Vigilância epidemiológica


IV - Acidentes por Himenópteros



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IV - Acidentes por Himenópteros
1. Introdução
Pertencem à ordem Hymenoptera os únicos insetos que possuem ferrões verdadeiros, existindo três famílias de importância
médica: Apidae (abelhas e mamangavas), Vespidae (vespa amarela, vespão e marimbondo ou caba) e Formicidae (formigas).
2. Epidemiologia
A incidência dos acidentes por himenópteros é desconhecida, porém a hipersensibilidade provocada por picada
de insetos tem sido estimada, na literatura médica, em valores de 0,4% a 10% nas populações estudadas. As reações
alérgicas tendem a ocorrer preferencialmente em adultos e nos indivíduos profissionalmente expostos. Os relatos de
acidentes graves e de mortes pela picada de abelhas africanizadas são conseqüência da maior agressividade dessa espécie
(ataques maciços) e não das diferenças de composição de seu veneno.
3. Himenópteros de importância médica
A ordem Hymenoptera se divide em duas subordens: Symphyta, onde predominam as espécies fitófagas e os
adultos apresentam abdome aderente ao tórax, e Apocrita onde a maioria das espécies é entomófaga e os adultos
apresentam o abdome separado do tórax por uma forte constrição.
A subordem Apocrita se divide em Terebrantia, que possui ovipositor, e Aculeata com acúleo ou ferrão.
O número de espécies conhecidas de Aculeata é de aproximadamente 50 mil, das quais 10 a 15 mil são formigas
(superfamília Formicoidea), 10 mil de espécies de abelhas (superfamília Apoidea) e 20 a 25 mil de vespas (superfamílias
Bethyloidea, Scalioidea, Pompiloidea, Sphecoidea e Vespoidea).

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Acidentes por abelhas
1. Características anatômicas do grupo
As abelhas e vespas apresentam o corpo dividido em cabeça, tórax e abdome.
Fig. 48. Morfologia externa de abelha operária de Apis Mellifera 1 ocelos; 2 cabeça; 3 olhos compostos; 4 antena;
5 mandíbula; 6 probóscide; 7 glossa; 8 maxila; 9 toráx; 10 asas; 11 espiráculo; 12 abdome; 13 aguilhão; 14 pernas
(adaptação do livro Anatomy of the Honey Bee. R.E. Snodgrass, 1978).
As vespas diferem das abelhas principalmente por apresentarem o abdome mais afilado e entre o tórax e o abdome
uma estrutura relativamente alongada, chamada pedicelo e popularmente conhecida como “cintura”. As abelhas possuem
pêlos ramificados ou plumosos, principalmente na região da cabeça e tórax, e os outros himenópteros possuem pêlos simples.
O ferrão dos Aculeata apresenta-se dividido em duas partes, sendo uma formada por uma estrutura muscular e quitinosa,
responsável pela introdução do ferrão e do veneno e outra parte glandular, que secreta e armazena o veneno. A glândula de
veneno dos  Aculeata pode apresentar muitas variações mas geralmente é constituída por dois filamentos excretores, um
reservatório de veneno e um canal que liga o reservatório ao ferrão.
Quanto ao padrão de utilização do aparelho de ferroar, os Aculeata podem ser divididos em dois grupos: espécies que
apresentam autotomia (auto-amputação) ou seja, quando ferroam perdem o ferrão, e espécies que não apresentam autotomia.
As que possuem autotomia, geralmente injetam maior quantidade de veneno e morrem após a ferroada pela perda do aparelho
de ferroar e parte das estruturas do abdome.
Nas espécies sem autotomia, o aparelho de ferroar pode ser utilizado várias vezes.
1.1. Distribuição geográfica dos principais himenópteros de
importância médica no país
As abelhas de origem alemã (Apis mellifera mellifera) (fig. 49) foram introduzidas no Brasil em 1839.
Posteriormente, em 1870, foram trazidas as abelhas italianas (Apis mellifera ligustica). Essas duas subespécies foram
levadas principalmente ao sul do Brasil.
Já em 1956, foram introduzidas as abelhas africanas (Apis mellifera scutellata), identificadas anteriormente
como Apis mellifera adansonii.

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Fig. 49. Apis mellifera: rainha, zangão e operária. (Foto: Acervo do Depto. Expl.
Animal/FMVZ/UNESP)
As abelhas africanas e seus híbridos com as abelhas européias são responsáveis pela formação das chamadas
abelhas africanizadas que, hoje, dominam toda a América do Sul, a América Central e parte da América do Norte.
O deslocamento destas abelhas foi mais rápido no Nordeste do Brasil, aproximadamente 500 km/ano, onde o
clima é tropical seco; de 200 a 250 km/ano em clima úmido, tais como florestas tropicais da Bacia Amazônica e Guianas;
e, em direção ao Paraguai e Bolívia foi de aproximadamente 150 km/ano e tornou-se zero após os paralelos 33 e 34,
entre as províncias de Entre Rios, Santa Fé, Córdoba e São Luiz, na Argentina.
2. Ações do veneno
O veneno da  A. mellifera é uma mistura complexa de substâncias químicas com atividades tóxicas como: enzimas
hialuronidases e fosfolipases, peptídeos ativos como melitina e a apamina, aminas como histamina e serotonina entre outras. A
fosfolipase A2, o principal alérgeno, e a melitina representam aproximadamente 75% dos constituintes químicos do veneno. São
agentes  bloqueadores neuromusculares. Podendo provocar paralisia respiratória, possuem poderosa ação destrutiva sobre
membranas biológicas, como por exemplo sobre as hemácias, produzindo hemólise. A apamina representa cerca de 2% do veneno
total e se comporta como neurotoxina de ação motora. O cardiopeptídeo, não tóxico, tem ação semelhante às drogas ß adrenérgicas
e demonstra propriedades antiarrítmicas.
O peptídeo MCD, fator degranulador de mastócitos, é um dos responsáveis pela liberação de histamina e serotonina no
organismo dos animais picados.
3. Quadro clínico
As reações desencadeadas pela picada de abelhas são variáveis de acordo com o local e o número de ferroadas, as
características e o passado alérgico do indivíduo atingido.
As manifestações clínicas podem ser: alérgicas (mesmo com uma só picada) e tóxicas (múltiplas picadas).
3.1. Manifestações
3.1.1. Locais
Habitualmente, após uma ferroada, há dor aguda local, que tende a desaparecer espontaneamente em poucos minutos,
deixando vermelhidão, prurido e edema por várias horas ou dias (fig. 50). A intensidade desta reação inicial causada por uma ou
múltiplas picadas deve alertar para um possível estado de sensibilidade e exacerbação de resposta às picadas subseqüentes.

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3.1.2. Regionais
São de início lento. Além do eritema e prurido, o edema flogístico evolui para enduração local que aumenta de tamanho nas
primeiras 24-48 horas, diminuindo gradativamente nos dias subseqüentes. Podem ser tão exuberantes a ponto de limitarem a
mobilidade do membro. Menos de 10% dos indivíduos que experimentaram grandes reações localizadas apresentarão a seguir
reações sistêmicas.
Fig. 50. Reação alérgica por picada de abelha: edema extenso uma
hora após picada (Foto: Acervo HVB/IB).
3.1.3. Sistêmicas
Apresentam-se como manifestações clássicas de anafilaxia, com sintomas de início rápido, dois a três minutos
após a picada. Além das reações locais, podem estar presentes sintomas gerais como cefaléia, vertigens e calafrios,
agitação psicomotora, sensação de opressão torácica e outros sintomas e sinais.
a) Tegumentares: prurido generalizado, eritema, urticária e angioedema.
b) Respiratórias: rinite, edema de laringe e árvore respiratória, trazendo como conseqüência dispnéia, rouquidão,
estridor e respiração asmatiforme. Pode haver bronco-espasmo.
c) Digestivas: prurido no palato ou na faringe, edema dos lábios, língua, úvula e epiglote, disfagia, náuseas,
cólicas abdominais ou pélvicas, vômitos e diarréia.
d) Cardiocirculatórias: a hipotensão é o sinal maior, manifestando-se por tontura ou insuficiência postural até
colapso vascular total. Podem ocorrer palpitações e arritmias cardíacas e, quando há lesões preexistentes
(arteriosclerose), infartos isquêmicos no coração ou cérebro.
3.1.4. Reações alérgicas tardias
Há relatos de raros casos de reações alérgicas que ocorrem vários dias após a(s) picada(s) e se manifestaram
pela presença de artralgias, febre e encefalite, quadro semelhante à doença do soro.

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3.2. Manifestações tóxicas
Nos acidentes provocados por ataque múltiplo de abelhas (enxames) desenvolve-se um quadro tóxico generalizado
denominado de síndrome de envenenamento, por causa de quantidade de veneno inoculada (fig. 51). Além das
manifestações já descritas, há dados indicativos de hemólise intravascular e rabdomiólise. Alterações neurológicas como
torpor e coma, hipotensão arterial, oligúria/anúria e insuficiência renal aguda podem ocorrer.
4. Complicações
As reações de hipersensibilidade podem ser desencadeadas por uma única picada e levar o acidentado à morte,
em virtude de edema de glote ou choque anafilático.
Na síndrome de envenenamento, descrita em pacientes que geralmente sofreram mais de 500 picadas, distúrbios
graves hidroeletrolíticos e do equilíbrio ácido-básico, anemia aguda pela hemólise, depressão respiratória e insuficiência
renal aguda são as complicações mais freqüentemente relatadas.
5. Exames complementares
Não há exames específicos para o diagnóstico. Exame de urina tipo I e hemograma completo podem ser os iniciais
nos quadros sistêmicos. A gravidade dos pacientes deverá orientar os exames complementares, como, por exemplo, a
determinação dos níveis séricos de enzimas de origem muscular, como a creatinoquinase total (CK), lactato desidrogenase
(LDH), aldolases e aminotransferases (ALT e AST) e as dosagens de hemoglobina, haptoglobina sérica e bilirrubinas, nos
pacientes com centenas de picadas, nos quais a síndrome de envenenamento grave, apresenta manifestações clínicas
sugestivas de rabdomiólise e hemólise intravascular.
Fig. 51. Quadro tóxico por múltiplas picadas de abelha. (Foto: F.O.S. França)

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6. Tratamento
6.1. Remoção dos ferrões
Nos acidentes causados por enxame, a retirada dos ferrões da pele deverá ser feita por raspagem com lâmina e
não pelo pinçamento de cada um deles, pois a compressão poderá espremer a glândula ligada ao ferrão e inocular no
paciente o veneno ainda existente.
6.2. Dor
Quando necessária, a analgesia poderá ser feita pela Dipirona, via parenteral - 1 (uma) ampola (500 mg) em
adultos e até 10 mg/kg peso - dose em crianças.
6.3. Reações alérgicas
O tratamento de escolha para as reações anafiláticas é a administração subcutânea de solução aquosa de adrenalina
1:1000, iniciando-se com a dose de 0,5 ml, repetida duas vezes em intervalos de 10 minutos para adultos, se necessário.
Nas crianças, usa-se inicialmente 0,01 ml/kg/dose, podendo ser repetida duas a três vezes, com intervalos de 30 minutos,
desde que não haja aumento exagerado da freqüência cardíaca.
Os glicocorticóides e anti-histamínicos não controlam as reações graves (urticária gigante, edema de glote, bronco-
espasmo e choque), mas podem reduzir a duração e intensidade dessas manifestações. São indicados rotineiramente
para uso intravenoso (IV) o succinato sódico de hidrocortisona, na dose de 500 mg a 1000 mg ou succinato sódico de
metilprednisolona, na dose de 50 mg, podendo ser repetidos a cada 12 horas, em adultos, e 4 mg/kg de peso de
hidrocortisona a cada seis horas nas crianças.
Para o alívio de reações alérgicas tegumentares, indica-se uso tópico de corticóides e uso de anti-histamínicos como, por
exemplo, o maleato de dextroclorofeniramina, por via oral, nas seguintes doses: adultos - 1 comprimido (6 mg) até 18 mg ao
dia; em crianças de dois a seis anos - até 3 mg/dia; em crianças de seis a 12 anos - até 6 mg/dia.
Manifestações respiratórias asmatiformes, causadas por bronco-espasmo podem ser controladas com oxigênio nasal,
inalações e broncodilatadores tipo 
β
2
 adrenérgico (fenoterol ou salbutamol) ou com o uso de aminofilina por via IV, na
dose de 3 a 5 mg/kg/dose, em intervalos de seis horas, numa infusão entre 5 a 15 minutos.
6.4. Medidas gerais de suporte
Manutenção das condições do equilíbrio ácido-básico e assistência respiratória, se necessário. Vigiar o balanço
hidroeletrolítico e a diurese, mantendo volume de 30 a 40 ml/hora no adulto e 1 a 2 ml/kg/hora na criança, inclusive
usando diuréticos, quando preciso.
6.5. Complicações
Como o choque anafilático, a insuficiência respiratória e a insuficiência renal aguda devem ser abordados de
maneira rápida e vigorosa, pois ainda não está disponível, para uso humano, o soro antiveneno de abelha, não havendo
maneira de neutralizar o veneno que foi inoculado e que se encontra na circulação sangüínea.
Métodos dialíticos e de plasmoferese devem ser instituidor em casos de Síndrome de Envenenamento.
Pacientes vítimas de enxames devem ser mantidos em Unidades de Terapia Intensiva, em razão da alta mortalidade
observada.
Acidentes por vespas
As vespas são também conhecidas como marimbondos ou cabas. Algumas famílias de vespídeos como Synoeca cyanea
(marimbondo-tatu) e de pompilídeos como Pepsis fabricius (marimbondo-cavalo) são encontrados em todo o território nacional.

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A composição de seu veneno é pouco conhecida. Seus principais alérgenos apresentam reações cruzadas com os
das abelhas e também produzem fenômenos de hipersensibilidade. Ao contrário das abelhas, não deixam o ferrão no
local da picada. Os efeitos locais e sistêmicos do veneno são semelhantes aos das abelhas, porém menos intensos, e
podem necessitar esquemas terapêuticos idênticos.
Acidentes por formigas
1. Introdução
Formigas são insetos sociais pertencentes à ordem Hymenoptera, superfamília Formicoidea. Sua estrutura social
é complexa, compreendendo inúmeras operárias e guerreiras (formas não capazes de reprodução) e rainhas e machos
alados que determinarão o aparecimento de novas colônias. Algumas espécies são portadoras de um aguilhão abdominal
ligado a glândulas de veneno. A picada pode ser muito dolorosa e pode provocar complicações tais como anafilaxia,
necrose e infecção secundária.
A subfamília Ponerinae inclui a Paraponera clavata, a formiga tocandiracabo-verde ou formiga vinte-e-quatro-
horas de cor negra, capaz de atingir 3 cm de comprimento e encontrada nas regiões Norte e Centro-Oeste. Sua picada é
extremamente dolorosa e pode provocar edema e eritema no local, ocasionalmente acompanhada de fenômenos sistêmicos
(calafrios, sudorese, taquicardia). As formigas de correição, gênero Eciton (subfamília Dorilinae), ocorrem na selva
amazônica, são carnívoras e se locomovem em grande número, predando pequenos seres vivos. Sua picada é pouco dolorosa.
De interesse médico são as formigas da subfamília Myrmicinae, como as formigas-de-fogo ou lava-pés (gênero
Solenopsis) e as formigas saúvas (gênero Atta).
As formigas-de-fogo tornam-se agressivas e atacam em grande número se o formigueiro for perturbado. A ferroada
é extremamente dolorosa e uma formiga é capaz de ferroar 10-12 vezes, fixando suas mandíbulas na pele e ferroando
repetidamente em torno desse eixo, o que leva a uma pequena lesão dupla no centro de várias lesões pustulosas.
As espécies mais comuns são a Solenopsis invicta, a formiga lava-pés vermelha, originária das regiões Centro-
Oeste e Sudeste (particularmente o Pantanal Mato-Grossense) e a Solenopsis richteri, a formiga lava-pés preta, originária
do Rio Grande do Sul, Argentina e Uruguai. A primeira é responsável pelo quadro pustuloso clássico do acidente.
O formigueiro do gênero tem características próprias: tem inúmeras aberturas e a grama próxima não é atacada,
podendo haver folhas de permeio à terra da colônia.
As saúvas, comuns em todo o Brasil, podem produzir cortes na pele humana com as potentes mandíbulas.
2. Ações do veneno
O veneno da formiga lava-pés (gênero Solenopsis) é produzido em uma glândula conectada ao ferrão e cerca de
90% é constituído de alcalóides oleosos, onde a fração mais importante é a  Solenopsin A, de efeito citotóxico. Menos de
10% têm constituição protéica, com pouco efeito local mas capaz de provocar reações alérgicas em determinados
indivíduos. A morte celular provocada pelo veneno promove diapedese de neutrófilos no ponto de ferroada.
3. Quadro clínico
Imediatamente após a picada, forma-se uma pápula urticariforme de 0,5 a 1,0 cm no local. A dor é importante,
mas, com o passar das horas, esta cede e o local pode se tornar pruriginoso. Cerca de 24 horas após, a pápula dá lugar
a uma pústula estéril, que é reabsorvida em sete a dez dias (fig. 52). Acidentes múltiplos são comuns em crianças,
alcoólatras e incapacitadas. Pode haver infecção secundária das lesões, causada pelo rompimento da pústula pelo ato de
coçar.

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Fig. 52. Eritema, vesículas e pústulas em paciente picado por formiga do gênero Solenopsis
(lava-pés). (Foto: Acervo HVB/IB)
4. Complicações
Processos alérgicos em diferentes graus podem ocorrer, sendo inclusive causa de óbito. O paciente atópico é mais sensível.
Infecção secundária é comum, podendo ocorrer abscessos, celulites, erisipela.
5. Diagnóstico
O diagnóstico é basicamente clínico.
6. Tratamento
O tratamento do acidente por  Solenopsis sp (lava-pés) deve ser feito pelo uso imediato de compressas frias
locais, seguido da aplicação de corticóides tópicos.
A analgesia pode ser feita com paracetamol e há sempre a indicação do uso de anti-histamínicos por via oral.
Acidentes maciços ou complicações alérgicas têm indicação do uso de prednisona, 30 mg, por via oral, diminuindo-
se 5 mg a cada três  dias, após a melhora das lesões. Anafilaxia ou reações respiratórias do tipo asmático são emergências
que devem ser tratadas prontamente (vide Acidente por abelhas). Acidentes por Paraponera clavata (tocandira)
podem ser tratados de forma semelhante.

FUNASA - outubro/2001 - pág. 67
V - Acidentes por Lepidópteros
1. Introdução
Os acidentes causados por insetos pertencentes à ordem Lepidóptera, tanto na forma larvária como na adulta,
dividem-se em:
1.1. Dermatite urticante
a) causada por contato com lagartas urticantes de vários gêneros de lepidópteros;
b) provocada pelo contato com cerdas da mariposa Hylesia sp.
1.2. Periartrite falangeana por pararama
1.3. Síndrome hemorrágica por Lonomia sp
2. Epidemiologia
Os acidentes por lepidópteros têm sido, de modo geral, subnotificados, o que dificulta seu real dimensionamento.
Em virtude das particularidades apresentadas pelos três tipos de agravo, alguns aspectos epidemiológicos serão abordados
nos tópicos específicos.
3. Lepidópteros de importância médica
A Ordem Lepidóptera conta com mais de 150.000 espécies, sendo que somente algumas são de interesse médico
no Brasil.
3.1. Morfologia
Formas larvárias
A quase totalidade dos acidentes com lepidópteros decorre do contato com lagartas, recebendo esse tipo de
acidente a denominação de erucismo (erucae = larva), onde a lagarta é também conhecida por taturana ou tatarana,
denominação tupi que significa semelhante a fogo (tata = fogo, rana = semelhante).
As principais famílias de lepidópteros causadoras de erucismo são Megalopygidae, Saturniidae e Arctiidae.
Família megalopygidae
Os megalopigídeos são popularmente conhecidos por sauí, lagarta-de-fogo, chapéu-armado, taturana-
gatinho, taturana-de-flanela (fig. 53).
Apresentam dois tipos de cerdas: as verdadeiras, que são pontiagudas contendo as glândulas basais de veneno; e
cerdas mais longas, coloridas e inofensivas.

FUNASA - outubro/2001 - pág. 68
Fig. 53Megalopygidae - Podalia sp (Foto: R. Moraes).
Família saturniidae
As lagartas de saturnídeos apresentam “espinhos” ramificados e pontiagudos de aspecto arbóreo, com glândulas
de veneno nos ápices. Apresentam tonalidades esverdeadas, exibindo  no dorso e laterais, manchas e listras, características
de gêneros e espécies (fig. 54). Muitas vezes mimetizam as plantas que habitam.
Fig. 54Saturnídeo - Automeris sp. (Foto: R. Moraes)
Nesta família se incluem as lagartas do gênero Lonomia sp (fig. 55 e 56), causadoras de síndrome hemorrágica. São
popularmente conhecidas por orugas ou rugas (Sul do Brasil), beijus-de-tapuru-de-seringueira (norte do Brasil).

FUNASA - outubro/2001 - pág. 69
Fig. 55Saturnídeo - Lonomia obliqua. (Foto: R. Moraes)
Fig. 56. Colônia de Lonomia sp (Foto: V. Haddad Jr.)
Família arctiidae
Nesta  família se incluem as lagartas Premolis semirufa (fig. 57), causadoras da pararamose.
Fig. 57. Arctiidae - Premolis semirufa. (Foto: R. Moraes)

FUNASA - outubro/2001 - pág. 70
Formas adultas (mariposas-da-coceira)
Somente as fêmeas adultas do gênero Hylesia sp (Saturniidae) (fig. 58) apresentam cerdas no abdome que, em
contato com a pele, causam dermatite papulopruriginosa.
Fig. 58. Saturnídeo - Hylesia paulex. (Foto: R. Moraes)
3.2. Biologia
O ciclo biológico dos lepidópteros apresenta quatro fases distintas: ovo, larva, pupa e adulto.
Em Lonomia sp foram observados os seguintes períodos:
a) ovo - 30 dias de período embrionário;
b) larva - encontrada nos troncos das árvores, alimentando-se de folhas, esta estapa dura 59 dias;
c) pupa - permanece em dormência no solo por períodos de 45 dias;
d) adultos - vive cerca de 15 dias. Após o acasalamento ocorre a oviposição.
As lagartas alimentam-se de folhas, principalmente de árvores e arbustos.
Os megalopigídeos são solitários, enquanto os saturnídeos apresentam hábitos gregários.
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