A escola sobe o morro: práticas de educaçÃo ambiental no ensino fundamental para preservaçÃo do patrimônio ambiental local da cidade de redençÃO, pará brasil


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Análise e discussão dos resultados


O quadro 01. Apresenta o comparativo das respostas dadas pelos entrevistados sobre a EA nas escolas de Redenção.

Quadro 01. Comparativo das entrevistas da professora, coordenadora e SEMED

Perguntas

Professora

Coordenador

SEMED

O município tem algum programa específico para trabalhar a EA nas escolas?

Não

Sim

Não

Como a EA é inserida no currículo do ensino fundamental?

Plano anual

Planejamento

Livro didático

Existe alguma capacitação específica em EA para os professores?

Sim

Sim

Não

Existe algum material didático especifico para trabalhar a EA nas escolas do município?

Não

Não

Não

Considerando o comparativo das entrevistas do quadro 01. Percebe-se que ainda não há um projeto específico para o desenvolvimento da EA no município, isso revela a necessidade de se estabelecer uma política em EA para o município.



O quadro 02, descreve as práticas pedagógicas realizadas no decorrer da pesquisa com a turma. Cada prática realizada foi desenvolvida no contexto das aulas das disciplinas que faziam relação entre o conteúdo e a atividade desenvolvida

A análise das práticas desenvolvidas foi feita considerando-se duas categorias; categoria 1. Sondagem, com o objetivo de conhecer a percepção e nível de conhecimento dos alunos e categoria 2. Intervenção, onde foram introduzidas as práticas pedagógicas com os alunos.



Quadro 02. Descrição das Práticas Pedagógicas desenvolvidas

Prática Pedagógica

Objetivo

Metodologia

Recursos

Relato

Desenhos

Conhecer a percepção dos alunos sobre Meio Ambiente e Morro do Serrinha

Desenho livre

Folha de papel e lápis de cor

Professora da turma

Alunos

Os alunos foram orientados a fazer um desenho sobre o tema: Meio Ambiente

Palestra interativa

Sondar o conhecimento prévio dos alunos sobre o tema Meio Ambiente e Morro do Serrinha

Exposição em Data Show sobre a temática

Computador, Data show e caixa de som

Professora da turma

A lunos

A partir da apresentação houve interação e perguntas aos alunos sobre vários conteúdos sobre Meio ambiente

Trilha interpretativa

Introduzir conteúdos sobre o meio ambiente a partir do contexto do aluno

Trilha ao Morro do Serrinha

10 monitores

Professora da turma

Alunos

Folhas de papel e canetas

Máquina fotográfica

Durante a trilha os alunos foram fazendo anotações, questionamentos e registrando suas impressões.

Oficina de arte

Desenvolver habilidades artísticas dos alunos a partir das atividades desenvolvidas na trilha

Pintura em tela temática sobre a trilha ao Morro do Serrinha

03 monitores

Professora da turma

Alunos

Telas para pintura

Pinceis e tintas

Os alunos em dupla foram orientados a retratar nas telas suas impressões sobre a trilha ao Morro do Serrinha

Visita ao bairro

Possibilitar aos alunos, a interação com a comunidade e os problemas ambientais vivenciados

Visita orientada às casas localizadas na encosta do Morro do Serrinha

10 monitores

Professora da turma

Alunos

Máquina fotográfica

Folhas de papel e canetas

Os alunos foram orientados a conversarem com os moradores e registrarem as suas impressões sobre os problemas ambientais da comunidade

Produção e interpretação de texto e contexto:

Estabelecer uma conexão dos alunos entre a visita a comunidade e sua produção textual

Atividade dirigida durante aula na turma

Professora da turma

Alunos

Folhas de papel e canetas

Os alunos produziram e juntos participaram da elaboração de um poema ao Morro do Serrinha, Elaboração de Gibi educativo

Análise das práticas pedagógicas aplicadas na escola

Categoria 1. Sondagem
Na prática “Desenhos sobre o Meio Ambiente” esperava-se que algum discente representasse em seu desenho a imagem do Morro do Serrinha, como referência ambiental da cidade de Redenção, contudo não houve registro de nenhum caso. A impressão de meio ambiente em parte significativa dos desenhos era representação da natureza ou preservação ambiental, conforme percebido na figura 03.

Figura 03. (a) Desenho onde integram o homem ao meio ambiente e o contexto cidade. (b) Desenho de uma representação de meio ambiente onde incluem apenas elementos naturais, como; arvores, rios e animais. (c) Desenho de meio ambiente onde incluem; árvores, animais, rios e casas, mas não incluem o homem. (d) Desenho onde os rios aparecem poluídos com lixo e apresentam outros sinais de poluição. (e) Desenho que apresenta lixeiros com separação do lixo. (Fonte: autora)

Com isto percebe-se que os educandos ainda não conseguiam sentir-se parte integrante do MA e não percebiam o Morro do Serrinha como um componente importante do seu MA.

No quesito “Palestra Interativa” é interessante ressaltar que quando os discentes se manifestavam sobre os temas, falavam de forma geral, como cita a aluna x: “Tia, o lixo traz muitas doenças, o povo joga muito lixo na rua…” como se pode perceber pela fala da aluna, ela consegue ver o problema do lixo, mas não consegue contextualizar o problema como presente no seu dia a dia. Desse modo, torna-se perceptível a importância da utilização de uma abordagem contextualizada e acessível para identificação dos educandos com sua realidade.
Categoria 2. Intervenção
As “trilhas interpretativas” merecem destaque, devido se apresentarem como uma atividade inovadora, orientada com intencionalidade para direcionar os alunos ao conteúdo que o professor precisa trabalhar, sem que a atividade se torne exaustiva. E utilizar o contexto do aluno para trabalhar a EA, é uma importante ferramenta de ensino que o professor possui, inclusive por apresentar possibilidades de os alunos perceberem os problemas que envolvem sua própria comunidade e famílias. Por meio das trilhas interpretativas os alunos podem suscitar questionamentos fazer relação dos conteúdos trabalhados em sala de aula com a sua realidade, além de fomentar a participação da comunidade. A trilha possibilitou aos alunos terem contato prático com temas tratados nas aulas, como; erosão, desmatamento, queimadas e outros que são presentes no Morro. Como mostra a figura 04.

A “Oficina de Pintura em Tela” foi realizada em dupla para o compartilhamento de ideias. Nos quadros, foram retratadas as impressões mais importantes absorvidas na trilha no morro. Neste processo, verificou-se que a imagem que o morro deixou aos alunos foi a beleza natural e ainda foi possível perceber que alguns discentes apresentavam habilidades artísticas que nem mesmo eles haviam dimensionados. E também percebeu-se que a pintura em tela era uma novidade e que a maioria nunca tinha feito uma atividade assim.



A “Visita à comunidade da encosta do Morro do Serrinha” foi a atividade que mais aproximou os alunos para os problemas vivenciados em seu contexto. Os alunos puderam ver com maior nitidez as consequências da degradação ambiental e o reflexo no seu cotidiano. A partir dos relatos dos moradores, incluindo os próprios parentes e amigos, eles sentiram-se ativos neste processo. Neste contexto as visitas ao bairro pelos alunos foram primordiais para a preparação da criança para os desafios do cotidiano.



Figura 04. Atividade de campo na trilha interpretativa no Morro do Serrinha. (Fonte: autora)

A “construção do poema” apresentou-se com grande dificuldade, devido os alunos não terem o hábito de se expressarem através da escrita. Durante o momento de socialização verbal das experiências, houve grande participação dos alunos, com intervenções frequentes, porém no momento de escrever, percebeu-se um grande impedimento, não por falta de assunto, mas dificuldades de ortografia de vocabulário restrito. Apesar disso, no momento da declamação do poema, os alunos demonstraram bastante entusiasmo, onde notou-se que o poema conseguiu criar uma ligação maior entre o aluno e o seu contexto.

A Elaboração do Gibi educativo “Fesarzinho em Aventura Ecológica no Morro do Serrinha” constitui-se como um dos produtos da presente pesquisa, pois é um dos instrumentos pedagógicos multiplicadores das ações de preservação ambiental do Morro do Serrinha. Também poderá ser utilizado em diversas disciplinas, como Língua Portuguesa, Ciências, Geografia e Estudos Regionais, entre outras. Foi nesta prática que foram obtidos os retornos mais significativos, pois repercutiu fora do contexto escolar, haja vista que os discentes puderam levar seus exemplares para sua residência.

A leitura do gibi pelos alunos, constituiu-se como uma ferramenta importante no incentivo a leitura, ao mesmo tempo que aborda a questão da preservação do Morro do serrinha. Foi muito gratificante ver os alunos lendo um gibi, onde eles podem identificar-se como participantes do contexto e familiarizados com a linguagem e o ambiente local explicitados no gibi.

A socialização das práticas pedagógicas com a comunidade escolar aconteceu de modo interativo, motivador da participação dos alunos e professores da instituição de ensino e proporcionou valorização (reforço positivo) dos trabalhos desenvolvidos pelos alunos, no qual, foram expostos a comunidade escolar.

A aplicação das PP, possibilitou aos alunos fazer uma relação dos conteúdos abordados nas disciplinas do seu cotidiano, como; erosão, desmatamento, queimadas e outros, com a realidade apresentada no seu contexto. As visitas no Morro do Serrinha e na comunidade da encosta do Morro, foram importantes para a reflexão e questionamentos dos alunos sobre os problemas enfrentados na sua própria comunidade; como por exemplo; casos de doenças causados pelas queimadas e até o próprio desaparecimento do Morro, devido as ações antrópicas praticadas pela própria comunidade.



Na comparação dos questionamentos feitos aos alunos antes e depois do desenvolvimento das práticas pedagógicas, foi notável a mudança de postura quanto a preservação do meio ambiente e em especial ao Morro do Serrinha. Antes das atividades direcionadas a preservação do Morro do serrinha, 95% dos 32 alunos afirmavam que o Morro estava preservado nas suas características ambientais, ou seja, o visitavam, mas não tinham um olhar crítico que pudessem levá-los a perceber que não estava preservado. O desenvolvimento das práticas pedagógicas, possibilitou aos alunos fazerem uma nova leitura do Morro, depois da aplicação das atividades, 80% dos 32 alunos afirmaram que o Morro não estava preservado, além de destacarem com precisão os problemas ambientais, percebidos no Morro.

Conclusão
A partir da pesquisa pôde-se constatar que a EA no município de Redenção acontece de forma genérica e que não existe nenhum departamento, programa ou projeto que tratem esta temática com a importância que deve ter. A escola é o espaço onde os conceitos, comportamentos e posicionamentos precisam ser aflorados. E considerando o contexto em que se encontra o município há que se rever esta postura em busca de se inserir de forma sistemática e intencional, práticas pedagógicas que possibilitem o educando a informação e formação para o exercício pleno da cidadania. É importante também destacar o papel do professor neste processo. Verificou-se na pesquisa a inserção de conteúdos relacionados ao meio ambiente no plano anual docente, mas sem uma metodologia detalhada de como serão aplicados tais conteúdos. Isso deixa evidente a intenção docente em desenvolver atividades em EA, porém como explicitado pela própria SEMED, não existe capacitação, com intenção de formar o docente para trabalhar a EA de forma sistemática nas escolas, o que deixa uma lacuna na formação de competências e habilidades necessárias a formação integral do educando. A EA está posta pelos órgãos reguladores como obrigatória no currículo das escolas, ainda que de forma transversal. Sendo assim, uma proposta seria criar um departamento no município, a fim de promover ações que venham alavancar a EA. Nesse contexto, espera-se que esta pesquisa possa contribuir na construção de novas posturas tanto de educadores, quanto de educandos, em relação ao meio ambiente, mais especificamente em âmbito local, despertar tanto alunos e pais para a preservação do seu espaço. Com a presente pesquisa pode ser possível proporcionar à comunidade local a prática do exercício da cidadania através de ações que resultem em melhorias na qualidade de vida local. De modo geral, a escola foi bastante receptiva ao tema EA, principalmente pela abordagem da história do bairro. As crianças ao final das atividades tornaram-se mais críticas e com uma visão mais realística da sua comunidade, assim como, houve a construção de valores, pois a aplicação das atividades e a divulgação das atividades em um gibi educativo contextualizando todas as experiências mostrou a importância da ação de cada pessoa em um grande trabalho de cidadania. Desse modo, espera-se que esta pesquisa seja utilizada como suporte para experiências em outras instituições e possa contribuir na construção de novas posturas tanto de educadores, quanto de educandos, em relação ao meio ambiente, haja vista, que as propostas são atividades simples, criativas, inovadoras e que se enquadram em um contexto local que poderão sair do espaço escolar e estimular a comunidade ao exercício de cidadania através de ações que resultem em melhorias na qualidade de vida e preservação do seu espaço.

Referências
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Oliveira, R. C. (1995). O trabalho do antropólogo: Olhar, ouvir e escrever. 2. ed.

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Tozoni-Reis. M.F.C. (2006). Temas ambientais como "temas geradores": contribuições para uma metodologia educativa ambiental crítica, transformadora e emancipatória. [Periódico online], (27), 93-110. Recuperado 09 de setembro de 2013, de http://www.scielo.br


1 Licenciada em pedagogia, mestra em Ciências e Meio Ambiente pela Universidade Federal do Pará (UFPA), Especialista em Educação pela Secretaria Estadual de Educação (SEDUC/PA) Docente pela Faculdade de Ensino superior da Amazônia Reunida (FESAR), Redenção, PA, Brasil.

2 Licenciada em Biologia, Doutora em Biologia pela Universidade Federal do Pará (UFPA), Docente do Programa de Pós-Graduação em Ciências e Meio Ambiente da UFPA. Belém, PA, Brasil.

3 Práticas Pedagógicas, entendidas no contexto deste trabalho, como atividades sistematizadas, desenvolvidas em sala de aula para abordar determinado conteúdo de forma intencional.

4 No inglês - Silent Spring (no Brasil/Portugal: Primavera Silenciosa) é um livro escrito por Rachel Carson e publicado pela editora Houghton Mifflin em setembro de 1962. Trata dos efeitos que os pesticidas, especialmente o DDT causam no ambiente, mais especificamente em aves e acusa a indústria química de desinformação. É atribuído ao livro o crédito de desencadear o movimento ambientalista.

5 Parâmetros Curriculares Nacionais- documentos oficiais do Ministério da educação, que norteiam a abordagem de temas transversais nas escolas do Brasil.



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