Universidade estadual de feira de santana departamento de ciencias humanas e filosofia



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UNIVERSIDADE ESTADUAL DE FEIRA DE SANTANA

DEPARTAMENTO DE CIENCIAS HUMANAS E FILOSOFIA

LICENCIATURA EM HISTÓRIA

A História da Igreja Adventista do Sétimo Dia em Feira de Santana

Patricia Bispo da Silva

FEIRA DE SANTANA – BA

2011

Tema

A inserção e consolidação da Igreja Adventista do Sétimo Dia em Feira de Santana (1960-1980).



Introdução

Apesar de no Brasil a igreja católica ser dominante, em meio ao período colonial, os protestantes não se ocultaram e desde cedo ocuparam espaço no país. Mudanças importantes só ocorreram a partir da primeira década do século XIX com a migração dos ingleses que gerou um tratado entre estes e o governo brasileiro, e posteriormente a instalação da igreja Anglicana no Brasil (SILVA, 2010). Com o tempo as missões vindas do EUA abriram o campo para que os protestantes pudessem ocupar ainda mais espaço no território brasileiro. A situação em que se encontravam os Estados Unidos influenciou a vinda de imigrantes norte- americanos para Brasil, esses imigrantes trouxeram consigo, entre outras coisas, o protestantismo que foi tolerado e incentivado pelo regime imperial. Esses protestantes de origem migratória juntamente com os missionários foram compondo o protestantismo brasileiro, e entre estes estava a Igreja Adventista do Sétimo Dia.

A Igreja Adventista do Sétimo dia é um movimento religioso que se organizou a partir do ano 1844, quando o movimento reavivacionista nos Estados Unidos organizado por William Miller se decepcionou ao descobrir que Cristo não voltaria no ano de 1843 como estes imaginavam. Após este evento chamado de “A Grande Decepção” o movimento dividiu-se em vários grupos (SCHUNEMANN, 2003). Um desses grupos organizou-se em torno de James White, Joseph Bates e Ellen White que deram um novo sentido ao acontecimento de 1943 e começaram a incorporar novas doutrinas, as quais colocavam como marcas de um movimento profetizado para o tempo do fim. Em 1863 foi formalizada a Igreja Adventista do Sétimo Dia, tendo depois de alguns anos, grande impulso missionário com forte aceitação na Alemanha e em comunidades alemãs, sendo que através dessas comunidades a mensagem chegou a America do Sul e posteriormente ao Brasil.

A História da Igreja Adventista do Sétimo Dia, no Brasil ainda muito pouco estudada. A mensagem veio através de missionários que trabalhavam diretamente com as comunidades alemãs. Essas comunidades estavam localizadas nos estados Espírito Santo, São Paulo e Santa Catarina, aonde a mensagem chegou primeiro e em 1895, na cidade de Gaspar Alto, em Santa Catarina, foi fundada a primeira Igreja Adventista do Sétimo Dia no Brasil (SCHUNEMANN, 2002). Desses estados o adventismo foi levado para outros, através de missionários, e colportores e agora também por essas famílias que se converteram ao adventismo pregou a outros no Norte, Oeste e também Nordeste do país. Apesar de não haver estudos históricos sobre essa chegada na Bahia, fontes da própria igreja já registram em 1908 um grupo de guardadores do sábado na capital do estado, e que com o passar do tempo foram introduzindo a doutrina também no interior do estado chegando a Feira de Santana.



Problemática

A cidade de Feira de Santana tem desde a sua origem forte ligação com a religiosidade católica. Porem, desde a década de 1930 grupos protestantes e espíritas já se faziam presentes na cidade causando forte impacto a essa hegemonia católica (TRABUCO, 2009). Quando a IASD1 iniciou seu processo de inserção em Feira de Santana, em meados da década de 1960, esses grupos apesar da disputa com a Igreja Católica, já haviam conseguido seu espaço em Feira de Santana e alguns já estavam consolidados.

A partir dessas afirmações nos perguntamos: Como se deu o processo de inserção tardia da IASD em meio a Feira de Santana católica e com presença consolidada de outros grupos religiosos? A presença desses grupos para a IASD significou uma facilidade de inserção e consolidação no campo religioso feirense ou foi sinônimo de mais conflitos pela disputa no interior do campo religioso protestante?

Objetivo Geral

O objetivo dessa pesquisa é investigar a inserção e consolidação da Igreja Adventista do Sétimo Dia em Feira de Santana a partir de 1960, quando temos os primeiros os primeiros registros de membros na Revista Adventista, até 1980, com a construção da Escola Adventista na cidade. Pretende-se analisar os conflitos e dificuldades desta inserção, visto que, a cidade de Feira de Santana tinha domínio católico e presença forte de outros grupos protestantes, fato que pode demonstrar facilidade ou conflitos nessa implantação.



Objetivos específicos

  1. Entender por que meios a Igreja se inseriu em Feira de Santana

  2. Perceber se houve conflitos com outros grupos protestantes e ou com a Igreja Católica

  3. Analisar o processo de consolidação por meio da construção da Escola Adventista.

Justificativa

O interesse pelo estudo da história das religiões desenvolveu-se a partir do século XIX e tem crescido dentro do campo historiográfico brasileiro. Especialmente o estudo sobre grupos protestantes, as relações das religiões com o contexto sócio-político e cultural brasileiro, as disputas pelo poder e pelo mercado religioso e entre outros temas tem crescido constantemente no contexto historiográfico atual. Especialmente em Feira de Santana o campo religioso vem sendo estudado em aspectos diversos e vem traçando a trajetória e aspectos sociais de vários grupos, que compõem o diversificado campo religioso feirense, porém nenhuma pesquisa ainda foi feita sobre a IASD, grupo que desde meados do século passado se coloca nesta disputa.

A igreja Adventista do Sétimo Dia está entre os grupos protestantes que tem grande destaque no cenário religioso nacional, e não é diferente em Feira de Santana. Presente em grande parte dos bairros feirense, com uma escola de destaque, faz se necessário um estudo, para que se entendam as raízes dessa consolidação e a historia dessa Igreja, que se confundi com a própria história de Feira de Santana, visto que estudar religião envolve fatores políticos, culturais e sociais da própria cidade.

Metodologia e Fontes

Uma das fontes que pretendo utilizar é a Revista Adventista primeiro órgão oficial da igreja que começou a ser publicada em 1906 com nome de Revista Trimestral, inicialmente era publicado três vezes por mês. Em 1908, a revista mudou a periodicidade para mensal, passando a chamar Revista Mensal mas, perdeu tamanho, ficando com oito páginas. O número de Páginas saltou para 16 em 1918, pulou para 32 em 1931, chegou a 48 em 1977 e, a partir daí, se manteve na casa das 40, sendo 15 dedicadas a notícias. Em 1931 o periódico passou a se chamar Revista Adventista sendo considerada como órgão oficial da igreja e em 1975 passou a ser órgão geral.


Pretendo analisar aproximadamente vinte anos da revista a partir da edição de novembro de 1961 nos quais se encontra a primeira referência a Feira de Santana. Um pequeno anúncio, em uma coluna da revista chamada “Nossa Seara”. A notícia traz um apelo dos missionários do Norte e Nordeste pedindo ajuda para que possa colocar o programa de radio “A voz da profecia” em cidades ainda não alcançadas. A notícia cita entre outras, Ilhéus, Feira de Santana e Vitória da Conquista.
Nesses vinte anos de revista analisados, que terminam em maio de 1982, com um artigo sobre a Escola Adventista, encontrei 23 artigos que fazem referência a Feira de Santana. São artigos diversos onde encontramos nomes e endereços de membros, batismos, nome de pastores que dirigiam o distrito de Feira de Santana além de informações sobre numero de membros, crescimento da igreja e construções. São informações que nos permitem traçar o desenvolvimento da igreja em Feira, tanto em números como em ações. Os relatos de conferências, e os destaques a projetos missionários publicitam o crescimento da IASD.

Como fonte histórica estas informações devem ser analisadas levando em consideração as intenções com que esses artigos foram publicados (LUCA, 2005). Mas do que informar a Revista Adventista se coloca como um meio de levar a palavra e divulgar o trabalho e crescimento da igreja. Por ser um órgão de publicação da própria instituição, deve se pensar na subjetividade dessa fonte, nos acontecimentos e nas formas como esses acontecimentos eram reproduzidos.

Alem da Revista Adventista, usarei também fontes orais, a partir da realização de entrevistas gravadas com indivíduos que participaram ou testemunharam os acontecimentos, nesse caso membros com influência dentro da IASD em Feira de Santana na época que essa pesquisa abrange. A história oral permite o conhecimento de experiências e modos de vidas de diferentes grupos sociais. As condições de produção das fontes orais devem ser levadas em consideração, pensando que trabalhar com a fonte oral implica, sobretudo, pensar a subjetividade do pesquisador, já que este participa de forma efetiva na elaboração do documento, sendo o mesmo uma interação entre o entrevistador e o entrevistado (ALBERTI, 2005). Alem disso como toda fonte, é preciso uma interpretação e analise das entrevistas. Devemos pensar na intencionalidade por traz do documento, lembrando que a uma seleção da memória que se quer preservar e guardar

Pretendo entrevistar pessoas que tiveram cargos ou influencias importantes dentro da IASD em Feira de Santana, secretários, obreiros, anciãos e pastores procurando perceber nos seus discursos os conflitos ou não existentes em meio à inserção e consolidação da IASD. Esses entrevistados ainda estão sendo selecionados, com a ajuda de nomes e sobrenomes encontrados na revista e também de um banco de dados que se encontra na sede administrativa da igreja onde um sistema de computador permite encontrar membros por data e local de batismo.

Após encontrar no sistema nomes de membros batizados em Feira de Santana entre os anos de 1960 e 1980, será feito o primeiro contato com eles e posteriormente as entrevistas. Alem disso há um interesse também em arquivos pessoas que possivelmente esses membros venham a ter. Fotos, recortes de jornais, atas que podem está em mãos desses membros mais velhos.

Bibliografia

ALBERTI, Verena. Histórias dentro da história. In: PINSKY, Carla Bassanezi (org.). Fontes Históricas.São Paulo: Contexto, 2005.

LUCA, Tânia Regina. A história dos, nos e por meio dos periódicos. In: PINSKY, Carla Bassanezi (org.). Fontes Históricas.São Paulo: Contexto, 2005.

SCHUNEMANN, Haller E. S. O Tempo do Fim: uma história social da Igreja Adventista do Sétimo Dia no Brasil. São Bernardo do Campo, UMESP, 2002. [tese de doutorado]

______________________ A inserção do Adventismo no Brasil através da comunidade alemã. Revista de Estudos da Religião Nº 1 / 2003 / pp. 27-40 ISSN 1677-1222.
SILVA, Elizete da. “A História dos eleitos de Deus”. In: SILVA, Elizete da. Protestantismo Ecumênico e Realidade Brasileira: evangélico progressistas em Feira de Santana. Feira de Santana, UEFS Editora, 2010.

SILVA, Elizete da. “Reformados no Brasil e na Bahia”. In: SILVA, Elizete da. Protestantismo Ecumênico e Realidade Brasileira: evangélico progressistas em Feira de Santana. Feira de Santana, UEFS Editora, 2010.



TRABUCO, Zózimo Antônio Passos. O Instituto Bíblico Batista do Nordeste e a construção da identidade Batista em Feira de Santana (1960-1990). Dissertação (Mestrado em História Social) – Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da UFBA, Salvador, 2009.

1 Abreviação do termo Igreja Adventista do Sétimo Dia


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