Transição Demográfica e condição De Vida e saúde Dos Idosos Mais Idosos No Brasil e grandes Regiõe Demographic Transition And Life Condition And Health Of Elderly People In Brazil And Geographical Regions



Baixar 405,23 Kb.
Página1/3
Encontro26.01.2017
Tamanho405,23 Kb.
  1   2   3

Transição Demográfica E Condição De Vida E Saúde Dos Idosos Mais Idosos No Brasil E Grandes Regiões1.
Demographic Transition And Life Condition And Health Of Elderly People In Brazil And Geographical Regions.
Anaíza Garcia Pereira2

Luciana Correia Alves3
RESUMO

O envelhecimento populacional e o aumento da longevidade da população suscita uma preocupação crescente com a saúde, as condições e a qualidade de vida dos idosos. Diante disso, o objetivo desse estudo foi verificar se o processo de transição demográfica acontece de maneira diferenciada entre as Regiões Administrativas do Brasil no ano de 2010 e identificar as condições de vida e saúde dos idosos com 80 anos e mais no Brasil e grandes regiões para o ano de 2008. O estudo foi desenvolvido com base em dados oriundos da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios de 2008 e do Censo Demográfico de 2010. O panorama exposto é de um Brasil desigual e que precisa avançar em recursos e investimentos para a melhoria da qualidade de vida de sua população idosa.

Palavras-chave: Envelhecimento populacional, desigualdades, longevidade.
ABSTRACT
The populational ageing and the increase of population longevity creates a growing concern about the health, living conditions and quality of life for seniors. Therefore, the aim of this study was to verify if the process of demographic transition happens differently between the administrative regions of Brazil in 2010 and identify the life conditions and health of the elderly aged 80 and over in Brazil and great regions in the year 2008. The study was developed based on data from the National Household Sample Survey 2008 and Census 2010. The exposed scenario is of an unequal Brazil which needs to advance in resources and investment aimed at improving the quality of life of its elderly population.

Key-words: Populational ageing, inequality, longevity.



INTRODUÇÃO

Os idosos são o grupo que mais cresce na população brasileira (Lima-Costa et al, 2003) como resultado da transição demográfica e transformações que a população vem sofrendo com a melhoria nos setores médico-sanitários. A transição demográfica se caracteriza pela mudança de altas para baixas das taxas de mortalidade e fecundidade (Choe e Chen, 2005), o que afeta profundamente a distribuição etária da população (Saad et al, 2009). O envelhecimento populacional é um fenômeno mundial, atinge o planeta como um todo e, ocorre, principalmente, pela redução das taxas de fecundidade, o que torna os grupos mais jovens menos representativos (Carneiro, 2013).

Apesar de todos os países experimentarem o processo de transição demográfica, cada um deles se encontra em fases distintas. As regiões mais desenvolvidas do mundo possuem níveis de mortalidade e fecundidade bastante baixos. Por sua vez, para as regiões em desenvolvimento, as taxas de fecundidade se apresentam muito próximo ou abaixo do nível de reposição (Alves, 2008).

A idade cronológica é caracterizada pelo tempo transcorrido entre a data atual e a data de nascimento de uma determinada pessoa, portanto o envelhecimento de um indivíduo é o aumento de sua idade cronológica. Ou seja, o indivíduo envelhece quando sua idade aumenta, enquanto que a população só envelhece à medida que aumenta a proporção de idosos.

O tempo vivido vai depender de cada indivíduo, sua predisposição genética e os fatores espaciais aos quais ele está condicionado. Com isso, “A velhice representa a vitória de alguns indivíduos na luta contra diversas oportunidades de morte ocorridas em etapas anteriores” (Camargos, 2004). Em termos de vida nos permitimos o uso da idade como demarcação da velhice assim teria a demarcação de uma idade-limite a partir da qual o indivíduo é classificado como idoso. Porém, a questão é mais complexa do que a simples demarcação de idades-limite e, como descrito por Camarano et al (1999) essa classificação passa por pelo menos três obstáculos: a homogeneidade entre indivíduos, no espaço e no tempo; a uma suposição de que as características biológicas existem de forma independente de características culturais; e à finalidade social do conceito de idoso. Pela dificuldade das discussões se tornam complexos os estudos sobre os idosos, mas são de extrema importância. Sendo idoso o indivíduo que tem muita idade, esse conceito de muita idade pode sofrer variação de valor de acordo com o contexto da realidade ao qual está inserido. Segundo a ONU (1982), idosos são indivíduos com 60 (sessenta) anos e mais para os países em desenvolvimento e com 65 (sessenta e cinco) anos e mais para os países desenvolvidos.

Mesmo sendo um fenômeno mundial, as mudanças não acontecem da mesma maneira no mesmo espaço de tempo dentre as nações, ele atinge populações diferentes de maneiras diferentes. A população mundial de mais de sessenta anos passou de 8% em 1950 para 11% em 2010 e, segundo projeções da ONU (2011), será de 17% em 2030 e de 22% em 2050.

O envelhecimento populacional pode ocorrer pela base ou pelo topo (Moreira, 2001). O envelhecimento pela base é aquele que foi vivenciado pelos países desenvolvidos e, hoje, são os países em desenvolvimento que passam por essas transformações. Esse processo ocorre pelas quedas nas taxas de mortalidade nas idades iniciais seguido pela diminuição nas taxas de fecundidade o que acarreta no aumento da proporção de idosos dessa população. O envelhecimento pelo topo é o fenômeno vivenciado na atualidade pelos países desenvolvidos que já atingiram o mínimo de suas taxas de mortalidade nas idades iniciais, portanto, o aumento da proporção de idosos ocorre pelas quedas das taxas de mortalidade nas idades mais avançadas.

Estudiosos dos fenômenos relacionados à população divergem a cerca dos fatos que explicam as modificações pelas quais passaram as variáveis demográficas nas diferentes populações, mas há consenso em reconhecer que: as populações evoluíram de níveis elevados e relativamente estáveis de fecundidade e mortalidade para níveis baixos, e em equilíbrio, e, as vezes, flutuantes (caso do Japão e alguns países da Europa); a queda das variáveis se iniciam em momentos distintos, onde, geralmente, o nível da mortalidade começa a cair primeiro; a fecundidade tende a diminuir num ritmo mais lento; o tempo de ambas variáveis chegam à baixos níveis em momentos distintos entre as diferentes populações; e, o balanço entre os níveis de fecundidade e mortalidade, em ocasiões modificadas pela migração, determinam o ritmo do crescimento da respectiva população. Para esse processo se reconhece quatro etapas: incipiente, moderada, plena e avançada. Na incipiente e moderada há a lenta queda da mortalidade, mas a queda da fecundidade ainda é lenta; na etapa plena, ambas as variáveis estão em queda; na avançada, as taxas apresentam quedas significativas e há um equilíbrio nos níveis das variáveis (Miró, 1999).

Desde as últimas décadas do século passado, o Brasil depara com um declínio rápido e intenso da fecundidade. Como aconteceu na maioria dos países desenvolvidos, esse declínio, combinado com a queda da mortalidade, acarretou um processo de envelhecimento populacional e de aumento da longevidade da população.

Os dados do Censo Demográfico de 2010 mostram que a proporção de pessoas de 60 anos e mais no Brasil corresponde a 10,79% da população total, em comparação com 7,2% no ano de 1980, o que confirma o acelerado processo de envelhecimento da população brasileira (Carvalho e Garcia, 2003). As projeções apontam que a população de idosos no Brasil chegará ao ano 2020 com mais de 28,3 milhões, representando quase 12,9% da população total (IBGE, 2008).

No Brasil, a redução nos níveis de mortalidade a partir de 1940 propiciou ganhos significativos da esperança de vida, como resultado das diminuições de mortes provocadas pelas doenças infecto-contagiosas, principalmente na infância. O nível de esperança de vida ao nascer aumentou em, relativamente, poucas décadas, numa velocidade muito maior que os países europeus, os quais levaram cerca de 140 anos para envelhecer (Minayo e Coimbra JR, 2002).

Essa nova situação de aumento do número de idosos associado à maior longevidade têm implicações para os diversos setores da sociedade, transformando-se em um grande desafio porque envelhecer, simplesmente, não é o suficiente. É também fundamental alcançar uma melhoria da qualidade de vida daqueles que já envelheceram ou que estão envelhecendo (Kalache et al, 1987).

Apesar do processo de envelhecimento não estar, necessariamente, relacionado a doenças e incapacidades, na medida em que cresce o número de idosos e aumenta a expectativa de vida, as doenças crônico-degenerativas tornam-se mais prevalentes. E o aumento no número de doenças crônicas está diretamente relacionado com maior dependência funcional, queda, hospitalização, institucionalização e morte (Chaimowicz, 1998; Alves et al, 2007).

Diante deste contexto de aumento da proporção de idosos e da longevidade da população, será que os idosos mais idosos no Brasil apresentam padrões semelhantes das condições de vida e saúde comparativamente aos idosos mais jovens? Existem diferenças entre as regiões brasileiras?

Torna-se oportuno traçar um panorama demográfico do envelhecimento no Brasil e investigar as condições de vida e saúde dos idosos, uma vez que possibilita caracterizar e explicar os perfis de necessidade e problemas de saúde-doença da população, identificar necessidades e prioridades de políticas públicas.

Sendo assim, o objetivo do presente estudo foi verificar se o processo de transição demográfica acontece de maneira diferenciada entre as Regiōes Administrativas do Brasil no ano de 2010. Adicionalmente, pretendeu-se identificar e comparar as condições de vida e saúde dos idosos acima de 80 anos em relação aos mais jovens para o Brasil e grandes regiões para o ano de 2008.



MATERIAL E MÉTODOS

Os dados foram oriundos do Censo Demográfico de 2010 e da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) de 2008 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A PNAD é um inquérito de abrangência nacional, baseada em amostras probabilísticas e que em 2008 incluiu um suplemento com questões sobre as condições de saúde e os aspectos a ela relacionados.

As variáveis selecionadas foram: nível de escolaridade, auto-percepção de saúde, doenças crônicas auto-referidas, capacidade funcional e internações hospitalares nos últimos 12 meses. O nível de escolaridade medido em anos de estudo foi dividido em quatro grupos: sem escolaridade, de 1 a 3, de 4 a 7 e oito anos e mais; a auto-percepção da saúde foi obtida por meio da pergunta “De modo geral, considera seu próprio estado de saúde como...”. Para o suplemento havia cinco possibilidades de resposta, variando entre excelente a muito ruim. Para o presente estudo os dados foram agrupados em: bom, regular e ruim. A incapacidade funcional foi avaliada pela dificuldade para subir ladeira ou escada e categorizada em: não consegue, tem grande dificuldade, tem pequena dificuldade e não tem dificuldade. As doenças crônicas foram mensuradas pela presença ou ausência das seguintes doenças: artrite ou reumatismo, câncer, diabetes, bronquite ou asma, hipertensão, doenças do coração e depressão. Os indicadores do uso de serviços de saúde foram levantados com base na ocorrência de uma ou mais internações hospitalares nos últimos 12 meses.

Foram estimados para a população total e regiões brasileiras a proporção de idosos na população, o índice de envelhecimento, a esperança de vida ao nascer e aos 60 anos.

Foram construídos tabelas e gráficos para todas as variáveis pertencentes no estudo.



RESULTADOS E DISCUSSÃO

Os resultados mostram que as proporções de idosos variaram dentro do território brasileiro. Na Região Norte se encontra a menor porcentagem de idosos e também de idosos mais idosos, sendo 6,82% a população de 60 anos e mais e 0,87% a de 80 anos e mais. Seguida da Região Norte, a Centro-Oeste exibiu 8,81% de idosos com 60 anos e mais e 1,04% acima de oitenta anos em sua população. A Região Sul é a que apresenta a maior proporção de idosos. Porém, a Região Sudeste apresenta a maior proporção de idosos acima de oitenta anos (Tabela 1).



Tabela 1: Proporção de Idosos, Brasil e Grandes Regiões - 2010.


PROPORÇÃO

Brasil

Norte

Nordeste

Sudeste

Sul

Centro-Oeste

60 anos e mais

10,79%

6,82%

10,28%

11,86%

12,00%

8,81%

80 anos e mais

1,54%

0,87%

1,64%

1,69%

1,56%

1,04%

Fonte: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - Censo

Demográfico 2010.

Os dados da Tabela 2 mostram que o índice de envelhecimento para o território brasileiro chega a 44,83. A participação crescente de idosos em relação aos jovens na população brasileira reflete, principalmente, a redução dos níveis de fecundidade e o aumento da esperança de vida dos idosos. As regiões Sudeste e Sul, que se encontram mais adiantadas no processo de transição demográfica, apresentam os maiores valores. Em contrapartida, a Região Norte apresenta o menor índice (21,84). Os valores mais baixos na Região Norte reflete a influência das migrações, atraindo pessoas em idades jovens, muitas vezes acompanhadas de seus filhos.



Tabela 2: Índice de Envelhecimento, Brasil e Grandes Regiões - 2010.

ÍNDICE DE ENVELHECIMENTO

Brasil

Norte

Nordeste

Sudeste

Sul

Centro-Oeste

44,83

21,84

38,68

54,59

54,94

35,98

Fonte: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - Censo Demográfico 2010.

A partir das pirâmides etárias observa-se não somente o fenômeno do envelhecimento populacional, mas também que a transição demográfica no Brasil não acontece de maneira homogênea (Gráfico 1). A análise das Grandes Regiões mostra que as mesmas avançam no processo de mudança da sua estrutura etária, mas essas transformações não ocorrem de maneira uniforme pelas diversas regiões. As Regiões Sul e Sudeste apresentam uma pirâmide que indica um estágio mais avançado no processo de transição demográfica, a Região Centro-Oeste em um intermediário e as Regiões Norte e Nordeste ainda mantém uma forma bem piramidal, o que significa que essas regiões ainda estão em uma fase inicial do processo.



A persistente redução das taxas de fecundidade e o grande contingente populacional oriundo das coortes de alta fecundidade no Brasil que continua em 2010 progredindo por meio da pirâmide e aumenta hoje a proporção de adultos, posteriormente, irá aumentar a de idosos.

Gráfico 1: Pirâmides Etárias, Brasil e Grandes Regiões - 2010.


  1   2   3


©bemvin.org 2016
enviar mensagem

    Página principal