Xxvii 7 Castelos Conquistados a o minuto 1 do dia 1julho do 2016 ano dom



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XXVII)

7 Castelos Conquistados

A O MINUTO 1 DO DIA 1JULHO DO 2016 ANO DOM.

POSKAPORTUGAL DO 3º DIA, O 1

Text:

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3º 11

2 5

1º 3 O EM DEUS NA 4ª. Edição: - mais do que De- fi- ni- ti- va

PAZ / MIR!



-

QUANTO DÊS…SERÁS!



San Pio rogue por nós outros agora e na hora da nossa última hora. Amén, Aleluia!

Indescrítivel e lindo e lento o sorriso da menininha

em adeus ao pai que, já longe embora, lhe acena num brevíssimo instante.
Manuel Ângelo Ochôa

EnconVoscoAve - É Bonito o Amor

I) Primeiro único soneto do Jardim do Luxemburgo

Pombos e pombas, que, por todo o mundo,

arrulhais, ante meus pés quase descalços,

a quietude, a mansidão, por tudo haverdes por nada.

Vós, sem voz, eloquentemente dizeis

que não oscile milímetros a íntimo ânimo,

ante a completude haurida plena graça.

Que não vagueie de vãos afãs, antes sossegue

num pulsar divino, sintonia com o coração do mundo.

E viagem termine antes de inicial partida,

viagem quieta, voo estancado pela melhor altura,

qual, desde cá em baixo, absoluta reside.

Poeta, deixai os comuns mortais erguerem-se e abalarem.

Não os tereis mais, como outrora, suspensos do vosso olhar,

esses que amaríeis rever após no coração da cor.

-

II) Novo Milénio

Redonda que nem O,

a formosa lua

repousa no zénite

do horizonte.

-

Presa ao corrimão da escada,

a bicicleta do sonho;

nela galgo degraus e patins,

milhentos andares.

-

Mesa,

onde a água, o quente café;

repouso a movimento;

pra versos motivo.

-

Cinzeiro,

com cinzas, fumos,

enche-se dum sobejo ar.

-

Radiozinho,

dos sons, vozes, luas;

ósculos a ouvidos

que auscultam.

-

Esferográfica,

riscando o plano, desliza;

verdade a preencher a luz.

-

Moedas esquecidas,

um troco distante;

a que jazem aí,

se ao mundo devidas?

-

Gentes,

irrompendo,

a entrada perpassam;

anelam p’lo dia,

por enquanto incerto.

-

A hora entreaberta,

tangem-se plenitudes.

-

A planta,

escondida, subindo húmus;

pouco, mas tanto, teimando crescer.

-

A espada,

o espírito, a palavra inflamada:

Recolhidos os versos, relê-se o transcrito;

confluem para a vida desvairados andantes.

-

Da porta

a passagem.

Ora o coração.

-

Maria o Filho nos dá;

com Ela sonhamos.

-

Envolvente capote

o corpo me abriga;

agasalha-me a alma;

veste-me o dia.

-

Seja véspera

da maior novidade;

encete-se

partida.

-

Ramerrão,

automóveis

por insondável desvio.

-

Retorno ao pão,

à palavra, à paz,

terreno sabor.

-

Óculos pra ver perto:

Luzentes evidências

a mim se imprimam;

alegrem-me ânimos.

-

Olhos pra ver longe,

opacas barreiras

fazei desmoronarem-se;

envolvam-vos distâncias.

-

Sonhos ar

do meu olhar

deixam nuvens

abandonadas.

-

Botas d’encantamento,

a corridas novas

com solas gastas;

que os atacadores

não se desapertam.

-

Isqueiro, breve chama

disparada pela chispa;

repentina crispa

baça luz ao transeunte ver:

Ateie-se jubilosa labareda.

-

Volante cachecol,

a vagalhões eólicos,

aconchegues-me a voz;

e, improviso, me guardes.

-

Fio d’óculos,

liberta-me prà lonjura;

as lentes suspende;

também quanto pese.

-

Relógio fixo a pulso e desalento,

pronto esqueça teu mostrador

de inexoráveis traços,

cale teu ponteado cromático,

mas levante mãos.

-

Cruz,

contentamento

pra alargado

amanhã.

-

À janela

estou dentro

e fora.

-

Família,

fundamentos

pra humana ponte.

-

Bensaúde: Aquática memória.

Estevais: Na fraga, o alto tojo.

San Martino: Los raros cangarêgos.

Freixo de Espada-à-Cinta: Inacessível romança.

Barcelos: Embarques tímidos versos por esse sereno Cávado.

Braga: À luta, à praça te convocam.

Lisboa: Caravelas deixaram fumo, nada.

Setúbal: Desterro, refúgio, gozosa liberdade.

-

III) Dos Sonhos Poemas

Rapaz

com maçã a custo equilibrada sobre ombro

fez sem fumo nem bilhete o percurso errado o dia todo;

acabou por pagar o máximo que a Caixa Multibanco permitia,

quando noitinha chegou à sua terra.

-

O Equívoco:

Vemos Camus; ceamos num recanto do teatro.

Seguimos atentos o depoimento filmado em vida do autor

reclamando-nos a portugueses e espanhóis

descendentes d’incertos carniceiros, e etc., etc.,

e da importância do por demais debatido bife bovino.

Nem reparamos que o figurão usa bigode.

Rimo-nos muito, quando se supõe não ter graça.

Não entendemos patavina quanto ali acontece.

Desliza o palco até à rua, e continuamos a peça.

Fazemos que nos cumprimentamos, e não dizemos nada.

-

Um dia, pra Deus, mil anos.’



111.333 milénios volvidos,

o sobejamente conhecido poeta,

humano dentre os muitos filhos de Abraham,

sic dixit: Já decorreu o lapso de tempo

que demorou a extinguir-se a débil luzinha

provinda da mais longínqua das estrelas.

Tenhamos agora revivida consciência do nosso último destino.

Os menininhos aprendizes das letras confundiam na cartilha

o nome impresso do vate, em tudo igual aos muitos mais nomes,

com o do avô lá de casa ou o da andorinha gémea ou o do fiel canídeo,

facto que não constituía, para as superiores instâncias, real preocupação:

Em qualquer parte dos conhecidos planetas

não escasseava a bambinos

tempo e tempo pra brincar.

Hoje em dia pouco ou nada sabemos

quanto aos pormenores relevantes

das vidas sumidas dos artistas;

no respeitante àquele com quem nos ocupávamos

há a anotar ter passado por banais constrangimentos:

Por não ter escrito nenhum soneto,

ou por não haver abraçado a sério a carreira diplomática.

-

Com ambas as mãos pegando aberto livro,

a jovem mulher mãe relê a história firmada;

perpassa linhas do texto que voz divina ditou.

O livro inclui os comuns nomes.

Tal lapso demora incomensurável tempo.

A franzina leitora esclarece a claridade.

-

Pungente entristecer p’la minha terra:

Subíamos rua acima para a casa da mulher amada.

Sob nossos passos se despegava palha enlameada.

Casara, tinha marido e filhos.

Beijávamos a prima, que, com as tias,

se encaminhava à oração da tarde.

O pai dobrava-se ao fundo da encosta sobre uns bacelos.

Estávamos para retomar o rumo pedregoso,

mai’las santas mulheres.

De amores idos rasto vão.

Dizem Senhor, Senhor, mas não vencem Reino.

Só a amorosa medida os sopesará.

Conclua-se que deambulávamos por uns sítios

e acordávamos noutros.

-

Jamais acabaremos de explicitar o claro dia:

O pai separara-se e vivia em Faro.

Ele seguia por toda a parte a João Paulo ii.

Incompatibilizara-se com um tio seu,

com quem frequentemente se cruzava.

Como reacender diálogo?

Não que se ralasse, dava-se por abalado.

Não só as catedrais encantam o esparzido mirar,

também o que em nós vive e não se diz.

-

Quanto começou com Feuerbach:

Revolvido o livro, assinalou-se dúbia passagem.

Os filhos da terra arrebatavam a eterna escritura.

Chegara o tempo, cada gesto era inaugural.

Submersa continuou a subterrânea oração.

Houvera em campo aberto peleja desigual.

E o humano Cristo deu-Se ao terrestre sentido.

-

Fomos ver o lugar de destino,

maior do que a princípio nos parecera.

Trama ter que mudar

mais coisas do que contávamos.

Até os filtros do fumo sobrecarregam bagagem.

Mais a metálica alvura do PC.

Quando remexemos haveres,

ficamos com a impressão de que uns quantos faltam,

até porque não damos fé deles na rotineira sequência.

-

‘…Projecto de sucessão…’



Continuar de pé até que pombas de meus olhos voem.

Continuar dormindo até se regelarem dedos.

Continuar rezando até que tempo finde.

Continuar esperando que café feche.

Continuar despido até que colchão navegue.

Continuar escrevendo até que papel acabe.

Continuar apaixonado até que mundo acorde.

Continuar sonhando até que morto durma.

Continuar delirando até se incendiarem órbitas.

Continuar ladainhas até que cérebro estale.

Continuar a acompanhar o derrube dos tiranos.

Continuar iluminado até que a maluqueira passe.

Continuar chorando por miosótis encarnado.

Continuar a teimar no trevo das quatro folhas.

Continuar a seguir rota de estrela cadente.

Continuar a guardar no coração cintilações natalícias.

Continuar a procurar piolho estrelinha

na cabeça rachada do Menino Jesus.

Continuar a arriscar vermelho branco.

Continuar sangrando até se esgotar água.

Continuar boiando até que sangue estanque.

Continuar a coçar jubilosa ferida.

Continuar a prolongar gélido chuveiro.

Continuar a adorar mulher artimanha.

Continuar a andar sobre escombros lua.

Continuar sentado até os pés da cadeira enraizarem.

Continuar a dar corda a relógios que ninguém olha.

Continuar escutando especial música.

Continuar a elucubrar variáveis linguagens.

Continuar a cantarolar milagre da vida.

Isto e muito mais até que paizinho evapore.

Isto e muito mais até que paz floresça.

-

O super criativo dramaturgo dos entremezes

misturou dinheiro com borboletas; entenda-se

actores falhados, recém-formados no Conservatório,

alimentando milhentas ilusões,

Cristo Jesus, Benigni, Buda, Fellini, Kafka, Saramago, Dario Fo.

Ilusionista, minimalista, sensacionalista

fez personagens comer montes de erva,

sacando-as à insídia tabagista.

Enfim reconhecido por Hollywood e Academia,

que tais momos símios reabilitou.

Outrora por foro médico declarado somente

esquizofrénico paranóico de discurso alucinatório ilógico,

ao lhe perguntarem insistentemente se ouvia vozes

respondia: Não, não, infelizmente não ouço.

Montou, explicamos, super espectáculo exótico:

Arranjou carrinha com articulações bizarras,

foi conquistando mundo, Leste dentro,

enquanto Sua Santidade peregrino

conseguia avanços diplomáticos,

que contribuíam para sucessivos degelos

entre fundamentalistas ortodoxos,

para não mencionar dinossauros marxistas.

Estrondoso êxito para barbárie,

autêntica festa, sonho e loucuras delirantes:

Estrelas decadentes luzeiros e fogo soprado,

sobremaneira convincentes prò bom Deus pasmado.

Achou um jeito seu, animista, de tratar luzinhas,

odores, super atletas, marcações, actores

desdobrando-se em contorcionismos,

improvisos, arranques, imprevistos malabarismos.

Não que fosse circo ou ópera bailada,

mas inédito festival.

Conseguiria obter universal aplauso,

pois movia quanto mais primitivo há no humano fenómeno.

Autêntico iluminista místico malabar, suposto autor realizador filósofo

encenador, alongou devaneios após devaneios, decénios após decénios,

num comummente designado intermédio pós-modernidade.

Acabou por colher louros possíveis,

áureas estatuetas, Pulitzer, Nobel.

Criança que mais não desejava senão ouvir pássaros

na manhã a louvar sem fim.

-

Jogue-se a céu aberto futebol.

Seja o imenso estádio,

estrondosamente iluminado,

indefinidamente prolongada festa,

que os canais televisivos dêem em directo.

-

Canto da mulher em Aoxa:

Em Aoxa sou feliz pois ando com quem muito bem quero.

Todos os dias trabalho com o meu asno transportando víveres.

Podem filmar prà Euronews que em Aoxa sou feliz.

Digam que é vida menor a paisagem destes dias,

que aqui não passou o tempo.

Que em Aoxa sou feliz.

Vem, burrinho amigo, não trates com à-vontade com humanos.

Passaste um dia sobrecarregado, mas já vem aí o nosso homem.

Recolhamo-nos à casa.

-

IV) Portuguesa Loquaz Gratuitidade

Ninguém vai a lado nenhum.

Que isto é muito bom.

-

Bilinguismo:

Bom dia, un petit café noir.

Desculpe,

se bem o entendo,

no ar não lho adrego,

antes na chávena.

-

O descalço d’Évora,

roto, mas podre de rico,

chega, à tarde, ao Arcada.

Logo o garçon o atira à rua;

mas o dono vai rebuscá-lo de volta.

Ele, acomodando, exclama:

Senta-te, meu Dinheiro.

-

V) Manhã a Sul

Donzela roxa punceta desmaia; basta do sol um ténue raio,

reanima-se a rua; se não tivéssemos bolsos, as mãos se despedaçavam;

saltitam avezinhas, p’lo empedrado ensaiando tímidos devaneios;

gaivotas pairam voos altos, brancuras rompem entre neblina;

rafeiros vão perdidos em remanescente ruína, já antes noite petrificada;

salpicando relva, estremece límpida água musical que purifica.

A negrilhos - em fila prolongando a avenida - parecem ascender

para olhos sonhadores do poeta folhas num amarelento matiz;

gotículas do orvalho à clara luz refervidas cristalizam lacrimosas;

aéreas flâmulas transmitem morse, vento, murmúrio libertário;

na nogueira o estorninho desfaz o bico em açúcar no pissitar;

caudalosa a fluir o alto júbilo a hora grita escancarada.

-

VI) Périplo Navegante

Mira-me, Miguel,



com’stou de bonitinha,

saia do burel,

camisinha da estopinha.’

Dá-me teu corpo, a mão,

que imos à bailia.

-

P’lo Marão,

apertadas curvas,

remansosas nascentes.

-

Amarante, Ponte Velha,

passos refazendo o poeta, santo absorto.

-

Bragança, Fervença,

bicicletas e patins sobre frágil gelo.

-

Mirandela,

deslumbres, alturas outras, outro hossana.

-

Pocinho,

barrenta a cor cansada à terra, mansidão ensolarada.

-

Até à Ermida da Senhora dos Montes Ermos,

ladainhas, ecos secos, um percurso árduo.

-

Cerejais,

directa emoção, limpos pardais; rosa ou conta murmurada.

-

Espantados na cor,

corremos do todo a intimidade.

-

Alcácer,

p’lo ar vagando a voo.

-

Miradouro, Castelo de Palmela:

Sob fogoso sol, serena baía.

-

Évora,

a cal refresca farpas a róseo clarear.

-

Grândola, jardins:

Largueza airada, um povo bom.

-

Por Reguengos

assentados, entendemos rendilhada fala, velha gesta.

-

Tomar, Baptistério de S. João,

enlevo para o Pai, desce a Pomba Amor aO Filho nu.

-

Entroncamento,

errantes áreas, qualquer incerta pista.

-

Atalaia

morre nocturno sono sob cripta.

-

Delongo,

concavidades, degredado divagar;

florações silvestres.

-

Santarém, Portas do Sol:

O Tejo transborda Vaso Graal.

-

A cadelita arrojou-se aos pés do amigo,

que, varado, se sentiu um Deus Manteiga.

-

Alte:

Dos amendoais a flor altos atapeta.

-

Fuzeta,

bordado, em água, devaneante carreiro.

-

Uma acácia

nos sacode.

-

Albufeira,

ocre pólen, flor fibrosa,

esfarelada rocha.

-

Olhão,

ou o só cozido peixe.

-

Angra do Heroísmo,

arquitectural filigrana.

-

Fogo,

vazio populoso, gente diversa, mastigando sol.

-

Pico,

e ainda um baleeiro.

-

S. Miguel,

éden ajardinado com vista.

-

Fão,

areal com bruma,

névoa rasa p’los pinhais.

-

Líquenes,

voracidade;

o perpassar.

-

Ao bosque do Bom Jesus do Monte,

equilibrada écloga.

-

Santa Luzia,

morres-me

sonhos cheios.

-

Vila do Conde:

Belo e Régio

te cantaram,

mas o encanto

é contemplar-te.

-

Póvoa de Varzim,

alma do Anto jogral eternizou teus pescadores,

gorros à banda.

-

Régua,

vinhedos coloram maravilha única.

-

Porto,

escorrerem lágrimas por escadarias:

Cai estrela.

-

Cidade Rodrigo:

Inúmeros relógios compactados.

-

Trancoso:

De um dia pra outro árvores engalanadas.

-

Los Angeles,

de luz por sobre a escrita, e lá por fora.

-

Santo Domingo,

com pombas, em bandos, até à sombra.

-

Foz Côa,

rupestre,

baçal geometria.

-

A S. Bento,

à Rua das Francezinhas,

será que ecoa o oco?

-

Málaga:

Desmaiam embalos

adormentados mastros

de embarcações.

-

Transluz

correspondido afecto

a faces;

imprevistos despoletar

em teu pasmo,

burgo mordaz?

-

Mealhada,

chanfana, enguias, leitão, carrascão, mel;

melancólico restaurante.

-

Tocha,

raras tardes estivais; saudosa devação.

-

Beja:

Andadas à boleia vastidões da noite,

achámo-nos nos BV.

-

Guarda,

devaneios ligeiros, amoras, silvas, cardos, neve completa.

-

Por Seia,

ao primeiro pão quente, suscitam-se-nos operários sonhos.

-

República Ai Ò Linda:

Ao WC

mandam caloiro vociferar Camões.

-

Contra a contumácia,

imo-nos de mãos dadas.

-

Cáceres,

sobre pedras

teima chuva.

-

Sevilha,

um mergulho ao pé dum jorro;

libelinhas, nenúfares, vida inteira.

-

Em Valverde,

por raros livros soletradamente connosco deparamos.

-

Cultivar

cenoura, gosto telúrico.

-

No Teatro Sousa Bastos

o perturbado psicólogo

vê um filme neo-realista,

a libido manifesta.

-

La Coruña, 61,

nevoenta antemanhã, encantados Juan, Ramón, Jiménez,

Platero, e eu.

-

Sintra, áleas:

Plátanos, negrilhos, pinhos, noite dentro.

-

Lisboa, Príncipe Real:

César Monteiro, boceja, canta,

louco d’asilo tenebrosamente vaiado e anulado.

-

Bornes,

augusto mundo meu dos áureos altos;

onde pairo, boquiaberto prò divino.

-

‘…1 e 2 e 3 era uma vez um soldadinho…’



Nem foi à guerra nem voltou à terra.

Andou caminho.

-

‘…No tempo da eira fazia poeira…’



Disparada entre tantas

a estrelinha

a que da cerca surpreendemos giro.

-

P’lo lago,

libelinhas, a pique, num ápice, fulminam.

-

Monte Agudo;

pombas p’lo ar aberto.

-

Extensões de Valença;

rafeiro fugitivas presas investiga,

a raro faro.

-

Curvaceiras;

rumorejarem folhas; madureza a rever.

-

Bonfim

mói calmas.

-

Tomar, Trav. da Misericórdia, 14, 1º., Esqº.:

Da janela ao empedrado sinistro pulo.

-

Portugal em fogo,

coração cinza devorado.

-

Vila Viçosa

da ressurreição.

-

Irmã Lúcia,

no meio de nós.

-

Missa sobre o mundo,

renascendo madrugadas.

-

S. Martinho do Bispo, ao adro;

grama, hera, erva, musgo.

-

Santa Cita

doravante habitamos.

-

A mansa pombinha

bicou na palma da mão.

-

Volta da Pedra,

inaugurais carreiros a ar livre.

-

Vale da Vilariça:

Eclosão da maior alegria,

estreita-me d’apertado laço.

-

Bencanta,

sótão a alumbramentos;

atentado premeditado contra Isaac Rabin;

Mãe, como desculpas.

-

Eu nasci num país posto no mar:

Gaivotas guiam-me o leme

estafadinho a rumar.

-

Camponesa,

cara rasgada, escava duro ardor, óptimo nada.

-

Do snooker

a partida imprevisível.

-

Missão

cada hora.

-

Bordel,

e mofo.

-

Meu bom velho,

devaneando pela Idade Média sãs certezas?

-

Sinfónicos policromáticos chilreios.

Anda, e ouve, Messiaen.

-

Domingo único,

açucenas, calmas

-

Monsaraz,

ante isto, nada és, poeta.

-

Comporta:

Maresia, navegações, sargaço, extensíssimo areal.

-

Ser-se

sem peso.

-

Ilha do Arcanjo:

Árida vereda, livre toada, áspero verso.

-

Porto Formoso,

no coração do verde chá.

-

Faial,

abalo ou convulsão, céu estrelado, às lavas.

-

Da Horta à Madalena

vela enfunada leva-me o branco nada.

-

Pico revisto,

com vides, penhas, entrechos basálticos.

-

Nos Capelinhos

gravar teu nome, à flor cinza,

na costa do relevo.

-

P’lo Canal

frágil veleiro

vai lieiro.

-

A Senhora da Guia

voo me acompanhe à vivaz luz.

-

Flamengos,

bodes, asininos, bovinos.

Quando não agrícola empresa, familiar gestão.

-

Em Angra, nas proximidades do Museu,

decifrar línguas d’arrulho

a cúmplices pombos,

num vagaroso sono,

sob céu nítido.

-

Jardim Duque da Terceira,

com nuvens às farripas, iguais a pétalas.

-

Da Angra à Praia da Vitória

p’los olhos se afundam

excessivas lindezas.

-

Luz demasiada

rota da alegria;

maternal coração

timidez vencida.

-

Biscoitos;

num terraço

ajardinados vasos.

-

Feteira:

Um chafariz,

uma inscrição,

um toldo.

-

Zdenka Cecília Schelingová,

quantos comunistas estarão sorrindo

contigo

por teu perdão?

-

Santa Cecília,

embala-nos

celestes polifonias.

-

Clara

fins clareia.

-

Clotilde

constrói forte.

-

Seldon:

É milagre a obra.

-

Maria, Madalena.

P’lo sussurro da voz O conhecesTe:

Não era o hortelão.

Rabboni, exclamaste.

Ele pediu-te que não O detivesses.

-

Craveirinha,

judeu preto devaneador,

sob quais torrentes acenas?

-

Ai soidade…’



Flor

Évora

Cesária do distante

Alentejo ida na revoada.

-

Sacada ao fresco;

estremecerem estilhaçados espelhos

p’lo fugidio elemento.

-

Duras pedras demoradas

quisera meus versos,

essência da luz

saudosos;

a embalo de ouvi-los

morreria

p’la memória que dormem animados.

Na praça única os saboreei divinos:

Mel no céu da boca dum bambino.

-

João Cabeçadas:

Cruzar mares a todo o risco;

e fitar a enseada chegando.

-

Daniel Pires,

diversa entrada acrescer

ao caos burguês?

-

Calafate

dedilha guitarra sublime,

entoa trivial trova.

-

Carrapatoso,

declaradamente ateu,

enquanto vai degustando sardinhas,

engendra um Glória.

-

Manuel Bola,

calçados voadores sapatos,

sustenta surpreendentes actos.

-

Asdrúbal

a voz cava remói abisso.

-

Portugal Silveira

pretexta subliminar sucesso

pra atirar,

a nacos áridos,

carónica.

-

João Calceteiro,

porteiro reformado,

intervala laboradas oitavas

com orientações a estacionamento.

-

Se, amor, pra conquistar-te

tivesse eu que me morrer,

para ser teu desde já

nem ente quisera ser.

Como não hei-de te amar?

Favo loiro, meu tesouro,

sonho claro a despontar.

-

Achamo-nos,

é Domingo de Páscoa,

em terra desconhecida.

A casa estranha acolhidos,

assam-nos peixe no lume do chão

pra celebrar o dia.

Consigo ligar ao pai e à família distante acertando

incrivelmente num número p’lo telemóvel.

Acabamos enfim por reunir-nos; ignoremos

embora o quanto rondará no cômputo a despesa.

Acidentada viagem nos trouxe até nós a irmã,

p’lo Expresso, rasgando ravinas.

-

Tarde é o copo que bebes cheio ar;

noite o sono que dormes amado nada;

antemanhã a espera da certeza;

manhã os olhos te devolve.

-

Amacia o coração roupa ajustada;

acaricia mãos água lavada;

ameiga face o ar da rua;

amansa temores a plena lua.

-

Crê,

é dia;

joelhos

dobrados

na janela.

-

Meu céu

a hora

entrada;

minha rosa

chaga aberta;

riso ruivo

o gergelim.

-

Estremadura,

seca aragem,

campestre paisagem;

o bicho calmo

não cabe em si.

-

Manuel Maria:

Doída eternidade,

doido coração, és minha.

Zoilos, zarpai.

Abraça-me a Rainha.

-

Granja:

Devora noites milenares

meigo monstro jacente

sobre liteira enorme

no aquático fundo.

-

Burga,

temíveis raios.

-

Nazo,

feira,

pastoso pó,

posta,

moeda grossa.

-

Torrão,

nem uma folha

bulindo.

-

Vontade de

explorar aventuroso

interior a assoalhada.

-

Estádio em Braga:

Asas a rasgar céu,

a arrojados golpes

pedra,

a escancarar alma.

-

Nem fiz guerra

nem sei guerra.

A-M..

-

Sertã,

sobre água límpida

corrente.

-

O indizível

completar-se por toda a parte.

-

Estou cá,

óbvio sobre o solo.

-

Que mais sacar aos bolsos

senão calor?

-

Vale Manso,

completude a olhos dada,

fugidia miragem.

-

Sardoal:

No alto templo soam aleluias.

-

Na Herdade do Esporão,

sobre relvado, à sombrinha.

-

Por Janeiro, junquilhos no balseiro.

Cedinho, ao aclarar, lilases desbastar.

-

Lisboa

com tantas casas,

com tanta vida

não minha.

-

Vouzela:

Povo inúmero,

imensa alma, fibras doloridas.

-

Alexandrina,

para o Cristo Eucarístico:

O certo é que viesTe ter comigo.

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As pedras da minha rua

desenham-me uns sonhos bailarinos;

amanhecendo a anil os melhores céus.

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Enlaçados,

exalçamo-nos à soberana alegria.

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Alvorecerem flores seu fascínio.

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Em Tomar a Cruz Templária é gravada pelos passeios.

Todos a pisam, mas A Pomba exalta-a às Alturas Onde O Filho Rei.

SALVE SPES UNICA.

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Findo meu erro comigo,

durmo um sono antigo sob enorme mar.

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Não ligues, amor,

que vou perdido na distância a florir.

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Em Manteigas, um repuxo, sob dependentes chorões,

esparze desmaios, enquanto luz indeciso matiz.

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Gouveia, Largo de S. Pedro,

diluem-se borrões num vislumbrar.

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Belmonte,

vegetação absoluta.

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Fugir a rua

a conversas ciciadas, teu lugar.

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A cor orquídea nos projecta.

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