16ª aula tema penas e gozos futuros I parte a o nada a vida futura



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16ª AULA
TEMA

PENAS E GOZOS FUTUROS - I
PARTE A

O NADA - A VIDA FUTURA

A Doutrina Espírita nos ensina que o materialismo "é uma chaga da sociedade" (questão 799 de "O Livro dos Espíritos"), por abolir a esperança e apresentar que o destino de todo ser humano é o aniquilamento.

Não há ideia mais desesperadora do que o da própria destruição e/ou daqueles que amamos. Põem-se em cheque tudo aquilo que o ser humano construiu dentro de si mesmo durante sua existência, todas as suas transformações, os sacrifícios, suas afeições, suas conquistas.

Diante desse fim, ou seja, o Nada, Allan Kardec pergunta: “Por que o homem repele instintivamente o nada? Porque o nada não existe” (LE 958). Por ser o futuro uma incógnita para o Homem, no Livro O Céu e o Inferno, Cap. 1, item 1, ele retoma o assunto: "Que necessidade teríamos de esforçar-nos para ser melhores, de nos constrangermos na repressão das paixões, de nos fatigarmos no aprimoramento do Espírito, se de tudo isso não iremos colher nenhum fruto?".

O codificador vai além, expressando que a "ideia do Nada tem alguma coisa que repugna à razão". Ela vai de encontro às aspirações humanas de justiça e de felicidade.

Além do mais, o Espírito ao reencarnar por diversas vezes, dentro de sua marcha do progresso, traz em si uma vaga lembrança que se transforma num pressentimento, mais ou menos forte, dependendo do estado evolutivo do Espírito, da vida espiritual.

E esse pressentimento geralmente se manifesta quando da aproximação da morte, onde a criatura, por mais reticente que seja diante da expectativa do futuro, "pergunta a si mesmo o que vai ser dele e, sem o querer, espera".

A Vida Futura implica a conservação da nossa individualidade da nossa morte.

A Vida Futura, que é a Vida Espiritual "é, com efeito, a verdadeira vida, é a vida normal do Espírito, sendo-lhe transitória e passageira a existência terrestre, espécie de morte, se comparada ao esplendor e à atividade da outra...".

O Mestre Jesus enaltece a importância da Vida Futura ao dizer a Pilatos: "Meu reino não é deste mundo" (Evangelho de João, 18:33,16 e 37).

Como cada ensinamento vem há seu tempo e assim como Moisés não podia revelar as coisas espirituais a um povo pastoril, arraigado às coisas materiais, Jesus só pode conformar o "Seu ensinamento ao estado dos homens da sua época", a fim de não lhes ofuscar a compreensão.

Coube ao Espiritismo a tarefa de completar os ensinamentos do Cristo. Surgido numa época em que a razão despertava na humanidade, pode demonstrar que "a vida futura não é mais um simples artigo de fé, uma hipótese”. Através das manifestações dos Espíritos comparava-se a realidade da vida espiritual por aqueles que aqui estiveram e lá estão. Trazendo descrições particularizadas dos seus estados, sejam eles felizes ou infelizes, nos proporcionando relacionar os atos praticados e suas conseqüências.

“A idéia clara e precisa que se faz da vida futura dá uma fé inabalável no futuro, e essa fé tem conseqüências imensas sobre a moralização dos homens, quando muda completamente o ponto de vista sob o qual eles examinam a vida terrestre".

Dessa forma a vida do encarnado, no seu lado material, deixa de ser o objetivo maior da existência. A dedicação de todo tempo na aquisição dos bens materiais e ao bem estar somente, perde o sentido. Surge à necessidade e a importância dos bens espirituais, da busca pelas virtudes, da mudança de hábitos, da eliminação de vícios e defeitos. As relações humanas tomam-se valorizadas.

É nessa mudança de ponto de vista por parte da humanidade, que é o somatório do trabalho de cada um, que faremos com que o este planeta torne-se, também, o Reino de Jesus.

INTUIÇÃO DAS PENAS E DOS GOZOS FUTUROS

Assim como a justiça é um sentimento inato ao ser humano, o pressentimento de haver penas e recompensas futuras estão presentes em todos os povos e em todos os tempos.

A idéia de um Criador justo e bom, como bem nos ensinou o Mestre Jesus, nos faz vislumbrar a necessidade de reparação por parte daqueles que ainda praticam o mal e dos gozos aos que estão no caminho do bem: "Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados".

Nada mais lógico e justo de ser o Espírito a própria causa de seus sofrimentos ou de sua felicidade.

Deus nos dá o direito do usufruto do livre-arbítrio e o dever de sermos responsáveis pelos nossos atos.

"O homem suporta sempre a conseqüência das suas faltas; não há uma só infração à Lei de Deus que não tenha punição."

Mas é imperioso lembrar que o Pai é sempre misericordioso e as penas, pelas faltas cometidas, sempre são temporárias e subordinadas ao arrependimento e à reparação do mal praticado.

Assim sendo, a intuição dos sofrimentos e dos gozos futuros se origina das próprias experiências vivenciadas pelo Espírito, de encarnação em encarnação.

Aqueles que buscam ofuscar tais sentimentos inatos, se mostrando céticos endurecidos, demonstram que o orgulho ainda lhes domina, ao ponto de impedir a manifestação da voz da consciência, que é a bússola que nos direciona à Lei Divina.

INTERVENÇÃO DE DEUS NAS PENAS E RECOMPENSAS

Deus, criador de tudo e de todos, instituiu Suas leis que são eternas e imutáveis.

Essas leis chamadas de Lei Divina ou Natural regem todo o Universo.

É seguindo a Lei Divina que o Espírito se aproxima de seu objetivo que é a perfeição relativa, pois é o caminho de sua felicidade, lhe indicando o que deve e o que não deve fazer.

A Lei Divina está escrita na nossa Consciência, e quanto menos a ouvimos mais nos afastamos dela, e consequentemente nos tomarmos mais infelizes.

Não há folha alguma que caia de uma árvore que não seja do conhecimento do Pai. Sendo assim, "quando um homem comete um excesso, Deus não pronuncia um julgamento contra ele para lhe dizer, por exemplo: tu fostes guloso e eu vou te punir. Mas ele traçou limites; as doenças e, frequentemente, a morte, são a consequêncía dos excessos: eis a punição. Ela resulta da infração à lei. Assim se passa com tudo." (LE 964)



NATUREZA DAS PENAS E DOS GOZOS FUTUROS – LE 965-982

Sendo o Espírito um ser não material, as penas e os gozos futuros, ou seja as conseqüências na vida espiritual dos atos praticados por esse enquanto esteve encarnado não são materiais, o que não quer dizer que tais conseqüências sejam menos sensíveis do que se estivesse na matéria. Muito pelo contrário, tais sensações são muito mais impressionáveis no plano espiritual.

Todas as imagens fantasiosas do céu e do inferno que encontram-se nas culturas são apenas fruto do estado de imperfeição da humanidade, que não teve ainda a capacidade de interpretação dos acontecimentos que se dão na vida espiritual, tendo utilizado imagens, figuras e linguagens, muitas vezes distorcidas, para tal compreensão.

Com o advento da Doutrina Espírita, com sua filosofia espiritualista esclarecedora, inclusive proporcionando a análise criteriosa das manifestações mediúnicas, temos condições de reformarmos as rebuscadas idéias passadas.

O Espiritismo nos ensina o verdadeiro "céu" que é o estado de felicidade dos Espíritos. Esse estado é proporcional a sua elevação e consiste em "conhecer todas as coisas, não ter ódio, nem ciúme, nem inveja, nem ambição, nem nenhuma das paixões que fazem a infelicidade dos homens. O amor que os une é para eles a fonte de uma suprema felicidade. Eles não experimentam nem as necessidades, nem os sofrimentos, nem as angústias da vida material. São felizes do bem que fazem". A união dos Espíritos que se simpatizam no bem, que formam as famílias espirituais é uma fonte de felicidade.

Entre os Imperfeitos e os Perfeitos há uma infinidade de degraus. Esses últimos, ou seja, os Espíritos Puros gozam da felicidade suprema e os demais encontram-se à caminho.

Com relação aos sofrimentos de além túmulo, as tais penas, “tão variáveis quanto as causas que os produziram, e proporcionais ao grau de inferioridade, como os gozos o são para os graus de superioridade”.

Estão relacionados à inveja, ao desgosto, ao ciúme, à raiva, ao desespero de não terem atingido a felicidade, de não terem consigo satisfazer os seus prazeres. Ao remorso, que provoca uma indefinível ansiedade moral.

Tais torturas morais são mil vezes mais vivas do que aquelas suportadas na carne.

O estado de inferioridade do Espírito não lhe impede de divisar a felicidade do justo, e isso para ele também é um motivo de suplício, mas também de estímulo para sair daquela situação e fazer por onde ser agraciado por essa felicidade.

Assim, como há influências dos Espíritos aos encarnados, há também influências aos desencarnados, que podem ser boas ou ruins, dependendo do grau de evolução do Espírito.

Os maus tentam desviar os ainda vacilantes do caminho do bem. Os bons procuram fortalecer, incentivar, sanear as más tendências, seja inspirando ao arrependimento, à busca de uma nova encarnação que lhes proporcione reparações e desenvolvimentos, etc.

Para nos preservarmos dos acontecimentos futuros é importante ter em mente que o "Espírito sofre por todo o mal que faz, ou do qual foi a causa voluntária, por todo bem que poderia fazer e que não fez, e por todo o mal que resulta do bem que ele não fez". E que é o bem que assegura a felicidade futura, o que independe de crença e sim da prática, pois, "o bem é sempre o bem, qualquer que seja o caminho que a ele conduz".
BIBLIOGRAFIA:
KARDEC, Allan - O Livro dos Espíritos, questões 958 a 982; conclusão, item 5;

KARDEC, Allan - O Que é Espiritismo - cap. I; cap. II, n° 100 e 103; cap.III, n° 145;

KARDEC, Allan - O Livro dos Médiuns - questão 290, item 16; n° 2 e 292;

KARDEC, Allan - O Evangelho Segundo o Espiritismo - cap. II, itens 2, 3 e 5; cap. III, item 2; cap. V, itens 3, 12 e 17;

KARDEC, Allan - O Céu e O Inferno – cap. I, n° 14; 1ª Parte, cap. VII;

KARDEC, Allan - A Gênese – cap. I, n° 25, 31, 37 e 62;

EMMANUEL, Francisco Cândido Xavier - Justiça Divina, pág. 107 – Penas depois da Morte;

PERALVA, Martins - O Pensamento de Emmanuel - n° 16 e 18;

EMMANUEL, O Espírito da Verdade - Diversos Espíritos, item 18;

KARDEC, Allan - O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. II, itens 1 a 3 e 5 a 7;

PERALVA, Martins - O Pensamento de Emmanuel - n° 31;

PARTE B
PARÁBOLA DO CREDOR INCOMPASSIVO

"Então Pedro, aproximando-se de Jesus lhe perguntou:

- Senhor, quantas vezes pecará meu irmão contra mim, que lhe hei de perdoar?

- Será até sete vezes?

Respondeu-lhe Jesus:

-Não te digo que até sete vezes, mas até setenta vezes sete vezes

"Por isso o Reino dos Céus é semelhante a um rei, que resolveu ajustar contas com os seus servos. E tendo começado a ajustá-las, trouxeram um que lhe devia dez mil talentos. Não tendo, porém, o servo com que pagar, ordenou o seu senhor que fossem vendidos - ele, sua mulher, seus filhos e tudo quanto possuía, e que se pagasse a dívida.

"O servo, pois, prostrando-se, o reverenciava dizendo:

-Tem paciência comigo, que te pagarei tudo!

E o senhor teve compaixão daquele servo, deixou-o ir e perdoou-lhe a divida.

Tendo saído, porém, aquele servo, encontrou um de seus companheiros, que lhe devia cem denários; e, segurando-o, o sufocava, dizendo-lhe:

- Paga o que me deves! E este, caindo-lhes aos pés, implorava:

- Tem paciência comigo, que te pagarei!

Ele, porém, não o atendeu; mas foi-se embora e mandou conservá-lo preso, até que pagasse a dívida.

"Vendo, pois, os seus companheiros o que se tinha passado, ficaram muitíssimo tristes, e foram contar ao senhor tudo o que havia acontecido. Então, o senhor chamando-o, disse-lhe:

- Servo malvado, eu te perdoei toda aquela dívida, porque me pediste; não devia também ter compaixão do teu companheiro, como eu tive de ti?

E irou-se o seu senhor e o entregou aos verdugos, até que pagasse tudo o que lhe devia. "Assim também meu Pai celestial vos fará, se cada um de vós do íntimo do coração não perdoar a seu irmão". (Mateus, XVIII, 21-35)

Nesta parábola, mais uma vez, o Mestre Jesus vem nos ensinar as regras do "Reino do Céu", ou seja, da vida futura, que é a consequência da nossa vida terrena.

Nela vemos que justiça de Deus segue o seu curso além da vida nesse planeta, no qual seremos medidos da forma que medimos. Daí a necessidade de fazermos ao nosso próximo aquilo que desejamos que nos seja feito. Se necessitamos de perdão, perdoemos sempre, como o Mestre ensinou a Pedro. E esse perdão não é o perdão da boca apenas, ou aquele que exige a mudança do comportamento alheio. O verdadeiro perdão é aquele que vem do coração, que não guarda mágoa, rancor, não requer pedidos de desculpas. É aquele que, confiante na justiça e misericórdia do Pai, sabe ser indulgente para com o seu próximo.

São essas atitudes que irão nos facultar adentrar na vida futura melhores do que quando aqui chegamos.


BIBLIOGRAFIA
KARDEC, Allan - O Evangelho Segundo o Espiritismo – cap. XI, item 3;

SCHUTEL, Caibar – Parábolas e Ensinos de Jesus – Primeira Parte



ALMEIDA, José de – As Parábolas

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