The interaction scientist-journalist in interviews



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Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação


XXIII Encontro Anual da Compós, Universidade Federal do Pará, 27 a 30 de maio de 2014







A INTERAÇÃO CIENTISTA-JORNALISTA EM ENTREVISTAS1


THE INTERACTION SCIENTIST-JOURNALIST IN INTERVIEWS

Isaltina Maria de Azevedo Mello Gomes 2



Resumo: O principal objetivo deste artigo é examinar a função do "envolvimento" na interação entre jornalistas e cientistas, em entrevistas realizadas com o objetivo de divulgar pesquisas científicas na imprensa diária. Utilizamos como principal aporte teórico para nossa análise os estudos de Chafe (1984, 1985). A análise de quatro entrevistas realizadas por repórteres do Jornal do Commercio nos permitiu identificar algumas características do comportamento linguístico dos participantes (cientistas e jornalistas). Observamos que, nesse tipo de interação, mais do que um traço característico inerente às interações verbais, o "envolvimento" é uma estratégia que visa garantir a compreensão do que é enunciado.
Palavras-Chave: Divulgação Científica. Envolvimento. Interação.

Abstract: The main objective of this paper is to examine the role of "involvement" in the interaction between journalists and scientists in interviews aiming to divulge scientific researches in the daily press. We utilize, as the main theoretical support for our analysis, the studies of Chafe (1984, 1985). The analysis of four interviews wrote by reporters from the Jornal do Commercio allowed us to identify some characteristics of the linguistic behavior of the participants (scientists and journalists). We could see that, in this type of interaction, more than an inherent trait of verbal interactions, "involvement" is a strategy to ensure the understanding of what is said.
Keywords: Scientific Divulgation. Involvement. Interaction.


1. Introdução


Embora os veículos de comunicação tenham aberto espaço à popularização do conhecimento científico, ainda é observada reticência de cientistas à imprensa. O público tem direito à informação científica, a comunidade científica, por sua vez, mesmo acreditando na importância da divulgação, receia o tratamento que será dado às suas informações. Esse receio acentuou-se com a expansão da divulgação científica na imprensa diária que, adepta do imediatismo e da concisão, e visando a alcançar um número maior de leitores, procura simplificar a complexidade da linguagem científica.

Em pesquisa sobre o relacionamento entre jornalistas e cientistas, Cavalcanti (1993) revela opiniões curiosas sobre a questão. Um dos cientistas entrevistados, por exemplo, disse não entender o porquê de a linguagem jornalística deturpar tanto as informações dadas. Alguns jornalistas, no entanto, argumentaram que muitas vezes é o cientista que não sabe expressar exatamente o que está querendo dizer, e assim provoca má compreensão.

O objetivo deste artigo é mostrar o papel do envolvimento em entrevistas destinadas à divulgação científica, um tipo de interação em que o esforço cooperativo tem o objetivo de minimizar deturpações e maximizar a precisão das informações veiculadas pela imprensa. Partimos do pressuposto que, nesse tipo de interação, o envolvimento tem um papel relevante para a compreensão das informações.

Para este trabalho, utilizamos como corpus entrevistas realizadas com pesquisadores por repórteres do Jornal do Commercio (JC) para a editoria Ciência / Meio Ambiente. cientistas por eles entrevistados. Com os dados coletados, procedemos a uma primeira seleção que visou a descartar as entrevistas sobre assuntos factuais, como a realização de congressos, seminários, eleições para sociedades científicas, pois nosso interesse centrava-se especificamente naquelas destinadas à divulgação de pesquisas. Também foram excluídas as entrevistas cujas gravações eram inaudíveis ou incompreensíveis e aquelas em que houve a participação de mais de um entrevistado, pois além do excesso de sobreposições, não nos permitiam identificar qual dos falantes tinha o turno nos momentos em que se escutava uma só voz. Após essa primeira “limpeza”, escolhemos uma entrevista de cada uma das áreas do conhecimento identificadas naquele conjunto. São elas: Engenharia; Ciências Exatas e da Terra, Ciências Biológicas e Saúde. Assim, chegamos a um corpus constituído por quatro entrevistas realizadas por repórteres do JC (cf. TABELA 1).




TABELA 1


Entrevista/Assunto

Área de Conhecimento

I- Resistência de tijolos

Engenharia

II- Amplificador óptico

Ciências Exatas e da Terra

III- Alívio de dores na menstruação

Saúde

IV- Melhoramento genético do Milho

Ciências Biológicas

Passamos, em seguida, à análise dos dados, observando as atitudes linguísticas de cientistas e jornalistas durante a interação.



2. Compreensão e atividade jornalística


A produção de textos jornalísticos envolve em primeira instância a compreensão de textos-fonte, sejam eles falados ou escritos. Jornalistas convivem no dia a dia com massas de informações as mais diversas, mas necessitam compreendê-las para que consigam produzir textos claros e precisos. No entanto, a complexidade inerente ao processo de compreensão nem sempre permite que se apreenda o sentido dos textos em sua totalidade, o que pode explicar muitas das alterações/deturpações de conteúdo identificadas em matérias veiculadas pela imprensa.

Dascal (s.d., p.1) observa: "Pode-se compreender uma enunciação ou um texto mais ou menos superficialmente, com maior ou menor profundidade, mas jamais se pode dizer que se alcançou uma compreensão global e completa do texto". O autor encara a compreensão muito mais como um processo de aproximação gradual do sentido, do que como uma questão de tudo ou nada, de sim ou não.

Em artigo sobre a compreensão na interação verbal, Taylor (1986, p.171) cita Locke para destacar a "imprecisão das palavras" como um fator que dificulta a compreensão completa dos enunciados.
Nunca sabemos, argumenta Locke, se as ideias que significamos por meio de certas palavras são iguais as que nossos ouvintes significam com as mesmas palavras. Consequentemente, nunca podemos ter certeza que nossos ouvintes recebem os pensamentos que queremos transmitir com nossos enunciados.
Posição semelhante tem Gumperz (1982), quando diz que qualquer enunciado pode ser interpretado de várias formas. Mas, ele acrescenta a importância das "pistas de contextualização" na compreensão de enunciados durante as interações.3 Dascal e Weizman (1987) também enfocam a relevância do contexto na interpretação de textos ao postularem que, em geral, o leitor/ouvinte acha-se exposto a uma `base de dados' linguística que acoplada ao contexto permite ao destinatário chegar à interpretação.4

Seguindo essa linha de pensamento, Marcuschi (1989, p.4) assinala:

Compreender um texto é mais do que compreender todos os itens lexicais que o compõem; é mais do que compreender cada sentença isoladamente; é mais do que apenas extrair informações. Compreender um texto não é apenas operar com base nos materiais linguísticos.

Importa destacar, pois, que a compreensão requer diferentes tipos de conhecimento. Ou seja, para entendermos textos, orais ou escritos, são ativados tanto os conhecimentos linguísticos quanto os conhecimentos de mundo (extralinguísticos). Compreender, portanto, não é uma simples tarefa de decifrar ou decodificar informações inscritas no texto de forma objetiva.

Apesar de a produção de textos jornalísticos ter como pressuposto básico a compreensão do(s) texto(s)-fonte, é natural que, no caso das entrevistas, por exemplo, determinados conhecimentos do entrevistado não sejam partilhados pelo repórter, resultando na má compreensão de um ou outro aspecto da informação. Isso pode gerar falseamentos que, especialmente no âmbito do jornalismo científico, contribuem para sedimentar o receio à imprensa, presente em boa parte da comunidade científica. Tal receio leva os cientistas a lançarem mão do envolvimento como estratégia que visa a assegurar a compreensão dos repórteres.


3. Comportamento dos interactantes


Diversos estudos apresentam características que marcam as diferenças entre a fala e a escrita. Chafe (1984,1985), por exemplo, afirma que o fato de a escrita ser uma atividade tipicamente solitária, em contraste com a fala, que geralmente ocorre em um ambiente de interação social, leva ao que ele denomina de distanciamento da escrita e envolvimento da fala.

Afirma Chafe que o distanciamento é evidenciado, por exemplo, no uso da voz passiva, no emprego de particípios, nas nominalizações, nas perguntas e citações indiretas, nas sequências de frases proposicionais. Sugerindo que o envolvimento é um dos aspectos básicos quando se observa a produção linguística falada, sobretudo na interação dialógica, Chafe (1985, p.117) assinala que esse fenômeno pode dar-se de três modos:

[...] envolvimento do falante com ele mesmo, autoenvolvimento; envolvimento do falante com o ouvinte, concernente à dinâmica da interação com o outro; e envolvimento do falante com o conteúdo, um compromisso pessoal com o assunto abordado.
O primeiro deles é caracterizado principalmente pelo uso de pronomes pessoais e possessivos em 1ª pessoa, de expressões como "eu acho", "eu não sei", "eu digo". O segundo modo é evidenciado pelo emprego da 2ª pessoa, referência ao nome do ouvinte, respostas a questões do interlocutor e uso de marcadores conversacionais como forma de pedir confirmação do que é dito. Já o terceiro modo é demonstrado por dispositivos que expressem o interesse do falante pelo conteúdo abordado. São os exageros, as exclamações, as repetições, além do uso de vocabulário expressivo, do presente histórico, de citações diretas, ou de partículas adverbiais como "justamente" e "realmente".

Um dado curioso, observado por Chafe (1984), diz respeito a diferentes atitudes do falante e do escritor. Para o autor, na fala, a preocupação com verdade e falsidade é menor que na escrita, o falante tem maior confiabilidade no que diz, e mostra-se categórico, usando expressões como "certamente" e "sem dúvida". O escritor, ao contrário, é mais cauteloso e costuma empregar modalizadores como "possivelmente" e "talvez".

A nosso ver, nas entrevistas jornalísticas realizadas com cientistas o envolvimento é mais do que uma característica inerente às interações verbais, mas também uma estratégia que visa a garantir a compreensão do que é enunciado. Nas entrevistas aqui analisadas, verificamos algumas características que, de acordo com Chafe (1984, 1985), evidenciam o envolvimento do falante com ele mesmo, com o ouvinte e com o conteúdo. Mas, apenas o envolvimento do falante com o ouvinte e com o conteúdo são usados como mecanismo de assegurar a compreensão do ouvinte.
Autoenvolvimento
O autoenvolvimento, caracterizado pelo uso de pronomes pessoais e possessivos na primeira pessoa, e por expressões do tipo "eu acho", centradas no falante, pode ser identificado nos exemplos (1), (2) e (3). Nesses segmentos, verificamos a utilização da primeira pessoa do singular e também da primeira pessoa do plural, destacando respectivamente as participações individual e coletiva.

(1)

da Linha

Trecho da entrevista I

169

176

C5 - pronto exatamente Essa foi a NOSsa concluSÃO ... pelo resultado que nós obtivemos ... este tijolo::/ o tijolo de vedação ... ele tem um vírgula cinco megapascal tipo a e tipo b dois vírgula cinco ... isso é o mínimo ... que ele deve ter ... o portante ... o mínimo que deve ter é quatro megapascal ... então as nossas médias aí:: que a gente viu aí é TRÊS pon/ vírgula quarenta e oito

J1 - não ... vinte e seis ( )

C5 - vinte seis ... menor ainda tá [certo?

J1 - [é cruel

C5 - então ... a nossa conclusão é exatamente essa



(2)

Nº da Linha

Trecho da entrevista III

383

385

C11 - é ... veja porque ... eu sou o coordenador porque sou eu que desenvolvo a pesquisa ... o coordenador é aquele que desenvolve ... sou eu que estou desenvolvendo a pesquisa ... o MEU orientador ... tem que ser um expert tem que estar num nível mais ALto do que eu ... tá certo? e tem que orientar o traBAlho ce:rto?



(3)

Nº da Linha

Trecho da entrevista IV

354

364

C15 - esse trabalho eu desenvolvi com meus orientadores ... que é o doutor T

J3 - como?

C15 - J M T

J3 - áh certo

C15 - certo e a doutora M S

J3 - certo

C15 - isso inclusive se você pudesse dar é interessante porque realmente foram/ foi graças a eles que eu tive acesso a laboraTÓRIO e me ensinaram a técnica e eles foram treiNADOS pela PIOneira de cultura de antera ... que se chama doutora C N ... uma francesa ... foi uma das PRIMEIras a trabalhar com essa TÉCnica ... aí eles tiveram a oportunidade de aprender com ELA e eu com eles ... então isso foi uma grande chance que eu tive ... de aprender


Esses três exemplos ilustram uma preocupação observada na maioria dos cientistas: explicitar a autoria da investigação. Ou seja, quando é usada a 1a pessoa do singular, o cientista evidencia sua participação na pesquisa, mas destaca a equipe envolvida ou o orientador(a), quando utiliza a 2a pessoa do plural. Ao contrário dos demais tipos de envolvimento, este parece não ter propriamente o objetivo de facilitar a compreensão do ouvinte, mas enfatizar a autoria do trabalho. Nas entrevistas com pesquisadores, o autoenvolvimento é um tipo de envolvimento muito característico.



Envolvimento com o ouvinte
O envolvimento do falante com o outro é evidenciado, de acordo com Chafe (1984, 1985), pela utilização da segunda pessoa, referência ao nome do ouvinte, respostas a questões do interlocutor e o emprego de marcadores conversacionais, como forma de solicitar a confirmação do que é dito. No corpus analisado, verificamos que, embora sejam raras as ocasiões em que o cientista mencione o nome do repórter, a tendência é referir-se ao interlocutor utilizando a segunda pessoa do pronome pessoal (‘você’), como assinalamos nos exemplos (4) e (5).
(4)

Nº da Linha

Trecho da entrevista II

193
195

C8 - tem ... você pega/ com um e zero você fa:z qualquer coisa ... você ... decide ... um zero você decide por exemplo que o código um zero um zero significa na:da ... que o zero é a ... que: quatro letras dessa é b ... e por aí vai


(5)

Nº da Linha

Trecho da entrevista IV

193

194

C15 - então ... a partir desse momento que você tem uma planta ou que você induz a diploidização ou que ela ocorra por conta dela ... VOCÊ tem o que?

Nos quatro exemplos seguintes, destacamos os marcadores conversacionais, tais como "certo?" "tá certo?", "tá"?, "né?", outro dispositivo utilizado nas interações verbais que revela o envolvimento com o ouvinte.



(6)

Nº da Linha

Trecho da entrevista I

246

259

C5 - ahahm mas veja bem é é ... aqui no Norte Nordeste por exemplo você não tem ninguém que nunca ... ninguém nunca ( ) a a norma ... ela pode ser feita com bases no nas coisas do sul tá certo? o pessoal muito mais controlado e tal ou até mesmo com bases em normas internacionais né? é::: aQUI se usa ... esse tipo ... há muito tempo tá certo? inclusive não e só aqui ... mas em vários outros lugares/ o Rio Grande do Sul também usa/ a gente tem vários trabalhos aí do Rio Grande do Sul falando exatamente dessa preocupação que o pessoal tem lá ... com esse tijolo de é é ... menor ... esse tijolo de seis furos tá certo? e:: os os incidentes ... são poucos ... eXIStem ... mas são poucos tá? então você vai condenar? uma uma estrutura desse tipo? ... não que::: seria interessante você fazer um trabalho em cima disso aí ... pra ver se:: a norma não tá sendo também um pouco ... rigorosa tá certo? ela pode tá sendo rigorosa não é verdade? inclusive algumas ... no/ novas normas estão saindo dizendo que você deve fazer isso ... isso e isso ... pode-se ... é::: na ausência de ensaios experimentais/ se você tiver ensaios experimentais que comprovem certo? é ... feito em laboratório idôneo ... você pode usar um processo diferente ou uma coisa diferente tá certo? então ... é es/ ... é o caso ... nosso certo? se a gente tivesse laboratórios aqui que comprovem que isso realmente é eficiente que catorze centímetro é um pouco exageRADO ... talvez se possa usar o de sete centímetros


(7)

Nº da Linha

Trecho da entrevista II

137
143

J2 - mesmo que/ mesmo com com cabos de fibras ópticas é preciso ter transmissor? um amplificador?

C8 - É é ... o sistema funciona assim ... você tem um transmissor aqui ... certo? você tem um transmissor ... e aqui tem um receptor certo? ... então dependendo dessa distância aqui ... quando essa distância é: maior do que cem quilômetros por exemplo certo? ... você precisa de ter amplificadores ... HOje em dia esses amplificadores são eletrônicos ... então toda vez que você quiser é/ quando você transmite ... você transmite de uma certa frequência ... então significa o seguinte ... se você quiser aumenTAR a freQUÊNcia de transmisSÃO pra transmitir MAIS coisas



(8)

Nº da Linha

Trecho da entrevista III

143
149

C11- certo?

J3 - uhum

C11 - E O outro equipamento/ esse é o equipamento que funciona/ o outro equipamento vai ser um equipamento que: ... em tudo igual ao primeiro... mas que NÃO TEM ação fisioLÓgica ... entendeu? a gente vai colocar no pacie::nte ... o paciente vai SENtir a corrente etecétera... mas aquela corrente está MODIFIcada de tal forma que NÃO PROVOCA efeito fisiológico... se houver um efe::ito analgésico será por INDUÇÃO... entendeu agora?



(9)

Nº da Linha

Trecho da entrevista IV

399


402

C15 - entendeu? mesmo ( ) que podia não ser é como você pegar vamos dizer assim ... um um um um germânico ... um branco germânico com um preto africano ... quer dizer dois puros e cruza-se ... e tivesse um moreno e você quisesse obter dali um branco certo?... a probaBILIDADE no caso é de um quarto ... mas você está tenTANDO ... quem sabe no final você não vai obter ... entendeu?

Como se pode perceber, os marcadores conversacionais funcionam não apenas como um "cacoete" da fala. Boa parte das vezes, esses marcadores parecem ser empregados como estratégia de pedir que o repórter confirme sua compreensão do assunto. Em geral essa confirmação é feita com um olhar, um aceno de cabeça, ou verbalizada com algo como “uhum”.

É interessante observar que há ocasiões em que o cuidado do cientista com a clareza de sua exposição e, consequentemente, com a compreensão do repórter torna-se mais explícito. No segmento (10), dois trechos de uma mesma entrevista ilustram nossa afirmação.
(10)

Nº da Linha

Trechos da entrevista III

120
121
317


321

C11 - VEja/ porque: ... o tens com a conformação de onda que ele TEM ... ele ele é CAPAZ de provocar uma analgesia tá certo? u:ma diminuição da dor/ quando eu falar algum termo que você não entender você diz tá?

(...)

C11 - é ... que são ANÁLOGOS ...à morfina ce:rto? quais sejam as encefalinas ... principalmente encefalinas e beta-endorfinas ... eu vou dizer uma coisa agora ... que se você não entender você pergunta ... eu tenho esses dois ... tenho a encefalina e a beta-endorfina ... a a encefalina ela tem um efeito imediato ... você leva uma pancada ela age imediatamente mas também ela se acaba imediatamente ... ela é degraDAda imediatamente tá certo?



Responder a questões do interlocutor é mais um dispositivo que caracteriza o envolvimento com o ouvinte (CHAFE, 1984; 1985). Como as entrevistas são realizadas por meio de perguntas e respostas, esse é um ponto que não necessitaria de maiores comentários porque, além de fundamental para esse tipo de interação, é um comportamento rotineiro no corpus analisado. Contudo, na entrevista IV, o frequente emprego de perguntas nos turnos do entrevistado nos chamou a atenção, pois nas entrevistas jornalísticas o esperado é que repórteres perguntem e entrevistados(as) respondam. Observe-se o exemplo (11).

(11)

Nº da Linha

Trecho da entrevista IV

193


200

C15 - então ... a partir desse momento que você tem uma planta ou que você induz a diploidização ou que ela ocorra por conta dela ... VOCÊ tem o quê? vamos supor que fosse aqui fossem cromossomos né? ... a realidade do milho são dez ... vamos supor que fosse ( ) o o que acontece? ele só era um ... não é isso? porque era só: um grão de pólen que é só metade ... em vez ... então em vez de ele ter no caso vinte ... do milho ele só tinha dez ... vamos supor que fossem dez né? ... então o que acontece ... ele se duplica ... né? então duplicou-se ... cada um FORmou dois ... não é isso? então ele passou ...por conta DELE ... a ter vinte ... então o que aconteceu? isso é uma linha PUra ... porque esse cromossomo é iDÊNtico a esse ... certo? Então essa duplicação espontânea vai te for mar automaticamente uma linha pura

As perguntas retóricas verificadas em (11) são um tipo de marcador conversacional. Mas, o curioso é que funcionam também como estratégia para fazer o ouvinte acompanhar o raciocínio do falante como se fosse uma interação entre professor e aluno em sala de aula, revelando também o caráter assimétrico da entrevista jornalística realizada com cientistas. As situações de envolvimento com o outro ocorrem tanto do cientista em relação ao jornalista, quanto do jornalista em relação ao entrevistado.


Envolvimento com o conteúdo
Já assinalamos que, na concepção de Chafe (1984, 1985), o presente histórico; as citações diretas; as partículas adverbiais, tais como "realmente", "justamente"; os exageros; as exclamações e o vocabulário expressivo são dispositivos que expressam o interesse do falante pelo assunto abordado, demonstrando seu envolvimento com o conteúdo. Mostramos a seguir alguns dos casos encontrados. Em (12), temos um exemplo de citação direta na fala do entrevistado.

(12)

Nº da Linha

Trecho da entrevista I

4

10

C5 - ahahm é::: é essa idéia de trabalho de pesquisa em tijolo/ ((tosse)) ela saiu porque ... o crea teve uns problemas de: desabamento é::: ... al/ sempre que acontece um problema de desabamento então a alegação é que o material... não ser/ foi problema de material o material é ruim ... o tijolo é deficiente ... e:: realmente a gente não tinha aqui em Recife nenhum trabalho desse tipo ... que::: pudesse dizer "olha o tijolo característico da região tem uma resistência de tanto e tal" ... ai o crea ... pra eviTAR problemas e inclusive pra fornecer é:: forne/ subsídios pra eles pra tomar um::/ ... ter um critério ...uma base para o julgamento de alguma coisa ... resolveu fazer essa pesquisa ... fazer um trabalho desse tipo

Em (13) destacamos o exagero com o uso de "TERror". Em (14), temos outro caso de exagero ("super bem") e do emprego do advérbio "realmente".


(13)

Nº da Linha

Trecho da entrevista II

199

205

C8 - a cada/ a cada bit ... uma combinação de bits forma uma palavra ... aí pode ser um número ... pode se:r o que você quiser ... então quando essas informações são transmiTIdas ... se você ruÍdo ... você pode ... inserir coisa que você NÃO consegue ler o texto ... então eu chego em casa no computador quero ver as mensagens que vêm é::: um TERror ... o sujeito tem que sair decifrando ... enquanto que se fosse tudo fibra óptica não ... por exemplo ... lá nos Estados Unidos não tinha esse problema ... chegava em casa ligava e era mesmo que estar no terminal da da universidade ... enquanto que aqui entra muito ruído e ENtra por conta disso ... as LInhas NÃO SÃO ópticas

(14)

Nº da Linha

Trecho da entrevista IV

289


293

C15 - utilizadas na região NorDESte que apresentam a maior tolerância ao sal ... isso por experimentos que a gente realizou né ... então a gente quer fazer o que? plantar essas DUAS que são as MAIS tolerantes comercial né? Comercialmente como essa que a gente trouxe da Espanha ... e aí vamos ver REALmente no CAMPO como ela se comporta ... porque A NÍvel de laboraTÓrio ela se COMPORta super bem ... apresenta uma elevada tolerância ao sal

O uso da comparação, figura de linguagem bastante utilizada por pesquisadores, é um dos recursos que visam a facilitar a compreensão do repórter, como pode ser constatado em (15) e (16)



(15)

Nº da Linha

Trecho da Entrevista III

157

160

C11 - é: como se fosse bolinha de açúcar... né? O paciente pensa que é um comprimido ... toma ... pode até ficar bom por efeito indutivo ... agora de QUALQUER FORMA ... se NO FINAL ... o tens funcionar FISIOLOGICAMENTE ou indutivamente ... ambos são benéficos ... porQUE a finalidade é parar a dor ... fazer passar ou diminuir a [dor


(16)

Nº da Linha

Trecho da Entrevista IV

38

50

J3 - certo ... me diga uma coisa ... o solo ... ele saliniza por que razão?

C15 - normalmente porque a drenagem é mal FEIta certo? então o normal é que você tem o que? ... a chuva ... a irrigação ela molha o solo e essa água ... a água com sais do solo ... ela é drenada e vai para o subsolo e se perde ... ela acaba achando o lençol freático ... volta pro rio ... vai dar no mar ... então o que aconTEce? se você não faz um BOM sistema de drenagem ... nesses solos que a gente tem aqui no ... Nordeste ... a CHU:va ou a água de irrigação desce pelo solo ... fica escura né? ... dissolve os sais do solo ... principalmente o n a c l né? ... o cloreto de sódio ... que é o sal de cozinha ... então fica aquela solução do solo que é a água que a/ atingiu o solo ... mistuRA:do com esses sais ... e por causa da ... e/ evapotranspiração elevada né ... evaporação muito grande ... vem subindo essa solução do SOlo ... no que aTINge a superfície do solo SÓ água evapora e o sa:l vai cada vez mais se acumulando na na superfície do solo ... é como se você colocasse uma panela de água com sal no fogo né? e se esquece da panela ... você vai ver não tem mais nada de água ... mas o sal está todo ali ... é o mesmo sistema ... sobe aquela solução até a superfície ... na superfície evapora a água PUra ... o sal vai ficando ali



Observe-se que em (16) a comparação foi utilizada após uma detalhada explicação sobre as causas da salinização dos solos. Outro dado curioso refere-se à preocupação do cientista em deixar claro o significado do cloreto de sódio. Os sinônimos são dados seguidamente: primeiro a fórmula (nacl), em seguida o nome do sal (cloreto de sódio) e, finalmente, um termo mais popular (sal de cozinha).

No corpus analisado, as conceituações dadas por pesquisadores são, em geral, satisfatórias, o que nos leva a crer que, ao reconhecerem a complexidade do assunto abordado, os cientistas não medem esforços para dirimir as possíveis dúvidas do repórter. No entanto, encontramos casos em que há uma visível dificuldade de o entrevistado tornar claro o significado de determinado termo.

Note-se, no segmento (17), que após várias tentativas sem êxito, o pesquisador sugere que o repórter utilize a unidade "megapascal" sem nenhuma explicação, argumentando que a mesma já é bastante divulgada.



(17)

Nº da Linha

Trecho da Entrevista I

44

61

C5 - (...) quando a gente aplicava uma carga nele:: de zero vírgula cinco megapascal

J1 - o que é::: i::sso?

C5 -[é::

J1 - [megapascal?

C5 - é é:: quilo por centímetro quadrado/ é:: que/ é:: ... quer dizer é ... megapascal ... nã/ bom na verdade [megapascal

J1 - [é mil vezes

C5 - é newton por metro quadrado tá certo?

J1 - newton é:: é peso na [verdade

C5 - [é:: e':

J1 - é pe/ quilograma ve::zes a:: aceleração da velocidade né isso?

C5 - é tá certo então ... é/ na verdade o megapascal é::: equivalente a:: dez mil/ a:: um milhão de newton por megapascal ... tá certo? ( )

J1 - um milhão de newton ... por centímetro [quadrado

C5 - [por metro

J1 - por metro?

C5 - se quiser bota megapascal todo mundo entende ... já: já é uma unidade:: hoje bem divulgada


Esse caso reflete a diversidade de perspectivas de cientistas e jornalistas. O primeiro, talvez tenha em mente um leitor da sua área de conhecimento. O repórter, por seu turno, pensa em um público mais amplo que, certamente, necessita de uma explicação simples, mas precisa.5

Caberia ao cientista tornar suas explicações as mais claras possíveis. Ao repórter, perguntar qualquer coisa que o ajudasse a entender o assunto, ou confirmar se compreendeu corretamente determinada informação.

Nas entrevistas do nosso corpus, observamos diversas situações em que os jornalistas sinalizam querer confirmar sua compreensão do tópico abordado por meio de perguntas que, na realidade são paráfrases de enunciados do entrevistado. Vejam-se os casos (18), (19) e (20).



(18)

Nº da Linha

Trecho da Entrevista I

167

172

J1 - quer dizer que a grande maioria ... das nossas cerâmicas não ... produz o tijolo com qualidade de ser portante

C5- pronto exatamente ESsa foi a NOSsa concluSÃO ... pelo resultado que nós obtivemos ... esse tijolo::/ o tijolo de vedação ... ele tem um vírgula cinco megapascal tipo a e tipo b dois vírgula cinco ... isso é o mínimo ... que ele deve ter ... o portante ... o mínimo que deve ter é quatro megapascal ... então as nossas médias aí:: que a gente viu aí é três pon/ vírgula quarenta e oito





(19)

Nº da Linha

Trecho da Entrevista II

52

57

C8 - a FIbra enTÃO substitui o tranSÍStor certo? ... a fibra é o eleMENto amplificador

J2 - o bombeamento é fei/ áh sim o bombeamento é feito eletricaMENte e o elemento amplificador é o transístor ... aQUI o elemento amplificador é a FIbra

C8 - isso ... e o elemento bombeador é ... o laser de diodo

J2 - certo ... aqui o e/ o elemento ... bombeador é ... a energia né? ... a eletricidade né?

C8 – eXAto




(20)

Nº da Linha

Trecho da Entrevista III

349


358

J3 - ahahm ... certo ... quer dizer ... espera aí ... se aplicar três dias segui:dos e o efeito pode ser até de quarenta e oito horas... vai ter até SEIS [dias

C11 - [Pode ter ... pode ter ... porque cada pessoa também degrada numa velocidade diferente não é?

J3 - ahahm

C11 - você pode tomar um analgésico e fazer efeito diferente do analgésico ter que tomar ... embora seja o mesmo analgésico né?

J3 -é

C11 - o organismo trabalha diferentemente e cada pessoa libera uma quantidade diferente (...)



Para utilizar a terminologia científica, geralmente desconhecida por leitores médios, o jornalista necessita saber com precisão seu significado. Do contrário, corre o risco de distorcer o jargão ou traduzi-lo de forma excessivamente simplificada. Trechos que ilustram a preocupação com a grafia de palavras podem ser observados nos segmentos (21), (22), (23) e (24).




(21)

Nº da Linha

Trecho da Entrevista I

65

71

J1 - [pra escrever megapascal ... mega: ...minúsculo... pasca::l maiúsculo né?

C5 - É:: cê::/ pode ser assim

J1 - como é que se escreve como é que abrevia?

C5 - não ... cê pode escrever mega com a letra maiúscula mesmo

J1 - ma/ pascal tem que ser com maiúscula de todo jeito né?

C5 - é::: ... É tá certo ( )




(22)

Nº da Linha

Trecho da Entrevista II

40

47

C8 - o elemento amplificador é uma FIbra óptica esPEcial ... ela é dopada com ÍONS de terras raras

J2 - de TERRA ou terras?

C8 - TERRAS ... terras raras

J2 – uhm


C8 - no caso ÉRbio ... o material é érbio

J2 - com r?

C8 - é ... com r

J2 – érbio




(23)

Nº da Linha

Trecho da Entrevista III

108


116

C11 - temos o hospital ... quer dizer ... a: clínica ... o hospital ... temos o laboratório de e-le-tro-tecnofo-to-te-rapia ... que é o laboratório [que eu sou o coordenador

J3 - [ele:tro

C11 - eletrotecno ... fototerapia

J3 - sim ... esse ... esse [laboratório

C11 - [esse é no departamento de fisioterapia ... esse eu sou coordenador dele

J3 - ahahm ... certo... é tudo junto? [eletrotecnofototerapia

C11 - [é tudo junto ... é porque é: tratamento com eletricidade ... com calor e com radiação ... raio laser



(24)

Nº da Linha

Trecho da Entrevista IV

279
285

C15 - (...) e a gente viu que é uma chamada de jatinã c três anão ... [e a outra

J3 - [jatinã?

C15 - jatinã c três

J3 - jatinã com til no a?

C15 - til no a é ... jatinã c três anão

J3 - anã?

C15 - anão ... porque ela é baixinha

Esses trechos, oriundos de cada uma das entrevistas do nosso corpus, mostram que checar a grafia de palavras é um hábito comum aos jornalistas, principalmente aqueles que cobrem ciência e tecnologia.

As diversas situações de envolvimento com o conteúdo, seja do repórter seja do cientista, visam primordialmente que os resultados das pesquisas cheguem sem distorções ao público.

4. Algumas considerações

Os dados aqui examinados nos permitem afirmar que o envolvimento é um fenômeno bastante significativo em entrevistas jornalísticas realizadas com cientistas. Além de ser uma característica inerente às interações verbais, o envolvimento, de modo geral, revela-se como uma estratégia que busca otimizar a compreensão nesse tipo de evento comunicativo. Entre os tipos de envolvimento apontados por Chafe (1984, 1985) o envolvimento do falante com o ouvinte e, com o conteúdo são os mais relevantes, pois explicitam a preocupação dos falantes com a compreensão dos enunciados.

Durante esse tipo de entrevista, o cientista procura ressaltar o que acredita ser prioritário e, sistematicamente, confirmar a compreensão do interlocutor. O jornalista, por sua vez, entra nesse jogo interacional, procurando demonstrar sua atenção por meio de expressões como “certo”, ou de elementos não lexicalizados, a exemplo de “uhm”, “uhumm” e “aham”, perguntando tudo que ajude a entender o assunto, ou confirmando se compreendeu corretamente determinada informação. No final, tanto jornalistas quanto cientistas esperam que as pesquisas sejam divulgadas sem distorções.

Mesmo em se tratando de um estudo de caso, acreditamos que nossas conclusões indicam o que, em geral, ocorre durante interações realizadas com o objetivo de divulgar informações científicas. Isso porque pela constante ocorrência de determinados fenômenos no corpus analisado, acreditamos ser possível, apontar uma tendência do comportamento dos interactantes em entrevistas que visem, especificamente, à divulgação de pesquisas científicas. Por fim, destacamos o papel fundamental do envolvimento com o outro e com conteúdo no tipo de entrevista aqui abordado.



Referências

Chafe, Wallace L. Integration and Involvement in Speaking, Writing, and Oral Literature. In: Tanner, D. (org.) Spoken and Written Language: Advances in discourse processes. Norwood: Ablex, pp. 35-53, 1984.

Chafe, Wallace L. Linguistic Differences Produced by Differences Between Speaking and Writing. In: Olson, D.; Torrance, N. e Hildyard, A. (eds.) Literacy, Language and Learning: The nature and consequences of reading and writing. Cambridge: Cambridge University Press, pp. 105-123, 1985.

Dascal, Marcelo. Dez Maneiras de Ser Incompreendido (e algumas sugestões para evitá-las). (mimeo), 19 p, s.d.

Dascal, Marcelo e Weizman, Elda. Contextual Explotation of Interpretation Clues in Text Understanding an Integrating Model. In: Versihueren, J. e Bertucceli-Papi, M. (eds.) The Pragmatic Perspective. Amsterdan: John Benjamim, pp.31-46, 1987.

Gumperz, John. Discourse Strategies. Cambridge: Cambridge University Press, 1982.



Manual de Normatização do Jornal do Commercio. s.d. Recife, Jornal do Commercio.

Marcuschi, Luiz A. O Processo Inferencial na Compreensão de Textos. Relatório apresentado ao Cnpq: Recife, (mimeo), 160 p, 1989.

Taylor, Talbot J. Do You Understand? Criteria of Understanding in Verbal Interaction. Language & Communication 6 (3):171-180, 1986.



1 Trabalho apresentado ao Grupo de Trabalho Práticas interacionais e linguagens na comunicação do XXIII Encontro Anual da Compós, na Universidade Federal do Pará, Belém, de 27 a 30 de maio de 2014.

2 A autora é jornalista, doutora em Linguística, professora do curso de Jornalismo da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e do Programa de Pós- Graduação em Comunicação da UFPE (PPGCOM/UFPE). isaltina@gmail.com.

3Na visão de Gumperz (1982), as "pistas de contextualização" dizem respeito a aspectos superficiais sinalizados pelos falantes e interpretados pelos ouvintes, indicando como o conteúdo semântico deve ser entendido e como cada sentença relaciona-se com a que vem a seguir.

4 De acordo com Dascal e Weizman (1987), essa base de dados é por vezes tida como o "sentido literal".

5 De acordo com o manual de normatização do Jornal do Commercio (s.d.,p. 11): "[...] quando é indispensável empregar vocabulário e expressões próprias de determinadas profissões, atividades, ramos de conhecimento etc, o repórter deve sempre, em atenção ao leitor médio e não necessariamente especialista no tema abordado, explicar do que se trata. [...] O jornalista especializado tem que estar atento à comunicação clara do que tem a dizer, explicando termos e expressões técnicas incompreensíveis ao leigo". Nesse caso, o repórter conseguiu solucionar a pouca clareza do conceito informado pelo entrevistado, procurando em outras fontes o significado de megapascal (peso dividido pela área onde ocorre a pressão).

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