Universidade de são paulo escola de Comunicações e Artes Luane dos Santos Vacchi o turismo e o Museu – um melhor aproveitamento Relatório apresentado à disciplina Introdução a museologia, ministrada pelo prof. Dr. Marin Grossmann



Baixar 24,89 Kb.
Encontro03.04.2018
Tamanho24,89 Kb.
UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO

Escola de Comunicações e Artes

Luane dos Santos Vacchi

O Turismo e o Museu – um melhor aproveitamento

Relatório apresentado à disciplina Introdução a museologia, ministrada pelo prof. Dr. Marin Grossmann

São Paulo,

2014

Sumário




1.Introdução 2

2.Turismo cultural 3

3.O turismo e o museu 4

4.Considerações finais 6

5.Referências bibliográficas 7



  1. Introdução


Durante todo o curso de museologia refleti sobre como o aprendizado e informações sobre os museus, sua linha do tempo, sua história, sua lógica e perfils, etc., poderiam transpor a barreira da informação e agregar conhecimento a minha área de estudo na graduação, o turismo. Assim sempre procurei absorver as informações passadas durantes as aulas e visitas técnicas para entender como os nossos museus brasileiros poderiam ser melhores aproveitados turisticamente.

Neste presente trabalho irei fazer uma breve reflexão sobre a relação do turismo e dos museus. Primeiramente caracterizando o turismo cultural e depois explanando sobre a relação do turismo e dos museus. Por fim, uma reflexão de como podemos tornar os nossos museus mais atrativos para o turismo.


  1. Turismo cultural


Dentro do âmbito do turismo existe a segmentação da sua atividade de acordo com a motivação e o perfil do turista em sua viagem, assim é possível estudar este fenômeno de maneira mais precisa. Um destes segmentos é o turismo cultural e este é considera pela academia e fora dela um dos perfis de turistas que mais preservam o destino visitado e que interagem de maneira mais profunda com a cultura e população local.

Dentro da temática deste trabalho é importante entender que quando falamos do turista cultural é este que possui motivação central a vista a museus e patrimônios. Para Silberberg (1995, apud Dalonso, 2004, p.44) o turismo cultural caracteriza-se por “visitas de pessoas de fora da comunidade motivadas total ou em parte por interesses na oferta histórica, artística, científica ou estilo de vida de uma localidade, região, grupo ou instituição.” Os principais atrativos desse segmento são: obras de arte, espaços e instituições culturais - museus, casa de cultura-, sítios históricos -centros históricos- edificações especiais - arquitetura, ruínas -, festas e celebrações locais, artesanato e comida típicas, entre outros.

Assim, esse segmento de turismo proporciona aos museus a atração de novos visitantes e com isso a maior valorização do seu espaço e também um retorno financeiro.

A valorização do patrimônio, material e imaterial, atualmente esta em crescimento em contrapartida a globalização e massificação. Essa valorização e conservação do patrimônio enxerga no turismo uma possibilidade de tornar viável o desenvolvimento local como forma de reconhecimento e manutenção da cultura local. Entretanto exige-se uma preocupação com a exploração desses atrativos e patrimônios através do turismo, para que este não vire massificado e possa assim ser preservado, para isso é importante que os autóctones junto com especialistas da área se envolvam nas atividades turísticas e avaliem com qual intensidade ela pode ser exercida.


  1. O turismo e o museu


O turismo possui uma forte ligação com a questão cultural entre os visitantes e o autóctone. Segundo Vasconcellos a própria UNESCO enxerga essa relação e em 1998, em uma conferencia sobre cultura, turismo e desenvolvimento, declarou que: “pelo fato de que qualquer forma de turismo produz um efeito cultural tanto no visitante como no anfitrião, o turismo não poderia existir sem a cultura.”. Assim notamos como essa temática é relevante e necessita ser discutida. No curso de turismo da ECA pouco se discute sobre a relação dos museus e do turismo especificamente, o que mostra-se uma falha visto a importância e a relevância do tema.

Segundo o Conselho Internacional de Musesu –ICOM, 1974 (Dalonso, 2004, p.33):

“Museu é uma instituição permanente, não lucrativa, ao serviço da sociedade e de seu desenvolvimento, aberta ao público, que adquire, conversa, pesquisa, comunica e principalmente expõe testemunhos materiais do homem de seu meio ambiente, para fins de estudo, educação e prazer.”

Além dessa definição também pode-se pensar nas instituições museológicas como fontes de pesquisas, no seu papel educativos e seu papel social –inserção da sociedade na cultura. Nesse sentido Bourdieu e Darbel explanam em "O amor pela arte" sobre a acessibilidade de todos aos museus e de como será a e experiência de cada um dentro do mesmo. Neste panorama o turismo mostra-se importante, pois visitar museu é uma atividade comum em viagens, e o encontro entre diferentes culturas é sempre interessante, mas ao mesmo tempo deve ser trabalhada para que seja harmoniosa e proveitosa.

Além disso, os museus muitas vezes são motivadores de viagens, ou parte fundamental da mesma. Conforme discutimos em sala da aula e Vasconcellos também relata, museus como do Pradom Reina Sofia, Altesmuseum, Louvre, D’Orsay, British Museum, Galeria Ufizzi, o MAM e o Metropolitan de Nova York, entre outros são referências obrigatórias, e por mais que os turistas não consigam aproveitar ao máximo as coleções, não conhecê-las acaba significando uma falta muito grande durante aquela viagem. As megaexposições também passaram a serem motivações para viagens ou de fluxo intenso de pessoas para os museus.

Claramente esses museus possuem essa importância turística mundial, pois contam como uma infraestrutura consolidada. Possuem reconhecimento do seu acervo e dentro da museologia, contam com um marketing dinâmico, recursos humanos constantemente capacitados e especializados, bibliotecas, lojas, restaurantes e cafeteiras, etc.

Pensando no turismo os museus necessitam de uma infraestrutura com banheiros, legendas bilíngues ou áudio-guias em diversos idiomas, estacionamento, sinalização, acessibilidade para portadores de necessidades especiais, etc., que proporcionem uma experiência enriquecedora ao visitante. Desta maneira, é importante também que os museus pensem o que o seu público deseja encontrar em sua visita e as suas necessidades. Assim tanto o turista quanto a instituição saíram beneficiados.

Para o museu consolidar-se como um atrativo turístico é necessário um diálogo e alinhamento de objetivos entre as políticas públicas e a iniciativa privada, investindo em melhorias nos museus, em estímulo a vista aos museus, colocando estes em rotas de turismo, etc. e não apenas em campanhas de marketing isoladas sobre a própria instituição.

Mas não apenas isso fará os museus serem melhores aproveitados turisticamente, é necessário segundo Mario Jorge Pires (apud Vasconcellos, 2006, p.49) que:

“não adiantava apenas o marketing para resolver o problema de pouca visitação nos museus brasileiros, se estes não estivessem abertos para a sua própria remodelação, num processo de mudanças que deveria ocorrer de dentro para fora”.

Através do maior poder de atração, o museu eleva seus níveis de visitação, garantindo o acesso à cultura a um maior número de pessoas e gerando assim receita própria. Com isso é capaz de controlar suas despesas operacionais, reinvestir o excedente na própria instituição e em seu entorno, investir em capacitação profissional, investir em produção de pesquisas, entre outros.

  1. Considerações finais


Um planejamento consciente entre museu e o turismo gera boas ações para ambos. Os museus não são “armazéns” de quadros, esculturas e objetos, mas agentes culturais, que carecem de constantes reinvenções, pela mudança de valores da sociedade. Nesse século a tecnologia e a interação são as principais formas de atrair e envolver o público. Sendo importante assim, que as instituições passam por constantes renovações e adaptações para esse novo público que exige novas demandas. A comunicação do museu mostra-se assim, essencial para que o mesmo possui um melhor aproveitamento.

Em São Paulo podemos citar alguns polos que se fossem melhores trabalhados e estruturados poderiam se tornar melhores aproveitados turisticamente através de seus diversos museus. Como o Polo Luz, o qual possui a Pinacoteca do Estado, o Museu da Língua portuguesa, o museu de arte sacra de São Paulo, Museu do Dops da resistência, entre outros, sendo os citados os que possuem melhor infraestrutura. Também possuímos a Avenida Paulista, com o MASP, o Itaú Cultural, Casa das Rosas, etc. Pensando no conceito mais amplo de cultura, a Paulista se caracteriza como um polo cultural, não apenas pelos seus museus, mas também por suas livrarias, cinemas, teatros, manifestações culturais e políticas, etc. Como ultimo exemplo, o polo do Parque Ibirapuera, que conta com o Museu Afro Brasil, o MAM, o pavilhão da Bienal de Artes, MAC, e pensando também em cultura mais ampla a OCA, e outros espaços para exposições além da vertente de um espaço de sociabilidade e saúde que o parque possui.

O número de turistas que recebemos em nosso país vem aumentando e também a busca por outros atrativos que não apenas praia e sol. Através da Copa do Mundo e de campanhas da Embratur - Instituto Brasileiro de Turismo, que é a responsável pela imagem e promoção do turismo do Brasil no exterior – procuram mostrar e promover o lado cultural do Brasil, desde o modo de vida do brasileiro até as suas raízes e a sua diversidade.

Para que possamos cada vez mais criar novos laços e fortalecer e estruturar os existentes é importante que os museus, operadoras de turismo e poder público se relacionassem e alinhem as atividades e objetivos. Além disso, é importante a qualificação dos profissionais envolvidos nessa atividade para que a mesma seja pensada e aplicada de uma maneira que ambos possam ser beneficiados.

Segundo Bazanelli (apud Vasconcellos, 2006, p.50/51):

“O museu pode representar um papel importante na construção do projeto turístico; ele tem como uma de suas funções preservar o patrimônio para garantir sua análise do desenvolvimento e de qualidade de vida das pessoas. (...) O museu, como canal de comunicação privilegiado que é, tem a capacidade de despertar a conscientização e a autoestima na população local.”


  1. Referências bibliográficas


BOURDIEU, Pierre; DARBEL, Alain. O amor pela arte: os museus de arte na Europa e seu público. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo: Zouk, 2003.

DALONSO, Yoná da Silva. Os museus como atrativos turísticos: um estudo nos museus catarinenses.2004. 131f. Tese (Mestrado para título de Mestre) - Programa de Mestrado em Comunicação, Escola de Comunicações e Artes, Universidade de São Paulo, São Paulo 2004..



VASCONCELLOS, Camilo de Mello. Turismo e Museus. São Paulo: Aleph, 2006


©bemvin.org 2016
enviar mensagem

    Página principal