Bendito destino novela de Patrick Marques


CENA 79. CASA LAURA. QUARTO LAURA. INT. DIA



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CENA 79. CASA LAURA. QUARTO LAURA. INT. DIA.

Laura entra em seu quarto, deixando a porta aberta. Ela para instantaneamente ao ver algo encima da cama: o cão Sanguinário, dormindo. Laura paralisada; olhos arregalados. Thiago fecha a porta do quarto dela, deixando-a junto com o cão. Laura corre até a porta para abri-la. Não consegue! Se vira para o cão, está dormindo. Laura está muito nervosa, fala baixinho.

LAURA — Vocês estão malucos! Me tirem daqui! Me tira daqui!

Alternar com CORREDOR/INT. Thiago, Bruna e Manu acabam de trancar Laura dentro do quarto.

MANU — Agora, tu vai aprender o que é bom!

LAURA — (off/baixinho) Me tira daqui! Abre essa porta... esse bicho vai acordar! Por favor...

THIAGO — A gente abre. Abre sim! Só tem que confessar tudo!

LAURA — Abre essa porta!

BRUNA — Não! Só vamos abrir a porta se tu confessar!

MANU — Confessa!

LAURA — Confessar o quê? (o bicho contínuo dormindo) Por favor, gente... esse bicho vai me matar!

MANU — Confessa que era isso que tu queria que ele fizesse comigo! Confessa, Laura!

LAURA — Ssshhh... não grita, pelo amor de Deus! Eu faço o que quiserem, mas abre essa porta...!

MANU — Confessa...!

Revelar um gravador encima do armário ao lado de Laura.

LAURA — Fui eu! Fui eu, droga! Eu trouxe esse cachorro pra casa para que ele te matasse, fui eu! Eu matei seus pais Manu, eu matei aquele desgraçado do Freja, eu matei a empregada intrometida dos Piccoli, a amiguinha ridícula do Thiago, eu mandei sequestrar aquele retardado dos Schneider, fui eu! Tudo! Tudo fui eu! Era isso que vocês queriam ouvir? Agora, abre essa porta, pelo amor de Deus...!

Eles abrem a porta, Laura sai correndo esbarrando nos três. Os três riem. Thiago, Manu e Bruna entram no quarto. Pegam o gravador, e saem. O cachorro continua dormindo, como se nada aconteceu.

Corta para:

CENA 81. DELEGACIA. FRENTE. EXTERIOR. DIA.

Cato mais alguns homens estão saindo da delegacia indo em direção das viaturas.

CATO — Já ligaram para nós. Ela está em casa!

Glória aparece na frente do delegado.

GLÓRIA — Delegado! Consegui chegar em tempo!

CATO — Eu continuo achando que não é uma boa ideia!

GLÓRIA — Já falamos sobre isso! É importante que tenha certeza que a Laura vá presa dessa vez! Eu preciso olhar na cara dela o arrependimento!

CATO — A senhora que sabe.

GLÓRIA — Eu vou no meu carro. Sigo vocês!

Os policiais entram nas viaturas e saem em disparada. Glória suspira e vai para o seu carro.

Corta para:

CENA 80. CASA LAURA. SALA. INTERIOR. DIA.

Laura termina de descer a escada.

LAURA — Malditos! Três pestes! Três pragas! É isso que vocês são! Demônios!

Manu, Thiago e Bruna descem a escada.

MANU — A peste, a praga e o demônio aqui não é a gente! É tu. Uma psicopata desgraçada! Lixo!

LAURA — Adiantou eu confessar alguma coisa, seus idiotas? Tudo o que eu disse, vocês já sabiam! Sabe por que quê vocês nunca vão chegar aos meus pés? Sabe?

MANU — Laura.../

BRUNA — Não, não, Manu! Deixa, deixa ela falar o porquê que nós nunca vamos chegar aos pés dela. Deixa.

LAURA — Porque vocês não tem inteligência! Não tem. São três antas! Anta 1, 2 e 3! Vocês três! Mesmo eu podendo falar a verdade, mesmo esfregando na cara de vocês tudo o que fiz vocês não podem fazer (ênfase) nada! Chega ser ridículo!

THIAGO — É..? O que mais Laura? Vai falando.

LAURA — Quê que foi idiotinha? Que foi? Eu só estou falando a verdade. Incompetentes! Todos os três!

Corta para:



CENA 82. PORTO ALEGRE. RUAS. INTERIOR. DIA.

Os carros da policia correndo nas ruas de Porto Alegre, o carro de Glória correndo atrás dos mesmos.

Corta para:

CENA 83. CASA LAURA. SALA. INTERIOR. DIA.

Continuando a cena 81. Laura discutindo feio com os três. Falas atropeladas.

LAURA — Nada que vocês façam contra mim, que eu não estou dois, três passos à frente! Porque em vocês reina a burrice! Chega me dá vergonha de ter vocês como inimigos! Aquela piadinha ridícula que vocês fizeram lá em cima foi de uma estrema ignorância. Aquele animal poderia ter me matado.

MANU — Pena que não matou.

LAURA — Iam continuar vivendo numa boa tendo a minha morte na cara de vocês?

BRUNA — Depois de uma boa gargalhada valeria muito a pena.

LAURA — (quase ataca) cala essa tua boca vagabundinha, eu deveria ter feito isso contigo! Que um carma!

MANU — Fica na tua, Laura... eu tô por aqui contigo. Depois que tu me fez passar essa noite, eu tô... olha, eu tô com a minha mão coçando!

LAURA — Ah-ah! Mas era só o que faltava. Não, não faltava mais nada mesmo. Eu ter que ouvir um troço desses! (rir)

MANU — (avança) Olha aqui tu não brinca comigo, não, vagabunda!

THIAGO — (segura-a) Calma!

MANU — Eu te meto a mão! Eu parto essa tua cara!

LAURA — Que isso? Mas o que é isso? Agressiva! Vem! Vem. Eu quero ver... olha aqui, guria, tu não é mulher suficiente pra mim!

MANU — Vamos vê! Vamos vê!

LAURA — Com uma bofetada minha, tu cai três vezes! Experimenta! Larga, larga ela! Quero ver!

MANU — assassina desgraçada! Piranha do inferno!

LAURA — Ah, me poupe! Me poupe. Segura o teu BO aí. Quê que é? Fica me tirando pra dois e oitenta! Não.

MANU — Graças a Deus de hoje ela não passa. Olha, graças a Deus, mesmo!

LAURA — Eu quero saber como é que vocês vão fazer para tirar aquele bicho de... como é? Que quê cê falou?

MANU — Piranha.

LAURA — Não, eu não ouvi direito. Falou que eu...

MANU — Vagabunda! Piranha! Nojenta! E espero depois de hoje nunca mais ver a tua cara.

LAURA — (pensativa) porque isso? Que história é essa? ... Tô sentindo... cêis estão muito estranhos... Tem alguma coisa aí.

BRUNA — Do que tu tá falando, bruxa? A única coisa estranha aqui é tu!

LAURA — Não, bebês, a titia Laura não nasceu ontem.

Eles se entrem olham, Laura percebe.

LAURA — (cont.) vocês tem que comer muito arroz com feijão pra me enganar. Eu sei... chega ser, chega ser tangível tamanha desconfiança minha... Eu não vou ficar aqui pra descobrir o que é... não mesmo.

Laura dá as costas, indo em direção à porta. Bruna cutuca Thiago.

BRUNA — Faz alguma coisa!

THIAGO — Laura.

Laura abre a porta. Dá de frente com Glória. Surpresa de Laura.

LAURA — Glória?

GLÓRIA — Olá!

LAURA — Que quê tá acontecendo? Não tô entendendo nada. Isso faz parte do planinho de vocês? O que tu tá fazendo aqui, Glória?

GLÓRIA — Calma. Não fica nervosa, apesar de ter motivo para isso. Eu não vim sozinha. Trouxe uns amiguinhos meus.

LAURA — Amigui...

Glória entra, vai para o lado. Entra delegado Cato acompanho com mais três policiais. Clima muito tenso para Laura. Ela se afasta deles.

LAURA — (nervosíssima) Que isso? Que palhaça... que isso? Vocês..? Minha casa... vocês não podem... me cercando, me cercando... quê que é isso?

THIAGO — A casa caiu, Laura!

BRUNA — Finalmente chegou o dia que todos estavam esperando.

MANU — Eu muito mais que todos!

GLÓRIA — A justiça está sendo feita!

LAURA — Eu sinto muito, mas não estou entendo!

GLÓRIA — Explica pra ela, delegado! Explica!

CATO — Laura de Almeida Barroso, a senhora está presa por tentativa de homicídio, sequestro relâmpago, cárcere privado, formação de quadrilha e por homicídios confessos!

Reação em Laura. Ela fica seria. Ela olha para todos, cada um há seu tempo. Fundo musical sinistro. Ela olha Glória por último, e Glória está com um sorrisinho nos lábios.

LAURA — Só por isso? Hum!

GLÓRIA — Ainda acha pouco?

LAURA — tem que haver provas. Provas concretas de tudo!

CATO — Na delegacia a senhora vai ver que nós temos provas suficientes do sequestro que a sua quadrilha armou.

LAURA — desgraçados...

MANU — Não só provas do sequestro, temos dos assassinatos que ela cometeu.

THIAGO — Todos confessos! Bem aqui. Neste gravador.

LAURA — Gravador?

BRUNA — O cachorro que está dormindo lá em cima, Laura, não está dormindo. Está sedado!

LAURA — Sedado... o cachorro estava sedado?

BRUNA — isso que cê ouviu. A gente sabia que tu ia se borrar de medo ao ficar presa com o cachorro no teu quarto, e ia acabar confessando tudo para sair de lá!

LAURA — Filhos de prostitutas...

MANU — E tu, que se diz tão esperta, caiu como uma patinha.

Thiago liga o gravador.

GRAVADOR — (off/voz de Laura) Fui eu! Fui eu, droga! Eu trouxe esse cachorro pra casa para que ele te matasse, fui eu! Eu matei seus pais Manu, eu matei aquele desgraçado do Freja, eu matei a empregada intrometida dos Piccoli, a amiguinha ridícula do Thiago, eu mandei sequestrar aquele retardado dos Schneider, fui eu! Tudo! Tudo fui eu! Era isso que vocês queriam ouvir? Agora, abre essa porta, pelo amor de Deus...!

THIAGO — Chega por aqui.

MANU — Os idiotas ignorantes que tu disse que somos acabaram de te pegar, Laura!

Laura ouviu tudo calada, ri.

LAURA — Tudo bem. Conseguiram. Venceram. Eu me rendo. Não vou resistir. Tô... cansada. Eu vou. Eu vou para minha colônia de férias. Vou passar um tempinho por lá; dar um tempo de vocês. Lá, eu vou comer, beber, dormir, tudo de graça. Vou ter bastante tempo para refletir tudo que eu fiz, e não fiz, e o que deveria muito ter feito. Eu só tenho uma coisa para dizer para cada um que está aqui nesta sala. Uma coisa que cada um de vocês não sabe. E vou começar contigo Thiago. Aquela mulher que eu matei na sua sala, como era o nome dela mesmo? Não consigo me lembrar.

THIAGO — Venina. Minha melhor amiga, que tu matou com aquela bomba.

LAURA — É isso que tu não sabe... se te serve de consolo, ela não morreu na explosão. Eu matei ela antes. Com uma impressora na cabeça! (rir)

THIAGO — desgraçada... nojenta... assassina do inferno!

LAURA — (terminar de rir) Calma... calma... não fique nervoso. Agora, ela está bem onde está. Bruna! Eu não vou falar nada. Só que... tu terá uma grande surpresa que eu preparei, aliás, duas grandes surpresas!

BRUNA — Do que cê tá falando?

LAURA — surpresa... pena que eu não vou estar aqui para ver a sua linda carinha. Agora.. quem? Quem? Quem? Manu! Manu, enteada adorada!

MANU — pro inferno.

LAURA — Não... não quero me juntar tão cedo com seus pais! Melhor deixar isso para mais tarde. (vira-se para Glória) Glória! Tão feliz, né?!

GLÓRIA — Fale o que quiser, Laura. Tudo que tu me falar vai entrar nesse e sair por esse.

LAURA — Eu sei que tu sabe fazer isso muito bem. Deixa eu te contar como nos conhecemos. Eu sou prima da Wanessa. Wanessa essa que tu não conhece, mas pode perguntar a elas, elas vão saber te responder.

GLÓRIA — pouco me importa quem é Wanessa. Por favor, delegado, pode levar ela e/

LAURA — (corta) Calma, calma... eu vou. Deixa eu concluir, por favor, a história é boa. Segura aí! É boa. Eu garanto. Então, Wanessa é minha prima. Foi através dela que eu conheci um homem. Ela tinha um caso com esse homem, só que esse homem era casado. Olha só, casado. Vê se pode! Não podia deixar barato. Eu chantageei os dois. Eles me deram uma boa grana, mas eu queria mais. Decidi conhecer a corna. Eu segui ele a mulher até um restaurante. Esperei a oportunidade certa para falar com ela, e falei. Viramos boas amigas, eu comecei a frequentar a casa dela, ele me descobriu lá, mas não podia falar nada porque estava com o rabo preso comigo. Deu uns acontecimentos aqui em casa e eu tive que vazar, precisava de um lugar... e não é que a tonta me acolheu?

GLÓRIA — (incrédula) Não, não... mentira.

LAURA — Quando ela me descobriu... bom, eu acho que o resto dessa história, tu já deve saber.

GLÓRIA — Isso não é verdade. O Odair é fiel, ele tripudia infidelidade.

LAURA — Foi graças ao Odair que tu me conheceu. Agradece a ele todo o bem que eu fiz a tua família e/

CATO — Chega! Chega! Vamos embora... levem ela daqui!

Laura começa a rir. Os policiais algemam-na.

LAURA — (rindo) (ao Thiago) Tchau, detetivizinho! (a Bruna) Tchau, das crota! (p/ Manu) Tchau, lagartixa sem rabo! (para Glória) Tchau, guampuda! Eu vou para as minhas férias! (para o alto da escada) Tchau, Wesley! Me espera aí querido! Esquenta o meu lado da cama, quando eu voltar e nós matarmos a saudade! (sendo levada) Tchau, pessoal! Foi um prazer enorme estar com vocês! Tchau! (off) Tchau!!

Eles levam-na. Glória vai para um canto, pensativa. Bruna e Thiago se abraçam. Manu vai até Glória, cismada.

MANU — Glória! Não leve a sério. Ela falou todas aquelas coisas só pra irritar a gente. Tudo o que ela fala não levamos a sério. Se a gente levasse a sério a gente pirava. Ela inventa muita coisa.

GLÓRIA — (tempo) Quem é Wanessa?

Corta para:

4º INTERVALO COMERCIAL

CENA 84. CASA LAURA. SALA. INTERIOR. DIA.

Continuação da cena anterior. Glória está curiosa, Manu responde.

MANU — Que eu saiba, se for quem eu estou pensando: Wanessa é a prima da Laura. Eu vi elas poucas vezes. Mas não pense nisso, só pode ser tudo invenção da/

GLÓRIA — Tudo bem, Manu! Fica tranquila, eu não acredito. Mas mesmo assim, eu preciso... preciso, sei lá... pensar. Pensar um pouco. Eu vou embora.

Corta para:

CENA 85. CASA LAURA. FRENTE. EXT. DIA.

Laura está algemada diante do camburão, com o porta-malas aberto. Cato está presente. Laura reclama.

LAURA — Ah, não... gente, gente... não, né?! Por favor, aqui atrás de novo? Não. Aqui é desconfortável. Pelo menos, olha estou indo numa boa. Pelo menos, me deixa ir no banco de trás. Aí, aí dói minhas costas. Que isso? E os nossos direitos humanos? Cadê?

CATO — Quem disse que tu tem escolha, minha filha? Entra aí, calada!

LAURA — Sacanagem. Sacanagem! Eu vou reclamar com meu advogado. (entrando) Minha dor nas costas. Vou dizer que foi culpa tua. É. Sacanagem. E esse troço apertado. Apertou essas algemas de mais, viu cabeçudo?! Falta de profissionalismo.

Fecham a porta. Glória sai de dentro da casa, vê Laura dentro do camburão. O carro arranca e Glória dá um ‘tchauzinho’ sínico. Laura faz uma careta, e final de chifre na testa com as mãos. Glória se vira.

GLÓRIA — Essa peste não incomoda mais.

Corta para:

CENA 86. CASA LAURA. SALA. INTERIOR. DIA.

Estouro de uma garrafa de espumante. Thiago acaba de estourar! Animação de todos. Abraços!

BRUNA — Finalmente derrotamos ela!!

MANU — parece um sonho!

THIAGO — A justiça chegou tarde, demorou, mas chegou!

MANU — brinde! Brinde! Vamos brindar!

BRUNA — As taças! As taças da mocreia! Pega! Pega... serve. Serva...

MANU — Isso, isso! Ela nunca deixou ninguém mexer nessas taças! Isso... vamos brindar! E tacar essas taças na parede! Não quero nada que lembre aquela piranha dentro dessa casa!

BRUNA — Pega aqui, Manu. Isso. Isso mesmo! Agora é vida nova! Vida nova, sem aquela desgraçada!

MANU — Com certeza! Vou poder finalmente reatar meus estudos! E começar a trabalhar, ter minha vida de volta!

BRUNA — ai, gente! Brinde! Não tô nem acreitando!

THIAGO — Vamos brindar a nossa uma vida nova se a Laura!

JUNTOS — (brindam) Vida nova!!

Risos, todos contentíssimos.

Corta para:

CENA 87. PORTO ALEGRE. RUAS. EXTERIOR. ANOITECER.

Imagens do por do sol, com uma música animada vinda da cena anterior.

Corta para:

CENA 88. APART GLENDA E PEDRO. QUARTO. INT. NOITE.

Glenda acorda, espreguiçando. Sente a falta de Pedro na cama.

GLENDA — Pedro?! Pedro!!

PEDRO — (saindo do banheiro) calma, calma... tô aqui.

GLENDA — Ai, meu amor. Que susto! Achei que cê tinha ido embora. Ai, eu dormi tanto. Já é noite. Há muito tempo eu não dormia assim tão bem, contigo do meu lado!

PEDRO — Pois é. Eu nem fui trabalhar para ficar aqui com você. Fiquei preocupado com o que você fez ontem.

GLENDA — Não! Não vamos pensar nisso. Vamos esquecer o que passou. O que importa é tu estar comigo, aqui... de novo. Como sempre, na nossa casinha! (abraça-o) Só Deus sabe o quanto eu senti a sua falta Pedro.

PEDRO — Eu... eu imagino.

GLENDA — (sentiu) que foi, Pedro? Tô te sentindo estranho. Que foi?

Entrar no quarto Antero e Cybele.

GLENDA — Mãe? Pai? Que vocês estão fazendo aqui?

CYBELE — Oi.

GLENDA — Eu não... mãe, tá chorando? Pai, que tá havendo? Pedro...?

Entram dois enfermeiros, fortes.

GLENDA — Quem é essa gente?

PEDRO — Glenda, vai ficar tudo bem. Viu? Calma.

GLENDA — Calma, como calma? O quê que tá acontecendo?

PEDRO — Nós vamos te levar para uma clínica, você vai ver.

GLENDA — (alterada) Não! Clínica! Eu não sou louca! Pedro! Pedro, eu te amo! Não faz isso comigo!

Os enfermeiros ajudam a segura-la. E já sedam-na.

CYBELE — (chorando) vai ficar tudo bem, filha! Calma! (abraça-a Antero)

ANTERO — Eles vão cuidar de ti, minha filha.

GLENDA — Não! Não... eu não sou louca. Não sou...

Glenda apaga.

Corta para:

CENA 89. CASA SCHNEIDER. SALA. INT. NOITE.

Anésio, Vera Maria, Antero e Cybele estão no ambiente. Cybele relata o que sente.

CYBELE — Nunca me passou pela cabeça que um dia eu ia ter que assistir um filho meu ser internado como se fosse um louco!

ANTERO — É triste. Mas passa. Ela vai ficar bem.

CYBELE — Eu preciso me acalmar, vou pegar meu calmante.

Cybele saindo.

ANÉSIO — Mas ela está maluca mesmo? Piradinha?

ANTERO — Não sei, pai. Nada sei.

VERA MARIA — porra, Antero, como que não sabe? Pode ter internado a guria sem motivo?

ANTERO — mãe, ela tentou se matar!

VERA MARIA — Isso não justifica nada, caralho! Quantas vezes eu já quis cortar meus pulsos por causa desse velho mono-ovo. E nunca precisei de tratamento algum.

ANTERO — Tá, e o quê que a senhora fez?

VERA MARIA — Dei!

ANTERO — Mamãe!

ANÉSIO — Vera Maria!

VERA MARIA — Dei uma surra nele! Ué! Não lembra homem?

ANÉSIO — Ah, sim. Lembro.

ANTERO — Que susto!

VERA MARIA — Pensaram o quê? Eu hein?!

Corta para:

CENA 90. CASA SCHNEIDER. CORREDOR. INT. DIA.

Vladmir sai do seu quarto ao celular, Cybele para por trás dele. Ele não percebe a sua presença.

VLADMIR — (cel.) Tudo bem, amor! Eu já estou indo pra lá, quem chegar primeiro espera o outro! Beijo! Te amo!

Vladmir sai, e nem viu que sua mãe ouviu-lhe. Cybele fica cismada.

Corta para:

CENA 91. CASA PICCOLI. SALA. INTERIOR. DIA.

Cristina acaba de descer a escada e desligar o celular. Glória entra pela porta. Cabisbaixa.

CRISTINA — Mãe! Onde a senhora andava?

GLÓRIA — Hã? Ah, resolvendo uns problemas?

CRISTINA — Ih... problemas?

GLÓRIA — É. Nada de mais.

CRISTINA — Dona Glória Piccoli! Eu te conheço. Alguma coisa aconteceu pra senhora ficar assim.

GLÓRIA — Tu não estava de saída? Vai se atrasar, filha.

CRISTINA — Meu compromisso espera, não tem problema. Se a senhora está triste, quero saber porquê. Fala. Vai.

GLÓRIA — Tá. Eu na delegacia dar parte lá daquela mulher que manteve a gente refém e tudo mais. Aquela mulher horrorosa.

CRISTINA — Ai, nem me lembre. Eu sei.

GLÓRIA — Eu acompanhei a polícia até a casa dele. Eles prenderam ela.

CRISTINA — Não estou entendendo, ela não estava presa?

GLÓRIA — Esse que é o pior, não. E daí, antes dela ser presa ela me contou como me conheceu e como se meteu aqui em casa.

CRISTINA — Como foi?

GLÓRIA — Teu pai.

CRISTINA — Hum... ela conhecia o papai? Sabia que ele era rico.

GLÓRIA — pior... ela disse que conhecia a amante do teu pai.

CRISTINA — (pasma) Amante...? Não...

GLÓRIA — Eu também não acreditei. Eu não quero fechar meus olhos de novo. Ela já tinha me dito isso antes. Eu quero não acreditar que o que ela me contou é verdade. Se não eu acho que/

Entram Nilmar e Newton do futebol. Elas cortam o assunto.

NILMAR — Tu é maior franguero, guri! Nem pra segurar uma bola. Te meteram vários gols.

NEWTON — Ah, é! Eu, é?! Tu é muito pereba e a culpa é minha? O que mais de deram foi ‘olé’ naquele jogo, meu irmão!

NILMAR — Ah, vai indo!

CRISTINA — Bom, mãe. Depois continuamos. Agora, tenho que sair.

GLÓRIA — Tudo bem. Vai lá!

CRISTINA — Tchau, gurizada!

JUNTOS — Falou! Até!

GLÓRIA — (suspira) Olha o suor de vocês! Vocês estão pingando no meu tapete! Vão tomar banho! Eu vou ver o jantar.

Eles correm para cima, ainda um se arriando no outro.

Corta para:

CENA 91. SHOPPING. INTERIOR. NOITE.

Vladmir caminha tranquilamente pelo shopping. Sua mãe Cybele está seguindo-o pelo andar de cima. Ela esbarra em algumas pessoas. Vladmir continua caminhando, sem suspeitar. Cybele desce a escada-rolante rapidamente, uma mulher obesa está na sua frente, e passa empurrando a mulher.

CYBELE — Sai!

MULHER — Que isso?! Sem educação!

CYBELE — Javali!

E desce.

Corta para;

CENA 92. CASA TRIO. SALA. INTERIOR. NOITE.

Di está com Toffee no colo. Trick’s está passando roupa, e Rafa acaba de falar com seu advogado por celular.

RAFA — Ok! Obrigado, doutor! (desliga) gente! Não sabem da maior!

TRICK’S — O quê?

DI — A sua avó morreu?

RAFA — Não. Nada disso.

TRICK’S — Ih, não sei. Pra te deixar mais feliz que isso.

DI — Que horror, Trick’s.

RAFA — não! Depois que a Kewellin me revelou, que eu sou o herdeiro. Eu falei com um advogado, amigo do meu avô. Que resolveu me ajudar, por um precinho camarada. Porque estamos sem condições, não é?!

DI — rafa, quando tu fica nervoso tu fala muita coisa, mas não diz nada. Se resolve de uma fez. O que aconteceu?

RAFA — Esse advogado, amigo meu, conseguiu um oficio que obriga a minha avó fazer a releitura do testamento do meu avô!

Corta para:

CENA 92. MANSÃO AGATHA. SALA. INTERIOR. NOITE.

Renan está diante de Agatha.

AGATHA — O que de tão importante tu tens para falar comigo?

RENAN — Agatha, eu recebi um ofício que pede a releitura do testamento do seu marido.

AGATHA — O quê? Não. Não é possível. O testamento ele... ele...

RENAN — Eu sei. Eu sei. Ele é falso. Eu que mandei fazer.

Close de Agatha tensa.

Corta para:

CENA 93. DELEGACIA. SALA DE INTERROGATÓRIO. INT. NOITE.

Laura está sentada diante de Cato, há apenas mais um policial com eles na sala, que está de pé perto da porta. Ninguém mais.

CATO — (folheando papeis) É muito crime para uma mulher só. Nossa.

LAURA — Uma mulher não é capaz de tantos crimes come esses, não acha doutor?!

CATO — Eu sou um homem vivido. Já vi de tudo nessa vida.

LAURA — Hum. Garanto que não viu e muito menos viveu o que eu vivi. Eu tenho certeza que quando a gente nasce, nossos destinos já estão prontos. Apenas nos esperando. Até chegar lá... no destino final... a gente vive. Vai vivendo. Vivendo como pode. Esse pode ser o meu fim. Ser presa. Injustamente.

CATO — não. Injustamente, não. Isso não.

LAURA — injustamente, doutor. Sou uma mulher honesta. Nego todas as minhas acusações.

CATO — Não tem como tu negar as provas, Laura. Confessa. Será melhor.

LAURA — Não tem como eu negar alguma coisa que não fiz. Eu sou inocente, o senhor não vê a pureza no meu olhar? Não vê?

CATO — Tu é um perigo a sociedade.

LAURA — Não. Não fale assim. Eu sou um doce. Pura. Boba. Cai nessa cilada porque sou ingênua. Ingenuidade é meu forte. Eu acho que vocês estão com a pessoa errada, vamos se alertar! Vamos se alertar, minha camaradagem! A polícia tá sempre metendo os pés pelas mãos! Eu sou um anjo. Só não virei Santa porque não fiz milagre, mas me traz um cálice de vinho pra tu ver.

CATO — Chega ser engraçado. Teu amigo não pensa isso de ti, não.

LAURA — Que amigo, doutor? Eu não tenho amigo nenhum. Sou bicho solto. Não tenho ninguém.

CATO — (faz sinal para o guarda buscar) Teu amigo. Teu comparsa, teu cumplice.

LAURA — Que cumplice? Eu sou lá mulher de ter cumplice? Olha bem pra minha cara! Tá completamente maluco.

CATO — Já, já cê vai ver.

LAURA — (vira o rosto) Ai, ninguém merece.

O guarda entra com Ulguim algemado. Laura ainda não lhe viu. Clima tenso. CAM lenta: Laura vira o rosto de volta, surpresa!

Laura dá um pulo para trás soltando um baita grito. Respiração ofegante! Ulguim olhando-a sério. Ficamos com o close de pânico de Laura.



Corta.

FIM

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