Transcrição de Vídeo Coram Deo



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Transcrição de Vídeo Coram Deo

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Lição 3: A História Transformadora – O Poder da História

Vídeo 3 de 4: O Papel do Artista no Discipulado das Nações

Apresentador: Darrow Miller

Vimos que as ideias se espalham ao redor do mundo, se propagam pelo tempo e penetram na cultura. E eu gostaria de dedicar mais tempo no conceito das ideias penetrando na cultura, porque é algo que a igreja perdeu de vista.

Eu mencionei que as ideias geralmente surgem em universidades ou talvez monastérios, onde as pessoas passam suas vidas lutando com perguntas e problemas críticos. Elas então passam para os cineastas, compositores, poetas. E partir daí elas causam um impacto nos profissionais. Os profissionais então criam instituições que cercam nossas vidas, as leis, estruturas e instituições que moldam a sociedade na qual vivemos.

Alguém disse para mim um dia, ao refletir na sociedade consumista: "Estamos sendo consumidos pelo consumismo." Consumismo é parte de nossas vidas, é parte da estrutura e do modelo de nossas vidas. Amamos gastar dinheiro. Mas será que percebemos que esta sociedade está nos consumindo? Consumindo nosso coração, nossa alma. Consumindo nossa saúde. Então, vivemos no padrão destas estruturas e instituições da sociedade e nem sequer percebemos o que está acontecendo conosco.

Mas eu quero analisar o papel do artista, a quem eu chamo de trovador. Na época medieval havia palhaços, creio que eram chamados de "bobos da corte", e também havia os trovadores. Os trovadores eram pessoas que cantavam, iam de cidade em cidade contando histórias, transformando a História em contos para lembrar as pessoas de quem elas eram. E é sobre este conceito de trovador que quero falar hoje.

Existem muitos cristãos que amam as artes, mas geralmente são desencorajados pela igreja a se envolverem com as artes. Há não muito tempo atrás eu falava com uma mulher. Ela é uma excelente pintora, e eu a perguntei o que ela estava pintando. Ela respondeu: "Eu não tenho pintado há 20 anos." Eu disse: "Por que você não pinta há 20 anos?" E ela disse: "Porque não é espiritual o bastante." E meu coração se partiu por ela, mas também por todas as pessoas que poderiam ter apreciado a arte que a vida dela poderia ter produzido. Porque ela tinha essa ideia errada sobre o que era espiritual e o que não era.

Vários anos atrás eu tive o privilégio de ir a um festival de música cristão em Estes Park, no Colorado. E havia cerca de 400 a 450 cantores, compositores e produtores de música cristã, a maioria deles cristãos, e também havia alguns dançarinos. Enquanto eu estava lá, fui convidado a participar de um painel de discussão certa tarde. Eu era o único dos quatro participantes do painel que não era cantor. Mas eu me senti honrado em estar na companhia deles.

Havia um grupo de talvez 45 ou 50 cantores e compositores que haviam se reunido para esta oficina durante a tarde. E um dos cantores que integrava o painel mencionou que a Madonna estava no Japão durante aquela semana realizando concertos, e que as pessoas pagavam mil dólares por ingresso para ouvi-la cantar. E era sobre isso que ele estava falando, a quantidade de dinheiro que ela ganhava. Mas quando chegou minha vez de falar, eu me concentrei no fato dela estar no Japão e perguntei a este grupo de cantores e compositores: "O que a Madonna está fazendo no Japão?" E eles olharam para mim com aquele olhar de "que pergunta besta" e, após alguns instantes alguém respondeu: "Ela está fazendo concertos".

E eu disse: "Sim, ela está fazendo concertos. Mas o que ela está fazendo no Japão?" E outra pessoa disse: "Ela está entretendo os japoneses." Eu disse: "Sim, ela está entretendo os japoneses. Mas o que a Madonna está fazendo no Japão?" Alguém disse: "Ela está ganhando muito dinheiro." Eu disse: "Mil dólares por ingresso, sim, ela está ganhando muito dinheiro. Mas o que a Madonna está fazendo no Japão?" E as respostas se esgotaram. Então eu disse: "Ela está discipulando uma nação."

E você precisava ter visto os queixos deles caírem. Eles nunca tinham pensado assim antes. E que tragédia, porque a nossa tarefa como igreja é discipular nações. E um dos maiores dons que podem ser usados para discipular nações é o das artes. E todos esses cantores cristãos não tinham nem ideia. A maioria dos artistas musicais cristãos estão ocupados entretendo a igreja. E poderiam estar usando seus dons para discipular suas nações.

Eu compartilhava estas coisas em um treinamento de líderes na África do Sul há alguns anos atrás. Foi uma daquelas experiências enriquecedoras onde havia 150 jovens líderes de 50 países diferentes. Que privilégio é estar neste tipo de ambiente, pelos líderes e pela diversidade de origens. Quando eu cheguei nesta parte da seção, as pessoas que me convidaram para ir à África do Sul vieram até o palco e disseram: "Darrow, você precisa se sentar."

Então eu me sentei e, assim que o fiz, uma moça se levantou, ela tinha lágrimas descendo por seu rosto. Ela disse: "Eu amo escrever canções. Tenho uma gaveta cheia delas em casa. Mas eu nunca as cantei e nem as toquei, porque meu pastor disse que música é do diabo". Ela disse: "Pela primeira vez em minha vida ouvi um líder cristão dizer que talvez Deus tenha me dado um dom para um propósito e que talvez Ele queira que eu use meus dons para discipular minha nação."

Quando ela se sentou, um rapaz se levantou. E ele disse: "Eu venho de uma nação que o mundo considera atrasada. Em minha nação, tratamos as mulheres muito mal." Ele disse: "Quando eu for para casa, quero começar a escrever canções sobre os aspectos gloriosos de minha nação. E eu quero começar a compor canções sobre a dignidade das mulheres, para ver se consigo mudar a maneira como as mulheres são vistas em minha sociedade." E ele se sentou.

Então outro jovem líder se levantou, e outro após ele, e mais outro. E isso continuou por 45 minutos, e ao fim desse período ninguém mais queria levantar. Então levamos por volta de 35 jovens ao palco, se não me engano, e pedimos para que todos se levantassem, estendessem suas mãos na direção deles e orassem pela liberação de seus dons artísticos. Foi um momento extraordinário.

O filósofo grego Platão disse: "Dê-me as canções de uma nação, e não importará quem escreve suas leis." O que Platão entendeu? Platão entendeu que a música molda a cultura, e que a economia e a política derivam da cultura. "Dê-me as canções de uma nação, e não importará quem escreve suas leis."

Nós temos visto isso no mundo todo hoje. Não sei quantos de vocês viram o famoso beijo. Há alguns anos atrás, Madonna e Britney Spears fizeram um concerto global e, ao fim de uma música, deram um beijo de língua. Você acha que isso foi planejado? Certamente sim. Elas, como artistas, estavam declarando aos jovens do mundo todo que não há diferença entre um homem e uma mulher se beijando e duas mulheres se beijando. Elas estavam discipulando nações naquele concerto. E o que vemos acontecer hoje ao redor do mundo? Vemos governo atrás de governo procurando redefinir as leis do casamento. Para realizar casamentos entre quaisquer adultos com consentimento, e não apenas entre homem e mulher.

E eu vejo quando viajo para a América do Sul e para a África. Apesar de serem tão pobres, por que os parlamentos e congressos dessas nações têm gastado tanto tempo criando essas leis? Porque a cultura mudou. E foram as artes que perpetraram essa mudança na cultura.

Eu amo ir a uma base da Jocum em Porto Rico. Eu vou para lá todos os anos. E eu amo ir para lá por dois motivos. O primeiro é que eles entendem a importância da cosmovisão e a levam muito a sério.

E o outro é que eles atraem muitos jovens que são artistas, poetas, compositores, cantores. Há alguns anos atrás eu estava lá ensinando e um deles me perguntou: "Darrow, nós sabemos que você está escrevendo um livro sobre o sofrimento das mulheres." Eu disse: "Sim." Eles disseram: "Você poderia nos dar uma aula sobre o livro enquanto você está aqui?" Eu disse: "Claro."

Aquela noite eu ensinei sobre o coração maternal de Deus. E enquanto eu estava no meio da lição, notei que as mulheres começaram a chorar. Elas nunca tinham ouvido algo assim antes, e nunca tinham ouvido algo assim vindo de um homem antes. E pouco depois os homens começaram a chorar, porque eles estavam ouvindo os corações partidos de suas irmãs. O líder da base da Jocum veio e ministrou um período de 45 minutos de arrependimento, e foi uma noite realmente incrível.

Mas no ano seguinte, quando eu voltei para minha semana de ensino, uma das primeiras coisas que aconteceram foi que dois poetas vieram até mim, em momentos distintos, mas ambos queriam compartilhar comigo alguns dos poemas que eles haviam escrito durante aquele ano sobre a dignidade das mulheres.

E então um dos outros rapazes veio, um brilhante jovem cineasta, e disse: "Darrow, depois que você foi embora, escrevemos um roteiro sobre a dignidade da mulher." E eles escreveram o roteiro, atuaram, produziram e dirigiram esse filme de 45 minutos. Eles nunca haviam feito um filme em suas vidas. Mas queriam se tornar trovadores para falar profeticamente à sua cultura.

Depois disso, um outro rapaz veio e disse: "Darrow, desde a última vez em que você esteve aqui, escrevemos um álbum de músicas original com 11 canções, todas sobre a dignidade da mulher." E aquelas não eram músicas para a igreja. O título de uma das canções era: "Não Existe Camisinha Para a Alma". Pode haver camisinha para o corpo, mas não para a alma. Então, esses jovens pegaram o álbum e fizeram uma turnê em Porto Rico, compartilhando essas canções. Então fizeram uma turnê pela Colômbia compartilhando essas canções. A imaginação deles havia captado a ideia de serem trovadores para o reino de Deus.

Precisamos encorajar jovens cristãos que amam as artes e que têm dom nas artes a falarem profeticamente às suas culturas. E precisamos encorajar pastores. Quando a igreja é saudável, é a fonte das artes para uma nação. E agora mesmo a igreja não está muito envolvida nas artes. Talvez quanto à arte religiosa, ou à música religiosa, sim. Mas em termos de moldar a música e a cultura, não estamos nem perto. Então precisamos encorajar pastores e jovens cristãos a começarem a se engajar na cultura com as artes.



Eu gostaria que você pensasse ou refletisse em torno dessa ideia. Eu mencionei que a economia e a política derivam da cultura. E o que isso significa para os cristãos? E quais as implicações disso quando você olha para sua própria cultura e para os processos econômicos e políticos que estão acontecendo hoje?


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