Universidade Federal do Pará Núcleo de Teoria e Pesquisa do Comportamento



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Universidade Federal do Pará

Núcleo de Teoria e Pesquisa do Comportamento

Programa de Pós-Graduação em Teoria e Pesquisa do Comportamento

Aquisição de relações condicionais simétricas e não simétricas

e formação de classes por Cebus apella.

PAULO SÉRGIO DILLON SOARES FILHO

Belém/PA


2010

Universidade Federal do Pará

Núcleo de Teoria e Pesquisa do Comportamento

Programa de Pós-Graduação em Teoria e Pesquisa do Comportamento

Aquisição de relações condicionais simétricas e não simétricas

e formação de classes por Cebus apella.

PAULO SÉRGIO DILLON SOARES FILHO¹

Dissertação apresentada ao Programa de Pós-graduação em Teoria e Pesquisa do comportamento, como parte dos requisitos para obtenção do título de Mestre em Teoria e Pesquisa do Comportamento. Orientador: Prof. Dr. Romariz da Silva Barros

¹Bolsista de mestrado FAPESPA

Belém/PA


2010

ÍNDICE


RESUMO.....................................................................................................................iii

ABSTRACT..................................................................................................................iv

INTRODUÇÃO............................................................................................................1

MÉTODO ...................................................................................................................12

Sujeito..............................................................................................................12

Equipamento....................................................................................................13

Estímulos..........................................................................................................14

Procedimento...................................................................................................15

Fase 1. Ensino do procedimento de emparelhamento ao modelo arbitrário (treino das relações A1-B1, A2-B2 e B1-A1, B2-A2)...........................17

Fase 2. Emparelhamento ao modelo arbitrário A3-B3, A4-B4 e B3-A3, B4-A4, treino consistente..........................................................................23

Fase 3. Emparelhamento ao modelo arbitrário A5-B5, A6-B6 e

B5-A6, B6-A5, treino inconsistente.......................................................24

RESULTADOS E DISCUSSÃO...............................................................................25

REFERÊNCIAS ........................................................................................................32

Soares Filho, P. S. D. (2010). Aquisição de relações condicionais simétricas e não simétricas e formação de classes por Cebus spp. Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-graduação em Teoria e Pesquisa do Comportamento. UFPA. Belém, PA. 45 páginas.

RESUMO


A dificuldade em documentar a formação de classes em não-humanos pode ser devida ao uso de procedimentos de treino e teste desenvolvidos no contexto da pesquisa com participantes humanos. Diferenças entre as situações de treino e de teste podem produzir a deterioração do desempenho nos testes. Este estudo teve como objetivo comparar, em macacos-prego (Cebus spp.), a curva de aquisição de relações condicionais simétricas com a curva de aquisição de relações condicionais não simétricas, a partir de linhas de base condicionais diferentes para cada tipo de treino. Essa comparação pode fornecer indícios de formação de classes sem a necessidade de testes formais previstos no modelo descritivo de equivalência de estímulos. Foram utilizados, como participantes, dois macacos prego machos Cebus spp. um jovem-adulto (M09) e um adulto (M12), ambos com história de treino de discriminações simples e condicionais. Foram utilizados seis pares de estímulos bidimensionais (A1-B1, A2-B2, A3-B3, A4-B4, A5-B5 e A6-B6). O procedimento foi composto por três fases: Fase 1, “preparatória”, de treino das discriminações condicionais A1-B1 e A2-B2 utilizando o procedimento de emparelhamento ao modelo arbitrário com atraso zero; Fase 2, “consistente” ou “simétrica”, de treino da discriminação condicional A3-B3 e A4-B4 seguida do treino da discriminação condicional consistente com o padrão de resposta bidirecional (B3-A3 e B4-A4); Fase 3, “inconsistente” ou “assimétrica”, de treino da discriminação condicional A5-B5 e A6-B6 seguido do treino da discriminação condicional inconsistente com o padrão bidirecional (B5-A6 e B6-A5). O Sujeito M12 concluiu todas as etapas do experimento. A análise comparativa das curvas de desempenho do sujeito M12 indica uma aquisição mais rápida quando as relações treinadas são simétricas, sugerindo que os eventos arbitrariamente relacionados compõem uma mesma classe. Tal resultado sugere que a análise comparativa entre as curvas de desempenho é um procedimento promissor para avaliar formação de classes em sujeitos não-humanos. O sujeito M09 foi retirado do experimento na Subfase 3.1, pois seu desempenho não alcançou o critério de aquisição. Os dados do sujeito M09 sugerem a necessidade de uma análise detalhada das relações de controle durante a tarefa de MTS possibilitando assim o refinamento do procedimento de treino de emparelhamento ao modelo arbitrário.

Palavras Chave: Discriminações condicionais arbitrárias; formação de classes; Simetria; Cebus sp.

Soares Filho, P. S. D. (2010). Acquisition of symmetrical and non-symmetrical conditional relations and class formation by Cebus spp. Master's Thesis. Programa de Pós-Graduação em Teoria e Pesquisa do Comportamento. UFPA. Belém, PA. 45 pages.

ABSTRACT


Difficulty in documenting class formation in non-human participants may be due to the use of standard training and testing procedures developed in the context of research with human participants. Differences among testing and training situation may produce a decrease in performance during test. Using capuchin monkeys (Cebus spp.) as subject, this study intended to compare acquisition curve of a symmetrical with non-symmetrical conditional relation tasks, with different baselines for each conditional relation trained. This comparative analysis may provide us with some evidence of class formation without the need of the stimulus equivalence standard test protocols. Two male capuchin monkeys (Cebus spp.) participated: a young-adult (M09) and an adult (M12), both with history of simple and conditional discrimination training. Six pairs of bi-dimensional stimuli were used (A1-B1, A2-B2, A3-B3, A4-B4, A5-B5, and A6-B6). The procedure comprised three phases. In Phase 1, a “preparatory” 0-delay arbitrary matching to sample training was carried out (A1-B1 and A2-B2). In Phase 2, a "consistent" or “symmetrical” arbitrary matching to sample training was carried out (A3-B3, A4-B4, B3-A3, and B4-A4). In Phase 3, a "inconsistent" or “non-symmetrical” arbitrary matching to sample training was carried out (A5-B5, A6-B6, B5-A6, and B6-A5). Subject M12 finished all phases of the experiment. The comparative analysis between symmetrical and non-symmetrical acquisition curves (subject M12) shows easier acquisition of symmetrical task than non-symmetrical relations, suggesting that the arbitrary related events are members of class. This data suggest that the comparison between acquisition curves, such as it is described here, is a promising way to evaluate class formation in non-human participants. Subject M09 was removed from experiment because his performance did not reach the criterion in phase 3.1. M09 results pointed the need of a refined control relations analysis during the MTS task, making possible to improve the training procedure.
Key-Words: Arbitrary conditional discrimination; Equivalence class formation; Symmetry; Cebus spp.

As ciências do comportamento vêm, ao longo dos anos, avançando com êxito seus estudos sobre o comportamento e os princípios básicos que o descrevem, desenvolvendo, assim, tecnologias que aprimorem o planejamento de condições para a produção de repertórios especificados (Debert, 2001; Skinner, 1953/1965). No decorrer do desenvolvimento desta área de investigação, e a partir dos princípios gerais já estabelecidos, se faz necessária a investigação de padrões complexos de comportamento e das variáveis envolvidas na produção desses padrões.

É possível destacar, dentre outros, os padrões complexos de controle discriminativo de respostas, em especial os que envolvem o controle por classes de eventos (ao invés de por eventos individuais) ou o controle por eventos arbitrariamente relacionados (como no caso de parcela do repertório denominado simbólico), como um padrão complexo de comportamento, cujo conhecimento atual sobre as variáveis envolvidas na sua produção ainda é insuficiente.

Um padrão operante complexo de discriminação é o de discriminação condicional onde, diferentemente da discriminação simples em que um evento antecedente específico (estímulo discriminativo) controla a probabilidade de ocorrência de uma resposta em função de sua correlação histórica com um evento reforçador, o padrão de reforçamento e consequentemente o de resposta, está em função de um outro evento antecedente (estímulo condicional) que controla qual evento terá função de estímulo discriminativo. Desta maneira, na discriminação condicional, o reforçamento de uma resposta está correlacionado com pelo menos dois estímulos antecedentes. Cumming e Berryman (1965) propõem uma maneira hierárquica de olhar para este tipo de fenômeno onde os estímulos antecedentes (condicional e discriminativo) possuem funções distintas, sendo, em função de uma história de reforçamento, o estímulo condicional responsável por selecionar qual contingência discriminativa está em vigor.

O procedimento de emparelhamento ao modelo ou MTS (matching-to-sample) configura-se como um procedimento de treino de discriminação condicional em situação experimental (Sidman, 1994) e consiste basicamente nas seguintes ações: (1) apresentação de um estímulo modelo (estímulo condicional); (2) resposta de observação ao estímulo modelo; (3) apresentação dos estímulos de comparação e (4) resposta de escolha a um dos estímulos de comparação. Se a resposta de escolha for ao estímulo previamente determinado como comparação correta (discriminativo ou S+), em função de qual modelo foi apresentado, será reforçada, iniciando-se um intervalo entre tentativas (IET). Resposta às comparações diferentes do determinado como correto não é reforçada e o IET é iniciado. Para ambos os casos, após o IET outra tentativa é iniciada.

De uma maneira geral a caracterização do procedimento de MTS está em função de pelo menos dois conjuntos de propriedades: o primeiro quanto à ordem com que os estímulos de comparação são apresentados em relação ao modelo e o segundo quanto à característica que determina a escolha de um estímulo em detrimento de outro como a comparação correta em função da relação entre as propriedades físicas dos estímulos de comparação e as dos modelos.

Quanto à ordem de apresentação dos estímulos de comparação em relação ao modelo, Cumming e Berryman (1965) apresentam dois tipos1 de emparelhamento ao modelo. Um deles é chamado emparelhamento ao modelo simultâneo, onde resposta ao modelo produz imediatamente apenas a apresentação das comparações e o estímulo modelo permanece simultaneamente com os estímulos de comparação. O outro procedimento é chamado de emparelhamento ao modelo com atraso, e nele a resposta ao modelo produz o desaparecimento do estímulo e o aparecimento das comparações. O tempo entre o desaparecimento do modelo e o aparecimento das comparações é denominado de atraso, podendo variar a partir de zero.

Quanto à relação entre as propriedades físicas dos estímulos que determinam qual é a comparação correta, podemos falar de pelo menos dois tipos. O primeiro é o emparelhamento ao modelo por identidade (IDMTS) onde a comparação correta compartilha as mesmas propriedades físicas do estímulo modelo (idênticos), ou seja, neste procedimento é reforçado o responder à comparação idêntica ao estímulo modelo. Podemos também descrever um segundo tipo de procedimento onde o critério para definir o estímulo correto não está baseado no compartilhamento de propriedades físicas com o modelo, ou seja, neste tipo de procedimento o reforçamento é o único critério para definir o estímulo correto. Tal procedimento é denominado de emparelhamento ao modelo arbitrário (ArbMTS).

Sidman e Tailby (1982) e Sidman (1994; 2000), fazendo uso do procedimento de emparelhamento ao modelo arbitrário, propõem que as contingências de reforçamento, não apenas poderiam produzir responder condicional, como também, gerariam substituibilidade entre os estímulos positivamente relacionados na contingência. Assim, o procedimento de emparelhamento ao modelo poderia produzir relações bidirecionais (S-S) entre os estímulos utilizados como modelo e comparação correspondentes durante o treino de ArbMTS. Estas relações seriam evidenciadas pela manutenção ou favorecimento do responder quando recombinações não treinadas destes estímulos fossem apresentadas ao sujeito, seja a recombinação de um dos estímulos com ele mesmo (Reflexividade), a recombinação entre estímulos modelo e comparação (Simetria) de maneira que os estímulos anteriormente apresentados como modelo são apresentados como comparação e vice-versa, ou a combinação direta entre dois estímulos indiretamente relacionados, ou seja, relacionados a um terceiro em comum (Transitividade). A substitutabilidade entre elementos arbitrariamente relacionados foi denominada por Sidman (1982; 1994; 2000) de formação de classes de equivalência.

O procedimento de MTS e a formação de classe de equivalência parecem oferecer uma importante ferramenta para elucidar a base do que tem sido denominado de comportamento simbólico ou pré-simbólico (Bates, 1979; Deacon, 1997) e também a maneira arbitrária como os eventos estão relacionados na linguagem (Sidman, 1994).

O modelo descritivo de Sidman (Sidman & Tailby, 1982) está inicialmente vinculado ao procedimento de ArbMTS. Tradicionalmente o procedimento de ArbMTS envolve no mínimo quatro estímulos (e.g. A, B, C e D). Primeiramente são treinadas diretamente as discriminações condicionais A-B e C-D, ou seja, quando o estímulo A é apresentado como modelo, os estímulos B e D são apresentados como comparação e escolher o comparação B é reforçado e escolher o D não. O contrário é feito quando o estímulo C é apresentado como modelo. Em seguida são feitos testes com tentativas discretas entre as tentativas da linha de base onde, por exemplo, é apresentado um estímulo e é dada a possibilidade de responder a um estímulo igual (e.g. se A então A ou se B então B e etc). Se o desempenho for preciso nessas tentativas de testes inseridas na linha de base, é atestada a propriedade da reflexividade. Outro teste se caracteriza por tentativas nas quais a função dos estímulos é invertida. O que era comparação passa a ser modelo e o que era modelo passa a ser comparação (e.g. se AB então BA, se CD então DC). Desempenho preciso em testes com esta configuração atesta a propriedade da simetria. Outra propriedade tradicionalmente testada é a transitividade, quando são apresentadas tentativas com combinações de estímulos treinados separadamente com um estímulo em comum (e. g. se AB e BC então AC).

Estudos que utilizam sujeitos humanos, com e sem desenvolvimento típico, têm demonstrado largamente, de acordo com os critérios descritos anteriormente, formação de classes de equivalência (e.g. Devany, Hayes, & Nelson, 1986; Sidman, 1971; Sidman & Tailby, 1982). Em contrapartida, em estudos com sujeitos não humanos e com humanos com desenvolvimento severamente atrasado e sem habilidades lingüísticas, as propriedades acima descritas não têm sido facilmente documentadas (e.g. D'Amato, Salmon, Loukas, & Tomie, 1985; Devany et al., 1986; Lionello-DeNolf & Urcuioli, 2002; Sidman & Tailby, 1982) o que leva alguns autores a concluir que a demonstração da formação de classes de equivalência só é possível como conseqüência da existência de um repertório lingüístico (Dugdale & Lowe, 2000; Hayes, 1989; Hayes, Barnes-Homes & Roche, 2001). Apesar disso, estudos recentes demonstram a formação de classes de equivalência em sujeitos não humanos (e. g. Frank & Wasserman, 2005; Kastak, Schusterman, & Kastak, 2001; Manabe, Kawashima, & Staddon, 1995; Schusterman & Kastak, 1993) o que apóia a hipótese de que as classes de equivalência não são produto da linguagem, mas sim que a substituibilidade entre os estímulos se dá em função de uma história especifica de reforçamento, e de correlação entre os eventos, podendo assim, ser considerado um pré-requisito para o desenvolvimento do repertório lingüístico (Barros, Galvão, & McIlvane, 2002; Sidman, 1994; 2000).

As dificuldades de evidenciar a formação de classes de equivalência em sujeitos não humanos podem não representar uma incapacidade do sujeito, mas sim que os procedimentos empregados tradicionalmente para esta finalidade não são adequados e geram padrões de controle incompatíveis com a demonstração de classes de equivalência. McIlvane, Serna, Dube e Stromer (2000) e Dube e McIlvane (1996), utilizando o termo topografia de controle de estímulos (TCE) para descrever as relações de controle que mantêm o responder do sujeito, afirmam que os resultados negativos podem ocorrer em função meramente de um problema metodológico. Esses autores enfatizam que o treino de pareamento ao modelo pode gerar relações de controle de estímulos que não foram programadas pelo experimentador, e que estas relações podem ser incompatíveis com os procedimentos de verificação da formação de classes de equivalência.

Assim, tendo em vista a importancia da coerência entre as relações de controle planejadas pelo experimentados e as que efetivamente controlam o responder do sujeito ao longo do experimento, estudos vêm tentando desenvolver estratégias metodológicas para investigar de maneira confiável o fenômeno da formação de classes de equivalência e o potencial relacional de sujeitos não humanos (Brino, 2003).

Uma das características presentes nos procedimentos tradicionais de verificação de formação de classes de equivalência, que tem sido sistematicamente repensada, é a configuração da contingências de reforçamento durante as tentativas de teste. Galvão, Calcagno e Sidman (1992), mostram que a demonstração de resultados positivos nos testes de formação de classes de equivalência pode ser prejudicada pela ausência de reforçamento durante as tentativas de testes das propriedades referentes à formação de classes, demonstrando assim como a formação de classes de equivalência pode ser prejudicada por dificuldades metodológicas.

Conclusão semelhante à obtida com participantes humanos tem sido demonstrada em experimentos com participantes não humanos. Galvão, Barros, Santos, Brino, Brandão, Dube e McIlvane (2005) demonstraram que após sucessivas sondas de IDMTS generalizada (tentativas de IDMTS com estímulos novos para este tipo de tarefa) em extinção, foi gerado um padrão seletivo de resposta, sendo observada uma deterioração no desempenho durante tentativas com estímulos novos, padrão este, incompatível com a demonstração de IDMTS generalizada.

Em estudos visando a produção do repertório de IDMTS generalizada com sujeitos não-humanos, algumas estratégias metodológicas alternativas ao procedimento de teste em extinção vêm sendo empregadas na tentativa de evitar a deterioração do desempenho durante as tentativas de verificação.

Schusterman e Kastak (1993) e Kastak e Schusterman (1994), utilizando leões marinho como sujeitos, apresentam resultados positivos na demonstração de um responder generalizado à identidade entre os estímulos, utilizando um procedimento de teste no qual havia reforçamento programado para 100% das tentativas de sonda. Para que o desempenho fosse considerado como emergente ou generalizado e não produto direto do reforçamento disponibilizado durante as tentativas de teste, foi dada grande ênfase às primeiras tentativas com cada estímulo novo.

Galvão, et al. (2005), utilizando macacos-prego como sujeitos, também obtiveram resultados positivos na demonstração de um responder generalizado a identidade. Porém, foi observada deterioração do desempenho em função da alternância entre tentativas com estímulos da linha de base (treino) com 100% de reforçamento e tentativas com estímulos novos (testes) em extinção. Com a finalidade de evitar tal deterioração, foi implementada, durante o treino da linha de base, uma redução da probabilidade de reforçamento para que durante as tentativas de teste a probabilidade de reforçamento fosse igual tanto para estímulos da linha de base como para estímulos novos.

Outras estratégias metodológicas alternativas para verificação de algumas das propriedades definidoras das classes de equivalência (simetria e transitividade) vêm sendo usadas com procedimentos de testes diferentes dos utilizados tradicionalmente. Por exemplo, após o treino de duas relações condicionais (e.g. A1B1 e A2B2), para testar se o treino condicional gera um responder bidirecional, podem ser apresentadas tentativas que correspondam à contrapartida simétrica (consistente) das relações condicionais treinadas inicialmente (e.g. B1A1 e B2A2) e tentativas que não correspondam à contrapartida simétrica, sendo inconsistentes com as relações condicionais treinadas inicialmente (e.g. B1A2 e B2A1).

Neste procedimento, há reforçamento programado para todos os tipos de tentativas (consistente ou inconsistente) e a simetria pode ser atestada através da comparação das curvas de aprendizagem ou o número de acertos de cada relação. Se o treino condicional inicial gera uma relação bidirecional entre os estímulos, tornando possível que eles sejam substituíveis entre si como se fossem pertencentes a uma mesma classe, aprender as discriminações condicionais consistentes com as anteriormente treinadas deve ser mais rápido do que aprender as discriminações com tentativas inconsistentes.

D’Amato et al. (1985), utilizando um procedimento similar ao descrito anteriormente, realizaram um estudo com delineamento de sujeito único, macacos (Cebus apella) e pombos (Columbia livia) como sujeitos. A avaliação das propriedades foi feita através da comparação do desempenho nos testes consistentes em relação aos testes inconsistentes.

O estudo foi constituído de três experimentos e em todos foram utilizados três painéis de resposta, sendo um central, onde era apresentado o estímulo modelo, e dois outros localizados nos cantos inferiores, onde eram apresentados os estímulos de comparação. Nos Experimentos 1 e 2, foi utilizado o procedimento de ArbMTS com atraso zero e duas comparações. Respostas ao estímulo comparação arbitrariamente relacionado com o modelo produziam uma pelota de banana de 190g e um IET de 20 segundos. Respostas ao estímulo não relacionado ao estímulo modelo produziam apenas um IET de 60s, durante este período todas as luzes permaneciam apagadas (procedimento de “Timeout”).

No Experimento 1, seis macacos foram treinados em duas relações condicionais arbitrárias, após alcançarem um desempenho estável nestas relações (acima de 90% de acerto nas três últimas sessões) era feita uma sessão com os dois tipos de testes: testes consistentes e testes inconsistentes com a propriedade simétrica das relações treinadas anteriormente. Todos os sujeitos passaram por todos os tipos de teste e a ordem de apresentação dos tipos de teste era alternada entre os sujeitos. Neste experimento, todos os sujeitos alcançaram um desempenho superior a 90% de acerto durante o estabelecimento da linha de base.

Durante as tentativas de teste, apenas dois (Coco e Dagwood) dos seis sujeitos demonstraram evidências de simetria apresentando diferença significativa no desempenho entre as tentativas consistentes e as inconsistentes. Em uma fase preparatória para o Experimento 2, quatro dos seis sujeitos foram treinados em outras duas relações condicionais, sendo que o estímulo modelo utilizado para cada relação nova era o comparação correta das relações treinadas inicialmente. Em seguida foi testada a propriedade simétrica destas relações. Nesta etapa apenas um sujeito (Dagwood) demonstrou evidencias de simetria.

No Experimento 2, foi testada a transitividade das relações treinadas no Experimento 1 (Linha de base), ou seja, mantido o desempenho nas quatro relações condicionais treinadas no Experimento 1, eram apresentadas tentativas de teste com relações consistentes e relações inconsistentes com a propriedade de transitividade. Neste experimento todos os sujeitos demonstraram evidências de transitividade, apresentando um desempenho superior nas tentativas consistentes (91,7%) do que nas tentativas inconsistentes com a transitividade (22,4%).

No Experimento 3 ocorreu uma replicação do Experimento 2, porém com o procedimento adaptado para pombos como sujeito. Foram utilizados três pombos e todos passaram pelo treino de quatro discriminações condicionais, onde foram treinadas as mesmas relações dos Experimentos I e II. Neste experimento, não foi testada a simetria de cada relação condicional, mas foi testada a transitividade das relações treinadas (Linha de base). Os testes possuíam, como no Experimento 2, tentativas com relações consistentes e tentativas com relações inconsistentes com a transitividade das relações de linha de base e todas as tentativas de teste eram reforçadas. Neste experimento, diferentemente do experimento anterior, nenhum pombo apresentou indícios de transitividade, ou seja, todos os pombos apresentaram desempenho similar nos dois tipos de tentativas.

Em seu Experimento 2, Urcuioli, Zentall, Jackson-Smith e Steirn (1989) utilizaram pombos em um procedimento similar ao utilizado por D’Amato et al. (1985), porém com delineamento de grupo. Foi utilizado durante a fase de treino de linha de base (Fases 1 e 2) o procedimento de ArbMTS many-to-one, onde foram treinadas duas ou mais relações condicionais arbitrárias. Na Fase 3 de teste, os sujeitos foram divididos em dois grupos: um grupo foi exposto a sessões onde eram apresentados tipos de tentativas consistentes com as propriedades de transitividade (e. g. AC e DF) e o outro grupo era apresentado a tentativas inconsistentes com a transitividade (e.g. AD e BE). Seus resultados apresentam fortes evidencias de transitividade, pois o grupo com sessões onde os tipos de tentativas eram consistentes com a propriedade da transitividade, em relação à linha de base, apresentou um responder muito mais preciso (média de 74% de acerto) em relação ao grupo submetido a sessões com tentativas inconsistentes com o responder transitivo (média de 44%).

Nakagawa (2005) replicou sistematicamente o Experimento 2 de Urcuioli et al. (1989), mas com algumas alterações metodológicas (em função apenas do uso de ratos como sujeitos) obtendo resultados ainda mais evidentes na demonstração da transitividade do responder. A porcentagem média de acerto durante as 16 primeiras tentativas de teste foi de 84,5% para o grupo consistente e de 38,5% para o grupo inconsistente.

Velasco e Tomanari (2009) em um experimento com humanos como participantes utilizaram uma metodologia onde é possível avaliar evidências de simetria e transitividade através da avaliação do desempenho durante a execução da tarefa de discriminação condicional.

Neste experimento, foi utilizado um procedimento de sujeito único, porém não foi necessário que um mesmo participante passe pelo treino de relações condicionais consistente e inconsistentes ao mesmo tempo e para uma mesma discriminação condicional de linha de base. Foram utilizados em uma mesma sessão nove conjuntos de estímulos (A, B, C; A', B', C', A", B" e C") com quatro estímulos cada. Os estímulos foram divididos em quatro blocos de tentativas apresentados seqüencialmente: o primeiro consistia do treino das relações AB e BC, o segundo das relações A’B’ e B’C’, o terceiro das relações BA, CB, AC e CA e o quarto das relações B”A”, C”B”, A”C” e C”A”. As evidências das propriedades de simetria e transitividade provêm a partir da avaliação comparativa do desempenho durante as tentativas de discriminação condicional de cada tipo de relação, em função dos blocos de treinos apresentados. Se após o treino de AB e BC, o desempenho durante o treino de BA e CB fosse superior ao treino de B”A” e C”B” poder-se-ia atestar que o treino das relações AB e BC favorece o responder simétrico BA e CB. Se após o mesmo treino, o responder em AC e CA fosse superior ao em A”C” e C”A” poder-se-ia atestar a propriedade da transitividade.

Os resultados obtidos por Velasco e Tomanari (2009) indicam de maneira consistente apenas a demonstração de um padrão simétrico de resposta, não apresentado diferença significativa nas tentativas correspondentes ao padrão transitivo. Ou seja, neste experimento todos os participantes apresentaram uma aquisição mais rápida das relações condicionais BA e CB (correspondentes ao treino simétrico) em relação às B”A” e C”B”. Já na comparação entre as relações condicionais AC e CA (correspondentes ao treino transitivo) e as A”C” e C”A”, apenas um dos participantes apresentou uma aquisição mais rápida das relações condicionais AC e CA.

Os estudos realizados por D’Amato et al. (1985), Urcuioli et al. (1989) e Nakagawa (2005), apontam para a possibilidade de demonstração de um padrão de resposta consistente com o padrão definidor de uma classe de equivalência em sujeitos não humanos. Ampliando, juntamente com Velasco e Tomanari (2009), de maneira confiável as possibilidades metodológicas de avaliação e desenvolvimento de um responder relacional e conseqüentemente da demonstração de formação de classes de equivalência.

O presente experimento tem como principal objetivo, a partir da proposta metodológica de avaliação comparativa do desempenho durante o treino de discriminações condicionais consistentes e inconsistentes com as propriedades definidoras das classes de equivalência, avaliar se macacos prego (Cebus spp.), utilizando o delineamento de sujeito único, apresentam diferença de desempenho durante o treino de relações condicionais consistentes e inconsistentes com um padrão de responder simétrico.

MÉTODO

Sujeito

Foram utilizados dois macacos prego machos, adultos (Cebus spp., M12-Cotoh e M09-Guga), ambos com historia experimental de discriminação simples, discriminação condicional através do treino de emparelhamento ao modelo por identidade e arbitrário com estímulos bidimensionais (figuras preto e branco e fotos de macacos). Cada um dos sujeitos era mantido em uma gaiola-viveiro de 2.50 x 2.50 x 2.50 m, convivendo com outros três macacos da mesma espécie. A gaiola-viveiro ficava em um ambiente externo, porém adjacente à sala de coletas de dados. Todos os animais recebiam alimentação balanceada à base de frutas e ração uma vez por dia, por volta das 15 horas, e suplemento polivitamínico. Diariamente eram ministradas 10 gotas de Cetiva AE e uma vez por semana uma colher de Aminomix e 1,5 ml de Revitam Jr., misturados ao leite. As condições de manutenção e manejo dos animais, bem como os procedimentos experimentais adotados na presente pesquisa foram aprovadas junto ao Comitê de Ética em Pesquisa do Instituto de Ciências Biológicas da UFPA. O biotério é um criadouro de animais silvestres para fins científicos registrado junto ao IBAMA.


Equipamento

Foi utilizada uma câmara experimental equipada com monitor de tela sensível ao toque acoplado em uma das paredes da câmara, um computador PC Intel Pentium III, com o processador de 1 GH, com 128 Mb de memória RAM e HD de 20 Gb. (ver Figura 1). O software utilizado foi o EAM Vs 4.0 especificamente desenvolvido para o treino relações simples e condicionais entre estímulos, possibilitando várias maneiras de apresentação dos estímulos em várias matrizes, formatos e tamanhos e também o registro das respostas aos estímulos, latência e acionamento de dispensadores automáticos (Software desenvolvido por Dráusio Capobianco, com financiamento do CNPq).



Figura 1. Esquema do aparato utilizado durante as sessões experimentais.


Estímulos

Foram utilizados treze estímulos bidimensionais simples em preto e branco, formato “.bmp” (A1, A1’, A2, A3, A4, A5, A6, B1, B2, B3, B4, B5 e B6) e com dimensões de 93 pixels² (ver Figura 2). Foram utilizados três tipos de estímulos como eventos reforçadores, o primeiro foi pedaços de bolacha “creamcracker”, o segundo foi cubos de côco seco e o terceiro foram pelotas de açúcar sabor banana de 190 mg.




A1



B1



A2



B2



A3



B3



A4



B4



A5



B5



A6



B6



A1’




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