2-a bíblia tradição oral e escrita



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MARIA E JOSÉ

TESTEMUNHO DE FÉ

HISTÓRIA

Na época em que Maria e José viviam, a nação judaica estava sob o controle de Roma. O que restava da promessa feita por Deus ao rei Davi, há mais ou menos mil anos – de que a semente de Davi “durará para sempre, e o seu trono, como o sol perante mim. Ele será estabelecido para sempre” (Sl 89,36-37) – podia ser comparado a uma brasa que mal se percebia estar ainda ardendo.

Nessa promessa de um Messias e de um reinado sem fim para Davi apegava-se o remanescente de judeus justos dos tempos antigos, enquanto esperava sua redenção ao longo de séculos de domínio gentio. A essa promessa também se apegavam Maria e José, quando César Augusto governava o mundo conhecido a partir de Roma, e Herodes, o Grande, era seu rei-fantoche, assentado no trono da Cidade Santa, Jerusalém.

José e Maria, cujo verdadeiro nome bíblico em hebraico era Miriam, viviam a aproximadamente 112 quilômetros ao norte de Jerusalém, na pitoresca cidadezinha de Nazaré, aninhada entre os declives circundantes da linda Galiléia Inferior. Ambos eram descendentes de Davi, da tribo de Judá. José, embora um simples carpinteiro era o herdeiro direto de um trono e de um reino judaicos que jaziam em cinzas já há 580 anos. Deus não havia sequer se comunicado com Seu povo há séculos. Esse era um tempo de grande sequidão espiritual em Israel, conforme profetizado por Isaías (Is 53,2).

Finalmente, por volta do ano 5 ou 6 a.C., Deus quebrou Seu silêncio de 400 anos. Primeiro, enviou o anjo Gabriel a um sacerdote idoso chamado Zacarias. Anteriormente, o anjo Gabriel havia aparecido duas vezes ao profeta Daniel (Dn 8,16 e 9,21), nos dias do cativeiro babilônico. Gabriel disse a Zacarias que sua esposa Isabel, idosa e estéril, geraria um filho que deveria receber o nome de João. João seria um profeta como Elias, afirmou Gabriel, cumprindo a promessa de Malaquias, segundo a qual viria um mensageiro especial a fim de “habilitar para o Senhor um povo preparado” (Lc 1,17; compare Ml 3,1). Esse levita tornou-se conhecido como João Batista.

Depois, durante o sexto mês da gravidez de Isabel, Deus novamente enviou Gabriel, dessa vez a Maria, uma virgem, noiva de José. De acordo com o costume da época, Maria deveria ter no máximo 14 ou 15 anos de idade. Ela era uma donzela de profunda humildade e fé, conforme revela sua imediata submissão à vontade de Deus e seu magnífico louvor e conhecimento d´Ele, de acordo com o relato em Lucas 1,46-55.

Gabriel revelou a Maria que ela conceberia um filho, a quem deveria dar o nome de “Yeshua”, que em hebraico significa “salvação”. Em português, esse nome é “Jesus”. “Este será grande”, disse Gabriel, “e será chamado Filho do Altíssimo; Deus, o Senhor, lhe dará o trono de Davi, seu pai; ele reinará para sempre sobre a casa de Jacó, e o seu reinado não terá fim” (Lc 1,32-33). Assim, Gabriel revelou a Maria que seu filho viria a ser “o Ungido”, o Messias de Israel.

Embora a doutrina de um Messias nascido de uma virgem pareça absurda a judeus modernos, bem como a alguns gentios também, esse não era o caso em Israel nos tempos antigos. “O caráter sobrenatural e o nascimento virginal do Messias foi, por muitos séculos, uma crença messiânica bem estabelecida entre os judeus” (Victor Buksbazen, “Miriam, The Virgin of Nazareth”, p. 82).

Essa notícia chegou até Maria em algum momento durante o seu período de noivado. De acordo com os costumes judaicos quanto ao casamento naqueles tempos, os pais de Maria e José provavelmente fizeram os arranjos necessários, tendo José dado uma soma de dinheiro (chamada “mohar”) ao pai de Maria, assegurando assim o casamento com ela. Então o casal entrou num período de noivado formal de doze meses.

Esse tempo de noivado era considerado sagrado, como o próprio casamento. Apenas um divórcio formal poderia desfazê-lo. Geralmente, um contrato escrito selava o acordo, e nesse caso um abuso moral constituía adultério, podendo ser punido com a pena de morte. Tradicionalmente, depois do acordo selado, o noivo voltava para casa a fim de preparar um lugar para sua esposa, retornando em algum momento indeterminado no fim dos doze meses para buscar sua noiva, consumar o casamento e levá-la para o lar.

É muito difícil imaginar a extensão da tristeza de José, um jovem justo, quando voltou para buscar sua noiva. Ao contrário da crença popular, a gravidez de Maria provavelmente não era visível ou publicamente conhecida quando José chegou. A Bíblia não nos diz quando o anjo Gabriel veio, durante o período de noivado, ou quanto tempo depois disso Maria concebeu. A Escritura nos relata, isto sim, que logo que Gabriel lhe contou da gravidez de Isabel, sua prima, ela imediatamente viajou à casa dela e passou lá três meses. O fato de que Isabel a saudou como “a mãe do meu Senhor” (Lc 1,43) indica que o nascimento do Messias era algo já consumado diante de Deus. Além disso, nunca se questionou acerca de quem seriam os pais de Jesus. Ele freqüentemente lia as Escrituras na sinagoga (Lc 4,16), um privilégio rigorosamente proibido a filhos ilegítimos (Dt 23,2), e era amplamente conhecido como “o filho do carpinteiro” (Mt 13,55; Mc 6.3).

Muito provavelmente, José foi buscar Maria logo após ela ter voltado da casa de Isabel. Nessa época, ela já sabia que estava grávida. Sendo um rapaz bondoso, justo e, provavelmente, apaixonado, José não queria que Maria fosse apedrejada até a morte, nem que fosse humilhada publicamente. Por isso, planejou divorciar-se dela sem nenhum alarde, quando um anjo lhe apareceu em sonho. Dirigindo-se a ele com a saudação real, “filho de Davi, o anjo disse-lhe que concretizasse o seu casamento com Maria, pois “o que nela foi gerado é do Espírito Santo” (Mt 1,20). O anjo ainda o instruiu, como Gabriel havia feito com Maria, a chamar a criança de “Jesus” – “salvação”. E então ele disse a José algo que não havia sido dito a Maria: “ele salvará o seu povo dos pecados deles” (Mt 1,21).

Por alguma razão, Deus revelou uma faceta de Seu plano de salvação a Maria e outra a José. Pelo anjo, Maria soube a respeito da segunda vinda do Messias, quando Ele viria redimir o povo judeu do domínio gentio e para reinar no trono de Davi para sempre. A revelação para José foi a respeito da primeira vinda do Messias para redimir a humanidade do pecado, por meio de Sua morte vicária. José deve ter se questionado a respeito de tudo o que estava reservado para essa criança. Como alguém que seguia a lei judaica, ele sabia muito bem que remissão de pecados apenas acontecia por meio de um sacrifício de sangue (Lv 17,11). Para que pudesse salvar “o seu povo dos pecados deles”, essa criança estava destinada a oferecer um sacrifício, ou a tornar-se um sacrifício.

Em obediência ao Deus em quem ele confiava, José casou-se com Maria (Mt 1,24). Ele viveu com ela, cuidou dela e providenciou tudo o que lhe era necessário – possivelmente, por um período de seis a oito meses –, mas não teve relações com ela até que nascesse seu primogênito. Que testemunho de retidão moral e de fé!

No nono mês da gravidez, perto de completarem-se os dias para dar à luz, “foi publicado um decreto de César Augusto, convocando toda a população do império para recensear-se” (Lc 2,1). Como era da casa e da linhagem de Davi, José e Maria, desposada com ele (desposada, pois o casamento ainda não havia sido consumado) fizeram uma viagem de três a quatro dias, de Nazaré a Belém, a cidade de Davi, onde deveriam alistar-se no recenseamento do Império Romano. Ali, na privacidade de um humilde estábulo, com José ao seu lado, Maria deu à luz o Salvador. Ela o envolveu em faixas de panos e deitou-o numa manjedoura.

“Havia, naquela mesma região, pastores que viviam nos campos e guardavam o seu rebanho durante as vigílias da noite” (Lc,2.8). Então, um anjo lhes anunciou o cumprimento de uma antiga promessa que Deus havia feito ao povo judeu: “hoje vos nasceu, na cidade de Davi, o Salvador, que é Cristo, o Senhor. E isto vos servirá de sinal: encontrareis uma criança envolta em faixas e deitada em manjedoura” (Lc 2,11-12; Mq 5,2).

Sinais bíblicos sempre foram ocorrências sobrenaturais operadas pela mão de Deus e que não poderiam ser duplicadas pelo esforço humano. Embora a grande maioria dos eruditos mantenha a opinião de que o “sinal” dado aos pastores foram às faixas de pano e a manjedoura, essas não eram sobrenaturais. Naquele tempo, os bebês costumeiramente eram envoltos em faixas de pano, e, embora fosse incomum colocar um bebê numa manjedoura, nada havia de sobrenatural nisso. Essa informação meramente identificava o local correto.

O sinal era o bebê. O profeta Isaías, 700 anos antes, já dissera à casa de Davi que esperasse por um bebê que nasceria de uma virgem (Is 7,14). O bebê que acabara de nascer, diante do qual os pastores se encontravam, era aquele ao qual se referia a profecia. Tratava-se de um sinal para as pessoas de fé, de que Deus não desistira de Seu povo escolhido, mas que se lembrara da aliança feita com Davi. O bebê era um sinal de que o reino dos céus estava próximo.

Em vez de anunciar a importante notícia aos sacerdotes ou aos líderes de Israel, Deus escolheu revelar essa notável verdade a humildes pastores, os quais ocupavam o lugar mais baixo na escala social dos judeus. Como eles ficavam muito tempo sozinhos com os animais, eram considerados tão sonhadores que seu testemunho não era aceito no tribunal. Apesar disso, esses pastores eram homens de fé. Eles se apressaram ao estábulo em Belém para ver o grande milagre “que o Senhor nos deu a conhecer” (Lc 2,15). O testemunho desses pastores deve ter sido, para Maria e José, uma confirmação bem vinda de que sua obediência e sua fé não tinham sido em vão. Como fazia freqüentemente, em sua maneira silenciosa e submissa, Maria “guardava todas estas palavras, meditando-as no coração” (Lc 2,19).

Provavelmente, nem ela, nem José, algum dia compreenderam inteiramente o plano final de Deus e o seu papel nele. O reino de Deus verdadeiramente estava próximo, mas o povo judeu não estava disposto a arrepender-se e voltar-se para Deus para recebê-lo. José não viveu para ver Jesus se dirigir à cruz e salvar o Seu povo dos seus pecados, tornando-se o sacrifício final que satisfez a lei judaica. Talvez o grito de vitória de Jesus, “Está consumado!” (Jo 19,30), tenha ressoado nos céus, onde o carpinteiro o ouviu e se alegrou.

Algum dia, quando Jesus retornar, tornar-se-ão realidade as palavras do profeta Zacarias, no Antigo Testamento, e o povo judeu olhará “para aquele a quem traspassaram; pranteá-lo-ão como quem pranteia por um unigênito” (Zc 12,10). Então Israel se arrependerá e compreenderá que Deus lhe providenciou a redenção por meio de Jesus Cristo – o Messias de Israel, o filho legítimo de José, o filho natural de Maria, o eterno Filho de Deus (Ez 36,31; Zc 12,12-13,1; Rm 11,26; Is 9,6). Então Deus restaurará a Israel a sua preeminência, a sua terra e o seu reinado (Is 60; Zc 8,23). Jesus se assentará no trono de Davi, e o Seu reino não terá fim.

Nesse tempo, nenhum detalhe da cena da manjedoura de Natal parecerá “goyishe”, porque ao nome de Jesus todo joelho se dobrará, e toda língua confessará que Jesus Cristo é o Senhor, para a glória de Deus, o Pai (Fp 2,10-11).



DEVOÇÃO À MARIA SANTÍSSIMA

O coração da nossa Mãe

Uma das mais doces verdades da nossa fé é o mistério da Assunção de Nossa Senhora em corpo e alma aos céus. A cheia de graça, a que nunca pecou, não podia ficar sujeita à corrupção da morte, estabelecida por Deus como castigo do pecado. Por isso, a Igreja definiu solenemente – expressando uma verdade que, desde tempos antiquíssimos, era patrimônio da fé do povo cristão – que “a Imaculada Mãe de Deus, sempre Virgem Maria, completado o curso da sua vida terrestre, foi assunta em corpo e alma à glória do Céu” (Pio XII, Const. Ap. Munificentissimus Deus, de 01.11.1950).

Eis a consoladora verdade: a nossa Mãe Santa Maria, na glória do Céu, está agora junto da Trindade Santíssima em corpo e alma. Compreendemos bem o que isto significa? Quer dizer que Maria vive no Céu a cuidar de nós, a olhar-nos, a interceder por nós, com o mesmo coração, com os mesmos sentimentos e com os mesmos afetos que tinha na terra. Não é um puro espírito. É uma Mãe humana, glorificada, mas plenamente humana. Agora, junto de Deus, Ela contempla – na luz da glória divina – todos e cada um dos seus filhos, em todos e cada um dos momentos da sua existência, e olha por eles: nas horas de alegria e de dor, nos transes difíceis, nos tempos de solidão, na suas quedas e nos seus reerguimentos… Não há um passo da nossa vida, não há um latejar do nosso coração, que não esteja sendo acompanhado amorosamente pelo Coração humano da nossa Mãe. E não há um passo que não esteja sendo assumido – visto e sentido como algo próprio – por esse Coração.

Contemplando este mistério delicado, São Josemaria Escrivá aponta-nos uma das suas conseqüências: “Surge assim em nós, de forma espontânea e natural, o desejo de procurarmos a intimidade com a Mãe de Deus, que é também a nossa Mãe; de convivermos com Ela como se convive com uma pessoa viva, já que sobre Ela não triunfou a morte, antes está em corpo e alma junto de Deus Pai, junto de seu Filho, junto do Espírito Santo” (É Cristo que passa, n. 142). É nesse clima de intimidade filial que discorre a devoção a Nossa Senhora.



A Devoção a Maria Santíssima

O nosso relacionamento, a nossa intimidade com Maria é essencialmente filial. O vínculo filiação-maternidade “determina sempre – como lembra a Encíclica Redemptoris Mater – uma relação única e irrepetível entre duas pessoas: da mãe com o filho e do filho com a mãe” (João Paulo II, Encíclica Redemptoris Mater, n. 45). E a medula desse vínculo, evidentemente, é o amor.

Por isso, só perguntando-nos pelas características que tornam autêntico esse amor é que descobriremos os traços da verdadeira devoção a Maria Santíssima. Com isso, perceberemos também melhor o que Deus quis que representasse para nós o imenso dom que nos fez, dando-nos Maria como Mãe.

Comecemos pelos aspectos dessa devoção que se nos impõem de maneira mais imediata. Um cristão que vive de fé sabe que Maria o ama e o auxilia com carinho de Mãe. Sabe-a voltada maternalmente para ele. É natural que, dessa certeza, flua espontaneamente uma sincera afeição filial. “Nada convida tanto ao amor – comenta São Tomás – como a consciência de sentir-se amado”(Cf. São Tomás de Aquino, Summa contra gentes, IV, XXIII). A devoção mariana manifesta-se, por isso, em mil expressões, delicadas e fervorosas, de carinho de filho: no tom afetuoso da oração que dirigimos a Ela, na alegria de visitá-la nos lugares onde se quis fazer especialmente presente, nos muitos pormenores íntimos do coração, que o pudor vedaria externar.

Juntamente com esse afeto filial, e impregnando-o intimamente, brota também espontaneamente um sentimento de profunda confiança. “Nunca se ouviu dizer – reza uma bela oração atribuída a São Bernardo – que algum daqueles que tivesse recorrido à vossa proteção, implorado a vossa assistência, reclamado o vosso socorro, fosse por Vós desamparado”.

Esta certeira confiança dos fiéis exprimiu-se num leque multicolorido de invocações marianas, que traduzem a segura experiência do coração cristão: Mãe de misericórdia, Virgem poderosa, Auxílio dos cristãos, Consoladora dos aflitos, Onipotência suplicante… Era essa a confiança que fazia Dante escrever estes preciosos versos: Donna, se’ tanto grande e tanto vali, / che qual vuolgrazia e a te non ricorre, / sua disianza vuolvo larsanz’ali; “Senhora, és tão grande e tanto podes, que para quem quer graça e a ti não recorre, o seu desejo quer voar sem asas” (Divina Comédia, Par. XXXIII, 13-15).

Amor e confiança. Trata-se de sentimentos com fortes raízes no coração. Ora é bem sabido que os afetos do coração possuem muitas vezes uma sutil ambivalência: são sentimentos que a custo se equilibram na difícil passarela onde o amor beira sempre o egoísmo. Não é raro que os muito sentimentais sejam também muito egoístas.

Por isso, se a devoção a Maria não estivesse fundamentada nos alicerces da fé – da doutrina – e da caridade, poderia deslizar imperceptivelmente para os declives do egoísmo. Tal coisa aconteceria no caso de uma devoção meramente sentimental – não animada por desejos de entrega e de amor operante – que, embora cheia de efusões de ternura, não incidisse fortemente na vida para modificá-la. Mais facilmente ainda se daria essa deturpação se a devoção mariana se reduzisse a um simples recurso para alcançar uma “proteção” ou uns “favores” meramente interesseiros.

Esses desvios, contudo, não se darão se o nosso amor filial a Maria entrar, como deve, em sintonia com o seu amor maternal.

Pensemos que o coração da nossa Mãe, “cheia de graça”, é uma fornalha ardente de caridade, de amor a Deus e aos homens. Nele se encontra, em medida quase infinita, a caridade derramada pelo Espírito Santo (Cf. Rom 5, 5).

Isto significa que quem se aproximar d´Ela com um coração reto e sincero se sentirá necessariamente impelido para o amor a Deus e ao próximo. Este é o segredo divino da devoção a Maria. Foi de fato para nos facilitar a entrega a esse duplo amor – o mandamento que resume todos os outros – que Deus, em sua misericórdia, quis dar-nos Maria como Mãe.

É por isso que a devoção a Maria, bem vivida, é sempre como um sopro – fecundo cálido e suave – que acende o amor na alma, inflama a generosidade e move a abraçar sem reservas a vontade de Deus.

“Se procurarmos Maria, encontraremos Jesus”, diz São Josemaria, fazendo-se eco da tradição cristã (É Cristo que passa, n. 144). No fundo de tudo o que a Virgem Santíssima sugere ao coração dos homens, sempre pulsam as suas palavras em Caná: “Fazei tudo o que Ele vos disser”. A verdadeira devoção é, por isso, radicalmente “cristocêntrica” – conduz a Cristo –, é “teocêntrica” –leva para Deus. Nossa Senhora vive e faz viver em função de Jesus. Não pode haver aí nem sombra de “idolatria”.

Ao mesmo tempo, é claro que, se Maria nos leva a Jesus, indefectivelmente nos aproxima também dos nossos irmãos, que são irmãos de seu Filho e filhos d”Ela. Ela é a Mãe comum que nos faz sentir fraternalmente vinculados em Cristo, membros da família de Deus (Cf. Ef 2, 19), e nos desperta na alma ânsias de doação e de serviço aos outros. O Coração de Maria infunde calor e força ao amor dos irmãos.

Como vemos, se a Virgem Santíssima nos auxilia – e esta é a sua missão maternal –, é única e exclusivamente para nos colocar mais plenamente em face das exigências da nossa vocação cristã. É com este fim que Ela intercede por nós junto de Deus e distribui as graças que o Senhor colocou em suas mãos. Mesmo os favores maternos que Ela nos obtém em pequenas coisas – como em Caná – são incentivos de carinho que nos ajudam a agradecer e a retribuir a Deus as suas bondades. Em qualquer caso, Ela estende a sua mão para nos elevar – suave e fortemente – até à meta da nossa vocação cristã, que é a santidade.

Com razão se pode afirmar, por isso, que o amor de Maria por seus filhos é simultaneamente doce e exigente. “Nossa Senhora, sem deixar de se comportar como Mãe, sabe colocar os seus filhos em face de suas precisas responsabilidades. Aos que d´Ela se aproximam e contemplam a sua vida, Maria faz sempre o imenso favor de os levar até a Cruz, de os colocar bem diante do exemplo do Filho de Deus. E nesse confronto em que se decide a vida cristã, Maria intercede para que a nossa conduta culmine com uma reconciliação do irmão menor – tu e eu – com o Filho primogênito do Pai” (São Josemaría Escrivá, ib., pág. 195).

A Jesus “se vai” por Maria, e a Jesus “se volta” por Ela, diz Caminho (n. 495). Quando, ao rezar a Ave-Maria, nós lhe pedimos “rogai por nós, pecadores”, fazemo-lo com a consciência de que demasiadas vezes nos afastamos de Deus e, como o filho pródigo, precisamos voltar para a casa do Pai.

Maria torna suave, também, e esperançado esse retorno. Não é verdade que, perto da Mãe, nos tornamos a sentir crianças? Despojamo-nos da nossa triste armadura de adultos, forjada pelo orgulho, pela vergonha ou pela decepção. E então o fardo das nossas misérias já não nos esmaga. Com Maria, sentimo-nos crianças reanimadas pela ternura da Mãe, alegres por descobrir que, para um filho pequeno, sempre é possível levantar-se, sempre é possível recomeçar, sempre é hora de esperar. Ela é a porta perpetuamente aberta na Casa do Pai.

A Estrela da manhã, a Estrela do mar, a nossa Mãe, guia-nos por toda a estrada da vida, passo a passo, na bonança e na tormenta, nos avanços e nas quedas, até alcançarmos o repouso definitivo no coração do Pai. Nunca percamos de vista que “foi Deus quem nos deu Maria: não temos o direito de rejeitá-la, antes pelo contrário, devemos recorrer a Ela com amor e com alegria de filhos” (São Josemaria Escrivá, É Cristo que passa, n. 142).

Intensifiquemos o empenho de amor e os pormenores de delicadeza para com a nossa Mãe nas festas e tempos que a Igreja dedica especialmente a Ela: mês de maio, Solenidade da Assunção de Maria, Novena da Imaculada Conceição, etc. Renovemos, com forte vitalidade, essas devoções – sempre unidas à recitação amorosa do Rosário – que, por Maria, nos levarão bem dentro do Coração de seu Filho Jesus.


Fontes:

Site: Fé, Verdade e Caridade

Browse:Home / Nossa Senhora, meditações / Devoção à Maria Santíssima.
Site: Beth –Shalom Casa da Paz

http://www.beth-shalom.com.br/artigos/maria_jose.html



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