Money Supply Rule;




  • Finn Kydland and Edward Prescott’s Contribution to Dynamic Macroeconomics: The Time Consistency of Economic Policy and the Driving Forces Behind Business Cycles (2004); by Advanced information on the Bank of Sweden Prize in Economic Sciences in Memory of Alfred Nobel;




  • http://levine.sscnet.ucla.edu/general/kp.htm

  • http://nobelprize.org/nobel_prizes/economics/laureates/2004

  • http://nobelprize.org/index.html

  • http://www.wharton.universia.net/index.cfm?fa=viewfeature&id=881&language=portuguese


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