Tarefão de literatura leia os fragmentos abaixo para responder a questão 01. Texto I os sapos



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TAREFÃO DE LITERATURA
Leia os fragmentos abaixo para responder a questão 01.
Texto I
Os sapos
O sapo tanoeiro,

Parnasiano aguado,

Diz: ─ “Meu cancioneiro

É bem martelado”.

(...)

Brada em assomo



O sapo tanoeiro:

─ “A grande arte é como

Lavor de joalheiro.”
Texto II

Profissão de fé

Invejo o ourives quando escrevo:


Imito o amor
Com que ele, em ouro, o alto relevo
Faz de uma flor.
(...)
Torce, aprimora, alteia, lima
A frase; e, enfim,
No verso de ouro engasta a rima,
Como um rubim.
(...)
Quero que a estrofe cristalina,
Dobrada ao jeito
Do ourives, saia da oficina
Sem um defeito:
01) a) Compare os dois textos e, a partir daí, caracteriza a estética literária a que pertence o texto II, de acordo com as afirmações do texto I.
b) O texto I reforça ou nega os procedimentos estéticos apontados no texto II? Justifique a sua resposta.

Leia os poemas abaixo para responder às questões 02 e 03.


Texto I
Soneto das Luzes

Uma palavra, outra mais, e eis um verso,


doze sílabas a dizer coisa nenhuma.
Trabalho, teimo, limo, sofro e não impeço
que este quarteto seja inútil como a espuma.

Agora é hora de ter mais seriedade,


para essa rima não rumar até o inferno.
Convoco a musa, que me ri da imensidade,
mas não se cansa de acenar um não eterno.

Falar de amor, oh pastor, é o que eu queria,


porém os fados já perseguem teu poeta,
deixando apenas a promessa da poesia,

matéria bruta que não coube no terceto.


Se o deus frecheiro me lançasse a sua seta,
eu tinha a chave pra trancar este soneto.

Texto II
A um Poeta


Longe do estéril turbilhão da rua,
Beneditino escreve! No aconchego
Do claustro, na paciência e no sossego
Trabalha e teima, e lima, e sofre, e sua!

Mas que na forma se disfarce o emprego


Do esforço; E a trama viva se construa
De tal modo, que a imagem fique nua,
Rica mas sóbria, como um templo grego.

Não se mostre na fábrica o suplício


Do mestre. E, natural, o efeito agrade,
Sem lembrar os andaimes do edifício:

Porque a Beleza, gêmea da verdade,


Arte pura, inimiga do artifício,
É a força e a graça na simplicidade.

02) Compare os dois versos da primeira estrofe dos dois poemas.


a) Redija um pequeno texto apontando as concepções dos artistas acerca do ato de escrever poesia.
b) Como é classificado o tipo de composição elaborado pelos dois poetas. Justifique a sua resposta.

03) Para a poesia romântica, o importante era a inspiração. Os parnasianos comungam da mesma opinião? Comente com base no texto II.

Para responder às questões de número 04 e 06, leia os dois sonetos de Olavo Bilac, que fazem parte de um conjunto de poemas chamados Via Láctea.
XII

Sonhei que me esperavas. E, sonhando,


Saí, ansioso por te ver: corria...
E tudo, ao ver-me tão depressa andando,
Soube logo o lugar para onde eu ia.

E tudo me falou, tudo! Escutando


Meus passos, através da ramaria,
Dos despertados pássaros o bando:

“Vai mais depressa! Parabéns!” dizia.

Disse o luar: “Espera! que eu te sigo:
Quero também beijar as faces dela!”
E disse o aroma: “Vai, que eu vou contigo!”

E cheguei. E, ao chegar, disse uma estrela:


“Como és feliz! como és feliz, amigo,
Que de tão perto vais ouvi-la e vê-la!

XIII

“Ora (direis) ouvir estrelas! Certo


Perdeste o senso!” E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...

E conversamos toda a noite, enquanto


A via-láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.
Direis agora: “Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?”

E eu vos direi: “Amai para entendê-las!


Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas”.

04) a) A que movimento literário pertencem esses poemas?


b) Quais são as principais características desse movimento?

05) a) Existe alguma relação de conteúdo entre esses dois poemas? Por quê?

b) Em qual deles predomina o tipo textual denominado narração? Por quê?

06) Na segunda estrofe do primeiro poema, há um trecho escrito em ordem inversa e discurso direto.

a) Reescreva esse trecho na ordem direta.
b) Reescreva outra vez esse trecho, agora já posto na ordem direta, em discurso indireto.

Texto para a questão 07 e 08.


Ó Formas alvas, brancas, Formas claras

De luares, de neves, de neblinas

Ó Formas vagas, fluidas, cristalinas...

Incensos dos turíbulos das aras...


Formas do Amor, constelarmente puras,

De Virgens e de Santas vaporosas...

Brilhos errantes, mádidas frescuras

E dolências de lírios e de rosas...


Indefiníveis músicas supremas,

Harmonias da Cor e do Perfume...

Horas do Ocaso, trêmulas, extremas',

Réquiem do Sol que a Dor da Luz resume...


07) a) De acordo com a leitura dos versos acima, cite três versos que caracterizam o emprego das sinestesias.
b) Em que consiste a sinestesia?

08) Pode-se dizer que no poema acima há exemplos de aliterações? Justifique a sua resposta.


Leia o poema abaixo, de autoria de Cruz e Sousa.
Impotência cruel, ó vã tortura!
Ó Força inútil, ansiedade humana!
Ó círculos dantescos da loucura!
Ó luta, Ó luta secular, insana!
Que tu não possas, Alma soberana,
Perpetuamente refulgir na Altura,
Na Aleluia da Luz, na clara Hosana
Do Sol, cantar, imortalmente pura.
Que tu não posses, Sentimento ardente,
Viver, vibrar nos brilhos do ar fremente,
Por entre as chamas, os clarões supernos.
Ó Sons intraduzíveis, Formas, Cores!...
Ah! que eu não possa eternizar as cores
Nos bronzes e nos mármores eternos!
(RICIERI, Francine (org.). Antologia da poesia simbolista e decadente e expressão poética brasileira. São Paulo: IBEP, 2008. p55-56. Grafia atualizada.)

09) O poema acima aborda a relação entre sentimento e expressão poética. Transcreva a passagem na qual o poeta evoca o material de que se vale em seu ofício.


10)


A TERRA
Ao sobrevir das chuvas, a terra, como vimos, transfigura-se em mutações fantásticas, contrastando com a desolação anterior. Os vales secos fazem se rios. Insulam-se os cômoros escalvados, repentinamente verdejantes. A vegetação recama de flores, cobrindo-os, os grotões escancelados, e disfarça a dureza das barrancas, e arredonda em colinas os acevos de blocos disjungidos, de sorte que as chapadas grandes, intermeadas de convales, se ligam em curvas mais suaves aos tabuleiros altos. Cai a temperatura. Com o desaparecer das soalheiras anula-se a secura anormal dos ares. Novos tons na paisagem: a transparência do espaço salienta as linhas mais ligeiras, em todas as variantes da forma e da cor.

Dilatam-se os horizontes. O firmamento, sem o azul carregado dos desertos, alteia-se, mais profundo, ante o expandir reviscente da terra.

E o sertão e um vale fértil. É um pomar vastíssimo, sem dono.

Depois tudo isto se acaba. Voltam os dias torturantes; a atmosfera asfixiadora; o empedramento do solo; a nudez da flora; e nas ocasiões em que os estios se ligam sem intermitência das chuvas, o espasmo assombrador da seca.



A natureza compraz-se em um jogo de antítese.
CUNHA, Euclides da. Os sertões. 27. ed. Brasília, Ed. da Universidade de Brasília, 1963. p. 45.
a) O principal aspecto focalizado pelo narrador é a transformação da paisagem. Qual é o agente dessa transformação?
b) Que frase do texto denota a efemeridade destas transformações?
c) Segundo a última frase do texto, que sentimento o narrador atribui à natureza?


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