Tipos de hábitats e organismos associados



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TIPOS DE HÁBITATS E ORGANISMOS ASSOCIADOS
Na plataforma continental podemos encontrar dois habitats: o primeiro referindo–se à coluna d’água é denominado província nerítica; e o segundo referindo-se ao fundo é conhecido como província bêntica. Associados à província nerítica encontram-se representantes do plâncton e nécton. Mas quem são eles?

Plâncton

O plâncton agrupa os organismos que vivem a deriva das correntes nos oceanos, alguns têm a capacidade de realizar migrações verticais. Dentro deste grupo existem alguns vírus, bactérias, microalgas e macroalgas, pequenos animais e até larvas de animais do nécton e bentos, classificados respectivamente como viroplâncton, bacterioplâncton, fitoplâncton, zooplâncton e meroplâncton. Eles também podem ser classificados de acordo com seu tamanho como a tabela abaixo:



Tabela 1: Variação de Tamanho do Plâncton

Classificação (Parsons et al. 1984).

Tamanho

Fentoplâncton

0,02 a 0,2 µm

Picoplâncton

De 0,2 a 2,0 µm

Nanoplâncton

Entre 2,0 e 20 µm

Microplâncton

Entre 20 e 200 µm

Macroplâncton

De 2 a 20 cm

Megaloplâncton

> 20 cm

Organismos planctônicos existem em todos os oceanos, das camadas mais superficiais até as fossas oceânicas mais profundas. Sua abundância e diversidade, porém, serão governadas pela produtividade primária local (a qual é determinada pela presença de luz e concentração de nutrientes) e pela estabilidade ambiental (quanto menos turbulento o ambiente em questão, menor a pressão seletiva, permitindo a existência de uma maior diversidade de espécies). No ambiente de plataforma continental, em regiões próximas à costa encontraremos uma maior concentração de luz e nutrientes, dando margem a uma maior produtividade primária e conseqüentemente maior abundância de organismos, mas também será um ambiente mais instável, gerando uma menor diversidade. Analogamente, afastando-se da costa em direção à quebra da plataforma, a produtividade primária diminui e conseqüentemente a abundância também se reduz, mas o ambiente se mostra mais estável, dando margem à existência de mais espécies.

A sua distribuição vertical também será governada pela produção primária local (como vimos, determinada pela presença de luz e nutrientes), e também por comportamentos biológicos como a migração vertical dos seres planctônicos. Haverá uma maior abundância planctônica da camada de mistura até a termoclina devido à maior produção primária nessas zonas (que são camadas onde a luz alcança), as quais também são chamadas de epilímnio. A camada de termoclina pode constituir uma barreira física ao movimento vertical de água devido à estratificação de densidade, no caso, é a tendência da coluna de água se manter em equilíbrio dinâmico (em outras palavras, a água menos densa tende a ficar sempre embaixo da mais densa). Isso pode limitar a subida de nutrientes disponíveis em maiores profundidades para a camada eufótica, ou a camada chamada de hipolímnio (com conseqüências sobre a produção primária e abundância já discutidas), e também impedir a migração vertical dos organismos.

Quanto à sua distribuição ao longo da costa, há maior produtividade primária (maior abundância de plâncton) em regiões ao largo de estuários, onde existe grande aporte de nutrientes trazidos por rios (ex: foz do Amazonas, Rio da Prata, etc.). Em geral, há uma menor abundância de organismos da região nordeste até o Rio de Janeiro, onde a plataforma é relativamente curta e as águas são quentes e pobres em nutrientes. Na região sudeste, o fenômeno da ressurgência favorece uma alta produtividade primária nessa região, e uma grande abundância de organismos planctônicos.

Nécton

O nécton agrupa os organismos capazes de nadar para manter sua posição e mover-se contra a corrente. São organismos nectônicos: répteis como as tartarugas marinhas, mamíferos (pinípedes - focas e leões marinhos e cetáceos - baleias e golfinhos), aves como os pingüins, moluscos como lulas e polvos e, dominantemente, os peixes.

No Brasil muitos cefalópodes e peixes neríticos têm grande importância comercial, já alguns répteis, mamíferos e aves utilizam–se da plataforma como rota de migração, são exemplos algumas espécies de tartarugas, as baleias e as aves (p. ex. maçaricos – Calideis canutus).

Organismos Anádromos (do Gr. Aná = de baixo para o alto + drómos = correr) são aqueles que vivem em ambiente marinho e sobem os rios na época da desova (procriação) – Salmões, etc.

Organismos Catádromos (do Gr. Katá = do alto para baixo + drómos = ato de correr) são aqueles que descem para o mar na época da desova (procriação) – Tainha, etc.

Bentos

O bentos representa os organismos ligados aos fundos e à interface da água com o substrato sólido consolidado ou não consolidado, eles podem viver no interior ou sobre o fundo do oceano. Este grupo é composto por bactérias, animais (zoobentos) e algas, sendo que sua abundância depende da profundidade e camada eufótica. O zoobentos é um conjunto extremamente rico de animais pertencentes aos mais diversos grupos. Estes grupos podem ser estabelecidos dentre outras maneiras de acordo com seu habitat preferencial:


Tabela 2: Classificação do Zoobentos de acordo com o Tamanho e Hábitat.

Divisão do zoobentos de acordo com o tamanho do indivíduo

Divisão do zoobentos de acordo com o habitat

Tamanho

Grupo Estabelecido

Habitat Preferencial

Grupo Estabelecido

Retidos por peneira de malha 0,5 mm (500 µm)

Macrobentos

Escavam ou se encontram enterrados nos sedimentos ou rochas

Infauna / Endofauna

Retidos por peneira de malha 0,062 mm (62 µm)

Meiobentos

Organismos que perfuram quimicamente ou mecanicamente rochas e madeiras

Endofauna de substrato duro

Passam pela peneira de malha 0,062

Microbentos

Vivem ou se locomovem sobre o substrato

Epifauna

Capturados com rede de arrasto > 2 cm

Megafauna

Vivem em espaços entre os grãos do sedimento

Mesobentônico

Na plataforma continental o ambiente bêntico é subdividido em duas partes de acordo com a sua dinâmica e sedimentos nelas existentes: a primeira vai desde a praia até uma profundidade de aproximadamente 50m chamada zona litorânea; a segunda se estende desde os 50m até a quebra de plataforma, por volta dos 200m a chamada zona sublitorânea.

A zona litorânea é marcada por uma estratificação bem marcada, determinada pela maior ou menor influência da água do mar (ver praia arenosa e costão rochoso).

Já a zona sublitorânea ou plataforma externa da costa brasileira pode se dividir em três seções: a primeira que abrange toda a região norte - influenciada pela foz do rio Amazonas, onde predomina uma fauna bêntica associada ao sedimento mais lamoso provindo do rio; a segunda seção vai desde o nordeste indo até a proximidade da cadeia Vitória Trindade, caracterizada por uma grande fauna bêntica e grande ocorrência de recifes coralinos.

E por fim, a terceira segue desde o Cabo Frio até o Rio Grande do Sul, havendo uma gradação na predominância de grupos bentônicos, onde os organismos coralinos são substituídos por organismos mais adaptados ao fundo lamoso.



Fonte: http://ecomar.io.usp.br/plataforma_habitats.html.
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2012 -> Notícias do Jornal da Ciência Terça-Feira, 15 de maio de 2012


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