Turma 2011-2012 Módulo IV – Sonhos e Intuição Docentes



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Moreno
Moreno, o criador do Psicodrama, pressentiu aspectos “telepáticos” no Psicodrama. Com efeito, ao definir o conceito de Tele afirmou que as relações de atração e repulsão mútua eram devidas a fator específico já que o evento estava fora de acasos, e que ele comprovou por cálculos de probabilidade. Ao reconhecer que talvez hajam relações do Tele com aspectos genéticos ou sexuais, ele supõe que possivelmente o estudo do Tele forneça base para uma melhor compreensão do fenômeno oculto, da clarividência e da telepatia.

Pierre Well, Devereux, Jaime Cardenã
As relações entre psicanálise e parapsicologia desde os estudos de Freud sobre os sonhos telepáticos, foram estudados por inúmeros autores (Devereux G., 1970). Todos estes estudos colocam em relevo a possibilidade de submeter os fenômenos PSI (Telepatia, etc.) ao prisma psicoanalítico e aceitam a hipótese PSI, mais especialmente a telepatia como válida.

O fenômeno parece se dar especificamente quando transferência e contratransferência são altamente positivos e quando é vivenciada pelo paciente em estado de regressão às fases arcaicas da unidade mãe criança, correspondendo ao narcisismo primário intrauterino e pré-objetal. (Well P. 1977). Recentemente uma tese sobre relações entre psicanálise e parapsicologia foi aceita como prova didática (CARDENÃ Buelno, 1977). O próprio pai do autor da tese, também apresentou trabalho sobre o emprego controlado e dirigido de fenômenos paranormais em psicoterapia (Jaime CRADENÃ, 1977). Os dois autores preconizam e demonstram através de convincente, casuística, a possibilidade de usar o transe hipnótico recíproco, para que paciente e psicanalista entrem em contato telepático, e que o analisando, na sua situação de relax num divã, fatalmente entra em estado de transe ou estado alpha ou mesmo tetha; isto se dá também com todo psicanalista que obedeça às recomendações de Freud, de ficar no estado de atenção flutuante, as quais reativam a relação simbiótica mãe filho, tão bem descrita por Spitz.



Henry Bergson
A telepatia é um fenômeno comum, especialmente entre os íntimos, que não é percebido na vida comum.

H J Eysench
A não ser que exista uma conspiração gigantesca, pelo mundo inteiro, envolvendo cerca de trinta departamentos de universidades e algumas centenas de cientistas altamente respeitáveis em vários campos e muitos deles originalmente hostis as legações dos pesquisadores psíquicos, a única conclusão que pode chegar o observador sem preconceito só pode ser a de que existem certas pessoas, em pequeno número, que podem conhecer o que existe na mente de outras pessoas, ou no mundo exterior, por meio até aqui desconhecido pela ciência.

Margareth Mead
Eu penso que é importante frisar que se certo fenômeno PSI pode ser estudado por métodos científicos e que um ou mais dos seus mecanismos envolvidos possam ser colocados em relação com teorias científicas, existentes atualmente, isto não leva necessariamente a uma demolição reducionista da essência do fenômeno.

Arthur Koestler
Metade de meus amigos acusam-me de pedantismo científico. A outra metade de tendências anticientíficas em relação a problemas absurdos com a percepção extrassensorial que eles incluem no campo do sobrenatural. Mas é confortador saber que as mesmas acusações se levantam contra uma elite de cientistas que me fazem, no pelourinho, honrosa companhia.

E. Kant
Histórias desse tipo, nos dias atuais, somente interessarão aos crentes secretos enquanto que publicamente, por causa da moda dominante, elas serão condenadas pela descrença.

Jung
Vi muitas vezes, por exemplo, efeitos telepáticos de complexos inconscientes e tenho também observado uma série de fenômeno parapsicológicos.

Rogers
Talvez na próxima geração de psicólogos mais jovens, esperançosamente libertos das proibições e resistências universitárias, haja alguns que ousarão investigar a possibilidade de haver uma realidade lícita, que não está exposta aos cinco sentidos, uma realidade na qual o presente o passado e o tempo desapareceu, uma realidade que pode ser percebida e conhecida somente quando somos passivamente receptivos, em vez de ativamente inclinados a conhecer.

É um dos desafios mais excitantes postos À Psicologia.



William James
Vasta, com certeza, e cheia de dificuldades, tal é a perspectiva aberta hoje ao psiquiatra e os dados os mais significativos para o seu plano serão sem dúvida justamente estes fatos mediúnicos insignificantes e fracos que os espíritos huxienianos da época julga como sendo tão pouco dignos de atenção. Mas qual foi a época em qual a ciência não se achou estimulada, a atividade conquistadora, por pequenas exceções, fatos íntimos, rebeldes a ciência contemporânea? Praticamente quase ainda, na hora atual, não se arranhou, num planejamento científico, a superfície dos fatos que se apelidam de Psíquicos. E apegando-se ao seu estudo, estou disto convencido, que se chegará as maiores conquistas científicas da geração vindoura.

BIBLIOGRAFIA – TELEPATIA – LUIZ CARLOS GARCIA

Freud, S. Obras Completas Editora Imago, Rio de Janeiro.


Cardenã J. L emploi controlé et dirigé de phenomenes Paranormaux em Psychoterapie. Círculo Mexicano de Psic. Profunda 1977 México.
Devereuix G. Psychoanalisis and the Occult’. Internacional University 1970, New York.
Jung C. G., A Psicologia do Inconsciente Editora Vozes, Rio de Janeiro.
Moreno J. L., Psicoterapia de Grupo e Psicodrama.
Rogers C.G. Alguns novos desafios. Caderno de Psicologia ano 1 n 1 out 74, Recife.
Rhine J. B. O novo mundo do espírito. Bestseller. São Paulo.
Richet CH. A ciência Metapsiquica. Ed. Mundo Espírito 1949 Rio.
Weil P. Filobacia, Cenofilia e métodos de regressão Intrauterina. Estudos de Psicanálise n 3 1973 Belo Horizonte.
Weil P., Esfinge, Estrutura e Mistério do Homem. Tese Doutoramento, Sourbonne.

VISUALIZAÇÃO PRÉ-ONÍRICA


  1. Feche os olhos e crie um quadro mental.

  2. Veja neste quadro um grupo de homens notáveis do passado (3 a 5).

  3. Defina claramente que compreensão, qualidade ou atributo você admira em cada um destes homens.

  4. Imagine uma reunião com estes homens, e diga à cada um objetivamente o que admira nele e quer desenvolver também em si.

  5. Busque a posição que mais lhe agrada para adormecer, mantendo a imagem de estar participando desta reunião.

  6. Se acordar ao meio da noite, registre qualquer fragmento ou sonho.

  7. Utilize o roteiro recebido para expressar imagens, pensamento, sensações e sonho(s) desta noite.

Boa noite


PSICODRAMA DO SONHO
(Dupla)


  1. Sonhador

  1. Escolha um sonho qualquer.

  2. Ver as imagens como a de um filme.

  3. Relatar no tempo presente resonhando e ampliando.



  1. Facilitador

  1. Ajudar a A manter o relato no tempo presente, no “como se” estivesse acontecendo aqui e agora.

  2. Pedir a A para ampliar o sonho, preencher a lacunas e completar.

  3. Sugerir a A para estabelecer diálogos entre os personagens. Diálogo poderá ocorrer durante o relato do sonho.

  4. Solicitar ao sonhador que traga os personagens, ou um dos personagens de sua visualização pré-onírica, visualize-o, e pergunte a ele(s).

  1. Para que este sonho?

  2. Qual a intenção ao produzir este sonho?

  3. Qual o sentido do sonho na vida do sonhador?

RESONHAR ATRAVÉS DA IMAGEM GUIA”


(Dupla)


  1. Sonhador

  1. Escolha um sonho repetitivo.

  2. Relate em voz alta.

  3. Resonhar tomar repetir do ponto de vista de uma imagem.

  4. Imagine-se este elemento – imagem traga durante relato as impressões e sentimentos desta imagem.

  5. Evidenciar a mensagem da imagem-guia em um primeiro momento e depois outra mensagem em um segundo momento.



  1. Facilitador

  1. Anotar o sonho.

  2. Anotar a imagem-guia.

  3. Registrar a mensagem completa.



RECONSTRUÇÃO ONÍRICA

(individual)




  1. Sentar, pensar em um sonho inacabado, incompleto.

  2. Reveal este sonho.

  3. Utilize cores para colocar esta(s) emoção(ões) em um papel sulfite. (seem forma).

  4. Recorte o papel já colorido em imagens. (partes).

  5. Monte uma cena com os recortes sobre o papel lay out A3.

  6. Crie uma fábula através desta imagem e registre no seu diário.

  7. Qual a “moral” da estória.

  8. Deixe o material próximo de você antes de começar. (sulfite, caneta, giz colorido, papel lay out A3).



AMPLIAÇÃO DO SONHO

(individual)




  1. Sentar, pensar em um sonho inacabado, incompleto.

  2. Imaginar um final positivo para o sonho.

  3. Deitar – relaxar – resonhar completando o sonho.

  4. Tomar contato com o sentimento, expresse no papel através de uma mandala. (lay out A3).

  5. Dar um título para este sonho ao completar a mandala.

  6. Anotar no seu diário o título e o que REVELA para você.

  7. Deixar o material próximo. (papel lay out A3, mais giz colorido).



PASSEIO ONÍRICO



  1. Deixar disponível, giz colorido, papel lay out A3, papel sulfite.

  2. Executar passeio onírico.

  3. Sentindo-se como em um sonho, alheio ao contexto grupal e social.

  4. Retome e registre suas sensações.

  5. Faça a “imagem” do que é sonho para você agora.

  6. Dê agora seu conceito de sonho. Registre no seu diário.

  7. Forme grupo de três e troquem suas experiências. Nomeie um relator.



TÉCNICAS DE INCUBAÇÃO
Encontramos na literatura inúmeros exemplos de soluções que foram encontrados por homens da ciência, através do sonho. Em geral eles adormeciam com as questões que tinham dúvidas e ao despertarem se lembravam de seus sonhos trazendo a resposta desejada.

Estes tipos de sonhos são denominados de “grandes” sonhos ou sonhos raros e excepcionais.

Assim observou-se que podemos usar os sonhos para obter soluções e respostas de dúvidas, bem como para aprendizagem em temas específicos e também ligado à questões existências, e espirituais.

Podemos cultivar, e favorecer a emergência deste tipo de sonho através de técnicas de incubação.

Há uma grande diversidade destas técnicas, mas seu roteiro geral consiste em efetuar uma pergunta na noite anterior, deixá-la “incubada” durante à noite e despertar com a resposta.

Às vezes esta resposta é clara. Outras vezes é necessário o trabalho com os sonhos, para que a solução se revele.

Os passos necessários são:


  1. Escolha um momento adequado, onde você tenha se preparado para seu sono-sonho;

  2. Faça uma análise prévia, e estabeleça perguntas claras, objetivas e específicas;

  3. Sinta um profundo interesse pela resolução e depois simplesmente relaxe, entregue a força maior de sua consciência;

  4. Registre a respeito do sonho, assim que despertar;

  5. Acrescente às associações que tiver logo ao acordar;

  6. Você deve repetir as questões de seu tema durante vários dias. Nem sempre se obtém a resposta na primeira vez;

  7. Na preparação para sono-sonho, ao colocar sua dúvida, você pode trazer personagens competentes naquela área, da época atual ou remota, e pedir que o auxiliem a obter a resposta correta. Deixe claro o que deseja de cada um deles.



SONHOS LÚCIDOS
Os sonhos em geral nos dão indicativos para a resolução de nosso desafios. A utilização do sonho lúcido pode ser um valioso instrumento para a expansão de sua consciência e aprimoramento pessoal.

Consiste em poder mudar, ampliar o sonho, atuar enquanto estiver sonhando. Algumas vezes, espontaneamente você pode ter “consciência” de estar sonhando, durante o próprio sonho.

Mas, você poderá também treinar-se para desenvolver esta habilidade, através dos seguintes passos:


  1. Criar o hábito em seu cotidiano de se perguntar “isto é um sonho, ou real? Estou sonhando agora ou não? Com o tempo você fará isto também em sonho. Se surpreenderá perguntando-se durante o próprio sonho “isto é um sonho ou não?”.

  2. Ao despertar de um sonho, reveja-o diversas vezes até memorizá-lo. Estabeleça conexões memóricas com o sonho.

  3. Ao deitar-se repita sempre: “Quando estiver sonhando quero me lembrar de reconhecer que estou sonhando”.

  4. Estabeleça um roteiro para sonho lúcido que inclua:

  • Título;

  • Mensagem;

  • Sentimento;

  • Sonho recorrente;

  • Sonho comum;

  • Grande sonho;

  • Continuação na imaginação;

  • Dar final diferente;

  • Se pudesse sonhar de novo o sonho, como o mudaria?

  1. Através do sonho lúcido você pode:

  • Atuar no sonho;

  • Programar mudanças;

  • Encomendar mudanças.


BIBLIOGRAFIA



  1. COLEMAN. W., PERRIN. P. O Livro de Pragmática de Marylyn Ferguson – Record Ed., Rio de Janeiro, 1992, 253p.

  2. FARADAY, A., O Poder do Sonho – Arte Nova Ed., Rio de Janeiro, 1975, 232p.

  3. FRANZ, M.L.von., - O Caminho dos Sonhos – em conversa com Fraser Boa – Cultrix Ed., São Paulo, 1988, 242p.

  4. FREUD, S., La Interpretacion de los Sueños – Tomo II – Biblioteca de Nueva Ed., Madrid, 793p.

  5. FROMM, E., A Linguaguem Esquecida – Zahar Ed., Rio de Janeiro, 2a. edição, 1973, 190p.

  6. GARFIELD, P., Creative Dreaming – Ballantine Books, Nova York, 1974.

  7. HOSSRI, C.M., Sonho Acordado Dirigido – Mestre Joe Ed., São Paulo.

  8. JUNG, C.G., Memórias, Sonhos e Reflexões – Nova Fronteira Ed., Rio de Janeiro, 1975.

  9. KINCHER, Jonni. O Livro dos Sonhos para Criança. Editora Gente.

  10. KRIPPNER, S. (org.) Decifrando a Linguagem dos Sonhos – Cultrix Ed., 1990, São Paulo, 277p.

  11. ___________. S.CARVALLHO, P.Sonhos Exóticos. Ed. Summus.

  12. MAMBERT, A>N., FOSTER, F.B., Viagem ao Inconsciente – Nórdica Ed., Rio de Janeiro, 1973, 273p.

  13. MORENO, J.L., Hipnodrama e Psicodrama – Summus Ed., São Paulo, 1984, 85p.

  14. SANVITO, L.W., O Cérebro e suas Vertentes – 2ª edição – Roca Ed., São Paulo, 1991, 223p.

  15. SILVA, Victor. Psicodrama dos Sonhos. Ed. Summus.

  16. WILLIANS, Strephon Kaplam. Elemntos da Sonhoterapia. Ediouro – 1993.


ANEXO

Estágio supervisionado




O eneagrama sagrado

Isabel Campos



A Canção do Unicórnio Azul¹
Era uma vez u Unicórnio Azul. Ele tinha grandes olhos azuis e uma longa cauda azul. O Unicórnio Azul vivo há tanto tempo quanto ele podia se lembrar; e tanto quanto ele lembrava, nunca tinha visto alguém igual a ele.
O Unicórnio Azul vivia na terra que ficou conhecida como Terra dos Campos Brilhantes, onde ele se empinava sobre a relva, saltava sobre as flores e brincava com todas as criaturas do campo. Felizes era os dias do Unicórnio Azul na terra feliz, e seguras eram as suas noites.
Mas havia algo que faltava, entre o Unicórnio Azul e a Terra dos Campos Brilhantes, onde ele vivia; algo que a terra e que o Unicórnio Azul não tinha. Uma canção no ar da Terra dos Campos Brilhantes, que o Unicórnio Azul apenas entreouvia, sentia, mas nunca podia compreender: um som verde e sussurrante, como o som de uma semente abrindo suavemente seu caminho de inverno a verão.
“O que é aquele som?”, perguntou o Unicórnio Azul.
“É o som da nossa música”, respondeu a Terra dos Campos Brilhantes.
“Sobre o que vocês cantam?”, perguntou o Unicórnio Azul.
“Vivemos e crescemos rumo ao sol,

Dormir é fácil, acordar é bom,

A vida é boa e a vida é longa.

Porque cantamos nossa canção.

Cantamos a Canção da Vida”, disse a Terra dos Campos Brilhantes. O Unicórnio ouviu mais uma vez e então tentou cantar a Canção da Vida. Mas o único som que ele podia fazer era o de um estalido parecido com papel – como o som de uma casca seca sendo arrancada de um bulbo. E a Terra dos Campos Brilhantes murmurou de pena e espanto.
“Ensine-me a cantar”, disse o Unicórnio Azul.
“Nossa canção é nossa, você deve encontrar a sua própria canção”, replicou a Terra dos Campos Brilhantes. “Nós somos nós e você está sozinho.”
“Em algum lugar deve existir outra criatura como você que possa ensinar-me a cantar”, disse o Unicórnio Azul.
O Unicórnio Azul deixou a Terra dos Campos Brilhantes e veio para a Terra da Floresta Profunda, onde criaturas da floresta se aninhavam em tocas e altas árvores se esticavam acima do escuro. O Unicórnio Azul vagou no musgo úmido e mergulhou no coração da Terra da Floresta Profunda, e, ao fazer isso, ouviu novamente o som que ela agora sabia chamar “canção”: um som marrom e aveludado, como o som de uma raiz procurando por água.
“Sobre o que vocês cantam?”, perguntou o Unicórnio Azul.
“Rumo ao sol vivemos e crescemos,

Conhecemos segredos de seiva e semente,

Não podemos dividir o que não sabemos,

O saber obtido é o saber que se aprende.

Cantamos a Canção da Sabedoria”, replicou a Terra da Floresta Profunda. O Unicórnio Azul ouviu e tentou cantar a Canção da Sabedoria. Mas o único som que ele podia fazer era o de um suspiro – como o som que uma folha faz quando cai desde o outono até o inverno. E a Terra da Floresta Profunda suspirou compadecida e preocupada.
“Ensine-me a cantar”, disse o Unicórnio Azul.
“Nossa canção é nossa, você precisa encontra a sua”, disse a Terra da Floresta Profunda. “Nós somos nós e você está sozinho.”
“Em algum lugar deve existir outra criatura como você que possa ensinar-me a cantar”, disse o Unicórnio Azul.
E o Unicórnio Azul deixou a Terra da Floresta Profunda e foi para a Terra das Montanhas Desertas, onde abismos vastos e antigos dividiam cada alta fileira, onde nenhuma árvore crescia, nenhum pássaro voava e nenhuma sombra protegia da tempestade ou da noite. O Unicórnio Azul subiu mais e mais alto, lutando para alcançar os picos mais altos, e, ao fazer isso, ouviu novamente o som que ele agora sabia chamar “canção”: um zumbido triunfante – como o som de um cume quando corta o céu imenso.
“Sobre o que vocês cantam?”, perguntou o Unicórnio Azul.
“Vivemos e crescemos rumo ao sol,

Sozinhos e orgulhosos, iluminamos o fraco

Sem temer nada, nossos corações abraçam

A mágoa do tempo e a alegria do espaço.

Nós cantamos a Canção da Liberdade.” O Unicórnio Azul escutou mais uma vez e, então, tentou cantar a Canção da Liberdade. Mas o único som que ele podia fazer era um gemido dolorido – com o som que o vento faz ao procurar penhascos desolados para descansar. E a Terra das Montanhas Desertas com preocupação e pena.
“Ensina-me a cantar”, disse o Unicórnio Azul.
“Nossa canção é nossa, você deve encontrar a sua própria canção”, replicou a Terra das Montanhas Desertas. “Nós somos nós e você está sozinho.”
“Em algum lugar, deve existir outra criatura como você que possa ensinar-me a cantar”, disse o Unicórnio Azul.
E o Unicórnio Azul deixou a Terra das Montanhas Desertas e veio para a Terra das Areias Brancas, onde nem chuva, nem vento, nem nuvens despenteavam o ar brilhante. E o Unicórnio Azul entrou no som que ele agora conhecia como “canção”: um som tão cheio e rico quanto a batida do coração do Unicórnio Azul – o som do silêncio.
“Sobre o que vocês cantam?”, perguntou o Unicórnio Azul.

E a Terra das Areias Brancas replicou:

“Sob o sol descansamos e sabemos.

Tudo o mais cresce, enquanto quietas estamos.

O silêncio mora atrás de cada som.

Nisto confiamos e achamos nossa canção.

Nós cantamos a Canção da Paz”. O Unicórnio Azul ouviu mais uma vez e, então, tentou cantar a Canção da Paz, mas a Terra das Areias Brancas estremeceu solidária e preocupada ao escutar não um canto, mas o som profundo e horrível do desespero.
“Ensine-me a cantar”, disse o Unicórnio Azul.
“Nossa canção é nossa, você deve encontrar a sua própria canção”, disse a Terra das Areias Brancas. “Nós somos nós e você está sozinho.”
O Unicórnio Azul manchou a areia branca com lágrimas azuis e disse:
“Em algum lugar, deve existir outra criatura como você que me ensinará a cantar”.
E o Unicórnio Azul deixou a Terra das Areias Brancas e veio para a Terra das Águas Claras, que, cintilantes, alcançavam a margem do mundo. O Unicórnio Azul estava cansado, um cansaço tão profundo que até seus sonhos doíam. E o Unicórnio Azul descansou um pouco na Terra das Águas Claras, ouvindo um som calmo e envolvente que ele agora sabia chamar “canção”.
O Unicórnio Azul abaixou sua cabeça para beber, mas, ao fazer isso, tremeu de deslumbramento e de alegria ao ver na água outra criatura – exatamente igual a ele mesmo!
‘Oh!, ensine-me a cantar!”, gritou o Unicórnio Azul. Então, seu coração parou ao ouvir que a criatura tinha gritado também. E o grito foi seguido de silêncio.
Então a Terra delicadamente cantou:
“O azul do céu é igual ao azul das nossas águas

Você vê a você mesmo, para si mesmo você chora

E o que você aprenderia você sempre soube

Porque você é nós e nós somos você

Somos as Águas do Amor

Convidamos você a nos beber

Convidamos você a beber conosco”.
E a canção do Unicórnio era exatamente a mesma e totalmente diferente de qualquer canção que já houvesse sido cantada.

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Para processar, reunidos em grupos correspondentes aos tipos de eneagrama:
Compartilhar as experiências vivenciadas. O que foi sentido, percebido, pensado, intuído no decorrer das canções e durante a leitura do texto do Unicórnio Azul?
Que pontos comuns aos indivíduos podem ser encontrados pelo grupo? Foram encontradas conexões com o tema “eneagrama sagrado”? Se sim, quais?
Refletindo sobre todo o processo, o grupo pode encontrar e apresentar a sua “canção”? Pode ser que ela venha na forma de música, de um poema, de um salmo, de um grafismo, de uma representação, enfim, o que mais se adequar ao conjunto das percepções, sensações, intuições e sentimentos vivenciados.
Para auxiliar na partilha e na reflexão, pode ser útil consultar a apostila do módulo de eneagrama e as figuras apresentadas a seguir².

______________________________



² Figuras extraídas do livro O Eneagrama do Espírito, de Mary Horsley

Os nove tipos e seus medos

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